quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Delegação da CPLP em Bissau para mediar crise política


Uma delegação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) chegou hoje a Bissau para, até sexta-feira, tentar mediar a crise política guineense.


"Estamos aqui para acompanhar de perto a situação e ouvir os nossos irmãos guineenses", referiu Hernâni Coelho, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Timor-Leste e presidente em exercício do Conselho de Ministros da CPLP.

O governante falava à chegada ao aeroporto de Bissau, onde realçou que a crise pela qual está a passar a Guiné-Bissau é semelhante a outras vividas por outros países lusófonos.
"São situações pelas quais todos passámos na construção do Estado. Timor-Leste também passou e por isso estamos cá", acrescentou.
Hernâni Lopes integra a delegação de que também faz parte o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy.
O programa da comitiva prevê encontros com membros do Governo, órgãos de Justiça, partidos políticos e Presidente da República.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Tribunal ordena anulação da decisão do Parlamento da Guiné-Bissau que suspendeu 15 deputados


Resultado de imagem para Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento) da Guiné-BissauO Tribunal Regional de Bissau ordenou hoje a suspensão imediata da deliberação da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento) da Guiné-Bissau que suspendia de funções 15 deputados do PAIGC, partido no Governo.


Um despacho emitido hoje pelo juiz Lassana Camará, da vara cível do Tribunal Regional de Bissau, a que a Lusa teve acesso, deu como procedente a providencia cautelar intentada pelos deputados Abel da Silva, Adulai Baldé e Amido Keita, na qual, em nome dos 15 deputados do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Por solicitação do PAIGC, que os havia expulsado da condição de militantes, 15 deputados foram substituídos no Parlamento depois de se terem posicionado contra o programa do Governo, numa deliberação tomada pela comissão permanente da ANP a 15 de janeiro.
Os 15 deputados sempre rejeitaram a medida por a considerarem ilegal e inconstitucional.
A mesma tese foi defendida, através de pareceres solicitados pelo Presidente guineense, José Mário Vaz, pelos professores catedráticos portugueses, Jorge Miranda e Vital Moreira.
Em sua defesa e aceite agora pelo tribunal, os 15 deputados alegam que a deliberação da comissão permanente da ANP violou a Constituição guineense, o estatuto do deputado, o regimento do próprio Parlamento bem como o principio do contraditório.
Consumada a substituição, 15 novos parlamentares foram indicados pelo PAIGC os quais foram empossados, tendo tomado parte na segunda votação do programa de Governo, entretanto, aprovado no Parlamento.
O juiz Lassana Camará considerou procedente decretar a suspensão da deliberação da comissão permanente da ANP sem ouvir a outra parte (direção do Parlamento) na medida em que se não fosse estaria a concorrer para que os interesses dos 15 deputados continuassem a ser lesados, lê-se ainda no despacho.
Lassana Camará entendeu fazer sentido a argumentação dos 15 deputados uma vez que se a providência cautelar não for decretada os mesmos poderiam ficar de fora da sessão plenária da ANP convocada para o próximo dia 15 deste mês, o que, seria uma violação dos direitos dos parlamentares eleitos, sublinhou.
"Na desinência de todo exposto julga-se procedente a presente procedimento cautelar e em consequência disso ordena-se a suspensão imediata da deliberação número 1/2016 com todas as consequências legais", lê-se no despacho do juiz.
MB // EL
Lusa

Luta contra MGF na Guiné-Bissau regista progressos


Na Guiné-Bissau uma "fanateca" - mulheres que praticam a excisão - abandonou a "profissão" dizendo que não sabia que isto era prejudicial para as mulheres. 
A excisão, geralmente praticada no âmbito dos ritos de iniciação feminino, é, desde há alguns anos proibido pela lei, na Guiné-Bissau, o país da área dita lusófona, mas afectada por esta prática. No mundo são cerca de 200 milhões as mulheres e meninas afectadas por esta prática. 
De Bissau, Indira Correia Baldé nos informa melhor sobre a renunca dessa "fanateca" que veio a publico no dia 6 de Fevereiro, Dia de Tolerância Zero em relação à MGF, anunciar a sua decisão.

