quinta-feira, 5 de abril de 2012

PAICG adverte que situação política coloca em causa a paz

Bissau – A Comissão Permanente de Bureau Politico do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) advertiu quarta-feira, 4 de Abril, que a Guiné-Bissau está a passar por uma situação politica que pode por em causa a paz e ordem composicional.

A informação foi revelada num comunicado de imprensa pela Comissão Permanente de Bureau do PAIGC, que refere que «o nosso país está a atravessar de novo uma situação política crítica e que pode pôr em causa a paz, a estabilidade e a ordem constitucional».


No documento, a Comissão Permanente de Bureau do PAIGC disse ter abstido nos últimos tempos de alguns posicionamentos com o objetivo de preservar as conquistas nacionais, no que diz respeito à criação de um clima de estabilidade e paz para que o país possa sair da «zona de turbulência».


O comunicado refere que esta formação política não respondeu a inúmeras provocações, que foram dirigidas em 2011, pela chamada «Oposição Democrática», com marchas que classificou de fracassadas, adicionadas com insultos graves e difamações aos seus dirigentes. «O PAIGC enquadrou essas atitudes de aprendizagem democrática», acrescenta o documento.


Relativamente ao posicionamento dos cinco candidatos que ainda contestam os resultados da primeira volta das eleições presidenciais antecipadas, realizadas a 18 de Março, o PAIGC salientou que não existem indicadores da existência de um plano no sentido de subverter a ordem constitucional por parte destes candidatos, nomeadamente Koumba Yalà, Henrique Rosa, Serifo Nhamadjo, Afonso Té e Serifo Baldé.


No que se refere à presença na Guiné-Bissau da Missão Angolana (MISSANG), o PAIGC disse estar solidário com o Governo no seu programa de cooperação com a República de Angola, tendo considerado a MISSANG como um facilitador de diálogo com os parceiros internacionais da Guiné-Bissau.


A Comissão Permanente de Bureau Politico do PAIGC sublinhou ainda que a necessidade de qualquer mal-entendido na aplicação na cooperação entre o país e Angola não pode atingir os princípios e as bases que fundamentam a vontade dos dois povos, governos e partidos.


Por último, o PAIGC reitera a sua total e incondicional confiança a todos os militares que se assumem como republicanos e que têm a Constituição da República como fator que dignifica as Forças Armadas.

Suspenso início da campanha eleitoral para segunda volta das presidenciais

Bissau, 05 abr (Lusa) - A Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau suspendeu o início da campanha eleitoral para a segunda volta das eleições presidenciais antecipadas, até que o do Supremo Tribunal de Justiça se pronuncie, anunciou hoje a instituição.

Cinco dos nove candidatos que disputaram a primeira volta das eleições interpuseram um recurso no Supremo Tribunal de Justiça exigindo a anulação do escrutínio realizado no dia 18 de março último, sob alegação de fraude.

O Supremo Tribunal, nas suas competências de Tribunal Constitucional, ainda não se pronunciou sobre o recurso apresentado pelos candidatos Kumba Ialá, Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, Afonso Té e Serifo Baldé.

Governo guineense elogia papel da MISSANG no seu país

Bissau - O Governo Guineense disse não ter constatado violações ao Acordo de Cooperação no Domínio da Defesa e Segurança por parte da Missão Angolana de Apoio à Reforma do Sector de Defesa e Segurança (MISSANG) e elogiou o seu papel significativo para a modernização das Forças Armadas da Guiné-Bissau e sua transformação em Forças Armadas Republicanas.

Reunido extraordinariamente a 3 de Abril em Conselho de Ministros, para analisar o posicionamento assumido publicamente pelo Tenente-General António Indjai, chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, em relação à MISSANG, o governo expressou o seu agradecimento aos apoios do Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, do executivo e do povo angolano

No comunicado final do Conselho de Ministros, o governo guineense expressou o seu agradecimento por “este apoio inestimável que vêm prestando aos seus irmãos da Guiné-Bissau, que, no âmbito da desejada cooperação sul-sul, contribui de forma decisiva para a modernização das suas forças armadas, criando as condições para que venham a ser o modelo de forças armadas republicanas que todos ambicionamos”.

