segunda-feira, 19 de março de 2012

Todas as fronteiras encerradas no domingo

Bissau- As fronteiras terrestres, marítimas e aéreas da Guiné-Bissau foram encerradas nas 24 horas de domingo, dia de eleições presidenciais, e a circulação automóvel também está condicionada em todo o país. 

Domingo apenas poderam circular "nos locais mais sensíveis" as viaturas "que estiverem autorizadas e tenham o respetivo dístico de autorização", disse hoje o ministro do Interior, Fernando Gomes, em conferência de imprensa. 

O ministro lembrou que foi criado um comando conjunto que engloba forças de segurança e militares e que o mesmo está em pleno funcionamento, "para garantir a normalidade das condições de segurança e tranquilidade pública em todo o país", e capacitado para a resolução de qualquer tentativa de "alteração dessas condições".   

Fernando Gomes considerou as eleições de domingo uma "excelente oportunidade para a Guiné-Bissau fazer mais uma demonstração cabal da sua cultura democrática", e pediu aos guineenses para que votem com todo o civismo e tranquilidade, "aguardando a sua vez com paciência".  

"As forças de segurança e da defesa estão atentas e não irão tolerar quaisquer comportamentos incorretos que possam prejudicar o exercício livre do direito de voto de qualquer cidadão, ou que pretendam de alguma forma afetar negativamente o processo eleitoral", disse Fernando Gomes.  

Questionado sobre a existência de viaturas sem matrícula a circular nas estradas do país, o ministro explicou que foram viaturas que chegaram recentemente, adquiridas pelos candidatos, e que excecionalmente foram deixadas circular, porque não houve tempo para regularizar a situação.   

Na Guiné-Bissau também estão helicópteros angolanos, que segundo o ministro se destinam a apoiar o processo eleitoral, nomeadamente para zonas mais distantes e para as ilhas do arquipélago dos Bijagós.

Associação da Batalha oferece ambulância a bombeiros de Bissau

Bissau - Uma associação da Batalha, Portugal, ofereceu hoje aos bombeiros de Bissau, Guiné-Bissau, uma ambulância e material como extintores, colchões e roupa, numa cerimónia realizada na capital do país, cita a agência Lusa. 

A Associação Santa Maria da Vitória, uma organização não-governamental (ONG), prometeu que em breve vai chegar mais material, como capacetes e fardamento, e até ao fim do no chegará a Bissau uma nova ambulância, disse Amadeus Correia, da associação.  

"Esta é a terceira ambulância que entregamos à Guiné-Bissau e a segunda aos  bombeiros", disse o responsável da ONG, lembrando que a cooperação com a Guiné-Bissau começou há quase uma década com a construção de uma escola em Quinhamel, arredores de Bissau.  

A explicação para que uma ONG da Batalha faça estas doações deu-a o ministro do Interior, Fernando Gomes, que segundo ele, muitos dos que fazem parte dela passaram pela Guiné-Bissau e até hoje ainda mantém uma grande paixão pelo povo e pelo país.  

Moreira Chena, fundador da ONG, explicou à Lusa que até agora fizeram chegar à Guiné-Bissau, quase sete mil livros, 500 caixotes de roupa, medicamentos e material didático, além das três ambulâncias.  

"A nossa principal filosofia é a divulgação da língua portuguesa, por isso vamos construir uma segunda sala em Quinhamel ainda este ano", disse, corroborando a explicação do ministro ao afirmar que tudo começou quando um dos fundadores da ONG voltou à Guiné-Bissau, onde tinha cumprido o serviço militar, e sentiu  necessidade de ajudar o povo.

