terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Emoção, alegria e sentimento de justiça social marcam a primeira colação de grau da Unilab

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Uma noite de emoção e primeiras vezes. Primeira colação de grau da Unilab, uma universidade pública ainda jovem, cravada no Maciço de Baturité, no interior do Ceará. Primeira graduação de 57 estudantes da turma “Luís Inácio Lula da Silva” e, mais ainda, a primeira graduação de muitas famílias. Assim foi a noite da última sexta-feira (12), a formatura do curso de Bacharelado em Humanidades (BHU), realizada no Campus das Auroras, entre os municípios de Redenção e Acarape, no Ceará.

“Eu sou o primeiro da minha família a concluir o ensino superior” foi a frase quase unânime, mostrando o lugar que a Unilab ocupa na luta por uma sociedade em que os historicamente excluídos possam ter vez, construir uma nova história, contá-la a partir de seu lugar social.unnamed (1)

Outras expressões recorrentes na noite foram “gratidão”, “oportunidade” e “orgulho”, presentes em um momento de felicidade partilhado com familiares, colegas, professores, técnico-administrativos e colaboradores da Unilab, que lotavam o Campus das Auroras ao som da Orquestra Eleazar de Carvalho.

Carlos Santos, de 26 anos, cruzou o Atlântico para estudar na universidade. Vindo de Cabo Verde, o estudante, um pouco nervoso, tinha as mãos frias, mas o olhar pleno de esperança. “Hoje estou esperando o melhor. Suspiro de alívio, de tranquilidade, de ter conseguido a primeira etapa, que era fazer o BHU. Mas não posso falar disso sem falar da minha família, da minha origem, a gente tem que falar de onde vem. Eu venho de Cabo Verde, de uma família humilde, que não tem tradição de escolaridade. Basicamente sou o primeiro a ter um curso, e isso é motivo de orgulho para mim mesmo e minha família. Hoje é um momento de agradecer a todos que contribuíram para esse dia, um dia tão esperado”, afirmou.

Mãe da concludente Wilquelina Ponciano, a auxiliar de serviços gerais, Luísa Maria Ponciano, era só alegria. “Estou muito feliz de ela estar se formando. Fico muito agradecida, primeiramente a Deus e depois a ela, que se interessou. Que ela seja muito feliz, que Deus ilumine mais os passos dela e que siga em frente”, disse. Já a estudante, primeira da família a concluir o ensino superior, descreveu o momento como “um privilégio e emoção muito grande”. Agora, cursará a terminalidade de Sociologia. A família mora em Guaiúba, município da região metropolitana de Fortaleza.

Oriundo do Maciço de Baturité, município de Acarape, o jovem Walef Santos, de 20 anos, tem a certeza de que a formatura é só o primeiro passo de um longo caminho de estudos que trilhará. “É um sentimento de muita felicidade, estou realizando um grande sonho da minha vida, que é me formar. Foi muito difícil o trajeto, mas deu certo e vou continuar. Eu sou o primeiro da minha família a ter ensino superior e espero que meus irmãos me tenham como exemplo”, contou.

Aos 35 anos, Carlene Barbosa vivia uma alegria que não cabia em si e era extravasada nas muitas fotos ao lado de parentes e amigos. Natural do município de Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará, mudou-se para Redenção, onde mora a filha, a fim de quebrar o destino que parecia já selado. “O curso foi uma oportunidade única e é uma alegria imensa. O que a gente espera, daqui para frente, é continuar os estudos, continuar na Unilab, e daqui a três anos mais uma formação, do segundo ciclo do curso”, declarou.


unnamed (2)A reitora Nilma Lino Gomes uniu sua própria trajetória à dos formandos por um ponto em comum: a origem social humilde. “Muitos dos nossos bacharéis aqui formados representam a primeira geração a cursar o ensino superior na sua família. E para nós que viemos de famílias pobres, com trajetórias de luta por direitos e por inserção social, a conclusão de uma graduação significa muito. Ela representa a conquista de um direito. Para as famílias pobres do Brasil, continente africano e Timor-Leste – e eu venho de uma família com estas características –, cursar o ensino superior não é simplesmente a ordem natural das coisas, o caminho posterior ao ensino médio. Significa a ruptura com uma história de desigualdade e exclusão. Significa a nossa presença em um espaço e tempo que não foi pensado para os pobres e coletivos sociais diversos, mas, sim, para as elites”, frisou.

