Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

Missão angolana fica o tempo que Bissau quiser

O secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, garantiu hoje em Bissau que a Missang, de apoio à reforma das forças de segurança, ficará no país «o tempo que as autoridades da Guiné-Bissau quiserem».

Angola tem desde 21 de março deste ano uma Missão Militar na Guiné-Bissau (Missang), composta por cerca de 200 elementos de várias especialidades e destinada a apoiar a reforma das forças de defesa e segurança, que está em curso.

Manuel Augusto, desde segunda-feira em Bissau, encontrou-se hoje com o Presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, a quem entregou uma mensagem do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e com quem discutiu a cooperação entre os dois países.

Embaixador EUA rejeita classificar Angola como «ditadura»

O embaixador dos Estados Unidos em Angola rejeitou na segunda-feira em Luanda que o país seja uma «ditadura» e saudou o contributo angolano para a estabilidade e reconstrução da Guiné-Bissau, noticiou a Angop.

Christopher McMullen, que intervinha numa conferência na Universidade Lusíada sobre a política externa dos Estados Unidos para Angola, criticou a imprensa que promove «informações sensacionalistas, pondo em causa a integridade nacional e os órgãos de soberania».

Nos Estados Unidos, «a imprensa teve um papel importante aquando da crise financeira que assolou o mundo, e em outros acontecimentos, mas houve também correntes sensacionalistas, que tinham como objetivo ferir a integridade da nação, promovendo notícias especulativas», escreve a Angop, citando o diplomata.

Lusa

O comissário-geral da Polícia da Guiné-Bissau, major general Bitchofula Na Fafé, fala de segurança (Em entrevista ao Jornal de Angola)

Por

FILIPE EDUARDO - Jornal de Angola

O comissário-geral da Polícia da Guiné-Bissau, major general Bitchofula Na Fafé, caracterizou a reunião ordinária dos chefes de Polícia da comunidade dos países de língua portuguesa, que decorreu de 31 de Outubro a 4 de Novembro, em Luanda, como “a reafirmação e a fortificação dos laços de amizade e fraternidade que sempre nortearam os nossos povos”. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola, Bitchofula Na Fafé falou da importância de encontros do género entre os países que falam a mesma língua em busca da tranquilidade, progresso e bem-estar.

Jornal de Angola - Que  análise faz ao encontro de polícias que produziu a Declaração de Luanda?
Bitchofula Na Fafé -
Este encontro foi a concretização e continuação dos ideais que sempre nortearam os nossos povos. Ontem o inimigo era o regime colonial português que, fruto da guerra que os nossos povos levaram a cabo, foi vencido com a conquista das independências e hoje continuamos na mesma trincheira, contra males que afectam a paz e tranquilidade das nossas comunidades.

JA – O que considera importante no combate à criminalidade no espaço lusófono?
BF -
Na luta contra a criminalidade e todos os males que afectam os nossos países, nós devemos ter a mesma linguagem, o mesmo pensamento e as mesmas estratégias num processo contínuo de troca de experiências e informações, com o objectivo de alcançarmos resultados que sirvam os nossos povos.

JA - As conclusões finais satisfazem os anseios da Guiné-bissau?
BF -
Tal como aconteceu noutros países da CPLP, as orientações que foram tomadas neste encontro foram pertinentes e vão trazer, certamente, os resultados que todos esperamos que é a diminuição considerável da criminalidade e a tranquilidade das populações.

JA - Que informações tem de Angola sobre a criminalidade?
BF -
A luta de libertação contra um inimigo comum que os nossos povos travaram levou-me a conhecer Angola muito cedo e por isto sou também daqui e vivo, tal como na Guiné, os problemas do povo angolano. Em Angola hHá problemas, como em toda a parte, mas o país está no bom caminho com o fabuloso processo de reconstrução nacional. Eu sou combatente da luta de libertação da África lusófona, conheço a realidade do processo que levou Angola à conquista da independência, da mesma forma como conheço a da Guiné-Bissau.

JA – Quais são as preocupações do comandante-geral da Policia da Guiné-Bissau?
BF -
As grandes preocupações não só minhas mas de todos os membros da corporação e da nação em geral têm a ver com a permanente busca de soluções para garantir sossego à população.
E nesta busca de soluções contamos sempre com o apoio dos irmãos de outros países, por esta razão marcamos presença neste e noutros encontros da CPLP. O combate à imigração ilegal, violações, roubos, homicídios e outros crimes graves, têm tido respostas adequadas, mas o objectivo é sempre melhorar.

JA - Há apoio da população guineense ao processo de combate ao crime?
BF -
Há sim apoio da população, aliás o contrário seria um desastre. Esta colaboração entre a Polícia Nacional e a população constitui sempre uma preocupação das  autoridades policiais e do Governo guineense e tem sido valioso para o combate à criminalidade.

JÁ - A Guiné é um dos pontos de passagem de drogas. Qual tem sido a acção da polícia no combate ao tráfico?
BF -
A nossa luta é imparável e constitui um grande desafio para as autoridades policiais no sentido de controlar o vasto perímetro de fronteiras com outros países, que muitas vezes dão facilidades para a entrada de criminosos no nosso território. Tal como está a acontecer com os países da CPLP, temos tido também com os países da CEDEAU encontros regulares para tratarmos de questões ligadas à segurança dos países vizinhos e a questão da droga tem merecido especial atenção.

JA - Que fronteira preocupa mais as autoridades policiais guineenses?
BF -
Temos uma pequena fronteira com a Gâmbia que não constitui preocupação. As fronteiras com o Senegal e a Guiné Conacry são extensas e constituem preocupação para o nosso país. É nestas duas áreas que o movimento de pessoas e bens é frequente e problemático.

JA - Se tivesse que dar um conselho ao seu homólogo angolano, qual era?
BF -
O comandante-geral da Polícia Nacional de Angola é um amigo pessoal de longa data e como amigos podemos falar de muitas coisas, não só ligadas à nossa actividade policial cuja missão é a manutenção da tranquilidade, mas também pessoais. Sobre um possível, diria que é premente a necessidade de reforçar, cada vez mais, a capacidade combativa dos efectivos contra o crime para o bem das nossas populações.

JA - Como se sente em Angola?
BF -
O meu convívio com os angolanos data desde há muito tempo. Ainda jovem, trabalhei com muitos irmãos angolanos durante as várias preparações combativas na antiga União Soviética, Checoslováquia e Moçambique. Por isso, em Angola sinto-me em casa. Este àvontade que sinto em Angola é o resultado dos fortes laços culturais e até consanguíneos que os nossos dois povos mantêm há longos anos.

JA - O que admira na Polícia Nacional angolana?
BF -
Conheço a bravura da Polícia Nacional e das Forças Armadas Angolanas e espero que continuem a manter a defender a integridade nacional e tranquilidade do povo angolano, para a satisfação de todos.

JA - Que personalidades  cruzaram a sua vida durante a luta de libertação contra o colonialismo?
BF -
A lista é longa. Em Angola cito um grande amigo do povo guineense, o saudoso Doutor António Agostinho Neto, em Moçambique o inesquecível Presidente Samora Machel, e em São Tomé o Presidente Pinto da Costa, só para citar estes.

JA - Os governos da CPLP estão no bom caminho no que diz respeito à segurança?
BF -
Os governos dos países da CPLP devem erguer o rosto e observarem com atenção para descobrirem o que o povo, entre velhos, mulheres, jovens, crianças e todos os integrantes da sociedade, precisam para viver em tranquilidade e paz social.

JA - Como analisa as relações entre os países da CPLP?
BF -
Estamos separados geograficamente, mas unidos no sentimento e no pensamento, na busca comum de soluções para o bem da comunidade. A relação é boa entre os países da CPLP.  A nossa irmandade é cada vez mais firme e a luta de todos os que fazem parte da comunidade, vai no sentido de tornarmos o espaço lusófono um lugar único, onde todos podemos viver em paz e com dignidade.

Segunda-feira, 7 de Novembro de 2011

O secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, é aguardado nesta segunda-feira (07) em Bissau

Bissau - O secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, é aguardado nesta segunda-feira (07) em Bissau, onde poderá ser recebido pelo presidente Malan Bacai Sanhá.

De acordo com uma nota de imprensa da Embaixada de Angola na Guiné-Bissau, o secretário de Estado deverá manter encontros com o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades, Mamadu Djaló Pires, com o ministro da Defesa, Baciro Dja, e com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai.

Manuel Augusto deverá reunir-se com o representante das Nações Unidas na Guiné Bissau, Joseph Mutaboba, com os responsáveis   da missão técnica militar de Angola “Missang”, com os embaixadores da CPLP e com os embaixadores da CEDEAO acreditados em Bissau.

O secretário de Estado das Relações Exteriores, Manuel Augusto, esteve recentemente em Genebra (Suiça), onde participou na II Conferência Ministerial da Revisão da Declaração de Genebra sobre a Violência Armada.

Domingo, 6 de Novembro de 2011

“A Papaia Mágica” a favor das crianças da Guiné Bissau

O livro “A Papaia Mágica”, escrito por dois elementos da associação Afetos com Letras, com sede em Pombal, está a ser vendido com o objetivo de angariar fundos para o projeto de apoio a crianças da Guiné Bissau.

A ideia surgiu da inexistência, na Guiné Bissau, de histórias infantis, contos ou livros de colorir para as crianças que frequentam os primeiros anos do ensino. Marta Monteiro e Joana Benzinho, da Afetos com Letras escreveram uma história baseada na construção da Escola de Djoló e um elemento de um grupo de voluntariado de Pombal – Os Amigos da Anita – fez a ilustração com base em imagens reais da Tabanca de Djoló, da escola e dos trajes tradicionais guineenses.

«Em abril foram levados mil exemplares para distribuição às crianças na Guiné Bissau que pela primeira vez pintaram um desenho» conta a presidente da Afetos com Letras. Joana Benzinho adianta que «houve uma explosão de alegria das crianças de Djoló ao reconhecerem a escola deles desenhada num livro».

Ao tomar conhecimento daquela obra, a Chiado Editora decidiu edita-la em Portugal, com um preço de capa de dez euros, em que metade reverte para o projeto da Afetos com Letras.

Recorde-se que a Afetos com Letras «nasceu da determinação de fazer um pouco mais pelos outros», conta Joana Benzinho. «Dessa vontade surgiu uma escola que, hoje em dia, dá a oportunidade a cerca de 120 crianças de aprenderem a ler e a escrever, num país onde nem todos têm acesso à educação», acrescenta.

Segundo as autoras, «A Papaia Mágica» conta a história da escola e dos meninos da Tabanca de Djoló. «É para eles que continuaremos a tentar desenhar um futuro diferente através do Projeto Baobá, programa de apadrinhamento das crianças de Djoló», refere Joana Benzinho.

Sábado, 5 de Novembro de 2011

Assassinatos políticos podem seguir para o TPI

O enviado das Nações Unidas para a Guiné-Bissau afirmou hoje que a entrega ao Tribunal Penal Internacional do processo dos assassínios políticos 2009 deve ser considerado pelo governo, se a Justiça guineense se revelar incapaz de o conduzir.

Após um briefing ao Conselho de Segurança sobre a situação na Guiné-Bissau, o enviado Joseph Mutaboba salientou que o processo está a arrastar-se na Justiça guineense, o que atribui ao potencial do caso para criar instabilidade no país.

