terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Parceiros lusófonos vão tentar encontrar dinheiro para realizar eleições presidenciais na Guiné-Bissau - MNE Angola

Lisboa, 07 fev (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola, Georges Chicoti, considerou hoje imperativa a realização de eleições presidenciais na Guiné-Bissau, adiantado que os parceiros lusófonos estão a tentar encontrar o dinheiro necessário à realização do escrutínio.

"A Guiné-Bissau confronta-se com uma situação que não previu, o passamento físico do Presidente Malam Bacai Sanhá, e isso coloca um vazio constitucional que tem que ser preenchido. (...) As eleições têm que se realizar agora, mesmo que tenham que fazer eleições legislativas em novembro", disse George Chicoti, representante do país que detém a presidência rotativa da CPLP.

O ministro angolano, que falava à margem de um colóquio sobre a CPLP, em Lisboa, reagia assim a declarações das autoridades guineenses, que na segunda-feira se queixaram de não dispor dos pouco mais de quatro milhões de euros necessários à realização eleições presidenciais, antecipadas para 18 de março devido à morte, no dia 09 de janeiro, do Presidente eleito Malam Bacai Sanhá.

© 2012 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Angola reafirma disposição de ajudar a Guiné-Bissau a sair do impasse

 Vice-presidente da República de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos

Vice-presidente da República de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos

Lisboa - O vice-presidente da República de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, reafirmou hoje, terça-feira, na capital lusa, a disposição do seu país de continuar a ajudar a Guiné-Bissau a sair do impasse em que se encontra, a prosseguir com as reformas e para que estas se concluam com êxito.

Fernando da Piedade fez tal pronunciamento quando procedia ao encerramento do colóquio “CPLP - uma oportunidade histórica”, organizado sob a responsabilidade da Comunidade.

Para o vice-presidente, o apoio que prestam, actualmente, no seio da CPLP ou bilateralmente, a Guiné-Bissau, é imprescindível para que este país renasça e se afirme no concerto das nações com todas as suas potencialidades.

Já ao nível da cooperação, a oportunidade histórica declarada em 1996 está cada vez mais evidente com a multiplicidade de parcerias e importantes projectos comuns aos Estados membros, que vêem se consolidando, tanto na saúde, educação, pescas, nas novas tecnologias, no comércio, indústrias, entre outros.

Assim, referiu, temas como o combate à pobreza e à segurança alimentar são incontornáveis nos encontros sob a bandeira da CPLP.

No prosseguimento, afirmou que o potencial de cada um dos Estados membros da Comunidade é grande o que faz com que cresçam as solicitações de muitos países para assistirem, participarem e até mesmo se tornarem observadores ou membros de pleno direito na Comunidade.

“Façamos com que este acervo comum, que tem a ver não só com as riquezas naturais, mas sobretudo com os povos e as suas culturas, nos permita avançar para mostrar ao mundo a determinação desta Comunidade de 250 milhões de habitantes capazes de se entender numa língua comum”, frisou.

Relativamente a CPLP, afirmou que esta deve continuar a ser um espaço de cooperação forte em que devem ser valorizados os potenciais de cada país.

A seu ver, os laços que unem os povos da Comunidade são suficientemente fortes para que encarem os problemas de forma conjunta e não como processos isolados de cada Pais, uma vez que só desta forma continuarão a edificar um espaço comunitário sólido, alicerçado numa história comum e num património indivisível, a língua portuguesa.

O colóquio “CPLP - Uma Oportunidade Histórica” contou com a participação de, entre outras individualidades, Jorge Sampaio, Joaquim Chissano, Pedro Pires e Mário Soares, e teve como moderador, Jaime Gama.

Kumba Ialá é candidato à Presidência da República

O antigo presidente da Guiné-Bissau e actual líder da oposição, Kumba Ialá, que tem vivido nos últimos anos no estrangeiro, chegou domingo a capital do país, Bissau, para se candidatar à Presidência da República.


