terça-feira, 22 de Julho de 2014

A União Europeia promove a redução da mortalidade materna e infantil

No dia 24 de Julho de 2014, pelas 10:00 horas em Canchungo, a Delegação da União Europeia junto da República da Guiné-Bissau, o UNICEF e as ONG Instituto Marquês de Valle Flôr e Entraide Médicale Internationale assinalam a cerimónia de conclusão do 1º ano de atividades do Programa integrado para a redução da mortalidade materno-infantil na Guiné Bissau – PIMI.
 
A União Europeia financia 80% do custo total do programa de 8,9 milhões de euros, sendo os restantes 20% cobertos pelos outros 3 parceiros. As mulheres grávidas e as crianças com menos de 5 anos beneficiam, através do programa, de melhor acesso a cuidados de saúde básicos de qualidade nas regiões de Biombo, Cacheu, Oio e Farim.
 
O PIMI, iniciado em Julho de 2013 com duração de 36 meses, pretende diminuir de 25% a mortalidade materno-infantil, através da promoção das práticas familiares essenciais, do aumento das consultas pré e pós-natais, partos e consultas de crianças de idade inferior a 5 anos nos Centros de Saúde e Hospitais Regionais, com vista aos seguintes resultados: 

-  Aumento da procura e do fornecimento dos serviços profissionais de saúde materno-infantil através de subsídios aos actos médicos de alto impacto e a evacuação gratuita para hospitais de referência
em caso de emergência (mulheres em processo de parto, crianças doentes etc..) 

-  Diminuição da frequência das rupturas de stock de medicamentos e consumíveis médicos 

-  As estruturas de saúde passam a dispor de recursos adequados à prestação de cuidados de saúde materno-infantil (infraestruturas e equipamentos das salas de parto e de cirurgia) 

-  Capacitação em serviço, com formação e acompanhamento, de cerca de 350 profissionais de saúde e de todos os agentes de saúde comunitária de 45 estruturas nas áreas de pediatria e saúde materno-infantil 

-  16 práticas familiares essenciais são promovidas pelos agentes de saúde comunitária e adotadas pelas famílias e comunidades 

  -Gestão financeira das estruturas de saúde melhorada e a sustentabilidade financeira e administrativa das unidades de saúde assegurada 

-  Motivação dos técnicos das estruturas de saúde reforçada através de prémios de desempenho 

-  As dádivas de sangue aumentam e a transfusão é dinamizada.

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Domingos Simões Pereira diz que o regresso da Guiné-Bissau demonstra solidariedade dos Estados-membros

Resultado de imagem para Domingos Simões PereiraDíli, 22 jul (Lusa) - O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, afirmou hoje que o regresso do país à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma demonstração de solidariedade dos Estados-membros da organização.

Domingos Simões Pereira falava aos jornalistas pouco depois de ter aterrado no aeroporto Nicolau Lobato, em Díli, num avião de uma companhia aérea indonésia que também transportou o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho.

É uma "demonstração de solidariedade o facto de os países da CPLP nos acolherem de volta e vamos tentar corresponder através das discussões que vão certamente acontecer", afirmou.

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau participa na quarta-feira na X Cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, que vai ficar marcada pelo regresso daquele país à organização, depois de ter sido suspenso por causa do golpe de Estado de 2012, e pela possível entrada da Guiné Equatorial como membro de pleno direito.

"Queria expressar a minha enorme satisfação por estar de volta a Timor-Leste e queria dar os parabéns ao povo e Governo de Timor-Leste por se ter vestido de gala para mais este encontro da CPLP", disse Domingos Simões Pereira.

O chefe do executivo guineense afirmou também esperar que durante o encontro de quarta-feira a CPLP saiba "pavimentar o percurso para os grandes desafios" que a organização vai enfrentar.

Além de Domingos Simões Pereira, aterraram hoje no aeroporto Nicolau Lobato os presidentes de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, de Moçambique, Armando Guebuza, de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca e o vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente.

