quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Desmantelada rede de falsificação de produtos alimentares

guinea-bissau-mapaBissau - A Polícia de Intervenção Rápida guineense desmantelou, este fim-de-semana, 27 e 28 de Setembro, uma rede de falsificação e venda no mercado nacional de óleo alimentar, feito com um pacote de 100 Francos Cfa. (cerca de 0,15 euros), do conhecido sumo da marca «Tiara».

A rede em causa falsificava este produto alimentar e vendia-o num valor que variava entre os 8 e os 10 mil Francos Cfa. (cerca de 13,70 euros), por cada embalagem de 20 litros.

Um dos suspeitos deste acto, detido nas instalações da 2.ª Esquadra de Bissau, disse que foi convidado por outro indivíduo e que, em cada vinte litros, beneficiava de um valor correspondente a 2.500 Francos Cfa (cerca de 3,80 euros). O suspeito disse que não tinha ainda vendido o produto alimentar falsificado aos consumidores.

Samuel Fernandes, porta-voz do Ministério da Administração Interna, disse que a sua instituição está empenhada em criar condições de segurança à sua população, apelando no sentido da sua colaboração através da denúncia dos actos e das pessoas responsáveis.

Fonte PNN

PR assina decreto que indulta detidos do caso «21 de Outubro» Gesto de encorajamento ao perdão»

Bissau – Pouco depois de ter anunciado que iria indultar os detidos dando-lhes uma segunda oportunidade, o Presidente da República, José Mário Vaz, assinou esta terça-feira, 30 de Setembro, o decreto que indultou alguns cidadãos nacionais acusados pela justiça militar sobre o caso ocorrido a 21 de Outubro de 2012.

«Tendo em conta a manifestação de um gesto de encorajamento ao perdão, bem como ao início do processo de reconciliação no seio da sociedade em geral, em particular na classe castrense, em prol da edificação de uma força de defesa e segurança republicana ao serviço do Estado de direito democrático na Guiné-Bissau, é revogado por indulto o remanescente da pena de prisão aplicada a estas pessoas», lê-se no decreto Presidencial.

Entre as pessoas absolvidas constam o Tenente-coronel na reserva, Bramia Djeme, o Capitão do Exército Pansau Ntchama, o 2.º Sargento João Etchem Sambu, o Furriel Paulino Djata, o desmobilizado Gicol Biague e o civil Damiano Djata, todos condenados no âmbito do mesmo processo n.º 71/2012 cujos termos ocorreram no Tribunal Militar Superior da Guiné-Bissau.

Oo director do Gabinete do Presidente da República, Octávio Lopes, disse que até ao final de Dezembro vão haver mais indultos concedidos, incluindo a civis.

«Este sinal deve ser compreendido como uma manifestação de um gesto de encorajamento ao perdão, bem como ao início do processo de reconciliação na sociedade guineense e ao nível da classe castrense», referiu.

Em meados de Outubro de 2012 um grupo de pessoas foi acusado e condenado pela justiça militar guineense de pretender perpetrar um golpe de Estado contra outro regime golpista, saído do 12 de Abril do mesmo ano.

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Director-geral do GTAPE exonerado e Substituído por Alem Sanca

Bissau - O Director-geral do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE), Cristiano Na Bitan, foi suspenso das suas funções, passando este lugar a ser ocupado por Alem Sanca, que antes do golpe de Estado de 12 de Abril desempenhava a função.


De acordo com o despacho do ministro da Administração Interna, datado de 26 de Setembro e assinado pelo seu titular Botche Candé, ficou ainda suspenso Papa Bidé Cambe Incanha, director-geral do departamento de Migração e Fronteiras, e Francisco Malam Ndur Djata, Inspector-geral do Ministério da Administração Interna.

Para os seus lugares foram chamados Lino Lopes, antigo Director-geral dos Serviços de Informação de Estado no período do Governo de Carlos Gomes Júnior, foi indicado para a Direcção de Migração e Fronteiras, e José António Marques para a função de Inspector-geral da instituição.

Os titulares do Serviço Nacional de Protecção Civil e Bombeiros, Comissão Nacional para os Refugiados e Deslocados Internos, respectivamente Malam Djaura e Tibna Sambe Nawana, foram mantidos nos cargos.

