segunda-feira, 4 de junho de 2012

Escola públicas sem funcionar há mais de dois meses (uma vergonha!!!!!!!!!!)

Mapa da Guiné - Bissau

Bissau - As escolas públicas da Guiné-Bissau estão paradas há mais de dois meses e mesmo com a retoma da actividade normal na administração pública depois do golpe de Estado de 12 de Abril, os alunos continuam sem aulas. 

Laureano Pereira, presidente do Sindicato Democrático dos Professores (Sindeprof) disse hoje (segunda - feira) à Lusa que as escolas "estão paradas porque os professores têm dívidas a receber" da parte do governo.       

"Os dois sindicatos fizeram uma frente única para exigir ao governo o pagamento de algumas dívidas aos professores, sem o pagamento dessas dívidas não podermos voltar à dar aulas", afirmou Laureano Pereira.           

Em causa, adiantou, estão cinco meses de salário em atraso dos professores contratados, e quatro dos professores admitidos e reintegrados no sistema educativo público. 

Os professores efectivos (os que recebem normalmente como quadros do sistema) têm a receber um mês de salário, disse ainda o presidente do Sindeprof.        

Laureano Pereira adiantou que a semana passada os dois sindicatos (Sindeprof  e Sinaprof) reuniram-se com o primeiro-ministro de transição, Rui de Barros, mas ficaram de ser novamente chamados, pelo ministro da Educação, Vicente Pungura, para analisar as modalidades de pagamento das dívidas aos docentes.       

O presidente do Sindeprof frisou que além do pagamento de salários os professores também reclamam do governo a efectivação de um acordo para a mudança de escalões profissionais e o consequente pagamento de salários.    

De acordo com Laureano Pereira, algumas escolas semi - publicas estão a funcionar por serem de auto - gestão (os pais dos alunos é que pagam grande parte dos salários aos professores) ou madrassas (do ensino convencional e islâmico).    

Questionado sobre se não há risco de o ano lectivo ficar comprometido, Laureano Pereira disse que "é possível" mas acredita ser ainda possível "salvar o ano".          

As escolas públicas guineenses não reabriram as portas desde o golpe de Estado de 12 de Abril mas três semanas antes do levantamento militar já não havia aulas por causa de greve dos professores.         

As escolas privadas têm funcionado normalmente e mesmo nos dias a seguir ao golpe de Estado de 12 de Abril havia aulas. 

Ministro da Segurança Nacional diz que o país vive «situação de confusão» “por voz criada”

Bissau - O Secretário de Estado de Segurança Nacional e Ordem Pública do Governo elegitimo de Transição concordou que a Guiné-Bissau vive uma «situação de confusão» a nível nacional.

«Nós estamos a viver uma situação de muita confusão, que pode ter varias motivações», disse Sanca.


Basílio Sanca falou esta quinta-feira, 31 de Maio, numa cerimónia de soltura de doze jovens detidos nos últimos dias, em Bissau, que estavam envolvidos em cenas de violência urbana, concretamente nos bairros de Mindará e Bairro d,Ajuda.


De acordo com o governante, estas detenções são pedagógicas porque a Guiné-Bissau está atravessar um período de confusão e é preciso devolver tranquilidade às pessoas, lançando o apelo aos guineenses no sentido de fazerem do país uma sociedade mais tranquila e de paz, o que passa necessariamente pelos esforços dos pais e encarregados de educação dos jovens que haviam sido detidos.


Basílio Sanca disse ainda que a padrão da sociedade guineense não está familiarizado a este tipo de comportamentos.


O ministro disse acreditar que a prática seja banida por estes jovens, perante uma situação de agressão com armas brancas e de fogo, tendo garantido que o seu Governo tudo fará para garantir a segurança as pessoas.


O responsável condenou os comportamentos destes jovens, com idades compreendidas entre 17 e 23 anos.

(Palavras leva-as o vento)

Agente da PJ raptado e agredido por militares

Bissau - Um agente da Polícia Judiciária guineense foi, esta quinta-feira, 31 de Maio, raptado da sede da PJ e espancado brutalmente pelos militares pertencentes ao Batalhão de Para-comando, na Base Aérea de Bissalanca, nos arredores da capital.

