sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Médicos Sem Fronteiras alertam que ébola está fora de controlo

Organização quer mais investimento da ONU e dos governos depois do surto ter chegado à Nigéria.

O novo surto começou na Guiné-Conacri e já se espalhou para países como a Libéria e a Serra Leoa SEYLLOU/AFP


A epidemia do vírus ébola está totalmente fora de controlo na zona oeste de África e há o risco de a doença se conseguir espalhar para mais países, de acordo com um alerta feito nesta quarta-feira pela organização Médicos Sem Fronteiras, que tem várias equipas a trabalhar no terreno.

“Esta é uma epidemia sem precedentes, que não está de todo controlada e a situação não pára de se agravar, estendendo-se agora à Libéria e à Serra Leoa”, adiantou o responsável de operações da Médicos Sem Fronteiras, Bart Janssens, numa entrevista ao jornal Libre Belgique, citada pela AFP. “Estamos extremamente inquietos com a dimensão que esta situação está a ter, em especial nestes dois países onde a epidemia tem uma falta de visibilidade muito grande”, acrescentou.

De acordo com Bart Janssens, se não houver uma intervenção rápida que inverta o curso dos acontecimentos, o ébola vai estender-se a mais países, ainda que admita que seja difícil de fazer previsões sobre esta epidemia, precisamente por não ter precedentes. “Falta uma visão global que nos permita compreender onde estão os principais problemas”, advertiu, defendendo que cabe à Organização Mundial de Saúde (OMS) e aos governos a disponibilização de mais meios para tentar debelar a epidemia.

O alerta é feito depois de no fim-de-semana o surto de ébola ter chegado à Nigéria, o país mais populoso de África, com 170 milhões de habitantes. As autoridades do país confirmaram que detectaram o primeiro caso fatal de infecção por este vírus altamente contagioso e mortal. A vítima foi um liberiano que tinha viajado para a Nigéria em trabalho e que acabou por morrer pouco depois de chegar ao aeroporto de Lagos, no sudoeste do país, onde ainda ficou em quarentena.

Ajuda suplementar da Comissão Europeia
Entretanto, a União Europeia disponibilizou uma ajuda suplementar no valor de dois milhões de euros para ajudar a combater a epidemia em África, assegurando cuidados de saúde às pessoas afectadas pelo vírus, diz a AFP. O reforço eleva para 3,9 milhões de euros o contributo total da Comissão Europeia. Os fundos serão distribuídos pela Organização Mundial da Saúde e por outras associações que estão a trabalhar no terreno, como os Médicos Sem Fronteiras e a Cruz Vermelha.

Portugal também vai enviar 15 toneladas de medicamentos para apoiar a Guiné-Bissau na prevenção do Ébola e outras epidemias, anunciou o primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira. "Recebemos confirmação do Governo português da disponibilização de 15 toneladas de medicamentos para que o Ministério da Saúde esteja em condições de ter um programa de emergência e acompanhamento da situação de Ébola", bem como de outras "eventuais epidemias", referiu, citado pela Lusa. O envio surge depois de a Guiné-Bissau ter "lançado um SOS para reposição do stock de medicamentos, tendo em vista o programa de emergência para a epidemia de Ébola que assola a África Ocidental".

Questionado sobre as medidas que o país está a preparar para se defender, o líder do Governo guineense anunciou um plano de urgência "de que consta um programa de prevenção sanitária que tem merecido a atenção especial dos responsáveis na área da saúde", referiu. Seis médicos recém-formados e dois técnicos do Ministério da Saúde Pública da Guiné-Bissau ligados à água e saneamento receberam este mês formação de cinco dias sobre a prevenção e cuidados a ter com o vírus. A equipa está apta a deslocar-se rapidamente a qualquer parte do país para dar atendimento em caso de suspeita de contágio.

