domingo, 6 de maio de 2012

Comunicado Imprensa da CPLP reunião em Lisboa 05/05/2012

Comunicado à Imprensa

Sublinhando a feliz coincidência da IX Reunião Extraordinária do Conselho de Ministros da CPLP se realizar a 5 de maio, Dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP;

Validando os valores contidos na Declaração Constitutiva da CPLP e

Reafirmando que “(…) a língua Portuguesa constitui entre os respetivos povos um vínculo histórico e um património comum resultantes de uma convivência multisecular que deve ser valorizada (…)” e “ (…) um meio privilegiado de (…) projeção internacional dos seus valores culturais, numa perspetiva aberta e universalista”, o Conselho de Ministros aprovou uma Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau.

IX REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DO CONSELHO DE MINISTROS DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

Lisboa, 05 de Maio de 2012

Resolução sobre a Situação na Guiné-Bissau

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido na sua IX Sessão Extraordinária, em Lisboa, no dia 5 de Maio de 2012, dia da Língua Portuguesa e da Cultura da CPLP, para analisar a situação na República da Guiné-Bissau, e na sequência da Resolução adotada na VIII Reunião Extraordinária, do passado dia 14 de Abril, após escutar uma informação do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e Comunidades da Guiné-Bissau,

DECIDE:

1. Reiterar a condenação veemente e sem reservas do golpe de Estado perpetrado pela liderança das Forças Armadas da Guiné-Bissau;

2. Exigir a reposição integral da ordem constitucional, abrangendo a restauração do funcionamento e da autoridade dos órgãos legítimos de poder, incluindo o Presidente da República interino e o Primeiro-Ministro, bem como a conclusão do processo eleitoral interrompido pelo golpe de Estado, cuja primeira volta foi considerada livre e transparente pela Comunidade Internacional, a CPLP reafirma que está, e estará, ao lado do povo guineense;

3. Reafirmar que as únicas autoridades da Guiné-Bissau reconhecidas pela CPLP são as que resultam da legitimidade constitucional e democrática e dar o seu apoio incondicional à posição expressa pelo Governo legítimo da Guiné-Bissau subsequente à Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, realizada em Dakar, no dia 3 de maio de 2012;

4. Expressar satisfação pelo fim da detenção do Presidente da República interino Raimundo Pereira e do Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior, afirmando, no entanto, que ambos deverão poder exercer a plenitude dos seus direitos civis e políticos na Guiné-Bissau, exigindo a libertação dos demais detidos no âmbito do golpe de Estado e o fim de restrições às liberdades individuais;

5. Sublinhar a importância da constituição urgente do “Grupo de Contacto para a Crise na Guiné-Bissau”, referido no Relatório do Secretário-Geral das Nações Unidas, S/2012/280, de 30 de abril, sobre a situação na Guiné-Bissau, sob a coordenação das Nações Unidas, com representantes da UA, da CPLP e da CEDEAO, tendo em vista o estabelecimento de uma parceria abrangente que possa contribuir para a pacificação e a estabilização duradoura na Guiné-Bissau;

6. Sublinhar a necessidade de respeitar escrupulosamente as decisões das Nações Unidas, o Ato Constitutivo da União Africana (UA), o Protocolo relativo à criação do Conselho de Paz e Segurança da UA e o Capítulo VIII da Carta Africana da Democracia, Eleições e Governação, quanto ao acesso ao poder por meios não constitucionais. Qualquer outra via constituiria um desafio à autoridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas e uma flagrante violação do princípio de “tolerância zero” da UA e da CEDEAO, estabelecendo um perigoso precedente e com o qual a CPLP não se compromete;

7. Apelar ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para que imponha sanções direcionadas a militares e civis implicados no golpe de Estado e manifestar apoio às medidas restritivas, recentemente adotadas pela União Europeia, contra militares guineenses e às sanções previstas pela CEDEAO;

8. Reiterar o seu apoio ao pedido do Governo legítimo da Guiné-Bissau para a constituição de uma força de estabilização abrangente, mandatada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e incluindo contingentes de membros da CEDEAO, da CPLP e da União Africana;

9. Realçar a necessidade imperiosa de concretizar a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau e combater incondicionalmente a impunidade e a ameaça do narcotráfico na África Ocidental, devendo a resposta da Comunidade Internacional criar uma oportunidade decisiva para o efeito.

10. Alertar a Comunidade Internacional para a emergência de uma situação humanitária na Guiné-Bissau, nomeadamente com deslocados, refugiados e risco de epidemias e para a necessidade de serem tomadas medidas em conformidade.

Lisboa, 5 de Maio de 2012

05-05-2012

Comando Militar entende sanções da UE

O porta-voz do Comando Militar que protagonizou o golpe de Estado na Guiné-Bissau no dia 12 de abril considerou hoje em Bissau normais as sanções da União Europeia contra a cúpula militar guineense.

Em conferência de imprensa, Daba Na Walna afirmou que a União Europeia decidiu sancionar seis oficiais superiores das Forças Armadas guineenses, entre os quais ele próprio, porque, "desconhece as motivações reais do golpe de Estado".

"Acho que são normais as sanções da União Europeia. Eu também no lugar deles tomava as mesmas medidas contra alguém que fizesse um golpe de Estado. Penso que agiram desta forma por desconhecimento da situação real, das nossas motivações, porque eles no nosso lugar também tomavam as mesmas medidas que nós acabámos por tomar", defendeu Daba Na Walna.

CPLP pede sanções da ONU para golpistas

Os responsáveis lusófonos apelam ao Conselho de Segurança da ONU para que imponha sanções direcionadas a militares e civis implicados no golpe de Estado na Guiné-Bissau.

Os chefes da diplomacia da CPLP pediram hoje ao Conselho de Segurança da ONU sanções dirigidas aos golpistas na Guiné-Bissau e demarcaram-se de qualquer solução que desrespeite a Constituição do país.

Em comunicado no final de um conselho de ministros extraordinário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizado hoje, em Lisboa, os responsáveis lusófonos apelam ao Conselho de Segurança da ONU para que "imponha sanções direcionadas a militares e civis implicados no golpe de Estado" de 12 de abril na Guiné-Bissau.

A CPLP apoia também as "medidas restritivas recentemente adotadas pela União Europeia contra militares guineenses e as sanções da CEDEAO [Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental]".

 

CPLP assume desacordo com África Ocidental

A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental aceitou a escolha no parlamento do Presidente guineense para um período de transição de um ano.

O presidente do conselho de ministros da CPLP, o angolano Georges Chicoti, disse hoje em Lisboa que a organização lusófona não alinha com a posição da Comunidade da África Ocidental sobre a crise na Guiné-Bissau.

"Não alinhamos nessa posição, porque ela fere alguns pontos principais ou fundamentais", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, que detém a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a propósito da posição definida na quinta-feira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de aceitar a escolha no parlamento do Presidente guineense para um período de transição de um ano.

"Não é a nossa solução", insistiu Georges Chicoti, no final de uma reunião dos chefes da diplomacia da CPLP  em Lisboa, porque "não reúne os consensos até aqui estabelecidos".

Liga dos Direitos Humanos pede medidas consistentes para resolver crises cíclicas

Bissau, 05 mai (Lusa) - A Liga dos Direitos Humanos (LDH) da Guiné-Bissau defendeu hoje que as cíclicas crises no país precisam de medidas consistentes e alertou para a "subsistência de atos de intimidações e perseguições a alguns cidadãos".

Em comunicado, a propósito da evolução da crise na Guiné-Bissau, decorrente do golpe de Estado de dia 12 de abril, a LDH diz discordar "liminarmente" da solução proposta pela CEDAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), pelo seu "desenquadramento institucional e contradição" com o espírito "de tolerância zero às alterações da ordem constitucional por via antidemocrática".

A solução da saída da CEDEAO pode provocar riscos, do ponto de vista constitucional, legal e de governabilidade, já que há limitações àquilo que pode fazer um Presidente interino, avisa a Liga.

sábado, 5 de maio de 2012

Professores portugueses na Guiné-Bissau regressam temporariamente a Portugal

Os professores portugueses que estão na Guiné-Bissau no âmbito da cooperação bilateral voltam este sábado temporariamente para Portugal, mas deverão regressar em breve.

Os docentes estão na Guiné-Bissau ao abrigo do Programa de Apoio ao Sistema Educativo da Guiné-Bissau (PASEG) e parte deles estava já em Portugal, devido ao golpe de Estado de 12 de abril ter acontecido quando passavam as férias da Páscoa.

Outro grupo tem-se mantido em Bissau, mas regressa hoje à noite a Portugal, constatou a Lusa.

Fontes contactadas pela Lusa indicaram que o motivo é não haver aulas, mas também a falta de luz e a anunciada falta de água a partir dos próximos dias.

As fontes disseram que os professores que este sábado partem para Portugal regressam em breve com os restantes profissionais que tinham ficado após as férias.

A agência Lusa tentou obter um comentário do responsável em Bissau pela cooperação portuguesa, mas tal não foi possível.

"Finalmente há luz verde" para saída da crise, diz MNE da Nigéria

Bissau, 04 mai (Lusa) - O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Nurudeen Muhammad, disse hoje em Bissau que "finalmente há uma luz verde" para a crise na Guiné-Bissau e que a resolução dos problemas está por "horas ou dias".

"Estamos a ver, em horas ou dias tudo irá acabar", afirmou Nurudeen Muhammad aos jornalistas num hotel de Bissau, onde se reuniu com os políticos guineenses e com as forças armadas.

O ministro chegou a Bissau ao início da tarde, num avião da Força Aérea da Nigéria, poucos minutos depois de ter aterrado também em Bissau outro avião, transportando uma delegação da Costa do Marfim, chefiada pelo ministro-adjunto do Presidente e ministro da Defesa, Paul Koffi Koffi.

PAIGC diz estar fora de qualquer arranjo parlamentar para a crise

Bissau, 04 mai (Lusa) - O presidente da bancada parlamentar do PAIGC (no poder na Guiné-Bissau até ao golpe de Estado) garantiu hoje que o partido não participará em nenhuma solução sem ser a reposição da situação de antes de 12 de abril.

Rui Sousa comentava assim hoje aos jornalistas a decisão da cimeira da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), que quinta-feira preconizou uma solução para a crise na Guiné-Bissau encontrada dentro da Assembleia Nacional Popular.

O PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) tem a maioria no parlamento.

Governo eleito da Guiné-Bissau "em total discordância" com CEDEAO

O Governo eleito da Guiné-Bissau está "em total discordância" com as decisões tomadas, na quinta-feira, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e considera que "em vez de resolver a crise no país, antes a complica".

O anúncio foi feito hoje em conferência de imprensa, na embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa, por Mamadu Djaló Pires, ministro dos Negócios Estrangeiros do governo deposto pelo golpe de estado militar de 12 de abril último.

"As Autoridades Legítimas da República da Guiné-Bissau estimam que o mecanismo adotado pela CEDEAO (...) ao pretender afastar o Presidente da República interino e o primeiro-ministro eleitos (...) não observou o princípio do retorno à ordem constitucional exigido pela comunidade internacional e pelos principais atores políticos e civis guineenses", disse Djaló Pires, que leu perante os jornalistas um comunicado de cinco páginas.

No mesmo documento, o governo guineense eleito adianta que a solução aprovada pela CEDEAO "complica mais do que resolve a crise na Guiné-Bissau, na mesma linha da crise do Mali, que ficou pior após a intervenção mediadora" da referida organização regional.

PAIGC insiste em força internacional para a Guiné-Bissau, informa a rádio estatal norte-americana Voz da América (VoA).