A 30 de Março deste ano, numa reunião especial na Assembleia Nacional Popular, por iniciativa do Presidente da República Interino, Raimundo Pereira, o tenente-general António Indjai, assumiu posições sobre a missão angolana que o Conselho de Ministros guineense considerou não reproduzir o teor das informações recebidas dos chefes militares que sempre qualificaram as relações entre as Forças Armadas da Guiné-Bissau e as forças da MISSANG de fraternas e de elevado nível.

Para o governo daquele país, a MISSANG vem cumprindo cabalmente a missão de apoio que lhe foi fixada, contribuindo de forma significativa para a formação de militares e agentes de segurança, para a reabilitação de infra-estruturas militares e de polícia e para o reapetrechamento das Forças Armadas da Guiné-Bissau, com o objectivo de as modernizar e transformar em Forças Armadas Republicanas.

O governo guineense manifesta a “firme determinação de não só manter a Missão, mas também reforçá-la com vista a cobrir outros sectores que aguardam a concretização do Roteiro CEDEAO/CPLP e assume o compromisso de respeitar rigorosamente o Protocolo para a Implementação do Programa de Cooperação Técnico-Militar e de Segurança entre Angola e a Guiné-Bissau, consubstanciado na Resolução n." 20/2010, de 20 de Dezembro.

Anunciou a realização de uma conferência de imprensa no sentido de esclarecer a opinião pública nacional e internacional sobre o conteúdo dos Acordos de cooperação existente entre os dois países.

O Governo exorta a todos os seus parceiros, partidos políticos, sociedade civil e instituição militar, a adoptar um comportamento à altura das suas responsabilidades, especialmente num momento em que o país se encontra envolvido num processo eleitoral que, não obstante a sua complexidade, foi por todos considerado livre, justo e transparente.

Para o Governo, é importante tornar público que os compromissos assumidos com o Governo da República irmã de Angola foram fixados aquando da visita que o Chefe de Estado-Maior-General das Forças Armadas, tenente-general António Indjai, efectuou a Luanda, à frente de uma importante Delegação das Forças Armadas da Guiné-Bissau, de 4 a 9 de Setembro de 2010.

“Na sequência desta visita, a parte guineense apresentou à parte angolana as suas necessidades para a implementação do Programa de Reformas, dando especial destaque para necessidade de instalação de uma Missão Técnico-Militar e de Segurança na Guiné-Bissau.

Este e os demais compromissos assumidos, que constam do documento intitulado "Conclusões da Visita à República de Angola do Senhor tenente-general António Indjai foram entretanto endossados pelos Governos de Angola e da Guiné-Bissau no âmbito do Acordo de Cooperação no Domínio da Defesa e Segurança, que as partes submeteram à aprovação dos Parlamentos angolano e guineense e à ratificação dos seus Presidentes da República, dando assim cumprimento aos requisitos constitucionais de ambos os Estados.

O Acordo de Cooperação no Domínio da Defesa e Segurança com a República irmã de Angola, que prevê os mecanismos para a resolução de quaisquer diferendos que possam surgir entre as partes, os quais devem ser respeitados em quaisquer circunstâncias, foi aprovado por unanimidade pela Assembleia Nacional Popular” – realça-se no comunicado do Conselho de Ministros da Guiné-Bissau.

Presença militar angolana abre crise entre Governo e forças armadas

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Soldados angolanos acudiram ao Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, durante última tentativa de golpe. Segunda volta das presidenciais em causa.


Por Lassana Cassamá, VOA

O Ministro guineense dos Negócios Estrangeiros, Mamadu Saliu Djalo Pires, avisou que a retirada da Missão Militar de Angola no país terá consequências negativas .