Algumas novas direcções gerais foram instituídas, entre as quais a Direcção-geral de Logística e Património e a Direcção-geral de Assuntos Sociais, ocupadas agora por Mamadu Mutaro Djalo e Arafam Mane, respectivamente.

Ministro da Administração Interna quer "tolerância zero" para crimes violentos na Guiné-Bissau Bissau

O ministro da Administração Interna da Guiné-Bissau, Botche Candé, prometeu "tolerância zero" no país face a crimes violentos, depois de um jovem ter sido alegadamente agredido até à morte por polícias num bairro de Bissau.

A posição foi tornada pública segunda-feira pelo porta-voz do ministério, Samuel Fernandes, após uma reunião entre o membro do Governo e os chefes das diferentes esquadras da capital. 

"Nada justifica o uso de meios inadequados na detenção daquele jovem e que resultou na sua morte" referiu Samuel Fernandes, citado pela Agência de Notícias da Guiné (ANG). 

De acordo com o porta-voz, o ministro apelou às forças policiais para "respeitarem os direitos cívicos dos cidadãos" e ao mesmo tempo pediu a colaboração da população na missão dos agentes de segurança. 

Face ao cenário actual, o governo pretende ainda promover acções de formação para os elementos de segurança, sobretudo no que respeita "à maneira de actuar", acrescentou. 

"Em qualquer circunstância, o uso da força deve ser proporcional a própria situação e à ameaça no terreno. Por isso, condeno veementemente o acto que aconteceu recentemente no bairro de São Paulo", sublinhou Samuel Fernandes.

Quatro agentes da Polícia de Ordem Pública (POP) estão detidos por suspeita de envolvimento na morte de um jovem guineense na noite de dia 19, no bairro de São Paulo. 

O caso foi denunciado na quinta-feira pela Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), referindo que as agressões ocorreram depois de a vítima questionar os agentes sobre a razão pela qual o estavam a deter.

Guiné-Bissau reavalia todos os contratos celebrados pelo Estado

Guiné-Bissau reavalia todos os contratos celebrados pelo EstadoO primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, disse, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, que o país está a reavaliar todos os contratos celebrados pelo estado.

Simões Pereira disse à agência Lusa que o executivo está a trabalhar num programa do contencioso, para o qual foi criada uma comissão interministerial, que visa trazer clareza aos contratos que envolvem o estado ou no qual o estado tem alguma participação.

"Estamos a identificar estes casos e, em alguns casos, vamos precisar de uma auditoria. No final, o que pretendemos é que todos os guineenses se revejam nos métodos e procedimentos da gestão da cousa pública", explicou o responsável.

O primeiro-ministro faz uma avaliação positiva dos primeiros meses de governo, admitindo, no entanto, que "a gravidade em relação a alguns domínios é, de facto, acentuada."

"Todos tínhamos conhecimento destas dificuldades e temos enfrentado os desafios com determinação", disse.

Para resolver estes problemas, o executivo guineense elaborou um programa de urgência, para os primeiros seis meses de governo, que está a ser implementado e atinge as áreas da agricultura, abertura do ano escolar, prevenção sanitária e atrasos salariais.

"Em dois meses e meio, conseguimos regularizar os atrasados de 2013 e 2014 e há indicações, por parte dos ministérios das finanças, de que ate ao final do ano devemos ter grande parte dos atrasados regularizados", garantiu Simões Pereira.

O primeiro-ministro diz que, neste domínio, "o grande desafio passa a ser o cumprimento das obrigações do estado, não só em matéria de salários, mas também de despesas primárias, resultante de um esforço interno e não, exclusivamente, do apoio internacional."

Simões Pereira lidera o primeiro governo eleito depois do golpe de estado militar de 2012, que deu origem a um executivo não reconhecido por grande parte da comunidade internacional, em particular pela CPLP.

Simões Pereira disse que o seu governo tem também um projeto a longo prazo, no qual, além do investimento nas infraestruturas, pretende focar-se na industrialização do país, tendo definido alguns produtos fundamentais: transformação da castanha do caju (a Guiné é um dos maiores produtores mundiais, mas não transforma o produto), pescas, turismo e agricultura (sobretudo produção de cereais).

Simões Pereira disse acreditar que "com estes valores será possível estruturar e alavancar a economia para chegar ao domínio mineiro com outro tipo de preparação."

