quarta-feira, 14 de março de 2012

ONU: Ban Ki-moon pediu a Paulo Portas apoio de Portugal à Guiné-Bissau

Nova Iorque, 13 mar (Lusa) -- O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu ao ministro dos Negócios Estrangeiros de, Paulo Portas, a continuação do apoio de Portugal ao processo de reformas e consolidação da paz na Guiné-Bissau.

Segundo nota hoje divulgada pelo gabinete de Ban Ki-moon, o pedido foi expresso durante um encontro entre ambos na segunda-feira, nas Nações Unidas, depois de o chefe da diplomacia de Portugal ter feito uma intervenção no Conselho de Segurança sobre a situação no Médio Oriente, e em particular a Síria, crise também discutida entre ambos.

Ban Ki-moon "expressou o apreço pelo antigo apoio a Timor-Leste e às sucessivas missões da ONU" no país lusófono, refere a nota.

PRS acusa Governo de banalizar processo eleitoral

Bissau – A Directoria Nacional da campanha eleitoral de Koumba Yalà acusou, esta segunda-feira, 12 de Março, em Bissau, o Governo, através do Ministério da Administração Territorial, e a Comissão Nacional de Eleições (CNE), de banalizarem o actual processo eleitoral em curso no país.

A mesma Directoria denunciou ainda uma alegada tentativa de fraude no que diz respeito ao acto eleitoral agendado para este Domingo, 18 de Março.


Em conferência de Imprensa realizada esta segunda-feira, em Bissau, o Diretor Nacional Adjunto da Campanha de Koumba Yala, Artur Sanhá, justificou a sua questão pelo facto de alegadamente haver «urnas misturadas» e com diferentes cores e tamanhos para estas eleições.


Artur Sanhá disse que a distribuição de material de votação foi precipitada: «Quando os materiais chegaram, provenientes de Portugal, foram levados e guardados nas instalações da CNE. Os mandatários de Koumba Yalà de Serifo Nhamadjo, de Baciro Dja e de Afonso Té é que reclamaram as garantias de segurança, sendo que a CNE era de opinião que as portas deveriam ficr abertas», defendeu.


Neste sentido, conforme disse ainda o responsável, a CNE não estava interessada em acatar as exigências destes materiais, sendo que eles mesmo que ofereceram para colocar cadeados nestas portas e, só mais tarde, as autoridades eleitorais decidiram mudar os cadeados.


Neste encontro com a imprensa, o então Primeiro-ministro em 2003 lançou duras críticas ao candidato do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, de querer ganhar na primeira volta, o que, no seu entender, é uma fraude.


Em relação à emissão da segunda via do cartão de eleitoral, Artur Sanhá falou de um alegado movimento descoordenado e mal enquadrado de brigadas junto dos seus distritos eleitorais, relativamente à imperfeição na emissão dos documentos, justificando que alguns destes não têm numeração nem anotação de segunda via.


Artur Sanhá citou nomes de algumas pessoas apanhadas em Catio, sul do país, em Gabu, leste, e em Bissau, que alegadamente foram vistas a seleccionar e a transcrever dados de cartões de eleitor.
Perante estes factos, Artur Sanhá concluiu que o processo de emissão de segunda via de cartões de eleitor não é viável, transparente e serve apenas para «vender galinhas em Ziguinchor e em Bissau».


Sumba Nansil

Estados Unidos atentos às eleições na Guiné-Bissau

Com olhos postos nas presidenciais antecipadas deste domingo, os Estados Unidos de América fizeram chegar ao país o seu Director de Programas para Guiné-Bissau do Gabinete de Ligação Diplomática. Foi nesta perspectiva, a de acompanhar o desenrolar do processo eleitoral,que Russel Hanks esteve reunido hoje com o Ministro guineense do Interior, Fernando Gomes.


A saída desta reunião, o diplomata norte-americano falou aos jornalistas. Hanks referiu ainda informações que estão a dominar o país nas últimas 24 horas, em como navios de guerra norte-americanos estariam ao largo da costa marítima da Guiné-Bissau, mais especificamente nas águas internacionais e em alerta, isto em caso de uma eventual convulsão política e militar.


