quarta-feira, 3 de outubro de 2012

PS tenta colocar Guiné-Bissau "no radar internacional"

PS tenta colocar Guiné-Bissau "no radar internacional"

Londres, 02 out (Lusa) - A situação na Guiné-Bissau foi tema da conversa com dirigentes do partido Trabalhista britânico, como parte dos esforços do PS português para colocar a questão no "radar internacional", anunciou hoje o socialista João Ribeiro.

O secretário nacional para as Relações Internacionais e Cooperação do PS aproveitou a deslocação ao congresso do "Labour", que decorre em Manchester, para explicar a posição do PS sobre a Guiné-Bissau, que coincide com a do governo português de não reconhecimento dos dirigentes no poder depois do golpe de estado de 12 abril.

O assunto foi evocado "para que possa estar no radar da política externa" dos trabalhistas, referiu à agência Lusa João Ribeiro, apesar de reconhecer que esta "não é uma prioridade do Reino Unido".

Durante a deslocação a Manchester, o dirigente socialista encontrou-se com Emma Reynolds e Douglas Alexander, responsáveis, respetivamente, pelos Assuntos Europeus e pelos Negócios Estrangeiros no "governo sombra".

Em coordenação com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, João Ribeiro disse ter levantado a questão da Guiné-Bissau em outros encontros internacionais, como recentemente aconteceu numa reunião do Partido Socialista Europeu.

"Procuramos pôr o tema no radar da política internacional", justificou.

Portugal defendeu hoje na Assembleia Geral da ONU que a solução da crise na Guiné-Bissau passa pela nomeação de um governo que inclua o PAIGC, partido maioritário no parlamento, e o regresso do primeiro-ministro deposto, Carlos Gomes Júnior.

Falando na conclusão do debate da Assembleia Geral da ONU, o embaixador português, Moraes Cabral, identificou a Guiné-Bissau como um dos pontos preocupantes no panorama global, depois de em abril ter sido "interrompido um processo eleitoral democrático, violando os princípios defendidos pela ONU", como foi reconhecido pelo Conselho de Segurança.

O restabelecimento da ordem constitucional no país, afirmou, "requer a nomeação de um governo inclusivo, com o PAIGC, partido que tem a maioria dos lugares na Assembleia Nacional", disse o diplomata.

Outras condições são "o regresso dos líderes legítimos", o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o presidente interino deposto Raimundo Pereira, "sem restrições aos seus direitos civis e políticos e organização de eleições livres e credíveis", adiantou.

BM (PDF)// NV

Lusa

Guiné-Bissau tenta desbloquear impasse

Guiné-Bissau tenta desbloquear impasse

Prédio da sede da ONU em Nova Iorque aquando da 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas
Prédio da sede da ONU em Nova Iorque aquando da 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas
REUTERS/Chip East

Miguel Martins

A capital etíope poderá acolher em data por definir uma reunião de concertação sobre a Guiné-Bissau. E isto na sequência dos contactos mantidos entre o governo de transição e as autoridades depostas pelo golpe de Estado de 12 de Abril à margem dos trabalhos da Assembleia geral da ONU que agora terminou.

Em Nova Iorque caíu o pano sobre a Assembleia Geral das Nações Unidas sem a intervenção de Raimundo Pereira, presidente interino deposto, como agendado pela ONU.

As autoridades guineenses depostas optaram por distribuir o discurso em causa.

A CEDEAO, Comunidade económica dos Estados da África ocidental, interpusera recurso alegando que tal intervenção poderia exacerbar tensões; a organização regional reconhecendo, contrariamente, a outros parceiros guineenses, as autoridades de transição.

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, presente em Nova Iorque nos trabalhos da Assembleia Geral da ONU, minimiza o facto de Raimundo Pereira não ter proferido a alocução prevista para aquele fórum.

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro guineense deposto
 
02/10/2012
 
 

O primeiro-ministro guineense deposto,  comenta o recurso da CEDEAO alegando que se vai procurar esclarecer cabalmente o sucedido.

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro guineense deposto
 
02/10/2012
 
 

As autoridades guineenses de transição, contactadas pela RFI, remeteram para mais tarde um pronunciamento sobre este contexto.