O líder do Partido da Renovação Social (PRS) prestou homenagem a Malam Bacai Sanhá, o presidente eleito que morreu em Janeiro. Em declarações aos jornalistas, Kumba Ialá afirmou: “Venho para ficar e para me apresentar às eleições presidenciais e ganhar”, frisou.


Kumba Ialá disse que é preciso compreender a Guiné-Bissau e privilegiar “o diálogo, a paz e a tolerância” no país, e pediu a toda a oposição que forme “uma aliança em torno da sua candidatura, admitindo que pode haver outros candidatos do seu partido às eleições presidenciais.


O antigo presidente da Guiné-Bissau justificou o seu silêncio “por não querer intrometer-se nem perturbar quem estava a dirigir o país” e recusou fazer comentários à situação actual da Guiné-Bissau, “precisamente porque estava fora”.
Kumba Ialá prometeu o perdão total de “todos os erros do passado”, caso seja eleito Presidente da República da Guiné-Bissau.

Greve dos magistrados afecta processo eleitoral

Bissau - Os magistrados e os oficiais de justiça guineenses iniciaram,  segunda-feira, 6 de Fevereiro uma greve que terá a duração de trinta dias, em todo território nacional.

 

Esta paralisação está a afectar o processo de Eleições Presidenciais antecipadas, no que diz respeito à entrega e validação de candidaturas junto ao Supremo Tribunal de Justiça, para as eleições que terão lugar a 18 de Março.


As exigências da Associação dos Magistrados guineenses, Sindicatos dos Magistrados Judiciais e o Sindicato dos Oficiais de Justiça são as mesmas, ou seja, referem-se às condições de trabalho, à equiparação dos oficiais, bem como ao fornecimento de viaturas de trabalho para tribunais a nível do interior do país.


A greve acontece numa altura em que o prazo para a deposição de candidaturas está a terminar, sendo que a data limite está estipulada para 10 de Fevereiro.
No capítulo das movimentações políticas, o ultimo fim-de-semana ficou marcado com regresso de Koumba Yala ao país para tomar parte nas Eleições Presidenciais antecipas de 18 de Março.


Em declarações à imprensa, o Presidente do Partido da Renovação Social (PRS), informou que a sua formação política ainda não indicou o seu candidato à Presidência.


De volta a Marrocos, onde vive nos últimos anos, o líder do PRS disse à imprensa que regressou à Guiné-Bissau com o fim de participar no processo eleitoral mas, contudo, não avançou se será ele o candidato do seu partido, relegando o assunto para a decisão superior dos renovadores.


«Regressei para tomar parte nas Eleições, das quais ouvi falar através da imprensa internacional», referiu Koumba Yala aos jornalistas, na sede do PRS, depois de ter apresentado as condolências à viúva Mariama Mane Sanha, de onde seguiu para depositar uma coroa de flores na campa do antigo Presidente Malam Bacai Sanhá.
Interrogado sobre a escolha de Carlos Gomes Júnior como candidato do PAIGC, Koumba Yala não quis entrar em detalhes e sublinhou que cada partido tem a liberdade e método de selecção do seu candidato.


No aspecto político, Koumba Yala disse que o seu partido, neste momento, é o mais forte para o embate eleitoral que se avizinha, acusando o PAIGC de «aniquilar o país», nos últimos anos da sua governação.

MINISTROS DA CPLP DISCUTEM GUINÉ-BISSAU

Lisboa,  Os ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reunidos esta Segunda-feira em conselho extraordinário, análisaram as situações na Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, a segurança alimentar, entre outros pontos da agenda.


No encontro também foi discutido o relatório final de peritos convocados para debater a cooperação económica e empresarial no âmbito da comunidade lusófona, confirmou o vice-Presidente de Angola, Fernando Piedade dos Santos, na qualidade de país coordenador da presidência rotativa da CPLP, falando pouco antes do início da reunião.


A Guiné-Bissau tem vindo a conhecer uma instabilidade política, enquanto a Guiné Equatorial, actualmente com estatuto de membro observador, solicitou a sua integração na CPLP como membro efectivo, processo ainda em análise.
A reunião decorreu na nova sede da organização, inaugurada esta Segunda-feira, em Lisboa. Até as 20h00 locais (22h00 em Maputo) os ministros continuavam reunidos esperando-se que a qualquer momento fosse emitida uma declaração no final dos trabalhos.