Entretanto,o Ministro do Interior, Fernando Gomes descreveu a composição das forças da ordem em presença no dia de votação.

terça-feira, 13 de março de 2012

Presidenciais na recta final

Dados apresentados pela Comissão Nacional de Eleições indicam que vão ser abertas em Bissau várias centenas de mesas de voto

Fotografia: Rogério Tuti

Os candidatos à Presidência da República na Guiné-Bissau entraram ontem na fase crucial da campanha eleitoral para o escrutínio do dia 18, do qual sai o sucessor de Malam Bacai Sanhá, que faleceu no ano passado em Paris, França.


A primeira semana de campanha, que decorreu sem incidentes, ficou marcada pela digressão que os principais candidatos, senão todos, efectuaram ao interior do país para a mobilização do eleitorado.


Desde ontem, todas as atenções estão viradas para Bissau, a capital do país e principal praça eleitoral. Dados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) indicam que na Região Autónoma de Bissau vão ser abertas 528 mesas de voto para um universo de 161.881 eleitores.


Em Bissau o clima é de bastante movimentação, com passeatas, convívios e encontros entre os candidatos e os seus apoiantes, mantendo até agora uma conduta dentro das normas que regem o processo eleitoral. A campanha eleitoral está a ser dominado por três protagonistas. São eles Carlos Gomes Júnior,  “Cadogo Jr”, que aos 62 anos deixou a chefia do governo e é o candidato do partido no poder (PAIGC), Henrique Rosa, Koumba Yalá e Serifo Nahamadjo.
Na recta final da campanha, tudo indica que Cadogo Jr é o único candidato em ascensão e que pode ficar na história das eleições democráticas presidenciais ao ser o primeiro Presidente da República a ser eleito à primeira volta. Com um discurso cauteloso e polido, Cadogo Jr sublinha que os guineenses merecem um presidente que conhece os seus problemas e que está à altura de resolvê-los. Se for eleito presidente, afirmou, vai criar as condições necessárias para que todas as instituições do Estado funcionem em harmonia, para o desenvolvimento do país, e abrir um novo ciclo para cumprir o programa maior do partido para que o país alcance a paz e estabilidade.


Em sentido contrário, a oposição apresenta várias  críticas. Desde logo a polémica à volta da candidatura de Cadogo Jr ao pleito, afirmando que é inconstitucional pelo facto de um primeiro-ministro não poder ser demitido por um Presidente interino, nem por poder acumular os cargos de primeiro-ministro e Presidente.


A governação de Cadogo Jr tem sido alvo de críticas da oposição, que desvaloriza os progressos registados no país nos últimos anos, como as obras de construção e ­reabilitação de edifícios públicos.  Com argumentos pouco convincentes, os candidatos da oposição prometem “mudanças”, desvalorizando tudo o que foi feito pelo actual governo. A Guiné-Bissau enfrenta o dilema de um escrutínio  decisivo para a sua história, marcada por uma vida política instável e ameaça permanente de golpes de Estado. Nas eleições presidenciais do dia 18, a União Europeia, um dos principais financiadores do processo, tem um número reduzido de observadores, ao contrário da eleição realizada em 2009.

O presidente da Comissão Nacional de Eleições, Desejado Lima da Costa, lamenta a situação, porque “é uma observação que nos dava cobertura em todo o espaço territorial”, mas admite que “vamos ter uma boa observação”. Os observadores  internacionais  na Guiné-Bissau compreende as missões da União Africana, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e de parlamentares do Reino Unido. São esperados mais de cem observadores.


Trabalho pedagógico


Na Guiné-Bissau é grande a expectativa à volta das presidenciais antecipadas. À pergunta se depois das eleições a Guiné-Bissau fica um país preparado para seguir o caminho da estabilidade, progresso e justiça social, Desejado Lima da Costa respondeu: “acho que isso vai depender muito dos partidos políticos. É difícil fazer agora um prognóstico”.