A propósito do alastrar do surto a mais países, a Direcção-Geral da Saúde garantiu à Lusa que Portugal está preparado para detectar e enfrentar um eventual caso de ébola, mas sublinhou que o risco de importação e propagação é "muito baixo". Portugal está preparado, tal "como os restantes países europeus, para detectar um eventual caso que possa ser importado", disse a directora-adjunta da Direcção-Geral da Saúde (DGS), Graça Freitas.

Mais de 700 mortes desde Fevereiro
Identificado pela primeira vez na década de 1970 no Zaire (actual República Democrática do Congo) e no Sudão, o vírus transmite-se directamente pelo contacto com o sangue, fluidos ou tecidos corporais de pessoas e animais infectados e é mortal em 90% dos casos, tendo porém melhor prognóstico quando é detectado atempadamente. A doença começa por provocar sintomas semelhantes aos da gripe: mal-estar geral, febre e dores de cabeça. A seguir, surgem sintomas mais graves, como vómitos, erupções cutâneas, diarreia hemorrágica. Só desde Fevereiro já morreram quase 700 pessoas devido ao ébola na África Ocidental – um número que faz com que este seja o surto mais mortal de sempre.

Este surto de ébola, que começou na Guiné-Conacri, já se espalhou para países como a Libéria e a Serra Leoa. Aliás, cerca de 100 das mortes foram precisamente na Libéria. O médico liberiano Samuel Brisbane, uma figura de destaque no país, foi uma das vítimas mortais. Também o conhecido médico Sheik Omar Khan, reconhecido virologista da Serra Leoa, morreu na terça-feira numa ala de tratamento dos Médicos Sem Fronteiras, no norte do país. Este virologista foi responsável por tratar mais de 100 doentes infectados com o vírus, de acordo com a agência Reuters.

Portugal envia medicamentos para a Guiné-Bissau para prevenir o Ébola

Segundo o primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira, vão ser enviadas 15 toneladas de medicamentos

Portugal vai enviar 15 toneladas de medicamentos para apoiar a Guiné-Bissau na prevenção do Ébola e outras epidemias, anunciou esta quarta-feira o primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira.

«Recebemos confirmação do Governo português da disponibilização de 15 toneladas de medicamentos para que o Ministério da Saúde esteja em condições de ter um programa de emergência e acompanhamento da situação de Ébola», bem como de outras «eventuais epidemias», referiu.

O líder do Governo falava numa conferência de imprensa após deslocações oficiais realizadas desde dia 16 de julho a Bruxelas, Díli e Lisboa.

A ajuda deve chegar ao país «nos próximos dias», acrescentou Domingos Simões Pereira depois de ter tratado do assunto com as autoridades durante a passagem pela capital portuguesa.

O envio surge depois de a Guiné-Bissau ter «lançado um SOS para reposição do "stock" de medicamentos, tendo em vista o programa de emergência para a epidemia de Ébola que assola a África Ocidental».

Questionado sobre as medidas que o país está a preparar para se defender, o líder do Governo guineense anunciou um plano de urgência «de que consta um programa de prevenção sanitária que tem merecido a atenção especial dos responsáveis na área da saúde», referiu.

«Amanhã [quinta-feira] no Conselho de Ministros teremos informação específica e detalhada de todo o programa que o Ministério da Saúde considera importante para a prevenção desse flagelo», concluiu.

Seis médicos recém-formados e dois técnicos do Ministério da Saúde Pública da Guiné-Bissau ligados à água e saneamento receberam este mês formação de cinco dias sobre a prevenção e cuidados a ter com o vírus.

A equipa está apta a deslocar-se rapidamente a qualquer parte do país para dar atendimento em caso de suspeita de contágio.
A formação foi dada por uma equipa espanhola da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) que estava na capital guineense para lidar com temas ligados à saúde das crianças, mas ofereceu às autoridades os seus préstimos na área do Ébola.

A epidemia, surgida no início do ano, foi declarada primeiro na Guiné-Conacri, antes de se estender à Libéria e depois à Serra Leoa, dois países vizinhos que, a 23 de julho, totalizavam 1.201 casos e 672 mortes, de acordo com o último balanço da Organização Mundial de Saúde.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com o sangue, líquidos biológicos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.
A febre manifesta-se através de hemorragias, vómitos e diarreias. A taxa de mortalidade varia entre os 25 e 90% e não é conhecida uma vacina contra a doença.