«Não podemos prejudicar a estabilidade, lidando com a impunidade» dos responsáveis pelos assassínios de 2009, «temos de equilibrar muito bem», disse Mutaboba.

Lusa

Militares constroem pontes em Bafatá e unem populações separadas há mais de 30 anos

Bissau - Os militares do comando da zona leste da Guiné-Bissau construíram duas pontes, danificadas há mais de 30 anos e que mantinham em isolamento as populações de várias aldeias na região de Bafatá, segundo fonte oficial.  

A notícia é a manchete do jornal o Defensor, órgão oficial do Estado-Maior General das Forças Armadas, hoje publicado em Bissau, citando o comandante da zona Militar leste da Guiné-Bissau, o tenente-coronel Bacar Djassi. 

Segundo o oficial, os seus homens reconstruíram as pontes que ligam as povoações de Cossará e Madina e aquela que liga a aldeia de Cumba à cidade Bafatá. As duas pontes, construídas ainda na época colonial, estavam em avançado estado de degradação pelo que os veículos automóveis já não podiam atravessá-las. 

Apenas as pessoas podiam atravessar as duas pontes, mas quando a água do rio estivesse baixa, assinalou Tcherno Braima Candé, régulo (chefe tradicional) da aldeia Gadaranque, uma das localidades beneficiadas com a reconstrução da ponte Cossará/Madina. 

O comandante da zona leste disse ter ordenado aos soldados, oficiais e praças do batalhão de Bafatá para que tomassem parte nos trabalhos da reconstrução das duas pontes, cumprindo assim as diretrizes do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. 

"Esta iniciativa foi inspirada nas recomendações do CEMGFA, general António Indjai. Quando me nomeou (...) recomendou-me que estejamos junto da população, atendendo às suas preocupações dentro das nossas possibilidades", afirmou Bacar Djassi. 

Para a reconstrução das duas pontes, o comandante da zona militar leste teve que pedir a autorização da direção geral das Florestas para o abate das árvores, cujos toros foram utilizados como pilares, e ainda uma quotização no salário dos próprios soldados. 

Na falta de meios de transporte, os toros foram carregados pelos soldados, das florestas até às pontes em construção, contou o comandante Djassi. 

A população apoiou os soldados dando-lhes água e comida durante os dias das obras. 

No dia da 'inauguração' das duas pontes, presenciada pelo governador da região de Bafatá, Adriano Ferreira, e como forma de testar a solidez das infraestruturas, dois camiões atravessaram com total segurança, referiu o comandante Bacar Djassi.

Sociedade dos Emirados Árabes Unidos rende mais de 200 milhões de euros por ano

Bissau – As autoridades guineenses estão envolvidas nas negociações com Plambeck Emirates Global Renewable Energy L.L.C, uma sociedade dos Emirados Árabes Unidos interessada em investir no sector das pescas e que conta com a figura alemã Norbert Plambeck, dono da empresa de Energia Renovável e antigo ministro das Pescas da Alemanha, por dez anos.

O montante estimado em investimento anual é de 200 milhões de euros por ano, calculado em 131 e 191 bilhões de Francos Cfa, durante dez anos.


Este acordo que vai ser assinado em breve, é resultado da visita, em
Maio deste ano, de uma delegação dos Emirados Árabes Unidos à Guiné-Bissau, então chefiada pelo Príncipe Sheikh Saeed Bin Khalifa Al Nayahan´s.


Ao abrigo deste mesmo convénio, a Plambeck Emirates deverá investir 70% do retorno da exploração das pescas nas águas territoriais da Guiné-Bissau, sobretudo no desenvolvimento e na operação da indústria pesqueira, assim como na energia e fornecimento de água para a pesca e para a Guiné-Bissau, em geral.

Neste particular, segundo os objectivos que constam do acordo, perspectiva-se a criação da grande indústria pesqueira moderna e sustentável, acompanhada de infra-estruturas necessárias, o que vai, por outro lado, reforçar a componente de fiscalização na Zona Económica Exclusiva, reforçando a capacidade operacional da FISCAP, entidade responsável pela vigilância das águas territoriais da Guiné-Bissau.


«A industrialização do pescado capturado, implicando a construção ou alargamento do porto de Bandim, também faz parte do acordo a ser assinado entre as partes, perante os compromissos assumidos pela Plambeck Emirates em divulgar todos os dados que permitirão às autoridades guineenses inteirarem-se do montante de investimento, fora do retorno, o qual será utilizado para o investimento», refere uma fonte das negociações em curso.


O primeiro cálculo entre a Guiné-Bissau e a sociedade dos Emirados Árabes Unidos, Plambeck Emirates Global Renewable Energy L.L.C, com base no potencial estimado, mostra grandes oportunidades futuras que podem gerar até 2 mil novos postos de emprego, com um investimento adicional esperado, que poderá ultrapassar o valor de 1 milhão de euros, equivalente a cerca de 700 milhões de Francos Cfa.


De referir que Plambeck Emirates já iniciou os trabalhos preliminares, os quais assentam na análise da situação actual da pesca no país, por meio dos dados publicados, devendo continuar com esta mesma avaliação durante o período de captura.


Das actividades de investimento planeadas figuram, nomeadamente, o apoio aos Grupos de Pescadores e as Associações de Pesca Artesanal com unidades e infra-estruturas respectivas de produção para conservação, processamento e venda do pescado.


Além de abastecimento de peixes ao mercado nacional e internacional, perspectiva-se ainda, à luz do acordo, um mercado global de peixes e seus derivados.


E é neste quadro que vai ser formada uma equipa de funcionários do Ministério das Pescas no domínio da aquacultura e piscicultura, formação de profissionais no domínio de pesca, de processamento e venda dos produtos de pesca, apoio a criação de um Instituto de Desenvolvimento da Pesca, sua funcionalidade e operação, bem como do sistema de Monitorização, Controle e Fiscalização da Actividade de Pesca na ZEE da Guiné-Bissau.


Uma nota a ressalvar é que as negociações com Plambeck Emirates Global Renewable Energy L.L.C decorrem numa altura em que o Governo guineense irá reunir em Bruxelas, entre 14 e 16 de Novembro, com a União Europeia, para a assinatura de mais um acordo pesqueiro para o próximo ano.


A Uniao Europeia pagou, pelo menos, 7 milhões de euros, em 2010, para que os seus navios de pesca tenham acesso às águas territoriais guineenses. Este montante pode variar, conforme as negociações previstas.


Lassana Cassamá

CPLP contra excessiva politização da assistência à Guiné Bissau

Nova Iorque - O representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, embaixador Ismael Gaspar Martins, afirmou na quinta-feira, em Nova Iorque, que a escassez de recursos financeiros e a excessiva politização da assistência necessária à Guiné-Bissau têm influenciado negativamente a dinâmica do processo de estabilização deste país.

Falando em nome da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada a análise da situação na Guiné Bissau, o embaixador apelou à compreensão dos parceiros internacionais e bilaterais sobre a necessidade da mobilização de recursos adicionais que contribuam para o êxito do processo.

A CPLP saudou a decisão do Governo da Guiné Bissau de depositar 200 mil dólares para o fundo de pensões, apesar das conhecidas limitações financeiras do país, e que será seguido de outra contribuição de 300 mil dólares até ao final de 2011, criando condições para a efectiva constituição do fundo de pensões, condição imperativa para o sucesso de desmobilização e reforma das Forças Armadas bissau-guineenses.

"Como demonstrado na recente Cimeira de Luanda, a CPLP está comprometida com a implementação efectiva do roteiro, incluindo a operacionalização do fundo de pensões para os membros das Forças Armadas e da Polícia que forem reformados. No entanto, a operacionalização deste fundo está condicionada ao financiamento por parte de outros parceiros do processo de estabilização da Guiné-Bissau", frisou Ismael Martins.

De acordo com o Embaixador angolano, a contribuição técnica, material e financeira disponibilizada pela CPLP e a CEDEAO e, no plano bilateral, pela República de Angola e demais Estados membros da CPLP, são exemplos a seguir sobre como se deveria aplicar o princípio da solidariedade e cooperação internacional.

Admitiu que a Guiné-Bissau enfrenta desafios em vários domínios, como a necessidade de subordinar o poder militar às autoridades civis e a desmobilização e renovação das forças armadas, assim como o combate à impunidade e ao tráfico de drogas.

Reconheceu haver progressos nestes domínios nos últimos meses, tendo encorajado o Governo guineense a intensificar os seus esforços com vista à estabilidade e o desenvolvimento do país.

"A CPLP considera fundamental nos processos de estabilização política e reconciliação nacional a complementaridade entre as dimensões de paz e segurança, a recuperação económica e o primado do direito", concluiu.

Durante a reunião, presidida por Portugal, o representante especial do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, informou que o país regista avanços na estabilidade política, mas ressaltou a importância da rápida operacionalização do fundo de pensões e reforma da justiça.

Por seu turno, a ministra da Economia, do Plano e da Integração Regional, Helena Nosoline Embalo, solicitou um maior apoio da comunidade internacional, deixando as hesitações de lado quando tiver que contribuir.

Rádio Estatal na Guiné Bissau em situação deplorável

Primeiro-ministro Carlos Gomes Junior foi convidado a visitar as instalações e inteirar-se dos problemas junto aos trabalhadores

Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes-Júnior

De mal a pior, assim vai a rádio pública guineense, criada a 36 anos – disse o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores. Aliu Seide, que já foi Director da rádio difusão nacional, convidou o Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, a visitar a RDN, sedeada nas instalações do Estado-maior da Armada guineense, de forma a constatar a real situação que os funcionários estão submetidos.

Recentemente, ainda que se estava na época chuvosa, a RDN não operou durante algum tempo, apenas emitindo a partir do seu centro em Nhacra, há alguns km de Bissau, tudo porque as instalações onde funciona foram inundadas, provocando o curto-circuito que atingiu os materiais técnicos. Na altura, os trabalhadores exigiram a melhoria de condições de funcionamento, evitando maiores riscos de vida. E a respeito, pouco se fez para ultrapassar a situação, adicionada, por outro lado, as constantes interrupções, ora porque não há combustível para sustentar o grupo gerador, ou porque o próprio grupo gerador é que apresenta avarias. Alias, todos os centros emissores regionais estão paralisados, salvo o de Nhacra, graças ao acordo com a Rádio Difusão Portuguesa.


Enquanto o panorama técnico operacional apresenta sinais deploráveis, a nível do pessoal, a rádio Difusão Nacional oferece um outro cenário preocupante, conforme o Sindicato de Base. É que os trabalhadores estagiários encontram-se há 1 ano e quatro meses sem subsídio. E, perante o facto, escolheu-se, entretanto, esta sexta-feira, como um dia de solidariedade para com esta categoria de trabalhadores da RDN. Um evento que vai ocorrer durante duas horas, a frente das instalações da própria Rádio. De referir ainda que Governo é o maior devedor da RDN.


Ainda não há uma reacção sobre estas declarações, mas uma fonte da direcção da RDN revelou-nos que o Governo pondera esta possibilidade nos próximos dias. Governo que, recordo, através da Ministra de Comunicação Social, tinha registado estas preocupações, durante uma reunião geral com os funcionários, sem que ainda haja algum sinal de alívio.