Desejado Lima da Costa diz que a CNE deve fazer um “trabalho pedagógico de fundo”. Na sua óptica, a Guiné-Bissau tem dois percursos a fazer: “primeiro, um caminho de esperança e felicidade, que resulta se nós fizermos as melhores eleições, porque vamos fortificar as instituições democráticas e a nossa democracia ganha mais maturidade. Obviamente que o país e a comunidade internacional vão criar condições para o investimento estrangeiro e relançar a economia para a sua sustentabilidade.


O outro caminho leva-nos à instabilidade e à crispação política”. Desejado da Costa não tem dúvidas: “tudo isso depende dos partidos políticos, os agentes do processo têm uma opção e escolha clara”.


No dia 18 são esperados 600 mil pessoas nas urnas para exercerem o direito de voto.

Eleições: CPLP substitui Russo Dias como chefe de missão de observação

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai designar ainda hoje um chefe de missão às eleições presidenciais de domingo na Guiné-Bissau, por «incompatibilidade legal» da primeira escolha, o embaixador Russo Dias.

Fonte da CPLP disse à Lusa que a missão de 11 observadores devia ser chefiada por António Russo Dias, antigo embaixador de Portugal em Bissau, mas que tal afinal já não vai acontecer.

A lei não permite que antigos diplomatas que tenham estado no país em questão sejam chefes numa missão de observação eleitoral, «há uma incompatibilidade legal», disse a fonte.

Lusa

Candidato a Presidente da Guiné-Bissau contra bandeira que é nacional e de um partido

Bissau,  (Lusa) - Henrique Rosa, candidato a Presidente da Guiné-Bissau nas eleições de dia 18, quer um debate sobre a bandeira nacional, porque...

Candidato a Presidente da Guiné-Bissau contra bandeira que é nacional e de um partido

Candidato a Presidente da Guiné-Bissau contra bandeira que é nacional e de um partido

Bissau, (Lusa) - Henrique Rosa, candidato a Presidente da Guiné-Bissau nas eleições de dia 18, quer um debate sobre a bandeira nacional, porque é "falta de respeito" a bandeira do país e de um partido serem iguais.

"A bandeira é importante, é um símbolo, mas a nossa bandeira é uma onde há um símbolo de um partido escrito, um candidato escrito. Afinal é a bandeira nacional, de um partido ou de um candidato?", questionou num comício em Mansoa, arredores de Bissau.

E acrescentou: eu não quero a nossa bandeira assim, nós queremos uma bandeira nacional. Temos de fazer uma opção clara, ou o PAIGC (partido que lutou contra o colonialismo e que está hoje no poder, apoiando o candidato Carlos Gomes Júnior) fica com a bandeira e arranjamos outra ou eles arranjam outra bandeira.

Para Henrique Rosa, é uma "falta de respeito" e "não é possível homens que querem ser presidentes tratarem assim um símbolo nacional".

Henrique Rosa fez hoje contactos com populações da região de Mansoa, onde ao fim da tarde fez um comício no qual lembrou as regiões por onde andou na primeira semana de campanha.

"Temos andado de tabanca em tabanca (lugares), setor a setor, para ouvir o povo onde ele está, o que lhe falta, o que deseja", porque "quero ser o Presidente da Guiné-Bissau, de todos os guineenses, e para ser Presidente tenho de saber como é que o povo vive, quais as suas dificuldades e canseiras", disse.

E depois contou que viu mulheres grávidas a serem levadas em carros de burro para o hospital, que viu uma mulher a quem lhe morreu o filho porque não passou nenhuma canoa na ilha onde vive que a levasse para um hospital. "Esta é a Guiné que temos", disse.

"Se gostamos da Guiné-Bissau, do povo da Guiné-Bissau, e se há muitas coisas que podemos resolver, em vez de comprarmos um carro podemos resolver. Podemos dar escola aos nossos meninos, dar boas condições para os hospitais, podemos fazer muitas coisas", afirmou Henrique Rosa no comício, perante uma assistência atenta e muito jovem.

E foi para os jovens que falou depois, dizendo que os vê por todo o país e que se pergunta que futuro terão. São rostos bonitos, com força, com energia, com sonhos, "mas que podem fazer? Que oportunidades lhes são dadas se não há formação? Quando os mais velhos morrerem a quem entregar a Guiné se não preparamos as pessoas?", perguntou.