Enquanto isso no terreno surgem notícias que dão conta de uma querela opondo o PAIGC, partido histórico guineense, no poder até ao golpe de Estado, e a FRENAGOLPE, Frente nacional anti-golpe, movimento de vários partidos opostos ao golpe militar de 12 de Abril.

Aliu Candé, em serviço especial para a RFI, acompanha o caso.

 

Aliú Candê, em serviço especial para a RFI em Bissau
 
02/10/2012
 

Assembleia-geral da ONU termina sem intervenção da Guiné-Bissau

Terminou a reunião da Assembleia-geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, sem a intervenção de nenhuma das delegações da Guiné-Bissau presente nos Estados Unidos de América.

Estava inicialmente agendada a intervenção de Raimundo Pereira, Presidente da República Interino, mas o discurso acabou por ser interrompido pelo recurso da CEDEAO.


No encontro, esteve presente Manuel Serifo Nhamadjo, que igualmente viu as suas expectativas frustradas no âmbito de, alegadamente, informar ao mundo democrático as razões do golpe de Estado que o levou ao poder em Maio.


No último fim-de-semana, sob auspício da União Africana, Raimundo Pereira manteve um encontro com Serifo Nhamadjo. Contudo, não houve consenso sobre quem deveria representar o país na reunião da ONU.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Que lindos Cartoons!!!!!!

Dentro de poucas horas, a Na Rota Dos Povos inicia uma nova fase do projecto "A Educação é o Único Caminho"!

Dentro de poucas horas, a Na Rota Dos Povos inicia uma nova fase do projecto "A Educação é o Único Caminho"!
Três voluntários (Susana Antunes, Xana Vieira e Tito Baião) estão de partida, com destino a Catió.
A primeira paragem será Bissau, onde já chegaram os 5 contentores de livros, material e equipamento escolar angariado com o apoio do todos vocês.
Seguiremos para Catió, para criar a "Biblioteca Na Rota dos Povos" e para distribuir o material e equipamento pelas escolas, já seleccionadas, da região.
Na medida do possível, daremos notícias...!!!!

Comunidade da África Ocidental é "parte do problema" na Guiné-Bissau em vez de ser "parte da solução" -- CPLP

Lisboa, 01 out (Lusa) -- O secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) acusou hoje a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de estar a ser "parte do problema" na Guiné-Bissau, em vez de "parte da solução", violando normas internacionais.

"A ação da CEDEAO complica um pouco todas as outras ações internacionais porque violam todas as normas do Direito Internacional em relação à Guiné-Bissau", reconheceu, em entrevista à Lusa, na sede da CPLP, em Lisboa, o moçambicano Murade Murargy, que inicia agora o seu mandato à frente da organização lusófona.

O diplomata de carreira recordou que a CEDEAO "empossou um Governo" não eleito na Guiné-Bissau (numa alusão ao apoio manifestado aos militares golpistas) e mobiliza, no terreno, "forças compostas por países que são parte interessada no conflito".

Mas, destacou, Governo eleito e Governo imposto pelos militares golpistas iniciaram hoje um diálogo em Nova Iorque.

O Presidente deposto Raimundo Pereira e o seu sucessor Serifo Nhamadjo reuniram-se à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, que hoje termina, provavelmente sem que nenhum representante da Guiné-Bissau suba ao palanque para se dirigir à restante comunidade, dadas as divergências entre as partes.

No final do encontro, ambas as partes encarregaram os seus ministros dos Negócios Estrangeiros de continuar as discussões.

Murade Murargy confirmou que "há muitos esforços que estão a ser desenvolvidos" para "identificar as divergências que existem", mas salientou que o conflito é "um problema a ser resolvido pelos próprios guineenses", que "têm de dialogar".

As organizações internacionais podem ser apenas "facilitadores e promover o diálogo", sublinhou Murade Murargy.

"É um assunto de guineenses, tem de ser resolvido pelos guineenses", insistiu, sem arriscar um prazo, porque, "em questões de conflitos internacionais, é difícil prever um tempo", mas esperando que "seja o mais rapidamente possível".

"Enquanto tivermos um membro na situação em que se encontra a Guiné-Bissau, dificilmente podemos desenvolver ações de cooperação mutuamente vantajosas entre nós", reconheceu o secretário-executivo.

