sexta-feira, 12 de abril de 2013

Presidência de transição da Guiné-Bissau classifica de "criminosas" as informações que relacionam PR com droga

A Presidência da República de transição da Guiné-Bissau apelidou hoje de "informações criminosas, porque falsas e caluniosas", notícias sobre o alegado envolvimento do Presidente e do primeiro-ministro em questões relacionadas com tráfico de droga.

Alegados traficantes de droga guineenses detidos nos Estados Unidos terão dito, no âmbito do processo que levou à sua captura pelas autoridades norte-americanas, que tinham ligações com o Presidente e o primeiro-ministro de transição e que os mesmos estavam a par da operação de tráfico de droga.

Um dia depois de o Governo já ter desmentido qualquer ligação, a Presidência da República fez hoje um comunicado no qual repudia tais notícias.

O Presidente, Serifo Nhamadjo, garante e reafirma ao país e à comunidade internacional que nada "o fará desviar, o mínimo que seja, dos nobres, honrosos e patrióticos compromissos que perante o mundo assumiu para com o país, de concentrar todas as suas energias e capacidades, para levar a bom termo o mandato de transição em que está investido, como o mais alto magistrado da nação guineense", diz o comunicado.

No mesmo documento, o Presidente alerta a comunidade internacional de que "é de esperar que estas insidiosas e criminosas campanhas não irão parar por aqui, antes pelo contrário, tenderão, por desespero da causa, a recrudescer à medida que o país vai progredindo rumo a normalidade institucional".

A Presidência diz que não voltará a falar do assunto, sejam quais forem "as provocações e as atoardas que os adversários venham a intentar".

Forças Armadas acreditam na justiça dos EUA no caso Bubo Na Tchuto

Bissau- O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau afirmou  (quinta-feira) acreditar na justiça norte-americana para um tratamento justo no processo do ex-chefe da Armada Bubo Na Tchuto, suspeito de tráfico de droga.


Falando à Agência Lusa no âmbito do balanço de um ano após o golpe de Estado que destituiu as autoridades eleitas, Daba Na Walna aproveitou para comentar que tudo o que se sabe até agora sobre a captura de Bubo Na Tchuto pelas autoridades norte-
americanas é através da imprensa.


"Acredito na justiça norte-americana. Se há país no mundo em que a justiça funciona com imparcialidade são os Estados Unidos e, como disse o governo, Bubo Na Tchuto terá um tratamento como qualquer um, terá o seu advogado para lhe garantir a
defesa. Vamos aguardar para ver o que vai ser", declarou Na Walna, frisando ser  prematuro tecer mais comentários. 

O porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas sublinhou que Bubo Na Tchuto já não fazia parte dos quadros desde que passou à reserva em Dezembro de 2011, na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado de que seria autor.  

"Mas seja como for, como cidadão e como militar, não deixa de entristecer um pouco saber que o meu concidadão foi capturado por um outro país e seguramente será submetido à justiça nesse país", notou Na Walna. 

O oficial militar abordou igualmente a actual situação da Guineé-Bissau, destacando ser praticamente impossível realizar eleições gerais ainda este ano por falta de agenda nacional que balize o período de transição. 

Ao ser solicitada uma data excata para as eleições, Na Walna disse que prefere dizer o que o Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, tem dito.


"Assumiria a posição do Presidente da República. Que não é apologista de uma transição 'ad eternum' (sem fim) mas também não é apologista de uma transição feita à pressa", disse Na Walna, atirando "as culpas" para a classe política por aquilo que
diz ser a estagnação geral do país.

"Trinta e nove anos já se passaram desde a independência, vejam o que o nosso país é. Isto é uma miséria. Digo isso francamente, quando oiço políticos a dizerem que são políticos, eu pergunto, mas qual a vossa experiencia política, que não se traduz em
bem-estar social do povo. O país está como está. A capital Bissau está com ruas esburacadas, isto não obstante o país ser rico em recurso minerais", disse o coronel. 

Para Na Walna é "um pingue-pongue" o exercício que se faz no país sobre as eventuais responsabilidades entre os políticos e os militares sobre a situação da Guiné-Bissau.  

O porta-voz do Estado-Maior citou como exemplo do ex-Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que considera preferir uma "política de terra queimada" em vez de privilegiar o interesse nacional. 

