sexta-feira, 5 de abril de 2013

Governo da Guiné-Bissau pede detenção de autores de boatos sobre golpe de Estado

O Governo de transição da Guiné-Bissau solicitou hoje ao Ministério Público que detenha os autores de boatos sobre instabilidade no país e pediu às companhias aéreas e marítimas para que ignorem rumores e mantenham as suas ligações.

Fernando Vaz, ministro da Presidência e porta-voz do Governo de transição, foi esta noite à televisão pública negar que haja qualquer tentativa de golpe de Estado.

Os rumores sobre instabilidade na Guiné-Bissau levaram já a companhia aérea de Cabo Verde, TACV, a cancelar um voo para Bissau.

Num comunicado lido na televisão, o ministro disse que quer as autoridades quer a comunidade internacional e os estados da sub-região "foram surpreendidos com a disseminação de desinformação sobre um pretenso golpe de Estado, que teria originado a alegada prisão do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, a invasão dos centros nevrálgicos do poder por militares, e a suposta retenção do Presidente da República no exterior, entre outros rumores e boatos".

O Governo "declara e esclarece que tais rumores não correspondem à verdade" e visam o descrédito do país e o seu isolamento, "com a manutenção do imposto embargo económico proposto pela União Europeia e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa", para "provocar o almejado envio de uma força multinacional de invasão militar", disse Fernando Vaz.

Afirmando que todos os órgãos de soberania estão em pleno exercício de funções, o Governo pede ao Ministério Público para que, em colaboração com a Polícia Judiciária e os serviços de informação do Estado, localize, identifique e detenha "os autores do delito para que sejam conduzidos à barra da justiça e julgados".

O Governo exorta as Forças Armadas "à observância de alerta máxima para defesa da soberania do Estado e da sua integridade territorial, paz, paz civil e tranquilidade social, custe o que custar e contra quem quer que seja", disse Fernando Vaz.

Lusa 04 Abr, 2013, 23:58

Chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau nega instabilidade e fala de boatos

Bissau- O chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau, general António Indjai, garantiu hoje ,quinta-feira ,que o país está calmo e que "não há nada de anormal nos quartéis", e acusou um cidadão estrangeiro de espalhar boatos sobre instabilidade.  

Em conferência de imprensa no Estado-Maior General das Forças Armadas em Bissau, o general disse que não há nada de anormal nos quartéis do país e na própria Guiné-Bissau e disse que o cidadão holandês Jan Van Manen é que espalhou boatos sobre
instabilidade.  

"Não há nada de anormal nos quartéis. Não há nada. Podem ver aqui a presença de todos os oficiais, todos os comandantes de todos os ramos das Forças Armadas, para analisarmos em conjunto esses boatos que estão a circular no país", afirmou António
Indjai, acrescentando: "tudo não passa de boatos lançados por pessoas que não gostam deste país".  

António Indjai disse que teve que chamar os agentes dos serviços secretos para que fossem perguntar a Jan Van Manen onde tinha tido a informação de que havia movimentações militares em Bissau. O general disse ter dito ao holandês que aquele
estava a estragar o nome da Guiné-Bissau.  

"Quero avisar a comunidade internacional, sobretudo José Ramos-Horta, que está cá a ver o que se passa, que chame a atenção daqueles que estão a criar esta confusão, porque se um dia actuar contra essas pessoas, que não me venham a criticar", sublinhou o general, visivelmente furioso.  

"Não vamos admitir seja quem for criar mais confusão neste país", observou António Indjai, para quem a intenção daqueles que espalham os boatos de instabilidade "é criar o medo na cabeça das pessoas".  

"Aquelas pessoas que não gostam deste país, que sabem que a campanha de comercialização da castanha do caju está aí a chegar e por saberem que no ano passado a campanha não correu bem, portanto estão a tentar desestabilizar, lançando o medo na
cabeça das pessoas, para que os empresários estrangeiros não possam vir. Algumas pessoas desse grupo estão aqui no país, outras estão lá fora", defendeu António Indjai.  

"Gostaria de dizer aos guineenses que quem não quer ver a Guiné-Bissau em paz e na estabilidade é quem está a criar estes boatos. Quero pedir ao mundo, ou ainda melhor,  quero pedir à Deus que nos perdoe, se por acaso temos alguma dívida a pagar. Basta de
boatos que são inventados todos os dias pelo mundo fora contra a Guiné-Bissau", concluiu o general Indjai. 