Um militar terá recusado responder à notificação, na sequência de uma queixa interposta pela sua namorada junto da PJ, obrigando assim os agentes a irem buscá-lo e ouvirem as suas declarações sobre a matéria da queixa.


A PJ não tinha conhecimento de que se tratava de um efectivo militar.


Terminada a audiência, cujo desfecho foi remetido ao Tribunal de Família e Menores, o militar não gostou de ter sido ouvido pela PJ e terá ido chamar os seus colegas, contabilizados em mais de uma dezena.


Os membros do Batalhão de Para-comando tomaram de assalto a sede da PJ, raptando o agente que dirigiu a audiência.


Primeiro, foi levado a casa do militar, onde foi espancado, para depois ser transportado para a unidade de Comando, em Bissau.

Informações apontam para que, no local, o agente tenha sido submetido a interrogatório, antes da chegada do Director Nacional da Polícia Judiciária que, depois de muita insistência, conseguiu ter acesso ao interior da Unidade, obrigando à libertação do agente em causa.


«Depois da nossa chegada fomos confrontados com muitas agressões verbais mas acabámos por libertar o nosso agente», disse uma fonte da PJ.


Esta foi uma das várias intervenções dos militares guineenses em instalações públicas alheias.


O primeiro caso relacionado com a PJ aconteceu em Março de 2010, quando um grupo de militares assaltou uma das celas da Polícia Judiciária, de onde retiraram um preso, alegando que este teria burlado um dos seus colegas.


Este acontecimento foi seguido do assassinato brutal de um agente por parte de Polícias de Intervenção Rápida, em vingança da morte a um companheiro.


O último e mais recente caso que envolveu os militares aconteceu a 25 de Maio, junto da sede das Nações Unidas, quando espancaram um Coronel da Guarda Nacional.

Lista de pessoas proibidas de sair do país e que fora elaborada pelo Comando Militar. foi anulada, diz PM de transição

Bissau, 04 jun Lusa - O primeiro-ministro do Governo de transição da Guiné-Bissau, Rui de Barros, disse hoje que foi anulada a lista de 58 pessoas que estavam proibidas de sair do país e que fora elaborada pelo Comando Militar.

O Comando Militar, autor do golpe de Estado de 12 de abril na Guiné-Bissau, emitiu em meados de maio uma ordem que proibia a saída do país de 58 pessoas, entre as quais os membros do Governo deposto e dirigentes do maior partido, o PAIGC.

Hoje, em declarações aos jornalistas, Rui de Barros disse que o governo decidiu acabar com essa lista, que "já não existe", e "quem quiser sair do país pode sair".

O Governo elegitimo da Guiné (sem comentários)

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sábado, 2 de junho de 2012

Zamora Induta e Fernando Gomes estão em Portugal -- fontes CPLP

Lisboa, 02 jun (Lusa) Zamora Induta e Fernando Gomes encontram-se desde sexta-feira em Portugal disseram hoje à Lusa fontes da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Zamora Induta, ex-chefe das Forças Armadas da Guiné Bissau, e Fernando Gomes, ministro do Interior do Governo de Carlos Gomes Júnior, estiveram em dois países africanos antes de chegarem a Portugal.

Os dois estiveram refugiados na embaixada da União Europeia em Bissau. Zamora Induta desde o mês de Março e Fernando Gomes após o golpe militar de 12 de Abril.

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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Ultima Hora : Lista dos 21 golpista com medidas restritivas na União Europeia

Novo artigo (História com as datas)

http://novasdaguinebissau.blogspot.pt/p/demografia-da-guine-bissau.html

Opinião : golpismo ou democracia por JOSÉ MANUEL PUREZA

Diário de Notícias

JOSÉ MANUEL PUREZA

Guiné-Bissau: golpismo ou democracia

por JOSÉ MANUEL PUREZA Hoje

Há uma maldição guineense? A sucessão de golpes e tentativas de golpes de Estado e eliminações de personalidades políticas parece avalizar essa leitura. Instalou-se no senso comum a tese de que a Guiné-Bissau está condenada a uma turbulência política e militar sem fim. Naquela terra, a paz não será senão a preparação da guerra que vem.