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, deverá aterrar em Díli cerca das 17:00 locais (09:00 em Lisboa), segundo as autoridades timorenses.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

MSE // VM

Lusa

O ministro da Administração Interna, Botche Candé, em contactos com antigos ministros do Interior

Deputado-Botche-Candé-do-PAIGCBissau – O ministro da Administração Interna, Botche Candé, esteve este sábado, 19 de Julho, em visita de trabalho para estabelecer contactos porta-a-porta com os antigos ministros do Interior e com antigos altos funcionários da mesma instituição.

A iniciativa do novo responsável para a segurança interna da Guiné-Bissau tem a finalidade de pedir apoio e colaboração no exercício das suas novas funções, tendo em conta a experiência trabalho em termos de governação acumulada por antigos ministros que passaram pelo Ministério do Interior.

Do total de 12 pessoas visitadas, todas foram unânimes em louvar a iniciativa de Botche Candé, tendo igualmente prometido trabalhar e colaborar com novo responsável máximo da Administração Interna da Guiné-Bissau para a tranquilidade nesta fase em que se encontra o país.

Bitchofula Nafafe, uma das pessoas alvo deste registo, antigo Comissário Nacional da Polícia de Ordem Pública, reconheceu a tarefa difícil que Candé pode enfrentar nesta instituição, chamando a atenção para que a tranquilidade do país depende, em grande medida, do Ministério da Administração Interna.
Para Luís Correia, antigo Director Nacional da Polícia de Ordem Pública, entre 1974 e 1980, reconheceu também o difícil trabalho do novo ministro Botche Cande.

Durante a conversa com o novo governante, denunciou que não teve graduação em termos de patente e como falou da sua ausência do país para Cabo Verde desde golpe de Estado de 14 de Novembro 1980, de onde regressou depois de 7 de Junho de 1998.

Outra pessoa contactada foi Lúcio Soares, antigo ministro do Interior e ministro da Defesa Nacional, que reconheceu que, depois da independência nacional, as autoridades na altura não souberam aproveitar bem este período no sentido de lançar o país na via do desenvolvimento.

Ele condenou também o golpe de Estado de 14 de Novembro do 1980, e louvou a composição do actual Executivo liderado por Domingos Simões Pereira.

Durante a visita, constatou-se um espírito de emoção entre algumas das pessoas visitadas, como foi o caso de Morgado Tavares, antigo Comissário da Polícia de Ordem Pública, e apelidou Botche Candé de «Cabral», justificando que desde a independência apenas foi Amílcar Cabral que promoveu visitas desta natureza.

Já com Carlos Correia, antigo Primeiro-ministro da Guiné-Bissau e actualmente 1.º vice-Presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), teve tempo para falar do massacre de Pindjiguiti, em 1958.

Falou também dos erros cometidos depois da Independência, contudo tranquilizou que, com as novas autoridades, uma nova oportunidade para os objectivos da luta armada foi aberta na Guiné-Bissau. Carlos Correia prometeu ajudar e trabalhar com Botche Candé.

Entre as pessoas visitadas constam ainda Carlos Domingos Gomes, «Cadogo Pai», Duky Djassi, Mamadu Djabi, Manecas dos Santos, Francisca Pereira e Humberto Gomes, antigo Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

Durante a iniciativa algumas pessoas não conseguiram conter as emoções. A visita vai prosseguir durante a próxima semana.

(Os Filhos do Vento: Em Busca do Pai Tuga)vence Prémio Gazeta Multimédia

A reportagem Filhos do Vento, de Catarina Gomes, Ricardo Rezende e Manuel Roberto, foi distinguida com o Prémio Gazeta na categoria Multimédia, atribuído pelo Clube de Jornalistas. Uma história sobre um tema tabu na sociedade portuguesa.

Os Filhos do Vento: Em Busca do Pai Tuga conta a história de guineenses filhos de militares portugueses que estiveram na Guiné-Bissau durante a guerra colonial e que querem conhecer os seus pais. A jornalista Catarina Gomes, o videojornalista Ricardo Rezende e o fotojornalista Manuel Roberto viajaram até à Guiné em Maio de 2013 em busca de alguns desses filhos.

