sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Lutador guineense desapareceu em Londres

Augusto Midana não viajou com a delegação da Guiné-Bissau quando esta saiu da aldeia olímpica.


Polegar para cimaO lutador guineense Augusto Midana foi dado como desaparecido no momento em que a delegação se preparava para abandonar a aldeia olímpica dos Jogos Olímpicos de Londres, disse à agência Lusa Alberto Dias, chefe da missão do país aos jogos.

Alberto Dias disse que "ainda" não tem todos os elementos para confirmar se Augusto Midana terá mesmo decidido ficar num país europeu.

"O que posso dizer é que ele [Augusto Midana] não compareceu quando estávamos a sair da aldeia olímpica. Não entregou as chaves e não disse nada a ninguém. O que é facto é que ele não viajou connosco para Lisboa, como os outros atletas fizeram", afirmou Alberto Dias.

O chefe da delegação da Guiné-Bissau aos Jogos de Londres promete um balanço geral da participação do país na competição e até lá disse esperar ter mais elementos sobre a situação de Augusto Midana.

Alberto Dias aproveitou a oportunidade para adiantar que a prestação de Augusto Midana nos Jogos Olímpicos "foi bastante apreciada", ao ponto de o atleta se situar agora no oitavo lugar no "ranking" mundial da FILA (Federação Internacional de Luta).

Augusto Midana, eliminado nos oitavos de final na categoria de 74 kg, recebeu do Comité Olímpico Internacional (COI) um diploma olímpico, assinalou ainda Alberto Dias.O atleta, tricampeão africano na sua categoria, já tinha estado em Pequim, em 2008.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Porta-voz do Governo ouvido sobre desaparecimento de deputado

Bissau, 16 ago (Lusa) - O porta-voz do Governo de transição da Guiné-Bissau, Fernando Vaz, foi hoje ouvido na Procuradoria-Geral guineense no âmbito do desaparecimento do deputado Roberto Ferreira Cacheu, dado como morto.

Após cerca de duas horas de audição, Fernando Vaz, que é também ministro da Presidência do Conselho de ministros, disse aos jornalistas que foi convocado para prestar esclarecimentos sobre as declarações que fez na qualidade de porta-voz do Governo quando, no passado mês de julho, denunciou que o deputado Roberto Cacheu estava morto.

"Ouvi uma declaração pública feita por mim na qualidade do porta-voz do Governo, o Ministério Publico convocou-me para ser ouvido e eu facilitei a questão, deslocando-me ao Ministério Publico. Por lei eles deviam deslocar-se ao meu gabinete para me ouvirem", disse Fernando Vaz.

Em julho o Governo de transição convocou a imprensa e o corpo diplomático acreditado em Bissau para as matas de Dingal, 25 quilómetros a norte da capital, para uma operação em que seria apresentado o corpo de Roberto Cacheu, mas após varias horas de escavações não foi encontrado qualquer corpo.

Deputado e antigo secretário de Estado da Cooperação, Roberto Cacheu deixou de ser visto em dezembro de 2011, na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado de que foi apontado como um dos líderes.

Na versão do Governo de transição, Cacheu, conhecido adversário político do primeiro-ministro guineense deposto no golpe de Estado de 12 de abril, Carlos Gomes Júnior, estaria morto.

As posições do Governo sobre a alegada morte de Roberto Cacheu têm sido anunciadas por Fernando Vaz, por isso foi hoje chamado pelo Ministério Publico. Questionado sobre o que disse aos magistrados, o porta-voz do Governo afirmou ter falado sobre aquilo que é público.

"O que disse é aquilo que é público, aquilo que conheço. A posição do Governo é querer que este caso seja esclarecido o mais rapidamente possível", destacou Fernando Vaz, mantendo, contudo, a versão de que Roberto Cacheu está morto.

"Estou convencido do desaparecimento físico do deputado Roberto Cacheu", sublinhou Vaz, prometendo colaborar com a justiça sempre que for chamado.

MB.

Lusa

Governo Ilegítimo de Transição torna publica programa de governação


(Palavras leva-as o vento e cheio de boas intenções está o inferno cheio)

Bissau – O primeiro-ministro, Rui Duarte de Barros apresentou, neste fim-de-semana, o programa do seu executivo para os próximos 10 meses restantes da sua vigência aos partidos signatários do pacto de transição.

