segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Embaixador da Guiné-Bissau confirma ter recebido instruções para abandonar o cargo

O embaixador da Guiné em Portugal, Fali Embaló, confirmou hoje ter recebido instruções das autoridades de transição em Bissau para se preparar para abandonar o cargo, informação que está afixada no Ministério dos Negócios Estrangeiros guineense.

As autoridades de transição da Guiné-Bissau comunicaram a intenção de substituir os embaixadores do país em Portugal, França e União Europeia, por três novos encarregados de negócios.

Fali Embaló ainda não recebeu a «notificação oficial», nem tem a indicação de uma data concreta para abandonar o seu posto. Até lá, vai «desempenhando cabalmente» as suas funções, disse em declarações à agência Lusa.

«Li na internet, mas estou aguardando a notificação oficial», referiu o diplomata, acrescentando que recebeu, «há um mês», das autoridades de transição guineenses, no poder desde o golpe de Estado de 12 de Abril, uma carta na qual era aconselhado a «preparar-se» para se «despedir» de Portugal.

Sindicatos pedem controlo de preços de bens essenciais

Bissau - A Confederação dos Sindicatos Independentes da Guiné-Bissau quer propor ao governo ilegítimo de transição que os preços dos produtos da primeira necessidade passem a ser controlados como forma de "combater especulações", noticiou a Lusa.  

Filomeno Cabral anunciou esta pretensão, sexta-feira, no seu discurso dirigido aos trabalhadores guineenses, no âmbito das celebrações oficiais do 53.º aniversário do massacre de Pindjiguti.  

A efeméride, feriado nacional no país, assinala o massacre de duas dezenas de trabalhadores guineenses no dia 03 de Agosto de 1959 pelas tropas coloniais portuguesas em resposta à reivindicação de melhorias salariais.  

Para o presidente do Confederação dos Sindicatos Independentes, o trabalhador guineense "sofre amarguras nos dias de hoje tal como sofreu há 53 anos", pelo que, frisou, o governo devia tomar medidas.   

"A situação do trabalhador guineense complica-se a cada dia que passa. Além de um magro salário, há um aumento galopante do preço dos produtos da primeira necessidade e ainda dos materiais escolares para as crianças", afirmou Filomeno Cabral.  

"Proporemos ao governo a criação de uma comissão de revisão dos produtos da primeira necessidade, como se faz com os combustíveis. Essa comissão trabalharia de três em três meses para fixação dos preços dos produtos de primeira necessidade", disse Cabral.  

"Independentemente do aumento feito pelo anterior governo no mês de Janeiro, o trabalhador guineense continua a receber um salário que não corresponde à realidade", com o actual custo de vida no país, acrescentou o sindicalista. 

Filomeno Cabral disse também que o governo devia analisar  as reivindicações dos sindicatos quando apelam para assistência médica e medicamentosa aos trabalhadores do Estado, para a concessão do abono da família e para a actualização das pensões de reforma.  

"O salário mínimo a nível nacional tem que ser fixado. Existe um salário mínimo na função pública, mas não nos outros sectores", observou Cabral. 

A Guiné-Bissau é governada por um executivo de transição, nomeado após o golpe de Estado de 12 de Abril, que é apenas reconhecido internacionalmente pela Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste (CEDEAO).

Governo de transição afasta embaixadores em Portugal, França e UE

O Governo Ilegítimo de transição da Guiné-Bissau nomeou três novos encarregados de negócios, substituindo os responsáveis das embaixadas de Portugal, França e União Europeia.

Contactada hoje pela agência Lusa, fonte do ministério dos Negócios Estrangeiros explicou que a decisão de mudança de titulares das embaixadas da Guiné-Bissau em Portugal, França e União Europeia resultou de uma concertação entre a presidência da Republica guineense e o Governo de transição.

Os novos responsáveis vão para estes países mas na qualidade de encarregados de negócios já que os países da União Europeia não reconhecem as novas autoridades guineenses saídas do golpe de Estado de 12 de abril passado.

O poeta Carlos Edmilson Vieira (Noni) é quem deve ir liderar a embaixada da Guiné-Bissau em Portugal, substituindo Fali Embaló. Carlos Vieira era até aqui representante do país na Unesco.