Na Walna disse ter ficado perplexo quando ouviu Gomes Júnior a afirmar que se for  eleito Presidente da República não irá respeitar os acordos assinados pelo actual governo de transição. 

Quanto aos países lusófonos com os quais as autoridades de transição praticamente não falavam desde o golpe de Estado, o porta-voz do exército guineense enalteceu que "paulatinamente" as portas se estão a abrir de novo.


E disse que a Guiné-Bissau "nunca cortou as relações" com Angola, com Portugal e com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa no seu todo.

Passado 1 ano do golpe do 12 d'Abril, o cenário da encruzilhada não poderia ser maior, sobretudo após a detenção de Bubo Na Tchuto pela (DEA),

Artigo do Jornal Expresso-Portugal

Raúl M. Braga Pires, em Rabat (www.expresso.pt)

Guiné-Bissau: 13% mais próximo da guerra!

No âmbito da deslocação a Cabo Verde: Ramos-Horta recomenda às autoridades de Bissau que não procurem problemas com vizinhos

Bissau - O Representante Especial do Secretário-Geral da ONU para a Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, recorreu à metáfora para responder, quando questionado pelos jornalistas sobre a alegada catalogação de Cabo Verde como um «mau vizinho», pelo Procurador-Geral da República guineense, Abdu Mané.

«Quem tem telhados de vidro não deve procurar problemas com vizinhos»,disse Ramos-Hora no final do encontro que manteve no início da tarde desta quinta-feira, 11 de Abril, na Cidade da Praia, com o Presidente da República de Cabo Verde.


Embora sem especificar o nome da Guiné-Bissau, o Representante respondia assim à pergunta dos jornalistas, que entenderam que a expressão usada esta quarta-feira por Abdu Mané em Bissau, «mau vizinho», se travava de uma referência a Cabo Verde.


Sempre usando metáforas, o Prémio Nobel da Paz considerou não ser uma boa estratégia procurar inimigos nos vizinhos, quando a casa não está em ordem.


O Presidente de Cabo Verde preferiu contornar a situação, dizendo ser uma «inferência» entender que o Procurador-Geral da República guineense se referia ao arquipélago.


Jorge Carlos Fonseca reiterou que «os cabo-verdianos são amigos dos guineenses» e que o arquipélago está engajado em ajudar a Guiné-Bissau a retomar a estabilidade e, particularmente, a realizar eleições.


Aliás, Ramos-Horta deixa Cabo Verde esta quinta-feira, 11 de Abril, com a garantia de que a Praia vai usar a sua influência e competências para contribuir para a realização de eleições na Guiné-Bissau, depois de se ter reunido com o ministro das Relações Exteriores, o Primeiro-ministro e o Presidente da República.


Quanto ao processo eleitoral, o Representante Especial do Secretário-Geral da ONU acredita ser possível a sua realização ainda este ano, ao contrário do que tem dito o Governo de transição.


Posição semelhante tem o Representante Especial da União Africana na Guiné-Bissau, para quem as eleições dependem principalmente da organização interna do país. Ovídio Pequeno foi mais longe e avisou que «esta pode ser a última oportunidade para a Guiné-Bissau».


Entretanto, uma fonte das Nações Unidas na capital guineense disse ser «impossível a realização de eleições por falta de todo o tipo de meios, a começar pelos logísticos».


Aqueles dois diplomatas regressam hoje a Bissau, depois de uma visita de dois dias a Cabo Verde, durante a qual Ramos-Horta se encontrou também com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, António Patriota.

O representante do Secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos Horta
(00:26)
 
 
Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca
(00:38)
 
 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PGR da Guiné-Bissau nega ligações entre narcotraficantes e Governo e presidência

Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau, Abdu ManéBissau, 10 abr (Lusa) - O Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau, Abdu Mané, disse hoje que as acusações de ligações de narcotraficantes ao Governo e à Presidência do país são falsas e falou de "uma campanha negra contra o Estado".

Abdú Mané falava hoje aos jornalistas após uma reunião com o primeiro-ministro do Governo de transição, Rui de Barros, um dia depois de terem sido conhecidos dados sobre o caso da detenção de alegados narcotraficantes guineenses por parte dos Estados Unidos, entre eles o antigo chefe da marinha Bubo Na Tchuto.

Dois dos acusados terão admitido ligações com o primeiro-ministro e com o Presidente de transição.

