sábado, 4 de janeiro de 2014

Diva Barros - Mi é dôd na bô (Para descontrair)

Soma e segue!!!!!! - Fernando Jorge Almada candidata-se às Presidenciais

Bissau – Fernando Jorge Almada é mais um candidato às eleições Presidenciais agendadas para 16 de Março.

Falando durante o acto de apresentação, que teve lugar esta sexta-feira, 3 de Janeiro, em Bissau, Jorge Almada disse que se candidata porque acredita nas novas gerações, nas suas aspirações e nos seus anseios.


«É inaceitável que gerações inteiras abandonem o país para o estrangeiro por falta de oportunidades», disse o candidato à Presidência, garantindo que tudo fará para associar os guineenses na Diáspora ao seu projecto de construção de um país melhor.
Neste sentido, o político afirmou que, se for eleito, vai apostar no crescimento da economia do país, no emprego para a camada juvenil, no aumento da produção e na recuperação da economia nacional.


Fernando Jorge Almada destacou que conhece bem os problemas que o país enfrenta: «Conheço bem os problemas com que a Guiné-Bissau se depara na cena internacional, pelo que farei tudo o que estiver ao meu alcance para recuperar o prestígio, a honra e a dignidade da Guiné-Bissau», garantiu o candidato.


Fernando Jorge Almada disse também que irá disponibilizar a sua vida para servir o país, contando com o empenho de todos no novo ciclo político que se abre na Guiné-Bissau.

Movimento Patriótico da Guiné-Bissau promete impugnar recenseamento eleitoral

Bissau, (Lusa) - O Movimento Patriótico da Guiné-Bissau, partido liderado por um pastor evangélico, ameaçou hoje que pode vir a impugnar judicialmente o processo do recenseamento eleitoral por "irregularidades premeditadas".

A ameaça foi feita hoje em conferência de imprensa do pastor Augusto Paulo, que serviu para denunciar "irregularidades e vícios já visíveis" no processo do recenseamento eleitoral iniciado a 01 de dezembro passado.

O partido diz que tem sido "quase que impossível" obter informações precisas no GTAPE (Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral), instituição do Governo que coordena o recenseamento, sobre o andamento do processo.

Volvidos 25 dias do recenseamento o Movimento Patriótico diz que desconhece o numero exato de pessoas já registadas, mesmo com pedidos de informações nesse sentido junto do GTAPE.

O líder do MP nota que os potenciais eleitores não sabem onde e como podem se recensear uma vez que "as mesas do recenseamento são mudadas constantemente" sem que haja informação concreta.

Augusto Paulo acusa ainda o Governo de transição de "manobras dilatórias" no sentido de adiar as eleições e desta forma "perpetuar o período de transição eternamente".

"É nossa convicção que existe alguma manobra intencional no sentido de prejudicar o processo eleitoral, viciando a expressão da vontade popular", observou Augusto Paulo, rejeitando qualquer possibilidade de ir às eleições "com estas irregularidades".

"Ir às urnas nestas circunstâncias, com uma grande maioria de potenciais eleitores de fora, significaria perpetuar o descalabro do país", frisou o líder do Movimento Patriótico, partido criado nos finais de 2013, integrado por membros da igreja evangélica e jovens recém-formados pela Faculdade de Direito de Bissau.

Perante o diagnostico feito, o Movimento Patriótico pondera impugnar judicialmente o processo eleitoral caso as "irregularidades" não forem corrigidas.

O partido avisa também que não vai aceitar que os prazos previstos na lei sejam encurtados como tem sido falado nos últimos dias no país, de forma a realizar as eleições no dia 16 de março próximo.

Devido ao facto de um número significativo de eleitores ainda por recensear o Governo de transição vai pedir a Assembleia Nacional Popular (ANP, Parlamento) que autorize o alargamento de dias do recenseamento e consequentemente o encurtamento de prazos previstos na lei para a afixação dos cadernos eleitorais.

MB // PJA

Lusa

Falta gasóleo nas bombas da Guiné-Bissau

A Guiné-Bissau iniciou 2014 com uma rutura nas reservas de gasóleo nas bombas comerciais, o que está a causar transtornos aos automobilistas e obrigou à paragem parcial da central elétrica de Bissau, disse à Lusa fonte governamental.Falta gasóleo nas bombas da Guiné-Bissau

Segundo a fonte, das cinco bombas de venda de combustível oficialmente registadas em Bissau, apenas uma é que "ainda tem gasóleo" mas que deverá acabar ainda hoje, de acordo com a reserva disponível.