Jan Van Manen  é um  holandês, proprietário de uma loja de venda de artigos de consumo e viaturas, é uma pessoa conhecida na Guiné-Bissau, onde vive há mais de 30 anos. 

Na última semana, tem sido comentado nas ruas de Bissau que há movimentações militares e uma situação de instabilidade. 

Ex-chefe da Marinha da Guiné Bissau capturado por agentes dos EUA

O antigo chefe da marinha da Guiné-Bissau, Bubo Na Tchuto, foi capturado em águas internacionais perto de Cabo Verde por uma brigada de combate ao tráfico de droga dos Estados Unidos, disseram, esta quinta-feira, fontes oficiais cabo-verdianas.

José Américo Bubo Na Tchuto, ex-chefe de Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau, foi capturado juntamente com outros quatro cidadãos guineenses em águas próximas da Zona Económica Exclusiva (ZEE) de Cabo Verde e foi desembarcado no porto de Palmeira, na ilha cabo-verdiana do Sal, tendo sido levado de imediato para o aeroporto local, de onde seguiu para os Estados Unidos.

Bubo Na Tchuto era procurado pelos Estados Unidos por alegado envolvimento no tráfico internacional de droga, sobretudo cocaína oriunda da América do Sul.

O antigo chefe militar guineense esteve envolvido em várias tentativas de golpe de Estado na Guiné-Bissau.

Em 2009, Na Tchuto fugiu para a Gâmbia depois de ter sido acusado de tentativa de golpe de Estado, alteração do Estado de direito e deserção militar e em janeiro de 2010 refugiou-se na representação das Nações Unidas na Guiné-Bissau, depois de ter sido assinado um acordo entre o Governo e a ONU para a entrega voluntária do ex-chefe da Armada às autoridades guineenses.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Elementos do Governo de transição não podem candidatar-se a deputados, medida vai pôr em causa parte integrante do regime

Bissau - Os membros o Governo de transição estão impedidos de concorrem aos cargos de deputados e a outras funções similares.

A informação foi avançada por uma fonte do Executivo de transição, que adiantou que a medida surgiu na sequência da carta de transição, assinada em 2012, aquando do golpe de Estado de 12 de Abril.


«Todos estão vedados pela força da carta de transição, de se candidatarem a qualquer cargo eleitoral, desde os ministros, secretários de Estado, secretários-gerais, assim como os directores-gerais», referiu a fonte, acrescentando que a medida era, inicialmente, destinada apenas ao Presidente de transição e ao Primeiro-ministro mas foi alargada a todos os membros do Executivo na sua primeira reunião de Conselho de Ministros, presidida na altura por Manuel Serifo Nhamadjo.


A medida vai pôr em causa grande parte de pessoas integrantes deste regime, tendo em conta que algumas formações políticas signatárias do pacto têm a maioria dos membros da sua direcção no Governo de transição.


Os partidos que protegem o Governo de transição da Guiné-Bissau consideraram irrealista, esta terça-feira, 2 de Abril, a realização de eleições gerais ainda este ano, como tem exigido a comunidade internacional.


De acordo com Afonso Té, líder do Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), que falou em conferência de imprensa em nome do Fórum dos Partidos signatários do Pacto de transição, «tendo em conta os condicionalismos, seria irrealista pensar-se em eleições gerais para este ano».


«Essa é a opinião do Fórum. Não há condições para se realizarem eleições este ano. Tem que ser sempre no próximo ano», defendeu Afonso Té, no final de um encontro de urgência realizado entre 24 dos 28 partidos que compõem o Fórum de Partidos signatários do Pacto de transição, criado na sequência do golpe de Estado de 12 de Abril de 2012.


Afonso Té acusou uma parte do PAIGC (Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde) e o Parlamento de se constituírem em obstáculos ao «curso normal» do período de transição, que diz estar a decorrer «tranquilamente».


O Presidente do PRID disse que as crises e as greves na Função Pública têm motivações políticas e que o PAIGC quer agora apoderar-se da transição e por isso está a usar a via parlamentar para concretizar os seus intentos.


Sobre a formação de um novo Governo, Afonso Té afirmou que o Fórum está de acordo, desde que seja «inclusivo de facto, sem ser como o PAIGC quer».


Ainda segundo Afonso Té, o PAIGC quer um novo Governo formado apenas por pessoas cujos partidos têm assento parlamentar e com um novo Primeiro-ministro.