Guiné-Bissau confirma 13 casos de cólera no sul e dois óbitos

Guiné-Bissau confirma 13 casos de cólera no sul e dois óbitosO diretor-geral da Prevenção e Promoção da Saúde Pública da Guiné-Bissau, Nicolau Almeida, disse à Lusa que 13 pessoas foram infetadas com cólera no sul do país, duas das quais morreram.

Os casos registados até aqui aconteceram na região de Tombali, na aldeia de Calak, junto à fronteira com a Guiné-Conacri.

«Apesar de tudo, a situação está sob controlo», salientou Nicolau Almeida, destacando que as infeções e os óbitos foram referenciados desde o início de julho.

O responsável acrescentou que a cólera não chegou a Bissau, nem a outras zonas do país e disse estar em curso um plano de vigilância permanente.

Na zona afetada, a região sanitária de Calak, existe uma equipa de «resposta rápida» munida de medicamentos e material de assistência, indicou Nicolau Almeida.

Questionado sobre o facto de a cólera ser recorrente naquela aldeia, o responsável do ministério da Saúde Pública guineense defendeu que tal poderá estar ligado à proximidade com a Guiné-Conacri, onde a doença «é quase endémica».

«Não se fez um estudo para se ter uma ideia concreta sobre os motivos, mas a cólera é quase que endémica na vizinha república da Guiné-Conacri, que é próxima da região de Tombali, pode ser por isso», observou Nicolau Almeida.

O facto de a zona ter dificuldades para o acesso à água potável de qualidade também poderá explicar a frequência de doenças diarreicas, sublinhou.

Lusa

quarta-feira, 30 de Julho de 2014

O ONUSIDA, a ASLM e os seus parceiros lançam uma iniciativa para melhorar o diagnóstico do VIH

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MELBOURNE, Austrália, July 30, 2014/ -- O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre VIH/SIDA (ONUSIDA) e a Sociedade Africana de Medicina Laboratorial (ASLM) (http://www.aslm.org)  juntaram-se a parceiros globais para lançar a Iniciativa de Acesso ao Diagnóstico que exige melhor capacidade ao nível dos laboratórios para garantir que todas as pessoas portadoras do VIH possam ser direcionadas para serviços de tratamento de VIH eficazes e de alta qualidade.

Os parceiros da iniciativa incluem o ONUSIDA, a Organização Mundial de Saúde (OMS), a Clinton Health Access Initiative (CHAI), a UNICEF, o Plano de Emergência do Presidente dos EUA para Combate à SIDA (PEPFAR) e a ASLM.

Os parceiros irão defender o aumento do financiamento e reduções dos preços, intensificar os esforços para garantir os serviços de diagnóstico da mais alta qualidade e estabelecer parcerias para mitigar as falhas de acesso ao diagnóstico

“Dos 35 milhões de pessoas portadoras do VIH, cerca de 19 milhões ainda não sabem que estão infetadas com o vírus. Se não descobrirem, irão morrer”, afirmou Michel Sidibé, Diretor Executivo do ONUSIDA. “É por isso que temos de facilitar o acesso das pessoas ao teste do VIH, para que seja possível iniciar o tratamento vital quando é necessário.”

A Iniciativa de Acesso ao Diagnóstico esforça-se especialmente por garantir que, pelo menos, 90% de todas as pessoas portadoras do VIH tenham conhecimento do seu estado. Pretende também que todas as pessoas com acesso ao tratamento para o VIH tenham acesso imediato a exames que monitorizem os níveis do vírus no corpo.