Em comunicado, o Clube de Jornalistas elogia uma “reportagem que cruza diferentes meios com grande eficácia, num trabalho de equipa ao melhor nível do ciberjornalismo”. Para a jornalista Catarina Gomes, a distinção é o“reconhecimento de um novo caminho que a imprensa escrita – e em particular o PÚBLICO – está a trilhar, em que o texto se alia à imagem em movimento, criando novas portas de entrada na mesma história”. É a primeira vez que o prémio Gazeta Multimédia – categoria criada em 2010 – é atribuído a um trabalho que teve origem e foi publicado num órgão de comunicação social. Nos dois primeiros anos, o prémio não havia sido atribuído por falta de qualidade dos trabalhos, justificou o Clube de Jornalistas, e no ano passado foi entregue a Tiago Carrasco, João Fontes e João Henriques pelo documentário A Estrada da Revolução.

“Este prémio tem um enorme significado”, diz Sérgio Gomes, editor de plataformas e multimédia do PÚBLICO. “As secções Multimédia afirmam-se cada vez mais nas redacções em Portugal. São hoje um vector fundamental para os projectos de media que têm a ambição de inovar ou tão simplesmente acompanhar os hábitos de consumo e recepção de reportagens e de noticiário, que hoje estão muito mais dependentes da imagem e de formas alternativas de apresentar histórias. Desde há muito que o jornal compreendeu a necessidade de formar uma secção autónoma que soubesse responder aos enormes desafios editoriais que se levantam de cada vez que nos deparamos com histórias como a que foi contada em Filhos do Vento.”

A reportagem Filhos do Vento materializou-se, a par do texto publicado na edição impressa, num site especial concebido por Dinis Correia e Andrea Espadinha, onde foram disponibilizadas reportagens em vídeo, fotogalerias e ainda informações de filhos que procuram os pais. Centenas de pessoas deixaram testemunhos através de um endereço de email criado especialmente para partilhar histórias e potenciar reencontros. “Este prémio vem dar visibilidade a um tema tabu na sociedade portuguesa, um tema que esteve arrumado numa gaveta durante 40, 50 anos”, explica Catarina Gomes. “Os ex-combatentes deixaram filhos em África. Eles existem, são muitos e gostavam de conhecer os seus pais portugueses.” Uma história que vai“continuar a ser contada”, promete.

No PÚBLICO, foi também publicado o trabalho que deu o Gazeta Revelação à jovem jornalista Catarina Fernandes Martins (hoje jornalista do Observador), com Homem que matou um homem e encontrou Saramago na prisão. Uma reportagem que narra a história singular de Simão Barata: condenado por homicídio involuntário, descobre na prisão – e na obra de José Saramago – a forma de combater a solidão e reencontrar-se como cidadão livre e solidário.

O Prémio Gazeta de Imprensa foi atribuído ao jornalista Paulo Pena (que integra agora a equipa do PÚBLICO), com os trabalhos Bancocracia e O lado oculto dos mercados publicados na revista Visão. “Trabalhos rigorosos, de grande qualidade jornalística, que contribuem para uma maior informação da opinião pública portuguesa”, escreve o Clube de Jornalistas no comunicado em que anuncia os vencedores.

Na categoria de Televisão, a vencedora foi a jornalista Ana Leal, com o trabalho Verdade Inconveniente, transmitida pela TVI. Uma história reveladora dos negócios do ensino privado, “um tema pouco comum no jornalismo televisivo”, realça o Clube de Jornalistas em comunicado. Na categoria de Rádio, Maria Augusta Casaca venceu com Catarina é o meu nome, transmitido na TSF. Com sonoplastia de João Félix Pereira, a reportagem evoca Catarina Eufémia, a figura mítica da camponesa alentejana assassinada em Maio de 1954.

Sete jogadores retidos na África do Sul por falta de lugares

Os jogadores Ivanildo Cassamá, Alberto Coli, João Mário, Anju, Adul, Braima Só e Arnoul Mendi ficaram na África do Sul.


Sete jogadores da seleção de futebol da Guiné-Bissau ficaram "retidos" na África do Sul por falta de lugares e só devem partir hoje  terça-feira, quando o resto da caravana já se encontra em Portugal, disse um dos atletas.

De acordo com a rádio Jovem de Bissau, o atleta informou que ficaram "retidos" na África do Sul os jogadores Ivanildo Cassamá, Alberto Coli, João Mário, Anju, Adul, Braima Só e Arnoul Mendi.