A fonte observou que a rutura se deve à falta de aprovisionamento motivada por atrasos na chegada dos navios da empresa Petromar, subsidiária da Galp, que devem vir de Portugal.

Uma fonte da Petromar disse à Lusa que "na melhor das hipóteses" o navio carregado com o combustível da empresa deverá chegar à Bissau na madrugada de domingo, podendo o gasóleo estar disponível para venda nas bombas à partir de terça-feira.

A Petromar, por ser a única empresa guineense que importa gasóleo via marítima em grande quantidade a partir de Portugal, é aquela que faz a revenda para outras empresas de distribuição dos combustíveis na Guiné-Bissau.

Sempre que a Petromar se encontrar em situação de rutura de 'stock' todas as outras empresas sentem os efeitos.

A Lusa pôde constatar durante toda tarde de hoje filas enormes de viaturas nalgumas bombas de Bissau à procura do gasóleo.

Muitos motoristas, quando informados que não havia gasóleo, não esconderam à sua insatisfação pelo incomodo da situação.

Alguns táxis e 'toca-tocas' (transportes coletivos semi-urbanos) já pararam de circular pelas ruas e bairros de Bissau.

Uma fonte da Empresa da Eletricidade e Aguas da Guiné-Bissau (EAGB) disse à Lusa que por falta de gasóleo, a central elétrica de Bissau funciona desde quinta-feira "a meio gás".

Depois de duas semanas de fornecimento regular de energia elétrica da rede pública, chegando durante os dias que antecederam o Natal e o Novo Ano a haver energia durante 24 horas ininterruptas, os lares de Bissau estão desde quinta-feira outra vez às escuras.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

«O Sporting onde está é para fazer sempre muito boa figura e o Sporting da Guiné-Bissau é um exemplo disso»» Bruno de Carvalho

Sporting Clube Portugal assinou hoje um protocolo com o homólogo africano.

«É para fazer sempre muito boa figura»

O presidente do Sporting aproveitou a visita de uma comitiva do Sporting da Guiné-Bissau a Lisboa para salientar a necessidade de o clube de Alvalade manter a exigência de sempre em todo o lado do mundo.

«Facilita muito termos esta aproximação. O Sporting é um clube muito grande, tem núcleos e filiais espalhados pelo Mundo e tem de aproveitar o excelente trabalho que lá se faz. O Sporting onde está é para fazer sempre muito boa figura e o Sporting da Guiné-Bissau é um exemplo disso», afirmou, esta quinta-feira, Bruno de Carvalho, à Rádio Sol Mansi, a emissora católica da Guiné-Bissau.

O Sporting Clube Portugal assinou hoje um protocolo com o homólogo africano.

Para uma maior abrangência recenseamento eleitoral prolongado em 30 dias

Bissau - O Governo de transição prorrogou por mais 30 dias o prazo para a inscrição dos cidadãos guineenses, com vista às eleições Gerais ainda agendadas para 16 de Março.

De acordo com Baptista Té, ministro da Administração Territorial e Poder Local, entidade encarregue de executar este processo através do seu Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE), a necessidade de alargar o prazo pela terceira vez prende-se com a abrangência de um maior número de pessoas que ainda não foram identificadas.


Um grupo de 17 partidos políticos chamou o Governo de transição a assumir as suas responsabilidades enquanto entidade organizadora do processo de recenseamento.


Em nota de imprensa, os signatários deste documento, entre os quais se destacam o Partido da Renovação Social (PRS) e o Partido da Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), exigem que seja aumentado o número de «kits» eleitorais de forma a corresponder às exigências dos trabalhos, melhorando as condições de logística de todo o processo.


«A nível organizacional e logístico, o recenseamento está a ser realizada de forma insegura e triste porque, mesmo com a falta de informação e da campanha de educação cívica, os guineenses estão disponíveis para se recensearem mas, no entanto, as insuficiências de materiais estão a desencorajar e a irritar fortemente as pessoas», lê-se no documento.