Como exemplo para os destinos do país, o responsável usou o exemplo do Ruanda, uma nação sensivelmente do mesmo tamanho, com oito vezes mais habitantes, que considera "uma grande referência."

"É um país com circunstâncias semelhantes que, tendo passado por um genocídio, foi capaz de promover o consenso nacional e hoje tem indicadores que surpreendem o mundo", disse.

Para o final do seu mandato, o primeiro-ministro imagina "uma Guiné mais positiva, em que os guineenses acreditam que as suas condições de vida podem ser bastante melhores."

"É esta a Guiné-Bissau que, não só imagino e projeto, como para a qual convoco a participação de todos os guineenses", concluiu.

Sobe para 23 o número de mortes pelo rebentamento de mina na Guiné-Bissau

O número de vítimas mortais causado pelo rebentamento de uma mina antitanque usada na guerra da independência, na Guiné-Bissau, subiu para 23, disse hoje fonte governamental.


O engenho explosivo, com mais de 40 anos, terá sido ativado por uma viatura de transporte coletivo que na sexta-feira circulava entre Bissorã e Cheia, no interior do país. No Hospital Simão Mendes, em Bissau, permanecem 12 feridos, sete dos quais em estado grave, acrescentou a mesma fonte.

Uma comissão de investigação às causas do acidente liderada pela ministra da Justiça, Carmelita Pires, foi criada durante uma reunião extraordinária do conselho de ministros realizada no sábado.

No mesmo encontro foi ainda formada uma comissão de solidariedade para apoiar os familiares das vítimas, presidida pela ministra da Mulher, Família e Coesão Social, Bilony Nhassé.

O governo decretou dois dias de luto nacional na sequência do acidente, cumprindo-se hoje o segundo dia.

De acordo com residentes, uma outra mina foi desativada naquela zona em 2013.

Fonte governamental disse que o risco na área é conhecido, uma vez que é uma região onde o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) "atuou fortemente" durante a guerra colonial. Eventuais medidas para erradicar o problema serão discutidas depois de conhecido o relatório da comissão de inquérito,

Morreu Cláudia Sousa, a primatóloga que mostrou que os chimpanzés também acumulam capital

Deu grande destaque aos chimpanzés da Guiné-Bissau nas suas investigações no terreno. A cognição dos primatas não humanos e a sua conservação no habitat natural estavam entre as suas áreas de interesse.
A primatóloga portuguesa Cláudia Sousa, da Universidade Nova de Lisboa, morreu de cancro ontem  segunda-feira, aos 39 anos. A investigadora dedicou-se sobretudo ao estudo dos chimpanzés da Guiné-Bissau e da Guiné-Conacri, onde esteve várias vezes em expedições. O corpo encontra-se em câmara ardente na Igreja Matriz da Figueira da Foz e o funeral será esta terça-feira a partir das 15h30, seguindo para o cemitério de Buarcos.

Cláudia Sousa doutorou-se em 2003 na Universidade de Quioto, sob orientação de Tetsuro Matsuzawa, uma autoridade mundial em primatologia. A sua tese de doutoramento versava sobre a capacidade cognitiva de os chimpanzés acumularem capital ou, por outras palavras, de fazerem um mealheiro. Para tal, em experiências no Instituto de Investigação de Primatas da Universidade de Quioto, a investigadora deu aos chimpanzés tokens(objectos que têm um valor simbólico) para pedirem frutas em troca – e que eles guardavam e só trocavam por alimentos quando queriam.

Na sua tese de doutoramento Cláudia Sousa mostrou que o sistema dos tokensconstituía uma nova metodologia para avaliar as capacidades cognitivas dos chimpanzés. Em particular, observou “a emergência de um comportamento único – ‘economizar’”, lê-se no resumo da tese. Ou seja, compreendem e têm noção do valor simbólico de certos objectos.

Em Portugal, só há primatólogas e não preenchem os dedos de uma mão. Além de investigar o comportamento e as capacidades cognitivas dos chimpanzés e de outros primatas não humanos, Cláudia Sousa tinha ainda entre as suas preocupações a conservação destes primatas no habitat natural e a sua interacção com as populações humanas.