A Guiné-Bissau jogou e perdeu no sábado diante do Botsuana, em Gaberone, por 2-0, no jogo das eliminatórias para a fase final da Taça das Nações Africanas em futebol, que se realiza no próximo ano em Marrocos.

A caravana guineense veio do Botsuana para África do Sul, onde apanha o voo de ligação para Portugal, mas sete atletas ficaram em terra por alegada falta de lugares no avião que transportou o resto da comitiva, que já se encontra em Lisboa.

A fonte indicou a rádio Jovem que o massagista e um treinador adjunto do técnico português Paulo Torres ficaram com os jogadores, que devem apanhar o voo para Lisboa na terça-feira.

A deslocação da Guiné-Bissau ao Botsuana ficara marcada por várias peripécias. Oito jogadores não puderam jogar pela Guiné-Bissau após terem sido impedidos de passar a fronteira, por falta de visto ou por viajarem com passaporte português.

Vários jogadores da Guiné-Bissau viajaram com passaporte português por terem dupla nacionalidade.

O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau prometeu esclarecer ao país o que se passou na deslocação ao Botsuana, mas negou que a seleção guineense esteja já eliminada. Manuel Nascimento Lopes acredita que no jogo da segunda mão, em Bissau, os guineenses vão ultrapassar o Botsuana.

Fonte do Governo disse à agência Lusa que aguarda pela chegada da seleção para apurar responsabilidades.

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Guiné Equatorial aprovada hoje como membro efetivo da CPLP, num encontro que vai ficar marcado pelo regresso da Guiné-Bissau a esta organização, suspensa desde o golpe de Estado de 2012

Xanana Gusmão assume a presidência na quarta-feira em Díli. Moçambique elogia entrada do novo país

Timor-Leste vai assumir pela primeira vez a presidência da CPLP durante a cimeira de chefes de Estado e de governo, a realizar quarta em Díli, num encontro que vai ficar marcado pelo regresso da Guiné-Bissau a esta organização, suspensa desde o golpe de Estado de 2012, e pela entrada da Guiné Equatorial.

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, já assumiu publicamente acreditar que a Guiné Equatorial será um membro activo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e vai contribuir para consolidar os valores da organização.

"Acredito que a Guiné Equatorial será um membro activo e o presidente vai fazer todo o possível para contribuir para a consolidação dos valores da própria CPLP", afirmou o chefe do executivo timorense.

A entrada da Guiné Equatorial foi fortemente contestada por várias organizações da sociedade civil, que acusam o governo de vários atentados aos direitos humanos e à liberdade no país.

Em relação à presidência timorense da CPLP, Xanana Gusmão disse que vai ser dada continuidade a todos os eixos considerados em todas as presidenciais e aos esforços que têm sido feitos de concertação política e diplomática, na cooperação e na promoção da língua portuguesa. No âmbito da concertação política e diplomática, o líder do governo timorense destacou a Guiné-Bissau.

"As eleições democráticas são sempre bonitas em todo o lado do mundo, mas atendendo a que a Guiné-Bissau vem há várias décadas fragilizando-se há que pensar profundamente em como segurar os resultados já alcançados pelo povo", salientou. Outro eixo importante apontado por Xanana Gusmão é o económico. "Às vezes falamos de pobreza, de direitos humanos, de condições de vida das nossas populações e tendo feito uma análise a toda a comunidade, reparado nas graves assimetrias que existem dentro da comunidade e em cada país, nós próprios percebemos que o sector económico é que poderá viabilizar todos os outros objectivos de desenvolvimento do milénio. Sem isso nada se consegue", concluiu.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Odemiro Baloi, defendeu que a CPLP só admite quem interessa, referindo-se especificamente à adesão da Guiné Equatorial. "Antes de admitirmos qualquer membro, quer como observador, quer como membro de pleno direito, como é o caso, fazemos uma avaliação, estudamos os impactos e só admitimos quem nos interessa", afirmou o chefe da diplomacia moçambicana.

Além do presidente de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, que chegou ontem a Timor-Leste, vão estar em Díli os chefes de Estado de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, de Moçambique, Armando Guebuza, de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, e também da Guiné Equatorial Teodoro Obiang. Angola estará representada pelo vice-presidente, Manuel Vicente, e o Brasil pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Alberto Figueiredo Machado. A Guiné--Bissau vai estar representada pelo primeiro-ministro, Domigos Simões Pereira. O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, também vai participar na cimeira e realizar uma visita oficial a Timor-Leste a 24 e 25.