As outras organizações internacionais envolvidas na resolução do diferendo -- ONU, União Europeia, União Africana -- "estão de acordo" no que é preciso fazer agora, garantiu Murade Murargy.

"Querem que a legalidade internacional seja reposta, (...) que "as forças da CEDEAO sejam substituídas por forças internacionais, que envolvam outros países, incluindo os da CPLP, e que seja constituído um Governo de transição com base nos resultados das eleições", enumerou.

Murade Murargy disse não temer o peso que o conflito na Guiné-Bissau poderá ter no seu mandato. O assunto "está a ser seguido ao mais alto nível", nomeadamente entre representantes da CPLP e da CEDEAO, e disse acreditar que vai ser possível "encontrar uma saída para este imbróglio".

"A Guiné-Bissau não nos vai desviar dos nossos objetivos", assegurou, recordando que Moçambique fixou o tema da segurança alimentar e nutricional como prioridade para o seu mandato à frente da CPLP, até 2014.

"Os nossos países têm capacidades e potencialidades" para "participar na produção mundial" de alimentos, justificou o ex-chefe da Casa Civil durante a presidência de Joaquim Chissano.

Portugal defende governo que inclua PAIGC e regresso de Gomes Júnior

Nova Iorque, 02 out (Lusa) - Portugal defendeu hoje na Assembleia Geral da ONU que a solução da crise na Guiné-Bissau passa pela nomeação de um governo que inclua o PAIGC, partido maioritário, e o regresso do primeiro ministro deposto, Gomes Júnior.

Falando na conclusão do debate da Assembleia Geral da ONU, o embaixador português, Moraes Cabral, identificou a Guiné-Bissau como um dos pontos preocupantes no panorama global, depois de em abril ter sido "interrompido um processo eleitoral democrático, violando os princípios defendidos pela ONU", como foi reconhecido pelo Conselho de Segurança.

O restauro da ordem constitucional no país, afirmou, "requer a nomeação de um governo inclusivo, com o PAIGC, partido que tem a maioria dos lugares na Assembleia Nacional", disse o diplomata.

Autoridades depostas e interinas em diálogo

Guiné-Bissau: Autoridades depostas e interinas em diálogo

Pr da guiné bissau


O presidente deposto da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, encontrou-se nas Nações Unidas com o seu sucessor, nomeado após o golpe militar de Abril de 2012, Serifo Nhamadjo, iniciando um processo de diálogo entre ambas as partes, disse domingo à Lusa fonte diplomática. 


"Foi primeiro encontro de criação de confiança, um mero encontro simbólico", afirmou o embaixador guineense junto da ONU, João Soares da Gama. 


Para o presidente deposto Raimundo Pereira e para o seu sucessor Serifo Nhamadjo, o encontro foi uma forma de "apenas demonstrar que de facto há boa vontade no sentido de se enveredar por via negocial para solução da crise na Guiné". 


No final do encontro, organizado pelo diplomata guineense, ambas as partes encarregaram os seus ministros dos Negócios Estrangeiros de continuar as discussões. 


A preparação do encontro envolveu o Departamento de Assuntos Políticos do Secretariado da ONU, a missão de Moçambique, que preside à CPLP, e ainda a União Africana.


Foi o culminar de uma semana diplomática intensa na ONU, em que na sexta-feira, após queixa da Comunidade Económica do Dsenvolvimento dos Estados da África do Oeste (CEDEAO, o presidente deposto Raimundo Pereira viu suspensa a sua intervenção.


O objectivo do processo de diálogo, diz Soares da Gama, é iniciar conversações formais, para já identificando os pontos de divergência entre as partes, que serão analisados caso a caso. 

NOTA DE IMPRENSA

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PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU

NOTA DE IMPRENSA

Nova Iorque, 29 de Setembro de 2012

 

O Presidente da República Interino da Guiné-Bissau, Dr. Raimundo Pereira, sob auspícios da União Africana e testemunhado pela CPLP e CEDEAO, manteve, no sábado, 29 de Setembro de 2012, na sede da União Africana em Nova Iorque, um encontro com o Presidente de Transição, sr. Serifo Nhamadjo, simbolizando as vontades das duas partes em que sejam abertos os caminhos de diálogo interno para a solução da grave crise que se instalou na Guiné-Bissau após o golpe de Estado de 12 de Abril.

