Segunda-feira, 9 de Julho de 2012

"Cumplicidade" da CEDEAO poderá fazer da Guiné-Bissau um Estado falhado

O primeiro-ministro deposto, Carlos Gomes Júnior afirmou em Paris que a "cumplicidade" da CEDEAO poderá fazer da Guiné-BIssau um Estado falhado.

As declarações foram feitas no final do encontro do primeiro-ministro deposto, Carlos Gomes Júnior com a comunidade guineense a residir aqui em Paris. Carlos Gomes Júnior disse ainda que que é o primeiro-ministro legítimo do país e logo que a Comunidade internacional crie as condições necessárias tenciona regressar ao país.

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro guineense deposto

08/07/2012

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Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro guineense deposto

08/07/2012

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Carlos Gomes Júnior falou da reforma da Força de Defesa e Segurança e lembrou ainda que há todo um programa de restruturação das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro guineense deposto

08/07/2012

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Mamadu Djaló Pires, ministro guineense dos negócios estrangeiros até ao golpe de Estado de 12 de Abril, que também marcou presença no encontro, reconheceu que actualmente são os militares que exercem o poder na Guiné-Bissau.

Mamadu Djaló Pires, MNE guineense deposto

08/07/2012

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Iancuba Indjai, secretário executivo da Frente Nacional Anti-Golpe- Frenagolpe falou da carta aberta à Comunidade Económiva dos Estados da África Ocidental- CEDEAO- iniciativa que a Frenagolpe lançou aqui em Paris.

Iancuba Indjai, secretário executivo da Frente Nacional Anti-Golpe

08/07/2012

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Alunos de Guiné-Bissau correm risco de deportação por atrasar pagamento

Alunos têm visto de estudante no Brasil e não conseguem pagar curso.
Procuradora investiga suposta propaganda enganosa de faculdades.

Alunos procuraram Ministério Público para resolver situação e evitar ser deportado (Foto: Sabrina Aguiar/TV Verdes  Mares)

Trezentos alunos de Guiné-Bissau matriculados em faculdade no Ceará estão em situação irregular devido a atraso no pagamento das mensalidades, de acordo com o Ministério Público Federal no Ceará. Segundo a procuradora da Justiça Nilce Cunha, que se reuniu com os estudantes para resolver a situação de irregularidade, os alunos têm dificuldade para receber dinheiro enviado da família de Guiné-Bissau após o golpe de estado no país, em 12 de abril deste ano. Se não tiverem vínculo com as escolas, eles podem ter de sair do país.

"Depois do golpe fica mais difícil para a família mandar dinheiro. Com a situação política no país deles, as famílias ficam desempregadas, fica um clima de terrorismo e demora muito até eles receberam o dinheiro, por isso atrasam", explica Nilce. Segundo as regras vigentes, pessoas com passaporte de estudante devem efetuar o pagamento de mensalidade para serem considerados legais no país. Com os atrasos, os alunos estão em situação ilegal no Brasil.

'Propaganda enganosa'
A procuradora investiga também se há propaganda enganosa por parte de faculdades privadas no Ceará, que anunciam os cursos em Guiné-Bissau. "Eles mostram um gráfico informando quanto cada aluno vai gastar, prometem assistência, um alojamento, mas quando chegam aqui, se deparam com outra situação, sem alojamento e com mais custos", diz a procuradora.

Nilce Cunha agendou para segunda-feira (9) uma reunião com representantes de três faculdade onde 300 alunos de Guiné-Bissau estão em situação irregular. A procuradora vai propor a redução de multas e juros de mensalidades atrasadas e que regularize a situação de pagamento nos cursos para que os alunos sejam considerados legais no país.

A procuradora diz ainda que, devido à falta de condição de pagamento dos cursos, alguns alunos abandonaram a faculdade e trabalham de forma irregular no Ceará, já que estrangeiros com visto de estudante no Brasil não podem exercer trabalho remunerado no país, com exceção de estágios acadêmicos. Nilce diz que os alunos se queixam de terem recebidos promessas de estágios remunerados, que não conseguiram. "Não há o menor comprometimento das faculdade em inserir esses alunos nas empresas", diz.

Policiais cabo-verdianos na Guiné-Bissau estão “satisfeitos” com a missão / Nacional / Detalhe de Notícia

Os cabo-verdianos que integram o contingente policial das Nações Unidas na Guiné-Bissau dizem-se  “satisfeitos” com essa missão histórica da Polícia Nacional (PN).


O contingente policial da ONU, integrado por vários países, é chefiado pelo  superintendente geral da Polícia Nacional de Cabo Verde, Carlos Graça, que há pouco tempo desempenhou as funções de  Director Nacional da PN.
A Inforpress falou, hoje, a partir da Ci

dade da Praia, com dois policiais cabo-verdianos  que integram o contingente da ONU, sendo ele  a chefe de esquadra Antonieta Cunha e o subcomissário Roberto Fernandes.


Antonieta Cunha, a primeira mulher cabo-verdiana a integrar um contingente policial das Nações Unidas, em declarações à Inforpress, mostrou-se “satisfeita” com a missão que está a cumprir em Bissau.


“Estou muito orgulhosa desta missão”, declarou Antonieta Cunha que fez parte do primeiro grupo de mulheres que há 20 anos ingressou nas fileiras  da Polícia cabo-verdiana.


Segundo ela, a missão em terras guineenses não só dignifica Cabo Verde, como também prestigia a instituição de que faz parte, ou seja, a Polícia Nacional.


Instada sobre o relacionamento entre os policiais cabo-verdianos e os dos outros países que fazem parte do contingente das Nações Unidas, Antonieta Cunha considerou “muito bom”.


Do ponto de vista dela, o intercâmbio está  a servir para a “troca de experiências” entre o pessoal da Polícia dos vários países que integram o contingente.


“Chegámos a Bissau no dia 10 de Maio, mas parece que já estamos cá há mais de um ano”, enfatizou a policial cabo-verdiana, para reforçar a ideia de como está a ser o relacionamento entre os policiais dos vários estados que se encontram na Guiné-Bissau.


O subcomissário da PN, Roberto Fernandes, é um outro cabo-verdiano que está ao serviço da ONU em terras guineenses.
Em conversa com a Inforpress, não escondeu a sua satisfação por fazer parte da “histórica missão” da Polícia Nacional ao serviço da ONU no exterior.


“Estou muito contente, pois trata-se de uma experiência muito agradável”, enfatizou Fernandes que destacou o facto de se encontrar entre colegas de várias nacionalidades, o que, segundo ele, lhes permite partilhar pontos de vista diferentes.


Os cabo-verdianos estão na Guiné-Bissau no quadro da reforma das forças de segurança deste país vizinho de Cabo Verde promovida pelas Nações Unidas.


O contingente policial da ONU é integrado por 16 elementos. Além dos três cabo-verdianos, a unidade é composta por oficiais de Colômbia (3), Espanha (2), Timor Leste (2), Angola (1), Moçambique (1), Portugal (1), Zimbabué (1), Uruguai (1) e Ruanda (1).


Depois de Bissau, o contingente da ONU dispõe de mais duas delegações nas localidades de Bafatá e Mansoa.


A polícia da ONU na Guine Bissau está integrada no departamento de Reforma do Sector de Defesa e Segurança do UNIOGBIS. LC

Ausência de atletas nos jogos da CPLP com duas versões em Bissau

Bissau, (Lusa) - A Guiné-Bissau estará definitivamente ausente dos oitavos jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), por falta de dinheiro, segundo o governo de transição, e por "má vontade política", segundo as federações desportivas.

Contactado pela Agência Lusa, o ministro da Presidência do Conselho de Ministros e porta-voz do governo de transição, Fernando Vaz, disse que perante a falta de condições financeiras o Governo pediu apoio, por duas vezes, à embaixada do Brasil e que este lhe foi negado.

Noutros jogos, acrescentou, tem sido o Brasil ou Angola a darem "boleia" aos atletas guineenses. Perante essa recusa, referiu Fernando Vaz, o Governo decidiu enviar a secretária de Estado dos Desportos a Portugal para "ver como ultrapassar a situação", mas o visto foi-lhe recusado pela embaixada de Portugal em Bissau.

"Face a estes bloqueios não tínhamos lamentavelmente outra solução. Com os nossos meios não era possível, temos de ser rigorosos com a gestão do dinheiro", disse.

Outra visão tem no entanto o presidente do Fórum das Federações Desportivas, Eugénio Lopes, que também contactado pela Lusa disse haver "má vontade política" do Governo de transição.

Eugénio Lopes, também presidente da Federação de Andebol, disse que as federações contactaram o Presidente de transição, Serifo Nhamadjo, e que este "fez todas as diligências" para que fosse possível a participação guineense.

"A não ida da delegação é porque a embaixada de Portugal não concedeu visto à secretária de Estado da Juventude, Cultura e Desportos", disse o responsável, acrescentando: "Nós não vamos aos jogos mas não é por uma questão financeira, é por má vontade política".

As federações já tinham pedido os vistos nos serviços consulares da embaixada de Portugal na Guiné-Bissau, que foram dados, e procuraram apoios junto de Serifo Nhamadjo. A embaixada de Portugal concedeu os vistos, isentos de emolumentos.

Segundo Fernando Vaz não há qualquer "má vontade política, porque se houvesse nem haveria diligências junto da embaixada do Brasil, dizia-se pura e simplesmente que não".

"Perante a recusa do Brasil, perante a recusa do visto, ficámos bloqueados e dissemos aos jovens ´este ano não temos possibilidades´. Não podemos inventar dinheiro", disse o ministro à Lusa, lamentando "a grande frustração dos jovens, que andaram um ano a treinar para os jogos". "Entendo que estejam revoltados", acrescentou.

Para Eugénio Lopes, Portugal não pode ser acusado de "má vontade". "Não há falta de vontade, se assim fosse não nos tinham convidado", disse à Lusa, acrescentando que os serviços consulares concederam os vistos a todos os atletas. "Podíamos ir busca-los hoje", frisou.

Questionada pela Agência Lusa, fonte da embaixada de Portugal na Guiné-Bissau lamentou "a eventual não participação guineense nos jogos", disse que a embaixada estava pronta para isentar de emolumentos e conceder os vistos, acrescentando depois, sobre o visto para a secretária de Estado: "Não comentamos casos individuais".

Os oitavos jogos da CPLP realizam-se de 07 a 15 em Mafra, Portugal.

Um golpe de Estado na Guiné-Bissau ocorreu a 12 de abril, na véspera do início da segunda volta da campanha eleitoral para as eleições presidenciais.

Um governo de transição, negociado entre o grupo de militares responsáveis pelo golpe (autointitulado Comando Militar) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), foi nomeado e deverá promover a realização de eleições no prazo de um ano.

No entanto, as autoridades de transição não são reconhecidas por Portugal e os outros membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e restante comunidade internacional.

FP.