Pires falava num encontro com jornalistas depois da deslocação a Bissau do ministro da defesa angolano, Cândido Pereira Van Duném, que era portador de uma mensagem confidencial do presidente José Eduardo dos Santos para ao seu homólogo guineense Raimundo Pereira.


Embora se desconheça o teor da mensagem presume-se que esteja relacionada com declarações de militares guineenses exigindo a retirada da missão militar angolana, algo que agora provocou reacção por parte do governo.


Djaló Pires disse que a suspensão da missão angolana teria consequências "graves". O minsitro fez notar as obras que estão a ser feitas pelos angolanos em infra-estruturas do sector da defesa.


"Isso irá não só crear problemas graves ao sector da defesa e segurança ... mas terá um efeito multiplicador negativo porque são empresas nacionais a quem foram atribuídas a responsabilidade de fazerem essas obras e essas empresas empregam trabalhadores guineenses," disse.


O ministro recordou tambem a presença de cerca de 350 guineenses que estão a participar num curso em Angola que terão que voltar de imediato caso essa cooperação seja suspensa.


Informações não confirmadas apontam que Luanda anunciou a retirada da MISSANG no país, conforme a exigência do Chefe de Estado-maior General das Forcas Armadas, António Indjai, mas o Governo da Guiné-Bissau veio manifestar, em comunicado do Conselho de Ministros, reunido ontem em Bissau, a sua determinação de não só manter a Missão angolana no país, mas também reforçá-la com vista a cobrir outros sectores.


O minsitro disse não ter havido por parte da MISSANG qualquer violação ao Acordo de Defesa entre Bissau e Luanda .


Mamadu Saliu Djalo Pires considera ainda que se, na verdade, houvesse alguma violação do aludido acordo, eventualmente registada por parte dos sectores militares, a informação devia ser reportada ao Ministério da Defesa.


Para o ministro compete ao governo negociar com o governo angolano. "Essa competência pertence ao governo e não às forças aramdas," disse o ministro.

Fonte: VOA

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Kumba Ialá não reconhece mediador da CEDEAO para acabar com impasse eleitoral

Bissau – Koumba Yalà, líder e porta-voz de grupo dos cinco candidatos que contestam os resultados eleitorais na Guiné-Bissau, disse esta terça-feira, 3 de Abril, que não vai reconhecer o enviado especial da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO,) Alfa Conde, Presidente da Guiné-Conacri sobre a crise pós-eleitoral no país.

«Não reconhecemos este Presidente da Guiné-Conacri para vir cá mediar qualquer situação interna. Ele é suspeito, sabe porquê e pode justificar porque é que não o queremos na Guiné-Bissau», determinou Kumba Yalá.


Koumba Yalá prestou estas declarações durante uma conferência de imprensa, que contou com a presença dos seus colegas, onde reafirmou a sua posição de não participar na segunda volta das eleições presidências antecipadas, previstas para 22 de Abril.


Em relação ao sorteio da Comissão Nacional de Eleições (CNE), realizado esta terça-feira, para posicionar os dois candidatos da segunda volta, o candidato apoiado pelo Partido da Renovação Social (PRS), disse que não vai participar em qualquer eleição, e que a CNE faça às eleições com um candidato que pretenda vencer sozinho.


Apesar destas contestações, a PNN apurou, junto da Comissão Nacional de Eleições, que Koumba Yalà não apresentou diante o Supremo Tribunal de Justiça a sua posição de não concorrer à segunda volta, cuja entrega expirou a 2 de Abril.

A CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) indicou esta segunda-feira, 2 de Abril, em Dacar, no Senegal, o Presidente Alpha Condé, da Guiné-Conacri, como mediador da crise pós-eleitoral na Guiné-Bissau, originada pela recusa de Kumba Ialá em participar na segunda volta das presidenciais, alegando fraude eleitoral.