O grupo advertiu ainda para que, em caso de insuficiência de eleitores necessários para as eleições deste ano, o colectivo de partidos políticos, junto do GTAPE, vai responsabilizar o Governo de transição pelas consequências que advierem deste processo.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CAP Energy Petróleo na Guiné-Bissau tem mais potencial que previsto

O estudo independente encomendado pela CAP Energy a uma consultora francesa relativamente à exploração de petróleo na costa da Guiné-Bissau "confirmou não só o potencial [dos blocos], como parece estar acima das expetativas", anunciou a empresa num comunicado ao mercado.

"Os diretores estão muito contentes, não só com o potencial do Bloco 5B, que foi confirmado, mas também parece estar acima das expetativas iniciais", lê-se no comunicado enviado pela CAP Energy, que explora petróleo nos blocos 1 e 5B na costa da Guiné Bissau em parceria com a Atlantic Petroleum Guinea-Bissau Limited, uma subsidiária da Trace Atlantic Oil.

No comunicado, explica-se que foi pedida à francesa Beicip-Franlab, uma subsidiária do Instituto Francês do Petróleo, uma interpretação independente relativamente à informação sísmica obtida durante este ano, já depois de outro estudo encomendado pela empresa.

A interpretação da empresa francesa "oferece uma quantificação dos recursos prospetivos estimados no Bloco, baseado na história geológica e informação geofísica, incluindo informação regional dos poços" petrolíferos.

O estudo da empresa detalha um aumento da prospetividade do Bloco 5B, quando comparado com o relatório feito em julho do ano passado pela Gas Mediterraneo & Petrolio.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

ÚLTIMA HORA Ex-presidente guineense Kumba Ialá renuncia à vida política ativa (uma opção inteligente para bem da Guiné!!!!)

Bissau, 01 jan. - O ex.presidente guineense, Kumba Ialá, renunciou hoje a política ativa, disse o próprio em conferência de imprensa sublinhando que "tudo na vida tem o seu tempo".

Ex-presidente guineense Kumba Ialá renuncia à vida política ativa

Bissau, 01 jan. - O ex.presidente guineense, Kumba Ialá, renunciou hoje a política ativa, disse o próprio em conferência de imprensa sublinhando que "tudo na vida tem o seu tempo".

Kumba Ialá já não será candidato às próximas eleições presidenciais de 16 de março.

"Agora que me despeço não da política, mas de disputas e mandatos de cargos eleitorais, realço que não é necessário, que não é preciso, ter cargos para exercer a cidadania ativa", observou.

O ex.presidente guineense disse ter tomado a decisão após consultar a família e os amigos.

Na conferência de imprensa, as palavras de Ialá foram recebidas com palmas de vários apoiantes que se fizeram presentes.

Ao abandonar a vida política ativa, Kumba Ialá diz que encerra uma etapa iniciada há mais de 20 anos, tendo fundado o Partido da Renovação Social (PRS) e alcançado a presidência da Guiné-Bissau, entre 2000 a 2003, de onde saiu através de um golpe de Estado militar.

Explicando as razões do abandono da vida política ativa, Kumba Ialá recorreu aos textos bíblicos.

"O rei Salomão dizia no velho testamento que há tempo para tudo na vida terrena de um homem. Há tempo para nascer e há tempo para morrer. Há tempo para odiar, tempo para amar, tempo para parar a Guerra", observou Ialá.

Sobre as próximas eleições gerais, Kumba Ialá afirmou que a sua decisão de não se apresentar à corrida "é irrevogável", por compreender que "os tempos são outros" e por ser também dar espaço à novas figuras.

O ex-presidente guineense diz que parte "com a consciência tranquila" mas continua a querer ver a Guiné-Bissau melhorada. Kumba Ialá diz que se vai posicionar como próximo membro do futuro senado a ser cirado no país.

"Os que exerceram cargos públicos de relevo deviam afastar-se das lutas partidárias. Parto porque reformas importantes estão para ser feitas nos setores da Defesa e Segurança", observou Kumba Ialá.

Saudando as "grandes figuras" que ajudaram e inspiraram a Guiné-Bissau para a sua emancipação, Kumba Ialá referiu o nome do ex-presidente e falecido João Bernardo "Nino" Vieira e vários nomes de líderes africanos defuntos.