O porta-voz do PAIGC Fernando Mendonça disse que o seu partido defende o envio de uma força “de interposição e estabilização”.

Bissau - O Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde, PAIGC, rejeitou a possibilidade de um compromisso com os militares golpistas sobre o retorno à legalidade constitucional,informa a rádio estatal norte-americana Voz da América (VoA).


Numa entrevista à Voz da América, o porta-voz do PAIGC Fernando Mendonça disse ainda que o seu partido defende o envio de uma força “de interposição e estabilização” sob mandato da ONU e da União Africana composta por elementos da CEDAO e da CPLP.
Mendonça falava após terem fracassado negociações que duraram e toda a noite de terça para quarta-feira. O porta-voz disse que tinha sido convidado a participar numa reunião com o bispo da Guiné-Bissau que havia também convidado representantes dos militares.


“O PAIGC respondeu a um convite do Senhor Bispo que convidou também os militares,” disse.


O porta-voz confirmou que os militares não querem o regresso do presidente Raimundo Pereira e que “o PAIGC rejeita esta posição”.
Os chefes de Estado da região tinham exigido a libertação “incondicional” dos dirigentes presos, disse ele, .


“Se há alguém que diz que um ou outro não pode exercer alguma função isso é estar a impor condições,” disse o porta-voz do PAIGC.
Tem que haver “um retorno à normalidade constitucional o que significa que o poder deve ser restituído aos titulares legítimos dos órgãos” de poder.


“O PAIGC defende também a conclusão do processo eleitoral,” disse em referência à segunda volta das eleições presidenciais que foi cancelada devido ao golpe militar. “Essa é também a posição da comunidade internacional,” acrescentou.

Para Fernando Mendonça, “os militares fazem as interpretações que querem mas isso não envolve o PAIGC” e estão já a substituir governadores e administradores sectoriais “consumando” assim o golpe.


O PAIGC apoia “totalmente” o envio de uma força internacional para a Guiné-Bissau, afirmou.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A lista de individualidades alvo das sanções da União Europeia

General António Indjai encabeça lista de militares sancionados pela UE, e inclui ainda os generais Mamadu Ture "N'Krumah", Augusto Mário Có, Estêvão na Mena, Ibraima ("Papa") Camará e o tenente-coronel Daba Na Waln.

Bruxelas, 04 mai (Lusa) -- O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general António Indjai, encabeça a lista de individualidades alvo das sanções da União Europeia, que inclui outros cinco militares considerados responsáveis pelo golpe de Estado.

Um dia depois de a UE ter aprovado sanções contra os líderes do golpe militar de 12 de abril passado, a lista de seis pessoas que passam a ficar impedidas de entrar em território comunitário e cujos bens são congelados foi hoje publicada no Jornal Oficial da União Europeia e inclui ainda os generais Mamadu Ture "N'Krumah", Augusto Mário Có, Estêvão na Mena, Ibraima ("Papa") Camará e o tenente-coronel Daba Na Waln.

Enquanto relativamente a estes cinco militares o Jornal Oficial da UE limita-se a assinalar que os mesmos pertencem ao comando militar que assumiu responsabilidade pelo golpe de Estado, quanto a Indjai é indicado que o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas já esteve pessoalmente envolvido no planeamento e liderança da insubordinação militar de abril de 2010, tendo agido de forma a pressionar o Governo a nomeá-lo para a liderança das Forças Armadas.

PAIGC rejeita negociações

Maior partido da Guiné-Bissau considera impossível um acordo com os militares e exige reposição da normalidade

O PAIGC, principal partido da Guiné-Bissau, afirmou ontem que não haverá negociações com o Comando Militar que tomou o poder a 12 de Abril, pois isso seria legitimar o golpe de Estado.

Em esclarecimentos à imprensa, na sede do PAIGC, o secretário do partido para a Informação, Fernando Mendonça, reiterou as exigências de libertação "sem condições" de quantos foram presos pelos militares, o retorno à ordem constitucional e a realização da segunda volta das presidenciais.

Na sede falou também Iancuba Injai, da Frente Nacional Antigolpe, que pediu a reposição "de todos os órgãos do Estado".

Governo cabo-verdiano preferia medidas mais radicais da Comunidade da África Ocidental

Dacar, 04 mai (Lusa) - O primeiro-ministro cabo-verdiano preferia medidas mais radicais na cimeira da Comunidade da África Ocidental sobre a Guiné-Bissau, na quinta-feira, e disse que o processo é complexo e ainda não terminou.

"Teríamos de tomar medidas radicais, primeiro para garantir a reconstituição do Estado do Direito democrático, a reconstituição das instituições e a constituição de umas forças armadas republicanas. Aí exigiria medidas muito mais radicais", afirmou José Maria Neves, quinta-feira à noite no final de uma cimeira em Dacar da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), dedicada à situação na Guiné-Bissau e no Mali.

"Temos agora de analisar a situação concreta atual e ver que passos terão de ser dados para abrirmos caminhos para a aceitação das decisões das instâncias internacionais e evitarmos um confronto militar e perdas de vidas na Guiné-Bissau. Há ainda decisões que terão de ser avaliadas por outras instituições. Sábado na CPLP, segunda-feira na ONU", declarou o primeiro-ministro de Cabo Verde.

Decisões da África Ocidental devem refletir tolerância zero a golpes de Estado -- CPLP

Dacar,  (Lusa) - O principal desafio que se coloca atualmente à CEDEAO é fazer equivaler o nível das suas decisões "à proclamada tolerância zero" perante situações de alteração da ordem constitucional por via da força, disse hoje o secretário-executivo da CPLP.

Questionado pela agência Lusa em Dacar, onde assistiu à Cimeira Extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) sobre a Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira escusou-se, porém, a tecer mais comentários às decisões tomadas pela organização oeste-africana em relação à crise político-militar guineense.

Líderes africanos prometem "medidas suplementares" contra golpistas da Guiné-Bissau

Os governantes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), reunidos em Dacar, denunciaram a “atitude desafiadora” da junta militar que tomou o poder na Guiné-Bissau, e que recusou aceitar o regresso ao país, e ao cargo, do Presidente interino deposto Raimundo Pereira.Reunidos em Dacar, líderes da CEDEAO lamentaram evolução negativa da situação em BissauReunidos em Dacar, líderes da CEDEAO lamentaram evolução negativa da situação em Bissau (AFP/Seyllou)

 

Na segunda cimeira extraordinária em oito dias para discutir as crises da Guiné-Bissau e do Mali, os líderes da África Ocidental lamentaram que, depois da junta militar em Bissau ter aparentemente concordado com as suas condições para pôr fim à instabilidade no país, “a situação não esteja a evoluir de forma positiva”.


A 26 de Abril, a CEDEAO deu um prazo de 72 horas para a devolução do governo às autoridades civis, aprovando o envio de uma força de 600 militares para substituir um contingente angolano e supervisionar a transição do poder. Dias depois, perante a “ambiguidade” dos revoltosos, os países vizinhos avançaram com “penalizações diplomáticas, económicas e financeiras” contra a Guiné-Bissau.


Esta terça-feira o comando militar em Bissau fez saber que aceitava “todas as exigências” da CEDEAO, nomeadamente a diminuição do prazo de dois anos para um máximo de 12 meses até à realização de eleições democráticas, mas rejeitava o regresso de Raimundo Pereira – detido no golpe e posteriormente libertado e exilado na Costa do Marfim – para cumprir funções de Presidente interino.


“Esta atitude provocatória vai obrigar-nos a tomar medidas suplementares para garantir que as nossas decisões são respeitadas e implementadas”, avisou o Presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara. “A região não vai tolerar o desafio perpétuo dos militares guineenses, que ao arrepio de todas as regras constitucionais insistem em impor a sua vontade ao povo”, reforçou o secretário-geral da CEDEAO, Désiré Kadré Ouédraogo.
Ãumentando a pressão sobre os líderes da revolta guineense, Bruxelas anunciou a aprovação de um pacote de sanções contra seis responsáveis pelo golpe de Estado de 12 de Abril, e exigiu o “regresso imediato à ordem constitucional”.


Em comunicado, a União Europeia disse que medidas como o congelamento de bens e a proibição de entrada no território europeu serão implementadas “contra as seis pessoas que ameaçam a paz, segurança e instabilidade da Guiné-Bissau” e cujos nomes serão divulgados na próxima semana.


Entretanto, o ministério da Defesa de Portugal confirmou a informação avançada pela radia Renascença de que uma terceira fragata foi reforçar a Força de Intervenção Rápida accionada para o eventual resgate e transporte de cidadãos nacionais da Guiné-Bissau.

CEDEAO elabora lista de cidadãos bissau-guineenses sujeitos a sanções

Lagos - A Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) começou a elaborar uma lista de cidadãos da Guiné-Bissau que serão sujeitos a sanções, depois de falhadas as conversações com os militares que tomaram o poder a 12 de Abril de 2012.  

A notícia é avançada hoje (quinta-feira) pela agência espanhola EFE, que cita uma fonte da organização de países africanos, que pediu para não ser identificada, segundo a qual as sanções incluem restrições de viagem e congelamento de bens e começarão a serão aplicadas "dentro de dias".  

"Incluirá membros do comando militar que esteve por trás do golpe de Estado de 12 de Abril de 2012, membros do grupo chamado "Fórum", bem como membros dos partidos políticos da oposição", assegurou.  

A mesma fonte precisou que a "lista de afectados não será fechada, podendo sempre acrescentar-se o nome de qualquer um que dificulte os esforços para devolver a Guiné-Bissau à ordem constitucional".  

As sanções anunciadas consistem no congelamento de bens dos membros do comando militar e dos seus apoiantes nos países-membros da CEDEAO, das contas no Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) e de toda a ajuda económica.  

Incluem ainda a proibição de viajar para os países da CEDEAO, o encerramento das fronteiras dos países-membros com a Guiné-Bissau e a proibição de o país participar em qualquer acontecimento desportivo ou cultural que se realize em qualquer Estado da organização.  

As sanções foram aprovadas numa cimeira extraordinária que o bloco regional realizou a 26 de Abril em Abidjan, capital da Côte d'Ivoire, devendo agora, segundo a fonte citada pela EFE, a comissão da CEDEAO determinar quem serão os alvos dessas sanções.  

À cimeira seguiu-se no domingo passado uma reunião do grupo de contacto de sete países da CEDEAO para acompanhar a situação na Guiné-Bissau (Nigéria, que preside, Senegal, Benim, Gâmbia, Guiné-Conakry, Togo e Cabo Verde) com os militares golpistas, na qual se procurava um entendimento sobre o regresso à legalidade constitucional no país no prazo de doze meses.   

A Guiné-Bissau e o Mali - que vive uma crise política também na sequência de um golpe militar -- serão os pontos em discussão numa outra cimeira extraordinária da CEDEAO que decorre hoje (quinta-feira) em Dakar, no Senegal.  

A CEDEAO tinha já imposto desde as zero horas de 29 de Abril sanções económicas, financeiras e diplomáticas à Guiné-Bissau.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Central elétrica sem gasóleo para fornecer energia na capital

03 de Maio de 2012, 16:22

Bissau, 03 mai (Lusa) - A central elétrica de Bissau está quase sem gasóleo e as ruas e as casas da capital guineense ficaram às escuras, havendo o risco de faltar água nas torneiras "nos próximos dias", disse hoje à Lusa fonte da empresa.

Segundo a fonte, a EAGB (Empresa de Eletricidade e Águas da Guiné-Bissau) está sem dinheiro para comprar gasóleo que alimenta os geradores que "praticamente têm estado parados desde há uma semana".