Os dois políticos se cumprimentaram e trocaram algumas impressões sobre o início de um processo de diálogo interno que possa conduzir à uma paz duradoura na Guiné-Bissau, tendo sido aplaudidos pela assistência que testemunhou o acto.

Após o encontro do Presidente Interino Dr. Raimundo Pereira e o sr. Serifo Nhamadjo, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Mamadu Jalo Pires e o sr. Faustino Fudut Imbali se reuniram de seguida para traçarem uma estratégia comum que possa servir de base de lançamento para o diálogo entre as duas partes desavindas na crise político-militar despoletada com o golpe de Estado de 12 de Abril.

Após o encontro, os dois governantes concordaram nos seguintes pontos:

a.       Agradecerem a União Africana pela iniciativa de proporcionar um primeiro contacto entre as duas delegações em Nova Iorque e ao mais alto nível como um primeiro passo para o início de um diálogo interno que deverá abrir os caminhos para a paz e estabilidade duradouras na Guiné-Bissau;

b.      Encorajar a Missão Conjunta da ONU/UA/CPLP/CEDEAO/EU na Guiné Bissau para uma avaliação da situação no terreno, cujos resultados poderão permitir a ONU e a UA o lançamento de bases para as negociações entre as delegações dirigidas pelos Ministros Dr. Mamadu Jalo Pires e Faustino Fudut Imbali, em Addis Abeba com vista ao estabelecimento de um roteiro credível para a solução da crise no nosso país;

c.       Apelar à UA para a criação das condições logísticas que permitam um novo encontro entre as delegações dirigidas pelos Ministros Dr. Mamadu Jalo Pires e Faustino Fudut Imbali, em Addis Abeba, com vista ao estabelecimento de um roteiro credível para a solução da crise no nosso país;

d.      Encorajar o diálogo interno entre todas as forças vivas da nação, desde as forças políticas e também das organizações da sociedade civil, incluindo sindicatos e ONGs como forma de assegurar um processo de transição inclusivo;

e.       Apelar a Comunidade Internacional para que apoie na promoção do diálogo interno que facilite a aproximação das partes desavindas no processo político guineense e para uma transição política credível.

 

No concernente à controvérsia que resultou da presença de duas delegações para a Guiné-Bissau, (Governo Legítimo e Governo imposto de transição) há que sublinhar que foi a delegação chefiada pelo Presidente Interino da República, Dr. Raimundo Pereira que foi credenciada e, por isso, só ela teve acesso à Sala da Assembleia Geral da ONU.

Portanto, a delegação do sr. Nhamadjo, não tendo sido credenciada, nem sequer teve acesso às instalações das Nações Unidas.

Foi o nome do Presidente da República Interino, Dr. Raimundo Pereira é que figurou na lista dos oradores até ontem Sexta-feira. Só foi suspenso porque a CEDEAO, através de Senegal, Nigéria e a Costa do Marfim apresentaram um recurso para que o Presidente Dr. Raimundo Pereira não proferisse o discurso em nome do país, utilizando a chantagem e a mentira junto do Secretário-geral da ONU para atingirem esse objectivo, alegando que se este falasse iria aumentar a instabilidade militar no país e que também seria uma humiliação para a CEDEAO e que isso poderia mesmo levar ao fim da organização sub-regional. E, nessa circunstância, quando há um recurso que coloca a controvérsia entre duas delegações do mesmo país, o assunto é levado para o Comité de credenciais que deve tecer recomendações por consenso e envia-la ao Presidente da Assembleia Geral, que, por sua vez, a submeterá ou não à plenária da Assembleia Geral da ONU para votação e decisão final.

Entretanto, segundo fontes bem colocadas junto do gabinete do Presidente da AG da ONU, ele não vai tomar nenhuma decisão sobre o assunto, uma vez que o Comité de credenciais não chegou a um consenso sobre a controvérsia criada pela Nigéria e companhia.

 

Significa declarar que o Presidente Interino Dr. Raimundo Pereira não irá proferir o seu discurso conforme estava previsto, sendo que esse era o objectivo do recurso do Senegal, da Nigéria e da Costa do Marfim. Todavia, não conseguiram nem sequer que a delegação de Serifo Nhamadjo fosse credenciada e muito menos proferir discurso na AG da ONU.