Para Bruxelas, onde irá assumir as representações junto da União Europeia e da Bélgica, deve seguir Albino Arafam, cônsul da Guiné-Bissau no Senegal, para o lugar de Alfredo Cabral (Fefé).

O até aqui chefe do protocolo da presidência da Republica, Dino Seidi, é destacado para a embaixada de Paris, em substituição de Ília Barber, embaixadora que deverá sair do posto.

A nomeação de novos responsáveis está afixada no quadro de informação do ministério dos Negócios Estrangeiros em Bissau.

«Estão em curso os procedimentos burocráticos para a ida dos novos responsáveis das nossas embaixadas, naturalmente, que os que lá se encontravam devem regressar ao país», disse a mesma fonte do MNE guineense.

No caso português, as autoridades guineenses respondem assim à decisão do Governo de Lisboa de não nomear um embaixador para o país.

sábado, 4 de agosto de 2012

Ministro das Finanças de transição pede regresso das instituições internacionais

O ministro das Finanças do Governo de transição da Guiné-Bissau apelou às instituições financeiras internacionais e União Europeia para que voltem a cooperar com o país, como forma de ajudar a aliviar a pobreza da população.

Abubacar Demba Dahaba fez este apelo à saída de uma reunião, realizada na quinta-feira ao fim da tarde em Bissau, entre elementos do Governo de transição e os parceiros internacionais do desenvolvimento do país, para explicar os passos já dados pelo executivo e quais as perspetivas em curso.

Em declarações hoje reproduzidas nos órgãos de comunicação social guineeenses, o ministro das Finanças guineense afirmou que, apesar de a Guiné-Bissau ter conhecido um golpe de Estado (a 12 de abril passado), as novas autoridades entendem que os projetos que estavam em curso, com o apoio da comunidade internacional, não deveriam ser interrompidos.

Lusa

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Ban Ki-moon chamado a "harmonizar posições" sobre a Guiné-Bissau

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Rádio UNU

Em declaração à imprensa, Conselho de Segurança reafirma a importância da coordenação de esforços internacionais envolvendo todos os atores políticos e a sociedade civil para estabilizar o país.

Ban Ki-moon

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.


O Conselho de Segurança pediu a participação ativa do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, na harmonização das posições dos parceiros regionais e internacionais da Guiné-Bissau.

Numa declaração à imprensa, publicada na segunda-feira, o órgão reafirma a importância da coordenação de esforços internacionais envolvendo todos os atores políticos e a sociedade civil para o fim da crise no país.

Transição

A situação seguiu-se ao golpe militar de 12 de Abril, que derrubou o presidente interino, Raimundo Pareira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior. Em finais do mesmo mês, os autores de intentona entregaram o poder às autoridades de transição que dividem opiniões internacionais.

Os 15 Estados-membros do Conselho querem que o processo de estabilização seja consensual e inclusivo,  a nível nacional com vista a restaurar a ordem constitucional no país.

Processo

O órgão pede à Comunidade Económica da África Ocidental, Cedeao, e à Comunidade de Países de Língua Portuguesa, Cplp, que apoiem o processo, junto das Nações Unidas e da União Africana.

A declaração do Conselho segue-se a uma reunião sobre a Guiné-Bissau, realizada na quinta-feira. No encontro,  foi destacada a necessidade de restaurar a ordem constitucional e a unidade entre os parceiros internacionais.

Eleições

Os membros do órgão sublinharam a necessidade de dar apoio aos esforços para que o país estabeleça um "calendário claro para a organização de eleições presidenciais e legislativas livres, justas e transparentes."

Foi igualmente referida a necessidade da tomada de medidas concretas para estabilizar o país, a longo prazo, que incluem a reforma do sector da segurança, a promoção e o respeito do Estado de Direito.

A criação de um ambiente propício para um maior controlo sobre as forças de segurança, a luta contra a impunidade e o combate contra o tráfico de drogas e a promoção de desenvolvimento socioeconómico guineense.