Eleições na Guiné-Bissau e condenação de Lubanga pelo TPI dominam noticiário africano

As eleições para a escolha do novo Presidente da Guiné-Bissau, nas quais concorrem nove candidatos, assim como acusação formal do antigo chefe de milícia da República Democrática do Congo (RDC), Thomas Lubanga, por crimes de
guerra, dominaram, entre outros assuntos, a semana que hoje termina

Sexta-feira, a Guiné-Bissau encerrou o seu período de campanha eleitoral para o pleito presidencial antecipado, cujas eleições ocorrem domingo (18 de Março), após duas semanas serenas e marcadas por grande participação dos guineenses.

Partem como favoritos o primeiro-ministro cessante Carlos Gomes Júnior, do PAIGC ( no poder) e o antigo Presidente Kumba Ialá, do PRS.

"Notou-se que os candidatos Carlos Gomes Júnior, Koumba Ialá, Serifo Nhamadjo e Henrique Rosa dominaram o quadro noticioso, enquanto que a cobertura dos outros foi menos regular, quer pela falta de meios, quer pela falta de informação disponibilizada pelas directorias sobre a agenda desses candidatos", acrescenta o parecer deste Gabinete de imprensa.

Mas, as nove candidaturas cingiram-se mais em apelos à paz e à estabilidade e a Marcou igualmente actualidade durante a semana em análise, acusação formal do  do antigo chefe de milícia da República Democrática do Congo (RDC), Thomas Lubanga, de 51 anos, por crimes de guerra, ao ter utilizado meninos soldados, na primeira decisão pronunciada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) desde sua criação.   

Os juízes vão pronunciar-se mais adiante sobre a pena de prisão a ser aplicada ao fundador da União dos Patriotas Congoleses (UPC) ex-comandante das Forças Patrióticas pela Libertação do Congo (FPLD), o braço militar da UPC.

mereceu também destaque na semana em análise,  a dissolução de um dos maiores partidos políticos da Zâmbia, o Movimento para a Democracia Multipartidária (MMD), de Rupiah Banda, derrotado nas eleições em 2011 após 20 anos de poder  por não ter pago as suas despesas de registo.

Em consequência disso, poderá perder os seus lugares no parlamento, anunciou o chefe de comércio. Os partidos devem cobrir todos os anos as despesas de registo, mais o MMD não os pagou desde 1993 e deixou uma dívida de mais de 390 milhões
de kwachas (56.800 euros), explicou Clement Andeleki, que se ocupa também dos partidos.

Outro facto que mereceu destaque foram os combates no Mali, que forçaram a deslocação de mais de 195 mil pessoas, desde meados de Janeiro entre os rebeldes touareg aos militares malianos, estimou o gabinete das Nações Unidas para a coordenação dos Assuntos humanitários, noticiou à AFP.  

"O número das pessoas deslocadas pelo conflito no Mali continua a aumentar e aproxima-se as 195 mil, das quais cerca de 1000 fora do país, no essencial  refugiados malianos, mas também alguns milhares de nigerianos que vivem no Mali", afirmou a Ocha para a África do Oeste e do centro no seu boletim de informações publicado em Dakar.

A captura hoje (sábado) de madrugada de Abdallah al-Senusi, antigo pilar do regime líbio de Muammar Kadhafi, procurado pelo Tribunal Penal Internacional  (TPI), foi um dos manchetes do noticiário africano e mundial.

Detido no aeroporto da capital mauritaniana Nouakchott, Senusi foi detido pelos serviços de segurança da Mauritânia ao desembarcar de um voo comercial  procedente de Casablanca (Marrocos). De acordo com uma fonte do governo, ele viajava com um passaporte falsificado do Mali.

Na negativa ensombrou o noticiário africano, o anúncio de pelo menos 23 homens foram mortos, "agredidos com piladores e paus", pelas suas mulheres que eram  vítimas de violência doméstica, na província de Tete, centro de Moçambique.