 

Na verdade, esta situação acaba por representar uma vitória para a delegação do Presidente Interino Dr. Raimundo Pereira, uma vez que só ela foi credenciada e entrou nas Nações Unidas e foi recebida pelo Secretário-Geral Adjunto da ONU para os Assuntos Africanos, manteve encontros com a Configuração da Guiné-Bissau da Comissão da Consolidação da Paz das Nações Unidas e teve uma audiência com a nova Presidente da União Africana junto das Nações Unidas.

Por outro lado, a delegação foi convidada a tomar parte em várias recepções de países membros das Nações Unidas, designadamente da África do Sul, Emiratos Estados Árabes, OCI e França.

O Governo Legítimo da República da Guiné-Bissau

(Autoridades Eleitas pelo Povo)

Discurso do Presidente Interino deposto Raimundo Pereira que seria lido na Assembleia Geral da O N U

REPÚBLICA DAclip_image002[6]GUINÉ-BISSAU

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

 

Excelência Senhor Vuk Jeremic, Presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas, 

Excelência Senhor Ban Ki-moon, Secretário-geral das Nações Unidas, 

Senhoras e Senhores Chefes de Estado e de Governo,

Senhoras e Senhores Embaixadores,

Excelências,

Senhor Presidente,

Permita-me, antes de mais, felicitar Vossa Excelência pela Vossa eleição à Presidência da 67ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral das Nações Unidas, fazendo votos que o seu mandato seja coroado de êxitos e deixando, desde já, a garantia de plena cooperação do meu país ao longo desta nobre missão que lhe é confiada.

Igualmente, gostaria de felicitar o Senhor Nassir Abdulaziz Al-Nasser, Presidente da 66ª Sessão da AG da ONU pelo excelente trabalho realizado.

Senhor Presidente,

É com o sentimento de profundo reconhecimento e de gratidão que uso da palavra nesta honrada tribuna, na minha qualidade de Presidente da República Interino, legítimo Presidente do meu país, o que demonstra, de maneira inequívoca, a intolerância da nossa organização em relação às alterações inscontitucionais dos poderes democraticamente instituídos.

O tema proposto para esta Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, ‹‹realizar por meios pacíficos o ajustamento ou resolução de situações de caráter internacional›› reveste-se de uma importância capital, tendo em conta o atual contexto internacional que o mundo atravessa e a situação de crise vigente na Guiné-Bissau.

Com efeito, o meu país registou no passado dia 12 de Abril de 2012, mais um episódio de golpe de Estado, que culminou com a alteração da ordem constitucional, isto, depois da realização da primeira volta das eleições presidênciais antecipadas, consideradas livres, justas e transparentes pela comunidade internacional.

Anima-me a certeza de ter a legitimidade para falar em nome do povo da Guiné-Bissau, que na sua esmagadora maioria reconhece na minha pessoa o seu representante legal, nos termos da nossa Constituição. Lembro que, aquando do falecimento do Presidente Malam Bacai Sanhá, por força da Constituição da Guiné-Bissau, enquanto Presidente da Assembleia Nacional Popular eleito,  assumi o cargo de Presidente da República Interino.

Registamos com particular frustração que a resolução da crise que se instalou na Guiné-Bissau tenha criado fortes divergências entre as diferentes organizações internacionais. Reconhecemos à CEDEAO, com base no princípio da subsidiariedade delegada pela União Africana, a liderança do processo de mediação da crise na Guiné-Bissau. Temos contudo particular dificuldade em compreender que este se apresente em contradição com a salvaguarda dos valores da Democracia e do Estado de Direito, assim como a preservação do respeito e a dignidade da nossa organização subregional.

Lamentamos que a CEDEAO insista em não obedecer aos padrões da Comunidade Internacional, ignorando inclusivê uma resolução especifica do Conselho de Segurança e levando o país ao isolamento total, com graves consequências social e humanitária para o nosso povo. Com efeito, o método e a  forma como  a CEDEAO diz pretender repôr a legalidade constitucional, demonstram claramente não simplesmente a aceitação mas a premiação do golpe de Estado, o que  contraria flagrantemente o princípio da tolerância zero ao acesso ao poder por vias anticonstitucionais, tal como proclamado no seu próprio protocolo sobre a democracia e boa governação .