Num país, disse, onde todos os dias se noticiam milhões que são dados ao governo e que continua "terra do fim do mundo", é preciso mudar, "sacudir o miserabilismo" e beneficiar da riqueza da terra. E a oportunidade, acrescentou, está no dia 18, o único dia em que o povo tem o poder.

FP.

Lusa

Muita impunidade e corrupção no país, acusa Serifo Nhamadjo

Bissau - A Guiné-Bissau é um país com "muita impunidade e muita corrupção" e muitos dos agentes do Estado são corruptos, diz Serifo Nhamadjo, candidato a Presidente da República nas eleições de domingo.  

Em entrevista à Agência Lusa, o candidato fala da corrupção mas também da falta de democracia, de candidatos que se sentem todo-poderosos e da necessidade de dotar a Justiça de meios. Se for eleito, a prioridade é "reconciliar a família guineense".   

"A Guiné-Bissau tem sido catalogada de país desorganizado, sem esperança, com conflitos. A minha atenção vai ser simplesmente chamar à razão todos os guineenses, à volta de uma mesa. Buscar o entendimento necessário, que deve presidir todos os actos, o
entendimento, a reconciliação da família guineense, para projectarmos juntos o desenvolvimento almejado", diz à Lusa. 

É que, justifica, só com o entendimento se poderá desenvolver outras áreas da vida nacional. "Para mim, a reconciliação deve de ser a base de tudo, para que a paz e a tranquilidade possam reinar neste país".  

Serifo Nhamadjo, um dirigente do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), candidata-se contra as orientações do partido, que apoia Carlos Gomes Júnior, até agora Primeiro-ministro.  

O candidato tem criticado duramente a candidatura de Carlos Gomes Júnior e diz-se o verdadeiro seguidor das ideias de Malam Bacai Sanhá, o Presidente eleito em 2009 que morreu de doença em Janeiro passado. Na altura, Nhamadjo estava a preparar, segundo orientações do Presidente, uma "conferência de reconciliação nacional".  

A questão da conferência, disse à Lusa, não morreu com Malam Bacai Sanhá. "Uma das motivações da minha candidatura é essa, é levar avante essa ideia, que eu acho que é brilhante, fundamental neste país. A reconciliação é um imperativo nacional e como sei que vou ser eleito essa conferência terá lugar".  

Serifo Nhamadjo elege como prioridades também os jovens e a justiça, neste caso para que tenha uma independência real. Porque "não basta nomear um determinado responsável e dar um edifício para dizer que está tudo bem. É preciso dar condições materiais e financeiras para poderem materializar os objectivos".  

Também a reforma das Forças Armadas, um projecto em curso, é necessária, mas desde que inclusiva e com a participação de todos os envolvidos no processo, nota Serifo Nhamadjo. E acrescenta: "não é fazer uma reforma imposta, teoricamente tratada num gabinete e imposta às pessoas".  

No seu discurso nota-se quase sempre uma crítica ao actual estado de coisas e ao Governo de Carlos Gomes Júnior, companheiro de partido até há poucos dias, embora sempre se esquive a citar nomes.  

"Para alguns candidatos, estas eleições são uma questão de vida ou morte. O meu entendimento é de que muitos não são democratas, porque se perderem as eleições isso será um suicídio político para eles. Numa disputa há sempre que contar com a vitória e a derrota mas o comportamento de certos candidatos, em especial alguns, não tem essa cultura. Viveram sempre como todo-poderosos, que não admitem ideais contrárias", diz.  

E fala de uma impunidade na sociedade guineense "sobejamente conhecida", dos muitos agentes do Estado que são corruptos.   

Mas não foi ele até agora um dirigente partidário, um vice-presidente da Assembleia Nacional? O que fez para acabar com a situação? Por que não denunciou? Serifo Nhamadjo responde assim: "contacte a Inspecção Superior contra a Corrupção, o Tribunal de Contas, a Procuradoria-Geral da República, vai encontrar processos infindáveis que não tiveram seguimento. De várias denúncias, pessoais e de vários outros cidadãos".