O referido programa articula-se em torno de cinco eixos principais definidos no quadro do governo de transição que são: Preparação das eleições gerais, combate a impunidade, crime organizado, a corrupção e reforma do sector da defesa e segurança e justiça.

Rui Barros disse que o governo vai preparar eleições para que decorram de forma justa e transparente, porque, na sua opinião, estas duas questões foram dos principais problemas que originaram o golpe de Estado de 12 de Abril.

“Achamos prioritário resolver o problema do recenseamento bio métrico no país antes das eleições de 2013, por isso é preciso meios financeiros, no entanto este processo tem que ter lugar para a própria transparência do escrutínio e a contento de todos,” estimou o primeiro-ministro.

Rui Duarte de Barros considera a realização das eleições de 2013 como propósito do seu governo e diz que o timing de transição vai de acordo com o programa do executivo que considera ambicioso e extremamente pequeno.

No capítulo da justiça e combate a impunidade, o chefe do executivo de transição considera que uma parte dos trabalhos a ser realizados depende directamente do governo e a outra esta ligada a outros actores tais como a presidência da república.

“ Faremos de tudo para criar condições aos órgãos do justiça para que possam, minimamente, antes das eleições, funcionar em condições, sobretudo com julgamento dos recentes casos de assassinatos ocorridos no país,” garantiu o primeiro-ministro de transição.

O Governo, segundo Rui Barros, está empenhado na busca de meios para reforçar o combate ao narcotráfico e ao crime organizado enquanto que na reforma do sector da defesa e segurança promete uma série de acompanhamentos e não o mero “ir para casa sem seguros de vida”, tal como muitos pensam.

“Temos forças armadas que devem responder as expectativas do país, para isso devem ser equipadas de meios e para os que já não respondem a essas condições vão ser criadas oportunidades para a continuidade das suas actividades. Para isso vai ser criado um programa de reinserção e criação de pensões” prometeu o chefe do governo.

“No domínio económico e financeiro vamos continuar com as mesmas medidas, suportadas pelo Banco Mundial (BM) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que achamos necessários para o pais”, defendeu o chefe do executivo. ANG/FGS/JAM

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Partido maioritário alerta para riscos durante a transição

Bissau, 14 ago (Lusa) - O PAIGC, principal partido da Guiné-Bissau está preocupado com o rumo que o processo de transição no país está a ter e apresentou "fatores de alerta para os perigos que possam advir" do incumprimento de diversas tarefas.

As preocupações do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), que estava no poder até ao golpe de Estado de 12 de abril passado, estão num memorando que o partido entregou hoje à agência Lusa.

O memorando, contendo as reflexões do partido sobre o período de transição em curso, avisa que as atuais autoridades do país (Governo e Presidente de transição) não estão a respeitar as orientações da comunidade internacional, não informam sobre as suas pretensões e ainda nada fazem para a realização das eleições gerais do próximo ano.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Salários principescos na PR

Ora, ora... o presidente da República disse ter reduzido em 50 por cento os salários na PR, mas afinal...aumentou-os. E mamam todos...
salario PR 1
salario PR 2
Fonte: Ditatadura do Consenso

Empresa Bauxite Angola pronta para retomar atividade no país

Bissau, (Lusa) - A empresa angolana Bauxite Angola informou hoje o Governo de transição Ilegítimo da Guiné-Bissau que está disponível para retomar o projeto de exploração no sul do país e continuar as obras de construção do porto de águas profundas em Buba.

A informação foi avançada por Tegna Na Fafé, assistente de comunicação e imagem da Bauxite Angola, no final de uma reunião que o presidente do conselho de administração da empresa angolana, Bernardo Campos, manteve hoje com elementos do Governo Ilegítimo de transição guineense saído do golpe de Estado de 12 de abril

"A Bauxite Angola nunca abandonou os trabalhos de prospeção para a exploração do bauxite. Essa delegação veio dizer às autoridades de transição que a Bauxite Angola esteve e está na Guiné-Bissau, onde vai continuar com os trabalhos de exploração do bauxite e de construção do porto de Buba", disse o assistente de comunicação e imagem da empresa angolana

Guiné-Bissau um estado caracterizado fortemente pela impunidade (São proibidas as manifestações públicas)

No dia em que a organização completou vinte e um anos da sua existência, o Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Luís Vaz Martins, fez uma visão a Voz de América sobre o respeito dos direitos humanos na Guiné-Bissau. Guiné-Bissau, que segundo relatórios nacionais e internacionais não passa de um estado caracterizado fortemente pela impunidade.