Hoje, o Procurador disse que o Ministério Público não se quer pronunciar muito sobre o caso, por aguardar mais informações das autoridades norte-americanas, mas falou de uma campanha contra a Guiné-Bissau, país que infelizmente tem "bons e maus vizinhos".

"Há maus vizinhos, as pessoas não devem de ter a memória curta. A Guiné-Bissau sempre fez tudo ao nível dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e é pena que hoje a Guiné-Bissau esteja nesta situação", disse, sem dar mais explicações.

Abdu Mané frisou que "assuntos de Estado devem de ser tratados de forma séria" pelo que sem elementos suficientes não se vai pronunciar. E afiançou que a Guiné-Bissau vai trabalhar "de mãos dadas" com a comunidade internacional no que se refere à Justiça.

O responsável disse também que é preciso "ter coragem de falar" mas com "certeza e segurança jurídica", porque não se pode falar com base em rumores. "Tudo o que tem sido posto na rua tem sido na base de rumores, não podemos continuar a trabalhar na base de rumores", disse, acrescentando que a colaboração com a comunidade internacional na luta contra o narcotráfico e impunidade tem de ser "na base de coisas reais".

Abdu Mané disse ainda aos jornalistas que falou com o primeiro-ministro do andamento de outros processos a serem investigados pela Procuradoria e elogiou a colaboração da Procuradoria-Geral da República de Portugal.

Dos processos em investigação, nomeadamente assassina, disse o procurador que "o único que está relativamente atrasado" é o caso da morte do antigo Presidente "Nino" Vieira, por ser necessário ouvir pessoas que estão no estrangeiro.

Nos casos dos assassínios, há quatro anos, de Baciro Dabó e Helder Proença, "a cooperação judiciária internacional está a trabalhar muito bem".

"Emitimos duas cartas rogatórias e temos tido uma colaboração da parte da Procuradoria portuguesa. Não falo da parte política, agora a cooperação judiciária relativamente a Portugal estamos satisfeitos no Ministério Público, há uma colaboração, uma disponibilidade quase que permanente da parte da Procuradoria. Não temos razões de queixa e os processos estão bastante avançados", disse.

Abdu Mané adiantou ainda que outros casos, como o do alegado desvio de 12 milhões de dólares oferecidos por Angola, estão bastante avançados, sem adiantar pormenores devido ao segredo de justiça.

FP // VM

Lusa

PRS lamenta captura de Bubo Na Tchuto

Bissau - O Partido da Renovação Social (PRS), segunda maior força política da Guiné-Bissau, lamenta a captura do ex-chefe da Armada Bubo Na Tchuto pela justiça norte-americana por suspeita de tráfico de droga, mas espera mais dados sobre o assunto. 

A posição foi transmitida hoje aos jornalistas por Florentino Pereira, secretário-geral do PRS, à margem de uma reunião da comissão política do partido, que está a ter lugar num hotel de Bissau.

"É lamentável o que aconteceu com o contra-almirante Bubo Na Tchuto.  Mas estamos, neste momento, sem informações oficiais para podermos ter uma posição sólida sobre a questão. Esperamos que o Governo fará o seu trabalho que é contactar as autoridades americanas para saber no fundo o que aconteceu com os nossos compatriotas que foram levados para os Estados Unidas", disse Pereira.   

O responsável abordou também a situação da política interna do país, salientando que o Partido da Renovação Social "agora exige" que as eleições gerais tenham lugar ainda no decorrer deste ano.  

"Que fique claro, nós exigimos, agora estamos a exigir, a realização de eleições o mais rápido possível e ainda dentro deste ano. Até 31 de Dezembro, o PRS quer que se realizam as eleições gerais, presidenciais e legislativas", afirmou Florentino Pereira.    

Sobre a formação de um novo Governo que inclua todas as forças políticas da Guiné-Bissau, tal como exige a comunidade internacional para voltar a cooperar com o país, o secretário-geral do PRS diz que concorda com a ideia.

"O PRS sempre defendeu a inclusão. Concordamos com a criação de um Governo de inclusão, mas nos termos justos. Uma inclusão que deve respeitar o princípio de justiça, isto é, sem desequilíbrios. Mas na hora própria, no momento de discussão, vão conhecer a posição do PRS", destacou Pereira.   