Segundo Páscoa Ferrão, directora provincial da Mulher e Acção Social de Tete, as mulheres atacaram os maridos, alguns enquanto dormiam, como vingança pela  violência física a que eram submetidas.

sábado, 17 de março de 2012

Representante da ONU na Guiné-Bissau pede calma e transparência

Joseph Mutaboba, Secretário-Geral da ONU em Bissau

Bissau - O representante do ecretário-geral da ONU em Bissau, Joseph Mutaboba, pediu  (sexta-feira) aos guineenses, especialmente forças de segurança e defesa, partidos e candidatos para que garantam uma ida às urnas "pacífica, ordeira e transparente", noticia a LUSA. 

A Guiné-Bissau escolhe no domingo um novo Presidente entre nove candidatos e hoje, no último dia de campanha eleitoral, Joseph Mutaboba, em conferência de imprensa, congratulou-se também pela "condução relativamente pacífica" da campanha. 

O responsável explicou que "relativamente pacífica" e não "pacífica" apenas porque não esteve em todos os lugares, mas que pelo que sabe a campanha decorreu com tranquilidade. 

Joseph Mutaboba lembrou que anteriores eleições decorreram com tranquilidade e civismo, pelo que espera que o mesmo se passe no domingo e que "o processo seja conduzido de forma pacífica e ordeira". 

O representante da ONU reuniu-se hoje em Bissau com os chefes das missões internacionais de observação. As Nações Unidas não têm observadores mas "facilitam o trabalho" das missões.  

Pelas contas de Mutaboba, estão na Guiné-Bissau 44 observadores da União Africana, 80 da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), quatro da Nigéria, 24 da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), 10 do Reino Unido, 12 da UEMOA (União Económica e Monetária do Oeste Africano), e grupos muito reduzidos dos Estados Unidos, União Europeia e África do Sul. 

Até agora, a comunidade internacional apoiou a Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau com 7,6 milhões de dólares (5,7 milhões de euros), parte para financiar as eleições de domingo e a outra para as eleições legislativas de final do ano. 

Quinta-feira, os parceiros da Guiné-Bissau felicitaram os guineenses pela "conduta calma e pacífica" do processo eleitoral e pediram "calma e contenção às autoridades nacionais, nomeadamente, as forças de defesa e segurança, aos partidos políticos, aos candidatos presidenciais e aos seus apoiantes".

"De igual modo pediram a todos os actores para que mantenham um clima pacífico após o escrutínio " e às autoridades nacionais para que assumam as suas responsabilidades, garantindo "uma transição pacífica". 

Hoje também a embaixada dos Estados Unidos (em Dakar) apelou às autoridades guineenses para que respeitem "os padrões internacionalmente reconhecidos" a fim de que as eleições sejam baseadas na vontade do povo, e às forças de segurança para "assumirem uma posição moderada, antes, durante e depois do processo eleitoral".

Eleições antecipadas Guiné-Bissau: Perfil dos nove candidatos à Presidência

Bissau - A campanha eleitoral terminou  sexta-feira, 16 de Março. Os guineenses vão às urnas no próximo Domingo, 18 de Março, nestas segundas Eleições Presidenciais, para as quais se contam nove candidatos.

Um destes nove pretendentes vai ser escolhido para representar funções de Presidente da República da Guiné-Bissau.


Os seus perfis e percursos políticos são diferentes, bem como as suas ideologias. Para dar a conhecer quem são, a PNN, numa visão descritiva sobre os candidatos à Presidência, avança o trajecto destes homens que ambicionam conduzir o país.


O estreante Vicente Fernandes, que se apresenta em nome da coligação Aliança Democrática, é advogado, formado em Portugal, orador e liberal nas suas convicções. Esteve activo nas Legislativas de 2004, na então Plataforma Unida.


Kumba Yala, um dos políticos mais evidentes dado que já foi Presidente da Republica, afastado por um Golpe Militar em 2003, é formado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, tendo completado a licenciatura em Direito, mais tarde, em Bissau.