Vaz Martins considera ser difícil o exercício cívico num país marcado crónicamente pela instabilidade política e militar, através de subversão das normas constitucionais. Tal é o caso da Guiné-Bissau.


Em virtude das instabilidades que o país registou nos últimos catorze anos, a Liga Guineense dos Direitos Humanos não deixou de enfrentar varias dificuldades de observação e da sua actuação no contexto das suas obrigações, tanto assim que regista, com maior preocupação, as graves violações dos princípios consagrados na carta das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos, isto é em diferentes circunstâncias de tentativas ou efectivação de Golpes de Estado.


Vaz Martins considera que estes factos devem-se, sobretudo, a fragilidade das instituições, apontando, aliás, como exemplo, o mais recente caso de Golpe de Estado, decorrente do qual, são proibidas as manifestações públicas.


O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Luís Vaz Martins, reportou um quadro sombrio sobre Direitos Humanos na Guiné-Bissau, isto no dia em que a Organização completou vinte e um anos de existência, e numa altura em que o país observa mais um período de transição, resultado do Golpe de Estado de Abril passado.

entrevista ao presidente da liga

    Presidente da União para Mudança quer regresso do PAIGC para presidir o Parlamento, mas sem o seu líder Carlos G. Júnior. (mas que ideia peregrina)

    Bissau – O Presidente da União para a Mudança (UM, oposição sem assento parlamentar) voltou a defender que deve ser o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, afastado do poder desde o golpe de Estado de 12 de Abril), a presidir o Parlamento, mas sem o seu líder Carlos Gomes Júnior.

    Em entrevista à PNN, Agnelo Regalla advogou que para se regressar à normalidade constitucional é necessário que o partido que obteve a maioria parlamentar nas últimas legislativas presida não só o Parlamento, como também indigite o novo Primeiro-ministro.

    Para o líder da UM este regresso deve ser condicionado à assinatura pelo PAIGC tanto do Pacto de Transição, como do Acordo Político estabelecidos após o golpe de Estado de 12 de Abril último.


    «O Governo a ser constituído deverá, para facilitar a transição, ser de base alargada e assentar sobretudo na competência e não em clientelismos políticos», defendeu, esclarecendo que o seu partido, em momento algum, apoiou o golpe de Estado, mas sim esteve na origem da proposta de solução apresentada pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que culminou com a nomeação de um Presidente de transição e a formação do Governo de transição.


    Agnelo Regalla explicou que a proposta do regresso ao poder do PAIGC visa fazer o país retornar à normalidade constitucional e resolver a situação interna do Parlamento guineense, «que se encontra num impasse, sem o que dificilmente será possível votar as leis que irão permitir a realização das eleições».


    «Esta proposta da UM não é contra ninguém e visa tão-somente apontar uma via de saída para o país, que tem vindo a sofrer uma enorme pressão da comunidade internacional, que decidiu incluso suspender todos os projectos de apoio ao desenvolvimento», esclareceu.


    Na sua perspectiva, é inexequível o retorno ao «status quo» antes do 12 de Abril, «isto porque se pode sentir que não há condições para que tal aconteça».


    Para aquele dirigente político que foi um dos conselheiros do defunto Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, o PAIGC deveria indigitar uma personalidade que pudesse assumir a chefia do Governo, descartando o seu líder Carlos Gomes Júnior.


    «Consideramos irrealista e inexequível a possibilidade do retorno ao status quo ante. É bom que tiremos ilações da história recente do nosso país para entender este posicionamento do nosso partido, referiu sem querer entrar em pormenores.


    Com a nomeação de um novo Governo, defende, o período de transição deveria ser alargado ligeiramente para se organizar o processo eleitoral.


    «É preferível prorrogar, de forma negociada e consensual, o prazo de mais um ou dois meses e ter eleições verdadeiramente livres, justas e transparentes, assentes num recenseamento biométrico de raiz, do que avançar às cegas e correr o risco de novas contestações aos resultados de consequências imprevisíveis, sobretudo que vamos para eleições simultâneas», declarou preconizando que o realismo político deve conduzir todos os passos e decisões.


