sexta-feira, 10 de agosto de 2012

POP proíbe circulação de viaturas sem matrículas e com vidros fumados

Bissau, (ANG) – Viaturas sem ou com matriculas estrangeiras e as com vidros fumados vão, dentro de uma semana, deixar de circular na via pública, soube-se hoje de um comunicado do Comissariado da Policia de Ordem Publica.

De acordo com o mesmo documento, a que Agência de Noticias da Guiné-ANG teve acesso, viaturas na primeira condição serão interceptadas pelas autoridades para regularizarem suas situações daqui a 5 dias, enquanto que as que possuem vidros escuros o prazo limite estabelecido é de 7 dias.

“O uso de e circulação de veículos com vidros escuros só é permitido por entidades ou instituições devidamente autorizadas”, esclarece a nota que adianta que carros com vidros escuros de origem serão objectos de análise.

O Comissariado da POP disse estar preocupado com a proliferação de viaturas com vidros escuros, sem matrículas e viaturas com matrículas estrangeiras a circular em território nacional.

Tais comportamentos, segundo o comunicado, dificultam os serviços de trânsito no controle do tráfico rodoviário e a Ordem Publica na prevenção e combate a criminalidade e outros actos ilícitos.

“Pois se aproveitam deste facto para realizar acções criminosas, tais como, assaltos a mão armada, tráfico de substâncias proibidas e outros tipos de crimes violentos pondo em causa o bom-nome e prestígio das nossas Instituições”, justifica o comunicado.

Aguas territoriais guineenses sem fiscalização há mais de um ano

Bissau, 09 ago (Lusa) - As águas territoriais da Guiné-Bissau estão sem fiscalização, no que se refere às atividadades de pesca, há mais de um ano, declarou hoje o presidente do sindicato de fiscalizadores marítimos, Mateus Gomes Correia.

De acordo com o sindicalista, a situação já foi relatada, em carta dirigida pelo sindicato ao primeiro-ministro de transição, Rui de Barros, e ao ministro da Agricultura e Pesca, Malam Mané, na qual são descritas as razões da ausência dos fiscalizadores das águas guineenses.

Mateus Correia explicou que existe uma "certa confusão" na composição da nova estrutura criada e abrangida pela Guarda Nacional para a fiscalização das águas do país e também pelo não desbloqueamento de verbas pelo Ministério das Finanças para a fiscalização em si.

Portugal envia 13 mil livros para a Guiné-Bissau

 

Portugal envia 13 mil livros para a Guiné-Bissau
Livros vão preencher as prateleiras de uma nova Biblioteca Pública na capital guineense

Cerca de 13 mil livros recolhidos em Portugal vão voar de Lisboa para Bissau, na próxima segunda-feira, com o objetivo de criar uma Biblioteca Pública na Guiné que será, também, equipada com computadores oferecidos por uma empresa portuguesa.

Nas próximas três semanas os voluntários da ONGD, com sede em Pombal, vão permancer em Bissau para instalar estantes e organizar os livros que foram recolhidos em Portugal, desde finais de Março.

Nas últimas duas semanas de Julho, Funcionários da Rede de Bibliotecas de Pombal ajudaram na catalogação do fundo documental que, entretanto, já foi enviado para a capital guineense.

A Biblioteca será acolhida nas instalações do Instituto Politécnico Benhoblô no qual será ainda criado um espaço multimédia, com computadores doados pela empresa portuguesa JP Sá Couto com o objectivo de proporcionar aos utentes o acesso a um maior número de livros e publicações online.

Em comunicado, a ONG “Afectos com Letras” explica que quer alargar a iniciativa a outras regiões da Guiné-Bissau, nomeadamente às Ilhas dos Bijagós, democratizando “o mais possível” o acesso à leitura e à cultura naquele País.

Esta Biblioteca Pública resulta de uma parceria da ONGD Afectos com Letras com a Rede de Bibliotecas de Pombal, as Bibliotecas Escolares e o Instituto Politécnico Benhoblô, em Bissau.

Aristides da Silva nega mudanças no sistema político : PAIGC relança diálogo com actores políticos

Bissau – Não se sabe, por enquanto, até onde vão os propósitos destas últimas investidas políticas e diplomáticas do PAIGC.