Governo de transição quer acabar com sacos de plástico na Guiné-Bissau até agosto

Bissau, 03 abr (Lusa) - O governo de transição da Guiné-Bissau quer acabar com o uso de sacos de plástico até agosto, colocando em circulação sacos biodegradáveis, disse hoje à agência Lusa o secretário de Estado do Ambiente e Turismo.

Agostinho da Costa adiantou à Lusa que a decisão já foi tomada em conselho de ministros, aguardando apenas a aprovação final do Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, para que a lei seja publicada no Diário da República.

O governante explicou que logo que Serifo Nhamadjo (que se encontra em tratamento médico no estrangeiro) regresse ao país a lei será promulgada e divulgada.

Federação de Futebol da Guiné-Bissau cancela licenças de agentes

Bissau, 03 abr (Lusa) - A Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB) decidiu cancelar todas as licenças de agentes de jogadores emitidas no país e dá até ao fim de abril para que estes regularizem a situação.

Em comunicado da Federação, assinado pelo presidente da Manuel Nascimento Lopes (Manelinho), a que a agência Lusa teve hoje acesso, lê-se que a medida foi adotada como resposta ao surgimento de cada vez mais licenças de agentes de jogadores de origem duvidosa.

"A Federação constata a proliferação de existência de licenças emitidas aos agentes de jogadores credenciados junto à FIFA, alguns até com legalidade duvidosa, situação que vem merecendo uma atenção particular e que deve de ser corrigida urgentemente", diz o comunicado.

Governo de transição apresenta novos passaportes biométricos

Bissau - O Governo de transição da Guiné-Bissau apresentou hoje (quarta-feira) o novo passaporte biométrico, a ser produzido a partir de agora apenas no país e "com risco de falsificação mínimo", segundo os responsáveis. 

A apresentação do novo passaporte, "biométrico e policarbonato", foi feita na sede da INACEP- Imprensa Nacional, a empresa pública que vai fazer os novos documentos, na presença de quase todo o Governo de transição, chefias militares e representantes da comunidade internacional.  

O novo passaporte, nas palavras do Primeiro-ministro de transição, Rui de Barros, é uma forma de reafirmar a soberania do país e vai de encontro à política da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de ter um passaporte comunitário.  

O novo passaporte será também feito na Guiné-Bissau, pela Imprensa Nacional, salientou Rui de Barros, segundo o qual os antigos passaportes eram feitos no exterior e o país perdia o controlo da produção e da emissão.  

Vítor Cassamá, director da INACEP, disse aos jornalistas que a Guiné-Bissau foi o sétimo país do mundo a adoptar o novo sistema (biométrico e policarbonato) e que "o risco de falsificação é mínimo, quase impossível".     "Testámos e achamos que é uma tecnologia moderna e de ultra segurança", disse o responsável, segundo o qual a emissão de passaportes passa a ser centralizada em Bissau.  

Vítor Cassamá explicou que as principais embaixadas terão um sistema de passaportes e que os dados serão enviados ao Ministério do Interior, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, para o caso dos passaportes comuns.

"Quando se trata de um passaporte diplomático os dados são enviados da embaixada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e este envia-os à INACEP, que depois entrega o documento ao Ministério. Nenhum passaporte é emitido lá fora", disse.  

A Imprensa Nacional, segundo o director, está pronta para começar a emitir os novos passaportes a partir de hoje (quarta-feira)  e pode fazer até 250 mil por ano.

A emissão dos novos passaportes está em testes há cinco meses.  

Não foi divulgado o preço dos novos passaportes.  

A INACEP imprime todos os jornais da Guiné-Bissau, os boletins oficiais e também livros.

UA relativiza responsabilidade da Guiné-Bissau por tráfico de droga na África Ocidental

O representante especial da União Africana (UA) na Guiné-Bissau, Ovídio Pequeno, afirmou, em Paris, ser "injusto" apresentar este país como principal porta de entrada da droga na África Ocidental.

Paris - O representante especial da União Africana (UA) na Guiné-Bissau, Ovídio Pequeno, afirmou, terça-feira (2), em Paris, ser "injusto" apresentar este país como principal porta de entrada da droga na África Ocidental.

"A Guiné-Bissau é com certeza um ponto de passagem, mas ela é também vítima duma rede internacional. Não se combate eficazmente este flagelo acusando um país vítima deste flagelo",  afirmou o representante da UA em entrevista à PANA.

Segundo Ovídio Pequeno, ex-ministro santomense dos Negócios Estrangeiros, a Guiné-Bissau carece dos meios humanos, financeiros e técnicos para controlar o seu território.