Mas a primatóloga também trocou muitas vezes o laboratório e as salas de aulas – era docente do Departamento de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Universidade Nova de Lisboa desde 2001 – pelo trabalho de campo. Esteve por várias vezes na Guiné-Bissau para fazer o levantamento da distribuição dos chimpanzés no território, identificando a sua presença principalmente através de vestígios como ninhos, fezes e pêlos, e fazendo inquéritos às populações humanas para perceber por que razão eram caçados (concluindo-se que não era para serem comidos, mas para a venda como animais de estimação e, com esse dinheiro, comprarem-se objectos).

Quando ela e Catarina Casanova, outra primatóloga portuguesa que a acompanhou em 2006, na quarta visita à Guiné-Bissau, deram pela primeira vez de caras com chimpanzés no habitat natural, Cláudia Sousa descreveu-nos assim o encontro: “Já tínhamos vistos imensos chimpanzés bebés em casa das pessoas, mas na floresta, no habitat natural, nunca tínhamos visto. Ficámos emocionadas.”

Também foi à Guiné-Conacri inúmeras vezes, mais concretamente à estação de investigação de primatas na aldeia de Bossou, dirigida por Tetsuro Matsuzawa. Lá, Cláudia Sousa gravou, por exemplo, as vocalizações dos chimpanzés, para estudos sobre o que tentam comunicar. “Sabemos que identificam outros indivíduos pelo tom da voz, como nós”, disse-nos certa vez a primatóloga, acrescentando que também continuou a recolher dados sobre as esponjas que os chimpanzés constroem com folhas para beber água — “e a ver a transmissão desse conhecimento ao longo de gerações”.

Entre 2007 e 2011, Cláudia Sousa foi presidente da Associação Portuguesa de Primatologia. E antes, entre 2003 – quando nasceu a ideia da associação, durante a Primeira Conferência Internacional de Primatologia em Portugal – e 2007, foi a sua vice-presidente.

“Tive o privilégio de ela ter sido minha aluna há 20 anos, colega e amiga. Era uma investigadora e mulher fantástica, que deixa escola e seguidores – alunos que vão continuar o trabalho dela”, diz a antropóloga Eugénia Cunha, da Universidade de Coimbra, onde Cláudia Sousa fez a licenciatura e o mestrado.

“A professora Cláudia Sousa deixa-nos um testemunho importantíssimo de amor à ciência e entusiasmo pela investigação. Mesmo muito fragilizada pela doença, nunca parou de trabalhar com um entusiasmo contagiante e com projectos sempre novos”, refere por sua vez João Costa, director da FCSH, em comunicado. “A sua produção científica foi sempre notável, sendo este ano a vencedora do Prémio Santander de Internacionalização da Produção Científica, que será atribuído postumamente na Festa da FCSH.”

Guiné-Bissau manifesta apreço à comunidade internacional em discurso na UNU : Ver e Ouvir discurso do PM Domingos S.Pereira

Nova Iorque O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, manifestou apreço à comunidade internacional, pelo apoio ao processo de estabilização do país, quando discursava, ontem segunda-feira, na 69ª sessão da Assembleia-Geral das Nações Unidas.

NOVA IORQUE: PRIMEIRO MINISTRO DA GUINÉ-BISSAU, DOMINGOS SIMÕES


Na sua intervenção, salientou que o apoio desta representou uma extraordinária contribuição na resolução do processo de transição política do país, daí os agradecimentos de todo o povo guineense.

Domingos Simões Pereira disse ainda que a sub-região foi incontornável na manutenção financeira para o funcionamento de todo aparelho de estado, factor determinante para que se chegasse ao ponto actual.

Disse que a sociedade guineense está esperançada em relação ao novo ciclo político e deu conta da vontade política das autoridades e profundo empenho no processo de consolidação da estabilidade, revitalização e reforço da capacidade do Estado, criação de premissas essenciais na prossecução e desígnios dos guineenses.

Para Domingos Simões Pereira, a condição de Estado institucionalmente frágil, pós-conflito e com parcos recursos financeiros, acrescida às consequências políticas, económicas, ambientais e sociais gravosas, colocam a Guiné-Bissau perante uma situação complexa e difícil para qual a assistência internacional é chamada a exercer um papel fundamental de estabilizador neste período pós-eleições.