Lusa

Domingo, 8 de Julho de 2012

Encontro de Carlos Gomes Júnior com Diáspora da Guiné-Bissau em Paris

Primeiro-Ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior,  em Paris no dia 7 de Julho de 2012

Primeiro-Ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, em Paris no dia 7 de Julho de 2012

Liliana Henriques / RFI

Liliana Henriques

Foi num ambiente efusivo que decorreu na tarde de Sábado na região Parisiense o encontro da Diáspora Guineense com Carlos Gomes Júnior, Primeiro-Ministro deposto, Mamadú Djaló Pires, seu Ministro dos Negócios Estrangeiros e Iancuba Indjai, Secretário Executivo da Frenagolpe, a Frente Nacional Anti-Golpe.

Durante esse encontro, os participantes reiteraram a exigência da reposição da ordem constitucional, exigiram o regresso ao país dos titulares do poder político antes do golpe de Estado, teceram severas críticas ao posicionamento assumido pela CEDEAO e alertaram sobre a necessidade de uma reforma das forças armadas.

Este último aspecto foi designadamente sublinhado por Carlos Gomes Júnior que o considera de extrema importância. O chefe do governo deposto também não deixou de evocar as consequências negativas que o golpe a seu ver teve sobre a economia da Guiné-Bissau. No cômputo das críticas, a CEDEAO também não deixou de ser um alvo. Na óptica do Primeiro-Ministro deposto, a CEDEAO não pode ser o único organismo a resolver a crise na Guiné-Bissau, são necessários outros parceiros.

Reportagem de Liliana Henriques

07/07/2012

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À saída do seu encontro com a Diáspora Guineense, Carlos Gomes Júnior não deixou igualmente de fazer um balanço da situação vigente no seu país, expressando preocupação quanto às possibilidades da Guiné-Bissau conseguir ultrapassar as suas dificuldades económicas. Ao referir-se, por outro lado, aos contactos que tem estabelecido a nível internacional, o Primeiro-Ministro deposto enunciou os motivos que o conduziram em particular até Paris.

Carlos Gomes Junior, primeiro-ministro guineense até ao golpe de Estado di dia 12 de Abril

07/07/2012

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Ministro deposto da Guiné-Bissau homenageado em Portugal por defesa dos direitos humanos

A Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR) vai homenagear o ministro do Interior da Guiné-Bissau, afastado pelo golpe militar de 12 de abril, Fernando Gomes, pelo seu trabalho em defesa dos direitos humanos, informou um dos organizadores da iniciativa.


"Vamos homenageá-lo, neste sábado, não na qualidade de ministro do Interior, mas enquanto defensor dos direitos humanos, já que ele é, há trinta anos, a figura número um de toda África no que diz respeito à luta pelos direitos humanos", declarou à agência Lusa Vítor Ilharco, secretário-geral da APAR.

A APAR, com sede nacional no concelho das Caldas da Rainha, é uma associação sem fins lucrativos destinada ao apoio de todos os reclusos em prisões portuguesas e aos cidadãos portugueses detidos em países estrangeiros.

Segundo Ilharco, Fernando Gomes - que é doutorado em Direito - "foi o criador da Liga Guineense dos Direitos Humanos", entre outras associações que criou e participou, estando sempre engajado nos movimentos de defesa dos direitos humanos em África e no mundo.

Em 1996, Fernando Gomes recebeu o Prémio Internacional dos Direitos Humanos, em Espanha.

"Vamos homenageá-lo entregando, numa cerimónia que penso que será bonita, o título de sócio honorário da nossa organização", afirmou o secretário-geral da APAR.

De acordo com Ilharco, foram convidados para a homenagem o secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereira, e o Presidente interino deposto da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, além de membros da associação e outros convidados.

"A cerimónia de homenagem decorrerá no Instituto Superior de Gestão, em Lisboa", acrescentou Vítor Ilharco.

Entre 2008 e 2011, Fernando Gomes foi ministro da Função Pública, do Trabalho e da Modernização do Estado guineense.

"Toda a comunidade internacional reconhece o trabalho excecional feito (por Fernando Gomes) na reforma da administração pública (guineense), considerado o primeiro grande sucesso desde a independência do país. Mérito, aliás, também reconhecido no interior da Guiné-Bissau mesmo pelos adversários políticos", indicou a associação num comunicado.

A APAR referiu ainda que "em agosto de 2011 assumiu a pasta de ministro do Interior e o seu trabalho começava a ser, de novo, considerado exemplar na modernização da polícia, serviço de estrangeiros e fronteiras, e todas as forças que tinha sob as suas ordens".

O golpe de Estado na Guiné-Bissau ocorreu a 12 de abril, na véspera do início da segunda volta da campanha eleitoral para as eleições presidenciais.

Um governo de transição, negociado entre o grupo de militares responsáveis pelo golpe (autointitulado Comando Militar) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), foi nomeado e deverá promover a realização de eleições no prazo de um ano.

No entanto, as autoridades de transição não são reconhecidas pela restante comunidade internacional.

Fernando Gomes esteve refugiado na embaixada da União Europeia em Bissau após o golpe militar, passando ainda pelo Senegal e pela Gâmbia antes de chegar a Portugal.

Segundo a APAR, o golpe de Estado é "mais uma curta pausa no magnífico trabalho que Fernando Gomes tem desenvolvido na sua Guiné-Bissau que tanto tem dignificado um pouco por todo o mundo".

"A Guiné-Bissau precisa e merece um homem como Fernando Gomes. Que regresse rapidamente ao lugar a que tem direito e onde a imensa maioria de guineenses o quer", acrescentou a organização de defesa dos direitos humanos.

Lusa

Parlamento encerra trabalhos antes da data prevista

Bissau - O parlamento da Guiné-Bissau encerrou ontem os seus trabalhos, que deviam durar até 29 de Julho, devido ao impasse sobre a agenda dos temas a serem debatidos. 

O presidente em exercício da Assembleia Nacional Popular (ANP), Ibraima Sory Djaló, afirmou na sessão plenária de hoje que por não existir consenso entre as duas principais forças políticas "não valia a pena continuar com os trabalhos".  

"Após uma concertação com os demais membros da mesa decidi encerrar hoje esta sessão plenária, dando a palavra aos partidos para que analisem qual o rumo que se deva dar ao Parlamento", declarou Sory Djaló, debaixo de um coro de protestos dos deputados do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). 

"É mais uma aberração, uma arbitrariedade cometida pelo presidente em exercício desta casa. Em nenhum momento o presidente da ANP pode decidir de forma unilateral encerrar os trabalhos parlamentares sem que a plenária fosse ouvida", disse Rui Diã de Sousa, líder do grupo parlamentar do PAIGC.

Na mesma altura em que anunciou o encerramento prematuro da sessão, Sory Djaló avisou os deputados que poderão ser convocados "dentro de uma ou duas semanas" para uma sessão extraordinária, para debater o programa do Governo e o Orçamento Geral do Estado. 

O parlamento da Guiné-Bissau não conseguiu fazer funcionar a sessão plenária aberta desde o dia 29 de Junho devido aos desentendimentos entre o PAIGC e o PRS quanto aos pontos que deviam constar na agenda dos trabalhos.

O PAIGC, que detém a maioria parlamentar, exigia que se incluísse na agenda a eleição de um novo vice-presidente do órgão (lugar actualmente ocupado por Sory Djaló, segundo vice-presidente) que por sua vez passaria a ser o líder da instituição. 

O PRS, partido a que pertence Sory Djaló e o próprio têm rejeitado essa possibilidade, alegando que é necessária a demissão dos anteriores presidente e vice-presidente (Raimundo Pereira e Serifo Nhamadjo), levando a um impasse total.  

Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

"Fomos apanhados de surpresa com a posição" da CEDEAO sobre a Guiné-Bissau - secretário executivo da (CPLP)

Lisboa, 06 jul (Lusa) -- O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reconhece que a organização foi "apanhada de surpresa com a posição" da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) sobre o golpe de Estado na Guiné-Bissau.

As reações ao golpe militar registado a 12 de abril e que derrubou os governantes guineenses eleitos levaram a CPLP "a acreditar que a comunidade internacional estava alinhada sobre os mecanismos para a reposição da ordem constitucional" no país.

"Nós fomos apanhados de surpresa com a posição, que nós consideramos diferente, por parte da CEDEAO", admite o secretário executivo, o guineense Domingos Simões Pereira, em entrevista à Lusa.

Apesar disso, garante, a CPLP não quis "disputar a competência da CEDEAO" e manteve uma "posição responsável", voltando a pedir ao Conselho de Segurança da ONU que clarificasse as orientações. O organismo internacional respondeu que mantinha "a CEDEAO como principal interlocutor das autoridades da Guiné-Bissau".

Desde essa altura, recorda Simões Pereira, "a CPLP tem participado em todos os esforços, em todas as reuniões promovidas pela CEDEAO, no sentido de encontrar uma solução para a Guiné-Bissau" e "está permanentemente a avaliar qual é a melhor forma de assistir" o país.

O verbo 'afetar' "talvez não seja o mais exato" para o que sucedeu na relação CPLP-CEDEAO, mas Simões Pereira reconhece que as organizações "têm interpretações diferentes sobre o mecanismo de reposição da ordem constitucional" -- sendo esta um objetivo comum. "Como lá chegar é que divide realmente as partes", diz.

Escusando-se a comentar uma eventual saída da Guiné-Bissau da CPLP -- o governo de transição admitiu "questionar" a presença do país na organização lusófona --, o secretário executivo disse apenas que "é uma manifestação de intranquilidade" e apelou à "ponderação" de todas as partes.

"Se o governo de facto no país considera que a atuação da CPLP coloca alguma pressão nele, espero que também saiba reconhecer que o acontecimento de dia 12 de abril colocou a CPLP numa situação muito complicada (...), porque nos princípios da CPLP há uma diretriz muito clara, de que é ao povo que compete decidir quem são os seus legítimos representantes", assinala.

"Há quem diga que nos devíamos render a essa realidade [do governo de transição] e nos ajustarmos a essa realidade. Os nossos órgãos competentes continuam a ter dificuldade em aceitar isso, porque isso significa, na nossa interpretação, retirar ao povo esse direito", esclarece, realçando, contudo, que "é um processo dinâmico".

Não se sabe ainda como é que a Guiné se fará representar na 9.ª conferência de chefes de Estado e de Governo, que vai realizar-se em Maputo, capital moçambicana, no dia 20 de julho, mas, "até uma ordem contrária, todas as reuniões da CPLP depois do 12 de abril, têm tido o Governo saído das últimas eleições: o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior".

No dia 11, o Conselho de Ministros da CPLP vai realizar uma reunião extraordinária, na qual debaterá a representação oficial da Guiné-Bissau. "A atual situação é difícil, mas para todos, e espero que as pessoas saibam reconhecer que não foi a CPLP a produzir essa situação", frisou Domingos Simões Pereira.

SBR.

Lusa

(CPLP) Simões Pereira quer voltar para Bissau e confia que sucessor terá "maiores credenciais"

Lisboa, 06 jul (Lusa) -- O secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Domingos Simões Pereira, quer "voltar para a Guiné-Bissau" e confia que o seu sucessor, a ser conhecido no dia 20, "terá maiores credenciais" do que as suas.

"Eu sou engenheiro civil, vim exercer um cargo fundamentalmente de diplomacia. A única coisa que tentei foi não me transformar num diplomata (...), não por achar que não fosse esse um requisito importante, mas porque iria perder quatro anos a tentar ser aquilo que não era. Limitei-me a emprestar à organização aquilo que sou", resume, em entrevista à agência Lusa, na sede da organização, em Lisboa.