Para que o tratamento seja totalmente eficaz, é essencial que todas as pessoas a receber tratamento para o VIH façam uma monitorização frequente da sua carga viral. Atualmente, são muito poucos os países com grande incidência de casos que oferecem exames de rotina para a monitorização da carga viral às pessoas que estão a receber tratamento para o VIH. Novas tecnologias de exame à carga viral, que estão a ser disponibilizadas nas primeiras consultas, prometem alargar o acesso a exames à carga viral. No entanto, terão de ser economicamente acessíveis, implementadas adequadamente e utilizadas com eficácia.

“Para conseguir controlar a epidemia do VIH/SIDA, é essencial que todas as pessoas tenham acesso a serviços laboratoriais de VIH de alta qualidade, tanto para um diagnóstico preciso como para a monitorização do tratamento. Dar capacidade a um país para realizar exames virológicos é da maior importância para a deteção precoce de falha virológica, resistência aos medicamentos e melhoria do impacto global dos programas de cuidado e tratamento do VIH desse país”, afirmou a Embaixadora Deborah Birx, Coordenadora Global da SIDA dos EUA. “A Iniciativa de Acesso ao Diagnóstico representa um passo importante na garantia de uma colaboração estreita entre todos os doadores e intervenientes para alargar o acesso e permitir um aumento estratégico dos serviços laboratoriais de VIH.”

Para garantir o diagnóstico precoce do VIH, é necessário simplificar os procedimentos laboratoriais e disponibilizar diversas ferramentas e estratégias de exames. Estes têm também de ser integrados nas campanhas de saúde dirigidas à comunidade que se concentram em várias doenças.

“É essencial que as pessoas saibam se estão ou não infetadas e que as pessoas que estão a receber tratamento saibam se os medicamentos estão a controlar o vírus”, acrescentou o Dr. Hiroki Nakatani, Diretor-Geral Assistente da OMS. “Dado que a tecnologia de diagnóstico muda com grande rapidez e que os nossos Estados Membros precisam de instruções sobre como a utilizar, a OMS irá desempenhar um papel essencial nesta iniciativa.”

O tratamento do VIH é eficaz na redução de doenças associadas ao VIH e de mortes associadas à SIDA. Ajuda também a prevenir novas infeções do VIH reduzindo acentuadamente a carga viral e diminuindo o risco de transmissão do VIH.

“A Iniciativa de Acesso ao Diagnóstico dá prioridade à importância do desenvolvimento de novas tecnologias para monitorização da carga viral e diagnóstico em crianças e que sejam acessíveis e utilizem eficazmente a capacidade laboratorial que temos atualmente”, afirmou o Dr. Tsehaynesh Messele, CEO da ASLM. “A utilização eficaz de tecnologias existentes e em desenvolvimento para a monitorização da carga viral e de diagnóstico em crianças exigirá uma capacidade laboratorial significativamente mais sólida, além de planeamento estratégico, para garantir que todas as tecnologias são utilizadas da melhor forma.”

Os parceiros da iniciativa irão defender um maior financiamento para os serviços laboratoriais e para o desenvolvimento de novas ferramentas de diagnóstico. Irão também intensificar esforços para garantir que os serviços de diagnóstico são da mais alta qualidade e estabelecer parcerias bem coordenadas para mitigar as falhas de acesso ao diagnóstico.

PIB da Guiné-Bissau deve crescer 2,7% este ano, nove vezes mais que em 2013

Um dos pontos de viragem aconteceu nas últimas semanas, com a tomada de posse de um Governo e Presidente eleitos, em substituição dos órgãos que tomaram o poder com o golpe de Estado de 2012


O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) da Guiné-Bissau cresça 2,7% este ano, nove vezes mais que os 0,3% de 2013, anunciou hoje o chefe da missão que esteve sete dias no país.

"Espera-se que que a atividade económica acelere este ano, no contexto dos melhores preços de exportação de caju e do restabelecimento do apoio de parceiros internacionais", referiu Maurício Villafuerte em conferência de imprensa.

A missão estima que, "após um crescimento de 0,3% em 2013, o PIB alcance um crescimento de 2,7% em 2014", sublinhou.

Na prática, a taxa de evolução prevista para este ano é nove vezes superior à do ano transato.