FMI dá nota positiva ao desempenho económico do país

Bissau - O Fundo Monetário Internacional (FMI) deu nota positiva ao desempenho macro-económico do Governo da Guiné-Bissau mas o ministro das Finanças do país, Mário Vaz, está preocupado com a pressão que se faz sobre o Orçamento do Estado, noticiou a Lusa.  

A posição dos dois responsáveis foi transmitida segunda-feira à imprensa no balanço de uma missão de avaliação ao desempenho macro-económico do Governo guineense realizada por uma equipa do FMI, liderada pelo brasileiro Paulo Drumond.

De acordo com este responsável do FMI, que coordena a cooperação da instituição mundial com a Guiné-Bissau, as perspectivas do crescimento económico "são boas" devido à descida da inflação, que deverá cair dos cinco por cento registados em 2011 para 3,5 porcento em 2012 e ao elevado preço do caju (principal produto de exportação do país) no mercado internacional.  

"Não há mudanças nas perspectivas económicas que estimamos para 2011. As perspectivas para este ano mantêm-se. O crescimento económico que havíamos estimado para 5,3 porcento mantém-se (...), este ano os ventos para a Guiné-Bissau continuam a ser positivos apesar de a economia mundial estar claramente a desacelerar", disse o chefe da missão do FMI para a Guiné-Bissau.  

Uma "boa e apertada política fiscal" também deverá contribuir para o crescimento económico, já que as metas apontadas nessa vertente em 2011 são válidas para o ano em curso, assinalou Drumond.  

O responsável do FMI indicou, no entanto, ser indispensável que o Governo acelere as reformas fiscais em curso e controle as despesas orçamentadas. 

"A nossa mensagem principal é que o Governo (...) mantenha o curso (da execução orçamental) porque, apesar de um curso gradual, tem dado resultado", disse Paulo Drumond, recomendando ainda a estabilidade política no país e a continuidade das reformas económicas e noutros sectores. 

O ministro das Finanças guineense, Mário Vaz, manifestou-se, no entanto, preocupado com "a pressão sobre o Orçamento" do ano em curso, frisando que apenas em dois meses de execução orçamental já se consumiu sete porcento de todo o bolo previsto para ser gasto em 2012. 

Mário Vaz disse que a pressão tem sido feita através de reivindicações dos sindicatos da Educação, Saúde, antigos funcionários de empresas extintas pelo Estado e os serviços ao nível da segurança e Defesa do país. 

O ministro das Finanças reconheceu que o Governo tem tido "um bom desempenho" na tentativa de fazer acelerar a economia do país, mas admitiu também que está a ser difícil controlar as despesas orçamentadas.

"Estamos profundamente preocupados (...) porque as pessoas ainda pensam que a Política Económica está connosco e quando há falta de liquidez é só chegar às máquinas e mandar imprimir as notas para financiar as despesas", disse Mário Vaz.

Candidatura de Kumba Ialá denuncia alegadas fraudes em preparação

A diretoria da campanha do ex-Presidente da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, denunciou hoje alegadas fraudes em preparação para serem executadas nas eleições presidenciais antecipadas do próximo dia 18.

A denúncia foi feita por Artur Sanha, antigo primeiro-ministro e atual diretor adjunto da campanha de Kumba Ialá, em conferência de imprensa.

«São horas de questionarmos tudo quanto possível sobre as eleições que vão ter lugar no dia 18, porque a desordem na administração do processo eleitoral que o Governo do PAIGC está a levar a cabo, desde o início deste processo, leva-nos a concluir que está em curso a facilitação de fraudes», defendeu Artur Sanhá.

Lusa

Uniões Precoces : Assassinadas por recusarem casamento forçado

Bissau - Sete raparigas foram assassinadas nos últimos 9 anos na região de Tombali, concretamente no Sector de Catio, devido a recusas a casamentos arranjados pelos seus familiares.

As vítimas foram, na sua maioria, espancadas até à morte nas diferentes povoações desta zona sul da Guiné-Bissau.
A notícia foi revelada pelo Pastor da Igreja Evangélica de Catio, Manuel Cá, adiantando que, neste momento, mais de uma dezena de algumas destas jovens se encontram refugiadas na sua residência.