Ainda nos primeiros dias do golpe de Estado militar, a 12 de abril, a empresa forneceu energia elétrica, mas esta semana Bissau tem estado às escuras.

A fonte indicou à Agência Lusa que a central elétrica tem neste momento "apenas 20 mil litros de gasóleo", sendo que cinco mil dessa quantidade foram oferecidas pela UNICEF.

"A UNICEF deu-nos ontem (quarta-feira) cinco mil litros de gasóleo para arrancar os geradores para a bombagem de água para a cidade", precisou a fonte, pedindo para não ser identificada.

Em condições normais a central elétrica de Bissau gasta por dia 15 mil litros de gasóleo pelo que direção decidiu usar todo o combustível de que dispõe para a bombagem de água canalizada.

A empresa espera poder garantir água canalizada aos citadinos de Bissau "pelo menos durante sete dias", precisou a fonte da EAGB.

Um Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau desde o dia 12 de abril passado, deixando o país sem Presidente e sem Governo desde então.

Ministros da CPLP reúnem-se no sábado para definir posição conjunta

Os ministros dos negócios estrangeiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem-se no sábado em Lisboa para concertar uma posição comum a apresentar encontro que a ONU fará sobre a Guiné-Bissau na segunda-feira

Comunicado de imprensa - O Conselho da União Europeia impõe sanções aos líderes do golpe.

 

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PM cabo-verdiano reúne-se com Presidente e primeiro-ministro em Dacar

Dacar, 03 mai (Lusa) - O primeiro-ministro de Cabo Verde está hoje reunido em Dacar com o Presidente interino e o primeiro-ministro guineenses, antes da cimeira extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) sobre a Guiné Bissau e o Mali.

Fonte diplomática cabo-verdiana adiantou que o encontro entre José Maria Neves, Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior é a sós e visa dar a conhecer ao primeiro-ministro de Cabo Verde a situação por que passaram os dirigentes guineenses após o golpe de Estado de 12 de abril.

Além deste encontro, vários outros entre chefes de Estado presentes estão também a decorrer e a atrasar, em pelo menos uma hora, o início dos trabalhos da cimeira extraordinária.

S.O.S Hospital de Ingoré. Guiné-Bissau

"O HOSPITAL DO POVO DE INGORÉ APELA A SOLIDARIEDADE D@S GUINEENSES DE BOA VONTADE PARA APOIAREM NO REFORÇO DO SEU STOCK DE GÉNEROS ALIMENTÍCIOS PARA CONFECÇÃO DAS REFEIÇÕES DOS DOENTES.

QUEIRAM POR FAVOR CONTACTAR O DIRECTOR DO HOSPITAL DR. ARMINDO (6677728/5577728) OU A IRMÃ ROMANA DA MISSÃO CATÓLICA MARIA DE MATIAS (IRMÃS ADORADORAS DO SANGUE DE CRISTO).

Portugal apoia regresso de primeiro-ministro ao poder - diz Paulo Portas

São Paulo, 03 mai (Lusa) -- Portugal apoia o restabelecimento do poder na Guiné-Bissau no primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, detido a 12 de abril após o golpe de Estado no país, afirmou hoje no Brasil o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.

"Quando há eleições e alguém ganha as eleições, se no dia seguinte há um golpe militar e quem ganha as eleições fica preso, então por que você faz eleições?", questionou Paulo Portas à margem da abertura das comemorações do centenário da Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, em São Paulo.

Carlos Gomes Júnior foi libertado na sexta-feira com o presidente interino Raimundo Pereira e o Comando Militar que assumiu o poder na Guiné-Bissau defende a formação de um governo de transição, com a posterior organização de novas eleições.

PR interino e primeiro-ministro estão em Dacar para reunião da Comunidade da África Ocidental

Bissau, (Lusa) - O Presidente interino e o primeiro-ministro guineenses estão em Dacar e vão participar na cimeira do Grupo de Contacto sobre a Guiné-Bissau, que se reúne quinta-feira na capital senegalesa, disse hoje à Agência Lusa fonte oficial cabo-verdiana.

A fonte sublinhou que Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior - detidos a 12 de abril na sequência de um golpe de Estado na Guiné-Bissau e libertados na passada sexta-feira, dia em que seguiram para Abidjan - seguiram diretamente da capital da Costa do Marfim para Dacar, sem precisar a data.

A cimeira do Grupo de Contacto, que analisará as situações político-militares na Guiné-Bissau e também no Níger, vai reunir na presença de seis chefes de Estado (Nigéria, que preside, Senegal, Benim, Gâmbia, Guiné-Conacri e Togo) e de um primeiro-ministro (Cabo Verde) dos sete países que o integram.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Centrais sindicais exigem pagamento de salários do mês de Abril

Bissau – As duas centrais sindicais da Guiné-Bissau, nomeadamente a União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG) e a Confederação Geral dos Sindicatos Independentes da Guiné-Bissau (CGSIGB) exigiram o pagamento dos salários aos funcionários públicos, referente ao mês de Abril.

A reclamação da UNTG e a CGSIGB enquadra-se no âmbito das comemorações do dia Internacional do Trabalhador, a 1 de Maio.


Numa mensagem conjunta alusiva a esta data e assinada pelos seus respectivos secretários-gerais, nomeadamente Estevão Gomes Co e Filomeno Cabral, as duas centrais sindicais do país, UNTG e a CGSIGB ameaçaram recorrer aos direitos que as leis lhes conferem.


«O não cumprimento desta exigência reservará às nossas organizações sindicais o direito que a lei lhes persiste», lê-se no comunicado.

A terminar, as duas organizações reiteram o seu apelo aos funcionários Públicos, no sentido de se manterem em casa até quando o país voltar à normalidade constitucional.

«Conselho de Segurança não irá cegamente atrás da CEDEAO» - embaixador na ONU

O embaixador guineense na ONU considerou que o Conselho de Segurança «não irá cegamente atrás da CEDEAO» nas suas decisões, mas sim mandatar uma força de paz para a Guiné-Bissau incluindo países da CPLP e outros.

Em declarações à Lusa em Nova Iorque, João Soares da Gama confirmou que a 07 de maio o Conselho de Segurança irá discutir o relatório do secretário-geral, Ban Ki-moon, circulado esta semana entre os 15 países-membros, e que desta discussão sairá uma resolução sobre a situação na Guiné-Bissau.

Questionado sobre a possibilidade de a força ser constituída apenas por militares da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), o diplomata afirmou que a organização regional tem um papel «natural» em crises como a guineense, mas apenas se não «tomar decisões contra aquilo que as autoridades legítimas consideram justo».

Lusa

Angola defende segunda volta das Eleições na Guiné-Bissau

País nega ser causa do golpe de Estado

Luanda - Luanda exige a realização da segunda volta das Eleições Presidenciais e diz que a presença de militantes angolanos na Guiné-Bissau não foi a causa do golpe de Estado.

Esta é, em linhas gerais, a posição do Governo angolano sobre a situação na Guiné-Bissau, manifestada esta quarta-feira, 2 de Maio, pelo secretário de Estado das Relações Exteriores aos jornalistas, no final de uma audiência com o Presidente da República de Cabo Verde.


Rui Mangueira defendeu que o seu Governo subscreveu todas as posições das organizações internacionais que pediram o regresso à ordem constitucional.


«O nosso princípio mantém-se, que o PAIGC deverá ser uma força considerada em todo este processo e deveremos então pensar que a realização da segunda volta das Eleições é um imperativo para a resolução da crise na Guiné-Bissau», referiu Rui Mangueira.


Ao rejeitar que a presença de militares na Guiné-Bissau foi a causa do golpe de Estado, Rui Mangueira argumentou que «a MISSANG tem apenas 270 homens na Guiné-Bissau e jamais poderia ameaçar as estruturas militares daquele país».


O governante angolano confirmou que a MISSANG deve retirar-se de Bissau nos próximos dias, como estipulou a CEDEAO, mas lembrou que aquela missão resultou de um acordo tripartido entre Angola, o Governo da Guiné-Bissau e a CEDEAO e que a urgência do processo de reestruturação exigia uma acção rápida.


A realização da segunda volta das Eleições Presidenciais é um imperativo para a resolução da crise na Guiné-Bissau, considerou o secretário de Estado e das Relações Exteriores de Angola, Rui
Mangueira, esta quarta-feira, 2 de Maio.


O governante angolano, que falava aos jornalistas, integra uma delegação tripartida da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) encarregue de entregar ao Presidente da República cabo-verdiano uma carta sobre a eleição do próximo líder da União Africana do Presidente da SADC, José Eduardo dos Santos.

ONG apelam ao fim do conflito

As principais organizações não governamentais a operar na Guiné Bissau juntaram-se para, num gesto inédito, alertar para o agravamento das condições humanitárias. As ONG condenam o golpe de Estado e apelam ao envolvimento internacional para resolver o conflito através do diálogo.

O gesto é inédito e sintomático do clima que se vive na Guiné Bissau. As principais organizações não governamentais condenam o golpe de Estado e responsabilizam-no pelo agravamento das condições humanitárias.

De acordo com as organizações, que chamam a atenção para as condicionalismos à sua ação humanitária impostas pelo clima que se vive no país, a atual situação está "a provocar escassez e subida dos preços dos bens essenciais, deslocação de pessoas à procura de segurança fora da capital com implicações em termos de educação e saúde pública, num momento em que se aproxima a época das chuvas, com alto risco de cólera e de outras epidemias."

Reunidas entre 25 e 27 de Abril, as ONG apelam à “libertação imediata de todos os detidos” na sequência do golpe de Estado e aos “atores nacionais e internacionais envolvidos na resolução desta situação [para] se engajarem na procura de soluções duráveis, através do diálogo”.

As ONG reafirmaram o seu “empenho no trabalho de promoção do desenvolvimento nas respetivas comunidades”, pedindo ainda “aos operadores económicos nacionais e internacionais para que sejam solidários com a população, evitando a subida de preços dos produtos da primeira necessidade enquanto a situação prevaleça”.

O último ponto do documento é um apleo dirigido à comunidade internacional, a quem as ONG pedem”para que continue a apoiar os esforços na promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento na Guiné-Bissau”. 

Ban Ki-moon pede «total apoio» a plano da CEDEAO

Ban Ki-moon

O secretário-geral da ONU defende uma solução «faseada» para a crise na Guiné-Bissau, começando pela mediação e sanções a indivíduos, com «total apoio» às iniciativas da comunidade regional (CEDEAO).

A posição é expressa no relatório ao Conselho de Segurança, a que a Lusa teve acesso, em que Ban Ki-moon afirma que o Comando Militar responsável pelo golpe «continua intransigente», apesar da condenação da comunidade internacional, o que está a levar a um agravamento da situação política, de segurança, humanitária e socioeconómica.

«A abordagem para lidar com a crise no país tem de ser faseada e medida, começando com diálogo inclusivo e mediação, acompanhado por sanções direcionadas conforme necessário, para assegurar o regresso rápido e pacífico ao Estado de Direito», diz o secretário-geral da ONU.

«Os passos dados pela CEDEAO para encontrar uma solução para crise têm de ser totalmente apoiados», adianta Ban Ki-moon no relatório, pedido há uma semana pelo Conselho de Segurança.

O documento estará em cima da mesa dos 15 países membros no 'briefing' e consultas da próxima semana no Conselho de Segurança sobre a crise na Guiné-Bissau, que deverá ter lugar a 7 de Maio, segundo fonte diplomática.