A 15 dias de deixar o cargo que ocupa há quatro anos, Domingos Simões Pereira está entusiasmado com o fim de um ciclo e a passagem da pasta. A quem? "Seria muito presunçoso da minha parte definir perfis. Entrei sem qualquer agenda e saio sem qualquer intenção de fazer avaliações. É essa abordagem que posso deixar como recomendação. Esta é uma organização que se vai fazendo", vinca.

Reconhecendo que já tem "algumas indicações de quem será" o seu sucessor à frente do Secretariado Executivo da CPLP, frisa que é preciso aguardar pelo dia 20 de julho, altura em que, na cimeira de chefes de estado e de governo que se vai realizar em Maputo, o Presidente da República de Moçambique, país que assumirá a presidência da CPLP, oficializará o nome.

Ao contrário do habitual, e por razões de ordem alfabética, é também a vez de um moçambicano exercer o cargo de secretário executivo. Domingos Simões Pereira aprova "totalmente" o provável sucessor, realçando que "voltará a ser alguém com competência num domínio", possivelmente a diplomacia, no qual o ainda secretário executivo considerava ter "limitações".

Guineense, não tem dúvidas sobre o futuro: "Quero voltar à Guiné, quero trabalhar na Guiné. Estou completamente disponível para a Guiné-Bissau."

Militante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder até ao golpe de estado de 12 de abril) desde os anos 1980, afasta, para já, futuras candidaturas políticas. E garante que será tão mais ativo quanto puder contribuir para "produzir confiança". Se não, saberá "ficar calado".

Simões Pereira já foi à Guiné-Bissau após o golpe de estado que depôs o Presidente e primeiro-ministro do país e condenado pela CPLP.

"Não posso dizer que tenha experimentado um ambiente de total liberdade, mas também não posso dizer que tenha experimentado alguma situação mais apertada", descreve, acrescentando: "Nunca tive problemas em estar na Guiné e ajustar-me às realidades e, com base nas realidades, definir o meu espaço de intervenção. Espero poder fazê-lo. Se algum dia não puder voltar à Guiné, isso sim, seria realmente muito difícil."

SBR.

Lusa

Espanha: Governo dará ajudas de 335 mil euros/mês a navios que pescavam na Guiné-Bissau

Madrid, 05 jul (Lusa) -- O Governo espanhol aprovou a concessão de ajudas de 335 mil euros por mês para armadores e tripulantes de 11 navios obrigados a interromper a sua atividade depois do fim do acordo pesqueiro da UE com a Guiné-Bissau.

Fontes do Ministério da Agricultura, Alimentação e Ambiente explicaram que os armadores receberão 290 mil euros por mês e os tripulantes 45 mil euros mensais pelo fim do acordo.

As ajudas destinam-se a compensar a suspensão do convénio de pesca que existia entre a UE e a Guiné-Bissau e que deixou os navios sem outra zona alternativa de faina.

Representante da ONU termina visita de dois dias sem declarações públicas

Bissau - João Honwana, director da Divisão África II do departamento dos assuntos políticos da ONU, deixou hoje (quinta-feira) em Bissau depois de dois dias de contactos na capital da Guiné-Bissau e sem declarações aos jornalistas.  

Durante dois dias, o responsável manteve encontros com partidos e parceiros internacionais mas sempre nas instalações da missão das Nações Unidas em Bissau (UNIOGBIS) e sem que os jornalistas tivessem acesso aos encontros. 

Num comunicado da UNIOGBIS hoje divulgado afirma que se tratou de "uma visita de rotina" marcada "por discussões com a missão das Nações Unidas e os parceiros sobre a melhor forma de ajudar a Guiné-Bissau a superar a crise actual".  

"Vim cá com o objectivo de retomar contacto com os actores e com a realidade guineenses e ver com os nossos colegas da missão como podemos fazer para melhor apoiar os guineenses na busca de soluções para a crise", disse Honwana, citado no comunicado.   

No comunicado afirma-se que o responsável da ONU teve reuniões com partidos políticos representados no parlamento (PAIGC, PRS, PRID, AD e PND) e com "parceiros internacionais" e membros da sociedade civil e líderes religiosos. Não é feita qualquer referência a reuniões com membros do Governo de transição ou com o Presidente de transição.  

João Honwana, moçambicano, já foi representante do Secretário-geral da ONU e chefe da UNIOGBIS, entre 2004 e 2006.  

Deslocou-se à Bissau no âmbito de uma digressão à África Ocidental, enquadrada nas suas novas funções de director da Divisão África II. Antes de Bissau, João Honwana esteve em Dacar, Bamako e Yamussukro, na Côte d’Ivoire, onde assistiu à Cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), diz também o comunicado.

Tropas da CEDAO no parlamento e tomam tambem posições na presidência e sede do governo

Bissau - A presença de cerca de uma dezena de soldados armados da África Ocidental nas instalações do Parlamento da Guiné-Bissau levou hoje (quinta-feira) a suspensão dos trabalhos, depois de os deputados se terem manifestado incomodados.


O primeiro a questionar a presença dos soldados da força de alerta da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) logo a entrada do Parlamento foi Rui Diã de Sousa, líder da bancada parlamentar do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).


"Senhor presidente, gostaríamos de saber o porquê da presença inusitada de soldados à porta do Parlamento?", perguntou Diã de Sousa, dirigindo-se a Ibraima Sory Djaló, presidente em exercício do parlamento guineense.


"Também não sabemos bem, mas julgamos que a presença deles é no âmbito do mandato da força da CEDEAO no país, isto é, proteger as instituições do Estado. Poderá ser isso", afirmou Sory Djaló.


"Na nossa óptica, essa justificação não colhe até porque nunca isso aconteceu e mesmo que fosse isso o Parlamento devia ser previamente informado da sua presença. Por esse motivo a bancada do PAIGC vai abandonar a sessão para uma concertação", disse Rui Diã de Sousa, precipitando o abandono de todos os deputados do PAIGC da sala do hemiciclo.

Manifestando-se descontente com esta postura dos deputados do PAIGC, Sory Djaló, que ainda tentou demovê-los de abandonarem a sala, pedindo calma, deu por suspensa a sessão de hoje (quinta -feira), convocando os deputados para sexta-feira.


Quando os deputados trocavam alegações sobre a presença dos soldados da CEDEAO, estes mantinham-se em cima de uma carrinha de caixa aberta com armas apontadas para a sede do Parlamento.


À saída do hemiciclo, a Lusa tentou falar com o líder da bancada parlamentar do PAIGC, mas Rui Diã de Sousa disse que não pretendia dizer nada.


Serifo Djaló, líder da bancada parlamentar do Partido da Renovação Social (PRS, principal força politica da oposição guineense) saiu do hemiciclo e logo de seguida entrou para uma reunião de concertação com o presidente em exercício do Parlamento.

Cerca de meia hora depois da suspensão dos trabalhos no Parlamento, os soldados da CEDEAO retiram as armas pesadas que tinham instaladas na entrada, mas mantiveram-se no local munidos de espingardas Kalashnikovs).

O Presidente interino do parlamento disse desconhecer os pormenores da decisão que surge numa altura delicada no parlamento devido a desentendimentos entre o PAIGC e o Partido da Renovação Social sobre o a composição da liderança do parlamento.


O PAIGC disse que não voltará ao parlamento enquanto aqueles militares da CEDAO ali estiverem.


O PRS condenou o PAIGC afirmando que a presença do destacamento da CEDAO é legal Tropas da CEDAO estão também agora instaladas  na presidência da república e na sede do governo.

A CEDAO conta neste momento com mais de 600 militares e policias na Guiné Bissau ao abrigo de um acordo que prevê uma transição de 12 meses seguida de eleições gerais.

Guiné-Bissau com queda da previsão de crescimento

A Guiné-Bissau deverá ter um crescimento económico em 2012 de 2,8%, abaixo dos 4,5% inicialmente previstos pelo FMI, disse o porta-voz do Governo de transição, Fernando Vaz, citado pela Lusa.


De acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional, feitas em dezembro do ano passado por Alfredo Torres, representante residente da instituição, o país cresceu em 2011 cerca 5,3%, prevendo-se que este ano o crescimento fosse de 4,5%, um número agora revisto em baixa pelo Governo de transição. Entretanto, o governante disse que o país está a negociar com outros países em condições mais vantajosas do que com a UE, um acordo no domínio das pescas.


Entre as obras públicas em desenvolvimento no país está a reparação de 400 Km de estradas, para além de estar a ser feito o levantamento em termos de necessidades de áreas urbanas e suburbanas das principais cidades da Guiné-Bissau. Na área da Saúde foi assinado um acordo com a China, que irá enviar profissionais do setor.

Quarta-feira, 4 de Julho de 2012

Instabilidade política em Guiné-Bissau interrompe ajuda do Brasil

Belo Horizonte — O esforço brasileiro para ajudar os países da África, especialmente a Guiné-Bissau — assumido como prioridade pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva e encampado pela presidente Dilma Rousseff —, esbarra em turbulências políticas internas de países no lado ocidental daquele continente. Um exemplo é Guiné-Bissau, onde o Brasil investiu US$ 10,4 milhões ( cerca de R$ 20,8 milhões) em pelo menos 20 projetos sociais e de desenvolvimento econômico e institucional. Lá, todas as iniciativas estão suspensas em razão de um golpe militar promovido pelas forças armadas guineenses no dia 12 do mês passado. E mais grave: os revoltosos pretendiam ocupar o Centro de Formação das Forças de Segurança, construído para qualificar as polícias do país em projeto orçado em US$ 3 milhões, para transformá-lo em uma de suas bases militares.

O centro deveria ter sido inaugurado, com honra e pompas, em abril, mas a solenidade, que teria a presença de representante do governo brasileiro, do Departamento de Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da UNODC (agência das Nações Unidas de combate às drogas e ao crime organizado), foi suspensa em razão da instabilidade política.

Guiné-Bissau não participa nos jogos da CPLP - governo de transição

Bissau, 03 jul (Lusa) - A Guiné-Bissau não participa nos oitavos jogos da Comunidade dos País de Língua Portuguesa (CPLP), que decorrem entre os dias 07 e 15 em Mafra, Portugal, disse hoje o porta-voz do Governo guineense, Fernando Vaz.

Falando à imprensa para um balanço do primeiro mês do governo de transição, Fernando Vaz, que é também o ministro da presidência do Conselho de Ministros, disse que a Guiné-Bissau não irá aos jogos da CPLP por uma questão financeira, já que tem "outras prioridades em termos de custos".

Mas também não participa, acrescentou, porque "não faria sentido participar nos jogos de uma organização" que não reconhece o governo de transição da Guiné-Bissau.

"Se não nos reconhecem, não nos querem na sua casa", disse Fernando Vaz.

Fonte da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura e Desporto indicou à Lusa que, "apesar dos problemas políticos" existentes entre o atual Governo e a CPLP devido ao golpe de Estado, a Guiné-Bissau "foi formalmente convidada e até recebeu, no passado sábado, o calendário dos jogos".