OPINIÃO : Guiné-Bissau: a última oportunidade (Jornal Publico)

LUÍS NASCIMENTO 21/07/2014 - 01:24

Um novo poder apoiado pela comunidade internacional será capaz de lidar com maior pragmatismo e, sobretudo, incutir confiança.



É muito frequente considerar-se a Guiné-Bissau um Estado falhado, à deriva, dominado pelo crime organizado.

Todos os indicadores o demonstram na última década. Está muito próximo desse “estatuto”. Não há presença da Administração estatal eficaz em praticamente nenhum sector da vida nacional. Existem serviços quase todos eles dominados por uma corrupção generalizada e ostensiva, que salta à vista de toda a gente. O Estado não consegue cobrar impostos. As actividades económicas desenrolam-se num autêntico maná de economias paralela, sem taxação, sem controlo de segurança e qualidade.

Alguns destes sectores alimentam-se do caos. Há uma transversalidade do caos.

A Guiné-Bissau foi engolida por problemas de crime organizado, tráfico de drogas, tráfico de seres humanos, o desmatamento, a pesca ilegal, que esgotou os seus recursos naturais. O Porto de Bissau está cheio de contentores carregados de madeiras preciosas que sem destinatários oficiais... alguns governadores provinciais (reconhecidamente corajosos…), denunciam todos os dias estas situações nas páginas dos jornais. Mas não há polícia, guarda-fiscal, exercito, com vontade de parar estes desmandos. Tudo na mais absoluta impunidade. Os tribunais não funcionam, o Ministério Publico tem centenas de processos, sobre crimes graves, incluindo espancamentos de políticos, que estão fechados na gaveta e provavelmente nunca verão a luz do dia.

Há uma sensação de impunidade sobre os militares, umas forças armadas descontroladas, mal alimentadas, mal pagas, sem dinheiro para uniformes, para equipamentos. Ao mesmo tempo há um generalato e almirantado completamente inúteis, desproporcionado em número, que exibe orgulhosamente galões e estrelas brilhantes, e com um poder avassalador. Gente muito “sensível” e orgulhosa.

Desde a guerra civil de 7 de Junho de 1998, que a Guiné Bissau conheceu vários golpes de Estado sangrentos, intentonas, assassinatos consumados de chefes militares, de um Presidente Eleito, tentativa de assassinato de um Primeiro-Ministro no golpe de Abril de 2012.

Nas eleições gerais de Abril e Maio, os eleitores mostraram um cartão vermelho a estes ditadores: querem mudar e querem fazer parte dessa mudança. A grande afluência às urnas em todo o País foi a confirmação de que os guineenses, nas cidades, nas tabancas, na diáspora, querem ser parte de uma transformação radical do actual “status quo”. Os comícios de campanha eleitoral foram marcados pelo civismo. Deve haver poucos lugares no mundo, onde os dois candidatos rivais escolhem para fecho de uma campanha na segunda volta das presidenciais, a mesma praça central de Bissau, em festa, sem discursos inflamados, com os dois campos de apoiantes a trocarem abraços, cumprimentos, entre si.

Fui testemunha privilegiada disso em serviço de reportagem, nos contactos pessoais.

E verifica-se que a generalidade dos guineenses sabe bem que escolhas há a fazer, neste regresso à Ordem Constitucional e no elenco de prioridades, que se podiam encaixar num autêntico programa de emergência nacional.

Não há medicamentos nem alimentos para os doentes internados nos hospitais, o abastecimento de energia electrica é caótico, a capital, Bissau, está quase toda às escuras, não obstante os seus residentes pagarem para ter “saldo”, um pré-carregamento de electricidade. Prolifera a poluição do ar por todo o lado, já que a alternativa à electricidade da rede pública, são os milhares de geradores a gasóleo, que não chegam à maioria dos residentes, mas são o motor do funcionamento de estabelecimentos comerciais, hotéis, edifícios públicos, etc.

Tudo isto encarece a prestação de serviços e bens essenciais.