Portugal envia emissário a Abidjan para debater situação na Guiné-Bissau

Autores do golpe militar rejeitam regresso ao país do Presidente interino Raimundo Pereira

Militares derrubaram o Governo da Guiné-Bissau a 12 de Abril

Portugal enviou um emissário diplomático a Abidjan, na Costa do Marfim, para se reunir com o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o Presidente da República interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, depostos a 12 de Abril por um golpe militar.

O envio do emissário diplomático foi confirmado pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Miguel Guedes, e o encontro com os líderes depostos da Guiné-Bissau já decorreu. “A reunião do emissário diplomático português e as autoridades da Guiné-Bissau durou cerca de duas horas, foi útil e reflecte a persistência da linha do Governo português no retomar da ordem constitucional e na conclusão do processo eleitoral que foi interrompido no país” disse à agência Lusa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
“Os dois estão bem de saúde e durante a reunião foi feito o balanço do que se passou na Guiné-Bissau nas últimas semanas”, afirmou Miguel Guedes sublinhando que para Portugal é fundamental que as autoridades guineenses devem ter condições para desempenhar funções no país.


“O Governo português considera que as autoridades legítimas da Guiné-Bissau devem ser livres dentro do seu próprio país e não no exterior. Ficou provado que a pressão internacional foi fundamental para a defesa da integridade física do primeiro-ministro e do Presidente da República interino nas últimas semanas”, disse ainda o porta-voz do MNE que admite que se possam verificar ainda mais reuniões entre as autoridades da Guiné-Bissau que se encontram em Abidjan e o emissário diplomático de Portugal.


O Presidente da República interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, derrubados por um golpe militar em 12 de Abril, chegaram na noite de sexta-feira à capital da Costa do Marfim.


A libertação dos dois dirigentes guineenses pelo Comando Militar, designação do grupo que os derrubou, ocorreu a 48 horas do fim do ultimato dado pelos chefes de Estado da África Ocidental aos golpistas.


A Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) aprovou nesta segunda-feira sanções contra os golpistas por não terem sido aceites exigências dos países da África Ocidental – que tinha exigido um período de transição de um ano até às eleições e a reposição da ordem constitucional. Nesta terça-feira os golpistas adiantaram que aceitam todas as condições com excepção do regresso do Presidente interino Raimundo Pereira.

Comando Militar na Guiné-Bissau diz que não haverá sanções por estar a cumprir exigências

O Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau desde 12 de abril diz hoje que não haverá sanções da comunidade internacional contra si e contra o país porque está já a cumprir com todas as exigências que foram apresentadas.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do Comando Militar, o tenente-coronel Daba Na Walna disse que a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) não vai aplicar sanções contra o Comando porque os militares estão a cumprir "todas as exigências" da organização africana.

De acordo com Na Walna, dos sete pontos que constam das exigências da CEDEAO apenas um ainda não mereceu um consenso entre os militares, a classe política e a sociedade civil guineense.

Segundo Na Walna, o Comando Militar aceitou a vinda da tropa da CEDEAO, libertou incondicionalmente o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior e o Presidente interino, Raimundo Pereira, devolveu o poder aos civis, está a retornar às casernas, pelo que não haverá lugar para sanções contra a Guiné-Bissau, disse.

Daba Na Walna afirmou que o ponto ainda em discórdia é a exigência da CEDEAO para o retorno de Raimundo Pereira ao cargo de Presidente da República de transição.

O porta-voz do Comando Militar afirma que tanto os militares como a maioria da classe politica guineense não vê com bons olhos essa possibilidade.

"Pedimos a ponderação da CEDEAO na cimeira de Banjul (Gâmbia) sobre essa possibilidade, lembrando que essa hipótese não merece o nosso consenso", disse Daba Na Walna explicando porque motivo os militares não querem admitir o regresso de Raimundo Pereira à presidência.

"Se Raimundo Pereira voltasse seria o comando em chefe das Forças Armadas, ora nas condições em que ele saiu da presidência e detido seria de mau tom que ele voltasse agora para ser novamente comandante em chefe dos militares", exemplificou Na Walna.

"Se Raimundo Pereira voltasse seria um comandante em chefe que tem medo dos soldados ou sujeito a ter, a qualquer momento, uma situação incontrolável com os soldados", defendeu o porta-voz do Comando Militar, propondo outras saídas para a escolha do futuro chefe de Estado.

"A solução poderia ser alcançada no âmbito constitucional, com o presidente do Parlamento, Serifo Nhamadjo ou então com uma figura de consenso", disse Daba Na Walna, lembrando que é no âmbito da busca de "soluções endógenas internas" que o Comando Militar se vai reunir ainda hoje, na Cúria Diocesana, com o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

Carta aberta - Exmo Sr, administrador do Blog Venho por este meio solicitar a publicação desta carta aberta. Com os melhores cumprimentos

Exas

Dr. Koumba Yala

Sr. Serifo Namadjo

Sr. Henrique Rosa

Faço parte de uma geração que viveu os últimos anos do colonialismo português e todos os anos de independência do meu querido pais. Este lindo país que é meu e também é vosso.

Assisti à tomada do poder pelo PAIGC,

À governação do Luís Cabral,

À utopia da unidade,

Aos fuzilamentos dos comandos africanos,

As valas comuns,

Aos assassinatos políticos,

Ao 14 de Novembro,

Ao fim do ideal da unidade,

À guerra civil de 1998,

Ao retomar (lento) da lei e da ordem,

À presidência do Koumba Yalá,

Ao novo golpe de estado,

Ao regresso do Nino Vieira,

À chegada do narcotráfico,

Aos assassinatos políticos bárbaros,

Ao (novo) regresso de pais à ordem,

À morte de um presidente por doença,

A umas eleições declaradas Justas e Transparentes,

À intolerância dos candidatos derrotados,

A usurpação do poder pelas FARP, corrijo, militares,

À prisão de um presidente indigitado,

À prisão do PM e candidato a presidente,

A tempos de incerteza…

Temos todo um povo que anseia pela paz e pela ordem, que vive de novo na incerteza do futuro imediato.

Era isto que queriam para o país?

O Vosso projeto é este, o da terra queimada?!

A GB é um país pequeno que pertence a todos e não apenas a um grupo. Ninguém tem o direito de arrastar o país para novas crises.

O povo não dorme, o povo é soberano.

Teotónio Silva (Eng.º. Porto, Portugal)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Fragata Vasco da Gama atraca em Cabo-Verde

Embarcação está de prevenção para uma eventual retirada de cidadãos portugueses da Guiné-Bissau

A «Vasco da Gama», fragata da Armada portuguesa que se encontra de prevenção para uma eventual retirada de cidadãos portugueses da Guiné-Bissau, atracou hoje no porto da Cidade da Praia para uma «escala técnica», segundo fonte diplomática.
Fonte da embaixada de Portugal na Cidade da Praia disse à agência Lusa que o navio atracou às 13:00 locas (15:00 em Lisboa), devendo permanecer no porto até terça-feira, mas não adiantou pormenores.


O comandante do navio, capitão de fragata Ricardo Freitas Brás, convocou vários jornalistas para uma «pequena palestra» a bordo, às 18:00 locais (20:00 em Lisboa), acrescentou a fonte.
Contactada pela Lusa, fonte do Ministério da Defesa cabo-verdiano confirmou a chegada da «Vasco da Gama», indicando ter sido dada autorização para uma «escala técnica», afirmando desconhecer mais pormenores.


A «Vasco da Gama», tal como a corveta «Baptista de Andrade», integram a Força de Reação Imediata (FRI) que partiu a 16 de abril de Portugal com o objetivo de, caso necessário, apoiar as operações de retirada de cidadãos portugueses ou de outras nacionalidades da Guiné-Bissau, onde quatro dias antes se realizou um golpe de Estado.


A FRI integra também o avião militar «P3 Orion», que se encontra estacionado desde 16 deste mês no aeroporto internacional Amílcar Cabral, na ilha cabo-verdiana do Sal.


A FRI tem meios dos três ramos das Forças Armadas que variam consoante o tipo de missão, pode ser deslocada em 72 horas e é comandada pelo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA).


A 16 deste mês, fonte oficial do Ministério da Defesa afirmou à Lusa que os militares portugueses não têm qualquer operação definida para já e que a decisão acontece na sequência do aumento do nível de prontidão da FRI.

«O objetivo desta decisão é ficarmos mais próximos da Guiné-Bissau caso venha a ser necessário proceder a uma missão de retirada de cidadãos portugueses e de pessoas de outras nacionalidades», referiu a fonte.

Uso da força admitido por países da África Ocidental -- MNE de Cabo Verde

Cidade da Praia, (Lusa) - A Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) admite o uso da força contra o Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau para aplicar as sanções aos golpistas, disse hoje o chefe da diplomacia cabo-verdiana.

Em declarações à Rádio de Cabo Verde (RCV), Jorge Borges, que participou no domingo num encontro de 12 horas" do grupo de contacto da CEDEAO com uma delegação guineense, realizada em Banjul (Gâmbia), garantiu que a comunidade da África Ocidental decidiu dar início às sanções, face à recusa dos golpistas em aceitar os moldes do regresso à ordem institucional, que passavam por manter Raimundo Pereira como Presidente interino.

"A CEDEAO vai impor sanções dirigidas aos membros do comando e aos civis que o apoiam. Vai haver sanções económicas, diplomáticas e financeiras à Guiné-Bissau, como país, e a CEDEAO tomará todas as medidas, incluindo o recurso à força, se for necessário, para aplicar as decisões", frisou.

Delegação que esteve na Gâmbia regressa a Bissau otimista quanto a solução para crise

Bissau, (Lusa) - A delegação de militares e políticos da Guiné-Bissau que durante dois dias esteve reunida na Gâmbia chegou hoje Bissau otimista quanto a um desfecho da crise no país, decorrente do golpe de Estado de dia 12.

Os membros da delegação remeteram para a minicimeira de chefes de Estado da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), quinta-feira no Senegal, um possível desfecho para a crise, mas prometeram dar mais esclarecimentos na terça-feira.

Fernando Vaz, porta-voz de um grupo de partidos que tem estado a negociar com os militares, disse que na terça-feira serão dados todo os esclarecimentos sobre o encontro em Banjul com o grupo de contacto da CEDEAO, que decidiu hoje impor sanções contra os militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau, considerando que o Comando Militar "não deseja negociar.

Mali - Vários mortos na sede da TV

Bamaco, 01/5 (Angop) - Várias pessoas morreram  segunda-feira na sede da Rádio e Televisão do Mali (ORTM), em Bamaco, durante confrontos entre ex-golpistas e a guarda presidencial, fiel ao presidente deposto Amadou Toumani Touré, informaram à AFP
funcionários da emissora.              

"Há mortos", disse um funcionário, que pediu para não ser identificado.

A ORTM estava ocupada pelos golpistas desde 22 de Março e elementos da Guarda Presidencial tentaram retomar o controle da sede da emissora depois retirar os jornalistas.

Mali - Soldados lutam para reverter golpe na capital

Bamaco - Soldados da unidade da guarda presidencial do Mali, leais ao presidente deposto, combateram as forças da junta militar segunda-feira numa tentativa de retomar o controle da capital Bamaco um mês depois do golpe, disseram testemunhas e uma autoridade militar.

Segundo a Reuteres, um forte tiroteio ressoou no centro da cidade, perto de um quartel, e a unidade presidencial assumiu posições ao redor do aeroporto e entrou no prédio da emissora estatal, disseram testemunhas.

"Esses são elementos da guarda presidencial do antigo regime e estão a tentar mudar as coisas", disse à Reuters Bacary Mariko, um porta-voz da junta militar no poder. "Temos a situação sob controle".