Carlos Gomes Júnior defende envio de força multinacional para evitar "barbaridades" da CEDEAO

  • Carlos Gomes Júnior, ex primeiro-ministro da Guiné Bissau

    Carlos Gomes Jr., primeiro-ministro da Guiné Bissau


O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau voltou hoje a defender o envio para o país de uma força multinacional "sob o chapéu das Nações Unidas" para evitar as "barbaridades" cometidas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Carlos Gomes Júnior falava aos jornalistas à saída de um encontro com o presidente da Comissão Europeia, em Lisboa, durante o qual agradeceu a posição de Durão Barroso e da União Europeia sobre a crise na Guiné-Bissau.

A reunião surge dias depois de Durão Barroso ter exigido o respeito pela ordem constitucional e afirmado, na abertura da IX conferência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a 20 de julho em Maputo, que a União Europeia não tolerará mais golpes na Guiné-Bissau.

"A UE é um parceiro muito importante para a Guiné-Bissau. Temos de mantê-lo informado e trocar opiniões", disse o primeiro-ministro deposto, que saiu da reunião acompanhado do ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo deposto no golpe de Estado de 12 de abril, Mamadu Djaló Pires, e do embaixador da Guiné-Bissau em Portugal, Fali Embaló.

Questionado sobre qual a mensagem de Durão Barroso na reunião de hoje, Carlos Gomes Júnior disse que o presidente da Comissão Europeia "tem recomendado o diálogo das partes para tentar arranjar uma solução, mas condenando sempre o golpe".

O primeiro-ministro deposto recordou ter proposto em maio ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião de alto nível com o objetivo de enviar uma força multinacional para a Guiné-Bissau, "sob o chapéu das Nações Unidas" para acabar com "as barbaridades que [a CEDEAO] está a fazer na Guiné-Bissau".

Carlos Gomes Júnior referia-se ao envio, por parte da organização regional, de "um pequeno ministro da Nigéria para impor [à Guiné-Bissau] um presidente de transição": "Isso não é lógico e não tem espaço na Constituição da Guiné-Bissau".

Para o responsável, a CEDEAO "não se pode arrogar sozinha a resolver o problema da Guiné-Bissau", já que há outros organismos, como a União Africana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) que "têm uma palavra a dizer para, conjuntamente, tentar arranjar uma solução".

A Guiné-Bissau tem um Governo e um Presidente de transição, mas a maioria da comunidade internacional não reconhece as atuais autoridades saídas do golpe.

A CEDEAO é a única instância internacional que apoia as atuais autoridades de transição.

O presidente e o primeiro-ministro depostos estão em Portugal.

PGR apela aos operadores da justiça para não se deixarem intimidar pela pressão

Bissau – O Procurador-geral da Republica (PGR) disse que é preciso que os operadores de justiça na Guiné-Bissau não se deixem influenciar, impressionar ou intimidar por qualquer tipo de pressão ou de campanhas.

Edmundo Mendes, que falava esta terça-feira, 31 de Julho, durante a cerimónia de abertura de um seminário entre os magistrados do Ministério Público, Magistratura Judicial e Órgãos de Polícia Criminal, manifestou o seu apelo dos jovens até aos mais velhos da classe. «Desde os mais novos aos mais antigos, digam sem fraqueza que não se deixam influenciar, pois a experiência deste tipo de campanhas são vulgares», disse.


Foi neste sentido que Edmundo Mendes disse haver apreciação da independência dos tribunais e a autonomia do Ministério Público.
A questão da lentidão da justiça e a deficiente articulação entre a Procuradoria-geral enquanto detentor de acção penal com outros intervenientes no processo judicial, concretamente Órgãos de Polícia Criminal, foram entre outros aspectos referidos no seu discurso.


Por outro lado, o responsável máximo do Ministério Público guineense salientou que o tempo de duração da investigação no país em nada fica diminuído comparativamente com as investigações nos outros países do mundo.


No que diz respeito às constantes queixas sobre a lentidão da justiça no país, Edmundo Mendes disse que a justiça não pode ser tão lenta ao ponto de ficarem fracassados os objectivos que pretendem alcançar mas que, no entanto, não pode ser também célere ao ponto de deixar de ter credibilidade no ponto de vista judicial. «Por limitações e imposições legais, ou por vários outros motivos, grandes processos arrastam-se sem que o Ministério Público tenha possibilidade por si só resolver estes problemas criados», lamentou Mendes.