Guiné-Bissau arrisca-se a perder ajuda internacional de 1,2 mil milhões de dólares

Guiné-Bissau arrisca-se a perder ajuda internacional de 1,2 mil milhões de dólaresA situação política na Guiné-Bissau continua “imprevisível”, aos olhos dos seua parceiros. Considera-se necessária uma revisão constitucional para clarificar os poderes do presidente e do primeiro-ministro. 

Entretanto, pode estar em risco a entrega de ajudas internacionais avaliadas em 1,2 mil milhões de dólares, o que o Conselho de Segurança da ONU deverá expressar nas próximas semanas. 
O mandato do gabinete da ONU em Bissau (UNIOGBIS), liderado por Miguel Trovoada, termina no próximo dia 28 de fevereiro. Para aprovar a renovação do mandato, o Conselho de Segurança irá reunir-se este mês e discutir os últimos desenvolvimentos em Bissau, onde a Assembleia Nacional tem estado paralisada pela disputa entre elementos do PAIGC apoiantes do presidente José Mário Vaz e do ex-primeiroministro Domingos Simões Pereira.
 A 20 de janeiro, numa reunião do grupo de trabalho (PBC) na ONU para a Guiné-Bissau, os parceiros “expressaram preocupação com a imprevisibilidade da situação”, segundo fontes diplomáticas. Discutiu-se o papel da CEDEAO, do grupo de contacto internacional e da UNIOGBIS na resolução da  crise. Além de Trovoada, através de teleconferência, interveio a representante do Banco Mundial em Dakar, Paola Zacchia, acerca do impacto económico da crise política. 
Para breve é esperado um novo relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação em Bissau, com base no qual decorrerá a discussão no Conselho de Segurança. O órgão máximo da ONU deverá emitir uma resolução após a reunião, esperando-se que sublinhe “preocupação” e que um dos progressos em causa devido à instabilidade política é o desembolso das ajudas de 1,2 mil milhões de dólares prometidas pelos parceiros internacionais.
 “Se os líderes políticos não conseguirem repor um governo comprometido com o Plano Estratégico e Operacional 2015- 2020, a Guiné-Bissau arrisca-se a perder os fundos”, refere a mesma fonte na ONU, antecipando uma tomada de posição dura pelo Conselho de Segurança. 
Nos últimos meses, o Conselho de Segurança tem ocupado pouco do seu tempo com a Guiné-Bissau. Não é uma prioridade para a maioria dos membros, à exceção de Angola, que no ano passado, antes da presente crise política, defendeu uma resolução que refletisse os progressos feitos pelo país. Desde o início do ano, o Senegal é membro do organismo, devendo também contribuir para colocar mais vezes o dossier em agenda. 
O presidente senegalês, Macky Sall, preside atualmente à CEDEAO e tem estado envolvido nos esforços de mediação. O Senegal teve um papel chave na elaboração da última declaração do Conselho de Segurança sobre a África Ocidental, em que a Guiné-Bissau é especificamente mencionada com preocupação. 
Uma das principais questões em aberto é o financiamento da missão da CEDEAO em Bissau, dadas as dificuldades que a organização atravessa. Outra é a de uma revisão constitucional delimitando mais claramente os poderes do chefe de Estado e de governo. Motivo de preocupação é também a forma como os militares acompanham a crise política. Na sua resolução, espera-se que o Conselho de Segurança se pronuncie ainda sobre o tráfico de droga. 09/02/2016 Guiné­-Bissau arriscasse a perder ajuda internacional de 1,2 mil milhões de dólares

História do passado colonial da Guiné-Bissau vai ser adaptada para cinema

A jovem, o professor e o régulo (chefe tradicional), personagens do escritor guineense Abdulai Silá para retratar o passado colonial, vão saltar para as telas numa longa-metragem sobre os anos 50 e 60 da Guiné Portuguesa.

A importância da escola, de ter alguém que saiba dirigir uma comunidade ou o papel da emancipação da mulher, são ideias que o filme "Coração Guiné: a última tragédia" quer destacar a partir da obra "A Última Tragédia".


O projeto foi um dos vencedores do concurso FIC TV promovido pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para promover a produção audiovisual nos países de língua portuguesa.

"A história tem como palco a Guiné-Bissau, mas podia ter acontecido noutro país africano de expressão portuguesa, ou no Brasil", refere Mussá Baldé, jornalista e escritor guineense.