Uma testemunha da Reuters disse que moradores perto do aeroporto estavam a fugir depois da chegada de caminhões repletos de boinas vermelhas (soldados da unidade da guarda presidencial) fortemente armados. A eletricidade na área foi cortada.

Tiros foram escutados perto do principal prédio da emissora estatal e um técnico disse que os boinas vermelhas entraram no edifício. A televisão estatal transmitiu um documentário sobre o Japão em vez do noticiário costumeiro das 20 horas.

"Há forte troca de tiros em todo canto. Ela continua. As ruas estão desertas. Ninguém se move", disse uma testemunha da Reuters.

Soldados rebeldes enraivecidos pelo modo como o governo lidou com uma rebelião de tuaregues no vasto e desértico norte derrubaram o presidente Amadou Toumani Touré em 22 de Março, obrigando-o a fugir para o vizinho Senegal.

O golpe, que se antecipou a uma eleição planejada para Abril para substituir Touré, atraiu grande crítica internacional por ser um revés para a democracia regional. Os rebeldes do norte aproveitaram o caos para tomar várias cidades, assumindo o controle de dois
terços da nação.

A junta que governa o Mali nomeou um governo interino numa primeira medida para restaurar a ordem constitucional desde o golpe, mas vem sendo contra um plano do bloco regional CEDEAO de enviar mais de 3 mil soldados para ajudar a supervisionar uma transição de um ano.

A junta já concordou em entregar o poder por 40 dias para um governo civil liderado pelo presidente interino Dioncounda Traore, e então permitir eleições no fim de Maio.

Mas a CEDEAO disse na semana passada que o governo interino deveria ter até 12 meses para se preparar para as eleições, um anúncio que enfureceu a junta.

Presidente cabo-verdiano diz que situação na Guiné-Bissau é "muito complexa"

Cidade da Praia - A libertação sexta-feira do Presidente interino e do primeiro-ministro guineenses, é um "sinal positivo", mas a situação na Guiné-Bissau é "muito complexa", considerou  na Cidade da Praia o Presidente de Cabo Verde.  

Jorge Carlos Fonseca, em declarações hoje aos jornalistas, após um encontro com governantes de Angola, Namíbia e África do Sul, avisou que, no processo negocial guineense, a diplomacia "joga o seu papel mas não é linear".  

Sublinhou que foram adoptadas as decisões na (cimeira da) CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, a 26 de Abril de 2012). Uma das condições era a libertação dos responsáveis políticos detidos.

Este gesto, segundo o chefe de Estado cabo-verdiano, terá sido um sinal positivo, "mas, nestas coisas, o optimismo tem de ser sempre prudente e moderado, porque a situação não é fácil, mas sim complexa", sublinhou o estadista à LUSA. 

Alegando ainda desconhecer os resultados do encontro de sete dos chefes da diplomacia da África Ocidental, que decorre em Banjul (Gâmbia), em que foram aprovadas sanções à Guiné-Bissau, Jorge Carlos Fonseca defendeu que, na diplomacia, tem de se estar "sempre lúcido e de se ser inteligente e prudente" para acompanhar e analisar rigorosamente" todos os sinais.  

"Às vezes, as coisas não são fáceis. Às vezes, lemos um comunicado, vemos decisões e as pessoas que não estiveram nas reuniões poderão não saber que isso é fruto de negociações muito difíceis e complexas. Às vezes, o ótimo pode ser inimigo do bom", acrescentou Fonseca. 

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Novas da Guiné no twitter “Vê, divulga e participa”

https://twitter.com/#!/NovasGuinBissau

Ultima Hora = Países da África Ocidental aprovam sanções contra militares revoltosos na Guiné-Bissau

A Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiu hoje impor sanções contra os militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau, considerando que o comando Militar "não deseja negociar", segundo um comunicado da organização divulgado em Banjul.

"Depois de doze horas de negociações" entre os países membros do grupo de contacto da CEDEAO e "uma só pessoa, o general António Indjai, chefe de Estado maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau e chefe do comando militar, tornou-se evidente que não deseja negociar e prefere claramente enfrentar as consequências", refere o texto do comunicado citado pela agência AFP.

Jornal de Angola' diz que golpe de Estado em Bissau "está a chegar ao fim"

 

O 'Jornal de Angola', órgão estatal angolano e único diário do país, destaca este domingo em editorial que o golpe de estado "fracassado" do passado dia 12 na Guiné-Bissau "está a chegar ao fim".

 

Ler mais = http://novasdaguinebissau.blogspot.pt/p/canal-livre-opiniao.html

Bissau sob ultimato da CEDEAO

"Estamos aqui para dizer-vos que em último recurso, ou vocês escolhem uma solução pacífica com a Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO), ou tomaremos medidas para pôr fim ao que se passa em Bissau", disse hoje o presidente gambiano.

O conjunto dos protagonistas da crise na Guiné-Bissau reuniram-se hoje em Banjul, capital da Gâmbia, num encontro presidido pelo presidente gambiano, Yahya Jammeh, para tentar encontrar uma solução que garanta o regresso dos civis ao poder.


"Não temos nada contra o povo da Guiné-Bissau. A Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO) está lá para vos ajudar a resolver os vossos problemas, mas posso também garantir-vos que a paciência da CEDEAO está a esgotar-se", declarou, citado pela AFP, o chefe de Estado gambiano na abertura dos trabalhos, em que participaram os ministros dos Negócios Estrangeiros de sete países oeste-africanos do "grupo de contacto", constituído por aquela organização.


"Em menos de sete anos, quantos presidentes da Guiné-Bissau perderam a vida? Quantos chefes de estado-maior perderam a vida? Quantas pessoas foram mortas em total impunidade?", questionou Yahya Jammeh às três dezenas de personalidades guineenses presentes, entre as quais representantes da junta militar que tomou o poder no país no passado dia 12 de abril, mas também membros do conjunto da classe política, autoridades religiosas e da sociedade civil.

 

Sucessivos golpes de Estado


"Estamos aqui para dizer-vos que em último recurso, ou vocês escolhem uma solução pacífica com a CEDEAO, ou a CEDEAO tomará medidas para pôr fim ao que se passa em Bissau", preveniu também o presidente gambiano.


Desde a sua independência em 1974, a Guiné-Bissau vive ao ritmo dos golpes de Estado, tentativas de golpe e assassinatos políticos sob o fundo de rivalidades para controlar o tráfico de cocaína.


Na passada quinta-feira, os chefes de Estado de seis países da África ocidental, reunidos em cimeira extraordinária em Abidjan, deram um ultimato de 72 horas aos golpistas para que aceitem as decisões da CEDEAO com vista ao regresso à ordem constitucional, sob pena de sofrerem sanções individuais, diplomáticas e económicas.

 

Minicimeira a 3 de maio


No dia seguinte, a junta militar anunciou que aceitaria as exigências, que incluem uma transição no prazo máximo de doze meses e aceitação do envio para o país de uma força militar regional. Num segundo sinal de compromisso com o acordo, o presidente interino deposto, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, detidos no dia do golpe, foram libertados e evacuados para a capital da Costa do Marfim.


A força da CEDEAO, que deverá contar com entre 500 e 600 homens, condiciona a sua chegada à Guiné-Bissau à saída dos 650 soldados angolanos presentes no território desde 2011 e cuja presença, fortemente contestada pelo exército guineense, foi uma das justificações declaradas do golpe.

Uma minicimeira que reunirá os chefes de Estado do grupo de contacto, inicialmente prevista para se realizar em Dakar, terá lugar em Banjul no próximo dia 3 de maio, anunciou hoje a CEDEAO através de um comunicado.

PAIGC admite governo de inclusão

Bissau, (Lusa) - O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) admite um governo "de inclusão" mas sem abdicar da liderança política na Guiné-Bissau, porque foi o partido mais votado, disse  o secretário permanente, Augusto Olivais.

O responsável falava no aeroporto de Bissau, de onde partiu para uma reunião na Gâmbia onde serão procuradas soluções para a crise guineense, na qual participam, entre outros, partidos guineenses e o Comando Militar que fez o golpe de Estado de dia 12 de abril.

Até agora o PAIGC tem-se recusado a participar em reuniões com outros partidos ou com os golpistas, insistindo sempre que tem de ser reposta a legalidade constitucional e concluídas as eleições presidenciais, cuja segunda volta foi bloqueada pelo golpe de Estado. Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro e candidato presidencial do partido, ganhou a primeira volta.

Augusto Olivais explicou a jornalistas no aeroporto de Bissau que a proposta que tem para a reunião em Banjul é a de sempre, a reposição da ordem democrática e da Constituição, que o PAIGC retome o governo do país e que se faça a segunda volta das eleições presidenciais.

Porém, disse, também está aberto a outras soluções para a crise no país, admitindo um governo de inclusão. "Se houver necessidade, se isso vai trazer paz, sossego, entendimento entre os guineenses, vamos por isso na mesa para discussão", disse Olivais, salientando que será sempre um governo do PAIGC.

"Antes de toda esta situação o Presidente da República interino chamou o PAIGC para fazer um governo de inclusão, a pedido da sociedade civil, e o PAIGC aceitou. Isso contra a vontade e decisão do povo, que deu ao PAIGC uma maioria qualificada. Mas para não haver problemas no país o PAIGC aceitou e mesmo assim isso não resultou", disse.

Quanto a um governo de transição de um ano, algo que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) coloca como solução para o país, Augusto Olivais diz que tal depende de como se interprete essa transição.

"Para uns a transição é acabar com o governo do PAIGC, para outros não", frisou.

"Estamos numa situação que temos de aceitar que é anormal. É preciso preparar a segunda volta das presidenciais, marcara data, deixar os ânimos acalmarem. Sabemos que estamos em ano de eleições legislativas, que podem não ser na data prevista. Isso tudo vamos negociar, tentar compor, para termos os resultados que todos desejamos", disse.

Otimista, Augusto Olivais afirmou não saber quanto tempo vai durar a reunião na capital da Gâmbia, horas ou dias, mas acrescentou: "vamos chegar a um acordo, alguma coisa vai sair desta reunião".

Questionado sobre se já falou com Carlos Gomes Júnior, que foi detido pelos golpistas em 12 de abril e libertado na sexta-feira, encontrando-se atualmente na Costa do Marfim, disse que não e acrescentou saber que está bem "mas um bocado debilitado fisicamente".

Fernando Vaz, que tem sido o porta-voz de um grupo de partidos que se tem reunido com os militares, e que propôs um Conselho Nacional de Transição, disse também aos jornalistas que vai defender na Gâmbia o que sempre tem defendido, "o rápido regresso à normalidade constitucional", admitindo que da reunião pode sair "um governo constituído" para a Guiné-Bissau.

FP.

Lusa

Militares e políticos procuram saída para a crise

A Reunião de hoje na Gâmbia como o NGB noticiou, junta militares e políticos para procurar uma solução para a crise guineense. O PAIGC também está no encontro.

Representantes do Comando Militar que derrubou o governo da Guiné-Bissau e partidos políticos estão hoje reunidos na Gâmbia para tentar encontrar uma solução para a crise guineense gerada pelo golpe de Estado de 12 de abril.
A reunião, a convite do Presidente da República da Gâmbia (Yahya Jammeh), que mandou o seu avião a Bissau para transportar os diversos responsáveis, junta também elementos da sociedade civil e da igreja católica.
Alguns dos participantes contactados pela Lusa disseram que a reunião, sem agenda divulgada e sem data para terminar, pode durar dias e manifestaram-se otimistas quanto a resultados.