Ialá não se esqueceu também de "ilustres homens de Estado" de Portugal, nomeadamente Mário Soares, Álvaro Cunhal e Francisco Sá Carneiro, ao saudar a contribuição dada por Portugal na sua formação enquanto estudante e democrata.

Banco Mundial não quer interrupções nas escolas públicas da Guiné-Bissau

O Banco Mundial pretende que o resto do ano letivo 2013/2014 nas escolas públicas da Guiné-Bissau decorra sem sobressaltos. Por isso assumiu o compromisso de pagar salários aos professores do ensino público de Janeiro a Junho de 2014,para evitar futuras greves.


Nesse quadro foi assinado em Bissau um "Pacto Social para a Estabilidade Social no Setor da Educação".O documento foi assinado pelo Governo de Transição,Sindicatos dos Professores,Unicef e endossado pelo Presidente de Transição Serifo Nhamadjo. O executivo compromete-se em "criar um clima de paz no setor educativo,garantir o funcionamento regular e ininterrupto das aulas para que o processo de ensino-aprendizagem decorra de maneira contínua e consistente".


Segundo o documento enquanto o Banco Mundial vai pagar os salários correntes de Janeiro à Junho de 2014, o governo vai assegurar a liquidação dos atrasados salariais dos professores guineenses. O executivo tem ainda a "responsabilidade de garantir a transparência na gestão de fundos do Banco Mundial, na gestão da carreia docente ,no controlo do recrutamento do corpo docente.


O ensino guineense enfrenta graves problemas: O país tem apenas quinhentas das novecentas horas letivas anuais assumidas internacionalmente como padrão. O objetivo do desenvolvimento do milénio referenente a escolarização primária universal de qualidade,em 2015 está fora do alcance da Guiné-Bissau,com a taxa líquida de escolarização do ensino primário somente a 67% em 2010. Em cada 100 crianças guineense que entram mo primeiro ano do ensino básico,apenas 38 chegam ao fim do sexto ano.


O Fundo das Nações Unidas para a Infância adianta que a taxa de escolarização no ensino secundário situada nos 40%, ainda está muito aquémda média dos países da África Subsaariana estimada em 70%. A oferta de uma educação de qualidade para as crianças é insuficiente, em termos de horas letivas, de infra-estruturas escolares e de qualidadedo ensino.


A organização adianta que o financimento público para o setor da educação contunua fraco, com uma média de apenas 11% do Orçamento Geral do Estado e que mais de metade (56%) dos guineenses e quase dois-terços de mulheres(64%) são analfabetos.

Passageiros da TAP para Bissau lamentam suspensão da ligação

«Nem sequer fazem ideia dos transtornos que isso nos vai causar», destacou um dos passageiros

Os passageiros que se preparavam na última madrugada para embarcar para Dacar, de onde devem apanhar o voo da TAP para Portugal, lamentaram que aquele seja o derradeiro voo da companhia aérea portuguesa para a Guiné-Bissau.


Habitualmente os voos da TAP, tanto na chegada como na partida, costumam originar azafama no aeroporto de Bissau, mas na última madrugada, a agência Lusa pode testemunhar um clima de desalento com passageiros a não esconderem o desagrado pela situação.


Entre os passageiros destacaram-se as vozes críticas dos jovens que vivem em Portugal ou na Inglaterra e que tinham vindo ao país passar as festas do Natal e do final do ano, mas que, «às pressas», são obrigados a voltar.


«Vim ao meu país, depois de 16 anos sem passar o Natal com os meus pais e irmãos, mas quando estava a contar passar o «revellion» com eles, eis que fui chamada rapidamente para regressar», contou a passageira, Solange Reis, que vive na Inglaterra.


Ao lado e aos berros para que os «senhores da política possam ouvir», um outro jovem que não se quis identificar dizia que os «políticos guineenses são uns irresponsáveis» por terem, disse, «cortado com a TAP».


«Nem sequer fazem ideia dos transtornos que isso nos vai causar», destacou o jovem, que disse viver na Escócia de onde partiu há duas semanas com esperança de «curtir Bissau» durante três semanas.


Mais contida estava a jovem Janaina Vaz Turpin, que defendeu que as autoridades dos dois países deviam tentar chegar a um entendimento sobre os voos da TAP para a Guiné-Bissau, por ser, afirmou, uma companhia que «dá garantias de segurança» aos guineenses.