Em termo de realizações, Mendes informou que muitos passos foram dados pela sua instituição em parceria com o Órgão da Polícia Criminal no sentido de melhorar articulações, cooperação e troca de informações, contudo reconhece que ainda falta muito por fazer.
Talvez seja por esta razão que Edmundo Mendes defendeu que é preciso que a Guiné-Bissau tenha um sistema judicial dinâmico, eficaz e capaz de se adaptar à sua realidade social de modo a responder aos desafios de tempos que vão surgindo.


Por ultimo, Edmundo Mendes reconheceu que os últimos anos têm sido muito difíceis para a justiça guineense em todos os níveis, nomeadamente nos aspectos criminais, civis, comerciais, familiares e de menores.

 


Apesar destas dificuldades, Mendes disse acreditar que estes desafios vão ser superados, reconhecendo as dificuldades ainda maiores para os próximos tempos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Economia da Guiné-Bissau "está a colapsar" e tráfico de droga aumentou afirmou Hillary Clinton

Lusa: A secretária de Estado dos EUA afirmou hoje que o Senegal prova que a democracia pode "florescer em África", enquanto a vizinha Guiné-Bissau permanece instável politicamente, com a economia "a colapsar" e o tráfico de droga a crescer.


No início de uma viagem de onze dias ao continente africano, Hillary Clinton visitou um centro de saúde e discursou na universidade Cheikh Anta, em Dacar (capital senegalesa), após um encontro, à porta fechada, com o Presidente Macky Sall, que venceu as eleições de março, afastando Abdoulaye Wade, no poder há doze anos e que procurava um terceiro mandato.

"Os americanos admiram o Senegal como um dos poucos países de África Ocidental que nunca teve golpes militares", disse Clinton, num discurso proferido na universidade, citado pela agência AP.

Mas a estabilidade do Senegal não tem florescido da mesma forma nos seus vizinhos mais próximos, Guiné-Bissau e Mali.

Na Guiné-Bissau, onde nenhum Presidente eleito levou o mandato até ao fim, a economia "está a colapsar" e o tráfico de droga a crescer, lamentou Clinton.

Hoje o Governo guineense de transição negou a conclusão de um relatório do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre o aumento do tráfico de droga na Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de 12 de abril.

Já o Mali, após uma era de estabilidade democrática, foi abalado por um golpe de Estado em março, vivendo uma situação indefinida desde então, acrescentou.

"As velhas formas de governar já não são aceitáveis. É tempo de os líderes aceitarem ser responsabilizados, tratarem os seus povos com dignidade, respeitarem os seus direitos e proporcionarem oportunidades económicas", defendeu a secretária de Estado, alertando: "Se não o fizerem, está na altura de saírem."

Elogiando a reposição da ordem constitucional em países africanos como Níger e Guiné-Conacri, ambos afetados anteriormente por golpes de Estado, Clinton salientou, porém, que a democracia ainda está ameaçada em demasiados países.

Clinton, que esteve de visita ao Senegal pela primeira vez em 1997, discorreu sobre a estratégia do Presidente Barack Obama para África: promover o desenvolvimento; apoiar o crescimento, o comércio e o investimento; patrocinar a paz e a segurança; e fortalecer as instituições democráticas.

Clinton deixará Dacar na quinta-feira, em direção à mais nova nação do mundo, o Sudão do Sul, que festejou no dia 9 de julho o seu primeiro ano de independência.

A seguir, visitará o Uganda, apesar da presença do vírus Ébola na capital do país, Kampala. Quénia, Somália, Malaui, África do Sul e Gana também constam do périplo de Clinton por África.

Governo Ilegítimo refuta relatório da ONU sobre aumento do tráfico de droga

Bissau- O ministro da Justiça do Governo de transição da Guiné-Bissau, Mamadu Saido Baldé, rejeitou hoje (quarta-feira) a conclusão de um relatório da ONU, que aponta para o aumento do tráfico de droga desde o golpe de Estado de 12 de Abril, noticiou a Lusa. 