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Rádio Nacional funciona sem condições logísticas

Bissau – O Presidente do Sindicato de base da Radiodifusão Nacional (RDN), descreveu a situação em que se encontra actualmente a estação estatal guineense como precariedade patrimonial, material e financeira, jamais vista ao longo dos 36 anos de existência.

Aliu Seidi falou no início desta, semana em conferência de imprensa, onde sublinhou que, neste momento, a RDN não dispõe de uma casa própria e funciona em instalações degradadas, património do Estado-maior da Marinha Nacional.


«A RDN funciona num edifício com cobertura e tecto danificados, o que permite a penetração das chuvas nos estúdios e nas cabines de locução», descreveu Aliu Seidi.


De acordo com este responsável sindical, acontece várias vezes o corte da comunicação entre os diversos serviços, devido ao volume de infiltrações acumuladas no interior do edifício.


Para ultrapassar esta realidade, Aliu Seidi disse ter feito vários contactos junto do Governo, o que não produziu ainda nenhum efeito.
Neste encontro com a imprensa o Presidente do Sindicato de Base da RDN reconheceu que as emissoras privadas e até as rádios comunitárias na Guiné-Bissau funcionam em melhores condições do que a RDN.


Como consequência da situação da precariedade em que se encontra a RDN, Aliu Seidi disse que as águas das chuvas têm atingido arquivos sonoros, nomeadamente as bobines dos arquivo gravados que remontam ao período da época colonial e da luta armada de libertação nacional.


«Sofremos danos irreparáveis em algumas destes materiais», referiu o Presidente do Sindicato de Base da RDN, acrescentando que também os fios eléctricos, os microfones e outros materiais provocam choques eléctricos, acabando por se transformarem num perigo para os trabalhadores de serviço.


Aliu Seidi explicou, por outro lado que, desde o incêndio ocorrido há um mês, a RDN ficou reduzida a apenas um Estúdio. A partir dessa data não se pode copiar nem difundir «registos magnéticos», ou seja, é uma «rádio sem som».


No que diz respeito às remunerações, Aliu Seide revelou que o Governo contraiu uma dívida com os trabalhadores, desde 1997, cujo título no valor de 35 milhões de Francos CFA não foi pago até esta data, assim como os subsídios dos trabalhadores, referentes ao período das Eleições Legislativas de 2005 e 2008, estimados em cerca de 10 milhões de Francos CFA.


«Apesar dos esforços do Sindicato de Base que incluem o encontro entre os trabalhadores da RDN e a Ministra da Comunicação Social, nenhuma melhoria se vislumbrou no horizonte», concluiu Aliu Seide.
O sindicalista não teve dúvida de que a RDN está mal posicionada e que a sua situação vai piorando.


Para se actualizar Aliu Seidi convidou o Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Júnior, a visitar as instalações da emissora pública e constatar as condições em que os seus profissionais exercem.
Entretanto o sindicato agendou para esta sexta-feira, 4 de Novembro, um dia de solidariedade para os os trabalhadores em regime de estágios, que não recebem os seus subsídios há 16 meses.


«Dada a gravidade desta situação, o Comité Sindical de base agendou para esta sexta-feira um dia de solidariedade para com a referida classe de profissionais da comunicação social», lê-se no comunicado de imprensa a que a PNN teve acesso.


O encontro irá decorrer em frente das instalações da RDN, localizada no terminal da Avenida Domingos Ramos, entre as 9 e as 11 horas, seguido de uma declaração à imprensa.


Sumba Nansil

ONU aguarda assinatura de memorando CEDEAO-CPLP dentro de 2 semanas

Nova Iorque, (Lusa) - O enviado das Nações Unidas para a Guiné-Bissau disse hoje aguardar para dentro de duas semanas a assinatura do memorando de entendimento entre a CEDEAO, CPLP e Guiné-Bissau sobre o processo de paz guineense.

Para Joseph Mutaboba, que falou à Lusa depois de fazer um briefing ao Conselho de Segurança, a assinatura do memorando será muito "positiva para estimular o desejo de alguns parceiros para intervir", sobretudo os mais reticentes em relação ao processo de paz e em particular à reforma do aparelho militar e de segurança.

O documento, segundo a ministra da Economia guineense, prevê ações prioritária no capítulo da reforma da Defesa e Segurança, incluindo a própria operacionalização do fundo de pensões.

Portugal e CPLP apelam na ONU ao financiamento da reforma das Forças Armadas

Nova Iorque, (Lusa) - Portugal e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apelaram hoje nas Nações Unidas ao desembolso dos fundos internacionais prometidos para a reforma do aparelho militar e de segurança da Guiné-Bissau.

Após uma manhã de consultas no Conselho de Segurança sobre o processo de paz na Guiné-Bissau, o embaixador de Portugal, Moraes Cabral, sublinhou os progressos recentes da Guiné-Bissau na manutenção da estabilidade e também nas reformas económica e administrativa.

Apontou como "áreas chave onde são precisos mais progressos" o combate ao crime organizado e tráfico de droga, a garantia do controlo civil sobre as forças de segurança, em particular das Forças Armadas, e o combate à impunidade.

Guiné-Bissau estuda aderir ao TPI

A ministra da Economia da Guiné-Bissau defendeu hoje que o país admite aderir ao Tribunal Penal Internacional, em resultado da «dinâmica positiva» das atuais relações com a União Europeia.

«As relações com a União Europeia estão normalizadas. Houve consultas, criou-se uma comissão de seguimento que se reúne periodicamente e, na base dessa instância, há todo um diálogo político construtivo», disse à Lusa a ministra guineense, Helena Embaló.

Uma avaliação negativa da situação na Guiné-Bissau pelos «27» levou recentemente a uma ameaça de corte das ajudas europeias ao país, mas agora espera-se o apoio europeu para a reforma do aparelho militar e de segurança guineense.

Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Dê um Natal mais feliz às crianças da Guiné-Bissau

Dê um Natal mais feliz às crianças da Guiné-Bissau

A associação portuguesa Afectos com Letras está a promover uma recolha de bens para proporcionar um Natal mais feliz às crianças da Guiné-Bissau. Para ajudar basta entregar as suas doações nos contentores que vão percorrer várias cidades do país, até dia 10 de Novembro.


A recolha de bens destina-se aos meninos da Escola de Djaló e da Cresce de Varela, na Guiné-Bissau. O objetivo é levar algum conforto, mas também materiais necessários às crianças e fazer desta época natalícia um momento mais feliz.


Os objetos podem ser deixados nos contentores disponibilizados pela instituição ou enviados para a sede em Pombal. Entre os bens mais necessários estão livros do primeiro ciclo, lápis de cor, cadernos, mochilas, livros infantis, leite em pó, embalagens de cereais, tacinhas para os cereais, sapatos e chinelos, roupa fresca para crianças até aos 14 anos, água engarrafada para o Hospital.


No fim de Novembro o contentor segue para o seu destino e os bens serão distribuídos na época do Natal por elementos da Afectos com Letras, no âmbito da III Missão Solidária ao país.


Os pontos de recolha vão estar em:


COIMBRA - A/c Dr. João Ramalhete, Rua João Machado n.º 100, Edifício Coimbra, 5.º Andar, Salas 505, 506 e 507, 3000-226 Coimbra


LISBOA - LEV Expo; A/C Dra. Lara Guerreiro Alameda dos Oceanos Lt. 4.43 01 G Loja 47 (Junto à rotunda da BP) 1990-211 Parque das Nações.


POMBAL – Rua Engº Guilherme Santos, n 2, Escoural, 3100-336 Pombal


PORTO - A/C Dra. Cláudia Monteiro, Av. da Boavista, nº 1243


ÉVORA - A/C Dr. Manuel Alcario ou Padre José Jorge Morais Gomes, Externato Oratório de S. José, Rua de S. João Bosco, n.4


Para aceder à página do facebook da instituição, clique aqui.


[Notícia sugerida por Maria Sousa]

Professores iniciaram hoje mês e meio de greve

Os professores do ensino básico e secundário da Guiné-Bissau iniciaram hoje uma greve de quase mês e meio, reivindicando pagamento de salários e entrada em vigor do estatuto da carreira docente.

A greve está marcada até 15 de dezembro, o que, a manter-se, fará com que os alunos das escolas públicas do país, com exceção do ensino superior, não tenham mais aulas este ano, já que após a greve começa o período das férias de Natal.

A Agência Lusa fez na manhã de hoje uma ronda por algumas das principais escolas de Bissau e em nenhuma delas havia aulas, estando de portas abertas mas sem alunos ou professores. Alguns professores contactados pela Lusa garantiram que os alunos nem chegaram a ir à escola, por estarem avisados da greve. p> Diário Digital / Lusa

Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011

Maioria dos países lusófonos com "baixo desenvolvimento humano", Moçambique o pior, revela ONU

Apesar dos progressos alcançados nas últimas duas décadas, a maioria dos oito países lusófonos mantém a classificação de "baixo desenvolvimento humano", sendo Moçambique o quarto pior do mundo no índice de 2011 das Nações Unidas.

Moçambique (184.º), Guiné-Bissau (176.º), Angola (148.º), Timor-Leste (147.º) e São Tomé e Príncipe (144.º) continuam a ocupar os lugares mais baixos no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que este ano analisou187 países.

Cabo Verde (133.º) surge classificado como tendo "desenvolvimento humano médio" e o Brasil (84.º) como país de "desenvolvimento humano elevado".

Portugal é o único lusófono entre os 47 países com "desenvolvimento humano muito elevado" e Moçambique o pior classificado no índice elaborado desde 1990 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Esperança de vida e rendimentos médios

Em Moçambique, a esperança de vida ronda os 50,2 anos, há apenas 1,2 anos de escolaridade média e 898 dólares de rendimento per capita (643 euros).    

A Guiné-Bissau é o país lusófono com a menor esperança de vida à nascença (48,1 anos), registando 2,3 anos de escolaridade média e um rendimento per capita de 994 dólares (712 euros).

Angola regista uma esperança média de vida de 51,1 anos, 4,4 anos de escolaridade média e um rendimento per capita de 4.874 dólares (3.486 euros).   

O estudo revela ainda que mais de metade da população angolana vive abaixo do limiar da pobreza ou em pobreza extrema, ressalvando contudo que os últimos dados disponíveis nesta área remontam a 2001.

Em Timor-Leste, a pobreza extrema atinge 38,7 por cento da população (dados de 2009) e o RNB per capita ronda os 3.005 dólares (2.147 euros).    

Ao nascer, um timorense pode esperar viver em média 62,5 anos e ir à escola 2,8.

Os cidadãos são-tomenses vivem em média 64,7 anos, ganham 1.792 dólares (1.280 euros) e as crianças frequentam a escola em média durante 4,2 anos.    

Cerca de 28 por cento da população vive abaixo do limiar da pobreza e há 10 por cento de cidadãos em pobreza extrema.

Cabo Verde atinge em 2011 os 74,2 anos de esperança de vida e os 3,5 anos de escolaridade média, enquanto o RNB per capita é de 3.402 dólares (2.428 euros).

Relativamente à tabela de 2010, a generalidade dos países manteve as classificações, à exceção de Portugal, que desceu uma posição, e do Brasil que subiu outra, contudo, os responsáveis pelo índice ressalvam que na edição deste ano são avaliados mais 16 países que na anterior e que o método de análise dos dados foi alterado.