Moçambique, que vai acolher a próxima Cimeira da CPLP, esteve representado no encontro pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi. A próxima cimeira está agendada para Julho deste ano em Maputo.


O edifício da nova sede da CPLP foi cedido por Portugal e é opinião consensual de que estão reunidas as condições para que a organização possa cumprir o seu desígnio. A CPLP completa, em 2012, 15 anos da sua criação.


A cerimónia de inauguração da nova sede da CPLP, dirigida pelo chefe de Estado português, Cavaco Silva, contou com a presnça de antigos Presidentes de Moçambique, Joaquim Chissano, de Portugal, Jorge Sampaio, de Cabo Verde, Pedro Pires, e de várias outras figuras, incluindo o Primeiro-ministro português, Passos Coelho, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, entre outros participantes.


No acto esteve igualmente presente o novo Embaixador de Moçambique em Portugal, Jacob Jeremias Nyambir.


Falando na ocasião, o Presidente português defendeu que a CPLP deve abrir-se 'mais ao contributo dos seus cidadãos' e que cada país membro deve prestar 'atenção acrescida' à evolução da sua sociedade civil.


'A CPLP tem de descer à rua e de se abrir mais ao contributo dos seus cidadãos, começando, desde logo, pelos mais jovens, para que estes a sintam como algo que lhes pertence, com que se identificam, como uma real mais valia nas suas vidas', sublinhou Cavaco Silva.


Cavaco Silva falou igualmente da necessidade da 'defesa da liberdade, da democracia, dos Direitos Humanos e do desenvolvimento económico e social', valores que considerou 'estruturantes e orientadores' da CPLP.


'Foram esses valores que ditaram, entre outras ações, o apoio que a CPLP prestou e vem prestando à consolidação dos regimes democráticos, em alguns dos nossos países irmãos' e que 'granjearam à CPLP o respeito e a credibilidade de que beneficia na cena internacional', disse.


O chefe de presidente português disse ser 'fundamental' que os chefes de Estado e Governo destes países continuem 'a deixar claro, no presente e no futuro, que são esses os valores que determinarão' as suas decisões e iniciativas.


No que diz respeito ao envolvimento da sociedade civil 'na vida da CPLP', Cavaco Silva reconheceu que muito já foi feito, mas que é preciso 'ir mais longe' e que essa é uma tarefa que envolve todos: 'Alargando os domínios de cooperação, atraindo uma maior diversidade de sectores da sociedade para as iniciativas da nossa comunidade, divulgando, mais e melhor, aquilo que somos e fazemos, mas também o que queremos ser e fazer'.


O chefe de Estado português elogiu aquilo que considerou de capacidade de concertação política no seio da CPLP, acrescentando ser 'outra área onde foram feitos progressos importantes', mas onde também é possível 'ir mais longe'.


Por seu turno, o vice-Presidente de Angolano, Fernando Piedade dos Santos reconheceu o esforço dos Estados-membros da CPLP, personalidades e instituições que têm trabalhado para permitir a afirmação da CPLP no contexto internacional.
'Independentemente dos contextos geopolíticos e geoestratégicos', é importante que os países se unam para que a CPLP seja capaz de 'vencer os desafios que se colocam na era da globalização', afirmou o vice-Presidente angolano.


'Pouco a pouco' a CPLP tem dado 'passos firmes' no caminho do reforço de uma cooperação 'reciprocamente vantajosa', disse Fernando Piedade dos Santos sublinhou que a comunidade 'será mais forte quanto mais fortes forem os Estados-membros.


'Querer é poder. Neste caso, nós queremos, logo, nós podemos', afirmou.
O Secretário-executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, também interveio na cerimónia, dando em foque o futuro da organização.