A reitora destacou ainda o quão desafiador é o projeto da Unilab e desejou que sua proposta se volte para formar sujeitos críticos. “A nossa aposta é que o projeto acadêmico da Unilab seja um projeto educativo e acadêmico emancipatório que, nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos, seja capaz de formar sujeitos e mentes inconformistas e rebeldes diante da injustiça, das desigualdades, do racismo e de toda forma de discriminação”, sublinhou.unnamed (3)


Compuseram a mesa de cerimônia a reitora da Unilab, Nilma Lino Gomes; o vice-reitor, Fernando Afonso Ferreira; o secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Paulo Speller; a secretária de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi/MEC) Macaé Maria dos Santos; a pró-reitora de Graduação, Andréa Linard; a diretora do Instituto de Humanidades e Letras (IHL), Monalisa Valente; a diretora do Campus de Crateús da Universidade Federal do Ceará (UFC) e primeira vice-reitora da Unilab, Maria Elias Soares; o coordenador do curso Humanidades, Maurílio Machado; e o professor do IHL, Américo Souza.

Vaz Martins Estabilidade pode tirar Guiné-Bissau da miséria

Luís Vaz Martins fala de 2015 a sorrir, depois de anos duros: após o golpe de Estado de 2012 na Guiné-Bissau, o presidente da Liga dos Direitos Humanos chegou a viver escondido, afastado da família e sob disfarce.

Estabilidade pode tirar Guiné-Bissau da miséria


"Tive experiências muito amargas, com colegas, por defendermos os direitos humanos e o Estado de direito. Custou-me ter que viver na condição de refugiado dentro do meu próprio país", contou à agência Lusa.

Fações militares e políticas, gozando de impunidade, não toleravam a denúncia de agressões físicas e outras violações dos direitos fundamentais a que nem membros do Governo de transição escaparam.

As eleições deste ano trouxeram estabilidade e esperança e 2015 "deve dar sinais muito fortes no sentido da mudança, para que realmente possamos experimentar formas de viver diferentes da anarquia e do caos que tem sido a realidade", referiu Luís Vaz Martins

Um otimismo moderado ao olhar para a História do país.

"Seria no mínimo utópico pensar que 2015 será o ano de todas as mudanças", disse, até porque a Guiné-Bissau continua a ser "imprevisível", mas perspetiva-se uma viragem decisiva, por exemplo, na organização militar.

"Estou em crer que será o ano do início das grandes reformas no setor da segurança, porque sem elas qualquer crispação no plano político terá repercussões. Porque haverá intervenção das Forças Armadas", sublinhou.

Governo e parceiros internacionais têm falado de desmobilização de muitos militares, por um lado, e formação de novos efetivos, por outro, num setor que "mexe com 40% dos casos de violação dos direitos fundamentais" no território.

"Acredito que os atuais líderes irão colaborar, com o apoio da comunidade internacional, para que haja imediatamente uma reforma nesse setor, sob pena de voltarmos a adiar o país 'sine die'", realçou Luís Vaz Martins.

Noutras áreas, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos disse acreditar na previsão de crescimento económico feita pelo Governo.

E no plano político, considerou expectável que "os consensos encontrados entre diferentes forças políticas se traduzam numa gestão do país mais pacífica", conduzindo a uma "reforma do Estado, no seu todo".

Neste cenário, a melhoria da qualidade de vida deverá ser mensurável e sentida pela população.