Senhor Presidente,

As regras e os princípios da democracia e do Estado de direito  são objetivos e universalmente reconhecidos por toda a comunidade internacional, pelo que eles devem fundamentar todas as ações políticas que emanam das organizações de que soberanamente somos parte, e as suas interpretações não devem, de maneira nenhuma, ser subjetivas ou equívocas.

Neste contexto, saudamos as claras posições assumidas pela CPLP, União Europeia, União Africana, Organização Internacional da Francofonia e as Nações Unidas, que souberam genuinamente interpretar os referidos princípios e renovamos a esperança de ver a CEDEAO reconsiderar as suas posições e se alinhar com estes importantes parceiros.

Achamos todavia urgente que as Nações Unidas assumam o seu papel de coordenação deste processo tal como recomendado pela Resolução 2048 do Conselho de Segurança, e a Declaração do Presidente do Conselho de Segurança, do dia 30 de Julho de 2012, para que todas as organizações parceiras sejam incluídas na busca de uma solução equilibrada, justa e que responda as aspirações dos guineenses.

Nesta ótica, reiteramos o nosso apelo ao Secretário Geral das Nações Unidas, para a convocação de uma reunião de alto nível para a análise da situação na Guiné-Bissau, com vista a elaboração de uma estratégia global e integrada e a adoção de um roteiro, contendo medidas concretas para o restabelecimento  completo da ordem constitucional na República da Guiné-Bissau.

Por outro lado, não nos parece viável qualquer processo de transição na Guiné-Bissau, sem a participação do partido vencedor das últimas eleições legislativas e que governou o país até a data do golpe de Estado, o PAIGC. Pensamos que a eleição de um novo 1º vice-presidente da Assembleia Nacional Popular que possa assegurar a presidência, em exercício, do parlamento e a constituição de um novo governo a ser dirigido por um Primeiro Ministro indicado pelo PAIGC, poderia ser o princípio de uma solução minimamente aceitável e que poderia tirar o país do extremo isolamento em que se encontra desde os trágicos acontecimentos de 12 de Abril.

Parece-nos ainda extremamente importante, diria mesmo decisivo, para que se possa encontrar uma solução duradoura para a crise no país,  que a Força da CEDEAO estacionada na Guiné-Bissau seja transformada numa Força multinacional ou internacional com mandato expresso das Nações Unidas e que inclua unidades de outros países da CPLP, de modo a poder garantir, em geral, a segurança a todos os dirigentes políticos e de todos os cidadãos guineenses ao livre exercício dos seus direitos civis e políticos.

E, nesta perspectiva, gostaria de manifestar perante esta magna Assembleia, a minha total disponobilidade e a do Primeiro Ministro, Senhor Carlos Gomes Junior, para cooperar na busca de uma solução consensual que traga a paz, estabilidade e o desenvolvimento à Guiné-Bissau e que permita ao seu povo,  exercer o legítimo direito de escolher os seus dirigentes.

Senhor Presidente,

A impunidade na Guiné-Bissau tem constituído uma grande preocupação da comunidade internacional e do povo guineense nos últimos 14 anos e uma das principais causas da instabilidade politico-militar no país.

Gostariamos, por isso, de exortar a Comunidade Internacional no sentido de um maior apoio e envolvimento no prosseguimento dos inquéritos sobre os diversos assassinatos políticos ocorridos no país a fim de serem encontrados os autores destes crimes hediondos e, julgados nos termos da lei, através de um Tribunal internacional ad hoc, independente e credível.

Com efeito, Excelência Senhor Presidente, gostaria, perante esta Magna Assembleia, de reiterar as denúncias que haviamos feito em intervenções anteriores perante o Conselho de Segurança da ONU, sobre a falta das liberdades e dos direitos fundamentais dos cidadãos na Guiné-Bissau.

É preciso que se saiba que desde os trágicos acontecimentos de 12 de Abri, os cidadãos e os partidos políticos democráticos na Guiné-Bissau estão proibidos de se manifestar pacíficamente e de exprimirem livremente as suas opiniões.

Ora, não há democracia sem o exercício livre, por parte dos cidadãos e dos partidos políticos, dos seus direitos e liberdades fundamentais, sendo por isso urgente que se ponha termo a esta situação absurda.