"Acredito que se não formos aos jogos é, por um lado, por uma decisão política das nossas autoridades e por outro por falta de verbas", assinalou a fonte.

A delegação guineense, que deveria integrar 65 elementos, ia levar aos jogos atletas do ténis, atletismo, basquetebol, voleibol e desporto para deficientes. O futebol não ia estar presente porque a federação desta modalidade fez a sua inscrição fora do prazo, explicou ainda a fonte da secretaria de Estado da Juventude, Cultura e Desporto.

Uma outra fonte ligada aos preparativos para os jogos da CPLP disse à Lusa que alguns atletas estão a tentar junto do Presidente de transição, Serifo Nhamadjo "demover o Governo" da sua decisão de não autorizar a presença do país nos jogos.

Com o golpe de Estado protagonizado por militares no passado mês de abril, a CPLP deixou de reconhecer as novas autoridades entretanto criadas para gerir a transição, que deve durar 12 meses.

MB/FP.

Lusa

Comentários a esta notícia no FACEBOOK

 

    • Guiguis Tcham Seu filho da puta "Fernando vaz", se tâo pouco os câes das ruas de Bissau os reconhece e quem queres q os reconhece.Voces sâo grupinhos de vagos e bandidos q andan buscando oportunidades como estas para sentir q sâo importantes se em realidade voces nâo sâo de nada, SHIT OF DONKEYS !!!

      há 6 horas · Gosto · 1

    • Adul Balde SE FOR PARA PROCURA UMA PESSOA FANTASTICA E MELHOR HOMEM NA GUINE, ENTÃO EU ESCOLHERIA O FERNANDO VAZ QUE SABE O QUE DEVE FAZER. OBRIGADO GOVERNO DE TRANSIÇÃO

      há 2 horas · Gosto

    • Justina Taborda de Pina Eu tenho plena certeza que escolhea uma granda merda para a sua casa desculpe dizer isto, neste governo nao ha um elemento que se poderia trocar com um cao vadio cada um pior que o outro.

      há cerca de uma hora · Gosto

Grupo parlamentar suspende actividade até ser reposta ordem constitucional

Lisboa - O grupo parlamentar de amizade Portugal-Guiné-Bissau suspendeu hoje (quarta -feira) por unanimidade as relações com o parlamento daquele país africano até que seja reposta a ordem constitucional, anunciou a sua presidente, a deputada Catarina Martins. 

"O grupo parlamentar de amizade Portugal-Guiné-Bissau é um grupo de reciprocidade entre parlamentos e não podia naturalmente continuar a existir e a ter actividade como se nada fosse, o que seria um reconhecimento tácito do golpe de Estado", afirmou aos jornalistas a deputada do BE. 

Catarina Martins, presidente do grupo de amizade Portugal-Guiné-Bissau, adiantou que "por unanimidade de todos os partidos, o grupo ficará com actividade suspensa até que a ordem constitucional seja reposta" naquele país africano.

A deputada bloquista fez ainda críticas à actuação da comunidade internacional neste caso por estar "muito silenciosa". 

"Tem existido um reconhecimento tácito de como se tudo estivesse bem, ora não está, a possibilidade de escolha democrática está a ser negada ao povo da Guiné-Bissau", notou. 

A presidente do grupo de amizade Portugal-Guiné-Bissau assegurou que "não há por parte de nenhum dos deputados nenhum descolar da situação" e que "a suspensão é acima de tudo um sinal político de que não se aceita e não há acordo tácito para a situação que existe actualmente". 

"Vamos manter-nos muito atentos e a acompanhar, naturalmente os vários partidos têm formas diferentes de acompanhar a situação, mas assim que seja possível, porque a ordem foi restaurada e esperamos que o seja, naturalmente o grupo retomará atividade", concluiu.

Presidente Ilegítimo de transição reúne-se com principais dirigentes ilegítimos do país

Bissau - O Presidente de transição da Guiné-Bissau, Serifo Nhamadjo, reuniu terça-feira com o presidente do parlamento, o primeiro-ministro de transição e o chefe das Forças Armadas, para analisarem a evolução da situação política do país.  

De acordo com o primeiro-ministro de transição, Rui de Barros, a reunião, que durou quatro horas, foi "uma concertação normal entre os diferentes órgãos que estão a gerir a transição" do país. 

Já com a reunião a decorrer, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Faustino Imbali, foi também convocado, mas tal como o presidente em exercício da Assembleia Nacional Popular (ANP, o parlamento guineense), Ibarima Sory Djaló, deixou a reunião sem fazer quaisquer declarações à imprensa. 

O chefe das Forças Armadas, general António Indjai, que também assistiu ao encontro, não falou aos jornalistas, tendo mesmo abandonado as instalações da presidência da República pelas traseiras do edifício. 

Questionado sobre se a reunião tinha como objecto analisar o impasse que se regista no Parlamento, onde as duas principais bancadas não se entendem quanto à agenda dos assuntos a serem debatidos, o primeiro-ministro de transição disse que não.  

"Não falámos sobre a questão do Parlamento. Talvez numa próxima reunião", declarou Rui de Barros.  

O Parlamento guineense tem registado um impasse total uma vez que os dois principais partidos, o PAIGC e o PRS, não se entendem sobre a agenda dos trabalhos na sessão plenária do órgão.  

A sessão, aberta desde a passada sexta-feira, ainda não funcionou já que sistematicamente tem sido suspensa todos os dias devido à falta do entendimento sobre a agenda dos trabalhos.

Portugal tem menos imigrantes

Portugal tem menos imigrantes

O número de imigrantes baixou pelo segundo ano consecutivo. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) regista 436 822 cidadãos, recuando-se a valores de 2007. São os brasileiros quem mais regressam.

Vivem em Portugal 111 445 brasileiros, a comunidade estrangeira mais representativa, mas são menos 7 918 do que em 2010. Além doBrasil, a Ucrânia,Cabo Verde, a Roménia, Angola e a Guiné-Bissau são as principais nacionalidades.

O Relatório de Imigração Fronteira e Asilo 2011, que será hoje apresentado, demonstra que Portugal deixou de ser atrativo para os estrangeiros.

A crise económica no País, ao mesmo tempo que os países de origem registam crescimento económico, como o Brasil e Angola, são as principais razões apontadas.

Entre as seis comunidades mais representativas, os romenos foram os únicos a registar mais cidadãos, totalizando 39 312. Os ucranianos (48 0022) continuam em segundo lugar, apesar de terem começado a regressar a partir de 2002/2003, seguindo-se os cabo-verdianos (43 920), os angolanos (21 563) e os guineenses (18 487).

O SEF controlou mais de 11 milhões de estrangeiros à entrada de Portugal, dos quais 9,6 milhões por via aérea. Aumentaram as ações de controle em relação a 2010, mas diminuíram as recusas de entrada.

Mil 797 cidadãos estrangeiros foram impedidos de entrar no País, menos 13,10% do que no ano anterior.As nacionalidades mais relevantes foram o Brasil, Angola, Senegal, Venezuela e Paraguai.

Terça-feira, 3 de Julho de 2012

ONG assume gestão técnica e financeira do Hospital Raoul Follereau

Bissau - A Organização não-governamental, «Aid Health and Development» (ahead) assumiu a gestão técnica e financeira do Hospital Raoul Follereau.

Para o efeito, o Governo Ilegitimo de Transição, através do ministro de Saúde e Assuntos Sociais, assinou, a 22 de Junho, um protocolo de acordo com esta ONG italiana.


Contactado pela PNN, o Presidente da «ahead», Fabio Riccardi, disse que, doravante, a sua organização passa a prestar apoios na aquisição de alimentação e materiais de trabalho ao referido centro hospitalar de referência, para o tratamento de pacientes que padecem de tuberculose e VIH SIDA.


«Vamos apoiar este hospital porque conhecemos a potencialidade do mesmo, que pode ser útil a nível dos países vizinhos, por isso vamos dar os apoios técnicos e financeiros», disse Fabio Riccardi.
O Presidente da ONG disse que está em curso a avaliação da potencialidade do laboratório e as áreas específicas de intervenção, que passam pela aquisição de medicamentos e pelo abastecimento do hospital com alimentação para os pacientes.


Sem precisar o montante a ser disponibilizado nesta primeira fase, este responsável sublinhou que, para além da assistência, a organização vai levar acabo campanha de educação sanitária aos doentes durante o tempo em que as pessoas estiverem internadas, com o objectivo de informar acerca da prevenção de tuberculose junto das comunidades.


Por outro lado, Fabio Riccardi disse que a situação de tuberculose na Guiné-Bissau é muito séria, justificando que existem vários factores de risco para esta epidemia, que vão desde a pobreza, condições de habitação, bem como a falta de alimentação.


A terminar, este responsável disse que a filosofia da sua organização consiste nos apoios às infra-estruturas hospitalares nos países africanos onde se encontram a trabalhar.


Fabio Riccardi trabalhou no Hospital Raoul Follereau nos anos anteriores, quando o estabelecimento estava a ser administrado pala «Comunidade Santo Egídio».

Trabalhos parlamentares de novo suspensos por falta de consenso

Bandeira da Guiné  - Bissau

Bissau - Os trabalhos da Assembleia Nacional Popular (ANP) da Guiné-Bissau foram ontem (segunda-feira) novamente suspensos por  falta de consenso entre os principais partidos sobre a agenda. 

Após duas horas de espera, das 10H00 às 12H00 locais, o presidente em exercício do parlamento, Ibraima Sory Djaló, deu por suspensa a sessão que nem chegou a começar uma vez que os deputados das três principais bancadas pediram para concertar posições.  

"A concertação continua a decorrer e nós não temos ainda uma agenda definida sobre os pontos que vamos debater nesta sessão, decido suspender os trabalhos até terça-feira, às 10H00 locais", disse Sory Djaló. 

O impasse deve-se ao facto de o PAIGC (Partido Africano das Independência da Guiné e Cabo Verde), que estava no poder até ao golpe de Estado de 12 de Abril e principal partido no parlamento, exigir a eleição de um novo vice-presidente para a mesa do hemiciclo, situação que o PRS (Partido da Renovação Social, líder da oposição) rejeita. 

Os dois partidos não se entendem sobre a colocação deste ponto (eleição de um novo vice-presidente para a mesa do Parlamento) na agenda dos assuntos que devem ser analisados na sessão plenária, iniciada formalmente no dia 29 mas que ainda não debateu nada. 

Por iniciativa do PAIGC, disse à imprensa o deputado Lúcio Rodrigues, os três principais partidos no parlamento (PAIGC, PRS e PRID) reunirem-se hoje para "tentar alcançar um consenso". 

"Já fizemos três tentativas a nível da Comissão permanente, conferência de líderes parlamentares, reunião da mesa do parlamento e aqui na sessão plenária, sem sucesso. Ainda não conseguimos um consenso para a agenda dos trabalhos e é isso que estamos a tentar aqui nesta reunião", indicou o deputado do PAIGC. 

Com o golpe de Estado de 12 de Abril e a consequente passagem de Serifo Nhamadjo, então primeiro vice-presidente do parlamento para o cargo de Presidente da República de transição, Ibraima Sory Djaló, que era o segundo vice-presidente do hemiciclo, passou a liderar o parlamento guineense.

Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

«PRS em estado avançado de degradação»

Bissau - Sola Nquilin Na Bitchita, um dos destacados dirigentes do Partido da Renovação Social (PRS), disse que o partido se encontra num estado avançado de degradação.

Falando à imprensa esta quinta-feira, 28 de Junho, Na Bitchita sustentou as suas declarações na falta de reuniões do Conselho Nacional do partido e, consequentemente, na realização do congresso do PRS.


«Para ver o nível de degradação em que se encontra o PRS, os estatutos não são respeitados minimamente, que obrigam a convocar anualmente o Conselho Nacional e apresentar o programa e orçamento, o que infelizmente não acontece», referiu Sola Nquilin Na Bitchita.


Neste sentido, o político disse que, desde o último congresso apenas houve um encontro do Conselho Nacional, que só foi possível sob pressão de alguns dirigentes e militantes.


Na altura não foram apresentados relatórios de actividades e contas do partido, porque a direcção do partido já estava caducada.
«Esta reunião terminou sem conclusões porque havia, na altura, pessoas que pretendiam eleger a Presidência do próximo congresso», referiu.


Face a esta situação, Sola Inqulin Na Bitchita afirmou que é urgente a realização do congresso do PRS com vista à sua participação nas próximas Eleições Gerais.


«Será muito mau se o PRS não vier a participar nestas eleições devido à caducidade dos órgãos da sua direcção», disse.


Em relação à sessão da Assembleia Nacional Popular (ANP) que se inicia esta sexta-feira, 29 de Junho, Sola Na Bitchita estranhou a falta de agenda para esta sessão.


«Ouvi dizer que esta sessão não tem ordem do dia, o que é inédito, é preciso que outros órgãos da soberania prestem muita atenção à ANP, em caso de bloqueio de trabalho», alertou.


A presente sessão da ANP termina no final de Julho.

CEDEAO adopta BI e Passaporte Biométricos

Bissau - A Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental (CEDEAO) decidiu adoptar, em todos os seus Estados membros, o uso de Bilhetes de Identidade e Passaportes Biométricos, até daqui a três anos.

A decisão consta da última reunião de ministros responsáveis pela segurança do bloco regional, que teve lugar em Abidjan, República da Costa de Marfim, entre 25 e 26 de Junho.


O encontro tinha, entre outros pontos de agenda, a apresentação do relatório do comité da CEDEAO sobre o comércio, alfandegas e livre circulação de pessoas e bens.


Segundo o relatório, até 2015 os 15 Estados membros da organização devem emitir um cartão de identidade biométrico equipado com um microprocessador e integrado no passaporte nacional de cada país, assim como os Bilhetes de Identidade Biométricos no prazo determinado, ou seja, até 2015.


A revisão das leis sobre os direitos de entrada e de residência para os estrangeiros e a garantia de que as políticas de imigração são aplicáveis aos cidadãos de fora da CEDEAO foram, entre outras, recomendações saídas do encontro.
Já para o ano 2013, os participantes adoptaram um

plano de acção mínima de circulação de pessoas, conforme as recomendações do Comité Aduaneiro, Comércio e Livre Circulação no espaço da CEDEAO.


O Governo de Transição da Guiné-Bissau foi representado nesta reunião pelo seu ministro do Interior, António Suca N’Tchama.
A Guiné-Bissau, Cabo Verde, Gâmbia e Burkina Faso ainda não têm modelo de passaporte biométrico.


A República de Cabo Verde, a Guine-Conakry, o Togo e o Níger não se fizeram representar no encontro de Abidjan.

(Uma no cravo outra na ferradura) Governo preza relação com CPLP e lamenta posição de alguns países - PM de transição

O primeiro-ministro Ilegitimo de transição da Guiné-Bissau disse hoje que o Governo Ilegitimo «preza particularmente» a relação com os países da CPLP e lamentou que alguns desses países pretendam inviabilizar ação do Governo de transição.

O Governo Ilegitimo «lamenta profundamente que alguns dos governos desses países tenham como agenda principal inviabilizar a sua ação, mesmo sabendo das implicações negativas que isso poderá ter na preservação da paz e estabilidade do país», disse Rui de Barros, numa comunicação ao país feita hoje de manhã.

O responsável acrescentou que acredita no entanto ser possível «outro modelo de cooperação» e que «países amigos e irmãos» possam ter um papel determinante no processo de transição, decorrente do golpe de Estado de 12 de abril.

Momento uníco com Titina e Ana Firmino

(A verdade da mentira) “Golpes de Estado continuam a ser um grande desafio para CEDEAO”

 

 

 

 

 

Líderes da CEDEAO aquando de um encontro regional em Abril

Situação no Mali e na Guiné-Bissau.

Desde a sua fundação, a CEDEAO estatuiu uma série de protocolos e um deles preconizou “tolerância zero” àqueles que ilegalmente assumam ou permaneçam no poder, tal como em Bamako.

Os confrontos da semana passada entre os grupos armados no norte do Mali vão, de certeza, pressionar a CEDEAO a enviar uma força militar - que há meses se vem debatendo - para a região. Alguns malianos no norte do país estão a pedir a intervenção, mas especialistas questionam a eficácia militar da CEDEAO contra os grupos terroristas no deserto.

Este é um de vários desafios que a organização regional enfrenta, depois de sucessivos golpes de Estado no Mali e na Guiné-Bissau. A CEDEAO – Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental – foi criada em 1975 e tem como membros 15 países. As crises políticas que têm pairado sobre a região têm adiado a almejada integração económica, e a organização viu-se obrigada a ter que se dedicar à gestão de conflitos e segurança.

Desde a sua fundação, a CEDEAO estatuiu uma série de protocolos, e um deles preconizou “tolerância zero” àqueles que ilegalmente assumam ou permaneçam no poder. Quando as forças armadas assumiram o poder, no Mali, a 22 de Março, e a 12 de Abril, na Guiné-Bissau, no ano em curso, os líderes da organização regional reiteraram a política de “tolerância zero” como guia para a busca de soluções a estas duas crises políticas. Mas, como sempre, o desafio está na sua implementação, dada a complicação de circunstâncias no terreno.

Até agora, há hesitações em relação ao desempenho da junta militar no Mali. Houve uma mudança de posição da CEDEAO, desde a assinatura do acordo, com a junta militar, no qual reconheceu que os líderes do golpe tinham um papel a desempenhar na transição, mas, dois meses mais tarde, veio anunciar que já não reconhecia a junta.

Sunny Ugoh é director de comunicação da CEDEAO e diz que a junta maliana é responsável pela perda de confiança que nela se tinha depositado. “Estamos a tentar o engajamento com pessoas de confiança no Mali. Se nos comprometermos com pessoas sem crédito, que são imprevisíveis e que não cumprem os seus compromissos, será difícil para nós continuarmos no mesmo caminho. É esta a realidade no Mali.”

Analistas afirmam que a posição da CEDEAO em relação à junta na Guiné-Bissau pode ser resumida numa palavra: Angola.

Guiné-Bissau não pode ser dirigida por duas entidades, indica Cplp

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Embaixador de Angola junto da ONU indica que não pode haver duas entidades a dirigir o país, umas que sejam legais e umas que não sejam; Angola assume a presidência rotativa do bloco de língua portuguesa.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova Iorque*.

O embaixador de Angola junto das Nações Unidas, Ismael Martins, disse que a Guiné-Bissau não pode ser dirigida por duas entidades, as que sejam legais e umas que não sejam. A nação assume a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp

Falando em exclusivo à Rádio ONU, após o encontro do grupo, em Nova Iorque, Martins disse que a Guiné-Bissau deve retornar ao estatuto anterior ao golpe militar de 12 de abril.

Processo

"Um processo eleitoral que havia sido iniciado e que foi interrompido não quer dizer que tenha terminado. Talvez seja a necessidade de refazer o processo eleitoral e através deste processo serem eleitos de forma democrática e transparente as autoridades que devem a dirigir a Guiné-Bissau. Não pode haver duas entidades a dirigir, umas que sejam legais e umas que não sejam. Tem que haver uma", indicou.

A 19 de Julho, Moçambique recebe o testemunho da presidência rotativa da Cplp, num ato que vai marcar igualmente a eleição de um novo secretário executivo para o bloco.

Governo

Desde o golpe militar, foram destituídos dos seus cargos, o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, e o presidente interino, Raimundo Pereira, além de ministros que compunham o executivo.

Carlos Gomes Júnior foi também o lêder da primeira volta das eleições presidenciais, que seriam finalizadas duas semanas após a intervenção militar.

Domingo, 1 de Julho de 2012

Crises em Bamako e Bissau dominam cimeira regional

A situação política na Guiné-Bissau e a crise político-militar no Mali dominaram a 41ª Cimeira Ordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que decorreu ontem em Yamoussoukro, Costa do Marfim.


Um comunicado da CEDEAO anunciou que os Chefes de Estado foram informados sobre as iniciativas da mediação do Presidente burkinabe na crise maliana.


Blaise Compaoré foi designado mediador da organização regional após o golpe de Estado de 22 de Março, que derrubou o Presidente Amadou Toumani Touré.


No encontro, o presidente do Grupo de Contacto Regional sobre a Guiné-Bissau informou os dirigentes sobre os desenvolvimentos naquele país da África Ocidental, onde, em 12 de Abril, um golpe de Estado impediu a realização da segunda volta das eleições presidenciais antecipadas.


Os dirigentes da CEDEAO analisaram os relatórios do presidente da Comissão da CEDEAO, Kadré Ouédraogo Desiré, sobre a situação no Mali e na Guiné-bissau.


Kadré Ouédraogo, que iniciou as funções de presidente da Comissão da CEDEAO em Março, tomou posse no encontro de ontem.

Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Presidente nigeriano analisa em Bruxelas a situação na Guiné-Bissau e no Mali

As reuniões abordarão os últimos desenvolvimento da situação política na região oeste-africana, nomeadamente na Guiné-Bissau e no Mali, bem como a cooperação entre a UE e a Nigéria.

Bruxelas - O presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, é esperado esta quinta-feira em Bruxelas para uma visita de trabalho durante a qual será recebido pela alta representante da União Europeia (UE) para a Política Externa e Segurança Comum, Cathérine Ashton, e pelo comissário europeu para o Desenvolvimento, Andris Piebalgs.

Segundo um comunicado oficial, as reuniões abordarão os últimos desenvolvimento da situação política na região oeste-africana, nomeadamente na Guiné-Bissau e no Mali, bem como a cooperação entre a UE e a Nigéria.

Os responsáveis europeus vão aproveitar a ocasião para se inteirar sobre a situação política interna na Nigéria onde terroristas que reclamam pertencer ao grupo extremista muçulmano Boko Haram levam a cabo ataques mortíferos contra as igrejas católicas.

O presidente nigeriano vai ainda encontrar-se com chefes de Estado ou de Governo da União Europeia reunidos em cimeira esta quinta-feira na capital belga.

17 prisioneiros em fuga da Esquadra da Polícia de Ordem Pública

Bissau - 17 prisioneiros estão em fugas, desde 26 de Junho, das instalações prisionais da 2ª Esquadra da Polícia de Ordem Pública, em Bissau.