"Estamos a falar de 40 anos de autodestruição de um Estado", em que o país "não conseguiu cumprir com os seus principais eixos e objetivos: criar condições de bem-estar para a população, condições de segurança e condições para que se faça justiça em nome do povo", acrescentou.

UE vai apoiar a exportação de panos tradicionais da Guiné-Bissau

A União Europeia (UE) vai apoiar a exportação de panos tradicionais da Guiné-Bissau, no âmbito de um projeto que inclui hoje a inauguração de uma tinturaria em Bafatá, segunda cidade do país, anunciou a delegação guineense da UE.

O projeto de relançamento da cultura de tintura tradicional de Panos em Ponte Nova - Bafatá, visa redinamizar a atividade, "reduzir a pobreza e preservar o património cultural e económico", refere a UE em comunicado.

O projeto arrancou em janeiro de 2013 com uma duração de 36 meses e conta com um orçamento a rondar os 552 milhões de francos CFA (cerca de 842 mil Euros), financiado a 90% pela União Europeia e a 10% por outros doadores, entre os quais o município de Palência, Espanha.

Além do espaço onde são tingidos os tecidos, vai passar a funcionar também um centro multifuncional que inclui uma lavandaria e a sede da Associação das Mulheres de Ponte Nova (AMPN).

Os membros desta associação fazem parte do comité de gestão e manutenção do processo de produção dos panos.

Como tal, está prevista formação em gestão, contabilidade básica, marketing e venda, comunicação para o desenvolvimento, planeamento, práticas de monitorização e avaliação.

Está também nos planos "o apoio à comercialização dos panos tingidos mediante a realização de eventos promocionais na Guiné-Bissau, em Portugal e em Espanha", anuncia a UE.

Haverá ainda troca de informação sobre gestão de resíduos tóxicos e técnicas integradas de tintura de panos.

O projeto inclui a realização de estudos sobre o impacto socioeconómico da emigração das mulheres tintureiras e a transformação da AMPN num modelo de cooperativa.

Todo o trabalho é realizado em conjunto com duas organizações não-governamentais (ONG) guineenses, a DIVUTEC e a UNIMOS.

Dois agentes da Polícia de Ordem Pública detidos sob mandado do MP : Por burla qualificada

Bissau - Dois agentes da Polícia de Ordem Pública (POP) foram detidos há dois dias por alegado envolvimento num episódio de burla qualificada.

Fontes policiais indicam que os agentes, em conluio com alguns civis também detidos, iludiram um emigrante guineense considerado traficante, fingindo que tinham droga para comercializar, mas o que tinham era um falso estupefaciente.

O suposto traficante foi ao encontro de um dos civis, com mais de 20 mil euros, que fingiu estar na posse da substância. Naquela altura apareceram os dois agentes policiais envolvidos na cilada, fingindo tratar-se de uma operação disfarçada e oficial.

Consequentemente, terão furtado o dinheiro e espancado o emigrante, que foi conduzido ao Hospital Nacional Simão Mendes.

O caso encontra-se na Polícia Judiciaria, sob alçada processual do Ministério Público.

A prática tem vitimizado muitos traficantes menores, sobretudo os «correios», que são enganados com pequenos pacotes de droga falsa por parte de alguns civis envolvidos na rede, e depois são alvo de severas punições por parte de agentes policiais.

Consequentemente ficam sem a suposta mercadoria e sem o dinheiro, além de serem submetidos a maus tratos e ameaças, que recebem depois para não denunciarem o caso.

Informações indicam que este caso soma-se a vários outros que não conheceram uma responsabilização judicial.

Continua a polémica sobre a exploração de recursos naturais em Varela : Denunciados comportamentos «anormais e abusivos»

Bissau - A comissão de seguimento do dossier de exploração de areias pesadas de Varela continua a denunciar comportamentos que considera «anormais e abusivos» por parte da empresa russa Poto SARL, que está a explorar e a exportar areias pesadas de Varela.