PAIGC participa na reunião

Na quinta-feira, em cimeira realizada na Costa do Marfim, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), foi nomeado um grupo de países para coordenar as decisões saídas do encontro de chefes de Estado e de governo, entre elas o envio de uma força militar para a Guiné-Bissau e a entrega do poder aos políticos.
A Gâmbia faz parte desse grupo, em conjunto com a Nigéria, o Benim, Cabo Verde, Guiné-Conacri, Senegal e Togo.
Na reunião de hoje em Banjul participa o PAIGC, o maior partido da Guiné-Bissau e que até agora se tem recusado a participar em reuniões com outros partidos ou com o Comando Militar.

domingo, 29 de abril de 2012

Houve libertação, mas isso é apenas o começo... (artigo agencia Lusa)

A “saída” dos dirigentes guineenses que se encontravam detidos pelos golpistas significa que a pressão internacional “funcionou” mas que ainda faltam cumprir outras condições, disse hoje à Lusa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. "É preciso avaliar os factos com exatidão. Por um lado, a saída do primeiro-ministro e do Presidente da República da Guiné-Bissau do seu cativeiro significa que a pressão da comunidade internacional para preservar a integridade física dos dirigentes eleitos do país funcionou” disse à Lusa Miguel Guedes, porta-voz do MNE numa primeira reação da diplomacia portuguesa sobre a libertação de Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro da Guiné Bissau, e Raimundo Pereira, Presidente da República interino que se encontravam presos pelos militares responsáveis pelo golpe de Estado no país ocorrido a 12 de abril.

“Há poucas semanas a sua vida estava ameaçada pelos autores do golpe que acabaram por ceder, tal o isolamento a que um cenário de violência os conduziria” referiu o porta-voz do MNE que sublinha que esta é apenas uma das condições impostas aos autores do golpe de Estado. “É necessário recordar que essa era apenas uma das condições do regresso à normalidade na Guiné-Bissau. Outras são, nomeadamente, a retoma da ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral”, disse. “Devemos ter presente que as declarações da ONU, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e da União Europeia são muito claras quanto ao que fazer.

Nesse sentido, será determinante ouvir Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior como autoridades legítimas cuja liberdade deve ocorrer na Guiné-Bissau e não fora do país”, afirmou ainda Miguel Guedes. “O Governo português levará a cabo as diligências diplomáticas adequadas para obter o retrato completo da situação”, concluiu. O Presidente da República interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, derrubados por um golpe militar em 12 de abril, chegaram na noite de sexta-feira à capital da Costa do Marfim.

A libertação dos dois dirigentes guineenses pelo Comando Militar, designação do grupo que os derrubou, ocorreu a 48 horas do fim do ultimato dado pelos chefes de Estado da África Ocidental aos golpistas. Em declarações à imprensa, em Francês, Raimundo Pereira agradeceu ao chefe de Estado costa-marfinense, Alassane Ouattara, que é o presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental. A Costa do Marfim “é também o nosso país”, disse, sem mais comentários.

Lusa

Embaixador dos EUA diz que "é um erro acusar Angola"

O embaixador dos Estados Unidos em Angola, Cristopher McMullen, considerou hoje em Luanda ser "um erro" acusar Angola de ser a motivação para o golpe de estado de 12 de abril na Guiné-Bissau.
"É falso. Angola tem jogado um papel muito construtivo e apoiamos completamente este papel", disse o diplomata, que falava aos jornalistas no final de um encontro com o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chicoti.


Segundo o embaixador norte-americano, durante o encontro de quase uma hora foram abordadas as situações na Guiné-Bissau, no Mali e no Sudão do Sul. Cristopher McMullen saudou o papel de Angola nos esforços para o restabelecimento da estabilidade nesses três países africanos. "Gostaria de saudar sobretudo o ministro Chicoti pelo papel muito forte, central e muito construtivo que ele teve desde esse período de tensão na Guiné-Bissau e também no Sudão", disse o diplomata.


McMullen acrescentou ainda que os Estados Unidos consideram que "Angola teve um papel central (na estabilidade da Guiné-Bissau)", esperando que possam continuar com o mesmo, "quer seja com a CEDEAO seja com a ONU, seja com outro grupo internacional ou regional". Relativamente à situação no Sudão do Sul, Cristopher McMullen disse ter sido informado sobre a posição da União Africana naquela questão, salientando que os Estados Unidos estão "completamente de acordo com Angola e a UA". Angola e a UA defendem a necessidade das partes baixarem as tensões para evitar violência, focando as atenções sobre as negociações para encontrar uma solução pacífica.


"Também no Mali, estamos de acordo com a posição de Angola e a UA", sublinhou. O embaixador norte-americano disse ainda que reiterou ao ministro Georges Chicoti o convite da secretária de Estado norte-americana, Hilary Clinton, para uma visita a Washington. "Quando ele tiver tempo, porque temos uma convergência muito forte em assuntos como estes e também sobre assuntos internacionais. Seria ótimo se o ministro pudesse visitar Washington para falar com a secretária de Estado e outros funcionários de alto nível sobre as nossas convergências de interesses", salientou.

LUSA

Informação da T A P

 

A TAP pede a todos os passageiros do Voo TP 202 de ontem 28 de Abril para comparecerem no aeroporto de Bissalanca hoje Domingo às 22 horas para 0 Check-in.

sábado, 28 de abril de 2012

Pressão "funcionou" mas faltam cumprir outras condições -- porta-voz MNE

Lisboa, 28 abr (Lusa) -- A "saída" dos dirigentes guineenses que se encontravam detidos pelos golpistas significa que a pressão internacional "funcionou" mas que ainda faltam cumprir outras condições, disse hoje à Lusa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"É preciso avaliar os factos com exatidão. Por um lado, a saída do primeiro-ministro e do Presidente da República da Guiné-Bissau do seu cativeiro significa que a pressão da comunidade internacional para preservar a integridade física dos dirigentes eleitos do país funcionou" disse à Lusa Miguel Guedes, porta-voz do MNE numa primeira reação da diplomacia portuguesa sobre a libertação de Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro da Guiné Bissau, e Raimundo Pereira, Presidente da República interino que se encontravam presos pelos militares responsáveis pelo golpe de Estado no país ocorrido a 12 de abril.

"Há poucas semanas a sua vida estava ameaçada pelos autores do golpe que acabaram por ceder, tal o isolamento a que um cenário de violência os conduziria" referiu o porta-voz do MNE que sublinha que esta é apenas uma das condições impostas aos autores do golpe de Estado.

Militares e políticos partiram para a Gâmbia para reunião sem fim marcado

Uma delegação de mais de 20 militares e políticos da Guiné-Bissau partiu hoje de Bissau para a Gambia para uma reunião, sem fim marcado, sobre a crise guineense, constatou a agência Lusa.

Num avião da República da Gâmbia seguiram nomeadamente Daba Na Walna, porta-voz do Comando Militar que liderou o golpe de Estado de 12 de abril, representantes da Marinha e da Força Aérea, o bispo de Bissau, representantes da sociedade civil e representantes dos candidatos às eleições presidenciais de março e de partidos políticos, incluindo do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), o maior partido do país, no poder até ao golpe militar.

Henrique Rosa, um dos candidatos às presidenciais também viajou no avião enviado a Bissau expressamente para levar o grupo.

Lusa

TAP cancela voo para Bissau por motivos operacionais

Um voo da TAP para Bissau foi cancelado na noite de sexta-feira por motivos operacionais e os 57 passageiros afectados serão transportados no próximo voo, previsto para domingo, disse fonte da transportadora aérea.

A porta-voz da TAP, Carina Correia, explicou que o cancelamento não teve qualquer relação com a situação na Guiné-Bissau, onde um comando militar tomou o poder no dia 12 de Abril, protagonizando um golpe de Estado no país.

Os 57 passageiros que na sexta-feira à noite ficaram em terra devido ao cancelamento viajarão no próximo voo da TAP para Bissau, previsto para domingo às 21h25, tendo a transportadora substituído a aeronave por uma maior para conseguir embarcar todos os passageiros, acrescentou a porta-voz.

Um dos passageiros afectados disse ter sido já hoje informado pela companhia aérea de que tem lugar confirmado no voo de domingo.

Chegada a Abidjan do PR Raimundo Pereira e do PM Carlos Gomes Jr.

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Raimundo Pereira, Presidente da República interino, é recebido na placa do aeroporto de Abidjanlivres
PR, Raimundo Pereira e Carlos Gomes Jr., primeiro-ministro, à sua chegada a Abidjan, na Costa do Marfim

Novo Artigo de Opinião

Ler mais:http://novasdaguinebissau.blogspot.pt/p/canal-livre-opiniao.html

Populares festejam «libertação» do primeiro-ministro e PR interino na sede do PAIGC

Dezenas de pessoas estão concentradas em Bissau na sede do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), no poder até dia 12, a festejar a «libertação» do primeiro-ministro e do Presidente interino.

Fontes militares disseram à Lusa que o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o Presidente interino, Raimundo Pereira, detidos no dia 12 de abril, na sequência do golpe militar na Guiné-Bissau, partiram hoje no mesmo avião que trouxe os elementos do Comando Militar que participaram quinta-feira numa cimeira extraordinária da CEDEAO, no mesmo país.

Numa conferência de imprensa realizada hoje em Bissau, questionado pela Lusa, o porta-voz do Comando Militar, Daba Na Walna, disse que não confirmava a libertação de Carlos Gomes Júnior e de Raimundo Pereira.

Lusa

Raimundo Pereira e Gomes Júnior podem integrar governo de transição

O porta-voz do Comando Militar que tomou o poder no dia 12 de abril na Guiné-Bissau admitiu que o o primeiro-ministro e o Presidente interino, libertados esta sexta-feira, possam integrar um governo de transição.

Se Raimundo Pereira for Presidente será Presidente de um governo de transição, se Carlos Gomes Júnior for primeiro-ministro será de um governo de transição, "não será primeiro-ministro no resultado das eleições anteriores", disse Daba Na Walna em conferência de imprensa.

Se o PAIGC (maior partido, no poder até dia 12) "apresentar Carlos Gomes Júnior para o governo de transição será uma proposta boa para estudar", disse o porta-voz em resposta aos jornalistas, acrescentando que "tudo está em aberto" e que o Governo eleito foi afastado.

Na conferência de imprensa, Daba Na Walna afirmou que a força da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) que vai chegar ao país (que pode ser em 48 horas) virá para assistir a retirada da missão angolana (Missang) e para garantir a segurança de pessoas vulneráveis, como antigos membros "do governo que caiu".

Vem também, disse, para garantir a segurança de pessoas que futuramente serão chamadas a depor nos julgamentos relativos aos assassínios políticos no passado recente no país. "Fizemos questão de dizer à CEDEAO que há um problema de impunidade crónica que tem de ser resolvido, ou através da Justiça ou de uma Comissão de Verdade e Reconciliação".

De acordo com o porta-voz, o período de transição será de um ano, uma imposição da CEDEAO, já que o Comando queria dois anos, e uma equipa técnica da comunidade da África Ocidental vai discutir a modalidade de "arranjos constitucionais", e "garantir a formação de um novo governo o mais rápido possível".

Daba na Walna informou que a Assembleia Nacional Popular vai continuar como órgão, porque não foi dissolvida, ao contrário do Governo eleito que deixou de estar em funções.

"A CEDEAO disse que vai acionar mecanismos para combater o tráfico de droga. Temos a perceção de que os barões da droga estão a tomar conta da política neste país", prosseguiu.

A missão da CEDEAO irá também, acrescentou, apoiar a Guiné-Bissau na realização de um recenseamento e de eleições dentro de um ano, provavelmente legislativas e presidenciais.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Ultima Hora = Comando Militar aceita todas as exigências da CEDEAO


O Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau disse hoje em Bissau que aceitou todas as condições impostas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEO) para resolver a crise no país.