Foi fundador e líder do PRS, maior formação política na oposição. Muito crítico, enverga uma interpretação clara sobre aquilo que devem ser os valores da sociedade e tem um profundo conhecimento quanto à multiplicidade étnica na Guiné-Bissau.
Henrique Pereira Rosa é empresário e candidato pela segunda vez à Presidência da República, tendo sido já Presidente Interino. É um católico convicto e membro de várias instituições e organizações de caridade.


Foi Director Executivo da Comissão Nacional de Eleições (CNE) nas primeiras Eleições Presidenciais e Legislativas realizadas na
Guiné-Bissau, em 1994.


Presidente do Conselho da Aliança para a Refundação da Governação em África, em 2006, Henrique Pereira Rosa tem uma personalidade que se reveste pela ponderação e tolerância.


O candidato independente Serifo Nhamado, do PAIGC, cuja carreira política se afirmou neste partido no poder, ocupou várias funções cimeiras na Administração do Estado. Foi, até aqui, vice-presidente da Assembleia Nacional Popular.


Trata-se de uma personalidade de equilíbrio, disciplina e, assim, determina as suas actuações na convicção e defesa das suas causas e objectivos. É primeira vez que Serifo Nhamado concorre à Presidência da República.

Não é o caso de Serifo Balde, um político jovem que, pela segunda vez, se apresenta como candidato. Fundou e lidera o Partido Democrata Socialista para Salvação Guineense. Inspira os ideais na juventude e assenta a sua política na preservação da moral pública. Neste momento, a sua mensagem concorda na manutenção da paz.
É também o tema da paz que representa o «slogan» de Carlos Gomes Júnior, candidato do PAIGC, partido do qual é Presidente.


Empresário e sócio de instituições bancárias e do sector combustível, representa alguns interesses empresariais no país. Carlos Gomes Júnior foi eleito Primeiro-ministro por duas vezes: em 2004 e nas últimas Legislativas.


O candidato independente Luís Nancassa, docente e Presidente do Sindicato Nacional dos Professores, participa nesta corrida pela segunda vez.


Foi quem decretou a primeira greve no sector do Ensino no país, depois da liberalização política. Foi Luís Nancassa que criou esta organização sindical, em meados dos anos 90. O candidato sempre foi defensor das causas sociais.


Afonso Te, Coronel na reserva, tem o apoio do Partido Republicano para Independência e Desenvolvimento (PRID). Exerceu funções de vice-chefe de Estado-maior General das Forcas Armadas, uma nomeação tida como uma das causas imediatas da guerra de 7 de Junho de 1998.


Afonso Té era dos mais destacados intelectuais nas Forcas Armadas guineenses. Está agora na política com uma surpreendente presença como candidato à Presidência da República e dirigente do partido que o apoia.


O líder do PRID apresenta uma visão de campo bem estruturada e aposta não só na paz e estabilidade, mas também na capitalização das riquezas naturais de que o país dispõe, sobretudo, no sector da Agricultura.


Outro estreante nestas eleições, independente e convicto, Baciro Baciro é licenciado em psicologia pela universidade de Havana, em Cuba. Trata-se do actual ministro da Defesa e foi director do comité de coordenação do Sector da Defesa e Segurança, ligado à reforma do mesmo.


Pode dizer-se que envereda pela promoção e aplicação do saber, daí que a sua candidatura assente na dinâmica da juventude. Tem um olhar determinado sobre as Forcas Armadas. Baciro Dja reverte a sua política no socialismo democrático.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Eleições = Henrique Rosa diz em Gabu que fez campanha da "Guiné esquecida"

Bandeira da Guiné - Bissau

Gabu - Henrique Rosa, candidato independente nas eleições presidenciais de domingo na Guiné-Bissau, disse quarta-feira que dirigiu a campanha para a "Guiné esquecida, onde o povo está longe de tudo" noticiou agência Lusa. 

Num balanço da campanha eleitoral que termina dentro de dois dias, feito na segunda cidade do país, Gabu, disse que nas duas semanas procurou visitar "o povo abandonado a si próprio", sendo essa a "grande motivação" para continuar, "porque como Presidente consegue-se mudar muita coisa". 

