quinta-feira, 20 de agosto de 2015

GOLPE DE ESTADO: Próximo PM da Guiné-Bissau enfrenta suspensão do PAIGC anunciada há 12 dias

O próximo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Baciro Djá, enfrenta um processo de suspensão do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) anunciado pelos órgãos dirigentes há 12 dias.


Bissau, 20 ago (Lusa) -

A posse ser-lhe-á conferida pelo Presidente da República, José Mário Vaz, hoje às 17:00 (18:00 em Lisboa) no Palácio Presidencial, em Bissau - no mesmo dia em que o nomeou para o cargo.

Baciro Djá é um político de 42 anos, formado em Psicologia, que já teve funções governativas e foi candidato à presidência do país em 2012.

Em fevereiro de 2014, apoiou Domingos Simões Pereira na candidatura à liderança do PAIGC no congresso de Cacheu (cidade no norte da Guiné-Bissau).

Depois de conduzir a campanha do partido nas eleições gerais (legislativas e presidenciais), integrou em julho de 2014 o Governo de Domingos Simões Pereira, assumindo a pasta da presidência do Conselho de Ministros.

Há cerca de dois meses, a 22 de junho, durante uma reunião do Comité Central do PAIGC, o primeiro-ministro e líder do partido, Domingos Simões Pereira, acusou Djá de comprometer "alguns objetivos de governação e o próprio relacionamento com outros titulares dos órgãos de soberania".

Sem detalhar as razões de desentendimento, o porta-voz do PAIGC, João Bernardo Vieira, remeteu apenas para as deliberações do encontro: "encaminhar para o Conselho de Jurisdição todos os elementos referenciados pelo 3.º vice-presidente [Baciro Djá] relativos a apoios do exterior" e reabrir as contas da última campanha eleitoral.

O porta-voz referiu que Baciro Djá era responsável pelo dossiê e nunca chegou a apresentar o relatório final das contas.

No dia seguinte, o governante anunciou a entrega do pedido de demissão ao líder do Governo e justificou a saída com uma "notória falta de confiança recíproca", entre ele próprio e Simões Pereira.

"Em nome da coerência, em nome da cultura de Estado e de responsabilidade, acho necessário e pertinente formular o pedido de demissão do cargo que até hoje estou a assumir", referiu.

Apesar de questionado pela Lusa, não quis explicar as razões da falta de confiança recíproca de que fala, remetendo mais pormenores para um "momento oportuno".

Sobre o que ia fazer, Baciro Djá afirmou-se um político e disse que ia continuar a exercer funções na Assembleia Nacional Popular (ANP), como deputado eleito.

A 08 de agosto, o ´bureau´ político do PAIGC anunciava a suspensão de militância decretada pela justiça do partido a Baciro Djá - decisão entretanto contestada pelo próprio nos tribunais.

Hoje toma posse como novo primeiro-ministro às 17:00, numa decisão do Presidente da República já classificada pelo PAIGC como inconstitucional.

Nos termos das consultas previstas na lei e enquanto partido maioritário no Parlamento, o PAIGC tinha proposto na segunda-feira que o chefe de Estado voltasse atrás e reconduzisse Domingos Simões Pereira.

LFO // APN
Lusa/fim

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