Senhor Presidente,

Gostaria de registar a nossa oposição ao continuo bloqueio a Cuba e nos associarmos aos muitos que exigem o imediato levantamento do embargo. Da mesma forma quero expressar a nossa adesao à responsabilidade que todos devemos paratilhar a bem dos equilibrios globais do ambiente e, desta forma, nos congratularmos com os resultados alcançados aquando da recente conferência mundial do Rio+20.

Para terminar, Senhor Presidente, permita que me dirija aos meus compatriotas na Guiné-Bissau,  que sofrem diretamente com a situação prevalecente no nosso país assim como os  que estão espalhados pelo mundo fora, para lhes pedir coragem e determinação em evitar o resvalo da Guiné-Bissau para o estatuto de Estado falhado, e que devemos continuar todos a trabalhar de mãos dadas e em harmonia para juntos construirmos uma Guiné Bissau melhor para todos.

Em nome de todo o povo guineense, cumprimento a todos e renovo os nossos sinceros agradecimentos.

BEM HAJA A TODOS!

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Impacto do Turismo no Arquipélago dos Bijagós

A declaração vem de um relatório sobre “Dinâmicas e Impactos da expansão do Turismo no Arquipélago dos Bijagós”, uma área marinha protegida na Guiné-Bissau. O blog caboverdiano Morabeza compartilha  o estudo do CETRI (Centro Tricontinental) com a ONG portuguesa IMVF e Tiniguena.
 

Já tive oportunidade de leer o trabalho feito e me parece um bom trabalho.Agora queria puntualizar algunas coisas:
Ler mais em Comentários neste Blogue

Presidente deposto reclama "vitória" apesar de bloqueio da CEDEAO

Nova Iorque - O presidente interino deposto da Guiné-Bissau afirmou à Lusa que o credenciamento da sua delegação para representar o país na Assembleia Geral da ONU foi uma "vitória", apesar de impedido de intervir no plenário.   

Raimundo Pereira falou no fim-de-semana à saída de um encontro com o sub-secretário geral para Assuntos Africanos, Jeff Feltman, depois de ter sido impedido de falar no debate na sexta-feira, após uma queixa interposta pela comunidade regional, a Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que ainda está a ser analisada.   

"A democracia, em primeiro lugar, saiu vitoriosa porque viajámos para Nova Iorque para participar na Assembleia Geral e nós é que fomos creditados, os outros não", disse Pereira, apontando para o crachá de identificação nas Nações Unidas.    

Quanto ao discurso que foi impedido de fazer, depois da inscrição da intervenção e quando já estava dentro do plenário, a "CEDEAO levantou questões que estão a ser analisadas", mas, para as autoridades depostas, "é uma vitória representar a Guiné-Bissau", adiantou à Lusa.   

Confrontado com a posição intransigente de bloqueio tomada pela CEDEAO em relação à intervenção do governo deposto, Pereira escusou-se a comentar.  

Acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros, Djaló Pires, e do embaixador guineense junto da ONU, João Soares da Gama, Raimundo Pereira esteve reunido perto de 40 minutos com Feltman.    

O objectivo, disse Djaló Pires à Lusa, era pedir ao secretário-geral que se "envolva mais" no processo guineense, como previsto nas posições do Conselho de Segurança, e que avance com a criação de tribunal internacional "ad-hoc" para a Guiné-Bissau.   

O governo pretende que este tribunal, seguindo o modelo dos criados pelo Conselho de Segurança para o Líbano, Ex-Jugoslávia ou Rwanda, seria encarregue do julgamento de todos os crimes de sangue cometidos nos últimos anos no país de 2000 a 2012.   

"Fomos muito claros e dissemos o que pensamos que deve ser feito para que a Guiné-Bissau encontre uma solução duradoura, não paliativa. O país tem assistido nos últimos 14 anos a sucessivos golpes de Estado", disse Raimundo Pereira à Lusa, após o encontro.  

Feltman, adiantou, foi "receptivo" e disse que as autoridades legítimas "têm uma palavra a dizer" no processo.

À margem do debate anual da Assembleia Geral, a delegação guineense, que incluiu o Primeiro-ministro deposto Carlos Gomes Júnior, encontrou-se com a presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma.  