"Nós estamos numa fase pós-golpe de Estado. Esta nossa afirmação é válida para contrariar qualquer tipo de relatório. Nós repudiamos e contrariamos qualquer elemento no sentido de que há um crescimento do narcotráfico na Guiné-Bissau", defendeu Baldé em conferência de imprensa. 

O último relatório do secretário-geral apresentado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas referiu que há um aumento significativo do tráfico de droga na Guiné-Bissau desde o golpe militar de 12 de Abril, que destituiu as autoridades eleitas.


"O entendimento que nós temos é de que não há neste momento o aumento do consumo ou do narcotráfico na Guiné-Bissau", disse Saido Baldé, desafiando a ONU ou quem quer que seja a apresentar provas contrárias à posição das autoridades de transição.


"Que nos provem o contrário. Se nos provarem o contrário e com os elementos que nós temos aqui, estamos disponíveis para dialogar, em articulação com estas instituições para, em conjunto, identificarmos os espaços onde haja esse crescimento do narcotráfico para ser combatido", afirmou o ministro da Justiça.

"Temos aqui o painel de 2011 e o de 2012. São apreensões feitas pela Policia Judiciária. Eu pergunto a apreensão de uma quantidade pouco significativa da droga significara um aumento ou decréscimo?", questionou Saido Baldé ao referir-se às últimas apreensões de droga feitas pela Policia Judiciaria guineense.


A Guiné-Bissau conheceu, no dia 12 de Abril, mais um golpe de Estado que destituiu o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, sendo que o país é agora dirigido por um Governo de transição, mas que não é reconhecido pela maioria da comunidade internacional.

Programa de luta contra a SIDA sem dinheiro para tratar doentes

O programa nacional de luta contra SIDA na Guiné-Bissau está há mais de cinco meses sem dinheiro para acudir aos doentes, na sequência de falta de apoios financeiros provenientes do Fundo Global, disse o responsável do programa, citado pela agência Lusa.

Antigo ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, João José Monteiro afirmou que há mais de cinco meses que a Guiné-Bissau deixou de receber verbas do Fundo Global das Nações Unidas para o tratamento aos doentes.

"O Fundo Global, embora diga que não, está a fazer economias e depois alega a questão da alteração da ordem constitucional para justificar atrasos incompreensíveis na transferência de verbas que possam ajudar a continuar o trabalho que estamos a fazer", disse José Monteiro.

"A situação é grave. Por exemplo, na área do tratamento há três ou quatro elementos que podemos citar, há quatro/cinco meses que o secretariado não tem conseguido pagar os exames biológicos aos pacientes. Como os tratamentos são pesados, há um grupo de activistas que acompanham os doentes nos tratamentos, mas há muito tempo que esses activistas não recebem os seus subsídios", exemplificou.

O coordenador do secretariado nacional de luta contra SIDA na Guiné-Bissau apontou ainda os constrangimentos burocráticos que a instituição que dirige tem sofrido por falta de fundos.

"Aqui no escritório há mais de cinco meses que não recebemos salários. Antigamente tínhamos energia permanente, mas agora não temos energia, não temos Internet e telefone", observou Monteiro, sublinhando que tudo isso afecta a chamada "resposta nacional" no combate à doença.

"Há medicamentos que chegam ao país mas que ficam nas alfândegas porque não temos dinheiro para o desalfandegamento, temos cerca de oito milhões de preservativos oferecidos pelo Brasil e Fundo Global mas que estão desde Dezembro no porto de Bissau e não conseguimos fazê-los sair", declarou João José Monteiro.

"O impacto é muito negativo. Não diria que a luta contra a sida na Guiné-Bissau esteja em risco, mas temos que repensar o financiamento da luta contra a doença. O financiamento não pode repousar apenas nos apoios internacionais. Tem que haver uma verba do Estado da Guiné-Bissau para o combate à SIDA", disse o responsável.
O Fundo Global pergunta-me se os bancos estão a funcionar.
Noutro dia diziam-me que a maioria dos Governos (que financiam o Fundo Global) não reconhece o (actual) Governo da Guiné-Bissau. E por aí fora. Portanto são questões ligadas à instabilidade permanente que o país vive", explicou José Monteiro ao referir-se a relutância do Fundo Global em desbloquear as verbas.