Argumentou que isso visa reforçar a capacidade institucional do Estado, reduzir a pobreza e as vulnerabilidades das populações, garantir a estabilidade social, assegurar a legitimação social da governação e relançar a economia.

Vídeo: Discurso Primeiro Ministro

Discurso do primeiro-ministro da Guiné-Bissau durante a 69ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Domingos Simões Pereira discursou na manhã desta segunda-feira, 29 de setembro.

Ver e ouvir: Discurso do PM Domingos Simões Pereira

Com Imagens da : TV ONU.

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ANP Parlamento da Guiné-Bissau aprova Orçamento Geral de Estado por unanimidade

A Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau aprovou por unanimidade, com 91 votos, o Orçamento Geral de Estado para o que resta de 2014, no valor de 120 mil milhões de francos CFA (183 milhões de euros).


Os deputados presentes da força maioritária, Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e dos restantes partidos (também representados no governo) votaram a favor do único documento orientador das contas públicas para este ano.

O anterior governo de transição, que esteve em funções desde o golpe de Estado de 2012 até início de julho, não chegou a sujeitar qualquer orçamento à aprovação do parlamento.

O ministro das Finanças, Geraldo Martins, já tinha apelado aos deputados para aprovarem o documento e assim garantir o normal funcionamento das instituições, procurando credibilizar a atuação do executivo no país e no estrangeiro.

Confiante em inverter o atual cenário de informalidade e fuga ao fisco, Geraldo Martins prevê arrecadar 38 mil milhões de francos CFA (58 milhões de euros) em taxas tributárias e 20 mil milhões (30,5 milhões de euros) em receitas não tributárias - tais como o fundo da compensação das pescas.

O ministro das Finanças espera conseguir cobrir o défice a partir da ajuda externa, através de donativos, empréstimos e ajudas orçamentais.

É a segunda vez que um documento chave do executivo é aprovado por unanimidade na ANP: na última semana, o programa do governo liderado por Domingos Simões Pereira foi igualmente aprovado com o apoio de todos os deputados presentes.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Lançamento do Observatório dos Direitos Humanos na Guiné-Bissau, financiado pela União Europeia.

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(NO ÍNDICE MO IBRAHIM DA BOA GOVERNAÇÃO) Guiné-Bissau foi um dos países que mais piorou

Cabo Verde em 3º lugar no Índice Ibrahim de Governação Africana A Guiné-Bissau foi um dos países que mais piorou desde nos últimos cinco anos no Índice Ibrahim de Boa Governação Africana (IIGA) 2014, hoje publicado, caindo para grupo dos cinco piores entre os 52 países avaliados.

Desde 2009, a Guiné-Bissau já perdeu 6,8 pontos e cinco posições na tabela, somando atualmente apenas 33,2 pontos.

Além da falta de oportunidades económicas que oferece, a participação cívica é considerada muito baixa, bem como o funcionamento da lei.

A Guiné-Bissau recuou em todas as quatro categorias cujos critérios são usados para elaborar o índice: Segurança e Estado de Direito; Participação e Direitos Humanos; Oportunidade Económica Sustentável; e Desenvolvimento Humano.

O melhor entre os países lusófonos é Cabo Verde (2.º), à frente de São Tomé e Príncipe (12.º), Moçambique (22.º), Angola (44.º) e Guiné-Bissau (48.º).

O IIGA visa informar e ajudar os cidadãos, sociedade civil, parlamentos e governos africanos a medir o progresso, sendo produzido desde 2007 pela Fundação Mo Ibrahim, homónima do milionário sudanês e que foi criada em 2006.

Domingos Simões Pereira em entrevista à Rádio ONU sobre a mensagem que fará hoje à Assembleia Geral.

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Domingos Simões Pereira falou à Rádio ONU sobre sua mensagem à Assembleia Geral.

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau deverá assumir a tribuna nesta segunda-feira para participar dos debates dos líderes internacionais.

Ex-secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, Domingos Simões Pereira chegou ao poder na Guiné em meados deste ano após a vitória de seu partido, Paigc, nas eleições gerais.

Em entrevista à Mônica Villela Grayley e Eleutério Guevane, o chefe de Governo guineense comentou várias iniciativas para promover establidade política e crescimento económico no país do oeste da África.

Simões Pereira também explicou as medidas que está tomando para proteger o país do ébola, o vírus que tem afetado a vizinha Guiné Conacri, além da Libéria e da Serra Leoa.