Bissau é uma cidade cara, alguém me dizia que em “certa medida não anda muito longe do Dubai…”

Os produtores de fruta, deslocam-se do interior para os centros urbanos, para comercializarem os seus produtos, e no tajecto são “portajados” várias vezes por supostos fiscais, tornando a vida insuportável a muitos deles, e tudo inflacionando.

O abastecimento de água é igualmente muito irregular, obrigando muitos guineenses a percorrerem longas distâncias com bidões às costas, para poderem cozinhar e matar a sede. As condições higio-sanitárias são preocupantes, não há recolha de lixo, a alternativa são as queimadas um pouco por toda a cidade. Os esgotos a céu aberto são um autêntico viveiro de mosquitos e de muitas outras coisas insalubres, num país com um clima tropical quente e húmido, onde seres humanos, em especial as crianças e animais, “partilham” uma água pestilenta, perigosa, indutora de doenças como a cólera e a malaria.

As agências internacionais, as organizações não-governamentais, elementos da sociedade civil tentam remar contra a maré, mas dispõem de escassos meios para implementarem acções que minimizem o sofrimento dos guineenses. Em grande medida porque o Pais esteve sob sanções internacionais pesadas, que agora começam agora a ser suspensas, por parte da CEDEAO, União Europeia e outros parceiros internacionais.

Em 2012 foi a primeira vez que a comunidade internacional enviou uma mensagem para os líderes militares e, particularmente, a alguns indivíduos, de que a impunidade, o comportamento criminoso, golpes de Estado, assassinatos, tráfico e outras formas de crime não mais seriam tolerados.

Mas acontece sempre em toda a parte, os mais atingidos são os mais desprotegidos.

Portugal respeitou à risca as sanções decretadas pela União Europeia, não manteve contactos diplomáticos com o Governo e como Presidente da Transição, por não serem reconhecidos “de jure”. Mas nestes dois anos de acentuada degradação da situação na Guiné-Bissau, apoiou organizações não-governamentais e outras instituições da sociedade civil. Com o novo Embaixador, António Leão Rocha, e apesar da pouca disponibilidade financeira, Lisboa, quer reforçar essa cooperação.

Lembro-me que recentemente o Coordenador do Programa Alimentar Mundial, aquando da distribuição de 100 toneladas de cerais, ter afirmado que “bateu a muitas portas e só Timor-Leste “ disponibilizou algumas centenas de milhar de dólares, para aquisição destes abastecimentos.

De facto, Timor-Leste, através da sua Agência para a Cooperação, liderada pelo ex-Vice-Ministro dos Negócios Estrangeiros, Alberto Carlos, com larga experiencia em operações humanitárias em Africa, conseguiu implementar um conjunto de pequenos programas, com supervisão directa: doação de embarcações para quebrar o isolamento das populações do sul do Arquipélago dos Bijagós, equipamentos para escolas, apoio á Selecção de Futebol, etc. E a Missão Timorense de Apoio ao Processo Eleitoral, que juntamente com o governo da Nigéria, conseguiu recensear 96% da população habilitada a votar e garantir a monitorização técnica.

O timorense José Ramos-Horta, Nobel da Paz de 1996, saiu há dias de Bissau com uma imagem consensualmente positiva. Interna e externamente, sob o forte aplauso do Corpo Diplomático, dos governantes da Transição e dos novos eleitos. Pelo trabalho político, muito paciente e diplomático, mandatado pelo Secretário-geral da ONU. Conseguiu em dezoito meses, quebrar o gelo que dominava as lideranças do País, ao ponto de fazer sair da Fortaleza da Amura, o General António Indjai, desta vez não acompanhado pelos seus homens para mais uma intentona golpista, mas para se sentar numa tribuna improvisada, conviver com as massas populares, numa festa num mercado de Bissau e abraçar um dos seus “inimigos”, o Primeiro-ministro legitimo, Domingos Simões Pereira.

A Guiné Bissau tem um Governo, uma Maioria e um Presidente, de forma inequívoca legitimados para a gigantesca tarefa que aí vem. Inclusivamente, o novo Presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, do PAIGC conseguiu ser eleito por 95 dos 102 Deputados da Nação, numa decisão histórica e sem precedentes do maior partido da oposição, o PRS, fundado por Kumba Ialá.