No passado dia 7 de Agosto, esta formação política, que esteve no poder até 12 de Abril, recebeu na sua sede o representante permanente da União Africana, o são-tomense Ovídio Pequeno, tendo de seguida se reunido com o líder da Aliança Democrática, Victor Mandinga, uma formação política com expressão parlamentar, e ainda mantido esta quarta-feira, 8 de Agosto, um encontro com o Presidente da Transição, Manuel Serifo Nhamadjo.


Todas estas movimentações mostram que existe alguma mudança no actual xadrez político e governativo da Guiné-Bissau. No entanto, Aristides Ocante da Silva, que está a dirigir a delegação de contacto do PAIGC, descarta esta possibilidade, afirmando que o objectivo das audiências está relacionado com a discussão e esclarecimento do conteúdo do Memorando do Partido, datado de 20 de Julho, sobre o seu entendimento quanto ao período de transição e às projectadas eleições gerais.


Á saída deste encontro, Aristides Ocante da Silva negou que os encontros tenham a ver com uma hipotética pressão do PAIGC em fazer mudanças no presente período de transição.


Ainda para esta semana o PAIGC agendou um encontro com a direcção superior do Partido da Renovação Social (PRS), com o mesmo propósito

Equipe olímpica da Guiné-Bissau recebido pelo parlamento britânico


image.png parlamento Británico

All-Party Parliamentary Group for Guinea-Bissau
United Kingdom Parliament
Palace of Westminster
London SW1A 0AA
United Kingdom

COMUNICADO A IMPRENSA
10 de agosto 2012
Londres, Reino Unido

Equipe olímpica da Guiné-Bissau recebido pelo parlamento britânico

Thompson : “Um futuro compartilhado é a medalha de ouro de todos os povos guineenses”

Ontem, membros da delegação olímpica da Guiné-Bissau foram recebidos no Parlamento britânico pelo seu Grupo Suprapartidário Parlamentar do Reino Unido para Guiné-Bissau.


Em novembro de 2011, o Grupo organizou a primeira visita oficial de parlamentares guineenses na história. Guiné-Bissau e Reino Unido têm também uma forte relação sobre a Reconciliação Nacional.

"Nossa solidariedade com o povo guineense não deve ser apenas política e econômica, mas também cultural. Esporte é uma forte maneira de unir as pessoas - não só ingleses e guineense, mas também guineense e guineense", explicou Peter Thompson, que era o chefe de observação das eleições presidenciais em Bissau para o Reino Unido este ano, e tem participado nos esforços para consolidar a reconciliação nacional com a Assembleia Nacional Popular em Bissau.


Ele comentou que o povo guineense devem trabalhar para construir o seu país com o espírito de uma equipe olímpica. "O povo da Guiné é uma equipe de 1,6 milhão de pessoas ambiciosas e talentoso, e sua medalha de ouro será um futuro compartilhado", disse Thompson. “Os líderes políticos devem ser inspirado pelo poderoso exemplo de determinação manifestada por esses atletas.”
Atletas e funcionários da equipe guineense teve um pequeno-almoço típico britânico no Palácio de Westminster, o histórico edifício do parlamento britânico com o seu famoso relógio "Big Ben".

Movimento rejeita acusações sobre apoio a golpe

A direção do Movimento da Sociedade Civil da Guiné-Bissau rejeitou hoje, em comunicado, as acusações da Liga Guineense dos Direitos Humanos, segundo as quais a plataforma teria apoiado o golpe de Estado de 12 de abril.

Em carta a que a Lusa teve acesso, a Liga dos Direitos Humanos suspendeu a sua participação no Movimento da Sociedade Civil (plataforma que congrega mais de 100 organizações da sociedade civil guineense), por discordar do posicionamento de alguns membros da direção que acusa de terem apoiado o golpe de Estado militar.

"O Movimento da Sociedade Civil lamenta o facto de esta carta ser publicada nos órgãos de comunicação social, mas faz saber que é um direito que assiste (a Liga) enquanto membro do Movimento", diz o comunicado entregue hoje à Lusa.

No entanto, o Movimento da Sociedade Civil lembra à Liga que é missão da organização criada em 1999, na sequência da guerra civil que o país viveu nessa altura, "contribuir para a paz, democracia e diálogo" entre os guineenses.