Se for eleito quer "mudar as condições das pessoas" e considerou a adesão à campanha boa, porque não está "a carregar gente" e faz comícios com as pessoas locais. 

Em Gabu, conseguiu encher uma rua com muitas centenas de pessoas para o ouvirem dizer que é preciso ter esperança e que todos juntos podem "reconstruir, ou construir, a Guiné-Bissau". 

"Tantos anos depois da independência, se se pode falar de Bissau com alguns focos de desenvolvimento, o interior está abandonado. Andei pelas terras do fim do mundo", disse Henrique Rosa, que nesta campanha se fez quase sempre acompanhar pela mulher. 

"É preciso que todos os cidadãos sintam que pertencem a um conjunto, que é a nossa Nação, o nosso Estado, o nosso país, e é preciso que todos nós sejamos solidários para construir a nossa pátria", defendeu o candidato.

Hoje como sempre Henrique Rosa defendeu mais e melhor Educação, Saúde e Justiça, acrescentando: "A Guiné-Bissau será aquilo que nós quisermos que ela seja e não aquilo que os outros querem. Temos de assumir as nossas responsabilidades". 

Apelidado na rua como o "homem di paz", graças ao "slogan" de campanha e a música que o acompanha, Henrique Rosa afirmou à agência Lusa que usa a frase (homem de paz) desde a campanha presidencial de 2009. 

E embora haja outros candidatos que também se têm afirmado "homens de paz" nesta campanha, diz Henrique Rosa em declarações que continua a ser o candidato da paz e que julga ser "o genuíno". 

UA apela aos políticos da Guiné-Bissau a aceitarem os resultados

Mercado de Bandim, Bissau

A missão de observadores da União Africana já se encontra em território guineense. Na sua primeira declaração, Leonardo Simão apelou aos líderes políticos guineenses para que aceitem os resultados do sufrágio do próximo domingo.

O chefe da missão de observadores da União Africana (UA) nas eleições presidenciais guineenses, Leonardo Simão, deu esta tarde uma conferência de imprensa, onde pediu aos políticos da Guiné para aceitarem os resultados eleitorais.

A missão da UA é chefia pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique e composta por 40 elementos. Liliana Henriques, a nossa enviada especial a Bissau, marcou presença nesta conferência de imprensa.

Leonardo Simão, chefe da missão de observadores da UA

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Na corrida à presidência guineense estão nove candidatos. Todos, nos discursos de campanha, falam em paz e em reconciliação. Por seu lado, a população fala em estabilidade e progresso.

O acto eleitoral está marcado para o próximo domingo, dia 18 de Março, e estará sob a vigilância de uma força conjunta de militares e polícias.

A jornalista Liliana Henriques foi ao Mercado de Bandim, em Bissau, ouvir os guineenses

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Eleições: Governo avisa que não irá tolerar violência ou desacatos durante escrutínio de domingo

Bissau, (Lusa) - O ministro do Interior da Guiné-Bissau, Fernando Gomes, avisou hoje que o Governo não irá tolerar cenas de violência ou desacatos que possam perturbar as eleições presidenciais de domingo.

Fernando Gomes fez esta chamada de atenção quando falava aos jornalistas depois de ter recebido um membro da embaixada dos Estados Unidos da América, residente em Dacar, responsável por coordenar a cooperação com a Guiné-Bissau, que quis inteirar-se sobre o andamento do processo eleitoral.

Russel Hanks, que tem mantido encontros com diversas instituições estatais guineenses e da comunidade internacional, quis saber junto do ministro do Interior o que está ser feito para garantir a segurança a votação de domingo.

Deputado cabo-verdiano chefia missão eleitoral da CPLP na Guiné-Bissau

A Missão de Observação Eleitoral (MOE) da CPLP às presidenciais da Guiné-Bissau será composta por 20 observadores.