Há que reformar as forças de segurança e de defesa e esse trabalho está a ser desenvolvido técnica e politicamente pela UNIOGBIS, o Gabinete Integrado da Missão das Nações Unidas. Por elementos oriundos de vários países, com larga experiencia em operações de consolidação e manutenção da paz. E com vontade por parte da CEDEAO (Comunidade dos Estados da Africa Ocidental).

Mas não chega. A ONU carece de meios financeiros para tudo isto.

O PAM, a OMS, a UNICEF dispõem de quadros preenchidos e com competência para o fazer.

Um novo Poder apoiado pela comunidade internacional será capaz de lidar com maior pragmatismo e sobretudo incutir confiança. Para que os mais ricos abram os cordões à bolsa.

Os cofres do Estado estão vazios. E só há poucas semanas foi apenas pago o ordenado de Janeiro aos servidores do Estado.

Jornalista, recém chegado da Guiné-Bissau

sábado, 19 de Julho de 2014

Guiné-Bissau perde por 2-0 frente ao Botswana na qualificação para a CAN2015.

Por SAPO Desporto sapodesporto@sapo.ptA

Guiné-Bissau perdeu hoje frente à seleção de futebol do Botswana por 2-0, na primeira mão da segunda eliminatória de qualificação para a Taça das Nações Africanas de 2015 (CAN2015), em Gaberone.

Os dois golos da seleção do Botswana foram marcados pelo médio Lemponye Tshireletso.

Fonte do Governo guineense afirmou que o encontro foi antecedido de "muitas peripécias", com oito jogadores guineenses a serem impedidos de participar no jogo devido a "irregularidades" invocadas pelas autoridades do Botswana.

"Vamos aguardar pela chegada da delegação para apurar responsabilidades", acrescentou a mesma fonte.Zézinho, considerado a “estrela” da seleção orientada por Paulo Torres, foi um dos jogadores impedidos de passar na fronteira do Gana.

De acordo com a mesma fonte governamental, em causa está o facto de alguns jogadores não terem visto para entrar no Botswana e de outros por viajarem com passaporte português, uma vez que detém dupla nacionalidade.

Artigo de opinião Luís Vicente : A governabilidade e o equilíbrio de poder

Artigo 18 a governabilidade e o equilíbrio de poder

 

Guiné-Bissau já exportou cerca de 70 mil toneladas da castanha de caju

A Guiné-Bissau já exportou cerca de 70 mil toneladas da castanha de caju uma semana depois de o governo ter decidido priorizar o embarque do produto no porto de Bissau, disse hoje o ministro do Comércio, Serifo Embaló.

Guiné-Bissau já exportou cerca de 70 mil toneladas da castanha de caju

Na semana passada, o novo governo guineense decidiu priorizar o embarque da castanha (principal produto de exportação da Guiné-Bissau) no porto de Bissau em detrimento da madeira e o resultado "está no aumento do envio da castanha", observou Embaló.

De acordo com o novo ministro do Comércio guineense, já foram vendidas para o mercado indiano (principal comprador do caju da Guiné-Bissau) cerca de 80 por cento do total a ser exportado este ano.

"Neste momento temos cerca de 56 mil toneladas da castanha nos armazéns à espera de serem exportadas", adiantou Serifo Embaló indicando que há navios a chegar ao porto de Bissau para virem buscar a castanha.

O governante lamentou, contudo, que "grande quantidade" da castanha teria sido vendida "no circuito clandestino",através da fronteira terrestre da Guiné-Bissau com o Senegal.

Números ainda por confirmar indicam que cerca de 60 mil toneladas da castanha guineense teriam sido vendidas "clandestinamente" para o Senegal, observou Serifo Embaló

"Se esta quantidade toda tivesse passado pelo serviço normal, o Estado teria arrecadado mais receitas", defendeu o ministro, que promete combater a fuga ao fisco ao nível do Ministério do Comércio que coordena também o setor do artesanato.

MB // EL
Lusa

Vice-Chefe do Estado-maior do Exército nomeado Chefe da Casa Militar da Presidência

Bissau – O vice-Chefe do Estado-maior do Exército, Biague Na Ntan, foi nomeado para exercer as funções de Chefe da Casa Militar da Presidência da República da Guiné-Bissau.