Os referidos presidiários pertenciam ao grupo de jovens denominado «Os como é que é». Nos últimos tempos este bando tem provocado ondas de assaltos e agressões com armas de fogo e armas brancas, nos diferentes bairros de Bissau.


As informações foram avançadas  por uma fonte do Comissariado Nacional de Ordem Pública.


De acordo com a mesma fonte, ao todo, foram 35 jovens detidos nas últimas duas semanas pelas autoridades policiais, de entre os quais 17 se encontram em fuga desde início desta semana.


Segundo ainda a nossa fonte, o acto de mudança de cela destes reclusos não foi do conhecimento dos responsáveis directos do centro de detenção nem do Comissário Nacional da Polícia de Ordem Pública.


Em consequência desta situação, dois agentes da Polícia já foram detidos, enquanto o director deste serviço foi exonerado.
Os restantes 18 prisioneiros foram transferidos para a cela de outra esquadra, no Bairro Militar, nos arredores da capital.

PR Ilegitimo de transição na Costa do Marfim para cimeira de mão estendida

O Presidente Ilegítimo de transição da Guiné-Bissau, Serifo Nhamadjo, viajou hoje para a Costa do Marfim onde participa na cimeira de chefes de Estado da África Ocidental, a quem, disse, vai pedir a continuidade de apoios para a normalização do país.

Falando aos jornalistas no aeroporto de Bissau, Nhamadjo afirmou que vai fazer aos seus homólogos da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) um balanço sobre a situação da Guiné-Bissau desde o golpe de Estado, e pedir-lhes apoios.

"Vou fazer um balanço daquilo que tem sido a transição durante os últimos meses, informar aos pares que estamos a fazer um grande esforço para o retorno à normalidade, mas que precisamos do concurso de todos para que os 12 meses fixados para a transição sejam realmente cumpridos", explicou Nhamadjo, que se faz acompanhar do ministro dos negócios Estrangeiros do governo de transição, Faustino Imbali.

"Temos de realizar um recenseamento biométrico, organizar e realizar eleições legislativas e presidenciais, primeira e segunda volta, e depois a tomada de posse, que tudo isso seja realizado dentro dos 12 meses. Para que tudo isso seja possível, é preciso o envolvimento de todos. Procuramos acelerar as etapas que têm de ser executadas antes desse pleito eleitoral", destacou ainda o Presidente de transição guineense.

"Vou pedir para que continuem a dar apoios necessários para que possamos executar essa transição o mais breve possível. Porque como sabem o país quando está a ser gerido na fase de transição tem várias limitações e a Guiné-Bissau já não merece perder tempo", observou Serifo Nhamadjo.

O responsável disse também que vai agradecer aos chefes de Estado da CEDEAO o empenho que tem dispensado à Guiné-Bissau para a "acalmia" que se tem registado.

Questionado pela Lusa sobre se o país precisa mais de apoio político ou de ajuda financeira, Serifo Nhamadjo respondeu: "As duas coisas. No aspeto político devem de ser levantadas as sanções contra o país porque estamos a cumprir as etapas preconizadas pela CEDEAO, mas a política, para ter sustentabilidade, precisa de apoios financeiro-económico para estabilizar o país. As duas coisas andam juntas".

"Vou dizer aos meus pares da CEDEAO que a situação do país neste momento é estável. Felizmente, o Governo está a funcionar, já conseguiu pagar três meses de salários aos funcionários públicos, as escolas públicas funcionam normalmente, estamos a fazer um esforço para retomar o diálogo nacional para que o país se reencontre", disse Serifo Nhamadjo, acrescentando que também vai falar das estimativas de custos das eleições.Vvai de Mão estendida

Quinta-feira, 28 de Junho de 2012

Mulheres do PAIGC também manifestam o seu descontentamento

Mulheres dirigentes do PAIGC realizaram um comício na capital contra o actual governo do país que dizem não reconhecer.

Na Guiné-Bissau, um grupo de mulheres dirigentes do PAIGC, realizaram um comício na capital contra o actual governo do país que dizem não reconhecer.


Durante o evento as mulheres apontaram também o dedo à CEDEAO.
Porque não receberam a garantia de segurança por parte do ministério do interior, não obstante o terem pedido, decidiram sim promover o comício frente a sede do partido, ao invés de uma manifestação conforme estava previsto.


São mulheres dirigentes e militantes do PAIGC que quiseram assim realçar os sentimentos de revolta contra o golpe de estado do passado dia 12 de Abril. Dizem que não aceitam o actual governo de transição e por conseguinte vão continuar com as acções de rua em todas as estruturas do partido a nível nacional.


Evarista de Sousa, uma das promotoras desta manifestação, apontou o dedo à CEDEAO, tida pelos manifestantes como o impulsionadora do golpe de estado. Continuaram também a exigir o regresso de Carlos Gomes Júnior e de Raimundo Pereira, porquanto não reconhecem o executivo saído de golpe de 12 de Abril.

Das consequências que poderão advir em virtude de manifestações em perspectiva, as promotoras desta acção política responsabilizam a CEDEAO, ao mesmo tempo que pedem as Nações Unidas e outras organizações internacionais que garantam protecção a população que queira exercer o seu direito cívico, porquanto dizem que estão a ser reprimidos.


Uma fonte partidária disse, que o comício de simbolizava o reinício de acções de rua, visando uma vez mais mostrar ao mundo a necessidade de respeito pela ordem constitucional na Guiné-Bissau e acompanhar, por outro lado, a investida diplomática de Carlos Gomes Júnior junto da comunidade internacional.

PAIGC realiza primeiro comício depois do golpe de Estado

O sindicalista Benjamim Correia, membro da Frenagolpe (plataforma que junta partidos e organizações sociais que condenam o golpe de Estado), pediu aos guineenses para que cerrem fileiras contra o tribalismo e o divisionismo, fenómenos que disse espreitarem o país.

"Na luta armada contra o colonialismo não sabíamos quem é de que etnia. Todos éramos um só, guineenses, mas hoje há perigos de divisionismo que estão a ser fomentados por alguns guineenses" defendeu Benjamim Correria.

No calor dos discursos a deputada Nhima Cissé tomou a palavra para pedir que se gritassem vivas à CPLP (comunidade de países de língua portuguesa), à União Europeia, à União Africana e a as Nações Unidas, organizações que disse, querem ajudar o povo da Guiné-Bissau.

"Estes sim são nossos amigos porque querem ajudar-nos a avançar na democracia", afirmou Nhima Cissé.

Com muita gente a pedir para usar da palavra, Carlitos Costa, animador do comício terminou a concentração lembrando que "as pessoas querem ir para casa porque hoje é dia do jogo de Portugal".

Quarta-feira, 27 de Junho de 2012

Bissau preocupa gabinete anti-narcotráfico da ONU

Golpe na Guiné-Bissau preocupa gabinete anti-narcotráfico da ONU

Nova Iorque, 26 jun (Lusa) - O gabinete anti-narcotráfico da ONU (UNODC) está "preocupado" com o golpe de Estado de 12 de abril na Guiné-Bissau e a tentar determinar o impacto no tráfico de droga no país, disse hoje o diretor do organismo.

"A UNODC pode apenas lamentar que isto tenha acontecido porque a Guiné-Bissau é um dos mais problemáticos países da África Ocidental em termos de abertura das suas fronteiras a abastecimento de drogas ilícito da América do Sul para a África Ocidental e também União Europeia", afirmou o diretor do organismo, Yuri Fedotov.

"Politicamente falando, (o golpe de Estado) é um evento preocupante, um motivo de preocupação que só pode prejudicar a situação", adiantou.

Fedotov afirma ser "cedo" para perceber com precisão se o tráfico aumentou após o golpe militar, cujos protagonistas incluem oficiais acusados pelo governo de ligação ao narcotráfico internacional.

ONU promove formação para jornalistas sobre diálogo e paz

Bissau - O gabinete integrado das Nações Unidas para consolidação da paz na Guiné-Bissau (Uniogbis) está a promover um seminário para 35 jornalistas do sexo feminino sobre a importância do diálogo e promoção da paz no país. 

De acordo com Vladimir Monteiro, responsável da informação da Uniogbis, a formação das jornalistas "é muito importante" tendo em conta o papel da mulher na sociedade guineense e sobretudo das jornalistas.       

"O reforço do diálogo e do papel do jornalista é muito importante sobretudo no contexto actual da Guiné-Bissau", defendeu Vladimir Monteiro, lembrando outras acções do género já realizadas pelo Uniogbis.    

Pretende-se capacitar as jornalistas de diferentes órgãos privados e públicos guineenses em matérias como noções de paz, participação, diálogo, imparcialidade na perspectiva das Nações Unidas, ou paridade dentro da realidade guineense, bem como facultar-lhes conhecimentos sobre instrumentos nacionais e internacionais.     

O encontro, que decorre na cúria diocesana de Bissau, começou  (terça –feira) e termina na quinta-feira.

O que foi notícia na minha ausência

Aqui estou de novo

Acabado de chegar

Vamos lá por a escrita em dia

Saudação a todos, desculpem a minha ausência.

O Editor do Novas da Guiné Bissau

Quarta-feira, 20 de Junho de 2012

Informação

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Informação

O Blogue Novas da Guiné Bissau informa, que no período 21 de Junho a 26 de Junho, não terá noticias atualizadas diariamente, em virtude da deslocação do seu editor ao estrangeiro em viagem de trabalho, esperamos retomar a normalidade no dia 26.

Obrigado pela vossa compreensão

O Editor do

Novas da Guiné Bissau

Países lusófonos chumbam no "teste" do Departamento de Estado dos EUA

Nenhum país lusófono cumpre os critérios do Departamento de Estado norte-americano no combate ao tráfico de pessoas, para trabalhos forçados ou prostituição, sendo Angola e Guiné-Bissau os casos mais preocupantes, revela um documento oficial.

Os dados constam do 12º relatório anual sobre tráfico de pessoas, apresentado esta terça-feira pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, que avalia em 186 países e territórios o cumprimento dos padrões contra a "escravatura dos tempos modernos".

Entre os países lusófonos, Angola e Guiné-Bissau surgem ambos no grupo 2, "sob vigilância", dos países que não cumprem os critérios e não estão a fazer progressos, apesar de esforços por parte das autoridades.

Angola, refere o Departamento de Estado, é fonte e destino de homens, mulheres e crianças sujeitos a exploração sexual ou trabalhos forçados na agricultura, construção, habitações ou exploração de diamantes.

"Há relatos de crianças menores, desde os 13 anos de idade, na prostituição nas províncias de Luanda, Benguela e Huíla", refere o relatório, que relata também exploração sexual de mulheres brasileiras, vietnamitas e chinesas no país.

Apesar de estar na mesma categoria que Angola, a Guiné-Bissau registou uma melhoria em relação ao ano passado, quando foi incluído no grupo 3, dos países que não fazem qualquer esforço de monta para combater o tráfico de seres humanos.

No caso guineense, os principais problemas são o tráfico de crianças sujeitas a trabalhos forçados, exploração sexual e mendicidade.