O deputado cabo-verdiano Armindo Cipriano Maurício vai chefiar a missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) às eleições presidenciais que terão lugar domingo próximo na Guiné-Bissau.


A Missão de Observação Eleitoral (MOE) da CPLP às presidenciais da Guiné-Bissau será composta por 20 observadores provenientes de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, de Moçambique, de Portugal, de São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste e por três deputados em representação da Assembleia Parlamentar da CPLP.


Segundo uma nota informativa da comunidade lusófona, as missões de observação eleitoral da CPLP integram representantes do Secretariado Executivo e dos Estados-membros, à exceção do país onde se realizam as eleições, e incluem parlamentares, diplomatas, peritos em eleições, universitários e juristas, entre outros profissionais.


A missão tem como objetivo testemunhar o processo eleitoral, o escrutínio e o apuramento dos resultados, devendo depois emitir um parecer sobre a credibilidade do processo em função de critérios relativos “à transparência, ao caráter democrático da eleição, à aplicação da lei eleitoral e aos procedimentos exigíveis”.


Armindo Maurício, que é também o secretário-geral do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder), foi indicado para chefiar a missão em substituição do antigo embaixador de Portugal em Bissau, António Russo Dias, por “incompatibilidade legal" deste último, devido ao facto de o diplomata português ter sido representante do seu país na Guiné-Bissau.


As eleições presidenciais antecipadas na Guiné-Bissau foram marcadas na sequência da morte do Presidente eleito, Malam Bacai Sanhá, a 9 de janeiro passado vítima de doença.

Eleições:Guineenses em Cabo Verde esperam estabilidade e paz

Cidade da Praia, (Inforpress) – Paz e estabilidade para a Guiné-Bissau são dois dos principais desejos expressos pelos guineenses residentes em Cabo Verde para depois das eleições presidenciais antecipadas deste domingo, 18 de Março, com 10 candidatos na corrida.


Em declarações à Inforpress, vários guineenses em Cabo Verde de diferentes extractos sociais têm os mesmos desejos: “paz e estabilidade” com o candidato que venha a ocupar o cargo de chefe de Estado em substituição de Malam Bacai Sanhá eleito em 2009 e que faleceu em Janeiro deste ano em Paris, por doença.


Lionel Sambel, engenheiro industrial e mestre em Informática em Cabo Verde há 16 anos, espera que a campanha eleitoral que termina esta sexta-feira continue a decorrer com “normalidade” e que nas eleições aconteça o mesmo.


“Esperamos que qualquer candidato que venha a ganhar essas eleições possa manter-se na mesma linha de estabilidade do país”, disse lamentando que a diáspora não possa votar para dar a sua contribuição para a escolha do Presidente da República.


Segundo Lionel Sambel, esse desejo é justificado sobretudo agora quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou que a Guiné-Bissau vai crescer 5,3 por cento em 2013.


“Espero que o candidato que ganhar possa garantir a estabilidade e a paz no país que é um factor importante na Guiné-Bissau, que tem como problemas crónicos a falta da justiça e da ordem, assim como o fraco desenvolvimento económico”, frisou Alfa Djaló, professor do ensino secundário.
Para aquele docente, depois das eleições, deve haver uma reforma no país no sector da justiça para garantir essa estabilidade.


Por sua vez, Alimatu Bangurá, cabeleireira e residente em Cabo Verde há um ano e meio, apesar de não poder votar, a sua aposta é que um dos candidatos mais jovens possa ter “sorte” e vencer as eleições.


“Gostaria de ir à minha terra para votar, mas não tenho cartão de residência e estou triste porque o meu sonho era ter documento para ir e voltar quando quiser. Espero que o próximo Presidente da República possa fazer algo em relação a esse problema”, afirmou.


Na opinião de Idrissa Djaló, que é ajudante de pedreiro e guarda-nocturno, a sua aspiração é poder voltar um dia à sua terra com a certeza de que a paz “tomou conta do país”.