«O que se passou não foi correto. Mas já aconteceu. O povo está a sofrer com as consequências, quando no fundo não tem culpa. Devem considerar um bocado. No fundo, o povo guineense também precisa da TAP», observou Vaz Turpin, estudante em Lisboa.

Não são apenas os passageiros que lamentam o fim dos voos de ligação da companhia aérea portuguesa entre Lisboa e Bissau.
Pago Fernandes, responsável de uma conhecida agência de transporte de encomendas disse que sem a TAP «vai ser o fim do mundo».


«Nem quero pensar no que vai ser de muita gente aqui no país e mesmo lá em Portugal», enfatizou Fernandes, lembrando que nas outras companhias que voam para Bissau é regra perderem-se as encomendas.


«Uma pessoa vai ao aeroporto de Portela ou vem aqui e manda uma encomenda, dinheiro, comida, e da outra parte a encomenda chega ao destinatário passadas quatro horas, agora sem a TAP vai ser o fim do mundo», sublinhou Pago Fernandes.


Por ser sido forçado por um membro do Governo guineense a transportar 74 sírios com passaportes falsos a TAP decidiu cancelar e agora encerrar os voos de ligação para a Guiné-Bissau.

Representante da ONU na Guiné-Bissau e PR deram "luz verde" para diálogo nacional

Lusa 31 Dez, 2013

 

O representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos Horta, disse hoje que o presidente da República de transição, Serifo Nhamajo, concordou em promover um diálogo nacional "abrangente e aprofundado" sobre o futuro do país.

"Serifo Nhamajo concordou em que deve ser feito um esforço conjunto com as Nações Unidas para promover um diálogo muito abrangente, aprofundado, envolvendo todos os setores civis e militares, políticos e sociedade civil para pensarem a Guiné-Bissau e o seu futuro", afirmou José Ramos-Horta à saída do encontro em Bissau.

O representante especial do secretário-geral da ONU para a Guiné-Bissau adiantou que o chefe de Estado de transição "está em consulta com as forças políticas no sentido de haver uma alteração à lei por forma a encurtar prazos para que se possa levar avante o ato eleitoral como previsto, a meados de março".

Quanto à solidariedade de Timor-Leste no processo eleitoral, Ramos Horta referiu que o presidente de transição "afirmou perentoriamente que, se não fosse este apoio, o recenseamento nem sequer teria começado".

O representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau manteve também hoje uma reunião com o primeiro-ministro de transição, Rui Duarte Barros, com quem abordou a questão das eleições e os resultados das investigações do assassínio de um cidadão nigeriano e ataque à representação diplomática daquele país em outubro, além do espancamento do ministro dos Transportes e Telecomunicações, Orlando Viegas Mendes, em novembro.

«Incidente com a TAP» deteriorou imagem externa do país, reconhece PR

Guiné-Bissau: «Incidente com a TAP» deteriorou imagem externa do país, reconhece PR

O presidente de transição da Guiné-Bissau, Serifo Nhamadjo, confirmou, no seu discurso à Nação de fim do ano, que o «incidente com a TAP» deteriorou a imagem externa do país.

Além de prejudicar a imagem do país, Serifo Nhamadjo afirmou que a passagem dos cidadãos sírios pela Guiné-Bissau, de onde partiram para Portugal e onde acabariam por pedir asilo político complicou também as relações com Portugal.

«É verdade que o incidente da passagem por Bissau, a caminho de Lisboa, de 74 cidadãos sírios veio acrescer mais uma acha nas já deficitárias relações entre o nosso país e Portugal», disse Nhamadjo.

No passado dia 10 deste mês 74 sírios, entre adultos e crianças, embarcaram à força no aeroporto de Bissau, depois de pressões à tripulação da TAP, por parte do ministro guineense do Interior, para Portugal sob alegação de constituírem perigo para a segurança interna da Guiné-Bissau.

Para o presidente de transição, o incidente complicou as relações com Portugal, afetou a imagem externa da Guiné-Bissau e ainda «lesa a dignidade dos guineenses».

Nhamadjo diz, contudo, que aguarda pelo posicionamento da Justiça e do primeiro-ministro, Rui de Barros, para depois tomar uma decisão.