Lusa  

Postura anti-crise

Militares invadem esquadra de polícia no Bairro Militar

Bissau – Um grupo de militares armados e à paisana, invadiu, esta segunda-feira, 31 de Outubro, a recém-constituída Esquadra Modelo, no Bairro Militar, nos arredores da capital guineense.

O grupo tinha o objectivo de recuperar um homem que foi entregar-se depois do desacordo com um elemento das forças armadas, num local de cerimónia tradicional de «Lavagem», no bairro com o mesmo nome.


Segundo as explicações do homem em causa, que solicitou anonimato, ele teria travado uma discussão com o seu companheiro, que acabou por o ameaçar com uma arma branca e, por sua vez, em defesa própria, exibiu uma arma de fogo ao agressor.


Não chegou a haver nenhum incidente: «A minha deslocação à esquadra da polícia teve o propósito de garantir segurança, por temer represálias», revelou a vítima.


Confirmada esta situação, conforme as explicações recolhidas pela PNN, uma viatura de cabine dupla descarregou um grupo de pessoas em frente à esquadra. Alguns membros tinham uniforme militar, outros estavam à paisana.


O grupo pretendia levar forçosamente o homem, tendo como justificação o facto de este «ter mostrado uma pistola no meio das pessoas».


Trata-se de uma alegação refutada pelos elementos da polícia que se encontravam de serviço e recusaram a vontade dos elementos do grupo, fazendo-os desistir da ideia inicial.


Depois desta ostentação dos militares, conforme relataram os agentes policiais à PNN, o homem viria a ser, mais tarde, transferido para o Comissário-geral da Policia da Ordem Pública, aguardando tramitações legais do seu processo.


Um repórter da rádio Pindjiguiti esteve no local esta segunda-feira, onde registou apenas explicações mas não foi autorizado a gravar declarações.


A 25 de Outubro, um grupo de militares da Batalha da Presidência da República, espancou o guarda-nocturno do Instituto Nacional de Desenvolvimento do Ensino – INDE.


Mais tarde, a vítima identificou-se como elemento desta unidade, quando foi encontrado escondido no interior da vedação do INDE, alegando que estava a ser perseguido por um grupo de três pessoa quando seguia para sua residência, na estrada que dá acesso à instituição.


O jovem foi apanhado e espancado por um guarda que nega estas alegações e diz tratar-se de um ladrão que dias antes tinha levado materiais informáticos do INDE.


Na tentativa de libertar o rapaz, preso pelo guarda-nocturno, os militares não chegaram a entendimento e o episódio acabou com o espancamento do guarda e de um alto funcionário do INDE.


A 25 de Outubro 2010, um grupo de militares espancou também um grupo de Polícia de Trânsito, no seu posto de serviço, na Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria.


Até à data, ninguém foi responsabilizado pelo acto na Guiné-Bissau.


Sumba Nansil

Missão Médica nigeriana dá consultas na Guiné-Bissau

Bissau – Uma Missão Médica nigeriana é esperada na capital guineense, com objectivo de dar consultas, nomeadamente no Hospital Nacional «Simão Mendes» e em alguns outros centros hospitalares da cidade, tais como os Centros de Saúde de Bandim e Luanda e o Hospital «3 de Agosto».

A iniciativa é da Igreja Evangélica da Guiné-Bissau em parceria com uma ONGD nigeriana, cujos trabalhos vão decorrer gratuitamente entre 7 e 13 de Novembro.


Serão concedidas consultas médicas, tratamentos e até intervenções cirúrgicas aos pacientes.


Durante uma semana, a Missão nigeriana vai trabalhar em colaboração com os médicos nacionais nas especialidades de oftalmologia, ortopedia, estomatologia, ginecologia, medicina e cirurgia pediátrica.


A deslocação desta missão ao país é do conhecimento das autoridades sanitárias da Guiné-Bissau, que já deu a sua anuência à «Africa Vision Tract House Society», ONGD nigeriana, encarregue da deslocação da equipa médica ao país, na próxima semana.


Refira-se que esta é uma das várias missões médicas estrangeiras que, nos últimos anos, efectuam trabalhos de consultas e tratamentos gratuitos aos pacientes nos hospitais da Guiné-Bissau.

Sumba Nansil

Portugal homenageia em Bissau mortos da guerra colonial

Bissau, (Lusa) - Portugal homenageou ontem os seus cidadãos que morreram na guerra colonial da Guiné-Bissau, numa pequena cerimónia no cemitério de Bissau, que o embaixador português estendeu às vítimas guineenses do conflito.

"Lembramos todos os que morreram na guerra colonial e com eles lembramos também todos os guineenses que morreram nessa guerra", disse o embaixador de Portugal em Bissau, António Ricoca Freire, acrescentando: "Neste momento das nossas Histórias, de Portugal e da Guiné-Bissau, todas essas divisões deixaram de fazer sentido".

A homenagem aos mortos portugueses em Bissau (cerca de 3.200 estão sepultados em todo o país) fez-se com uma pequena cerimónia religiosa na Capela da Liga dos Combatentes, uma capela que fica dentro do cemitério de Bissau e que apenas abre em ocasiões solenes.

Governo e UNICEF distribuem 900 mil mosquiteiros

O Governo da Guiné-Bissau e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançaram hoje uma campanha nacional de distribuição de mosquiteiros banhados com inseticidas, no âmbito da luta contra a malária, principal doença no país.

Durante quatro dias, mais de 200 mil famílias guineenses irão receber mais de 900 mil mosquiteiros impregnados (banhados com inseticidas) para lutar contra a malária que, segundo o ministro guineense da Saúde, constitui "uma calamidade nacional" na Guiné-Bissau.

Só em 2010, a Malária afetou mais de 140 mil guineenses, entre as pessoas que procuraram os centros de atendimento médico no país, frisou Camilo Simões Pereira, sublinhando ainda que a doença "tem um custo elevadíssimo nas despesas públicas".

Geoff Wiffin, representante da UNICEF na Guiné-Bissau, disse que a malária, conhecida no país por paludismo, é o motivo que leva 43 por cento das pessoas a procurar atendimento médico, e é responsável por 58 por cento das mortes no setor sanitário e por 47 por cento das mortes de crianças com menos de cinco anos.

O responsável da UNICEF diz, contudo, que o caso é preocupante quando se sabe que "perto da metade das famílias guineenses não tem mosquiteiros impregnados nos seus lares", isto de acordo com os dados do último inquérito aos indicadores múltiplos conduzidos pelo Governo.

Os mosquiteiros que hoje começaram a ser distribuídos na Guiné-Bissau foram comprados no âmbito do Fundo Global para o combate à Malária, Tuberculose e SIDA, num valor de sete milhões de dólares americanos (5,1 milhões de euros).

Entre outros países, financiam o Fundo Global, Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Estados Unidos e Japão. A campanha de distribuição gratuita dos mosquiteiros tem como lema "Juntos podemos conseguir mais" e visa sensibilizar a utilização correta e seguida dos mosquiteiros, uma forma de reduzir a malária no país.

Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

Presidência portuguesa do Conselho de Segurança arranca com TPI e Guiné Bissau na agenda

Portugal assume esta terça-feira a presidência mensal do Conselho de Segurança das Nações Unidas, cuja semana de arranque será marcada por discussões sobre o Tribunal Penal Internacional, Guiné-Bissau e, no comité de admissão de novos membros, pela Palestina.

Apesar de Portugal receber formalmente da Nigéria a presidência no primeiro dia do mês, terá lugar apenas na quarta-feira a aprovação do programa de trabalhos do órgão da ONU responsável pela manutenção da paz a nível internacional.

Será durante a presidência portuguesa que o Conselho de Segurança apreciará o primeiro relatório do comité de admissão de novos membros sobre o cumprimento dos requisitos de admissão à ONU pela Palestina.

Prioridades da política externa portuguesa como a Guiné-Bissau e Timor-Leste e "bandeiras" de países pequenos na ONU como a reforma dos trabalhos do Conselho de Segurança integram a agenda da presidência portuguesa.

Portugal incluiu na agenda discussões sobre os "Métodos de Trabalho do Conselho de Segurança", um tema caro a muitos países pequenos nas Nações Unidas, com os votos dos quais Portugal contou para a eleição para o Conselho de Segurança há um ano, e sobre "Os Novos Desafios à Segurança".

Portugal foi eleito para um lugar rotativo no Conselho de Segurança em Outubro do ano passado, derrotando o Canadá, e será um dos 15 países membros até final de 2012.

Preside também ao Comité de Sanções à Coreia do Norte, ao Grupo de Trabalho sobre Tribunais Internacionais e ao Comité de Sanções à Líbia, que lhe tem dado muita visibilidade dentro da ONU.

Revisão constitucional em debate na Guiné-Bissau

Bissau – As reflexões sobre a revisão constitucional na Guiné-Bissau têm sido frequentes. A sessão desta segunda-feira, 31 de Outubro, reúneu políticos, académicos e membros da sociedade civil, nomeadamente entidades religiosas, ONG´s e organizações juvenis.

Entre vários temas sujeitos a alterações, figuram o sistema em si presidencialista ou semi-presidencialista, este ultimo em vigor, que é, em algumas opiniões, razão de constantes clivagens institucionais do actual contexto político guineense.


As várias crises institucionais registadas no passado, na Guiné-Bissau, fizeram renascer a vontade de mudar o sistema em vigor, apesar de muitas teses advogarem ser «realista» e que «os homens é que devem mudar», por se tratar de um método que inspira valores democráticos, sobretudo numa sociedade africana, onde os líderes são facilmente manipulados para uma política de ditadura, ainda que camuflada.


Ausentes nesta sessão de reflexão e de debate sobre a eventual revisão constitucional, para o PRS, maior partido da oposição cujo motivo de ausência se desconhece, juntamente com mais de dezasseis formações políticas, com e sem assento parlamentar, que não se fizeram representar neste debate, que termina esta terça-feira, 1 de Novembro.


Este encontro consiste numa co-organização da Assembleia Nacional, o Programa de Apoio a Órgãos de Soberania e Estado de Direito, no âmbito das actividades concernentes ao processo da revisão constitucional, sob auspícios da União Europeia.


Lassana Cassama

Governo da Guiné Bissau reconhece dificuldades na saúde infantil

Bissau, (Lusa) - A Guiné-Bissau é incapaz de atingir vários dos objetivos de desenvolvimento do milénio (ODM) até 2015, nomeadamente na saúde infantil, com o país a apresentar das piores taxas do mundo de mortalidade infantil.

O relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) deste ano (apresentado na semana passada) coloca três países lusófonos (Angola e Moçambique além da Guiné-Bissau) entre os que têm a pior taxa de mortalidade infantil. Diz o documento que em cada mil nascidos vivos morrem 192,6 na Guiné-Bissau, país só ultrapassado pelo Afeganistão e pelo Chade.

O relatório foi apresentado hoje em Bissau e num discurso lido pelo secretário-geral do Ministério da Economia, Idrissa Embaló, em nome da ministra (Helena Embaló), reconhece-se que a taxa de mortalidade materna e infantil continua elevada, "apesar de alguns avanços".

A ministra preferiu salientar outros avanços, nomeadamente o da esperança média de vida, que passou de 45 para 48 anos (dados de 2009), o que representou "um avanço muito significativo".

"Progressos assinaláveis" foram registados também na educação, onde diminuiu igualmente a diferença entre o número de rapazes e de raparigas que vão à escola.