Em exclusivo à PNN, Manuel Cá falou das dificuldades que agora enfrenta em termos de mantimentos e alojamento destas 14 raparigas.


O líder religioso disse que estes casos de homicídios são do conhecimento das autoridades judiciais de Catio: «Sim, sete pessoas foram mortas na minha presença durante este período em que estou em Catio. As autoridades judiciais têm conhecimento das ocorrências. Algumas pessoas foram presas aqui mas acabaram por ser libertadas».


Perante esta realidade, Manuel Cá disse que está a ser alvo de fortes ameaças, mesmo por parte de alguns elementos das forças armadas: «De facto fui ameaçado por um grupo de pessoas fardadas, são militares que alegaram ser familiares destas meninas e que vieram buscar estas crianças de volta às residências dos seus pais».


A PNN registou impressões de algumas destas jovens que, naturalmente, manifestaram as suas discordâncias acerca das escolhas de casamentos feitas pelos seus pais.


Júlia Benante, uma adolescente de 16 anos de idade que estuda terceira classe, disse que foi obrigada abandonar a residência dos seus pais para evitar o casamento forçado.


«Eu sou natural de Polião de Cinza. Os meus pais queriam obrigar-me a casar com uma pessoa mais velha e eu recusei. Em consequência disso resolvi ficar na casa do pastor», relatou a jovem.


Teresa Uangna Na Bidigta, Segunda Na Nguad e Biquebaia Na Cue, adolescentes com idades compreendidas entre os 16 e os 19 anos, vítimas de casamentos precoces na região de Tombali, igualmente se confessaram contra.


Sumba Nansil

segunda-feira, 12 de março de 2012

Líderes religiosos pedem civismo e esperam projectos Concretos

Bissau - Líderes religiosos da Guiné-Bissau apelaram Hoje, domingo, ao civismo dos eleitores e exortaram os candidatos às eleições presidenciais do próximo dia 18 a apresentarem projectos concretos que possam levar o país para frente. 

A agência Lusa ouviu as mesmas preocupações na conversa que teve com o imã Infali Coté (comunidade islâmica), com o pastor José Augusto Bedsley (Igreja Evangélica) e com o frei José (Igreja católica). Todos se mostram Preocupados com o futuro do país a partir das eleições do dia 18. 

"A minha expetativa é de que haja a paz e a justiça para que possamos falar na reconciliação. Temos de aproveitar (estas eleições) para melhorar a imagem do nosso país e fazer tudo para não comprometer o bom-nome do país e dos filhos da Guiné-Bissau", disse o frei José. 

A mesma preocupação foi referida pelo imã Infali Coté, da comunidade muçulmana, para quem a democracia "é para toda gente", pelo que deve ser aproveitada para "cada um dizer o que pensa sobre o país". 

"Na nossa percepção, a democracia é para toda a gente. Isto é, um candidato deve mostrar aos eleitores o seu projecto com o qual vai tentar pedir votos, se a população acreditar nele, vota no seu projecto, mas se ele não cumprir com o que prometeu, da próxima vez não terá voto da população. É isso a democracia", enfatizou o imã da mesquita de Gã Coté, uma das mais antigas de Bissau.     

"Pedimos aos guineenses em geral, mas aos políticos em especial, para que façam tudo para que esta campanha seja ordeira e esclarecedora, para que o povo possa escolher de forma livre aquele que tiver melhor projecto para o país", exortou ainda o imã Coté. 

O pastor José Augusto Bedsley também apela aos candidatos para que falem dos seus projectos, lembrando-lhes que "o mundo tem os olhos em cima da Guiné-Bissau" perante o que diz ser "mais um teste" para o país. 

"O concerto das Nações espera de nós a maturidade e a responsabilidade perante mais este teste", indicou o pastor Augusto, criticando, contudo, a mensagem que tem sido transmitida pelos candidatos nestes dias da campanha eleitoral. 

"A mensagem não tem sido aquela que nós esperávamos ouvir. Há muita acusação de índole pessoal quando o povo esperava ouvir projectos concretos.