Falando em conferência de Imprensa esta sexta-feira, 12 de Dezembro, João Alberto Djata, vice-Coordenador da referida comissão, denunciou que mais de 500 toneladas de areia já foram retiradas de Varela e transportadas de Nhiquim para Bissau, afirmando ainda que os recursos em causa estão no perímetro que se situa entre Bissau e Safim, região de Biombo.

Neste sentido, Alberto Djata lançou o desafio ao Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, no sentido de se pronunciar sobre o dossiê em causa, assim como expressar a sua opinião sobre a exploração dos recursos minerais no país.

«A alavanca da economia do país está na agricultura, pesca e turismo» referiu, tendo afirmado que, com esta exploração, o turismo e outras potencialidades naturais do país poderão estar comprometidos no futuro, naquela zona do norte da Guiné-Bissau.

«Vamos avisar que estamos a preparar uma previdência cautelar junto do Ministério Público, para defender os interesses das populações daquela zona», disse o responsável.

Para o coordenador da comissão, Victor Sanha, o Estado guineense só tinha que confiscar as areias exploradas pela empresa russa, por não ter certificado de conformidade ambiental e estar a extrair e exportar areias, acusando a empresa de estar a explorar os recursos minerais sem que tenha criado o fundo de desenvolvimento local.

Bissau Cidade sem livrarias acolhe feira do livro

NA cidade de Bissau,onde não há livrarias, a Casa dos Direitos e a editora guineense Ku Si Mon promovem até o próximo dia 20 de Dezembro a segunda edição da Feira do Livro de Bissau, anunciaram os organizadores.

Estão à venda cerca de 100 obras especializadas em direitos humanos e de literatura africana graças à colaboração de diversas organizações que disponibilizaram títulos recentemente editados para venda.

A aquisição de outras obras, em livrarias, para poderem ser disponibilizadas na feira, tornou-se possível através da contribuição de quase duas dezenas de pessoas numa campanha de “crowdfunding”, ou seja, financiamento colectivo.

A acção, realizada em Outubro, resultou na recolha de cerca de mil euros, explicaram os promotores do evento. A feira está aberta no Espaço de Memória da Casa dos Direitos, todos os dias úteis, das 09.00 às 17.00 horas. O espaço-café, no piso da feira, estará em funcionamento no mesmo horário.

O presidente do parlamento da Cipriano Cassamá, pede a demissão do actual ministro interino, Domenico Sanca

O presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, pede a demissão imediata do actual ministro interino, Domenico Sanca e sua equipa, por humilharem o país e o seu povo


O presidente do parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, classificou ontem como uma "falha" o encontro de uma comitiva governamental com rebeldes de Casamança (Senegal) em território guineense e pediu a exoneração dos dirigentes civis e militares que a integravam, entre eles o actual ministro interino, Domenico Sanca.

O líder da comitiva, o ministro da Administração Interna, Botche Candé, foi demitido pelo Presidente da República, José Mário Vaz, depois do incidente e segundo o presidente do parlamento, os restantes dirigentes também devem sair.

O parlamento guineense criou uma comissão de inquérito ao caso, cujos resultados foram apresentados na quinta-feira numa sessão à porta fechada. "Botche não deve ser o único a pagar pela falha.

Todos os que lhe o acompanharam, devem ser igualmente responsabilizados", defendeu Cipriano Cassamá, que advoga ainda uma "mudança radical" nos ministérios da Administração Interna e da Defesa.

O presidente do Parlamento guineense exige também que as autoridades guineenses trabalhem no sentido de reconfirmar os pilares (marcos das fronteiras) entre a Guiné-Bissau e o Senegal.

Cassamá diz que vai convocar o ex-ministro da Administração Interna, Botche Candé, para ser ouvido na comissão especializada permanente sobre Defesa.