Simões Pereira mostrou-se convicto de que a CPLP “pode e deve dar muito mais a todos e cada um dos países”.
“Temos simplesmente de continuar a sonhar juntos e, através de políticas internas coerentes e partilha das melhores práticas e sinergias a nível multilateral, transformar o sonho em realidade”, sublinhou.


Falando à jornalistas no final da cerimónia, o ex-Presidente português, Jorge Sampaio, confirmou que a sociedade civil está 'profundamente envolvida' na CPLP, nomeadamente as universidades e instituições científicas, mas admitiu que é sempre possível fazer mais.


'Isto significa estar na rua, estar em projectos que são importantes para as pessoas, e isso a CPLP tem estado a fazer. É preciso fazer mais? Com certeza que é. É sempre'.

Segundo Jorge Sampaio, há um conjunto de actividades, nomeadamente no ensino superior e nas ciências, que têm hoje a bandeira da CPLP, o que tem importância para os países-membros, mas também ao nível da política internacional.


Para além de Portugal, fazem parte da CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Nova sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa inaugurada em Lisboa

A nova sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, no Palácio Conde de Penafiel, foi esta manhã inaugurada em Lisboa.
O Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, e o vice-presidente da República de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, descerraram, na presença de personalidades dos Estados-membros da organização, a placa que assinala a ocasião.


Para a tarde desta segunda-feira está prevista uma reunião extraordinária do conselho de ministros da CPLP, com as situações na Guiné-Bissau e Guiné Equatorial e a segurança alimentar nutricional em agenda, este, de acordo com o assessor de imprensa da organização, António Ilharco, um dos temas fortes para próxima cimeira, marcada para julho em Maputo, Moçambique.


No âmbito da inauguração da sede vai ter lugar um colóquio subordinado ao tema CPLP – Uma Oportunidade Histórica, no qual participarão antigos presidentes dos Estados-membros como Jorge Sampaio, Mário Soares, Joaquim Chissano e Pedro Pires.


Durante a cerimónia que decorreu esta manhã, Cavaco Silva sugeriu a criação de «uma bolsa única de recursos humanos e financeiros» na Comunidade de Países de Língua Portuguesa para apoiar a promoção de língua portuguesa e programas de cooperação entre os membros da organização.


«A língua portuguesa há muito justifica a sua elevação a língua oficial nos diferentes organismos internacionais de que são membros os Estados da CPLP, começando, desde logo, pelas próprias Nações Unidas. A nossa língua é, hoje, a sexta mais falada no mundo e, mais importante, um dos idiomas em maior expansão, fruto não só do crescimento demográfico dos nossos países, mas também fruto do aumento exponencial do interesse que vem suscitando a nível global», afirmou o Presidente da República Portuguesa, sustentando, por isso, que os países da CPLP devem apostar prioritariamente «na educação e na formação» do português, devendo, para isso, ser acertada «uma concertação de esforços a nível político que permita criar condições logísticas e financeiras para que aqueles que dispõem de meios humanos possam apoiar quem mais deles necessita».


«A CPLP poderia ser o fórum ideal para essa reflexão conjunta e para adoção de programas de cooperação abrangendo todos os seus membros, com base numa bolsa única de recursos humanos e financeiros», declarou o governante português.
A CPLP, atualmente presidida por Angola, foi criada a 17 de Julho de 1996, por Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Em 2002, após conquistar independência, Timor-Leste foi acolhido na organização.


A presidência angolana foi, entretanto, elogiada pelo secretário executivo da CPLP, o guineense Domingos Simões Pereira, que afirmou que o País tem feito um «esforço enorme» para elevar o nome da organização.

CNE avisa que está sem dinheiro para preparar eleições de 18 de março

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau pode ficar sem dinheiro para preparar os atos prévios no âmbito das presidenciais antecipadas de 18 de março, declarou hoje o presidente da instituição, Desejado Lima da Costa.

O responsável falava aos jornalistas a saída de uma audiência com o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, a quem disse ter ido explicar da situação da tesouraria da CNE

«Estou cá para debater essa questão com o primeiro-ministro. A CNE tem um défice de 1,5 milhões de euros, é preciso arranjar dinheiro para ultrapassar essa dificuldade que é essencial», disse Lima da Costa.