"A União Africana comprometeu-se a estar mais engajada na procura de soluções. Temos esperança que sejam dados passos importantes nos próximos tempos para resolução desta crise", disse Pereira.   

Nos encontros em Nova Iorque na semana, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a CEDEAO falharam o objectivo definido pelo bloco lusófono de um plano de acção conjunto para a Guiné-Bissau.   

Ainda assim, diz o presidente deposto, "foi um momento crucial, permitiu que, num espaço de tempo muito curto, se desenvolvessem acções muito importantes".  

Até se chegar a um plano de acção, refere, é preciso "aproximar posições", devendo os contactos prosseguir na próxima semana. 

Pereira escusou-se a responder se a continuação do processo eleitoral interrompido pelo golpe de Abril continua a ser uma exigência da CPLP, dizendo apenas que "está tudo em aberto". 

Youssoufou Bamba, embaixador da Costa do Marfim, país que detém a presidência da CEDEAO, escusou-se a prestar declarações à Lusa. 

"Voz do povo guineense foi silenciada na ONU"

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, José Luís Guterres, afirmou à Lusa que a suspensão da intervenção do presidente deposto da Guiné-Bissau no debate da Assembleia Geral da ONU "silenciou a voz do povo guineense" no plenário internacional.

"Foi silenciada a voz do povo da Guiné-Bissau na ONU. É uma situação que não devemos permitir", disse Guterres, em declarações à Lusa no final de uma semana diplomática intensa na ONU, em que na sexta-feira, após queixa da CEDEAO, o presidente deposto Raimundo Pereira viu suspensa a sua intervenção.

CPLP e CEDEAO têm estado divididas sobretudo em relação ao reconhecimento do governo saído do golpe de Estado militar em abril, que o bloco lusófono rejeita, trabalhando apenas com o executivo deposto de Carlos Gomes Júnior.

A queixa da CEDEAO, sob pretexto de que a intervenção aumentaria a instabilidade na Guiné-Bissau, está a ser apreciada pelo comité de credenciais da Assembleia-Geral, que deverá fazer uma recomendação ao presidente o plenário, o sérvio Vuk Jeremic, sobre se Pereira pode ou não intervir no debate anual.

Jeremic terá depois de submeter a decisão a votação pela Assembleia-Geral, adiantou o diplomata, sendo difícil que tal venha a acontecer até à conclusão do debate anual, na segunda-feira.

Para Guterres, é "profundamente lamentável que presidente da Assembleia Geral não tenha dado voz a representante legitimo do povo da Guiné-Bissau".

"O nosso desejo é que se encontre rapidamente uma solução para que a voz [da Guiné-Bissau] seja restabelecida aqui na ONU", adiantou o ministro.

Raimundo Pereira afirmou sábado à Lusa que a credenciação da sua delegação para representar o país na Assembleia Geral da ONU foi uma "vitória", por ter sido recebido pelo Secretariado da ONU e a comitiva do presidente de facto, Serifo Nhamadjo, não ter sido creditada, apesar dos esforços da comunidade regional.

José Luís Guterres sublinha que ONU e CPLP continuam a reconhecer como representante legítimo do povo guineense o executivo de Gomes Júnior, eleito em eleições "livres e transparentes".

É necessária uma solução rápida para "repor a legalidade constitucional" no país, afirma o chefe da diplomacia timorense, cujo país conhece o tipo de "instabilidade" que afeta a Guiné.

"É a nossa experiência própria e falamos com o coração nas mãos quando olhamos para o povo das Guiné que continua a sofrer", disse à Lusa.

Isto, refere, "quando há muitas possibilidades para o país ser desenvolvido", dados os recursos naturais e recursos humanos de que dispõe.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique afirma que a comunidade da África Ocidental (CEDEAO) apenas "defendeu a sua dama" minando na ONU o governo deposto da Guiné-Bissau, e que dos contactos entre os dois blocos sai uma "dinâmica" positiva.

Já sobre o argumento apresentado pela CEDEAO de que uma intervenção do governo deposto na Assembleia Geral elevaria as tensões em Bissau, o ministro Oldemiro Balói afirma que é "sensível e eventualmente pouco prudente" de ser utilizado.