Ainda não foi nomeado um novo ministro da Administração Interna e Botche demitiu-se a 28 de Novembro.

Caso suspeito de ébola na Guiné-Bissau

Homem proveniente da Guiné-Conacri está em observação em Gabu, juntamente com mais oito cidadãos em quarentena.
Um cidadão que entrou na Guiné-Bissau um dia depois da abertura da fronteira com a vizinha Guiné-Conacri está a ser tratado por suspeita de ébola.

A agência de notícias AFP revelou que o homem, que estava com febre, foi colocado sob vigilância quando tentava atravessar a fronteira de Fulamori na quarta-feira passada, 10.

Na ocasião, ele se aproveitou da pouca segurança na fronteira e escapou-se da observação, tendo tomado um autocarro para Gabo, onde viria a ser detido.

"A temperatura era superior a 39 graus Celsius e, por essa razão, o isolamos, enquanto aguardamos uma análise mais aprofundada", disse Gilda Helena de Almeida Vieira, enfermeira-chefe no posto de saúde na aldeia de Buruntuma.

A mesma fonte indicou que mais oito passageiros foram colocados em quarentena.

"Nós gostaríamos de ver um maior controlo das fronteiras, com mais agentes da Guarda Nacional a impedir que as pessoas recusem fazer o controlo sanitário”, disse Vieira.

O Governo da Guiné-Bissau reabriu a fronteira de 300 quiómetros com a Guiné-Conacri no passado dia 9, depois de a ter encerrado a 12 de Agosto devido à epidemia de ébola que começou exactamente no país vizinho.

EUA escolhem novo embaixador para o Senegal e Guiné-Bissau

Os Estados Unidos da América (EUA) nomearam um novo embaixador para o Senegal e Guiné-Bissau, James Peter Zumwalt, diplomata que tem prestado serviço nos EUA e em países asiáticos, informou o Departamento de Estado norte-americano.
10133606A nomeação de Zumwalt foi promulgada pelo presidente Obama a 25 de novembro, acrescenta-se em comunicado.

O novo embaixador tem 33 anos de carreira e os dois primeiros foram passados em África (1981-1983) como encarregado para assuntos económicos em Kinshasa, Zaire.

De 1983 em diante, o diplomata tem prestado serviço em Washington e em países asiáticos, lidando sobretudo com matérias ligadas à economia do Japão, China, Coreia e Filipinas.

Zumwalt liderou ainda a equipa interagências que geriu a resposta de emergência dos EUA perante o terramoto e tsunami de 2011 no Japão.

Os EUA fecharam a embaixada em Bissau na sequência do conflito militar interno que abalou o país em 1998 e 1999.

Atualmente têm em funcionamento um escritório na capital guineense e uma presença na Internet dedicada à Guiné-Bissau, ambos na dependência da embaixada no Senegal.

A justiça norte-americana mantém ativo um mandado de captura do general António Indjai, ex-chefe das forças armadas guineenses, líder do golpe de estado de 2012, acusado de envolvimento em operações de tráfico internacional de droga.

A acusação surgiu depois de um antigo líder da marinha guineense, Bubo Na Tchuto, ter sido detido em 2013 por uma equipa da agência de combate ao tráfico de droga norte-americana, aguardando por sentença numa prisão dos EUA.

Indjai foi exonerado em setembro pelo novo Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, e anunciou que pretende dedicar-se à atividade agrícola nas suas terras, no interior do país, afastando qualquer possibilidade de pegar em armas para influenciar o rumo do país.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

General que liderou golpe de 2012 na Guiné-Bissau troca armas pela agricultura

O general António Indjai, líder dos militares no golpe de estado de 2012 na Guiné-Bissau,disse que não pensa voltar a pegar em armas para intervir no rumo do país, dedicando-se apenas à agricultura.

O general António Indjai, líder dos militares no golpe de estado de 2012 na Guiné-Bissau, exonerado em setembro, disse hoje que não pensa voltar a pegar em armas para intervir no rumo do país, dedicando-se apenas à agricultura.