Director-geral do Serviço de Informação do Estado foi exonerado : Documento não revela motivos

Bissau - O Diretor-geral de Serviço de Informação do Estado (SIE), Serifo Mane, foi exonerado das suas funções, esta quarta-feira, 10 de Abril.

A ordem de serviço, assinada pelo ministro do Interior do Governo de transição, António Suca Ntchama, não especificou os motivos do afastamento de Serifo Mane do cargo, tendo apenas indicado o Coronel Nhaga Oliveira como substituto nas funções, a título interino.


De acordo com o documento, o assunto já é do conhecimento do Chefe de Estado Maior-general das Forças Armadas, António Indjai, e do Primeiro-ministro de transição, Rui Duarte Barros.


Uma das razões da exoneração de Serifo Mane, poderá estar ligada ao recente caso de detenção de cinco cidadãos guineenses, pelas autoridades norte-americanas, em território nacional, sem o aviso às autoridades de transição por parte do SIE, acerca da operação em curso na Guiné-Bissau.


Outro possível motivo prende-se com o mau relacionamento entre o ex-Director-geral do SIE e o ministro do Interior, desde os primeiros tempos da sua indicação ao cargo.


Serifo Mane terá dedicado mais o seu tempo em concertação com Rui Duarte Barros e o Presidente de transição, Manuel Serifo Nhamadjo.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Golpe fez regredir todos os indicadores

Bissau - O golpe de Estado de há um ano fez regredir todos os indicadores da Guiné-Bissau, incluindo o respeito pelos direitos humanos, dizem analistas ouvidos pela Lusa, um deles a defender mesmo uma "administração internacional" para salvar o país. 

"Tem de haver uma administração internacional e tem de começar desde já, com a organização das eleições, tem de começar a intervir e com uma intervenção pró-activa", defende o analista Rui Landim, a propósito do primeiro aniversário do golpe de Estado de 12 de Abril de 2012, que derrubou o poder legítimo.

Porque o país "piorou" em todos os domínios, defende o analista que seja a comunidade internacional a "intervir com mais afinco" e que seja o Conselho de Segurança das Nações Unidas a marcar a data das eleições e a ONU a apoiar depois "uma nova administração internacional, para se reconstituir um Estado que não existe".

"Os ministros que tratem dos aspectos políticos, os aspectos técnicos e administrativos devem de ser decididos pela comunidade internacional. Que não seja permitido que qualquer Primeiro-ministro, qualquer ministro, nomeie parentes, filhos e tios", diz Rui Landim, para quem "um Estado muito partidarizado enfraquece as instituições democráticas".

Até agora, as nomeações familiares ou partidárias (mesmo antes do golpe) "destruíram as instituições", afirma o analista, acrescentando: "há golpes de Estado militares mas há golpes de Estado que se fizeram durante muito tempo, golpes nas instituições, que são relegadas para segundo ou terceiro plano e são as vontades das pessoas que imperam". 

No entender de Rui Landim, "é sempre mau" uma rotura da ordem constitucional, embora por vezes seja "a última saída" (exemplo do 25 de Abril em Portugal). Mas no caso da Guiné-Bissau, o último golpe militar, e outros anteriores, desde a guerra de 1998, só têm feito regredir o país. 

Não foi diferente o de 12 de Abril: "todos os indicadores macroeconómicos e sociais mostram que há uma grande regressão", para já não falar "do respeito pelos direitos humanos", que na Guiné-Bissau "caiu grandemente", avisa Rui Landim.

Fodé Mané, antigo director da Faculdade de Direito de Bissau, explica de outra forma uma ideia quase idêntica. Antes do golpe de há um ano já havia "turbulência política" e havia manifestações constantes contra má governação e mau funcionamento da Justiça, lembra.
"Quando houve o golpe de Estado em que saíram vencedores os que contestavam o regime esperava-se que fizessem algo diferente. Será que temos melhor Justiça? Creio que não", diz o analista, considerando que ao contrário houve reformas que pararam e o Ministério Público foi politizado, pelo que houve nessa matéria "um falhanço total". 

"O golpe tinha como um dos pressupostos que havia perseguições e instabilidade. Não deixou de haver mortes depois do golpe e continuamos com restrições à liberdade, como a de informação, de expressão, de manifestação e mesmo até de circulação", acusa Fodé Mané, que critica ainda não haver um calendário para as eleições nem um processo de reconciliação nacional, algo que estava a ser preparado antes do golpe de há um ano. 