Mas até 2015, diz Helena Embaló no seu discurso, o país não conseguirá reduzir a pobreza de acordo com os ODM. E continua a ter uma elevada taxa de fecundidade, sobretudo nas zonas rurais, o que "trava o desenvolvimento e perpetua a pobreza".

"Na saúde infantil, na mortalidade materna, e no acesso a água potável também o país está em grandes dificuldades em atingir esses objetivos", adianta o discurso, referindo que noutras metas a Guiné-Bissau, trabalhando em conjunto com os parceiros, "vai aproximar-se ou mesmo atingir os alvos".

FP.

Lusa/fim

Sábado, 29 de Outubro de 2011

«Manipulação política» PRS recusa participar na Conferência Nacional de Reconciliação

DGuinee

Bissau – Na semana em que se completaram os trabalhos de consulta e audições, no quadro da preparação da Conferência Nacional para a Paz e Reconciliação, surgiu uma posição política a contrariar os promotores desta iniciativa.

O Partido de Renovação Social (PRS) anunciou, em comunicado de imprensa, a sua recusa em integrar a Comissão de Reconciliação, justificando que a mesma está a ser dirigida por um líder, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que pretende aproveitar-se da iniciativa para se encobrir dos «crimes de sangue».


Apesar desta recusa, o PRS reconhece que a iniciativa é nobre, mas sublinha que só uma organização isenta podia contar com a sua participação. P PRS considera que há «manipulação política e promiscuidade evidenciada» a volta da acção e afirma que o PAIGC pretende ser juiz em causa própria.


«Este posicionamento já foi formalmente manifestado numa missiva endereçada, a 28 de Outubro de 2010, a Manuel Serifo Nhamadjo, vice-presidente da referida comissão e, simultaneamente, primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular e membro do Bureau Político do PAIGC, com conhecimento do Presidente da República, do Governo, do representante da UNIOGBIS, do representante da União Africana, da União Europeia e da Sociedade Civil», refere ainda o comunicado.


O PRS afirma que, enquanto maior partido da oposição, nunca porá em causa a sua credibilidade nem se deixará alinhar na incoerência de ajudar o PAIGC a patrocinar e organizar uma diligência dessa natureza.


«O PRS recusa, desde já, a sua parte de responsabilidade no fracasso da iniciativa desta organização», reafirmou o PRS.

O comunicado termina advertindo que só haverá paz e estabilidade com a promoção de uma verdadeira justiça, através da instituição de acções concretas desenvolvidas em Comissões de verdade, justiça e reconciliação, que serviram como exemplo em vários países do mundo, incluindo países africanos.


«Acções isoladas de reconciliação fomentadas e patrocinadas por quem deve ser julgado não levam a nada, antes pelo contrário, só vão servir para alimentar ódio e violência, em vez da unidade e coesão nacionais necessárias», conclui o comunicado.


Sumba Nansil

Director Executivo da ONU contra a Droga e o Crime visita a Guiné-Bissau

«Tráfico põe em causa valores fundamentais da humanidade»

Bissau – O Director Executivo do Escritório das Nações Unidas contra a
Droga e o Crime, Yury Fedotov, chegou, esta quinta-feira, 27 de Outubro, à Guiné-Bissau, para uma visita oficial.

A deslocação de Yury Fedotov enquadra-se no âmbito das comunicações já efectuadas, uma missão à África Ocidental, a qual incluiu encontros em Dakar, Senegal.


As questões ligadas ao tráfico de estupefacientes e à criminalidade organizada na África Ocidental, com particular atenção aos esforços das autoridades nacionais no combate à droga são, entre outros, assuntos agendados durante esta visita.


Yury Fedotov irá reunir com o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, o Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, o Representante Especial das Nações Unidas em Bissau, Joshef Mutaboba, e terá ainda encontros com alguns membros do Governo.


O Director Executivo do Escritório das Nações Unidas em Viena também faz parte da delegação.


Na reunião do Comité do Programa do WACI, em Bissau, o ministro da Justiça, Adelino Mano Queta, disse que o país se sente mais encorajado na luta contra o tráfico de drogas e o crime organizado transnacional, contando com o apoio da comunidade internacional.


«A dimensão do fenómeno que põe em causa os valores fundamentais de toda humanidade, tais como a segurança, a paz e a ordem pública, indispensáveis ao progresso de cada povo, exige de todos uma acção mais concertada», disse Adelino Mano Queta.

Neste sentido, o governante sublinhou que nenhum país, isoladamente, consegue resultados na luta contra o tráfico de drogas e o terrorismo, tendo em conta o nível estrutural das pessoas e organizações envolvidas nestas actividades.


Por outro lado, o responsável pela pasta da Justiça destacou que a Guiné-Bissau tem sido apontada como estando na rota de tráfico de drogas transatlântico.


«A ser assim, isto deve-se, em grande medida, à sua condição de país pós-conflito com períodos de fragilidade institucional e à instabilidade política», referiu Adelino Mano Queta.


Foi neste sentido que o governante revelou que, estatisticamente, a utilização do território nacional da Guiné-Bissau para o tráfico de droga reduziu consideravelmente devido ao empenho do Governo com o apoio da comunidade internacional.


Sumba Nansil

Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Altos representantes das Nações Unidas em Bissau para discutir combate ao narcotráfico

Mercado de Bissau

         Mercado de Bissau

Altos representantes das Nações chegam amanhã a Bissau para reforçar o combate contra o narcotráfico e o crime organizado na região oeste-africana.

Durante a deslocação os altos responsáveis das Nações Unidas, o Representante Especial do Secretário-Geral da Guiné-Bissau e o Chefe do UNIOGBIS, têm encontro marcado com as autoridades do país, nomeadamente, com o Presidente da República e com o Primeiro-ministro. Estes encontros vão assegurar o apoio da organização à Guiné-Bissau no combate ao narcotráfico e crime organizado, e ainda em outros planos nacionais relevantes.

Manuel Pereira, responsável pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes- UNODC, reconhece que desde 2008, altura em que a Guiné-Bissau começou a beneficiar do apoio da Comunidade Internacional e da UNODC, o país deixou de registar grandes apreensões de droga.

O responsável das Nações Unidas contra Drogas e Crimes reconhece, no entanto, que houve uma tentativa de desviar as rotas de narcotráfico ao tentaram voltar-se para as ainda existentes fraquezas do território nacional em matéria de aplicação da lei.

Manuel Pereira falou do projecto Unidades de Crimes Transnacionais, um projecto que existe já em quatro países, Guiné-Bissau, Serra Leoa, Libéria e Costa do Marfim, e que tem como objectivo o combate ao narcotráfico que ainda existe na região.

Manuel Pereira, responsável pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime- UNODC
(01:28)
 
 

Caboverdiana vinda do Brasil é condenada por tráfico de cocaína

É a primeira condenação por narcotráfico pronunciada pela justiça de Guiné Bissau desde a descoberta em 2005 de uma rede de tráfico de cocaína procedente de América Latina.

BISSAU, 26 Out 2011 (AFP) -Uma caboverdiana que carregava três quilos de cocaína em uma mala foi condenada nesta quarta-feira a quatro anos de prisão por um tribunal de Guiné Bissau, informou uma fonte judicial.

A mulher, proveniente do Brasil, passou por Lisboa antes de ser detida em Bissau em agosto, indicou a mesma fonte.

A droga estava escondida no fundo falso de sua mala quando foi detida no aeroporto de Bissau.

É a primeira condenação por narcotráfico pronunciada pela justiça de Guiné Bissau desde a descoberta em 2005 de uma rede de tráfico de cocaína procedente de América Latina.

Imprensa abdica da cobertura das comemorações do Dia das Nações Unidas

Bissau – A imprensa guineense renunciou, segunda-feira, 24 de Outubro, à cerimónia de cobertura jornalística referente às comemorações do Dia das Nações Unidas, que se assinalou a 24 de Outubro.

Em causa está o convite do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) aos representantes dos diferentes órgãos de Comunicação Social, para assinatura de um termo de compromisso no qual consta que, em caso de acidente de viação, o UNIOBIS não seria responsabilizado sobre as consequências do sinistro.


À excepção da RTP África, que se deslocou ao local com a sua própria viatura e da emissora católica guineense – Rádio «Sol Mansi», por ter um dos seus estúdios em Mansoa, nenhum outro órgão fez a cobertura do evento.


O acto central das comemorações desta data teve lugar em Mansoa e Mansabà, ambas cidades no norte do país, região de Oio.
Do encontro, participaram representantes de diferentes agências das Nações Unidas em Bissau, bem como o representante do Governo da Guiné-Bissau, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mamadu Saliu Djalo Pires.


Perante esta situação, o Oficial de Informação do UNIOGBIS disse à PNN que a representação do Gabinete de Ban Ki Moom, em Bissau, vai lavar a cabo uma campanha de informação e de esclarecimento junto das direcções de diferentes órgãos sobre os procedimentos da ONU em Bissau.


Não é a primeira vez que esta situação se verifica mas, quase por unanimidade, os representantes de órgãos públicos, imprensa privada e rádios comunitárias declinaram o convite das Nações Unidas.


Em Dezembro de 2005, dois jornalistas morreram e vários ficaram feridos num acidente de viação, na estrada que liga Gabù a Bafatà,quando se dirigiam para uma conferência a convite do Secretariado Nacional de Luta Contra Sida.


O caso foi para a Justiça, onde esta instituição foi condenada à indemnização de vítimas, o que até esta data ainda não aconteceu.


Sumba Nansil

"Toca-toca a aprender" erradica analfabetismo da função pública

Bissau,(Lusa) - O analfabetismo está erradicado da função pública da Guiné-Bissau, depois da escolarização de 1094 pessoas, as últimas das quais receberam hoje os diplomas em Quinhamel, arredores de Bissau.

O programa de alfabetização abrangeu a totalidade dos cerca de 10 por cento de funcionários públicos que não sabiam ler nem escrever, e foi financiado pela União Europeia com 6,5 milhões de euros, distribuídos através do PARAP - Programa de Apoio à Reforma da Administração Pública.

De todos os funcionários que não sabiam ler nem escrever 636 eram de Bissau e 458 do resto do país, explicou à Lusa a coordenadora do projeto, Graça Pombeiro.

Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Portugal vai ter em 2015 a segunda pior taxa de fecundidade do Mundo, revela relatório da ONU

Portugal vai ter nos próximos quatro anos a segunda mais baixa taxa de fecundidade do Mundo, com apenas 1,3 filhos por mulher, apenas ultrapassado pela Bósnia-Herzegovina (1,1), de acordo com um relatório hoje divulgado pelas Nações Unidas. 

Em contrapartida, apresenta o 11 melhor lugar na mortalidade até aos cinco anos de vida, com 3,7 crianças falecidas em cada mil que nascem, ainda  segundo o Relatório sobre a Situação da População Mundial 2011.

O estudo do Fundo das Nações Unidas para a População indica que também  na esperança de vida o país surge com um dos mais elevados valores entre  os 188 estados da tabela, com uma previsão de 83 anos para as mulheres e  77 para os homens que nasçam até 2015.