“Podem confiar que o general está na lavoura. A pegar numa arma? Não é verdade. Não penso nisso, nem hoje, nem amanhã, para sempre”, referiu numa entrevista em crioulo à RTP África, numa das suas quintas em Bambadinca, leste da Guiné-Bissau.

“Quero ver o país em desenvolvimento, pelo menos para os nossos filhos poderem estudar. Um general vai pensar em problemas a cada dois anos”, questiona.

Na primeira entrevista desde que foi afastado da liderança das forças armadas, Indjai pediu ao governo para esquecer o que está para trás, para trabalharem juntos daqui em diante.

“Lembrar, falar do passado, traz problemas e inimizade. Falo ao povo e governo da Guiné-Bissau para fazermos como o Presidente da República disse: pormos a mão na lama”, uma expressão guineense que significa, “vamos ao trabalho”.

Indjai foi exonerado do cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMFGA) a 16 de setembro pelo novo Presidente da República, José Mário Vaz, eleito este ano (de par com o novo parlamento e governo), pondo fim ao regime de transição que saiu do golpe de 2012.

O general classifica o Presidente como um amigo de longa data e considera que o seu afastamento da liderança militar faz parte do jogo democrático.

“Saí das forças armadas sem problemas, sem nada. Saí porque é assim a democracia”, referiu.

Para além da lavoura (culturas de sésamo e arroz), Indjai diz que espera vir a receber uma pensão de reforma adequada à patente de “general de quatro estrelas”.

“O povo deve ficar tranquilo (…), mas se alguém me expulsar da minha quinta, está a criar um problema: como é que eu vou comer? Tenho a certeza que ninguém vai dizer que eu não posso lavrar a terra”, acrescentou o militar que os norte-americanos ainda querem capturar, por alegado envolvimento no tráfico de droga.

O general faz um pedido ao povo e ao governo da Guiné-Bissau: “que guardem a minha vida para que eu possa trabalhar. Se pensarem que estou a fazer alguma outra coisa, que mandem uma delegação [para verificar]. Não tenho nada”, sublinhou.

Na entrevista à RTP África, António Indjai desvaloriza as acusações da justiça dos EUA e volta a dizer-se inocente em relação às suspeitas de tráfico de droga internacional.

A 18 de abril de 2013, foi acusado pelos norte-americanos de participação numa operação internacional de tráfico de drogas e armas, processo que se mantém em aberto, recaindo sobre o general um mandado de captura.

A acusação surgiu depois de um antigo líder da Marinha guineense, contra-almirante Bubo Na Tchuto, ter sido detido dias antes, a 04 de abril, em águas internacionais, perto de Cabo Verde, por uma equipa da agência de combate ao tráfico de droga norte-americana, juntamente com outros quatro guineenses.

Indjai foi afastado por José Mário Vaz através de um decreto presidencial que já era esperado nos círculos políticos e militares, dada a saída de cena das figuras que tinham tomado o poder após o último golpe de estado.

Governo da Guiné-Bissau trava fundo da promoção do caju para auditar as contas

O governo da Guiné-Bissau excluiu o fundo de promoção do caju (Funpi) do Orçamento de Estado para 2015 e vai fazer uma auditoria às respetivas contas, disse hoje à Lusa o ministro do Comércio, Serifo Embaló.



"O Governo fez uma proposta (da sua supressão) do Orçamento Geral do Estado, que foi aprovado pelo Parlamento. Portanto, tudo o que é previsão de formas de receitas do Estado está no Orçamento", do qual já não consta o Funpi, referiu.

"Neste momento, o Funpi não constitui preocupação para ninguém", disse hoje o governante que falava durante um encontro numa unidade hoteleira de Bissau dedicado a estratégias para rentabilizar o comércio do produto.