Neste último ano, sintetiza Fodé Mané, "o país não se encontrou" e houve "retrocesso" em todos os indicadores, das exportações à produtividade. E aumentaram as tensões entre as várias instituições, como o Parlamento, o Governo ou a Presidência, a que se juntou uma diplomacia débil, de confronto, que redundou "num fracasso total". 

E no poder estão as pessoas que se manifestaram semanalmente no passado e que hoje proíbem as marchas e exercem censura na comunicação social estatal, acrescenta.

O analista defende que se realizem eleições ainda este ano, como também Rui Landim, com ambos a criticar que não haja já uma agenda com datas marcadas. Segundo Rui Landim, não há uma perspectiva de esperança para a Guiné-Bissau e o país vive sim "num clima nebuloso".

Arquivo cinematográfico em risco já pode ser visto no país

Lisboa - O material cinematográfico da Guiné-Bissau que saiu para tratamento na Alemanha já regressou ao país, digitalizado e pronto para ser visto, disse à Lusa o director do instituto nacional de cinema guineense.  

Em entrevista à Lusa, Carlos Vaz recordou como chorou quando, em 2004, encontrou o arquivo cinematográfico guineense "debaixo de chuva" e pensou: "O meu filho, o meu neto têm direito de saber esta história. Ninguém tem direito de privar as gerações vindouras.  

O director do Instituto Nacional do Cinema e do Audiovisual (INCA) da Guiné-Bissau veio a Lisboa para apresentar, no âmbito do FESTin, festival de cinema de língua portuguesa, a curta-metragem "Sexo, Amor e SIDA", com a qual quis abordar "o relacionamento humano" entre um casal afectado pela doença.  

Transformando o tratamento do arquivo no seu "cavalo de batalha", procurou apoios internacionais, sem resultados, até se cruzar com Filipa César, artista portuguesa que prometeu ver o que podia fazer na Alemanha, onde vive.  

Apresentou um projecto e conseguiu apoio para "fazer o primeiro diagnóstico do arquivo cinematográfico" guineense, conta Carlos Vaz.  

A degradação aumentava a cada época das chuvas e Filipa César pediu um apoio de urgência, unicamente para digitalizar o material, que foi transportado para a Alemanha e regressou à Guiné há um mês.  

No INCA, encontrou "98 bobines", sobretudo material em bruto, com "200 horas de som" e "40 horas de filme, mais de metade estrangeiros".  

Porém, "menos de 50 por cento", que, por sua vez, já eram apenas uma parte do arquivo que sobreviveu ao conflito de 1998, pôde seguir para tratamento, realçou.  

O resto estava em muito mau estado. "Muita coisa estragou-se. Conseguimos salvar só dez por cento", contabiliza Carlos Vaz, referindo-se aos filmes nacionais.  

O cinema guineense participou "na fundação da nação", com os primeiros filmes a serem feitos durante a luta de libertação nacional. Amílcar Cabral enviou quatro jovens "pioneiros" para se formarem em Cuba e depois filmarem "tudo o que se passava na zona libertada, para divulgar ao mundo", lembra Carlos Vaz.  

Entre os filmes guineenses já resgatados está um inédito realizado por aqueles quatro jovens -- José Columba, Josefina Crato, Flora Gomes e Sana Na N'Hada. "Regresso de Cabral" foi exibido pela primeira vez em Bissau há uma semana.  

No meio de "muito material" em bruto, "apenas três filmes guineenses estavam completos, um outro estava em muito mau estado e outros dois ainda em processo de montagem", refere Filipa César. 

À beira do fim, o projecto já devolveu as películas originais à Guiné, juntamente com uma cópia digital, mantendo uma cópia de segurança na Alemanha. Porém, falta dar "verdadeiro tratamento" ao material, sublinha a artista, que vai voltar a procurar financiamento.  

"Infelizmente, a situação financeira e económica do país não tem dado maior atenção e protecção ao sector cinematográfico", lamenta Carlos Vaz. 

A Guiné chegou a ter várias salas de cinema, mas hoje não resta nenhuma. Os filmes vêem-se agora em "barracas", que foram proliferando à custa do buraco legal.  

Num país "onde não há cinema, onde não há dinheiro e onde não há sensibilidade para fazer [cinema]", é preciso agora encontrar financiamento para catalogar, acabar de montar e formatar os filmes para serem mostrados às pessoas, concluiu.