Ele finalizou dizendo que a Guiné-Bissau tem grande potencial ambiental para se tornar um destino turístico internacional, mas que precisa desenvolver-se ainda mais no setor.

Ao avaliar os resultados da Cimeira do Clima, realizada em 23 de setembro na ONU, o primeiro-ministro disse também que seu país deverá integrar as discussões sobre o tema nas reuniões de Lima, ainda este ano, e em Paris em 2015.

Duração: 25’23″

Nas Nações Unidas, Portugal pede apoio técnico e financeiro para Guiné-Bissau

Portugal defendeu nas Nações Unidas o apoio dos parceiros internacionais na capacitação técnica e assistência financeira à Guiné-Bissau, aproveitando o "virar de página" que representaram as eleições recentes naquele país lusófono.

Na sua intervenção na 69.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, que decorre em Nova Iorque, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, saudou "a reposição da ordem constitucional, a realização de eleições livres e a tomada de posse de instituições democráticas legítimas, dois anos após o golpe de Estado de 2012, são uma nota de esperança".

Para o governante, está em causa um "efetivo 'virar de página' que deve ser aproveitado e apoiado".

"Os parceiros internacionais podem e devem desempenhar um papel determinante em áreas como a capacitação técnica e a assistência financeira, apoiando as prioridades indicadas pela Guiné-Bissau", defendeu o chefe da diplomacia portuguesa.

Portugal sugeriu ainda que "seria adequada" uma força de estabilização baseada na ECOMIB (missão militar internacional na Guiné-Bissau), "possivelmente alargada a novos parceiros africanos e mandatada pelas Nações Unidas".

No seu discurso, Rui Machete abordou um conjunto alargado de outros temas, nomeadamente o terrorismo.

"Os grupos terroristas, extremistas e radicais merecem o nosso mais veemente repúdio e condenação" e constituem uma ameaça não só para os Estados e para as populações dos territórios onde operam, mas também representam "para a paz, para a segurança e para a estabilidade regional e global", considerou, pedindo "respostas concertadas e firmes" da comunidade internacional.

Para Machete, "o autodesignado 'ISIS' [Estado Islâmico do Iraque e da Síria] constitui, na atualidade, o exemplo sinistro" de uma ação "criminosa e bárbara" e "deve ser combatido e neutralizado".

Ainda sobre o Médio Oriente, o ministro lamentou que tenham sido frustradas as expectativas de resolução do conflito israelo-palestiniano.

"Não haverá paz duradoura, nem estabilidade no Médio-Oriente, sem a resolução da questão da Palestina. Reitero o apoio do meu país a uma solução que, com base nas resoluções das Nações Unidas, consagre um Estado Palestiniano soberano, independente e viável, vivendo lado a lado com o Estado de Israel, cujas legítimas aspirações de segurança têm de ser garantidas", declarou.

Sobre outros cenários de instabilidade, Rui Machete pediu a "todos os atores líbios empenho num diálogo nacional genuíno e frutuoso", enquanto apelou ao cumprimento integral do cessar-fogo na Ucrânia e incentivou a procura de uma "solução política que seja duradoura, num quadro que respeite a soberania, a integridade territorial, a unidade e a democracia" daquele país.

Quanto à ONU, o chefe da diplomacia portuguesa lamentou que a reforma do Conselho de Segurança continue por realizar, insistindo na necessidade de garantir "uma representatividade acrescida do mundo" atual - Portugal tem defendido a participação do Brasil e da Índia neste órgão.

Recordando que o português é falado por cerca de 250 milhões de pessoas em todo o mundo, o governante reiterou a ambição de transformar o idioma numa língua oficial das Nações Unidas.

Na definição da nova agenda de desenvolvimento, pós-2015, é necessária uma "nova 'parceria mundial'", que defenda os direitos humanos e combata as desigualdades. Os conceitos-chave são "abordagem universal e responsabilidade", mantendo-se uma sensibilidade quanto às especificidades dos países menos avançados e mais vulneráveis, sustentou.

Rui Machete identificou como "ameaças de primeira grandeza" problemas como as alterações climáticas, os tráficos ilícitos, incluindo de armas, droga e de seres humanos, a pirataria e as pandemias.