Lusa

Bissau espera solidariedade para ultrapassar dificuldades

A Guiné-Bissau espera do conselho de ministros extraordinário da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), que decorre hoje em Lisboa, a solidariedade que permita ao país ultrapassar as dificuldades que enfrenta.

"Esperamos a solidariedade dos países membros da CPLP em relação a um país irmão que está em dificuldades", disse à agência Lusa o ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau, Mamadu Djaló Pires, à entrada para a reunião.

Segundo Djaló Pires, uma das principais dificuldades prende-se com as reformas no setor da Defesa e segurança, dependentes da assinatura de um memorando de entendimento tripartido, entre a Guiné-Bissau, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e CPLP.

"Houve algumas dificuldades de ordem técnica, de interpretação das decisões da cimeira da chefes de Estado e de governo da CEDEAO, mas tudo se resolveu na semana passada com a deslocação a Abuja (Nigéria, país que preside à organização regional africana) de uma missão de Angola, que detém a presidência da CPLP.

"Tanto quanto sei, registou-se um avanço e espero agora regressar a Bissau para assinarmos o acordo", referiu o ministro guineense à Lusa, adiantando que o ideal seria assinar o documento já na próxima semana, ou o mais tardar dentro de 15 dias.

Apesar das várias reuniões realizadas, o acordo está para ser rubricado desde outubro passado.

O conselho de ministros extraordinário da CPLP, convocado para o dia da inauguração da nova sede em Lisboa da instituição, e que reúne os chefes das diplomacias dos oito países membros ou seus representantes, foi aberto pelo ministro das Relações Exteriores angolano, Jorge Chicoty , que destacou a presença na reunião do vice-presidente de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos "Nandó", em representação do chefe de Estado, José Eduardo dos Santos.

A ordem de trabalhos anunciada por Chicoty inclui debates sobre a segurança alimentar, cooperação económica, situação na Guiné-Bissau e a adesão da Guiné Equatorial à CPLP, estando prevista a divulgação de um comunicado para o fim do encontro.

Ainda na presença dos jornalistas -- o resto da reunião decorre à porta fechada -- usou da palavra o vice-presidente de Angola que fez votos que o resultado do conselho pudesse traduzir uma nova dinâmica para a CPLP.

"Temos dado passos seguros. Alguns pensam que poderíamos andar mais depressa, mas é melhor darmos passos seguros", defendeu Fernando Dias dos Santos, concluindo que os países da CPLP "têm uma história comum, têm atos de solidariedade solidificados e vão encontrar campos de cooperação que sejam de facto dinamizadores da comunidade".

domingo, 5 de fevereiro de 2012

PRESIDENCIAIS DA GUINÉ-BISSAU Carlos Gomes Júnior é o candidato do PAIGC

Carlos Gomes Júnior recebeu 244 votos.

O presidente do PAIGC e atual primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, foi hoje escolhido pelo partido para ser o candidato a Presidente da República, nas eleições de 18 de março.

A escolha, por larga maioria, foi feita pelo comité central do PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde), composto por 351 elementos, que hoje se reuniu na sede do partido, em Bissau.

Carlos Gomes Júnior recebeu 244 votos. Doze votaram contra e 10 abstiveram-se.

Vários dos elementos do comité central abandonaram a sala, em protesto pelo método de votação, que foi de braço no ar.

A candidatura de Serifo Nhamadjo, atual presidente interino da Assembleia Nacional, tinha proposto o voto secreto mas o partido não optou por essa solução.

A Guiné-Bissau tem eleições presidenciais marcadas para 18 de março, na sequência da morte prematura do anterior chefe de Estado, Malam Bacai Sanhá, devido a doença.

Está para breve acordo CEDEAO-CPLP sobre reformas, diz primeiro-ministro

Bissau, (Lusa) - O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, disse hoje acreditar que está para muito breve a assinatura de um acordo para que "finalmente" sejam desbloqueadas verbas para a reforma das forças de defesa e segurança.