O Coronel-Maior Gnimanga Barode Burkina Faso é o comandante nomeado para chefiar a Missão da CEDEAO na Guiné-Bissau.

Coronel-Maior Gnimanga Baro de Burkina Faso

O alto official já terá recebido do presidente da Comissão da CEDEAO, Désiré Kadré Ouédraogo “orientações” que guiarão a sua missão, inclusive, já terá discutido assuntos relacionados com o bracelete e a bandeira do seu contingente. Ainda não se sabe o exacto número das tropas que a CEDEAO enviará à Guiné-Bissau.

Partido de Kumba Ialá critica intenções de Angola

O Partido da Renovação Social (PRS), presidido por Kumba Ialá, candidato à Presidência guineense, acusou hoje o Governo de Angola de ter intenções hegemónicas na região, "com epicentro" na Guiné-Bissau.

Em comunicado hoje divulgado, o segundo maior partido da Guiné-Bissau diz tratar-se de "puro delírio" que se relacione o golpe de Estado de dia 12 com "as legítimas pretensões reivindicativas" de Kumba Ialá nas eleições presidenciais realizadas em março (que considerou fraudulentas, exigindo a repetição).

O comunicado surge como resposta a acusações, no dia 24, do vice-ministro da Defesa de Angola, Salvino de Jesus Sequeira "Kianda", que no parlamento angolano implicou Kumba Ialá no golpe de dia 12 e acusou-o de dar dinheiro ao chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Injai.

O governante angolano disse também que António Indjai e Kumba Ialá são parentes.

Em resposta, "face aos ataques sistemáticos de que o presidente Kumba Ialá tem sido alvo por parte do governo angolano", o PRS diz que o responsável angolano "esboça" um "falso laço de parentesco" entre Indjai e Ialá e que, "além do desprezo pelas realidades culturais, próprio de um colonialista", demonstra desconhecer as mesmas.

O comunicado informa que Kumba Ialá, quando chegou a Bissau, apresentou condolências à família de Malam Bacai Sanhá (Presidente eleito, que morreu em janeiro), a quem deu dinheiro, como é da tradição guineense.

Kumba Ialá foi depois prestar homenagem a Malam Bacai Sanhá no forte de Amura, onde está enterrado o corpo do antigo estadista e que funciona também como Estado-Maior General das Forças Armadas.

A mando de Indjai, "as chefias militares mais não fizeram do que render informalmente as devidas honras a um antigo chefe de Estado deposto por um golpe de Estado, o que terá despoletado uma forte emoção, levando Kumba Ialá, num gesto de simpatia e de agradecimento, a oferecer publicamente alguma soma em dinheiro, gesto que protagonizou algum simbolismo cultural à semelhança de alguma prática tradicional, e pelos vistos mal compreendido pelo nosso general angolano", diz o comunicado.

O PRS diz que a situação que hoje o país vive teria sido evitada se "o grito de socorro" de António Indjai tivesse sido ouvido, quando se terá queixado ao governo de que a missão angolana em Bissau (Missang) estava a "extravasar o seu mandato".

Mas Indjai não foi ouvido e em vez de medidas de apaziguamento "seguiram-se fatídicos dias de violentos comunicados dirigidos essencialmente contra os militares", acusa o documento do PRS.

Ultima Hora = O Primeiro Ministro Carlos Gomes e o Presidente Interino Raimundo Pereira foram Libertados à poucos minutos

Carlos Gomes e Raimundo Pereira foram libertados e seguiram com a delegação da CEDEAO para Abidjan, na Costa do Marfim

Em Atualização

A delegação do Comando Militar da Guiné-Bissau que participou na quinta-feira na cimeira da Comunidade da África Ocidental regressou hoje a Bissau, onde se reúne no aeroporto com chefes das forças armadas regionais.

A delegação dos militares que realizaram um golpe de Estado na Guiné-Bissau no dia 12 de abril chegou à capital guineense cerca das 11:00 (12:00 em Portugal), constatou a Lusa no local, e de imediato iniciou uma reunião com chefes das forças armadas da Nigéria, do Senegal e da Costa do Marfim.

Na quinta-feira, a cimeira extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiu enviar um contingente militar de 500 a 600 elementos, a fornecer por Nigéria, Togo, Costa do Marfim e Senegal, para a Guiné-Bissau.

Lusa

Continuação de força portuguesa está a ser "avaliada"

O ministro da Defesa de Portugal José Pedro Aguiar-Branco.disse esta sexta-feira que a continuação da força militar portuguesa ao largo da Guiné-Bissau está a ser "avaliada" e que "neste momento" não se prevê a participação em qualquer operação internacional.

"A missão era a de, se necessário, proceder à evacuação de portugueses que assim o desejassem e de outras entidades. Neste momento há uma alteração no quadro porque foi reaberto o espaço aéreo, portanto está a ser avaliada e monitorizada a par e passo para que, caso seja necessário, se possa também alterar a própria missão", declarou José Pedro Aguiar-Branco.

O governante falava aos jornalistas no final de uma audição à porta fechada na comissão parlamentar de Defesa Nacional, onde discutiu com os deputados a actual situação na Guiné-Bissau.

O ministro da Defesa não se comprometeu com uma data para o regresso a Portugal da Força de Reacção Imediata (FRI) portuguesa - composta por três navios e duas aeronaves -, sublinhando que essa avaliação está a ser feita "em função do que seja a evolução, quer do ponto de vista diplomático, quer das condições de terreno".

Aguiar-Branco notou no entanto que há "uma alteração que é significativa da reabertura do espaço aéreo" e que "altera a hipótese de saída de portugueses da Guiné".

"Esta operação era a de, num quadro de risco para a segurança de cidadãos portugueses, estar em condições de poder fazer a respectiva evacuação se ela se tornasse necessária, em nenhuma circunstância nós iriamos permitir que havendo uma situação de risco Portugal não tivesse a capacidade de responder no momento e na hora certa para essa possibilidade de evacuação", frisou.

O governante referiu que esse objectivo do Governo português foi "assegurado" e "deu tranquilidade cá e também aos cidadãos portugueses que se encontram na Guiné-Bissau".

"Esse foi, é, e mantém-se como o objectivo da missão, é evidente que ela é avaliada a par e passo e dessa avaliação pode resultar uma alteração", acrescentou.

Questionado sobre a eventual participação de Portugal numa força internacional, o ministro português notou que a missão que em curso "está claramente definida para esta operação, que é de eventual evacuação num quadro permissivo de cidadãos portugueses que desejassem ser evacuados da Guiné".

"É essa a única missão que está em cima da mesa e mais nenhuma neste momento", acrescentou.

Já sobre a decisão da CEDEAO de enviar uma força com cerca de 500 militares (da Nigéria, Togo, Costa do Marfim e Senegal) para a Guiné-Bissau, Aguiar-Branco respondeu que esse é "um factor que também será objecto de análise na avaliação global" que é feita.

Entrevista de Daba Na Walna porta voz dos revoltosos : “Se o Parlamento aceitar a vinda de uma força internacional, está bem”

(Noticía  Jornal Publico)

Daba Na Walna, porta-voz dos militares que tomaram o poder na Guiné-Bissau nega ligação ao candidato Kumba Ialá. E justifica prisão do primeiro-ministro, Gomes Júnior, como forma de evitar que seja morto

Tenente-coronel, mas também jurista, doutorando na Faculdade de Direito de Lisboa, Daba na Walna, 46 anos, é o rosto do denominado Comando Militar que fez o golpe de 12 de Abril em Bissau. Numa entrevista telefónica, quarta-feira à tarde, disse que os militares nada têm a ver com o futuro político do primeiro-ministro e candidato presidencial, Carlos Gomes Júnior. “O que dissemos é que não nos crie complicações, que não nos mande forças estrangeiras secretamente.” Questionado sobre o papel de António Indjai, chefe de Estado-Maior, na acção golpista, afirma: “Que eu saiba não é membro do Comando”.


PÚBLICO: Qual o resultado dos contactos que o comando militar manteve nos últimos dias com a comissão da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) que esteve em Bissau?


Daba Na Walna: Era uma comissão técnica, veio discutir questões relativas à retirada das tropas angolanas, modalidades dessa retirada. Não chegámos a consenso sobre alguns aspectos, nomeadamente o envio de uma força da CEDEAO composta por 600 homens para supervisionar a retirada das tropas angolanas. Entendemos que decidir sobre o envio de forças ultrapassa a nossa competência como militares. Assim que um Governo for formado, poderá tomar decisões. [Indicámos] o Parlamento, para falarem com o presidente da Assembleia, a única entidade ainda a funcionar. Disseram-nos que não tinham mandato para falar com políticos, que careciam de autorização. Estamos a aguardar.


Como é que vão sair desta situação? Há um isolamento internacional.


Por via negocial. Há uma janela que foi aberta pela CEDEAO. E que eu saiba o Conselho de Segurança [da ONU] remeteu o processo de negociações para a CEDEAO. Vamos esperar. Seguramente vão mandar uma equipa técnica para discutir connosco e com a classe política modalidades de saída para a crise.


Que passaria pelo envio de uma força liderada pela CEDEAO. Isso seria aceitável para vocês?


Nós não nos opusemos à vinda de tropas que viessem supervisionar a retirada das tropas angolanas. Nem dissemos que sim. Dizemos tão só que não temos competência para decidir sobre essa matéria. Um eventual envio de força será decidido pelo governo a formar a partir da solução encontrada conjuntamente com a CEDEAO.


Há dias disse que uma força internacional seria entendida como invasora. Há uma mudança de posição.


Estamos a dizer que depois de formado Governo, se se chegar à conclusão que se adequa o envio de uma força e o Parlamento aprovar, se as instituições da República aceitarem, quem somos nós para negar? O que dissemos na altura foi que o envio unilateral que Angola tentava conseguir, sem ser decidido com as entidades políticas da Guiné, seria uma invasão. Nas palavras de George Chicoty [ministro das Relações Exteriores de Luanda] devia ser uma espécie de terapia para a Guiné. Se as entidades políticas chegarem à conclusão que devem aceitar, se o Parlamento concluir que deve aceitar está bem. O que dissemos a Carlos Gomes Júnior, relativamente ao pedido que formulou [para o envio de uma força internacional] foi que devia ter discutido isso no Parlamento e em Conselho de Ministros. Em Portugal, Cavaco Silva ou Passos Coelho não podem mandar ir forças sem que isso seja discutido em Conselho de Ministros nem aprovado no Parlamento. Foi só o que dissemos.


Mas devido ao golpe, as instituições, designadamente o Governo, não estão em funções. Qual é justificação, afinal, para o golpe?


Já disse, e voltei a repetir agora, que foi acarta secreta que foi escrita a mandar vir forças estrangeiras para dar uma terapia adequada às Forças Armadas da Guiné. O senho no meu lugar aceitaria isso? Tentaria actuar em legítima defesa.


Acredita mesmo que existia um acordo entre os governos da Guiné e de Angola para “aniquilar” as Forças Armadas guineenses?


Eu não disse que acredito que há. Eu disse que há uma carta escrita. Esta carta, está confirmado, existe.O golpe interrompeu o processo eleitoral para as presidenciais. Houve articulação com candidatos? Há alusões a uma articulação com Kumba Ialá [segundo mais votado na primeira volta, atrás de Gomes Júnior].

Isso são especulações. Que eu saiba, não há nenhuma ligação ao dr. Kumba Ialá, nem há razão para haver. Não actuamos por encomenda.