São candidatos às eleições presidenciais antecipadas na Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, apoiado pelo partido no poder, PAIGC, Kumba Ialá, do maior partido da oposição, PRS, Baciro Djá, actual ministro da Defesa e candidato independente, o presidente interino do Parlamento Serifo Nhamadjo, também independente, e Afonso Té, antigo vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.


O independente, Henrique Rosa, Luís Nancassa, presidente do Sindicato dos Professores, Serifo Baldé, fundador do Partido Democrático Socialista de Salvação Guineense (PDSSG), Ibraima Jaló, líder do Congresso Nacional Africano (CNA), e Vicente Fernandes, líder da Aliança Democrática (AD), são outros candidatos ao sufrágio deste domingo.


Os 800 mil boletins de voto que foram impressos em Portugal destinados aos 600 mil eleitores já estão na Guiné-Bissau.

Inforpress/Fim

Presidenciais de domingo, novo teste para a estabilidade

Bissau – Pelo menos 579.000 eleitores da Guiné-Bissau são chamados domingo a votar para designar  o sucessor do presidente Malam Bacai Sanha falecido em Janeiro, um escrutínio teste para um país que continua instável apesar dos recentes progressos económicos.

Segundo a AFP, a campanha que termina sexta-feira desenrola-se sem incidentes maiores, com um desdobramento de meios surpreendentes num país pobre.

Nove candidatos concorrem para dirigir essa ex – colónia portuguesa de mais de 1,6 milhões de habitantes tornada
independente em 1974 após uma luta armada e que conheceu desde golpes de Estado abortados ou bem
sucedidos a tumultos e violências.

Os favoritos são o ex – Primeiro – ministro Carlos Gomes Júnior, 62 anos, candidato do Partido africano para a Independência  da Guiné –Bissau e de Cabo Verde (PAIGC, no poder )  e o ex - presidente Kumba Yala, 59 anos, do Partido da renovação social (PRS, oposição).

Vários partidos da oposição contestam a candidatura de Carlos Gomes, Primeiro – ministro até início de Fevereiro, que o censuraram de estar na corrida antes de se demitir do seu posto transgredindo a Constituição.

É também acusado de aproveitar os meios do Estado para se assegurar uma vitória na primeira volta. O opositor Braima Alfa Djalo, que foi o segundo candidato, retirou-se da corrida denunciando uma fraude em preparação.

Segundo a AFP, a escolha de Carlos Gomes não foi por  unanimidade no seio do seu partido. Dois dos seus camaradas do PAIGC apresentam-se independentes: Manuel Serifo NHamadjo, presidente interino da Assembleia nacional e Baciro Dja, ministro da defesa.

Kumba Yala havia sido eleito em Janeiro de 2000 para cinco anos mas o seu mandato, marcado pela instabilidade, foi interrompida por um golpe de Estado militar em 2003. Fracassou depois nas eleições de 2005 e em 2009.

Henrique Rosa, 66 anos, que foi presidente de transição de 2003 a 2005, apresenta-se independente e poderá obter uma boa pontuação. A sua presidência permitiu ao país reatar com os parceiros internacionais, contribuidores ao orçamento de Estado e entre os quais os salários dos funcionários.

De acordo com a AFP, quase todos os candidatos, estão engajados a fazer tudo ou melhor que Malam Bacai Sanha, eleito presidente em Julho de 2009, falecimento a meio do mandato a 9 de Janeiro em Paris. Em dois anos e meio ele prometeu ao Estado progredir economicamente.

“A Guiné-Bissau começou um novo ciclo económico marcado por uma anulação da sua dívida externa e pela adopção de uma estratégia de desenvolvimento económico”, constatava no fim de Dezembro o Fundo monetário internacional (FMI).

Sanha foi igualmente saudado como o artesão de uma relativa estabilidade política agitada entretanto por duas sobressaltos maiores: Uma guerra de chefes militares em Abril de 2010, um ataque de militares contra outros, apresentando como uma tentativa de golpe de Estado em Dezembro de 2011.