«Como é do conhecimento público tanto o ministro dos Negócios Estrangeiros, que tutela as embaixadas, como o ministro do Interior, que tutela as migrações, colocaram os seus lugares à disposição do chefe do Governo», lembrou Nhamadjo.

Perante este e outros factos invocados no discurso de fim do ano, o presidente guineense questionou os seus concidadãos sobre os caminhos a tomar para o novo ano.

Para Nhamadjo só resta aos guineenses trabalharem para que o país possa retomar a normalidade constitucionalmente interrompida com o golpe de Estado militar de abril de 2012.

Nhamadjo instou os guineenses a continuarem «com a mesma determinação», empenho e «capacidade de sofrimento», mas mantendo sempre a coesão na diversidade.

«Devemos levar a cabo aquilo que a Nação e toda a comunidade internacional espera de nós, a realização de eleições gerais (...) bem como a criação de condições para um efetivo retorno à normalidade constitucional», observou o presidente guineense.

As eleições gerais (legislativas e presidenciais) estão marcadas para 16 de março.

Lusa

A vida triste de uma terra chamada Guiné

Por Miguel Romão

Jornal I

A Guiné Bissau vista do céu parece uma hipótese de paraíso. Mas, o drama da pobreza, da corrupção, impede qualquer deslumbramento continuado

A Guiné Bissau vista do céu parece uma hipótese de paraíso. Os campos de arroz são verdes e cintilam no seu fulgor aquático. Na aproximação a Bissau, o mar é omnipresente e leva a sua imensidão a toda a terra. Mesmo no solo, olhando as pessoas, desde logo a sua diversidade – de faces, de estaturas, de línguas, de modos de ser – parece transmitir uma extraordinária harmonia, pelo menos na superfície, o que, não sendo toda a existência, já é uma verdade. Mas, assente a poeira, o drama da pobreza quase endémica, da impunidade face ao crime, da vulnerabilidade ou da inexistência das instituições, da corrupção, impede qualquer deslumbramento continuado.

Na última década, acentuando as dificuldades estruturais do país, os conflitos militares e a subjugação ao narcotráfico tornaram a Guiné Bissau num case study internacional pelas piores razões. Exemplo de “Estado falhado”, de “Estado frágil”, de ausência de Estado. Exemplo também da incapacidade e da ineficácia das organizações internacionais mais poderosas, como as Nações Unidas e a União Europeia, cujas operações nos últimos anos alimentaram um verdadeiro exército, rotinado e necessariamente descrente, de funcionários e de consultores.

O recente episódio dos refugiados sírios chegados a Lisboa provindos de Bissau, num acto quase de pirataria aérea sobre um avião da TAP, é apenas uma pequena nota de rodapé.

Muitos antes desse episódio, há por exemplo a história dos proprietários de um hotel numa das ilhas guineenses que um dia vêem chegar um pequeno avião e dele desembarcar um grupo de homens que, a troco de uma mala com dinheiro, os força a abandonar a sua casa, o seu negócio e as suas vidas, abandonando a ilha imediatamente no mesmo avião em que os outros tinham chegado – porque afinal aquela ilhota era um local conveniente para o tráfico da cocaína sul-americana a caminho da Europa.

Ou a história dos colombianos milagrosamente detidos no aeroporto de Bissau com um carregamento de 900 (!) quilogramas de droga e que poucas horas depois estavam em liberdade e em paradeiro desconhecido.

Ou a historia da juíza que se surpreende ao ver o criminoso que acabara de condenar a uma forte pena de prisão por um crime grave cruzar-se com ela na rua e dirigir-se-lhe em tom ameaçador. Não deveria contudo surpreender--se: durante muitos anos (ainda hoje?), a Guiné foi provavelmente o único país do mundo a não dispor de uma prisão. A única existente havia sido destruída no último conflito militar na cidade de Bissau e nunca reconstruída... Duas celas na sede da polícia – de uma polícia de investigação criminal sem armas suficientes, sem computadores, sem algemas, sem veículos – serviam então de instalações prisionais, impossíveis de descrever no papel.

Triste ironia: a terra de onde chegam os refugiados sírios é a mesma terra onde muitos guineenses são afinal refugiados no seu próprio país e fora dele.

Professor da Faculdade de Direito
da Universidade de Lisboa
Escreve à terça-feira