Para o Movimento, se a organização não tivesse encetado o diálogo com as diferentes partes envolvidas no golpe de Estado e no exercício do poder "não estaria a cumprir com os seus objetivos".

"Quando se deu o golpe de Estado, no dia 12 de abril, o Movimento condenou sem equívoco o referido ato, manifestou essa posição de condenação nos encontros com os militares, partidos políticos e mesmo com a CEDEAO", frisa o comunicado do Movimento.

Em relação à proposta de saída de crise apresentada pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) que passa pela indigitação de Serifo Nhamado para Presidente de transição e formação de um Governo de transição, o Movimento diz ter alertado para o facto de não ser uma solução consensual.

"Fizemos ver à CEDEAO que tal solução era uma imposição, mas para cuja implementação o Movimento iria colaborar em nome da paz e dos superiores interesses do Estado" guineense, frisa o documento do Movimento.

A organização acrescenta que continua a falar com todos os atores políticos do país e que não tem e nem nunca teve compromissos com qualquer regime no país.

"O nosso compromisso é com o povo. O papel das organizações da sociedade civil e humanitárias numa situação de conflito e de instabilidade é de promoção do diálogo e defesa dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e não escolher partes", defende o Movimento.

União para a Mudança propõe queda do Governo

Bissau – A União para a Mudança (UM) sugeriu esta segunda-feira, 6 de Agosto, a queda do Governo de transição e consequente formação de novo executivo, liderado pelo Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

Esta ideia vem expressa num documento, intitulado «Proposta de solução para os problemas que caracterizam o actual momento político na Guiné-Bissau», entregue a Serifo Nhamadjo, a que a PNN teve acesso.


De acordo com o texto, a UM defende entre outros argumentos, volvidos mais de dois meses depois de golpe de Estado de 12 de Abril, que o Governo de transição pouco tem feito para o cumprimento do acordo politico afirmado após a formação do Executivo, assim como a construção de consensos relativos a grandes questões estruturais e estruturantes da Guiné-Bissau.


Neste sentido, esta formação política é da opinião de que o Presidente de transição deve auscultar de novo os partidos políticos, convidando o PAIGC a indigitar um outro primeiro-ministro, com base num compromisso de formar um Executivo de base alargada.


«Todo este processo deve ter como forma de compromisso ser assinado antecipadamente pelo PAIGC, do Pacto de Transição e do Acordo Politico», lê-se no documento.


No documento de sete páginas, a UM sublinhou ainda que esta iniciativa poderá ser uma forma de atenuar as acções adversas e o isolamento da comunidade internacional na Guiné-Bissau e permitir o início de contactos ainda que sejamos oficiosos com esta comunidade.


Em relação ao papel a ser desempenhado pelo presidente da Transição, a UM diz que o chefe de Estado deverá desempenhar o papel de facilitar o diálogo entre as bancadas maioritárias no Parlamento, como é o caso do PAIGC e o Partido da Renovação Social (PRS).


A questão das eleições para a nova mesa de Assembleia Nacional Popular (ANP) foram outras propostas da UM entregues a Manuel Serifo Nhamadjo.


«Que se procedam em conformidade na ANP, e sejam eleitos pelos deputados o novo Presidente e o 1º vice-presidente da ANP, que deve sair da bancada do PAIGC, como foi o caso em 1999 depois de conflito de 7 de Junho 1998», diz UM


A proposta da UM a Serifo Nhamadjo destaca, entre outros aspectos, as eleições gerais, reformas nos sectores de defesa e segurança, assim como os casos de assassinatos políticos ocorridos na Guiné-Bissau nos últimos três anos.


Refira-se que a União para a Mudança é uma das formações políticas apoiantes de golpe de Estado de 12 de Abril e signatário de todos os documentos que legitimaram actual Governo de transição.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Não esquecer a Guiné-Bissau: Vitor Angelo, antigo secretário-geral adjunto da ONU para a paz e segurança. Ouça.