Governo garante determinação em manter e ampliar missão angolana

Bissau, 04 abr (Lusa) - O Governo da Guiné-Bissau está determinado em manter a missão militar angolana (Missang) no país e quer mesmo reforçá-la, diz um comunicado hoje divulgado.

O comunicado surge na sequência de uma reunião extraordinária do Conselho de Ministros ocorrida na terça-feira, no mesmo dia em que o ministro da Defesa angolano, Cândido Pereira Van-Dúnem, se deslocou a Bissau para entregar ao Presidente interino, Raimundo Pereira, uma mensagem de José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola.

Embora o conteúdo da mensagem não tenha sido divulgado, o Governo faz hoje grandes elogios à Missang, agradece o apoio angolano, afirma-se firmemente determinado em manter a missão no país e garante que respeitará o protocolo assinado com Angola, o qual até agora não foi violado.

terça-feira, 3 de abril de 2012

CEDEAO nomeia presidente da Guiné-Conakry como mediador para impasse

Bissau - A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) nomeou segunda-feira Alpha Condé, Presidente da Guiné-Conakry, como mediador do impasse eleitoral na Guiné-Bissau, noticiou a Lusa. 

A decisão foi tomada numa cimeira extraordinária realizada em Dakar, no Senegal, onde 12 chefes de Estado da região assistiram à posse do novo presidente do país, e comunicada aos jornalistas à chegada a Bissau, pelo presidente interino, Raimundo Pereira. 

Na reunião, disse, foi apresentado o relatório feito pelo presidente da Comissão da CEDEAO, Kadré Désiré Ouédraogo, na sequência da visita que fez à Guiné-Bissau no passado sábado. 

Alpha Condé "nos próximos tempos vai procurar falar com todas as partes envolvidas e procurar uma solução para o impasse que existe neste momento relativamente à segunda volta" das eleições, afirmou Raimundo Pereira. 

A Guiné-Bissau realizou eleições presidenciais no passado dia 18 de Março, mas cinco dos candidatos não aceitam os resultados e o segundo mais votado recusa participar na segunda volta, por considerar que houve fraude.

Questionado se a data para a segunda volta das eleições, 22 de Abril, está em causa, Raimundo Pereira disse que a data está marcada e que a indicação de Alpha Condé significa "que a CEDEAO está interessada em envolver um mediador para todas as questões que entendeu que são relevantes, não só políticas".

"Porque os Chefes de Estado deixaram bem claro que a solução tem de respeitar a Constituição e a legalidade. Significa que toda a gente está à espera da decisão do Supremo Tribunal de Justiça, mas paralelamente, se for possível estabelecer o diálogo para poder ultrapassar a questão que existe neste momento seria bom", justificou Raimundo Pereira. 

O presidente acrescentou que a CEDEAO ouviu também "algumas preocupações" do responsável máximo da Comissão "relativamente à questão da segurança na Guiné-Bissau", pelo que essa mediação irá ter em conta "todas as questões envolventes do problema". 

"Ficou mais uma vez reafirmada a decisão da CEDEAO de dar tolerância zero a golpes de Estado, portanto, em nenhum momento tolerará a tomada de poder pela via da força", declarou Raimundo Pereira, acrescentando que o mesmo se aplica ao Mali, o outro tema em debate na reunião extraordinária.

"A Cimeira constatou que houve progressos mas que não são suficientes e decidiu a aplicação imediata, a partir de hoje, das sanções que tinham sido anunciadas, até ao completo restabelecimento da ordem constitucional" no Mali, adiantou Raimundo Pereira. 

E quanto ao Senegal, o presidente interino da Guiné-Bissau elogiou o "exemplo a África" que o país deu na consolidação do processo democrático.

Bispos apelam à reconciliação

Responsáveis católicos mostram preocupação com o clima gerado nas eleições presidenciais

 

Lisboa, 03 abr 2012 (Ecclesia) – Os bispos católicos na Guiné-Bissau promovem até domingo uma “semana da reconciliação”, apelando à paz e ao desenvolvimento no país lusófono, que vive um processo eleitoral.