    Regalla é também da opinião de que as organizações da comunidade internacional (Nações Unidas, União Europeia, União Africana, CEDEAO e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP) devem estabelecer uma agenda conjunta para a Guiné-Bissau e apoiar a CEDEAO, enquanto organização regional que se encontra no terreno, na sua implementação. «Isto sem prejuízo de, gradualmente, outras organizações poderem contribuir com a sua acção para a normalização da situação na Guiné-Bissau», realçou.


    Por outro lado, apelou à comunidade internacional, para que «face aos graves problemas com que o país se confronta», a Guiné-Bissau não seja transformada num palco de contendas político-diplomáticas ou geoestratégicas.


    O líder da UM alertou que a situação reinante no país já teve consequências na campanha de comercialização da castanha de cajú e poderá ter consequências gravosas na actual campanha agrícola.


    Nota do Editor NGB

    Ei!!!!!   Regala    acorda estás no mundo do faz de conta!!!!!!!!

    Empresa portuguesa apresenta proposta de fiscalização às águas guineenses

    Uma empresa portuguesa apresentou hoje ao Governo Ilegítimo de transição da Guiné-Bissau uma proposta para fiscalização das águas territoriais guineenses, que pode ser alargada também ao controlo das fronteiras terrestres e ao espaço aéreo.


    A empresa SegurNAV fez deslocar a Bissau dois técnicos que hoje apresentaram na sala de reunião do Conselho de Ministros as suas soluções para a vigilância por satélite das águas guineenses.

    Rui Capucho, consultor da empresa portuguesa fez uma apresentação do sistema, enfatizando que, com um só investimento, a Guiné-Bissau poderia passar a dispor de equipamentos para controlar as suas águas territoriais, as suas fronteiras e o seu espaço aéreo, nomeadamente para os voos de aviões de pequena dimensão.


    No entanto, o sistema, assinalou Rui Capucho, irá concentrar-se mais na vigilância marítima contra a pesca ilegal ou ilícita.


    “Nas pescas (o país) definitivamente conseguiria ter um controlo dos barcos que navegam nas águas da Guiné-Bissau. Com este sistema é possível também intervir e saber se os navios possuem licenças, se são licenças validades. Em caso de infracção, o sistema permite actuar automaticamente”, disse Capucho, que fez simulações da actuação do sistema monitorado por satélite.


    O técnico português afirma que sabe que o sistema que está a propor à Guiné-Bissau não é barato, mas ainda assim diz ter benefícios.


    “É um sistema que vai trazer receitas ao Governo. É um custo que terá o seu retorno, como é óbvio”, notou Rui Capucho, que não divulgou o valor do sistema.


    Em declarações aos jornalistas, o ministro da presidência e porta-voz do Governo Ilegítimo de transição, Fernando Vaz, afirmou que o sistema é do interesse do executivo porque, notou, vai permitir resolver o problema da pirataria nas águas territoriais guineenses.


    “A fiscalização marítima nestes moldes não foi feita há 40 anos a esta parte, este Governo Ilegítimo mesmo que coloque a semente na areia pretende proteger aquilo que é de nós todos. Este sistema não é um sistema barato é caro, mas os benefícios justificam-se na análise de custos e benefícios”, disse Fernando Vaz.


    “É um sistema que interessa ao Governo Ilegítimo da Guiné-Bissau. Porque vamos poder controlar os barcos que pescam nas nossas águas. Neste momento o que acontece é que chega um barco tira a licença de pesca e vai pescar sem que ninguém mais a controle”, acrescentou o porta-voz do Governo de transição.


    Dados do Governo anterior ao golpe de Estado de 12 de Abril, apontam que o país possui uma capacidade estimada de 250 mil toneladas de peixe por ano, embora destaquem também a fraca vigilância e ausência de capacidade local para a transformação do pescado, como os principais problemas para o sector das pescas.
    Entre 2004 a 2006, a Guiné-Bissau emitiu licenças de pesca a cerca de 200 embarcações de pesca industrial, por uma duração que varia entre 3 e 12 meses.


    O valor total dessas licenças é de cerca de 4,2 milhões euros. Além disso, a União Europeia concede ao Governo uma compensação anual de cerca de 9,5 milhões euros para o acesso à pesca. Assim, em 2010 o sector gerou cerca de 14 milhões de euros de receitas, essencialmente pagos pelas frotas estrangeiras.