Em Lisboa, o primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau exigiu neste domingo uma intervenção de alto nível no país por parte das Nações Unidas. Um apelo de Carlos Gomes Júnior, afastado após o golpe militar de 12 Abril, durante um fórum da diáspora para debater a situação na Guiné, e onde anunciou que está marcada para 14 de Setembro uma reunião de alto nível com a ONU
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Confrontado com a possibilidade de regresso à Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior diz que pondera o regresso, mas apenas com a garantia da intervenção de uma força multinacional.
Quem não acredita que não seja para já possível às Nações Unidas enviar a uma força multinacional para a Guiné-Bissau é Vítor Ângelo, antigo secretário-geral adjunto das Nações Unidas para a Paz e Segurança. Este consultor das Nações Unidas diz que é preciso manter a Guiné-Bissau na agenda política, porque, como diz em entrevista ao nosso correspondente em Portugal Domingos Pinto, o actual poder político-militar quer esconder o mais possível da comunidade internacional a situação que o país atravessa… RealAudioMP3
Vítor Ângelo, antigo secretário-geral adjunto das Nações Unidas para a Paz e Segurança preocupado com a forma como está a evoluir a situação na Guiné-Bissau…

Fonte Rádio Vaticano

Comemorações do massacre de Pindjiguiti: Serifo Nhamadjo reconhece que «país se encontra em maus lençóis»

Bissau – Manuel Serifo Nhamadjo, Presidente Ilegítimo de transição, reconheceu que existem vários problemas na Guiné-Bissau e que o país se encontra numa situação difícil.

«Pedimos aos especialistas no fabrico de problemas, para arrefecerem-se um pouco, colocando as nossas sabedorias ao desenvolvimento do país sem ódio e vingança», disse Nhamadjo.


Num discurso alusivo às comemorações da data de Massacre de Pindjiguiti, 3 de Agosto de 1959, Serifo Nhamadjo foi irónico, referindo que na Guiné-Bissau «cá se faz cá se paga». Em tom de ameaça, Nhamadjo disse que a luta armada de libertação nacional na Guiné custou a vida a muitas pessoas.


Durante o seu discurso por várias vezes questionou o que é que cada um dos guineenses fez, levando o país à situação em que se encontra. Contudo, não citou nenhum caso especifico de contribuição para a degradação do país.


No que diz respeito ao seu período de vigência, Nhamadjo disse que as eleições vão ter lugar em Abril do ano 2013. «Quero alertar os partidos políticos para se prepararem porque estamos a trabalhar para que as eleições tenham lugar na Guiné-Bissau, caso contrário culpado será quem nos podia ajudar e quem não o fez» disse.


Numa referência às recentes ondas de greves contra o seu Governo, Serifo Nhamadjo reconheceu a fragilidade da situação político-militar, porque quem mais sofre com as acções reivindicativas dos sindicatos são os mais coitados.


As palavras de união, perdão entre os guineenses foram entre outras palavras que marcaram o discurso de Nhamadjo.
Antes de terminar, o chefe de Estado pediu perdão pelo seu discurso, que considerou como um «desabafo».


Na cerimónia participaram Rui Barros, Primeiro-ministro Ilegítimo de transição, alguns membros do seu Governo e o Embaixador de África do Sul na Guiné-Bissau.

Governo Ilegítimo de transição desafia União Europeia

Bissau – O Governo Ilegítimo de Transição através do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Faustino Fudut Imbali, decidiu desafiar a União Europeia (UE) ao nomear três embaixadores, a 2 de Agosto, de países da UE, designadamente em Portugal, Bruxelas (Bélgica), sede da União Europeia e França.

Esta iniciativa é vista como um autêntico afronto contra a comunidade internacional, em particular a União Europeia, que não reconhece as actuais autoridades do país.


Trata-se de Carlos Edmilson Vieira («Noni»), que desempenhava as funções de representante da Guiné-Bissau junto da UNESCO (Agência da ONU para Educação, Ciência e Cultura), indicado para ocupar o lugar de Embaixador da Guiné-Bissau junto do Governo português.


Dino Seidi, que até a data exercia junto da Presidência da República o cargo de conselheiro diplomático de Serifo Nhamadjo, foi confiado no posto de Embaixador da Guiné-Bissau em França, enquanto que Albino Arafam, designado para exercer as funções do Embaixador da Guiné-Bissau junto da União Europeia, em Bruxelas.