Educadores de infância recebem formação

Texto Juliana Batista (Fatima missionária) 10/04/2013 | 09:27

Os educadores de infância de nove Escolas Amigas das Crianças, instaladas em três regiões da Guiné-Bissau, vão receber formação no âmbito de um programa desenvolvido pela Unicef e pela Fundação Fé e Cooperação

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e a Fundação Fé e Cooperação (FEC) assinaram, em Bissau, um acordo de cooperação. Orçamentado em 186 mil euros, o protocolo vigorará durante um ano e destina-se à implementação do «Programa Integrado de Educação», da Unicef na Guiné-Bissau.

Nos termos do acordo, assinado no último mês, a FEC desenvolverá formação em educação de infância, a partir da qual serão capacitados agentes de educação de infância nas nove Escolas Amigas das Crianças (EAC), nas regiões de Bafatá, Gabú e Oio, informa um comunicado da Fundação Fé e Cooperação.

O programa inclui também a «produção, edição e distribuição de suportes teóricos», de procedimentos para agentes de educação de infância, e a construção de espaço de educação não formal. Segundo o mesmo documento, o protocolo vem reforçar a intervenção da FEC no ensino básico a nível da formação de professores e de gestão e administração escolar nas regiões de Bissau, Biombo, Cacheu, Bafatá e Gabú.

“Alegados narcotraficantes detidos nos EUA valiam-se de ligações a Governo da Guiné-Bissau”

Fonte: O MIRANTE

Dois dos alegados narcotraficantes guineenses detidos nos Estados Unidos valiam-se de ligações ao Governo e presidência da Guiné-Bissau e, refere a acusação, mostraram aos agentes infiltrados norte-americanos documentos alegadamente assinados pelo primeiro-ministro.

Segundo a acusação da procuradoria federal do distrito de Manhattan visando Manuel Mamadi Mané, também conhecido por “Quecuto”, e do seu associado Saliu Sisse, também conhecido por “Serifo”, ambos referiram em dezenas de reuniões com dois agentes infiltrados norte-americanos que o primeiro-ministro (Rui Barros) e até o Presidente (Serifo Nhamadjo) dariam cobertura à operação de tráfico de droga e armas.

Os dois acusados foram detidos na semana passada, juntamente com o almirante guineense Bubo Na Tchuto e, segundo disse à Lusa fonte da procuradoria, serão presentes ao juiz hoje, para ouvir a acusação.

Nas reuniões com dois alegados representantes ou associados das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que eram na realidade fontes confidenciais do Departamento Anti-Narcotráfico norte-americano (DEA), “Quecuto” e “Serifo” aceitaram trabalhar com os agentes para distribuir droga através da Guiné-Bissau e fornecer armas, incluindo mísseis terra-ar, para ser usados contra as forças norte-americanas na Colômbia.

Metade das armas importadas pelas Forças Armadas guineenses iria para as FARC, a outra metade ficaria com os militares da Guiné-Bissau.

Depois de uma reunião em Junho de 2012, no Brasil, entre os colaboradores dos dois narcotraficantes, os agentes norte-americanos deslocam-se a Bissau, onde, a 30 de Junho, “Serifo”, “Quecuto” e um dos seus operacionais terão referido a “necessidade de envolver responsáveis do Governo da Guiné-Bissau” na operação.

Os dois alegados narcotraficantes concordaram em apoiar a distribuição de cocaína das FARC, facilitando o envio da cocaína para a Guiné-Bissau num carregamento de uniformes militares, e criando uma empresa de fachada para exportar a droga para os Estados Unidos.

No mesmo dia, os dois alegados narcotraficantes “informaram que os responsáveis do Governo na Guiné-Bissau reteriam uma percentagem da cocaína enviada” e mais tarde “Serifo” informa os agentes que “por este serviço, os responsáveis do Governo guineense esperariam, como comissão, 13 por cento da cocaína enviada” para o país, refere a acusação.

Numa outra reunião na mesma altura, um dos operacionais dos dois alegados narcotraficantes afirma que a operação irá passar por si próprio “e pelo Governo da Guiné-Bissau”.

“É através de mim que conseguem fazer isso… é através do Governo e eu sou o único intermediário”, disse o operacional, citado pela acusação.

Acertados os detalhes da operação, o mesmo operacional referiu que, dois dias depois, iria “discutir o plano com o Presidente da Guiné-Bissau”.