"Este problema da instabilidade também mexe com a estabilidade do financiamento do programa de luta contra SIDA. Mas, temos que dizer ao Fundo Global que a luta contra a SIDA é uma acção humanitária e precisamente em momentos de instabilidade política que é mais necessário a sua ajuda" ao país, notou José Monteiro.

A Guiné-Bissau tem um Governo e um Presidente que gerem um período de transição de 12 meses, mas a maioria da comunidade internacional não reconhece essas autoridades por terem sido criadas na sequência do golpe de Estado perpetrado por militares a 12 de Abril último.

Veteranos do PAIGC "juntaram-se a arruaceiros para denegrir" o partido - PM deposto

Lisboa, 01 ago (Lusa) - O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau disse hoje em Lisboa que os veteranos do seu partido que o acusaram de ter "encabeçado um regime despótico" de se terem juntado a arruaceiros para denegrir a imagem do PAIGC.

"Esses combatentes deviam ser o exemplo para esse grande projeto [de tornar a Guiné-Bissau um país viável] e não juntar-se com arruaceiros para tentar denegrir a imagem do nosso grande partido", disse Carlos Gomes Júnior aos jornalistas à saída de uma reunião em Lisboa com o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.

As acusações dos veteranos do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde foram inscritas numa carta aberta em que criticam a postura da Internacional Socialista ao convidar o primeiro-ministro do Governo deposto, Carlos Gomes Júnior, para a sua última reunião realizada em Cabo Verde.

Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau acusa Cedeao de não dialogar

"A Guiné-Bissau é um Estado de Direito e, por isso mesmo, não se pode permitir que um simples vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria vá à Guiné-Bissau indicar um Presidente da República de transição",disse Carlos Gomes Júnior.

África/Internacional Socialista = Comité África condena golpes na Guiné-Bissau e Mali

Cidade da Praia acolheu reunião do Comité África da IS

Cidade da Praia acolheu reunião do Comité África da IS


Cidade da Praia, 01/08 - A reunião do Comité África da Internacional Socialista (IS), que  terminou terça-feira na Cidade da Praia, condenou os golpes de Estado na Guiné-Bissau e Mali e defendeu o combate à crise financeira internacional no continente africano, noticiou a Lusa.  

A crise financeira, os conflitos, a construção de Estados de Direito e os défices democráticos em África foram os temas analisados e aprofundados na reunião e em que houve unanimidade, sublinhou o presidente da IS, o chileno Luis Ayala, falando em castelhano, secundado, em português, pelo Primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves. 

Ayala indicou que o Comité manteve a "tolerância zero às aventuras golpistas", exigindo o rápido regresso à normalidade constitucional na Guiné-Bissau, com a recolocação de Carlos Gomes Júnior como Primeiro-ministro e de Raimundo Pereira como Presidente interino. 

As conclusões foram apresentadas no final dos trabalhos e serão remetidas agora ao XXIV Congresso da IS, que se realizará pela primeira vez em África, na Cidade do Cabo (África do Sul), a 31 de Agosto e 01 de Setembro.  

  O encontro juntou na capital cabo-verdiana cerca de meia centena de delegados de África, entre os quais o Primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau e outros convidados.  

Além de Ayala, a conferência de imprensa final contou também com a presença do líder do PS senegalês e presidente do Comité África da IS, Ousmane Tanor Dieng, e de José Maria Neves, também presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV). 

Tanor Dieng, que segunda-feira na abertura dos trabalhos, tinha omitido na sua intervenção qualquer referência à crise político-militar guineense, mostrou-se a favor da posição assumida pela "família socialista africana", defendendo também o regresso à situação prevalecente antes do golpe de Estado de 12 de Abril último. 

Sobre a democracia em África, José Maria Neves indicou que o Comité manteve também a "inflexibilidade" em qualquer alteração aos valores e princípios dos regimes democráticos no continente, admitindo que há ainda caminho a percorrer. 

O Comité África da IS manifestou também o apoio aos esforços das Nações Unidas no Sahara Ocidental - Marrocos e a República Árabe Saharaoui Democrática estiveram presentes com delegações -, apelou a mais democracia na Guiné Equatorial, Camarões e Tchad e lamentou a situação de fome na Somália.