Trata-se de um conto de época, o que o transforma num desafio maior, tanto para o realizador e como para o produtor.

"É preciso reavivar os cenários da época de 50 a 60, numa história que se passa em diferentes pontos da Guiné-Bissau: Biombo, Quinhamel, Bissau e Catió", acrescenta Mussá Baldé.

Retratar o passado "é o maior desafio. Por exemplo, já descobrimos onde encontrar carros da época", acrescenta o realizador, José Lopes -- formado em Cuba e com trabalho feito no apoio a filmes de outros realizadores guineenses.

A partir do livro de Abdulai Silá, já foi feita uma adaptação que se constitui como a primeira versão do guião -- que mereceu a escolha da CPLP -- e que agora vai ser trabalhada.

Seguem-se sete sessões através da Internet com tutores artísticos a definir pela organização, para um trabalho de preparação que se deverá prolongar até final de 2016.

"Se após este período o projeto conseguir estar de acordo com as expetativas, recebe 100% de financiamento" e avança para as filmagens, refere o produtor.

Baldé e Lopes já se aventuraram numa longa metragem quando em 2011 fizeram parte da equipa que criou "Clara di Sabura" (Clara da boa vida), a história de uma jovem que deixa a escola para procurar sucesso fácil a seduzir políticos e empresários.

Agora a luta promete ser maior, num país que continua com as mesmas limitações: faltam infraestruturas base, mão-de-obra qualificada e recursos técnicos.

A dupla planeia recorrer a especialistas de outros países da CPLP para o projeto avançar, refere o produtor, que ainda assim reconhece virtudes à Guiné-Bissau, seu país Natal.

"Há talento e inspiração. Aqui há sempre histórias para contar. Por exemplo, o que se tem passado com o Parlamento, como que sequestrado pelos seus próprios deputados, dava um filme", refere Mussá Baldé.

A dupla que dirige o projeto garante que ideias não faltam, o que não há "é dinheiro" para as concretizar.

"Temos dois grandes realizadores, Flora Gomes e Sana N'Hada, mas nós também queremos fazer o nosso caminho", acrescenta Baldé, que tem um sonho por concretizar.

"O meu sonho é fazer a primeira telenovela da Guiné-Bissau", em que sejam relatadas histórias do quotidiano.

Até lá, a produção do filme em si promete ser uma aventura.

Carta do PAIGC ao Presidente da República

Senhor Presidente da República


Queremos registar o nosso respeito e profunda admiração pela sua recente declaração de escolher a via do diálogo interno entre todas as partes desavindas no contexto das várias crises que sobressaltam o país, apesar de alguns sinais de preocupante contradição.


Em qualquer fase da vida das sociedades, assenta bem a intenção de promover consensos e construir compromissos. É uma diligência na qual acreditamos e em que assentamos toda a nossa prática política e que sempre animou a nossa postura e posicionamento. Aliás bem expressas no princípio de inclusão demonstrado no primeiro governo da presente legislatura.


Senhor Presidente,


Preocupa-nos no entanto verificar que o seu recente quest pelo diálogo se promova num quadro de subalternização das normas e competências de um órgão de soberania da importância da Assembleia Nacional Popular.


Da mesma forma nos surpreende que a Vossa disponibilidade em apoiar a unidade e coesão dentro dos partidos políticos se faça, colocando os interesses individuais, mesmo reconhecendo a sua pouca representatividade, em igualdade de relevância e alcance com a instituição colectiva em referência.


Estas constatações preocupantes obrigam-nos a lembrar que o Estado de Direito Democrático se assenta fundamentalmente no reforço das instituições e na observância das leis pelo que, desenquadrada a crescente tendência em querer apresentar a via do diálogo como uma opção alternativa àquela e não um pressuposto indissociável.


Senhor Presidente,


Durante a primeira sessão do diálogo colectivo que Vossa Excelência promoveu na tarde de ontem dia 1 de Fevereiro, ficou bastante evidente a dificuldade em destrinçar e arbitrar estes princípios estruturantes da nossa vida política e social, ao colocar à mesma mesa e ao mesmo nível as notas de deliberações da ANP, tanto as recebidas das entidades legitimamente investidas nessa competência como: de elementos que reclamam terem tomado de assalto a mesma. Desperdiçou-se na ocasião da recepção dos mesmos, uma excelente oportunidade de V. Excelência se afirmar distante e contra uma declaração de subversão da ordem constitucional, ou seja uma tentativa de golpe de estado.