"Neste tempo de eleições presidenciais antecipadas cujos ânimos já estão muito excitados, pedimos ao Senhor para que venha em auxílio de nossa querida Guiné-Bissau. Rezamos para que todos os guineenses se reconciliarem com Deus, consigo mesmos e com seus irmãos”, assinala uma nota episcopal, publicada pela agência Fides, do Vaticano.

D. José Câmnate na Bissign, bispo de Bissau, D. Pedro Carlos Zilli, bispo de Bafatá, e D. José Lampra Cá, bispo auxiliar de Bissau, convocam a população a unir-se aos católicos para “criar e consolidar as bases por um futuro mais promissor”.

“Nós, os bispos da Guiné-Bissau, convidamos todas as comunidades das Dioceses de Bissau e Bafatá a viverem a Semana Santa como um ‘semana da reconciliação’", escrevem.

O segundo candidato mais votado na primeira volta das presidenciais guineenses, Kumba Ialá, recusa-se a disputar a segunda volta do escrutínio contra Carlos Gomes Júnior, o candidato mais votado no primeiro turno, a 18 de março, alegando fraude eleitoral.

Os bispos do país pedem “oração pela justiça, paz e reconciliação” a todos os “irmãos guineenses”.

Ministro da Defesa angolano esperado em Bissau

Bissau - O ministro da Defesa de Angola, general Cândido Pereira Van-Dúnem, inicia hoje, terça-feira, uma visita de 24 horas a Guiné-Bissau, onde deverá manter contactos com a direcção daquele país, no quadro da cooperação militar existente entre os dois estados membros da CPLP e dos PALOP.

Segundo uma nota da Embaixada de Angola na Guiné-Bissau chegada hoje à Angop, o ministro Cândido Pereira Van-Dúnem será portador de uma missiva do Presidente angolano José Eduardo dos Santos para o presidente interino daquele país, Raimundo Pereira.

No aeroporto internacional de Bissau, Cândido Pereira Van-Dúnem será recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Mamadou Djalo Pires, pelo embaixador de Angola em Bissau, Feliciano dos Santos”Paxi”, outros membros da missão diplomática e responsáveis da Missão Técnica Militar angolana”Missang” dirigida pelo general Gildo dos Santos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Chefias militares "divididas", alerta representante ONU

Nova Iorque, (Inforpress) - As chefias militares da Guiné-Bissau continuam divididas e algumas não respeitam o poder político, pelo que a capacidade de liderança do próximo presidente da Guiné-Bissau será "crucial", alertou hoje o representante da ONU no país.