    O sector contribui anualmente com 25 a 40% das receitas públicas.
    Devido ao golpe de Estado ocorrido no dia 12 de Abril passado, a União Europeia suspendeu a cooperação com a Guiné-Bissau por não reconhecer as novas autoridades entretanto formadas para gerir o período de transição.


    Desde então, os navios de alguns países da UE cessaram a actividade de pesca nas águas guineenses.


    O Governo de transição está à procura de novos parceiros para o sector da pesca e admite a possibilidade de rubricar um acordo com a China.

    segunda-feira, 13 de agosto de 2012

    Confrontos entre membros do Governo de transição

    Bissau – O ministro da Função Pública e o Secretário de Estado da Função Pública guineense, Carlos Vamain e Quintino Alves, respectivamente, envolveram-se, a 30 de Julho, em cenas de violência, verbais e quase físicas no Ministério onde desempenham os cargos.

    O desentendimento, ocorrido na presença dos funcionários e altos responsáveis do Ministério, terá sido motivado pelas declarações de Carlos Vamain, que afirmou numa das sessões de reuniões que a estrutura orgânica do seu Ministério não tinha a posição de Secretário de Estado.


    Neste sentido, de acordo com uma fonte do Ministério da Função Pública que avançou com a notícia, o único responsável legal da instituição é o ministro, neste caso, Carlos Vamain.


    Quintino Alves não gostou destas declarações, tendo repostado ao governante, acabando os dois membros do Governo saído do golpe de Estado de 12 de Abril por se envolver numa troca de palavras indecentes.


    Na sequência deste acontecimento, no dia 10 de Agosto, Quintino Alves procedeu à mudança de fechaduras em alguns gabinetes afectos à sua área de jurisdição, incluindo o serviço do banco de dados de processo de reforma na função pública guineense.


    Um dia depois, ou seja, a 11 de Agosto, o ministro da Função Publica deslocou-se ao Ministério do Interior, onde manteve um encontro com Secretário de Estado da Segurança Nacional e Ordem Pública, Basílio Sanca, e com o ministro do Interior, António Suca Ntchama, abordando a situação que ocorreu no Ministério da Função Pública.


    Esta é uma das situações de desacatos mais evidentes que caracteriza o executivo de transição, liderado por Rui Barros, sob controlo de Manuel Serifo Nhamadjo.


    O NGB apurou que, recentemente, um dos mais altos responsáveis pelo regime de transição, implantado a 22 de Maio, teria sido convocado pelo seu superior hierárquico mas, no entanto, não se dignou a responder à referida solicitação.


    O assunto do Ministério da Função Pública já é de conhecimento de Rui Barros e Serifo Nhamadjo, Primeiro-ministro e Presidente de transição, respectivamente.

    TETCO/AL Chammaa instala central eléctrica em Bissau

    Bissau – O «TETCO/AL Chammaa Internacional Group» comprometeu-se a instalar na Guiné-Bissau uma central eléctrica com capacidade não inferior a 10 MW Heavy Fuel para a produção, transporte e distribuição de energia eléctrica no país.

    Para efeito, o representante desta firma, de nacionalidade libanesa, Said A. Tahan assinou, a 11 de Agosto, um memorando de entendimento com o Governo Ilegítimo de transição, que foi representado pelo Secretário de Estado da Energia, Eurico Abduramane Djalo.


    O acordo prevê, entre outras coisas, a construção de uma refinaria de petróleo na Guiné-Bissau, assim como a criação de um depósito de combustível em Bissau.


    Contactado pela PNN, Daniel Gomes, ministro da Energia, garantiu que dentro de três meses a execução prática do memorando entra em vigor.


    Por seu lado, Said A. Tahan disse estar satisfeito com o convénio rubricado, tendo anunciado igualmente, para breve, os inícios de trabalho no país por parte da sua empresa.

    INACEP emite passaportes biométricos

    Bissau – A Imprensa Nacional (INACEP) foi autorizada pelo Governo Ilegítimo de transição a emitir passaportes biométricos no país.