Transmite o mesmo sentimento em relação ao tratamento que quer reservar ao eventual diferendo entre a Direcção de um partido político com elementos sancionados pelo mesmo.


Senhor Presidente,


Vossa Excelência anunciou o encontro promovido como tratando-se da procura de solução pela via do diálogo para a crise institucional instalada na ANP.


Queremos participar deste esforço, de forma séria e construtiva, o que nos leva a deixar aqui a recomendação de começar por reconhecer que a normalidade política está restabelecida com a criação das condições de segurança que asseguram o normal funcionamento da ANP, a reposição no hemiciclo da bancada maioritária de 57 elementos e a aprovação do programa do governo.


Manifestamos a nossa disponibilidade em aceitar e contribuir para um diálogo franco e construtivo entre os partidos políticos, as organizações da sociedade civil e as instituições da soberania, visando o estabelecimento de um pacto de estabilidade para o período restante da legislatura.


Com base nos pressupostos acima enunciados, o PAIGC é da opinião de que o formato escolhido para a promoção do diálogo deve merecer reformatação e acontecer entre instituições da República devidamente competentes e legitimados para o efeito, o que a não se observar o coloca numa situação de desconforto e incapacitado de manter a sua presença.


Saudamos efusivamente a presença e a atenção que se tem reservado à Comunidade Internacional, nomeadamente através dos Representantes das principais organizações multilaterais de cooperação, a UNIOGBIS, a União Africana, a União Europeia, a CEDEAO e a CPLP.


Os nossos cumprimentos e um bem-haja.


Domingos Simões Pereira Presidente do PAIGC

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

MANIFESTAÇÃO: "EM DEMOCRACIA O POVO É QUEM ORDENA"



Sábado, 30 de Janeiro, no Bairro D'Ajuda, As 17H. Na companhia de Bihan Quimor, Big Carlos, Os Mecânicos e Star Caninha Cândida Lopez Cassama. 


Vamos todos juntos dizer a nossa Heroína Titina Silá, que a razão da sua luta e consequente morte estão a ser banalizadas por políticos gananciosos e ambiciosos que não se importam com o bem-estar comum.

O nosso futuro está nas nossas mãos, não nas mãos dos que têm filhos vivendo e estudando no estrangeiro e que não importam com a nossa pobreza, com o nosso cuntango. Junta-te a nós para falarmos em uma só voz “EM DEMOCRACIA O POVO É QUEM ORDENA”.

Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC




"O nosso Governo foi acusado de corrupção, de nepotismo e de muitas outras coisas, mas é bom lembrar que também somos gente com família. Como pessoas de bem, recorremos às instâncias próprias para resolver esses problemas. Assim, pedimos que esse caso (FUNPI) fosse aclarado para o nosso bom nome, e foi o que se fez.

Mas ainda falando em corrupção, uma empresa internacional de auditoria, contratado pelo Banco Mundial, está a fazer o seu trabalho e é nesta perspectiva que se está a fazer todo esse barulho para que o Povo não conheça a verdade dos factos do qual outrora fomos acusados.
"  

Fonte Ditadura do Consenso

China entrega Palácio da Justiça ao Governo da Guiné-Bissau


O Presidente da República da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, recebe hoje do embaixador chinês Wang Huao novo edifício do Palácio da Justiça construído por uma empresa estatal chinesa, anunciou o Ministério das Obras Públicas, Construção e Urbanismo guineense.