"É um país que possui 96 ilhas que o Estado central não tem meios de controlar. Portanto, é totalmente normal que os traficantes aproveitem esta fraqueza do Estado para desenvolver as suas atividades. Se quisermos atacar-nos verdadeiramente a esta droga devemos agir sobre a procura e a proveniência", acrescentou o representante da UA em Bissau.

Cerca de 50 toneladas de cocaína, num valor de um bilião 800 milhões de dólares americanos, circulam ilegalmente cada ano em África, indica um estudo recente do Observatório Sahelo-Sariano de Geopolítica e Estratégia (OSGS).

Transportada por diferentes meios de transporte na África Ocidental, a cocaína passa pelo norte do Mali, pelo sul da Argélia, pelo norte do Níger, pelo sul da Líbia e pelo Egito para chegar à Europa, conforme o itinerário reconstituído pelo OSGS, um organismo instalado em Bamako, no Mali.

Vários outros países da África Ocidental, dos quais a Guiné-Bissau, Cabo Verde, a Guiné e o Senegal, registam um forte progresso do tráfico e várias apreensões de droga.

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Controlo Internacional das Drogas (PNUCID), a droga faz pairar graves incertezas sobre a paz e a estabilidade na África Ocidental, em particular na Guiné-Bissau.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

OPINIÃO Jorge Heitor*: Guiné-Bissau, um ano depois do golpe militar: mais violações dos direitos humanos e o aumento do tráfico de drogas

Completando-se no próximo dia 12 de Abril um ano sobre o golpe de estado que derrubou o regime existente na Guiné-Bissau, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a União Africana, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a União Europeia e as Nações Unidas deram conta das violações dos direitos humanos que têm estado a ser cometidas e de um aumento substancial do tráfico de drogas.

Uma missão conjunta daquelas entidades esteve no pequeno país e considerou incontestável que os problemas da impunidade, das violações dos direitos humanos e da constante intromissão das Forças Armadas na vida política existem desde há muito tempo.

Por outro lado, notou que as tropas oriundas da guerrilha que lutou pela independência não conseguiram transformar-se em Forças Armadas ao serviço do Estado, antes procurando ter sempre um papel importante na gestão do mesmo.

Além disso, notou que os políticos costumam instrumentalizar os militares, encorajando-os por vezes a derrubarem os seus adversários, numa terrível promiscuidade entre dois sectores da sociedade que deveriam ter papéis bem distintos um do outro.

O orçamento total apresentado agora pelo Governo de Transição para garantir a organização de eleições credíveis é de 32 milhões de euros; mas esse dinheiro só aparecerá se a comunidade internacional estiver disposta a ajudar um país que não se tem mostrado minimamente digno disso.

Hoje, como há sete ou oito anos, continua a falar-se da necessidade de reformas nos sectores da defesa, da segurança, da justiça e da administração pública, combatendo-se a impunidade e o crime organizado.

Tudo isto é muito bonito de se dizer, mas dificílimo de concretizar, num território onde não existe verdadeira consciência nacional nem sequer um quarto da população que se consiga expressar fluentemente na língua oficial, o português.

As eleições, sejam elas legislativas ou presidenciais, acabam sempre por se transformar numa panaceia para problemas que têm décadas de existência, pois que radicam no facto de, em 1950, 1960 ou 1970, as populações fulas, mandingas, balantas, manjacas e outras não terem sido devidamente preparadas para se unificarem numa só Nação guineense.

A doutrina de Amílcar Cabral pode ter sido muito interessante, do ponto de vista teórico, mas não é o simples pensamento de um só homem que em 15 ou 20 anos faz um país, com pés para andar. Tal como uma só andorinha não faz a Primavera.

Enquanto 25 ou 30 por cento dos guineenses, pelo menos, não estiverem devidamente alfabetizados, escrevendo e lendo como deve de ser, completando um sólido ensino secundário, será muito difícil de acreditar que termine a violência a que até hoje temos assistido.

A Guiné-Bissau continua a ser um projecto adiado, desde que em 1973 o PAIGC proclamou de forma unilateral e precoce a sua independência.

*Jorge Heitor, que na adolescência tirou um Curso de Estudos Ultramarinos, trabalhou durante 25 anos em agência noticiosa e depois 21 no jornal PÚBLICO, tendo passado alguns períodos da sua vida em Moçambique, na Guiné-Bissau e em Angola. Também fez reportagens em Cabo Verde, em São Tomé e Príncipe, na África do Sul, na Zâmbia, na Nigéria e em Marrocos. Actualmente é colaborador da revista comboniana Além-Mar e da revista moçambicana Prestígio.