Em relação à fecundidade, Portugal tem indicadores iguais à Áustria  e Malta, seguindo-se a Hungria, Japão, Coreia do Sul, Macedónia, Polónia,  Roménia e Eslováquia, com 1,4 filhos por mulher com idade entre os 15 e  os 49 anos. Alemanha, Albânia, Bulgária, Bielorrússia, Geórgia, Itália e República Checa surgem depois, com uma taxa de 1,5.

Na China, país mais populoso do mundo, a taxa de fecundidade situa-se entre os valores baixos que caracterizam os países ocidentais (1,6), enquanto a Índia, o segundo país com mais habitantes, apresenta uma taxa bastante superior (2,5).

A tabela é liderada pelo Níger (6,9), seguida da Somália e Zâmbia (6,3), Mali (6,1) e Malauí e Afeganistão (6).

Quanto à taxa de mortalidade infantil, o primeiro lugar da tabela pertence à Suécia e a Singapura, com 2,8 crianças falecidas até aos cinco anos entre  cada mil nascimentos, seguindo-se no pódio a Islândia e a Eslovénia (3)  e, em terceiro lugar, a Finlândia (3,2). O Japão e a Noruega vêm depois  com 3,3, a Grécia com 3,4, Chipre, a República Checa com 3,5 e Portugal  com 3,7.

No lado oposto da tabela, o Chade apresenta o pior indicador - 209 crianças  mortas em cada mil -, antes da República Democrática do Congo e Afeganistão  (198,6), Guiné-Bissau (192,6), Serra Leoa (192,3) e Mali (191,1).

Outro valor onde Portugal surge bem colocado é na esperança de vida  feminina, apenas atrás de 13 países onde se prevê uma longevidade superior  aos 83 anos calculados para as mulheres portuguesas nascidas até 2015.

À frente está o Japão (87 anos), seguindo-se a França, Espanha, Itália  e Suiça (85), Singapura, Coreia do Sul, Israel, Islândia, Suécia, Áustria,  Austrália e Martinica (84). Portugal está a par da Finlândia, Bélgica, Canadá,  Grécia, Irlanda, Luxemburgo, Holanda, Nova Zelândia, Noruega e Eslovénia.

O Lesoto é o país onde a esperança de vida das mulheres é mais baixa  (48 anos), seguido do Afeganistão, Suazilândia e Serra Leoa (49), Guiné-Bissau  e Zâmbia (50) e Botsuana, República Centro Africana e República Democrática  do Congo (51).

No universo masculino, Portugal está numa posição menos destacada, já  que há 22 países onde a esperança de vida para os homens é superior aos  77 anos apontados para os portugueses. 

O primeiro lugar da tabela inclui seis países: Suécia, Suíça, Austrália,  Islândia, Japão e Israel têm uma esperança de vida de 80 anos para homens.

No outro extremo da lista, com uma previsão de vida de quase metade,  está a Guiné-Bissau e a República Democrática do Congo (47 anos), antecedido  pela República Centro Africana e Serra Leoa (48), Chade, Zâmbia e Afeganistão  (49).

Com Lusa

Três países lusófonos entre os piores mortalidade infantil

Três países lusófonos -- Guiné-Bissau, Angola e Moçambique -- estão entre os que têm a pior taxa de mortalidade infantil, de acordo com o relatório sobre a Situação da População Mundial relativo a 2011 hoje divulgado.

Segundo o relatório do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), em cada 1.000 nascidos vivos, morrem 192,6 na Guiné-Bissau (só ultrapassada por Afeganistão e Chade), 160,5 em Angola e 141,9 em Moçambique.

Entre os países de língua portuguesa, seguem-se São Tomé e Príncipe, com 77,8 crianças, e Timor-Leste, com 56,4. Mais abaixo, surgem Cabo Verde, com 27,5, e Brasil, com 20,6. Portugal apresenta uma taxa de 3,7.

Lusa

A luta pela independência da Guiné-Bissau no DocLisboa

Pelas 19:00 do dia 25 de Outubro, a sala três do Cinema São Jorge, apesar de ter umas quantas cadeiras vazias, contava com uma plateia atenta e interessada, da qual faziam parte o realizador Tobias Engel e Josefina Cabral, viúva de Luís Cabral – guia do movimento pela libertação e um dos responsáveis pela criação do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

“Labanta Negro!”, do italiano Piero Nelli, filmado em 1966, e “No pincha!”, dos franceses Tobias Engel, René Lefort e Gilbert Igel, filmado em 1970, debruçam-se ambos sobre a luta armada pela libertação dos territórios nas antigas colónias portuguesas na Guiné-Bissau.
São diários cinematográficos que retratam o combate contra o colonialismo e pela independência e que dão a conhecer uma perspectiva de uma experiência marcante não só para a Guiné-Bissau como também para a história do povo português.

No primeiro documentário da sessão, “Labanta Negro!”, são mencionados diversos aspectos da vida dos africanos que sofrem as consequências do colonialismo. Fala-se do analfabetismo (que chegava aos 99% naquela altura), das mortes durante as greves (devido ao facto de não ser concedido o direito a reivindicações sindicais), dos ferimentos em civis provocados por balas ou minas, e da convivência lado a lado entre o ambiente de guerra e a actividade militar e a tentativa de reestruturação de uma sociedade civil. Mas, mais do que isso, este filme demonstra que a exploração colonial já não era vivida passivamente.

Seguiu-se o documentário “No Pincha!” – obra recuperada pela Cinemateca Portuguesa – que mostra a posição da Europa em relação à luta na Guiné-Bissau e clarifica o facto de que, para o povo guineense, a questão não se tratava de combater contra os portugueses, mas sim acabar com a dominação colonial, lutando pela paz e pelo progresso. E nesse povo até uma criança percebe que a felicidade advém da liberdade e o tamanho da importância de ser dono das suas próprias coisas. “Nós não odiamos nem ensinamos a odiar os portugueses, mas queremos independência”, é uma das frases que marcam neste filme.

Nestes dois documentários as imagem têm uma força desmedida e transportam, aliadas à história que contam, um forte carga emocional. A certa altura em “Labanta Negro!” ouvimos dizer algo como “a guerra também é cansaço, é cansaço de viver mal, é cansaço de ganhar coragem” e esses sentimentos são transpostos para fora da tela. São dois documentários sobre coragem, tenacidade e esperança.

Rita Areias

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Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Secretário-geral da ONU defende prolongamento da missão na Guiné-Bissau até final de 2012

Nova Iorque, 25 out (Lusa) - O secretário-geral das Nações Unidas quer que o Conselho de Segurança prolongue o mandato da operação da organização na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) por mais um ano, até ao final de 2012, para prosseguir os esforços de estabilização do país.

O mandato da UNIOGBIS expira a 31 de dezembro de 2011, e após consultas recentes com o Governo, Ban Ki-moon recomenda ao Conselho de Segurança, em relatório a que a Lusa teve acesso, a continuação da missão por mais um ano para "continuar a implementar a sua agenda de pacificação, em apoio dos esforços nacionais para alcançar uma estabilidade de longo prazo".

"Se o seu mandato for prolongado, a UNIOGBIS continuará a trabalhar de perto com as autoridades da Guiné-Bissau e parceiros internacionais, com foco particular na aceleração da implementação de reformas nos setores de Defesa, Segurança e Justiça", refere Ban Ki-moon.

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

Luxemburgo pede apoio à Guiné-Bissau para entrar no Conselho de Segurança da ONU

Bissau – O Luxemburgo precisa do apoio da Guiné-Bissau para integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas, nos anos 2013 e 2014. O vice-Primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Luxemburgo encontram-se na capital guineense para uma visita de trabalho.

A deslocação de Jean Asselborn tem também o objectivo de discutir com as autoridades da Guiné-Bissau assuntos da actualidade internacional, em particular, a questão das reformas nas Nações Unidas.


Segundo uma nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense, à qual a PNN teve acesso, os dois países estão analisar a redefinição da política da cooperação bilateral nas áreas das finanças, agricultura, transportes, educação, saúde e recursos naturais.


Neste sentido, de acordo com a diplomacia guineense, as autoridades nacionais vão propor ao Luxemburgo que adopte o modelo da cooperação, à semelhança de outros que se verificaram, nos últimos anos, entre os países da África.


A intervenção destes países junto da União Europeia e a tão falada a questão de reformas nos sectores de defesa e segurança foram, entre outros, assuntos discutidos durante na visita.


As audiências com o titular da pasta dos negócios estrangeiros, Mamadu Saliu Djalo Pires, a ministra da Presidência, Adiato Djalo Nandigna, em substituição do Primeiro-ministro ausente do país, bem como com o Presidente da República, Malam Bacia Sanhá, marcaram última etapa da visita de Jean Asselborn à Guiné-Bissau.


Sumba Nansil

Manuais vertidos para o português

Responsáveis das Alfândegas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

Fotografia: DR

Os directores-gerais das Alfândegas da CPLP, reunidos em Bissau, congratularam-se na sexta-feira com o facto de vários textos normativos da Organização Mundial das Alfândegas (OMA) escritos noutras línguas estarem agora traduzidos para português.


A declaração foi feita à Lusa por Domenico Sanca, director-geral das Alfândegas da Guiné-Bissau, presidente da 26ª reunião de directores-gerais das Alfândegas da CPLP, encerrada na sexta-feira em Bissau, após cinco dias de trabalhos.


"Todos os pontos discutidos são importantes, mas gostaria de destacar o ponto sobre a promoção da língua portuguesa no seio da OMA. Tem a ver com as traduções dos diversos instrumentos das Alfândegas para o português e a posição que a CPLP assumiu em dizer à OMA que não pode pagar as traduções desses instrumentos para o português", declarou Domenico Sanca.


A OMA quer cobrar as traduções das convenções escritas em francês ou inglês, o que os directores das Alfândegas negaram ao representante da instituição presente na reunião de Bissau, fazendo ver a Alain Harrison que tal pretensão ia limitar aos operadores económicos do espaço lusófono o acesso aos instrumentos jurídicos internacionais.


O secretário-geral da conferência dos directores-gerais das Alfândegas da CPLP, o português Francisco Currinha, sublinhou o entendimento a que se chegou sobre a necessidade de os oito países lusófonos passarem a trocar, através da internet, informações importantes sobre matéria aduaneira.


Neste aspecto destaca-se ainda o compromisso assumido pelos directores-gerais de, a partir de agora, passarem a publicar, no sítio da internet da CPLP denominado alfândegas, as informações sobre o transporte de dinheiro líquido no espaço lusófono, a contrafacção e a pirataria, entre outros assuntos, com vista a melhorar o controlo daquele tipo de situações.


Francisco Currinha disse que os directores-gerais consideraram também que a questão do transporte líquido de dinheiro é um problema, mediante, por exemplo, a legislação europeia que autoriza apenas o transporte de até 10 mil euros em dinheiro.

Um outro ponto do compromisso assumido pelos responsáveis das Alfândegas da CPLP é a disponibilização de meios financeiros por parte de todas as direcções-gerais dos oito países lusófonos para financiar acções do PICAT (Programa Integrado de Cooperação e Assistência Técnica), um financiamento até aqui suportado por Portugal.


Os directores-gerais compreenderam que Portugal, com a crise económica que atravessa, não podia continuar a financiar sozinho o PICAT.


A próxima reunião de directores-gerais das Alfândegas da CPLP terá lugar em 2012, em São Tomé e Príncipe.