Isso não é nada bom", frisou o pastor, pedindo aos candidatos para que corrijam esse comportamento. 

"Às vezes, há gente que pensa que uma eleição é para ele atingir os seus fins políticos, mas na realidade uma eleição é um marco importante para toda a Nação", defendeu José Augusto. 

Inaugura creche financiada por associações de Pombal e Coimbra

 

É inaugurada, sábado, na Guiné Bissau, a Creche de Varela, co-financiada pelas associações Memórias e Gentes, de Coimbra, e Afectos com Letras, de Pombal, duas ONGD que têm apoiado diversos projectos naquele país.

De acordo com a Afectos com Letras, presidida por Joana Benzinho, aquele equipamento destinado a 80 crianças, «cuja gestão é da responsabilidade de uma luso guineense, vem colmatar a falta de escolas aptas a receber crianças do pré-escolar naquela região» e vai funcionar com o apoio das duas organizações não governamentais portuguesas.

A associação Memórias e Gentes, através do programa de apadrinhamentos «Bom dia! Bom dia!» assegurará a alimentação e o material didáctico para as crianças enquanto a associação Afectos com Letras responsabiliza-se pelo pagamento dos salários das duas professores e das três auxiliares educativas da Creche, o que permitirá o seu regular funcionamento.

Por outro lado, a Afectos com Letras está a promover uma campanha de recolha de livros com vista à construção de uma biblioteca pública em Bissau, na Guiné Bissau.

Numa parceria com a Rede de Bibliotecas de Pombal, as Bibliotecas Escolares, o Ministério da Educação Guineense e a empresa Derovo, a associação visa juntar, até ao dia 25 de Junho, «um fundo documental abrangente que permitirá  a construção de uma Biblioteca em Bissau», refere Joana Benzinho.

Para o efeito, o Ministério da Educação Guineense cederá o espaço para a sua instalação e a Afectos com Letras será responsável pelo envio dos livros e do material para equipar o espaço. A cargo da Rede de Bibliotecas de Pombal fica a formação técnica dos funcionários do espaço.

Ainda segundo Joana Benzinho, «esta iniciativa, que visamos replicar a médio prazo e estender a outras regiões da Guiné Bissau, incluirá a modalidade de biblioteca móvel / itinerante de forma a democratizar o mais possível o acesso à leitura e a aquisição e solidificação de conhecimentos naquele país».

Eleições = ONU congratula-se com "relativo clima de paz" da primeira semana de campanha

 

Bissau - O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, congratulou-se sexta-feira com o "relativo clima de paz" verificado na primeira semana da campanha eleitoral para as eleições do dia 18 e pediu que continue assim. 

"Peço a todos os candidatos e seus respectivos apoiantes para que continuem a abster-se de quaisquer declarações ofensivas ou qualquer violência física ou verbal que possa originar tensões, ou qualquer tentativa de sabotar o processo eleitoral", disse Joseph Mutaboba, citado por um comunicado da representação da ONU em Bissau. 

O representante da ONU diz que as eleições de 18 de março são "um marco" na defesa da ordem constitucional e na consolidação da paz no país e que o apoio da comunidade internacional demonstra "a confiança na Guiné-Bissau".

Porque as eleições presidenciais requerem de todos os guineenses "um verdadeiro compromisso com a paz", Joseph Mutaboba afirma apreciar o clima da primeira semana. 

"Em favor de eleições presidenciais livres, justas, pacíficas e transparentes, gostaria também de apelar a todos os indivíduos e instituições a manterem uma conduta dentro das regras e leis que regem o processo eleitoral no país e a propiciarem a igualdade entre todos os candidatos.

Um apelo especial é dirigido à comunicação social no sentido de proceder a uma cobertura inclusiva e abrangente", lê-se no comunicado. 

Joseph Mutaboba felicita ainda as autoridades pela criação de um comando conjunto de polícias e militares para garantir um clima seguro antes, durante e depois das eleições, e garante que a ONU está a acompanhar o processo "com grande interesse e está pronta a apoiar o povo da Guiné-Bissau nos seus esforços para a consolidação de uma sociedade democrática".