Não lhe parece que a melhor solução seria o retomar do processo eleitoral e os militares regressarem às casernas?
Não tenho nada contra. [Sobre isso] não dissemos nada. Dissemos é que somos contra o envio das forças para aqui. Quanto ao processo eleitoral caberá aos políticos decidirem o que acharem correcto.

O comando militar não se opõe à continuidade do processo eleitoral?


É um assunto político, não compete aos militares.
Relativamente ao primeiro-ministro, há uma intransigência, uma rejeição.


R - Rejeição em que sentido?
Gomes Júnior foi detido. Há oposição a que volte a exercer funções.


Ninguém diz isso. Não temos nada a ver com o futuro político de Gomes Júnior. Como empresário, se quiser continuar a sua vida empresarial [que continue]. Como político que o faça, dentro do PAIGC. O que dissemos, é que não [queremos que] nos crie complicações, que não nos mande forças estrangeiras secretamente. Se tiver que fazer isso que o faça obedecendo à Constituição e às demais leis da República.


Não há oposição a que retome a actividade política?

Isso é uma questão política que será discutida. Não connosco. Com Gomes Júnior, com o seu partido, com os políticos da oposição, não com os militares. Não temos nada a ver com a sua vida política. É um cidadão e tem liberdade de fazer política.


Não há oposição à sua acção como primeiro-ministro? Está detido por alguma razão.


Está detido porque senão levaria avante o seu projecto de vinda das tropas.


Por que não é agora libertado?


Não temos condições para o libertar. Não há governo com capacidade para garantir segurança. Logo que seja criado, e haja um ministro do Interior, nós o faremos. O senhor não está cá não sabe. [Há] uma onda de contestação a Carlos Gomes Júnior, ele terá morto muita gente, politicamente encomendou alguns assassinatos. Não sou eu quem o diz, é a ala do PAIGC [Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, do Governo afastado pelos militares] que entrou em confrontação com a ala apoiante dele. Se libertarmos agora Carlos Gomes Júnior, imagine que [alguém] aproveitava a oportunidade para o matar. Quem é que seria responsável? Não seríamos nós? Está sob nossa custódia, mas assim que for formado Governo será imediatamente libertado.


Qual é a situação dos detidos, do primeiro-ministro e do Presidente interino, Raimundo Pereira? Houve informações de que Gomes Júnior foi torturado.


É mentira. A Cruz Vermelha já disse que não há tortura, mas a imprensa gosta de mentiras.


Estão a ser-lhe fornecidos medicamentos?


Estão. A Cruz Vermelha já foi visitar Gomes Júnior três ou quatro vezes. Ninguém tortura ninguém. Ouvimos dizer na imprensa que foi visto aqui a sangrar. Foi dito que esteve connosco na negociação com a CEDEAO. Este país é um país de intrigas e a imprensa vem apanhar as mentiras que circulam por aí. É falso.
Quantas pessoas estão detidas?


Apenas três [o Presidente interino, o primeiro-ministro e o secretário de Estado dos Antigos Combatentes, Fodé Cassamá]. Ouço falar em centenas ou dezenas de pessoas detidas, perseguidas, intimidadas. Aqui em Bissau as pessoas organizam manifestações, a imprensa fala abertamente contra o golpe, a imprensa fala mal dos militares. Limitamo-nos a ouvir e a calar. Isto não é nenhum estado de repressão. Tentamos manter o mais amplo possível leque de liberdades fundamentais. O que fizemos foi uma legítima defesa.

Foi anunciado um conselho de transição. Chegou a ser avançado um nome para Presidente de transição, Serifo Nhamadjo. Tanto quanto se sabe não foram nomeados. Houve mudança de planos?


São especulações, são cogitações hipotéticas.
As nomeações, os nomes, são cogitações?
Não houve nomeação coisíssima nenhuma. Nós temos um compromisso com a CEDEAO. Estamos à espera para poder apresentar a nossa proposta, a proposta a que os partidos aqui chegaram. Mas a CEDEAO poderá também apresentar uma proposta para ser discutida, para se encontrar consensualmente uma saída airosa para esta crise. Não há nada decidido sobre a formação de Governo nem...
Os nomes referidos para Presidente e para o conselho de transição como é que apareceram? Que não foram nomeados é público. Não houve sequer convites?


Isso corre por conta de quem lançou boatos. Quando um jornalista lhe perguntou se fala na qualidade de Presidente de transição ou como presidente interino da Assembleia, Serifo Nhamadjo disse que não foi empossado nem ninguém o convidou para esse cargo.


Não é verdade que esses nomes foram ponderados?
Não. Pode ser uma das hipóteses por aí levantadas, mas em definitivo, como disse, nós estamos à espera da CEDEAO. Como poderíamos avançar com propostas e nomes se a CEDEAO não está aqui? Nesta altura quem assume o dossier Guiné-Bissau é a CEDEAO, não há nada decidido.


O senhor tem dado a voz, dado a cara. É o rosto do golpe. É também o líder?

Eu sou porta-voz.


Quem é o líder?


O líder é o Comando.


O Comando Militar. Que é também o Estado Maior das Forças Armadas, correcto?


Tem a liberdade de fazer a interpretação [que quiser]. Eu disse o Comando, agora o senhor quer expandir para chegar ao Estado-Maior.


Estou a pedir-lhe que clarifique.


Estado-Maior é uma coisa, Comando é outra. Não há confusão. Já disse que é o Comando.


Qual é o papel do tenente-general António Indjai?
Aonde, ao nível do Comando?
Sim, sim.

Que eu saiba, não é membro do Comando.
O senhor saberá.


Ele é chefe do Estado-Maior. Esse é o papel dele.
E está em funções? Chegou a ser dito que estava sob detenção.


Até agora não foi nomeado novo chefe do Estado-Maior. É ele o chefe de Estado-Maior.

Primeiro-ministro guineense foi obrigado a comprometer angolanos

O primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, foi obrigado pelos militares golpistas a assinar a carta que, posteriormente, apresentaram como prova de existência de um ‘acordo secreto’ entre os governos de Angola e Guiné-Bissau.

Na versão original, com data de 12 de Abril, o mesmo dia em que foi o dirigente político foi detido, apenas constava o seu nome, sem qualquer assinatura no esboço do documento que iria ser enviado ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, ao presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, e às chefias militares guineenses.

O líder angolano recebeu o documento das mãos do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Chicoty, e o assessor jurídico de Carlos Gomes Júnior confirmou ter entregado o documento a uma alta patente militar de Bissau, sem revelar a sua identidade.

Três dias depois da detenção de Carlos Gomes Júnior, o auto-intitulado comando militar apresentou à imprensa a tal carta, mas já com a assinatura e o selo branco do seu gabinete. Na missiva, era possível ver uma observação do primeiro-ministro detido, indicando ao seu chefe de gabinete, Lineu Tolentino, que pusesse o selo branco no documento.

Apesar desta ‘oficialização’ da carta a Ban Ki-moon, o seu conteúdo faz cair por terra o argumento de acordo secreto entre os governos de Angola e Guiné-Bissau. Carlos Gomes Júnior explica ao secretário-geral das Nações Unidas que a recusa de cinco candidatos em aceitar o resultado das eleições pode ajudar a causar instabilidade no país.

Gomes Júnior explicou a Ban Ki-moon que Angola decidiu pôr fim à sua missão técnico-militar (MISSANG) em Bissau, algo que iria agravar ainda mais a frágil situação do seu país. Em consequência, pedia o envio de uma força de interposição, que integrasse Brasil, Angola, Gana e países da Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDAO). Nenhum sinal da acusação feita pelos militares e que esteve na origem do golpe de Estado.

CEDEAO envia militares para estabilizar transição

Os chefes de Estado da África Ocidental decidiram enviar um contingente militar para a Guiné e deram 72 horas aos golpistas para se submeterem às exigências feitas, sob pena de sanções.

Os dirigentes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiram que o contingente a enviar para a Guiné-Bissau vai ter por missão «facilitar a retirada da Missão de Assistência Técnica e Militar de Angola na Guiné-Bissau, dar assistência à estabilização do processo de transição» após o golpe de Estado de 12 de abril e preparar a reforma do setor da defesa e segurança, indica o comunicado final da cimeira.

Os 500 a 600 homens do contingente serão fornecidos por pelo menos quatro países, a Nigéria, o Togo, a Costa do Marfim e o Senegal.

Além do envio do contingente militar, os dirigentes da CEDEAO decidiram também dar um ultimato de 72 horas aos golpistas militares guineenses para se submeterem às exigências feitas, sob pena de sanções, noticia a AFP.

Ao abrir a cimeira extraordinária da CEDEAO, o presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, exigiu que os responsáveis pelo golpe de Estado, realizado no dia 12 de abril, se «retirem» para que se possa avançar «rapidamente» com a transição.

Os dirigentes da CEDEAO garantiram que se o Comando Militar (a junta) não se submeter às exigências "nas próximas 72 horas", a Comunidade "imporá com efeito imediato sanções dirigidas aos membros do comando Militar e seus colaboradores, bem como sanções diplomáticas, económicas e financeiras à Guiné-Bissau, sem excluir processos no TPI" (Tribunal Penal Internacional).

Dinheiro roubado na Direção-geral de Viação reaparece

Bissau – O dinheiro roubado no dia 25 de Abril, do cofre da Direção-geral de Viação e Transportes Terrestres, pelos elementos do Comando Militar no poder na Guiné-Bissau, reapareceu esta quinta-feira, 26 de Abril.

O reaparecimento da soma estimada em mais de 8 milhões de F.cfa, mais de 12 mil euros, foi justificado pelo novo Diretor-geral imposto nesta instituição pelos elementos do Comando Militar.


Falando aos jornalistas, André Deuna, militante e dirigente do Partido da Renovação Social, disse que a razão pela qual o cofre da Direção-geral de Viação foi assaltado prende-se com a necessidade do serviço da viação, tendo em conta que é um sector transversal em termos de serviço neste período em que o país se encontra.


Reagindo a esta situação, Lucinda Gomes Barbosa Auhokarie, Diretora-geral da Viação e Transportes Terrestres, disse que foi contactada por uma pessoa que se identificou como elemento do Comando Militar, de nome Bion Na Tchongo, um alto oficial da Marinha Nacional, que lhe pediu para se apresentar ao serviço, mas a responsável recusou.


Assim, o grupo optou pela violência, arrombando as portas com a ajuda do Director Administrativo e Financeiro.


Perante este comportamento, Lucinda Barbosa responsabilizou o seu Director Financeiro, por ter colaborado com a violação de uma instituição pública.


De salientar que a situação esteja relacionada com a falta de dinheiro que se faz sentir cada vez mais neste momento na Guiné-Bissau, devido ao golpe militar de 12 de Abril, agravado ainda mais com a falta de pagamento dos salários deste mês.

Comunidade da África Ocidental avisa golpistas que tolerância acabou

 

Abidjan, 26 abr (Lusa) - A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) "não tolerará mais tempo" a "usurpação do poder" do Comando Militar que derrubou o regime da Guiné-Bissau, avisou hoje o Presidente da Costa do Marfim, sem precisar medidas.

Alassane Ouattara, que falava no início dos trabalhos da Cimeira Extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), iniciada hoje em Abidjan, defendeu que os responsáveis pelo golpe de Estado guineense, realizado no dia 12 de abril, devem "retirar-se" para que se possa implementar "rapidamente" a transição.

"(Na Guiné-Bissau) não podemos tolerar mais tempo esta usurpação do poder pela junta (Comando Militar guineense). Os líderes do golpe devem retirar-se, para que possa ser implementada rapidamente uma transição", avisou Ouattara, Presidente em exercício da CEDEAO.