Fonte

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Partidos apoiantes do governo descartam eleições para este ano (porque não querem perder os tachos!!!!!!)

Os partidos que apoiam o governo de transição da Guiné-Bissau consideram ser irrealista a ideia de que poderá haver eleições gerais ainda este ano.


«Essa é a opinião do Fórum. Não há condições para se realizar eleições este ano. Tem que ser sempre no próximo ano», afirmou Afonso Té, líder do Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), na conferência de imprensa do Fórum dos Partidos signatários do Pacto de Transição.


«Tendo em conta os condicionalismos, seria irrealista pensar-se em eleições gerais para este ano», sublinhou.


Na semana passada, o representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, disse que seria possível realizar eleições este ano e que haveria ajuda por parte da comunidade internacional.


«Isso é o que a comunidade internacional acha. A comunidade internacional pode achar uma coisa e a realidade ditar outra. Eu acho que não há condições para se realizar eleições este ano», adiantou Afonso Té.


O porta-voz acusou «uma parte do PAIGC (Partido Africano de independência da Guiné e Cabo Verde) e o Parlamento» de colocarem entraves ao «curso normal» do período de transição no país, inicialmente pensado para um ano.

Cabo-Verde poderá ser o País decisivo na solução do conflito na Guiné-Bissau : O secretário (CPLP), Murade Murargy

Cidade da Praia - O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Murade Murargy, afirmou, segunda-feira, que Cabo-Verde pode ter um papel preponderante na solução dos problemas políticos que afectam os países que integram a comunidade, especialmente a Guiné-Bissau. 

Murade Murargy, que se encontra em Cabo-Verde para uma visita oficial de três de dias, referiu-se de forma particular à maneira como as autoridades cabo-verdianas podem ajudar na resolução do conflito político-militar na Guiné-Bissau que, "preocupa e de que maneira" a comunidade. 

"Cabo-Verde esteve ligado à Guiné-Bissau e as suas relações históricas e culturais podem ser determinantes e ajudar muito na busca de solução dos problemas", frisou Murargy, citado pela Inforpress, à saída de um encontro com o chefe da diplomacia do arquipélago, Jorge Borges, primeiro acto da visita oficial a Cabo Verde, que termina quarta-feira.  

Murargy, que antes de se deslocar a Cabo Verde esteve em Bissau, reiterou que a situação na Guiné-Bissau é "difícil e complexa", lembrando ter-se reunido com todas as autoridades locais para se inteirar, no terreno, sobre o actual momento político.    

Sobre a visita a Cabo Verde, Murargy acentuou a necessidade de a CPLP ser "repensada", de forma a adequá-la aos desafios dos novos tempos, explicando que o contexto da criação da comunidade, em 1996, era "bastante diferente". 

"Perante várias mudanças operadas no mundo, nos últimos anos, urge um repensar da organização, saber se os objectivos que estiveram na base da sua criação servem para esta era da globalização que se vive actualmente", sustentou.  

Na visita a Cabo Verde, Murargy pretende ouvir as autoridades cabo-verdianas sobre como se poderá trabalhar em conjunto para que a CPLP continue a reforçar-se no momento em que vai atingir 18 anos. 

A festa do cinema em português começa hoje 3 de abril, pelas 21h

O FESTin volta ao cinema São Jorge em grande. A abertura do festival comeca hoje, dia 3 de abril, pelas 21h, com a exibição do mais recente filme do realizador angolano Zézé Gâmboa. Protagonizado pelo ator brasileiro Lázaro Ramos, O Grande Kilapyresulta de uma coprodução entre Angola, Portugal e Brasil e será o primeiro a ser exibido na sessão competitiva de longas-metragens.


O filme narra a história de  Joãozinho, um vigarista com uma profunda ética de amizade, bon vivant a todo o custo, uma pessoa simples e que vive indiferente às contingências de vida numa colónia portuguesa. Por forças das circunstâncias, Joãozinho acaba por se tornar uma personagem incómoda e subversiva para o regime colonial português. Assiste ao trailer aqui


Após a exibição, haverá um coquetel oferecido pela Globo Portugal, com DJ Set de GuiDjay.


Os ingressos para todo o festival, incluindo a abertura e o encerramento, podem ser adquiridos na bilheteira do Cinema São Jorge.