A vida dupla de George Wright

Histórias

Fugiu da prisão nos EUA. Em Portugal vendeu frangos, foi pintor e até barman na NATO em Oeiras

                Regresso a casa, no último dia 14, em prisão domiciliária

Por:José Carlos Marques e Marta Martins Silva

Há qualquer coisa de cinematográfico na casa pintada a branco e amarelo, com nome escrito em azulejo, na pequena localidade de Casas Novas, em Colares, Sintra. Foi ali, por entre o chilreio dos pássaros e os latidos dos cães da vizinhança, com a neblina em pano de fundo, que o americano George Wright, procurado há 41 anos pelo FBI, (re)nasceu José Luís Jorge dos Santos há mais de 20 anos.

Por ali, onde era chamado de senhor Jorge e se pensava que tinha nascido na Guiné-Bissau, viveu mais de duas décadas com a mulher, portuguesa, e viu nascer os filhos, que desconheciam o seu passado. Por ali, era comum vê-lo vestido com trajes africanos. Por ali, os vizinhos conheciam-no como pintor, "sempre à procura de trabalho porque os negócios em que se metia não corriam bem", "homem esforçado e conhecedor de plantas que tratava da horta com afinco".

A vizinha Fernanda Graciete, empregada doméstica a braços com a doença do marido, foi vê-lo depois de ter regressado a casa em prisão domiciliária. "Dei-lhe 20 euros e ele chorou abraçado a mim, é uma óptima pessoa que sempre se preocupou connosco".

JORGE, O PORTUGUÊS

Jorge, o português, foi pintor da construção civil, teve um quiosque de artesanato onde vendia almofadas e demais objectos, foi dono de um take-away de frangos e de um outro restaurante. "Era ele que assava os frangos e tudo mas as contas eram difíceis" - recorda Vítor Louçada, o vizinho que lhe arranjou um dos primeiros empregos, como pintor numa obra. Aliás, sempre que um emprego corria mal via-se obrigado a regressar à construção civil.

Mais tarde, George haveria de criar uma empresa, que ainda se encontra on-line, de pintura decorativa, e ser vendedor de uma marca de cosméticos a julgar pelo perfil de um blogue onde publicitava os produtos.

"Algures entre 2007 e 2008 esteve, inclusive, a trabalhar na base da NATO em Oeiras, como barman. Agora que penso nisso não posso deixar de achar graça, sendo o sítio que é, com sistemas de alta segurança e com tantas altas patentes militares onde para entrar ao serviço é preciso deixar lá as impressões digitais. Não ficou muito tempo mas não sei porque saiu" - recorda o pastor Eddie Fernandes, que conheceu George em 1999 na Igreja Internacional Riverside, que fundou em 1996, uma comunidade cristã popular entre os estrangeiros em Portugal e que tem ligação a outras igrejas em vários países do Mundo.

"Veio ter connosco porque se identificava com a forma como encaramos a religião - mais aberta, sem ostracizar ninguém. Era muito empenhado na comunidade, participativo e atento. Fui eu que o baptizei em Carcavelos, no mar, em 2002, bem como à mulher, a Rosário, que vinha sempre com ele. Nas Escrituras diz que quem for baptizado será salvo dos pecados".

Por seguir a Bíblia à letra, Eddie considera que "depois do baptismo, depois de se tornar cristão, tinha sido a altura ideal para George se entregar às autoridades, para enfrentar" a Justiça. "Ele não podia ter vivido mais na mentira, com uma falsa identidade e toda uma vida de engano e duplicidade, como nova criatura em Cristo tinha de ter escolhido a verdade. Quem vai estar um dia diante de Deus: é o George Wright ou o Jorge dos Santos?" - questiona o pastor.

No mesmo ano do baptizado, Eddie também renovou os votos do casal, uma espécie de segundo casamento. Na sua página pessoal de Facebook, George tem como actividades de eleição ‘namorar com a mulher' e ‘ler livros'. As suas bandas de eleição são os Pink Floyd e a cantora Alicia Keys também é presença na aparelhagem. "Eram um casal unido. Também demos emprego à mulher dele na secretaria da igreja, numa altura que eles não tinham trabalho e precisavam de sustentar a família", recorda.

De lá saíram em 2006 depois de "uma divisão dolorosa que ocorreu na Igreja, seguindo o grupo que deu origem a tal ruptura, a Grace Communitty", uma Igreja sem espaço físico. Pelo caminho esteve envolvido em projectos comunitários, de recuperação das cidades, com os Christians Surfers Portugal [os surfistas cristãos], uma tribo urbana que frequenta quer a Igreja Riverside quer a Grace.

"Ele não surfava mas prestou vários serviços à comunidade junto connosco. No fundo trata-se de dar o bom exemplo, visto que somos discípulos de Jesus" - conta Zaca Sobral, que o conheceu nesse contexto e o viu pela última vez no domingo antes de ser preso numa celebração. "Estive com ele na Grace, que faz as congregações [missas] normalmente em sítios diferentes; na praia, em casa das pessoas, é uma igreja ilíquida, mas pouco falámos" - conclui.

GEORGE, O AMERICANO

De George, o americano, o que se sabe é mais nebuloso. Ausente dos Estados Unidos desde 1972, o processo de Wright caiu no esquecimento até que, em 2002, se formou uma comissão com elementos do sistema prisional de New Jersey e da força policial US Marshals. O caso de Wright foi reaberto. Os investigadores voltaram a entrevistar testemunhas relacionadas com o crime que o condenou a uma pena de prisão de 15 a 30 anos, em 1963.

No dia 23 de Novembro do ano anterior, George, então com 19 anos, e Walter McGhee assaltaram uma bomba de gasolina em Wall, New Jersey. Durante o golpe, McGhee disparou contra o dono da bomba, Walt Patterson, um veterano da II Guerra Mundial. Patterson morreu, deixando órfãs duas filhas adolescentes. Detidos dois dias depois, George, Walter e mais dois membros de um gang suspeito de vários assaltos à mão armada tiveram um julgamento rápido.

Em 1963, George entrou na prisão de Leesburg, New Jersey para cumprir a pena. Matt Schuman, do Departamento Correccional de New Jersey, explicou à Domingo como é que Walter escapou da prisão, sete anos depois da condenação: "Era uma prisão de segurança mínima. George e outros três reclusos conseguiram iludir a segurança e aceder ao carro de um dos guardas. Fizeram uma ligação directa e fugiram". George terá então rumado a Detroit, onde se juntou ao grupo político radical Black Liberation Army (Exército Negro de Libertação) com George Brown - seu companheiro de fuga da prisão. Estávamos em 1970.

Em Outubro de 1972, George, o amigo Brown, as suas companheiras de então, um outro homem e três crianças (uma delas filha da companheira de George) desviaram um avião comercial que viajava de Detroit para Miami. George estaria vestido de padre, com uma arma escondida dentro de uma Bíblia. Tripulação e passageiros foram mantidos sequestrados no aeroporto de Miami, enquanto o grupo pedia um resgate de um milhão de dólares. A quantia foi entregue por agentes do FBI vestidos apenas com fatos de banho - uma exigência dos sequestradores para evitar que os negociadores trouxessem armas. Soltos os passageiros, o grupo obrigou os pilotos a levá-los para Boston, onde o avião foi reabastecido.

A viagem acabou na Argélia, país conhecido por conceder asilo político a vários radicais americanos. Detidos durante poucos dias, os sequestradores foram libertados e separaram-se. Os parceiros de George seriam detidos em Paris em 1976. As autoridades perderam o rasto de George. Terá sido na Guiné-Bissau que George se passou a chamar José Luís Jorge dos Santos. Fez-se português pelo casamento com Rosário Valente, educadora de infância na Guiné.

A ‘task-force' criada em 2002 para desvendar casos antigos deu frutos. A vigilância a familiares de Wright na América terá levado à intercepção de uma chamada telefónica de Sintra para uma irmã de George. A cooperação do FBI com a PJ permitiu chegar a Wright. "Estiveram em Portugal dois agentes americanos a trabalhar com as autoridades portuguesas", confirma Matt Schuman. Tanto o FBI como o Department of Corrections escusam-se a comentar as hipóteses de o pedido de extradição ser bem sucedido. "Vamos esperar para ver como é que o caso se resolve", diz Matt Schuman.

JACK, NA GUINÉ

George e José Luís são uma e a mesma pessoa, unidas pelo sangue e separadas pelo bilhete de identidade. Mas na equação também entra Jack, como era conhecido nos tempos da Guiné, pelos camaradas do basquetebol, desporto que também jogou em Portugal, mas aqui como amador. "Foi meu treinador quando eu tinha 16 anos. Um miúdo de 16 anos não pergunta ao treinador de onde ele é e de onde vem. Até porque nessa altura ele já falava um português perceptível - George terá estado em Portugal no fim dos anos 70 antes de ir para África, altura em que conheceu Rosário - e marcou o meu percurso", lembra Paulo Monteiro, que o conheceu "no início dos anos oitenta".

"O Jack foi meu treinador da equipa do Banco Nacional da Guiné, antes de ir como jogador e treinador para o Benfica de Bissau. Nessa altura já namorava com a Rosário, terão ido para a Guiné como experiência de vida. Há cerca de quatro anos reencontrámo-nos em Portugal, foi ele que me procurou, e recuperámos a amizade. Fomos visita da casa um do outro, conheço a família, estou solidário com a dor". Tanto que Paulo é um dos organizadores de um torneio de basquetebol que hoje se realiza em Queluz e que tem como objectivo angariar fundos para ajudar a família de George".

Na internet, em blogues e no Facebook criado para apoiar a causa - onde, concretamente, se pede a não extradição de George Wright - os amigos que o foram conhecendo ao longo da vida vão deixando testemunhos. Além do torneio haverá jantares e sessões de cinema com o objectivo de juntar dinheiro para ajudar a família. Uma família criada em Sintra.

"Lembro-me de ele chegar aqui, da mulher andar grávida, dos meninos crescerem. Na altura, quando a casa foi vendida, dizia-se que vinha para cá um americano, mas depois veio ele e nunca mais pensámos no assunto, porque achámos que era africano", lembra a vizinha Fernanda.

"A gente o que ele fez não sabe, mas que para nós sempre foi boa pessoa, foi", precisa Adelaide Tomás, umas quantas portas mais à frente. Cláudia Carolino , da porta ao lado, ofereceu-se para fazer as compras sempre que a família precisar. "Estou a pensar como os posso ajudar de qualquer forma. Acho que eles merecem, estão a passar um mau bocado".

Talvez não seja afinal a casa que remeta para a Sétima Arte mas sim a vida de um dos homens mais procurados da América que escolheu a idílica Sintra para se refugiar de um passado que queria esquecer, argumento à altura de qualquer ficção, cujo ‘The End' [o fim] surgiu em letra grande nas páginas dos jornais no final do mês de Setembro. Embora o caso esteja, ainda, longe de terminar.

BAPTIZADO "PARA LIMPAR PECADOS" EM 2002

George Wright, de 68 anos, dirigiu-se à Igreja Internacional Riverside em 1999 onde, juntamente com a mulher, fez um curso de iniciação cristã. O baptismo chegou em 2002, na praia de Carcavelos, "um ritual emocionante que deixou todos os presentes sensibilizados", lembra o pastor Eddie Fernandes, que além da Riverside pertence aos Motards Cristãos.