Resultado de imagem para Inaugurado novo Palácio da Justiça em BissauO novo edifício da Justiça albergará o Supremo Tribunal de Justiça, os Tribunais Regional de Bissau, de Contas, da Relação e, do Comércio.
O edifício, que custou 20 milhões de dólares americanos, foi construído pela empresa chinesa “Jiangsu Jiangdu Construction Group Co Limitada”.
A República Popular da China  apoiou financeiramente a construção do Palácio do Governo e do Parlamento guineense e fez a reabilitação do Palácio da República, parcialmente destruído em 1998.
Segundo o programa de cooperação acordado com o governo, a conclusão da construção do Porto de Pescas, no alto Bandim e do complexo de pescas em Quinhamel, norte de Bissau, são as próximas obras de envergadura que a China vai apoiar na Guiné-Bissau. 
(macauhub/CN/GW)

Portal do Governo da Guiné-Bissau bloqueado contra ação dos políticos

O portal do Governo da Guiné-Bissau na Internet (gov.gw) foi bloqueado e exibe desde segunda-feira uma página que critica a atuação dos políticos, numa altura em que o país atravessa uma grave crise.

"Os políticos continuam a juntar-se com os amigos do dinheiro para obterem mais poder", refere a mensagem na página, em que os alegados "hackers" assinam pelo grupo Anonymous.
No texto, os autores justificam a ação: "porque todos deveríamos viver livres e em verdadeira democracia, com governos que dão prioridade à igualdade de oportunidades e à justiça social".
"Povos do mundo de língua portuguesa: acordem e unam-se", conclui.
Para além da mensagem de bloqueio do portal, o ataque não foi reivindicado pelo grupo Anonymous, um conjunto de ativistas e piratas informáticos que atua a nível mundial.
Apesar das tentativas, a Lusa ainda não conseguiu obter uma reação do Governo guineense.
Divisões no partido do poder (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde - PAIGC) estão a bloquear o funcionamento da Assembleia Nacional Popular (Parlamento guineense) e as relações entre a equipa governamental e o Presidente da República, José Mário Vaz.
LFO // APN
Lusa

PGR da Guiné-Bissau ouve dois ministros por indícios de corrupção

Chefe de Operações da Autoridade de Fiscalização Marítima Pedro Gomes acusado de obstruir a investigação em curso na Secretaria de Estado das Pescas foi detido.

O ministro da Economia e das Finanças, Geraldo Martins, e a ministra da Solidariedade e de Luta contra Pobreza e antiga responsável da Saúde, Valentina Mendes, da Guiné-Bissau estão a ser ouvidos neste terça-feira pela Procuradoria Geral da República (PGR) sobre um alegado caso de corrupção.
Os conteúdos destas audiências ainda não são do domínio público, mas a VOA apurou que o Ministério Publico  investigar os dois governantes por alegados indicios de actos de corrupção.
Entretanto, uma fonte do Governo que pediu o anonimato diz que  tudo não passa de perseguições políticas orquestradas pelo Presidente da República, José Mário Vaz.
Na base desta acusação, a mesma fonte apresenta o facto de Geraldo Martins e Valentina Mendes serem figuras muito próximas de Domingos Simões Pereira, presidente do PAIGC.
Este caso antecede a prisão  ontem do Chefe de Operações da Autoridade de Fiscalização Marítima (FISCAP), Pedro Gomes, acusado de obstruir a investigação em curso na Secretaria de Estado das Pescas, sob tutela de Idelfonso Barros, outra figura próxima de Simões Pereira.
O Ministério Público é dirigido por Antônio Sedja Man, que já foi Procurador-Geral da República e Secretário Executivo da Comissão Nacional de Eleições.
Ele foi nomeado há alguns meses depois de o Presidente José Mário Vaz ter demitido o então PGR  Hermenegildo Pereira, por considerar que não estava à altura das exigências do cargo.

Partidos denunciam "tentativa de golpe institucional"

Cinco partidos da Guiné-Bissau que se assumem como defensores da democracia, denunciaram hoje o que consideram ser uma "tentativa de golpe institucional" em curso no país e que deve ser travada.