Num briefing ao Conselho de Segurança, por videoconferência a partir de Bissau, Joseph Mutaboba fez um balanço positivo das eleições presidenciais de 18 de março, antecipadas devido à morte do ex-presidente Malam Bacai Sanhá, mas sublinhou que estas foram uma "rotura abrupta imprevista".
"As eleições são um marco importante para restaurar a ordem constitucional. Um novo presidente eleito tem de lutar para ser conciliador e não sacrificar os progressos visíveis e consideráveis alcançados nos últimos três anos", disse Mutaboba.
A morte de Sanhá, "que era uma força moderadora com influência considerável sobre os divididos atores políticos e militares, foi um golpe para os planos e programas de consolidação da paz", adiantou.
Como consequência das eleições antecipadas, o governo está "severamente constrangido" desde janeiro, dado que o primeiro-ministro é candidato do principal partido às presidenciais, além de que o presidente interino tem poderes limitados.
"Isto sublinha até que ponto o enquadramento legal na Guiné-Bissau precisa de uma revisão fundamental, uma vez que a Constituição atual falhou em indicar um caminho claro" para "evitar vácuos que comprometem o normal funcionamento do Estado", disse Mutaboba, dando como exemplo o Orçamento de 2012, a aguardar assinatura presidencial.
A Conferência de Reconciliação Nacional, que deveria ter tido lugar em janeiro, tem agora uma "janela de oportunidade muito estreita, mas não impossível", dado que o mandato dos parlamentares está a terminar e o novo presidente deve apenas ser empossado em maio.
Mutaboba alertou ainda para as "divisões e falta de compromisso uniforme para com os valores republicanos", entre as chefias militares, demonstrada pelos confrontos de 26 de dezembro de 2011, uma manifestação da urgência da reforma do aparelho de segurança.
"A liderança do novo presidente, que é comandante-chefe das Forças Armadas, será crucial", sublinhou.
Os obstáculos para concluir a reforma devem ser "resolvidos no início da próxima presidência" e "afinar" as abordagens dos diferentes parceiros internacionais "continua a ser um desafio", bem como estimular a sua participação, adiantou.
Segundo Mutaboba, as consultas entre a comunidade lusófona (CPLP), a organização regional (CEDEAO) e o governo de Bissau sobre um memorando de entendimento para implementação do plano de reforma do aparelho de segurança "parecem ter esmorecido", depois de um "impulso inicial".
A embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, que preside à configuração para a Guiné-Bissau na Comissão ONU para a Consolidação da Paz, salientou a "estabilidade e crescimento económico" recentes no país, cujas instituições suportaram "dois eventos potencialmente desestabilizadores" - os confrontos de dezembro e a morte de Sanhá.
Sublinhou que as eleições foram consideradas livres e justas e que agora é "crucial que todos os atores, especialmente os que estão na segunda volta e seus apoiantes, demonstrem maturidade política, mantenham um ambiente pacífico e se abstenham de quaisquer ações que possam levar a tensões desnecessárias".
João Soares da Gama, embaixador da Guiné-Bissau junto da ONU, afirmou que "mesmo com a atmosfera de alguma tensão" depois da recusa do segundo candidato mais votado, Kumba Ialá, em participar na segunda volta, o governo espera que sejam respeitadas as decisões das autoridades eleitorais e que "no interesse do país, a vontade e bom senso prevaleçam e a segunda volta tenha lugar".
A reforma do aparelho de segurança, adiantou, está "no topo das prioridades", mas para tal é necessário que os parceiros desembolsem dinheiro para o fundo de pensões que vai financiar a desmobilização.


Inforpress/Lusa

domingo, 1 de abril de 2012

Oposição quer acabar com missão militar angolana

Lassana Cassamá, VOANews


Alguns sectores da oposição da Guiné-Bissau estão a exigir a partida da missão angolana de apoio à reforma nos sectores da defesa e segurança.


As pressões nesse sentido surgem depois de Angola ter apelado às autoridades guineenses e a todos os intervenientes no processo político na Guiné-Bissau para "observarem o respeito pela constituição, instituições democráticas, legalidade e estabilidade do país".


O apelo foi na abertura da VII Reunião de Ministros da Educação da CPLP em Luanda e segue-se à crise motivada pela recusa do segundo candidato mais votado nas eleições presidenciais guineenses de participar na segunda volta das mesmas.


É nesse contexto que se espera a deslocação a Bissau de um enviado especial do presidente angolano, José Eduardo dos Santos.
O emissário irá transmitir às autoridades guineenses a preocupação de Luanda face ao momento que se vive na Guiné-Bissau, isto numa altura em que alguns sectores da chefia militar e políticos defendem a retirada da missão angolana .


Como argumento, invocam que a MISSANG está a extravasar o propósito da sua missão, acusando-a de possuir armamentos que não devia. Uma alegação que merece a desconfiança de fontes independentes, segundo as quais Bissau está a ser alvo de uma guerra de influência geopolítica entre alguns países africanos e europeus, com implicações imprevisíveis.


Alguns observadores questionam mesmo, porque é que só agora que se acentuou a discussão sobre a presença da missão angolana no país, sobretudo neste momento da crispação eleitoral.