O Departamento de Estado chama atenção para o problema das crianças "talibé", que são recrutados pelo ensino religioso para pedir esmola nas ruas de países vizinhos, como o Senegal, Mali ou Guiné-Conacri.

Portugal, Cabo Verde, Brasil, Moçambique e Timor-Leste surgem todos no grupo 2, de países que não cumprem os mínimos, apesar de estarem a fazer esforços significativos e a apresentar resultados.

O Brasil é identificado como uma "grande fonte" de pessoas para exploração sexual no país e no estrangeiro, bem como para trabalhos forçados dentro do país.

De forma mais limitada, é um país de destino e trânsito para trabalhos forçados e exploração sexual.

O Departamento de Estado considera "limitados" os esforços para proteção de vítimas e recomenda maior empenho para investigar e julgar crimes de tráfico, aumento do financiamento, entre outras medidas.

Entre outros casos pessoais a nível mundial, o relatório destaca o de dois brasileiros - Joel e Ronival - que conseguiram fugir de uma fazenda no país, onde durante 10 anos foram escravizados.

Quanto a Cabo Verde, não cumpre os mínimos, apesar de estar a fazer "esforços significativos", tendo o Governo investigado 44 casos de abuso sexual de menores no último ano e da proteção do Instituto Cabo-Verdiano para as Crianças e Adolescentes.

Moçambique é apresentado como um país de origem e trânsito de homens, mulheres e crianças sujeitas a trabalhos forçados, na agricultura, e muitas vezes com a cumplicidade de familiares, e exploração sexual.

Timor-Leste surge como país de destino para mulheres e crianças da Indonésia, China e Filipinas, sujeitas a exploração sexual, e para homens e rapazes da Birmânia, Cambodja e Tailândia, envolvidos em trabalhos forçados.

Os esforços timorenses de proteção das vítimas são considerados "fracos" no relatório do Departamento de Estado.

Angola quer retorno da estabilidade da Guiné-Bissau

Ministro das Relações Exteriores (ao centro) durante a palestra

Roma – O ministro angolano das relações exteriores, Georges Chikoti, reiterou hoje, em Roma, que a estabilidade para a Guiné-Bissau, é objecto de atenção especial por parte de Angola.

O chefe da diplomacia angolana manifestou, mais uma vez, esta preocupação durante a palestra que proferiu na sede da Sociedade Italiana para as Organizações Internacionais (SIOI) sobre a “política externa de Angola”.

A Guiné-Bissau encontra-se numa instabilidade desde que os militares levaram a cabo um golpe de Estado, em Abril de 2012, com “motivações confusas e inaceitáveis,  e por isso mesmo condenado pela ONU, União Africana e pela União Européia”. 

“No contexto da CPLP, Angola e os restantes Estados membros não poupam esforços na procura do estabelecimento de uma parceria estratégica com a CEDEAO, sob coordenação das Nações Unidas, visando trazer a estabilidade política ao país” - afirmou.

Georges Chikoti disse, por outro lado, que no âmbito da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC),  deplorou-se  a vaga de golpes de Estado que volta a assolar o continente africano.

A SADC defende para a África “exemplos concretos” que confirmam o compromisso dos estados em “virar firmemente uma página negra” na História do Continente - disse.

“Portanto, a SADC junta a sua voz aos que condenam os golpes de estado ocorridos na Guiné-Bissau e no Mali, ao mesmo tempo que saúda os esforços regionais em curso com vista a manutenção da paz, da estabilidade e do restabelecimento da ordem constitucional”, asseverou.

Nesta óptica de pensamento, o governante angolano defendeu “a via do diálogo paciente e inclusivo e da negociação” para a busca de soluções equilibradas e justas, com o apoio e a participação da União Africana e da Organização das Nações Unidas.

Mais adiante, o ministro Georges Chikoti falou da situação da seca na região do corno de África, em particular da Somália, que é igualmente objecto de preocupação de Angola.

Nesse contexto, Angola associa-se aos esforços da assistência humanitária internacional e na procura de soluções políticas que ponham fim ao conflito armado naquela parcela do continente africano - disse.

Relativamente aos acontecimentos que ocorreram na Líbia e no Egipto, o Governo angolano espera que o povo destes países possam encontrar a estabilidade a curto prazo, que passa necessariamente pelo livre exercício dos seus direitos democráticos - salientou.

Afirmou, por outro lado, que Angola continua preocupada com os fracos progressos registados na resolução do problema do Sahara Ocidental, que permanece uma importante questão na Agenda internacional.

O ministro angolano das relações exteriores referiu-se também à situação no Médio Oriente, e sobretudo nos territórios palestinianos, como um dos mais graves problemas com que a comunidade internacional se vê confrontada.

No período da manha, o ministro Georges Chikoti reuniu-se na sede da FAO, em Roma, com os embaixadores africanos na Itália com os quais passou em revista a situação prevalecente na Guiné Bissau e noutros pontos do mundo.

A SIOI, fundada em 1944, desenvolve uma actividade de formação e pesquisa sobre os temas de cooperação internacional, o desenvolvimento das relações internacionais e sobre a integração europeia.

Franco Frattini, ex-ministro dos negócios estrangeiros, do governo Berlusconi, é o presidente da SIOI, que enalteceu, na ocasão, a consolidação da democracia e estabilidade em Angola.

Estados falhados: Guiné-Bissau cada vez pior, Timor-Leste progride

A Guiné-Bissau vem tendo a cada ano piores classificações no índice de Estados falhados, chegando este ano à 15.ª posição, de acordo com a lista hoje apresentada.

A lista dos piores Estados do mundo é publicada anualmente pela revista Foreign Policy, que a elabora em conjunto com a organização Fund for Peace, tendo em conta dados como pressões demográficas, direitos humanos, economia, segurança ou intervenção externa.

Em 2009, a Guiné-Bissau aparecia como o 27.º pior Estado, com a Somália a liderar a lista dos Estados falhados (liderança que sempre tem mantido). Pior classificação tinha obtido Timor-Leste, outro Estado de Língua Portuguesa (20.º lugar). Angola surgia em 55.º lugar.

Em 2010, a Guiné-Bissau desceu cinco lugares, para 22.º, e Timor-Leste desceu também mas apenas dois lugares (18.º). Na lista dos 60 piores, Angola recuou e ficou em 59.º lugar.

No ano passado, enquanto Timor-Leste se afastava da lista negra dos 20 piores lugares (23.º), a Guiné-Bissau voltava a obter um pior resultado e chegava ao 18.º pior país. Na lista dos 60 piores, Angola regredia também (52.º lugar) e Moçambique aparecia em 57.º lugar.

No ranking deste ano, a Guiné-Bissau desce para o 15.º lugar, Timor-Leste melhora e está agora em 28.º lugar, Angola voltou a regredir (49.º) e Moçambique melhora duas posições (59.º).

A lista é feita tendo em conta 12 indicadores sociais, políticos e económicos de 177 países. A Guiné-Bissau obteve 99.2 pontos, numa escala que pode ir até 120 e que quanto mais alta pior é o país.

A Somália, o Estado falhado por excelência, obteve 114.9 pontos. Timor-Leste chegou aos 92.7. Portugal teve este ano 34.2 pontos e o Brasil 64,1.

Lusa

Iniciativa cidadã exorta o Conselho de Segurança das Nações Unidas a pôr fim aos golpes de estado na Guiné-Bissau

Comunicado de imprensa

Iniciativa cidadã exorta o Conselho de Segurança das Nações Unidas a pôr fim aos golpes de estado na Guiné-Bissau

Um grupo de cidadãos e cidadãs de oito países (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Espanha, França, Holanda, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste) lançou, em meados de Maio, a petição “Fim aos golpes de estado na Guiné-Bissau” pedindo liberdade, segurança e progresso para o povo Guineense.

A petição, que se encontra disponível no seguinte link: www.gopetition.com/petitions/stop-military-putsches-in-guinea-bissau.html, recolheu 1044 assinaturas em pouco mais de quinze dias, foi entregue esta terça-feira à Presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, este mês assumida pela China, e ao Secretário Geral.

                O grupo de signatários denuncia todo e qualquer processo de legitimação do golpe de estado e opõe-se ao envio de uma força armada fora do quadro das Nações Unidas, com o objectivo de impor soluções anticonstitucionais e desrespeitadoras da vontade expressa do povo guineense. Os signatários exigem ainda das Nações Unidas e das várias instâncias internacionais a condenação e sanção de quaisquer actos de perseguição e de terror político, assim como uma contribuição activa e inequívoca com vista à reposição da ordem constitucional e à retoma do processo eleitoral interrompido pelo golpe de estado, pode-se ler no texto da petição.

                Relembramos que na noite de 12 de Abril de 2012, as chefias das Forças Armadas guineenses interromperam o processo das eleições presidenciais em curso, proibiram o direito de manifestação e protesto e restringiram a liberdade de viajar de figuras importantes da sociedade guineense através da publicação de listas negras, promovendo um clima de ameaça e intimidação, com a colaboração de alguns sectores da oposição civil. Por outro lado, a suposta tentativa de estabilização por parte da CEDEAO – Comunidade Económica dos Estados da África do Oeste, a que a Guiné-Bissau pertence, através da imposição, a 10 de Maio, de um Presidente de Transição, recomendado pelo Comando Militar do golpe de estado, constitui um “segundo golpe de estado” aos olhos de muitos cidadãos e cidadãs guineenses, consagrando e perpetuando o recurso à violência e à força militar como forma legítima de alcançar o poder.

Estamos disponíveis para mais informações, através do email: peticaoguinebissau@gmail.com

15 de Junho de 2012

Terça-feira, 19 de Junho de 2012

Boas perspectivas de desenvolvimento no espaço CEDEAO apesar de alguns obstáculos

Dakar, Senegal - Enquanto o espaço comunitário oeste-africano redefine a sua posição e procura a « passar duma Cedeao (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) para uma Cedeao dos povos », até 2020, é possível esperar, apesar de alguns obstáculos, reporta a Pana.

A instituição regional, que festeja este ano o 37º aniversário da sua criação, pretende prosseguir com vigor os ideais dos pais fundadores, que se resumem a uma integração plena e inteira, continuando ao mesmo tempo a evoluir e adaptar-se às novas necessidades dos seus cidadãos.

Com a ideia de desdobrar em breve tropas militares nos dois dos seus Estados membros assolados por terríveis convulsões, a Cedeao pretende implementar as disposições do seu Tratado Revisado em 1993 e dos seus diversos protocolos que consiste nomeadamente na prevenção,  gestão e resolução dos conflitos bem como na manutenção da paz e da segurança.

Faz igualmente parte destas disposições a luta contra a criminalidade, a consolidação da paz, a luta contra a proliferação e circulação das armas ligeiras.

Adotado em 1999 em Lomé, no Togo, este mecanismo veio preencher o vazio jurídico que existia e que foi muito criticado durante a intervenção da Ecomog (forças da CEDEAO ) na Libéria no início dos anos 90.

Se a criação, em 1990, da Ecomog revela-se como o primeiro ato duma cooperação regional na gestão dos conflitos na África Ocidental, a adopção do Mecanismo de Prevenção é o primeiro acto normativo de envergadura que dá à organização meios jurídicos da sua acção a favor da paz e da segurança.