Parlamento aprova Orçamento de Estado para 2015 por unanimidade

A Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau aprovou por unanimidade, na última noite, o Orçamento Geral do Estado para 2015 e o Plano Nacional de Desenvolvimento, disse à Lusa fonte parlamentar.Parlamento aprova Orçamento de Estado para 2015 por unanimidade
A votação foi feita com a presença de 71 dos 102 deputados eleitos, acrescentou.

O orçamento para 2015 ronda 148 mil milhões de francos CFA, cerca de 225 milhões de euros, de acordo com dados do órgão estatal Agência de Notícias da Guiné (ANG).

Ainda de acordo com a ANG, o parlamento pediu ao governo uma auditoria às contas do FUNPI, Fundo Nacional de Promoção da Industrialização de Produtos Agrícolas, recusando a sua eliminação imediata.

A fiscalização às contas deverá abranger tudo, desde a criação do fundo até ao presente, e os resultados devem ser conhecidos antes do início da campanha de comercialização da castanha de caju de 2015.

Citado pela ANG, o primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, manifestou satisfação pela aprovação do orçamento por unanimidade.

"Felizmente não estamos sós na realização dessa tarefa, vamos contar com a capacidade e a disponibilidade de todos os guineenses para produzirmos um consenso e determinação", referiu.

Bissau quer cooperação técnico-policial de médio a longo prazo com Portugal

O governo da Guiné-Bissau pretende desenvolver programas de cooperação técnico-policial com Portugal tendo em vista um horizonte de médio a longo prazo, anunciou hoje o ministro da Administração Interna interino, Doménico Sanca.

Bissau quer cooperação técnico-policial de médio a longo prazo com Portugal

"Pretendemos um amplo contributo de Portugal nas áreas da capacitação e assistência técnica" das forças de segurança e outras estruturas ligadas ao Ministério da Administração Interna (MAI), referiu.

O governante falava no Centro Cultural Português, em Bissau, numa cerimónia de oferta de fardamentos e acessórios, avaliados em 60 mil euros, que o embaixador de Portugal, António Leão Rocha, entregou às forças policiais e da Guarda Nacional (GN) guineenses.

"Além deste apoio, pretendemos um programa de médio a longo prazo", virado para a formação e que pode abarcar áreas tão diversas como a proteção civil, vigilância costeira ou controlo de fronteiras, acrescentou.

O golpe de estado de abril de 2012 na Guiné-Bissau levou à suspensão da cooperação direta por parte de Lisboa, mas depois das eleições deste ano há "excelentes relações", destacou Doménico Sanca.

"Hoje, aqui, marcamos muito positivamente o regresso [da cooperação], em força, na formação", referiu, numa alusão ao curso que decorre no Centro Cultural Português.

Dois oficiais da Guarda Nacional Republicana (GNR) portuguesa lideram uma ação de formação inicial de formadores para 10 agentes da Polícia de Ordem Pública (POP), 10 guardas e dois instrutores do Centro de Formação das Forças de Segurança da Guiné-Bissau (centro de João Landim).

Um outro grupo de 18 efetivos (nove da POP e outros tantos da GN) iniciou esta semana instrução sobre policiamento de proximidade na Escola Superior de Polícia de Torres Novas, em Portugal.

Há ainda um grupo de quatro técnicos superiores da Direção Geral de Migração e Fronteiras da Guiné-Bissau que vai participar entre 15 e 19 de dezembro num estágio que envolve aulas teóricas e ações no terreno, em Portugal.

"Não podíamos desejar maior dinamismo em tão pouco tempo", referiu, por seu lado, o embaixador de Portugal.

António Leão Rocha destacou alguns aspetos inovadores das formações a decorrer, como o facto de, para além de matéria "clássica", abarcarem áreas novas como a proteção ambiental.

Em perspetiva está também a possibilidade de Portugal prestar capacitação em matéria de organização eleitoral autárquica e de ordem administrativa, concluiu.