Na última madrugada, o secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, Manuel Augusto, partiu para Abuja, na Nigéria, para se encontrar com o Presidente em exercício da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), Goodluck Jonathan, para discutir esse assunto, disse Carlos Gomes Júnior.

O primeiro-ministro chegou hoje a Bissau depois de ter participado na Etiópia na cimeira da União Africana (UA), no passado fim de semana.

"Penso que se vai chegar a um acordo, finalmente, para que o protocolo seja rubricado. A partir desse protocolo imediatamente lançaremos o fundo de pensões, do qual já temos uma lista, que nos foi facultada pelo Ministério da Defesa e pelo Ministério do Interior", disse o primeiro-ministro guineense.

A reforma das forças de defesa e segurança implica a aposentação de centenas de elementos das forças armadas e da polícia, mas o Governo não tem dinheiro para pagar essas reformas, o que tem estado a ser negociado com outros países e instituições. A CEDEAO e a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) são duas instituições importantes no processo, mas ainda não chegaram a acordo. Angola preside atualmente à CPLP.

Segundo Carlos Gomes Júnior, numa reunião com parceiros para angariação de verbas para a Guiné-Bissau, ocorrida à margem da cimeira da UA, Angola teve "uma participação importante através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Georges Chicoti, de sensibilizar a CEDEAO para a assinatura imediata do protocolo de entendimento entre a CEDEAO, a CPLP e a Guiné-Bissau, para o desbloqueamento do fundo de pensões".

Nesse encontro à margem da cimeira, disse também o primeiro-ministro, debateu-se não só a reforma das forças de defesa e segurança "mas também o apoio imediato que deve ser dado à Guiné-Bissau" com vista ao lançamento da economia do país, através de um encontro de doadores que está previsto para o primeiro trimestre deste ano.

"A Guiné Equatorial deu um apoio fundamental para que os doadores fossem sensibilizados. O ministro dos Negócios Estrangeiros disse que o Governo está pronto, desde que seja apresentado um projeto a coberto da CEDEAO com a CPLP, para imediatamente financiar o setor da defesa e segurança", disse também Carlos Gomes Júnior.

No âmbito da viagem à Etiópia, o primeiro-ministro manteve também encontros com o chefe do Governo da Guiné-Conacri, para "debater estrangulamentos da cooperação", com o primeiro-ministro do Togo, com quem debateu a cooperação entre os dois países, e com o Presidente do Senegal, onde se inicia domingo uma campanha eleitoral num ambiente de grande tensão.

Lusa

Conselho extraordinário de ministros na 2.a feira sobre Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e segurança alimentar

Lisboa,  (Lusa) -- Os ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vão reunir-se em conselho extraordinário na segunda-feira, com as situações na Guiné-Bissau e Guiné Equatorial e a segurança alimentar na agenda, disse à Lusa fonte da CPLP.

António Ilharco, assessor de imprensa da CPLP, adiantou que a segurança alimentar e nutricional será "um dos temas fortes" da próxima cimeira da CPLP, agendada para julho deste ano em Maputo (Moçambique).

A mesma fonte adiantou que no conselho de ministros extraordinário será ainda discutido o relatório final do grupo de peritos convocado para debater a cooperação económica e empresarial no âmbito da comunidade lusófona.

Entre quinta-feira e sábado, um grupo de peritos dos oito países que integram na CPLP reuniu-se na sede da organização, em Lisboa, para ajudar a pôr em prática uma "parceria inovadora" entre Estado e setor privado, para, disse à Lusa o economista guineense Paulo Gomes, "acelerar a cooperação empresarial".

O objetivo passa por criar "sinergias entre empresas" e "arranjar os instrumentos necessários" para que a "cooperação empresarial possa ser muto mais eficiente e mais rápida", explicou o ex-administrador do Banco Mundial para África e atual presidente do fundo de investimento Constelor e administrador do banco pan-africano Ecobank.

O relatório final deste grupo será conhecido no sábado.

SBR.