Um dos pontos de viragem aconteceu nas últimas semanas, com a tomada de posse de um Governo e Presidente eleitos, em substituição dos órgãos que tomaram o poder com o golpe de Estado de 2012.

O FMI destacou a confiança dos bancos regionais que já permitiu ao novo executivo a emissão de 22,8 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro e considera que há "uma perspetiva favorável" para se conquistar "o rápido restabelecimento do apoio dos doadores internacionais" - condição essencial para o Governo "alcançar plenas condições operacionais".

O executivo espera levar ao parlamento, o mais tardar em setembro, um orçamento geral do Estado para o que resta de 2014 que, tanto o chefe de missão do FMI, como o ministro das Finanças e Economia, Geraldo Martins, querem que seja "totalmente financiável".

"A aprovação de um orçamento totalmente financiável para 2014 constitui um elemento decisivo para que se possa introduzir disciplina orçamental, aliada à complexa implementação de medidas que visam melhorar a gestão de Tesouraria e o controlo da execução orçamental", defendeu hoje Maurício Villafuerte.

Nova missão estará na capital guineense em setembro para preparar um programa de apoio ao país, depois de o último empréstimo do FMI, no valor de cerca de três milhões de euros e previsto para o período de 2011 a 2013, ter sido interrompido com o golpe militar de 2012.

"Para apoiar financeiramente a Guiné-Bissau, um novo empréstimo terá que ser desenhado com base no programa de médio prazo que o Governo está a preparar", referiu Maurício Villafuerte.

Geraldo Martins destacou que o objetivo do executivo "é ter um programa com o fundo o mais rapidamente possível", porque "os parceiros de desenvolvimento vão sentir-se mais confiantes em apoiar o país".

"Existem várias janelas no FMI que a Guiné-Bissau pode utilizar, vamos tentar perceber qual a que nos pode facilitar rapidamente a adoção de um programa", concluiu o ministro das Finanças e Economia.

Governo proíbe circulação de veículos sem matrícula ou com vidros escuros

Bissau, - O Governo da Guiné-Bissau emitiu nesta terça-feira novamente uma circular que proíbe o trânsito de veículos a motor sem matrícula ou com vidros escuros, situações que proliferam pelas estradas do país.


Na norma emitida pelo secretário de Estado da Ordem Pública, Doménico Sanca, a que a agência Lusa teve acesso, determina-se também a proibição de circulação de veículos a motor com matrículas estrangeiras para além dos períodos previstos de legalização.  

Não é a primeira vez que o Governo guineense emite a mesma ordem, que começa por ser seguida durante alguns dias para depois voltar a ser desrespeitada.

A maioria dos carros e motos em trânsito na Guiné-Bissau é comprada no estrangeiro, nomeadamente na Gâmbia e na Guiné-Conakry, pelo que é normal encontrar nas estradas guineenses viaturas que nunca chegam a trocar as chapas de matrícula destes países. 

Também é recorrente ver carros particulares ou de entidades do Estado com vidros escuros. 

Na ordem emitida por Doménico Sanca é expressamente proibida a circulação de viaturas com vidros escuros através da colocação de "películas ou outros acessórios que os tornem escurecidos ou opacos", impedindo que se vejam os passageiros no seu interior.

No comunicado diz-se que o não cumprimento da ordem implica a "tomada de medidas legais" por parte do Ministério da Administração Interna, que tutela a Secretaria de Estado da Ordem Pública.

Paulo Torres acredita na vitória da Guiné-Bissau

A derrota na primeira mão não desanimou o treinador português que está confiante "num bom resultado" diante do Botsuana no jogo da segunda mão da pré-eliminatória da Taça das Nações Africanas.


"Com o apoio do nosso público aqui no estádio e com o desempenho dos nossos jogadores, acredito num bom resultado", disse Paulo Torres, selecionador da Guiné-Bissau, após a primeira sessão de treinos tendo em vista o jogo agendado para sábado, no Estádio 24 de Setembro, em Bissau.