No próprio dia, “Quecuto” informa os agentes norte-americanos da necessidade de um pagamento de 20 mil euros, para atestar da “seriedade” dos alegados membros das FARC e para “começar a negociar sob protecção do Governo guineense”.

Posteriormente, os agentes norte-americanos são apresentados a um elemento das Forças Armadas guineenses, incumbido de facilitar as operações no aeroporto, e, já a 03 de Julho, a outro militar.

A 28 Agosto, “Quecuto” transmitiu aos agentes norte-americanos, por email, um pedido de uniformes militares e outro equipamento, datado de 24 de Agosto, do primeiro-ministro, e em Setembro afirma que ele próprio e outro operacional falariam com o primeiro-ministro e Presidente sobre a encomenda de armas para as FARC.

Em Novembro, “Quecuto” e dois militares guineenses mostram a um dos agentes norte-americanos “documentação do Governo relacionada com a compra de armas”.

Os dois alegados narcotraficantes enfrentam acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, para disponibilizar apoio material a uma organização terrorista estrangeira e para adquirir e transferir mísseis antiaéreos.

Diga o que pensa sobre este Artigo. O seu comentário será enviado directamente para a redacção de O MIRANTE.

Primeiro-ministro deposto grato a Portugal e CPLP

Um ano depois de um golpe de Estado militar o ter deposto quando era o candidato presidencial favorito, o ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau Carlos Gomes Júnior agradece o apoio de Portugal e da comunidade lusófona, apesar de um período "muito penoso".

Primeiro-ministro deposto grato a Portugal e CPLP

Lusa

"O balanço de um ano [de golpe de Estado] para mim é muito penoso, para quem está habituado a trabalhar. É um período difícil para mim e para a minha família e todos os companheiros que me acompanharam", disse, em entrevista à agência Lusa em Lisboa.

Gomes Júnior, que quer ser o candidato presidencial do PAIGC nas próximas eleições, embora tenha saído da corrida à liderança do partido, reivindicou o sucesso da sua acção governativa, até ser interrompido pelo golpe conduzido pelo general António Indjai, alvo de sanções do Conselho de Segurança da ONU.

O ex-primeiro-ministro recordou os acordos internacionais, em particular o perdão da dívida, que deram "novo alento" a um Estado estrangulado pelo serviço da dívida, e os acordos com o governo de Angola para apoio financeiro e projectos de investimento, além de reforma do aparelho militar do país.

"Não se pode falar do desenvolvimento económico sem ter garantias claras de estabilidade nas Forças Armadas e de segurança", disse à Lusa.

Os autores do golpe justificaram a acção militar com a necessidade de conter a influência de Angola no país.

Um ano depois, Gomes Júnior agradeceu o "apoio incondicional" que tem sido dado por Portugal, Angola e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 

"A solidariedade que sempre patentearam e disponibilizaram durante a nossa permanência aqui é muito importante", disse.

Cauteloso, o ex-primeiro ministro escusa-se a aplaudir a detenção por forças norte-americanas do almirante Bubo Na Tchuto, considerado pelos Estados Unidos como um barão do tráfico de droga no país.

"Pensamos que vamos continuar a beneficiar do apoio e compreensão dos nossos parceiros de desenvolvimento", afirmou, em relação à detenção.

Carlos Gomes Júnior defendeu ainda a viabilidade de projectos de investimento que o golpe travou, tal como o do Porto de Buba, promovido por investidores angolanos, que iria criar "mais de 300 postos trabalho", além de linhas de caminho-de-ferro para a Guiné-Conacri, Senegal e Mali, dando "nova dinâmica no sul do país", e ainda a exploração de bauxite.

"A Guiné-Bissau não é um país falhado, é um país com recursos enormes", afirmou

"Ainda é possível a realização de eleições na Guiné-Bissau este ano" - declarações de Ramos-Horta, representante da ONU

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“Ainda é possível a realização de eleições na Guiné-Bissau este ano” – quem o afirma é Ramos-Horta, representante da ONU na Guiné-Bissau. Em entrevista à Radio Vaticano considerou estar a ONU disponível, com o apoio da União Africana, da CEDEAO e da União Europeia, para liderar o processo eleitoral. Uma peça da nossa correspondente na Guiné-Bissau Indira Baldé...

Fonte: Radio Vaticano