Os bilhetes para o festival têm um custo de 3€ (bilhete normal); 2,50€ (menores de 25 anos e maiores de 65 anos:); Maratona: 1,50€ (bilhete para uma sessão); 5€ (bilhete para um dia); 1,5€ (Estudantes) e Grupos de 10 pessoas: 1,50 € por pessoa.


E não se esqueça: a campanha de financiamento coletivo para os prémios de melhor curta e melhor longa-metragem decorre até o dia 5 de Abril no site da Zarpante através do link www.zarpante.com/investment/festin-2013-1109. A campanha é um sucesso e já atingimos 81% da meta pretendida. Participe também!


Toda a programação pode ser consultada aqui
www.festin-festival.com | www.facebook.com/festin.lisboa | www.twitter.com/festinlisboa

terça-feira, 2 de abril de 2013

Médicos guineenses em Portugal dão consultas em Bissau para tratar 700 doentes

Cinco médicos de origem guineense que trabalham em Portugal vão durante esta semana dar mais de 700 consultas em Bissau, foi hoje anunciado numa conferência de imprensa na qual se falou de fraudes nas juntas médicas.

Os médicos, um cardiologista, dois cirurgiões, um pediatra e um especialista em infeciologia, estão na Guiné-Bissau no âmbito de uma iniciativa da Fundação Ricardo Sanhá, criada em 2009 pelo guineense Ricardo Sanhá e com sede em Lisboa, que tem como principal objetivo dar assistência social a cidadãos guineenses no estrangeiro.

Esta é a segunda missão médica da Fundação este ano, disse hoje Ricardo Sanhá à Lusa em Bissau, adiantando que uma terceira missão estará no país em maio.

Cada médico, explicou, assiste uma média de 150 doentes, fazendo também uma triagem daqueles que terão de ser levados para Portugal para intervenções que não se podem fazer em Bissau.

Os médicos disseram, no entanto, que o grupo não se sobrepõe nem substitui a junta médica que faz em Bissau o diagnóstico dos doentes que precisam de tratamento no estrangeiro.

Ainda assim o cardiologista Mário Mendes não poupou críticas à atuação das juntas médicas em Bissau, que "mandam doentes" para Lisboa que na verdade vão de férias, que estão a emigrar ou que querem ir fazer um "check-up".

"Os critérios (da junta médica) têm sido muito díspares. Podem mandar uma pessoa com uma dor de dentes e deixar uma cardiopatia reumática. Esse não vai porque não é da família de ministros", acusou.

"Portugal dá um apoio que as pessoas não valorizam. Fazer um tratamento especializado fica extremamente caro", disse o especialista, acrescentando que o acordo com Portugal contempla o envio de 300 doentes por ano e que agora estão a ser enviados 2000 por ano. E deu um exemplo: uma cirurgia cardíaca custa entre 25 a 30 mil euros.

É por isso que os médicos da "solidariedade móvel" podem vir à Guiné-Bissau, trabalhar e formar equipas no país e fazer a triagem de doentes que se justifique serem levados para tratamento em Portugal, "mesmos sem interferir nos processos da junta médica", disse.

"Sou especialista em cardiologia, o que formo lá posso formar aqui", salientou Mário Mendes, salientando que a iniciativa da Fundação Ricardo Sanhá pode aliviar a pressão sobre o fluxo de doentes enviados para Portugal.

As críticas de Mário Mendes foram ouvidas pelo ministro da Saúde do Governo de transição da Guiné-Bissau, Agostinho Cá, que concordou com tudo e salientou que sempre foi contra o envio de doentes para o estrangeiro.

"Se conseguirmos levar para Portugal os que na realidade estão doentes, então o nosso objetivo está cumprido. O projeto (da Fundação) é o de criar condições para que as pessoas sejam tratadas cá", disse o ministro, falando também dos "problemas sociais" que acarreta uma ida para um país desconhecido e sem apoios.

Mas é preciso também, disse o ministro, tratar da pobreza no país: "há pessoas que são tratadas lá e que depois não voltam, porque não foi a doença que as levou para lá".

Agostinho Cá, também ele médico, disse que a iniciativa da Fundação Ricardo Sanhá foi uma resposta ao apelo do Governo para que médicos da diáspora viessem à Guiné-Bissau para reforçar as capacidades médicas do país.

"É obrigação minha procurar todos os meios para ajudar os pacientes. O melhor é que sejam tratados aqui. Se vêm cá holandeses, franceses e portugueses, porque não os próprios guineenses?", questionou, acrescentando: "garanto que esta missão não vai parar"