    O anúncio consta no comunicado da última reunião do Conselho de Ministros, realizado a 9 de Agosto. «O colectivo governamental apreciou o parecer Técnico da Comissão Interministerial sobre a feitura de passaportes biométricos na e pela INACEP, tendo concluído tratar-se de uma soberana oportunidade sugestível de garantir ao país e pleno controlo pelas autoridades nacionais da contenção e emissão com segurança e fiabilidade dos seus documentos», lê-se no documento.


    Integram a Comissão Interministerial os representantes dos Ministérios do Interior, Justiça, Finanças, Função Publica e dos Negócios Estrangeiros, que foram instruídos no sentido de apresentar um projecto de Decreto-Lei, que vai regulamentar os trabalhos de feitura de passaportes pela INACEP.


    Contactada uma fonte da INACEP, garantiu que a instituição está em condições técnicas para a execução deste trabalho, cuja data se prevê ter início em Outubro.


    Nos últimos anos os passaportes da Guiné-Bissau eram emitidos nos estrangeiros, originando várias críticas relativamente à forma como os eram concebidos.

    ONU incentiva mulheres a interessarem-se pela política

    O Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (Uniogbis) está a promover uma ação de sensibilização e capacitação destinada às mulheres guineenses para que se interessem mais pela política.

    A ação de formação junta 35 mulheres provenientes de partidos políticos mas com pouca visibilidade, sindicalistas, ativistas dos direitos humanos, promotores de organizações não-governamentais (ONG) e jornalistas e decore até meados deste mês.

    A escritora e antiga ministra da Educação guineense Odete Semedo, uma das responsáveis da formação, disse à Agência Lusa que a ideia é "dar instrumentos e incentivos" às mulheres para que possam "um dia apresentarem-se aos cargos eletivos".

    "Há potencialidades naquele grupo. São mulheres com formação, mas escondidas nas suas instituições ou nos seus partidos. Com ajuda da Uniogbis chamamos essas mulheres a entenderem que são potenciais governantes deste país", notou Odete Semedo.

    Para a antiga ministra e diretora de gabinete do Presidente guineense deposto no golpe de Estado de 12 de abril último, Raimundo Pereira, as próprias leis da Guiné-Bissau "colocam a mulher em quinto ou sexto plano".

    "Na mente dos homens que têm estado a dirigir este país a mulher não é prioridade. A mulher só aparece nos comícios, quando é para se fazer bons discursos, mas quando é de facto para se pôr a mão na massa a mulher é esquecida", defendeu a escritora, dando o exemplo da composição de listas eleitorais dos partidos.

    "Quando é para se fazer as listas eleitorais a mulher nunca aparece como cabeça de lista. Aparece sempre como suplente ou então se aparece é nos círculos onde tenha pouca probabilidade de ser eleita", disse Odete Semedo.

    A portuguesa Sara Negrão, conselheira do Género na Uniogbis tem a mesma opinião: "Existem muito poucas mulheres que participam, de forma ativa na vida política. Uma coisa é participar numa campanha, outra coisa é participar de forma ativa nos partidos, na tomada de decisão nacional", notou a responsável da ONU.

    Tanto Odete Semedo como Sara Negrão, as duas animadoras da formação, entendem que fixando as quotas era possível inverter a tendência da exclusão da mulher guineense nos órgãos de decisão.

    Odete Semedo considerou, no entanto, que as quotas devem privilegiar as mulheres mais capazes porque há "muitas escondidas" nas ONG e nos partidos "sem visibilidade".
    "Há mulheres muito capazes que estão nas organizações não-governamentais, que estão a dar um grande contributo à sociedade, são essas mulheres que pretendemos incentivar com essa ação de formação para que venham para a política partidária", afirmou Odete Semedo.

    "É ali que as propostas são discutidas, as leis são aprovadas, é ali que todo o trama é feito", acrescentou a antiga governante, citando o seu próprio exemplo de militante no PAIGC, principal partido do país.

    "Eu estou no meu partido (PAIGC), sou visível, faço trabalhos para o meu partido, agora só não vê quem não quer. Os homens não querem ver as mulheres. Há um véu que tapa a presença da mulher", enalteceu Odete Semedo.

    A história e a cultura colocaram a mulher em segundo plano, observou, considerando que o país podia mudar se tivesse mais mulheres no poder.

    "A Guiné-Bissau saia deste marasmo se tivesse mais mulheres nas esferas de decisão. Os homens já demonstraram que não são capazes de governar este país na paz", concluiu Odete Semedo.