A posição das cinco formações políticas - Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Partido da Unidade Nacional (PUN), União para a Mudança (UM), Partido da Convergência Democrática (PCD) e Movimento Patriótico (MP) - foi tornada pública numa conferência de imprensa na qual o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, apresentou uma carta aberta aos guineenses e à comunidade internacional.
Para os cinco partidos o "golpe institucional" em curso na Guiné-Bissau tem como finalidade impedir que sejam apresentados os relatórios das comissões de inquérito às contas públicas mandadas fazer pelo Governo e pelo Parlamento.
Os partidos responsabilizam os 15 elementos do PAIGC expulsos do partido e aos quais o Parlamento decretou perda de mandato, pelo impasse no hemiciclo através do que dizem ser "um conjunto de atos criminosos".
Dizem ainda que os 15 deputados, apoiados por outros parlamentares do Partido da Renovação Social (PRS), que lidera a oposição, têm um plano para fazer o país "mergulhar na insegurança e atrofiar as estruturas de funcionamento do Estado a favor de entidades privadas, proteger o crime organizado, nomeadamente o tráfico de influências, lavagem de dinheiro e narcotráfico".
Os cinco partidos alegam ainda que o processo de audição judicial aos membros do atual executivo "é uma autêntica caça às bruxas" que visa debilitar o Governo e "evitar que a verdade venha ao de cima".
O Procurador-Geral da República guineense convocou para terça-feira o ministro da Economia e Finanças, Geraldo Martins, para uma audição no âmbito de um processo ainda desconhecido e pediu ao secretário de Estado das Pescas, Ildefonso de Barros, que apresente uma série de documentação da instituição que dirige, num espaço de 24 horas.
Fonte do Governo disse à Lusa que "vários membros" do Executivo poderão ser chamados a depor na Procuradoria nos próximos dias.
Os cinco partidos disponibilizam-se para o diálogo "no quadro político", mas sempre no respeito pelas leis e pela Constituição.
Prometem responsabilizar "política e judicialmente" as entidades e titulares de órgãos que praticarem atos que violem as leis, princípios e regras de Estado democrático.
Pedem ainda à comunidade internacional que mantenha o acompanhamento "próximo e rigoroso" da situação política e social na Guiné-Bissau e exortam os cidadãos a mobilizarem-se em defesa dos valores da liberdade, estabilidade e respeito pelos direitos humanos fundamentais.
MB // JMR
Lusa

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Debates na rádio estatal da Guiné-Bissau vão continuar no ar -- diretor

O programa de debate semanal Cartas na Mesa da Rádio Difusão Nacional (RDN) da Guiné-Bissau vai continuar a ser emitido, anunciou hoje o diretor da estação, Muniro Conté.

"Ficámos todos esclarecidos, todos conversados, como se costuma dizer, e o programa vai continuar normalmente", referiu à saída de um encontro em Bissau com o Procurador-Geral da República (PGR), António Sedja Mam.
Debates na rádio estatal da Guiné-Bissau vão continuar no ar -- diretorO PGR tinha ordenado na sexta-feira a suspensão do programa, numa carta dirigida ao diretor da rádio, em que se justificou com "a situação político-social que se vive no país", sem especificar qual e numa altura de normalidade constitucional.
A posição do líder do Ministério Público foi divulgada no programa, que se manteve no ar, no sábado de manhã, e foi condenada pelo Conselho Nacional da Comunicação Social, Sindicato de Jornalistas e Liga Guineense dos Direitos Humanos por não ter base legal e afrontar a liberdade de expressão.
Muniro Conté e outros membros da direção da RDN estiveram hoje reunidos com o PGR durante cerca de hora e meia.
O diretor da RDN disse ter prestado esclarecimentos sobre a linha editorial da rádio e o conteúdo programático do programa de debate Cartas da Mesa.
De acordo com Muniro Conté, o PGR entendia que o debate em causa poderia fazer "perigar alguns valores éticos e morais", que não especificou.
Sedja Mam terá referido também, de acordo com Muniro Conté, que a RDN "não prima pela imparcialidade nalgumas matérias".
"Com os esclarecimentos que nós demos durante essa conversa, ele ficou minimamente esclarecido sobre o que nos orienta para uma comunicação social ao serviço do público", disse o diretor da RDN.
Muniro Conté disse ter evocado a Constituição da República e a lei da liberdade de imprensa para justificar a atuação da emissora estatal, tanto na sua componente informação, como de programação.
Conté predispôs-se a prestar, sempre que necessário, esclarecimentos à Procuradoria sobre o funcionamento da rádio estatal guineense.
O responsável disse não ter sentido qualquer pressão e sublinhou que a conversa decorreu de forma tranquila com o PGR e os seus colaboradores.
O PGR não prestou esclarecimentos adicionais no final do encontro.