Na Igreja, com escritório nas Fontainhas, em Cascais, e auditório num centro comercial em São Pedro do Estoril, George "era muito interventivo. Participou, inclusive, em acções de apoio a orfanatos e em torneios de basquetebol solidários". Na memória do pastor Eddie também está a festa africana, onde "o Jorge cozinhou comida da Guiné-Bissau".

Sábado, 22 de Outubro de 2011

Governo quer reforçar cooperação com a China ao nível empresarial -- ministra Maria Helena Nosolini Embaló.

0,c14aa7d2-6985-427e-ab09-115bda1b940b[4] Macau, China, (Lusa) - A Guiné-Bissau está apostada em atrair mais investimento direto estrangeiro e, por isso, quer que a cooperação com a China seja reforçada ao nível empresarial com parcerias entre empresas guineenses e chinesas.

"Hoje há um novo paradigma da cooperação [com a China] que queremos lançar que é a cooperação empresarial", afirmou em entrevista à agência Lusa em Macau a ministra guineense da Economia, Maria Helena Nosolini Embaló.

Ao salientar que a "Guiné-Bissau já desenvolve relações com a China há muito tempo, mesmo antes de ser um Estado independente", a governante constatou que a "cooperação tem sido mais institucional, com a China a conceder apoios importantes no domínio das infraestruturas, construção de grandes obras e pescas".

"Mas também queremos atrair investimento direto estrangeiro, que haja empresas que se instalem [no país], se desenvolva uma relação de cooperação e se lancem 'joint-ventures' entre empresas guineenses e chinesas", apontou.

Para Maria Helena Embaló, "há todo um conjunto de oportunidades, que agora fazem muito mais sentido neste contexto internacional, em que as economias emergentes começam a ter um interesse muito grande em países" como a Guiné-Bissau.

A ministra considera que o seu país "está a criar as condições que permitem atrair investimento estrangeiro", ao sublinhar que, apesar de a Guiné-Bissau "depender de muitos apoios externos", tem feito um "esforço enorme, que tem valido a pena", pois está "menos dependente da ajuda externa".

"Queremos então mostrar ao mundo e aos países que connosco interagem que estamos a criar condições que permitem atrair investimento estrangeiro e queremos atrair uma cooperação empresarial com a China e os outros países que também fazem parte da plataforma de cooperação [do Fórum Macau]", afirmou.

A agricultura, pescas, minerais e o turismo são alguns dos setores que a governante destaca para o desenvolvimento da cooperação com a China e a lusofonia, pois são aqueles em que a Guiné-Bissau "tem maior potencial".

"Há todas essas potencialidades que estão pouco valorizadas e hoje a estabilidade do quadro macroeconómico e as melhorias que estamos a realizar no ambiente de negócios podem ser contributos para que levem as empresas a se instalarem no nosso país", sustentou.

Quanto a projetos que poderão contar com o apoio da China, Maria Helena Embaló destacou a construção e exploração da barragem do Saltinho, ao referir que foi "já assinado um memorando de entendimento com uma empresa chinesa".

Está também previsto o "desenvolvimento de um eixo económico que poderá consistir em atrair o investimento da China, além dos que já existem, nomeadamente de Angola, para a construção do porto de Buba e as linhas férreas que farão a ligação com os países do Mali e da sub-região que não disponham de um porto", acrescentou.

Relativamente à privatização da Guiné Telecom, Maria Embaló disse que já há manifestações de interesse que serão analisadas, ao salientar que a empresa "estará aberta à possibilidade da entrada de empresas chinesas ou outras".

Por outro lado, "há também empresas privadas [da China] que já têm investimentos no país e, à medida que vamos dando mais garantias e criando um quadro mais favorável aos investimentos, virão certamente outros investidores chineses", concluiu.

Quanto ao fundo de 1.000 milhões de dólares anunciado pela China para o reforço da cooperação com a lusofonia, a ministra considera que aquele "poderá ser uma alavanca para incrementar as relações comerciais", esperando que "venha a beneficiar mais os países que não estão no pelotão da frente", como a Guiné-Bissau.

PNE.

Lusa/Fim

Mundo Aqui funde culturas em Ponta Delgada - Açores

 

Mundo Aqui funde culturas em Ponta Delgada

Ponta Delgada recebe entre 4 e 6 de novembro a quarta edição do festival Mundo Aqui.

Organizada pela AIPA, associação de imigrantes dos Açores, a iniciativa decorre nas Portas do Mar e pretende dinamizar pontes culturais no Atlântico, aproveitando a música e a gastronomia das diferentes comunidades que hoje vivem nos Açores.

Seis bandas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau Ucrânia e Moçambique animam este festival que terá igualmente uma tenda para servir almoços e jantares com comida de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Macau.

Estão agendados um workshop de Kizomba, um concurso de pintura " À descoberta de talentos”, e o Espaço Criança.

Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

PR guineense prudente no comentário sobre a morte de Kadhafi

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, disse hoje à Agência Lusa que desconhece a morte de Muammar Kadhafi, mas afirmou a sua tristeza caso venha a confirmar-se o desaparecimento do líder líbio deposto.

"Eu não sei. Estou a ouvir isso agora da sua boca", disse Malam Bacai Sanhá, a margem das cerimónias do início da reabilitação do Palácio da República, danificado pela guerra civil de há 12 anos.

Perante a insistência da Lusa em obter o comentário de Bacai Sanhá, um conhecido amigo de Kadhafi, o chefe de Estado guineense mostrou-se prudente.

"É triste e da forma como acontece. Mas gostaria de não fazer comentários", declarou o Presidente guineense.

O ex-líder líbio é considerado pelos dirigentes guineenses um amigo da Guiné-Bissau devido aos apoios que deu ao país a nível financeiro, político e material, sobretudo equipamentos, viaturas e géneros alimentícios para as Forças Armadas.

Muammar Kadhafi visitou Bissau, durante algumas horas, em março de 2009, dias depois dos assassínios do então Presidente guineense, 'Nino' Vieira, e do então Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié.

O destino do ex-líder líbio também foi motivo de polémica entre a presidência guineense e o Governo recentemente, quando o gabinete do chefe de Estado se distanciou da posição do executivo que, segundo o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, anunciou a possibilidade de Kadhafi se exilar na Guiné-Bissau caso quisesse.

As autoridades guineenses tratavam Muammar Kadhafi por "guide" isto é, o guia.

Nos primeiros meses do levantamento armado contra Kadhafi, realizaram-se varias manifestações de apoio ao ex-líder líbio em Bissau.

A Guiné-Bissau ainda não reconheceu formalmente o Conselho Nacional de Transição (CNT, órgão que de facto dirige a Líbia).

A embaixada da Líbia em Bissau não tem nenhuma bandeira hasteada, isto depois de o Governo ter ordenado a retirada da bandeira do CNT que, entretanto, tinha sido hasteada.

Guiné-Bissau continuará a juntar Portugal e Brasil na ONU

Interesse na estabilidade no país africano é tido como um dos elos da parceria, quando Portugal se prepara para dirigir o Conselho de Segurança e o Brasil deve cessar do mandato no órgão da ONU.


A Guiné-Bissau será tema da parceria Brasil-Portugal após cessação do mandato brasileiro no Conselho de Segurança, disse o embaixador de Portugal José Filipe Moraes Cabral.


O país europeu prepara-se para assumir a presidência rotativa do órgão, em Novembro, após ter sido eleito membro não-permanente para o biénio 2011-12 . No final deste ano, o Brasil deixa o Conselho de Segurança.

Instabilidade Política


Nos últimos anos, a Guiné-Bissau foi marcada pela instabilidade política, que culminou com o assassinato do então presidente João Bernardo Vieira em 2009. O Brasil preside a estratégia da ONU para a consolidação da paz no país de expressão portuguesa da África Ocidental.
O diplomata português disse à Radio ONU, em Nova Iorque, que temas como a Guiné-Bissau e Timor-Leste devem justificar a articulação entre os dois países.


Articulação

“Temos mantido com o Brasil, como é natural, uma estreita articulação com o no tratamento de diversas matérias.Questões como a Guiné-Bissau e Timor-Leste são, obviamente, questões às quais (interessam) o Brasil e Portugal no Conselho e segurança e fora dele. Mantemos em estas áreas uma coordenação.

Não nos esqueçamos que o Brasil mantém a presidência da Configuração da PBC sobre a Guiné-Bissau. Temos mantido em todas estas áreas um contacto estreito e uma coordenação com o Brasil e continuaremos a mantê-la independentemente do facto de o Brasil já não estar, no ano que vem, no Conselho de Segurança”, explicou.


Durante a presidência portuguesa do Conselho de Segurança, Timor-Leste deve ser levado à debate para a discussão do formato da presença internacional que deve substituir a missão da ONU no país, Unmit, que no fim deste ano cessa o respectivo mandato.


Para José Filipe Moraes Cabral, o primeiro ano de Portugal no órgão foi de acção, participação e contribuição para estabelecer pontes e formar consensos.

China reconstrói Palácio da República


A obra tem a duração prevista de treze meses

Bissau – O Governo da Guiné-Bissau assinou, no dia 23 de Setembro, um acordo com a República Popular da China, com o objectivo de reconstruir o Palácio da República, danificado durante o conflito de 7 de Junho de 1998.

José Antonio Cruz de Almeida, ministro das Infra-estruturas, revelou que o referido acordo consiste na edificação de uma nova construção de raiz, na parte traseira do Palácio da República, assim como na recuperação do edifício principal pela empresa chinesa, a Corporação de Engenheira e Construções de Fujian.


A referida obra tem a duração prevista de treze meses, numa área total de 4.425,5 metros quadrados e é estimado em mais de 7 milhões de dólares.


Nesta perspectiva, de acordo com ministro das Infra-estruturas, o referido contrato estipula noventa dias depois da assinatura deste memorando para início trabalhos, de forma a permitir que a empresa mobilize a chegada dos materiais, bem como o próprio serviço preparativos da reabilitação do Palácio da República.


«É um motivo de orgulho ver este espaço reabilitado, depois de tantos anos voltarmos a ter o Palácio da República reconstruído. Quero agradecer as nossas relações de cooperação com a República Popular da China», destacou José Antonio Cruz de Almeida.


Sobre estas obras já em curso, em fase inicial, este responsável informou que todas partes do imóvel que não tenham consistências vão ser demolidas e recuperadas.


«A face principal do edifício vai continuar tal como existiu desde a época colonial, assim como o seu espaço interior, vamos manter o estilo original», informou o ministro das Infra-estruturas.


Na outra perspectiva, relativamente à Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria e Estrada QG e Antula, o ministro das Infra-estruturas revelou que a cerimónia de inauguração destas rodovias terão lugar a 16 de Novembro. A data foi já comunicada ao Presidente da República, Malam Bacai Sanhà, e ao Chefe do Governo, Carlos Gomes Júnior.

As referidas obras foram executadas pela empresa AREZKY, cujos tempos de construção levaram pouco mais de um ano. No que diz respeito à Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria, trata-se de uma via com 7,5 quilómetros, que faz a ligação entre o aeroporto internacional Osvaldo Vieira e o centro da cidade.


Quanto às estradas do interior do país, o governante informou à PNN que ainda no decurso do mês de Outubro, o Governo vai lançar um concurso público para a construção da estrada Mansoa Farim, na região de Oio.


Também está previsto o início dos trabalhos de construção da estrada Buba Catió, na região de Tombali, sul do país.