E, no entanto, talvez a única maldição guineense seja a do esquecimento e invisibilidade. Fosse a Guiné no Médio Oriente ou no Magreb e a história seria seguramente outra. Até agora, o único motivo de interesse que tem sido reconhecido à Guiné-Bissau parece ser o da sua localização estratégica para os fluxos de narcotráfico entre a América Latina e a Europa. Ele tem acentuado todos os fatores de trivialização de uma cultura de tomada de poder pela força na Guiné-Bissau.

Entretanto, e por paradoxal que seja, a Guiné tornou-se foco de disputa por agendas estrangeiras. Desde a oportunidade de o Senegal, com o envio de tropas, desativar o apoio aos rebeldes de Casamança até à invocação, por Angola (com os olhos em negócios como o da bauxite), do seu sucesso numa efetiva reforma do setor de segurança guineense - que a União Europeia financiou longamente sem qualquer concretização, como é manifesto - passando pela vontade da Nigéria de travar qualquer ascendente angolano na região, as razões para intervir na Guiné multiplicam-se. Mas os interventores refugiam-se em roupagens multilaterais: os interesses do Senegal, da Nigéria ou outros são veiculados pela CEDEAO, enquanto a estratégia de Angola tem o rótulo oficial da CPLP.

O golpe de 12 de abril só se compreende à luz desta combinação perversa entre poder dos barões da droga e choque de estratégias exteriores. A interrupção do processo eleitoral na véspera da segunda volta, quando tudo apontava para a vitória de Carlos Gomes Júnior, favorável a uma aproximação da Guiné com Angola, tem uma leitura clara. Reforçada aliás pelo golpe em cima do golpe perpetrado pela CEDEAO, ao impor a validação de um governo de transição contra a reposição da legalidade constitucional democrática.

Pelo meio fica o povo da Guiné. Um povo supérfluo para os interesses estratégicos. Sintomaticamente, conhecemos da Guiné os golpes e contragolpes mas não se noticia a deterioração dramática da situação humanitária, com o não pagamento dos salários, o ano escolar perdido, a campanha do caju (que é o principal sustento das famílias) comprometida pondo em causa a segurança alimentar da grande maioria da população pobre, a paralisia económica e a subida exponencial do preço dos bens de primeira necessidade, a situação de desesperança nas camadas mais jovens em resultado da associação entre desemprego e privação, a repressão de manifestações contra os golpistas e a circulação de listas negras para eliminação de quem seja incómodo.

É em nome das mulheres e dos homens da Guiné sem rosto nem nome nos grandes meios de comunicação internacionais, que se impõe uma posição de firmeza de quem se quer amigo da democracia e dos direitos humanos repudiando todos os golpes e ameaças e apoiando a prevalência da soberania popular. Foi essa firmeza radicada em princípios e não em alianças de conveniência momentânea com atores locais que faltou ao longo destes anos, diante da onda de assassinatos, de golpes e de chantagens que marcaram todos os dias da vida dos guineenses. Apesar disso, nunca é tarde para se ser digno e querer para esse povo o direito de decidir em paz, em democracia e em liberdade o seu futuro.

Bispo-auxiliar de Bissau, Governo não foi legitimado pelo Povo

Bissau - O bispo-auxiliar de Bissau considera que o novo Governo na Guiné-Bissau não foi legitimado pelo voto popular e é preciso que haja um diálogo com as forças guineenses que estão no “exterior” para que seja encontrada uma solução política para o país.

D. José Lampra Cá considera que o país vive uma situação “atípica” na sequência do golpe de Estado que afastou o presidente Interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

Em entrevista à emissora católica portuguesa Rádio Renascença, o porta-voz da Igreja guineense diz que é preciso reencontrar a unidade nacional e mostra-se preocupado com a degradação da situação económica, nomeadamente o aumento do custo de vida.