E no mesmo âmbito, o do processo eleitoral, marcado pela contestação de resultados por parte de alguns candidatos, chega amanha à capital guineense uma missão mista da CEDEAO, União Africana e das Nações Unidas, tudo na respectiva de acompanhar, ajudar e encontrar uma saída plausível da contenda eleitoral.


Objectivo que resultou, alias, na criação da Comissão de Facilitadores do Diálogo entre os actores políticos. Uma comissão saída da reunião ontem presidida pelo Presidente da Republica Interino, Raimundo Pereira, e que juntou todos os candidatos presidenciais, chefias militares e membros da sociedade civil, entre os lideres religiosos.


Esta comissão deve encontrar-se em separado com as figuras políticas directamente envolvidas no processo, devendo na segunda-feira apresentar relatórios dos contactos efectuados.

Crise no Mali e recusa dos resultados eleitorais na Guiné-Bissau dominam o noticiário africano

A crise política instalada no Mali, após o golpe de Estado militar contra o presidente Amadou Toumani Touré, e recusa pela oposição dos resultados da primeira volta das eleições presidenciais antecipadas na Guiné-Bissau, constituem, entre outros, os destaques da semana que hoje finda.

Quanto ao Mali, os presidentes da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), esperados para dar solução à crise política nesse país, foram impedidos quinta-feira de aterrar no aeroporto internacional de Bamako "Senou" por um grupo de apoiantes dos golpistas, que alegam não querer ingerência de outros países nos assuntos internos do seu território.

Tendo a CEDEAO e a Francofonia suspendido o Mali das duas organizações por causa da recusa dos militares devolverem o poder ao Governo democraticamente eleito.

Na Guiné-Bissau, apesar das acusações de cinco candidatos derrotados (Kumba Yalá, Serifo Nhamadjo, Henrique Rosa, Afonso Té e Serifo Baldé) de que as eleições presidenciais antecipadas de 18 de Março foram fraudulentas, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau convocou para o dia 22 de Abril den 2012 a segunda volta do escrutínio.

A eleições presidenciais, segundo a CNE serão disputadas pelos candidatos Carlos Gomes Júnior e Koumba Yalá, que obtiveram respectivamente 48,97 porcento e 23,36 porcento dos votos. 

Constituiu igualmente manchete, a vitória do antigo Primeiro-ministro senegalês, Macky Sall,  na segunda volta das presidenciais no Senegal, cujo empossamento do novo chefe de Estado será realizado segunda-feira, em Dakar.

A Comissão Nacional de Recenseamento dos Votos do Senegal confirmou terça-feira a vitória de Macky Sall na segunda volta das eleições presidenciais de 25 de Março com 65,80 porcento dos votos face ao Presidente cessante, Abdoulaye Wade, que obteve 34,20 porcento.

Foi também matéria de destaque no noticiário africano, a tentativa de negociação quarta-feira entre o Partido Democrático Gabonês (PDG - no poder) e os dirigentes do Congresso Nacional Africano (ANC) da África do Sul para a retirada da candidatura da sul-africana Nkosazana Dlamini  Zuma à presidência da Comissão da União Africana (CUA), igualmente pretendida pelo gabonês Jean Ping.

Devido a múltiplos pontos de vista entre as duas delegações, nenhuma solução foi encontrada, devido a manutenção incondicional da candidatura de Zuma que tem o apoio não só do seu partido, mas também de outros Estados membros da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral).

A situação de crise militar entre o Sudão e o Sudão do Sul,  consta entre os factos que mereceram relevo noticioso na semana.

Os responsáveis sudaneses e sul-sudaneses, que previam reunir-se quinta-feira em Addis Abeba para pôr fim aos confrontos de ambos os exércitos no início dessa semana numa zona fronteiriça, foram adiadas para hoje (sábado), devido a impossibilidade do mediador Thabo Mbeki, o ex - presidente sul-africano, se fazer presente antes de sábado na Etiópia.