Lusa

União Europeia apoia eleições com 300 mil euros e promete mais dinheiro

Bissau - A União Europeia vai disponibilizar 300 mil euros para apoio imediato às eleições presidenciais de 18 de Março de 2012 na Guiné-Bissau, anunciou hoje (sexta-feira) o delegado do bloco europeu em Bissau, Joaquim Gonzalez Ducay, prometendo mais fundos posteriormente.

Gonzalez Ducay, citado hoje pela Rádio Nacional, deixou a promessa no final de um encontro entre o Governo e a Comissão Nacional de Eleições (CNE) com os parceiros do país para a mobilização de pouco mais de quatro milhões de euros para as eleições de Março.

O representante dos "27" em Bissau foi dos poucos diplomatas presentes no encontro a anunciar prontamente o apoio da sua instituição, ficando a maioria dos embaixadores e chefes de missão de dar uma resposta após contactarem com os seus governos e instituições. 

De acordo com o secretário de Estado da Cooperação Internacional guineense, Lassana Turé, Portugal comprometeu-se "como sempre fez nos processos eleitorais" a garantir todo material da logística eleitoral.

O delegado da União Europeia afirmou que os 300 mil euros serão mobilizados num fundo existente no país na verba que era destinada para o apoio a consolidação democrática.

Gonzalez Ducay disse ainda que a UE vai disponibilizar mais verbas, embora não tenha indicado a quantia ou a data da entrega.

Francisco Benante quer apoio do PAIGC nas presidenciais

Bissau - O antigo presidente do Parlamento da Guiné-Bissau, Francisco Benante, é um dos dirigentes do PAIGC, no poder, que pretende ser o candidato do partido nas eleições presidenciais antecipadas de 18 de Março de 2012, noticia a LUSA.

A informação foi avançada hoje (sexta-feira) numa conferência de imprensa promovida pelo secretário nacional do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), Augusto Olivais, para anunciar os preparativos para a reunião do Comité Central do partido, que terá lugar no sábado, em Bissau.

É na reunião do Comité Central, que é antecedida hoje do encontro do 'bureau' político, que o partido vai decidir qual dos dirigentes é que vai apoiar nas presidenciais de 18 de Março.

Além de Francisco Benante, ex-líder do PAIGC, entregaram a carta do pedido de apoio formal do partido Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro e actual presidente (do PAIGC), e Serifo Nhamadjo, presidente interino do Parlamento.

Fontes do PAIGC disseram à Agência Lusa que Baciro Djá, actual ministro da Defesa, e Soares Sambú, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e ex-conselheiro do falecido Presidente guineense Malam Bacai Sanhá, serão outros dois candidatos da esfera do PAIGC embora os dois não tenham ainda formalizado o pedido de apoio ao partido.

Os 351 membros do Comité Central, órgão máximo entre os Congressos do PAIGC, reúnem-se no sábado e só depois se saberá quem será o candidato do histórico partido nas presidenciais antecipadas de 18 de Março.

Quem também se posicionou publicamente a partir de hoje como candidato à presidência da República guineense foi o empresário e antigo chefe de Estado interino do país Henrique Rosa.

Em conferência de imprensa, Henrique Rosa afirmou-se "pronto" para ajudar a "dar um rumo verdadeiramente estratégico" ao país.

Henrique Rosa disse que, contrariamente ao discurso oficial, há muita coisa que não vai bem no país, apontando o alto nível da corrupção, as reformas por se fazer, o combate à pobreza e um desnível na distribuição da riqueza nacional.

"A Guiné-Bissau precisa de um novo impulso e de ética na política e de mudanças no bom sentido. O Presidente da República tem de ser um impulsionador e alguém que represente essa nova esperança", defendeu, ao justificar a sua candidatura à presidência do país.

Henrique Rosa foi o terceiro candidato mais votado nas eleições presidenciais antecipadas de 2009, que foram ganhas por Malam Bacai Sanhá numa segunda volta, então disputada contra Kumba Ialá, o candidato apoiado pelo PRS (maior partido da oposição).

Malam Bacai Sanhá morreu a 09 de Janeiro desta no, vítima de doença, o que levou à antecipação das eleições.