O decreto Presidencial número 39, datado de 17 de Julho e assinado pelo Presidente da República José Mário Vaz, dá conta de que esta indigitação confere a Na Ntan os direitos e regalias inerentes ao cargo de ministro.

Militar na reserva, Biague Na Ntan era Comandante-geral do Corpo da extinta Guarda-fiscal, na altura quando Mário Vaz era ministro das Finanças.

Outro decreto Presidencial da mesma data nomeou Marciano Silva Barbeiro Chefe da Casa Civil da Presidência da República.

O antigo director da campanha eleitoral de JOMAV tem igualmente regalias inerentes ao cargo de ministro.

O Primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, vai substituir o Presidente da República José Mário Vaz na X Cimeira da (CPLP),

 Resultado de imagem para Domingos Simões PereiraBissau – O Primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, vai substituir o Presidente da República José Mário Vaz na X Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a ter lugar de 23 a 25 de Julho, em Díli, Timor-Leste.

A ausência do Chefe de Estado guineense do encontro lusófono foi confirmada por fonte da Presidência da República, que não entrou em detalhes sobre esta matéria.

Ao nível interno, a mesma fonte informou que a projetada Presidência aberta, que devia ter lugar a partir desta sexta-feira pelo interior da Guiné-Bissau, ficou cancelada com data ainda a definir, por razões que se prendem com a agenda de trabalho do Chefe de Estado.

Sobre este assunto, soube-se que as fortes chuvas que se fazem sentir nos últimos dias no país, em particular pelo interior da Guiné-Bissau, são uma das razões para JOMAV adiar o encontro com a população do interior.

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

Temporal destrói casas e mata uma criança no bairro Plack 1, arredores de Bissau

Um forte temporal que se abateu na última madrugada sobre a capital da Guiné-Bissau destruiu cerca de duas dezenas de casas e matou uma criança no bairro de Plack 1, arredores de Bissau, constatou a Lusa.

Temporal destrói casas e mata uma criança

Bairro novo habitado por funcionários do Estado e comerciantes, dezenas de casas estão literalmente no chão e outras estão de pé mas sem a cobertura de folhas de zinco, que voaram com a força do vento.

Alfa Umaro Djaló, um dos moradores é um dos chefes de família cuja casa foi destruída pelo temporal.

Umaro Djaló não sabe dizer como tudo aconteceu por ter sido de madrugada quando a família dormia e começou a chover torrencialmente sobre Bissau.

Em lágrimas, Umaro Djaló pede "as pessoas de boa vontade" para que venham ao socorro dos moradores do bairro de Plack "que estão na desgraça" uma vez que "muitos estão ao relento".

"Peço, em nome dos moradores do bairro, que pessoas de boa vontade venham socorrer-nos. Peço ao Governo na pessoa do novo primeiro-ministro" (Domingos Simões Pereira) "que nos ajudem", disse Djaló.

O morador conta que "foi um milagre de Deus" que a casa não tenha caído "em cima" dos membros da sua família.

"São casas precárias. Somos pessoas pobres", observou Umaro Djaló.

Maram Bobo Baldé é outra moradora que tem a casa derrubada. Bobo Baldé lamenta a situação e lança apelos.

"Precisamos do vosso apoio. Ajudem-nos com materiais para reconstruirmos as nossas casas caídas", disse Bobo Baldé, contando como tudo se passou.

"Estávamos a dormir e qual não foi o meu espanto quando vi a cobertura da minha casa a voar", explicou Baldé, acrescentando que "foi desolador o que se viu" na ultima madrugada no bairro.

"Ali naquele vizinho a parede caiu-lhes em cima, aquela casa ali vi com os meus olhos a cobertura a ser levada pelo vento. Foi desolador e triste o que se viu aqui", afirmou Maram Bobo Baldé.

A moradora conta com a solidariedade "de toda gente" mas espera sobretudo que o Governo "de Domingos Simões Pereira" faça algo para ajudar os sinistrados do bairro de Plack 1 com roupa, comida e materiais para a reconstrução de casas.

No bairro de Plack 1, habitada maioritariamente por indivíduos que professam a religião islâmica o ambiente esta manha era de tristeza geral.