Essas conversações foram programadas muito antes dos combates de segunda-feira entre os dois exércitos vizinhos, acompanhados por um bombardeamento da aviação sudanesa às regiões fronteiriças da sua antiga província, que se tornou
independente a 9 de Julho de 2011.

Foi ainda destaque a decisão da União Europeia (UE) de doar 164 milhões 500 mil euros a favor das populações da região do Sahel, onde 15 milhões de pessoas estão ameaçadas pela fome.

Segunda-feira, a Comissão Europeia anunciou, num comunicado divulgado em Bruxelas, que o desembolso destes fundos servem para "ocupar-se das causas das crises alimentares recorrentes" nesta parte de África.

No tocante à região da África Austral, concretamente nas Ilhas Maurícias, a demissão forçada do presidente Anerood Jugnauth, devido a um conflito com o Primeiro-ministro, teve também respaldo noticioso ao longo da semana.

A partir de hoje (sábado), a vice-presidente, Monique Ohsan Bellepeau, vai substituir o presidente nas suas funções, essencialmente honoríficas, o qual precisou que deixaria o cargo para se juntar à oposição.

"Não estou de acordo com a filosofia do Governo e a maneira como está sendo dirigido o país", declarou Jugnauth à imprensa. "Por não estar de acordo, vou partir", acrescentou.

No Zimbabwé, a declaração da procuradoria geral da República de ter dado como encerrado o inquérito sobre a morte, em 2011, num incêndio, do primeiro chefe do exército zimbabweano independente, o general Solomon Mujuru, foi manchete.

“Estou de acordo com as conclusões do inquérito que não retêm nenhum elemento suspeito", declarou o procurador-geral Johannes Tomana, ao diário Herald, acrescentando que "é por isso que recomendei à polícia para encerrar o dossier".

Por fim, a vitória por maioria esmagadora do partido no poder nas eleições legislativas de quinta-feira na Gâmbia, foi igualmente destaque da semana finda.

O partido no poder venceu obtendo 43 dos 48 assentos, durante um escrutínio boicotado pela oposição que acusou o presidente Yahya Jammeh "de abuso do poder".

A Aliança Patriótica para a Reorientação e a Reconstrução (APCR, no poder) que venceu o escrutínio em 18 circunscrições eleitorais sobre as 43 que integram o país.

Governo angolano ajuda com meios técnicos Televisão da Guiné-Bissau

Luanda - A televisão da Guiné-Bissau conta com novos meios técnicos entregues pelo Governo angolano, no âmbito de um Protocolo de Cooperação assinado em Fevereiro de 2007 entre os dois país no sector da comunicação social.

Segundo uma nota da Embaixada de Angola na Guiné-Bissau , consta do material entregue na sexta-feira, três cameras e respectivos acessórios, uma unidade de montagem e de edição, baterias, carregadores, projectores, cartões de memórias, tripés e um processor de disco.

Presidiu a cerimónia de entrega, o adido de imprensa da Embaixada de Angola na Guine Bissau, Gaspar Florêncio, que na ocasião apelou o uso racional e conservação dos meios.

Em resposta, o director geral da Televisão da Guiné-Bissau, Luís Barros, agradeceu o apoio que o Governo angolano tem prestado ao seu país, particularmente, ao sector da comunicação social.

" Os meios ora adquiridos vêm suprir uma grande dificuldade e irão permitir a televisão guineense ter uma grelha de programas mais diversificada, a exemplo da televisão angolana", disse.

O Conselho de Ministros de Angola aprovou em Maio de 2008, um protocolo de cooperação técnico e o intercâmbio no domínio da informação e comunicação social com a República da Guiné-Bissau, que prevê à formação de quadros, intercâmbio de programas e de notícias, assistência técnica, visitas, estágios e cobertura de eventos.

Em Janeiro de 2011, a Televisão da Guiné-Bissau retransmitiu em fase experimental a emissão normal da TPA Internacional.