Todos estes países não reconheceram o Governo saído do golpe de Estado de 12 de Abril, o que leva muita gente a questionar os moldes em que estes diplomatas vão apresentar as suas cartas credenciais junto destes países.


O Pacto de Transição, datado de 16 de Maio 2012, do qual é originário este Governo não prevê as nomeações de diplomata.


A Guiné-Bissau está isolada desde Abril 2012, na sequência do golpe de Estado, perpetrado por um grupo de militares golpistas, na véspera do início da segunda volta das eleições presidências antecipadas, cuja primeira volta teve lugar a 18 de Março.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Carlos Gomes Jr., fala sobre o golpe de Estado de 12 de abril

O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau conta como viveu o golpe de Estado que lhe tirou o poder e lhe destruiu a casa. Exige que seja feita justiça e acredita no retorno à ordem constitucional. Após o golpe de Estado de 12 de abril, Carlos Gomes Júnior concedeu uma entrevista exclusiva à DW África. O primeiro-ministro guineense deposto partilhou os momentos de bombardeamento à sua residência, durante o golpe, e as ameaças que sofreu durante a sua detenção.

Sem entrar em detalhes, Gomes Júnior responsabiliza alguns países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pela instabilidade no país. Exige que os responsáveis pelo golpe de Estado sejam chamados à justiça e afirma que está pronto para voltar, assim que estejam reunidas as condições necessárias.

Carlos Gomes Júnior vincou a sua posição em entrevista, realizada em Cabo Verde, no domingo, 29 de julho, dia em que se encontrou com cerca de 500 membros da comunidade guineense na Cidade da Praia. Já na segunda e terça-feira (30 e 31.07.2012), o chefe de executivo deposto marcou presença no Comité África da Internacional Socialista, na qualidade de presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).

DW África: Como é que viveu aqueles momentos do dia do golpe de Estado, 12 de abril?

Carlos Gomes Júnior (CGJ): Falando com sinceridade, devo dizer que foram momentos muito dramáticos. Felizmente, consegui ultrapassar. A grande onda de solidariedade de pessoas amigas, familiares, do estrangeiro, da juventude, militantes e da direção do PAIGC, fez-me voltar a ganhar confiança para prosseguir a luta. A quem é que serve esta instabilidade para o país voltar à estaca zero? Falo com toda a sinceridade, se nós não voltarmos a pôr cobro a este tipo de comportamento, quiçá penalizar os autores, como a comunidade internacional está a começar a fazer agora, a Guiné-Bissau nunca mais sairá deste marasmo.

Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau "disponível para continuar a trabalhar"

O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau reafirmou hoje estar "disponível para continuar a trabalhar" pelo país, adiantando lamentar que o trabalho já feito para o seu desenvolvimento possa ser inutilizado pela situação decorrente do golpe de Estado de 12 de abril.

"Eu estou disponível para continuar a trabalhar pelo meu país, parado é que ... A vida está parada, o governo em exercício não tem poderes legais para fazer a governação (...) eu teria muita pena que se fossem degradando todos os passos que nós já demos para o desenvolvimento do nosso país", declarou Carlos Gomes Júnior aos jornalistas à margem de um encontro da comunidade guineense em Lisboa.

O também vencedor da primeira volta das eleições presidenciais indicou que regressará à Guiné-Bissau se existirem condições de segurança.

Greve em universidades brasileiras afecta estudantes lusófonos

A greve de dois meses e meio dos professores e funcionários das universidades federais brasileiras está a afectar estudantes estrangeiros lusófonos, que têm as aulas suspensas e as dependências das faculdades, como bibliotecas e refeitórios, encerrados.

O estudante de Guiné-Bissau Demarbique Carlos Sanca, 25 anos, que estuda Arquitetura na Universidade de Brasília (UnB), afirma que teve quatro das cinco disciplinas paralisadas no começo de Junho (no Brasil, o primeiro semestre de aulas vai de Janeiro ao fim de Junho, com férias em Julho).

"Assim que a greve acabar, vamos retomar onde parámos, e as aulas vão avançar no período de férias do fim do ano. Se [a paralisação] continuar, pode atrasar minha formação", diz o estudante, que já passou por outras duas greves na universidade, nos quatro anos de permanência no Brasil.