Actores políticos e parceiros do país, entre os quais a ONU, multiplicam os apelos à pacificação e ao prosseguimento sem incidentes do processo eleitoral que compreende também as legislativas no final de 2012.

As presidenciais serão supervisionadas por 80 observadores da Comunidade económica dos Estados da África do Oeste (Cedeao), dirigidos pelo ex - presidente nigeriano de Transição, Salou Djibo.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Entrevista-Carlos Gomes ao Jornal de Angola

 

http://novasdaguinebissau.blogspot.com/p/entrevistas.html

Secretário-executivo da CPLP pede a candidatos que preservem "ambiente favorável"

Lisboa, (Lusa) -- O secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, manifestou  a esperança de que os candidatos às eleições presidenciais de 18 de março na Guiné-Bissau saibam "respeitar os outros" e preservar "um ambiente favorável".

Em declarações à Lusa a propósito do processo eleitoral naquele país africano, Simões Pereira, que esteve na Guiné-Bissau em fevereiro, referiu que a perceção que tem é de que o processo eleitoral está a decorrer dentro da normalidade, "em pleno exercício da cidadania".

"Eu penso que sim (o processo eleitoral está a decorrer dentro da normalidade)", disse o secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"As informações que eu colhi são mais de observação direta e que me fazem acreditar que o povo está mobilizado, os atores políticos já estão no terreno a tentar passar as suas mensagens, portanto, estamos em pleno exercício da cidadania, pela parte de todos", sublinhou Simões Pereira, que é guineense.

As eleições presidenciais na Guiné-Bissau estão marcadas para dia 18 de março, antecipadas devido à morte, em janeiro passado, de Malam Bacai Sanhá, Presidente eleito em 2009.

Nove candidatos estão a concorrer às presidenciais, entre eles Carlos Gomes Júnior, até agora primeiro-ministro e presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Kumba Ialá, ex-Presidente e que concorre com o apoio do Partido da Renovação Social (PRS).

Henrique Rosa, Baciro Djá, Luís Nancassa, Manuel Serifo Nhamadjo, Serifo Baldé, Vicente Fernandes e Afonso Té são os outros candidatos.

Ibraima Alfa Djaló desistiu da corrida ao escrutínio alegando falta de condições para um processo eleitoral justo, livre e transparente.

A polémica surgiu porque vários candidatos criticaram o facto de não ter havido recenseamento eleitoral no país.

"Estamos a falar de um ator político (Djaló) que tem uma leitura sobre a situação e cabe-nos respeitar a opinião de todos", afirmou o secretário-executivo.

"Também tive acesso à interpretação que foi feita pelo senhor Presidente da República interino (Raimundo Pereira) e que dá conta de que no processo de auscultação de todos os atores colocou-se essa questão do prazo para a realização das eleições, havendo uma insistência por parte de todos de que era fundamental cumprirem-se os prazos legalmente estabelecidos", argumentou.

Segundo Simões Pereira, "nessa altura todos tinham conhecimento de que seria impossível abrir um processo de atualização dos cadernos eleitorais".

"O que significa que só os detentores de cartão do eleitor à altura das últimas eleições é que teriam condições de participar no pleito eleitoral", referiu.

Questionado pela Lusa sobre o perigo de haver desestabilização no processo, Simões Pereira disse: "Não antecipo isso, não auguro isso e estou convicto de que todos os candidatos estarão à altura as exigências do momento".

"Nós não podemos esquecer que a Guiné-Bissau está a ter eleições presidenciais antecipadas devido ao desaparecimento físico do seu Presidente, por isso, acresce-se ao exercício da cidadania ativa, que já seria de se pedir, uma atenção para podermos honrar a memória de alguém que lutou por essa causa", finalizou.

CSR.

Lusa/Fim