No acesso à fase de grupos de qualificação para a CAN2015, a realizar no Egito, a Guiné-Bissau perdeu por 2-0 no jogo da primeira mão realizado há duas semanas em Gaberone (capital do Botsuana).

Sobre a derrota, o técnico português acredita que se deveu sobretudo "às situações extra futebol", criadas pelos responsáveis da fronteira entre o Botsuana e a África do Sul, país por onde passou a seleção guineense, em trânsito, para Gaberone.

"Em toda a minha vida de futebol nunca tinha passado por situações como aquelas", afirmou Paulo Torres, para quem "houve uma clara falta de respeito para com o povo e a seleção" guineense.
O técnico português referia-se ao facto de alguns jogadores terem sido impedidos de entrar no Botsuana por alegada falta de visto.

Paulo Torres observou que, por esse motivo, teve que fazer alinhar uma equipa que tinha apenas dois jogadores no banco de suplentes.
Pelo desempenho dos atletas naquele jogo, Paulo Torres afirma que "a Guiné-Bissau tem uma palavra a dizer" na eliminatória.

"Para nós o jogo está no intervalo", defendeu Torres, que acredita na reviravolta, no sábado.

No treino de hoje, Paulo Torres contou apenas com 16 jogadores.

Quatro devem chegar a Bissau a partir de quarta-feira, entre os quais, Sami (FC Porto) e Zezinho (emprestado pelo Sporting a um clube do Chipre).

O ponta de lança Cícero (que joga no Paços de Ferreira) fez treino condicionado, devido a alguma fadiga muscular decorrente da intensidade da pré-época no seu clube, notou o técnico português.

Para quarta-feira, Paulo Torres pede a presença de "duas ou três mil pessoas" nas bancadas do Estádio 24 de Setembro para apoiarem mais um treino da seleção.

A Guiné-Bissau enfrenta um défice de 35 milhões de euros entre a previsão de receitas e despesas até final do ano

Bissau, 30 jul (Lusa) - O Estado da Guiné-Bissau enfrenta um défice de 35 milhões de euros entre a previsão de receitas e despesas até final do ano, anunciou o ministro das Finanças, Geraldo Martins, que prevê "cobrir" o buraco orçamental até dezembro.

"O 'gap' [brecha] fiscal é de 23 mil milhões de francos CFA [35 milhões de euros] entre a previsão de receitas de todo o ano de 2014 e as despesas previstas", disse o ministro, referindo que estão a ser mobilizados vários mecanismos para lidar com a situação.

Por um lado, foi feita na última semana uma emissão de dívida com 22,8 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a mereceram a confiança da banca privada regional.

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Anunciar redução de tráfico de droga na Guiné-Bissau pode ser "prematuro"

Quaisquer declarações que apontem para uma redução do tráfico de droga na Guiné-Bissau ou noutros pontos da África Ocidental "devem ser consideradas prematuras, na melhor das hipóteses", alerta a organização suíça International Relations and Security Network (ISN).

A conclusão surge num artigo intitulado "O tráfico de droga em evolução na Guiné-Bissau e África Ocidental" publicado na segunda-feira no portal da ISN, na Internet.

O documento é da autoria de Davin O`Regan, investigador no Africa Center for Strategic Studies (agência especializada do Departamento de Defesa Americano) que contraria as posições assumidas por representantes das Nações Unidas no país desde 2009.

Apesar de as considerar "compreensíveis" face à diminuição de grandes apreensões de droga e face à ausência de outras evidências, considera que "uma análise mais aprofundada sugere que a complacência com o tráfico de droga na Guiné-Bissau deve ser evitada".

Por um lado, "incidentes anteriores indiciam que os traficantes podem ter ligações enraizadas no país e a maioria tem conseguido operar sem recear consequências, pelo que não têm razões para se afastar de um ambiente propício ao negócio".

Os países da África Ocidental continuam a ser "Estados fracos" e a falta de grandes apreensões "pode apenas refletir o uso de técnicas mais avançadas pelos grupos locais e uma mais meticulosa cooptação de órgãos chave na estrutura estatal", sublinha.

O artigo destaca a dimensão regional do tráfico de droga, "a operar através de diversas rotas e redes".

A partir de informação detalhada disponível publicamente, conclui que os estupefacientes "circulam através de uma variedade de Estados africanos, incluindo a Guiné-Bissau e seus vizinhos" - pelo que, quando o fenómeno parece desaparecer num país e surgir noutro, trata-se apenas uma adaptação pontual de rotas que têm vários percursos alternativos na região.

"Em vez de estar a diminuir, a extensão e impacto do tráfico de droga na África Ocidental pode estar subestimada", refere.

O documento analisa detenções passadas para realçar outro aspeto: os contactos africanos não serão apenas facilitadores de circulação de droga da América do Sul para o resto do mundo, mas serão eles próprios traficantes com o seu mercado.

"Mesmo que os traficantes estrangeiros fossem afastados da Guiné-Bissau, parece haver operadores locais com ligações fortes ao mercado de narcóticos, com contactos e capacidade para manter o seu ímpeto", destaca o artigo.

No documento publicado na segunda-feira, o autor recorda o relatório apresentado em junho pela Comissão do Oeste Africano sobre as Drogas (WACD, sigla inglesa), segundo o qual a "guerra" contra a droga "falhou" e a região é "uma nova placa giratória do tráfico mundial de droga".

Citando os valores do conselho de segurança das Nações Unidas no fim de 2013, a comissão estima que "o valor anual da cocaína em trânsito no oeste de África ronda 1,25 milhões de dólares, um montante largamente superior ao orçamento anual" de vários estados da região.

A WACD, criada pelo ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, e pelo ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, é composta por vários ex-dirigentes políticos africanos, como o ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires e o ex-secretário da Organização de União Africana Edem Kodjo.

Porto de Bissau volta a receber mercadorias depois de desviado navio avariado

O Porto de Bissau voltou no domingo a receber cargueiros com produtos alimentares e outros bens de consumo, depois de desviado um navio avariado que durante uma semana impediu que outros atracassem, disse à Lusa fonte portuária.


O barco, que se preparava para deixar o cais depois de carregar castanha de caju (principal produto de exportação da Guiné-Bissau), perdeu um dos motores e desde dia 20 que impedia qualquer movimento no chamado "cais novo" do porto.

Durante o fim-de-semana, o barco acabou por ser rebocado e desviado para uma zona que já permite a acostagem de outros cargueiros.

Agência Lusa

Muçulmanos na Guiné-Bissau fecham Ramadão deste ano com um feriado em vez de dois

As comunidades islâmicas da Guiné-Bissau celebraram ontem o final do Ramadão em vez de o fazerem em datas diferentes, como no último ano, em que o governo teve de decretar dois dias de feriado nacional.


Para alguns crentes, o final do Ramadão (período do calendário religioso de jejum e abstinência) acontece passados 30 dias, enquanto para outros é necessário observar a mudança de fase lunar, disse à agência Lusa fonte religiosa.

Uma comissão conjunta das comunidades islâmicas anunciou na última madrugada que a oração que celebra o fim daquele período seria feita por todos.

Agência Lusa

TAP retoma voos para a Guiné-Bissau a 26 de outubro

As ligações aéreas entre Portugal e a Guiné-Bissau vão ser retomadas a partir de 26 de outubro, afirmou ontem o presidente da transportadora aérea portuguesa, Fernando Pinto.

Reinício dos voos directos entre Portugal e Guiné-BissauAs ligações aéreas entre Portugal e a Guiné-Bissau vão ser retomadas a partir de 26 de outubro, afirmou  segunda-feira o presidente da transportadora aérea portuguesa, Fernando Pinto. O presidente da TAP garantiu que as reservas para este voo estão a ser feitas a partir de hoje.

Fernando Pinto falava à margem da assinatura de um protocolo de cooperação, formação e capacitação nas áreas das migrações e controlo de fronteiras entre os dois países.

A TAP suspendeu os voos para Guiné-Bissau desde dezembro passado, na sequência do embarque forçado pelas autoridades guineenses de 74 sírios no aeroporto de Bissau rumo a Lisboa.

Na altura, a TAP considerou que só retomaria os voos - que eram três semanais -, depois de as autoridades guineenses garantirem medidas de segurança no aeroporto, que a companhia considera ter sido quebrada com o incidente.

Extração de areia suspensa no norte da Guiné-Bissau, à espera de avaliação ambiental

A extração de minerais da areia de Varela, praia do norte da Guiné-Bissau, está suspensa até que estejam concluídos os estudos de impacto ambiental do empreendimento, anunciou o ministro dos Recursos Naturais, Daniel Gomes.

LUIS MIGUEL FONSECA/LUSA

LUIS MIGUEL FONSECA/LUSA

Bissau, 27 jul (Lusa) - A extração de minerais da areia de Varela, praia do norte da Guiné-Bissau, está suspensa até que estejam concluídos os estudos de impacto ambiental do empreendimento, anunciou o ministro dos Recursos Naturais, Daniel Gomes.

O governante falava no sábado depois de uma visita à zona de exploração licenciada à empresa russa Poto, onde sob chuva intensa ouviu explicações dos respetivos técnicos assim como receios da população sobre eventuais danos ambientais.

Parte do areal, a escassos metros do mar, foi escavada e está transformada num pequeno lago do qual máquinas pesadas extraem a areia que é depois processada em maquinaria que cerca o recinto.

"A empresa cometeu um erro" ao começar a trabalhar sem estar finalizada a recolha de informação sobre eventuais impactos ambientais, referiu Daniel Gomes, que espera ter os documentos (produzidos por serviços estatais) no prazo de 60 dias.

"Vamos ter que tomar medidas, não coercivas, mas corretivas: parar imediatamente a exploração até que as condições sejam reunidas, sobretudo até que as informações ligadas ao impacto ambiental sejam esclarecidas", referiu.

O governante prometeu também pedir celeridade no processo, para que o investimento não esteja em causa.

A população tem medo da erosão, teme perder os peixes do rio e os campos de arroz devido à infiltração de água salgada.

Malam Cassamá, representante da empresa, garantiu no encontro que estão previstas medidas preventivas e sublinhou que tem havido um diálogo permanente com a população, que será mantido, e até reforçado com um novo plano de comunicação.

"Há um medo natural de pessoas que são agricultores", referiu.

O ministro dos Recursos Naturais garantiu que o novo Governo, empossado no início do mês, não vai "arredar pé" da proteção do meio-ambiente, tanto mais, tendo em conta que na maioria do território guineense a população depende da agricultura.

Por outro lado, Daniel Gomes solicitou à empresa que apresente o mais rapidamente possível o estudo de beneficiação da população da zona, "como indica a lei".

Trata-se de "um plano socioeconómico" dedicado a "questões essenciais como vias de acesso, assistência escolar e sanitária", entre outras áreas atualmente em situação precária e em que os residentes esperam ver contrapartidas.

A Poto assinou a 21 de fevereiro, ainda com o anterior governo de transição, saído do golpe de Estado de 2012, um acordo para extração de minerais usados em indústrias de alta tecnologia de outros países.

No recinto, a empresa russa tem já 170 toneladas de concentrado ensacado, mas ainda nenhuma matéria-prima chegou a sair do local, garantiu o representante da firma, desmentindo suspeitas de extração clandestina levantadas pela população.

"Aqui nunca entrou um camião" para levar areia, sublinhou Malam Cassamá.

"As informações de que [a matéria-prima] estaria a ser transportada, roubada, não correspondem minimamente à verdade", sintetizou o ministro dos Recursos Naturais com a informação recolhida.

Daniel Gomes acrescentou que o Governo vai continuar a negociar com a empresa a forma como vai ser processada a exportação do concentrado de minerais.

Trata-se de uma "comercialização em conjunto com o Estado", o qual "tem a sua percentagem no negócio", concluiu.

LFO // PJA