O novo presidente da Comissão da Cedeao, o Burkinabè Kadré Désiré Ouédraogo, pouco após ter tomado posse em Fevereiro último, evocou, para os deplorar, os eventos ocorridos no Mali e na Guiné-Bissau cuja consequência é um sério golpe de travão às experiências democráticas em curso aqui e acolá, sem omitir a rebelião armada no Norte do Mali, com a declaração de independência dos dois terços do território pelo Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), a ameaça terrorista, tráficos de todo tipo, entre outros.

«Estas diferentes crises e ameaças são, entre outros, factores de destabilização nacional e regional, de agravação da pobreza e de fragilização dos nossos Estados. São factores nefastos à paz, à segurança, à livre circulação de pessoas e bens, à estabilidade e à integração regionais, em suma ao desenvolvimento económico. Portanto ninguém ignora que não há desenvolvimento sem paz. Esperamos que estas diversas crises sejam passageiras e tenhamsem tardar respostas adequadas para nos permitir consagrarmos mais tempo e energia ao desenvolvimento socioeconómico do nosso espaço comunitário», diz Ouédraogo.

Actuando sob a impulsão da Conferência dos chefes de Estado e de Governo, nomeadamente do seu Presidente em exercício, Alassane Ouattara (chefe do Estado da Côte d’Ivoire, a Comissão da Cedeao demonstra, há alguns meses, um compromisso resoluto de ultrapassar os desafios actuais.

Cinco cimeiras extraordinárias já decorreram sobre a situação no Mali e na Guiné-Bissau. A celeridade e a firmeza da organização nestas diferentes ocasiões culminaram, nomeadamente, no acordo-quadro de Abril último que organizou a retirada dos golpistas malianos do poder a favor das autoridades civis.

No entanto diante da desconfiança e da artimanha dos seus interlocutores, a Comissão terá de redobrar de vigilância e de rigor. A Força em Alerta da Cedeao (FAC), criada com as cinzas da Ecomog, está ao ponto de ser desdobrada no Mali e na Guiné-Bissau.

A urgência com a qual se deve resolver as questões pendentes é motivada pela vontade, pela ambição primeira da Cedeao de promover a integração socioeconómica da sub-região, baseando-se em programas fundamentais tais como a livre circulação de pessoas e bens, a liberalização do comércio, o desenvolvimento da agricultura ou ainda a coordenação das infra-estruturas comuns.

Trata-se de melhorar o bem-estar das populações, criar empregos, tirar esta parte do continente africano da pobreza e estimular o desenvolvimento duma região de que cerca de doze dos seus membros fazem parte dos Estados mais pobres do mundo, mediante  programas levados a cabo por diversos departamentos que compõem a Comissão da Cedeao.

Os importantes e indiscutíveis sucessos registados na implementação destes programas, cujos mais recentes consistem nomeadamente na livre circulação de pessoas e bens, na agricultura, no comércio e na manutenção da paz, são infelizmente ocultados pelos problemas políticos como os em curso no Mali e na Guiné-Bissau.

No âmbito da livre circulação de pessoas e bens, a instauração de unidades de acompanhamento deverá permitir a realização e a aplicação rigorosa do Protocolo sobre a Livre Circulação, adoptado em 1979 pela Conferência dos chefes de Estado e de Governo, e reduzir os casos de assédios, extorsões de fundos e outras violações dos direitos dos migrantes, dos comerciantes e dos cidadãos da Comunidade.

Neste aspecto, a 2ª reunião do comité sobre a livre circulação de pessoas e bens, realizada recentemente em Lagos, na Nigéria, permitiu desenvolver um guia, bem como elaborar os termos de referência e um programa para as unidades de seguimento.

Por outro lado, a Comissão prosseguiu com as suas ações visando desenvolver e promover o turismo a nível da Cedeao bem como a cooperação tranfronteiriça.

No plano da implementação da Política Agrícola da Cedeao (Ecowap), o Conselho de Ministros adoptou, em Agosto de 2011, a criação duma Agência Regional para a Agricultura e a Alimentação, dum Fundo Regional para a Agricultura e dum Comité de Controlo para a Agricultura e Alimentação, com o fito de acelerar o desenvolvimento agrícola da região.

Por sua vez, os ministros da Agricultura aprovaram a Carta Regional da Ajuda, Prevenção e Gestão das Crises Alimentares, que vai permitir uma melhor organização da ajuda internacional através da região, se necessário.

Foi também elaborada e adoptada uma estratégia para o desenvolvimento da pecuária e o seu plano de acção, o que constitui um aspecto importante.

Na área do comércio, a Comissão destacou a formulação duma política comercial comum a nível da região ao passo que os encontros realizados com diversas partes interessadas permitiram estabelecer um roteiro para a formulação desta política regional.

No que diz respeito à promoção do comércio, a organização, de 25 de Novembro a 2 de Dezembro de 2011 em Lomé (Togo), da 6ª Feira Comercial da Cedeao ofereceu aos operadores económicos e aos comerciantes oportunidades de estabelecerem ou reforçarem as suas relações de negócios.

As negociações com a União Europeia a propósito dos Acordos de Parceria Económica (APE) continuaram durante o período considerado, mas ainda não deram resultados esperados, devido ao rigor observado pela Comissão nas suas posições.

Portugal e Cabo Verde preocupados com degradação na Guiné-Bissau

Os chefes de Estado de Portugal e Cabo Verde mostraram-se  preocupados com a degradação da situação económica e social na Guiné-Bissau, reafirmando a sua oposição a qualquer solução que legitime golpes de Estado.

«O que sabemos é que a instabilidade militar que há algum tempo se verifica na Guiné-Bissau é responsável pelo empobrecimento e pelo sofrimento do povo guineense e, neste momento, estamos seriamente preocupados com a degradação da situação económica, social e humanitária e pela falta de respeito pelos direitos humanos no território da Guiné-Bissau», disse o Presidente português, Aníbal Cavaco Silva.

A situação da Guiné-Bissau, onde a 12 de Abril um autodenominado comando militar tomou o poder, afastando as autoridades eleitas, foi um dos principais assuntos da reunião entre o Presidente português e o homólogo de Cabo Verde, que hoje iniciou o programa oficial de uma visita de dois dias a Portugal.

Para Cavaco Silva, não pode haver «a mínima complacência em relação a golpes de Estado, a golpes militares».

O Presidente de Portugal, que falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o homólogo cabo-verdiano, no Palácio de Belém, em Lisboa, adiantou que a situação guineense «será certamente um ponto na agenda» da cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), marcada para Julho em Maputo.

Lembrou ainda que «até ao momento nem as Nações Unidas, nem a União Europeia, nem a CPLP, reconheceram o poder ilegítimo que está neste momento instalado na Guiné-Bissau».

Por seu lado, o chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, afirmou que o seu país «está em perfeita sintonia» com Portugal na recusa de qualquer solução para a Guiné-Bissau que passe pela legitimação do actual poder em Bissau.

«Estamos perfeitamente em sintonia com Portugal no sentido de que nenhuma solução que passe pela legitimação de golpes de Estado pode ser sufragada e legitimada por países, como nós, que constituem Estados de democracia, de direito e que respeitam os direitos fundamentais e são fundados no respeito fundamental da dignidade da pessoa humana», disse Jorge Carlos Fonseca.

«É evidente que iremos trabalhar em conjunto na CPLP, no quadro das Nações Unidas, em cooperação com a União Africana e com a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) para que seja encontrada uma solução que respeite os princípios que fundamentam as nossas opções de vida[...] e que não constituam uma postergação de regras e princípios da democracia e dos estados de direito», acrescentou.

No encontro, os dois chefes de Estado abordaram ainda questões relacionadas com a valorização da língua portuguesa no quadro das Nações Unidas, a afirmação da CPLP no «plano político internacional» e o reforço da cooperação entre os dois Estados.

Jorge Carlos Fonseca, no cargo há nove meses, iniciou hoje em Portugal a primeira visita de Estado ao estrangeiro, e, durante dois dias, terá encontros com as entidades portuguesas, participará em seminários e em encontros com estudantes cabo-verdianos.

Em Lisboa desde sexta-feira, Jorge Carlos Fonseca participou como convidado nas cerimónias oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Lusa

Sessão parlamentar de um mês começa dia 29 do corrente mês

Bissau - Os deputados guineenses voltam a reunir-se a partir de 29 de Junho, aquela que é a quarta sessão ordinária do ano legislativo, foi ontem (segunda-feira) anunciado.


Segundo a convocatória do presidente em exercício da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Ibraima Sori Djaló, a quarta sessão ordinária, da oitava legislatura, decorrerá até 27 de Julho.

A sessão de Maio passado ficou marcada pelo boicote dos deputados do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde). O PAIGC tem 67 dos 100 deputados que compõem a Assembleia Nacional Popular e a sua não comparência inviabilizou várias sessões.


A sessão, de 14 a 29 de Maio, tinha sido marcada pelo então presidente em exercício da Assembleia Nacional Popular, Serifo Nhamadjo, que agora assume as funções de Presidente da República de transição.


A 22 de Maio, os trabalhos parlamentares foram cancelados até à formação de um novo governo, porque havia projectos de lei que necessitavam de explicações dos membros do executivo, justificou na altura Ibraima Sory Djaló.


O PAIGC estava no governo até 12 de Abril, quando um golpe de Estado protagonizado pelos militares afastou o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o Presidente interino, Raimundo Pereira. Com o apoio da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) foi nomeado um Presidente e um governo de transição.

São Tomé reafirma condenação ao golpe militar e exige segunda volta das eleições

São Tomé - O Governo são-tomense reafirmou hoje (segunda-feira) a sua condenação ao golpe militar na Guiné-Bissau e a exigência do regresso à normalidade constitucional e da realização da segunda volta das eleições presidenciais.


Num comunicado de imprensa enviado hoje à Lusa, o Governo do arquipélago reafirma que defende a materialização de "todas as resoluções da CPLP adoptadas nas suas reuniões ministeriais extraordinárias de Abril e Maio deste ano, em Lisboa" bem como da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 18 de Maio.


O executivo são-tomense defende ainda que a comunidade internacional deve agir para repor a normalidade constitucional na Guiné-Bissau, lembrando nomeadamente a tolerância zero a golpes de Estado, consignada no Acto Constitutivo da União Africana.

 
O comunicado de imprensa do Ministério dos Negócios estrangeiros são-tomense marca o fim de quatro dias de visita do primeiro-ministro deposto guineense, Carlos Gomes Júnior, a São Tomé e saúda também a posição da União Europeia e do parlamento europeu contra o golpe de estado na Guiné-Bissau e que exigem a reposição imediata da ordem constitucional.


O Governo são-tomense presta ainda homenagem à missão militar angolana na Guiné-Bissau (Missang), que entretanto já abandonou o país, "pelo importante papel que desempenharam no quadro dos esforços que a comunidade internacional tem feito no sentido de ajudar a Guiné-Bissau a dispor de uma forças de defesa e segurança republicanas e modernas".


O comunicado refere ainda que Carlos Gomes Júnior denunciou que "a situação na Guiné Bissau é grave e perigosa".


"Tende a agravar-se devido à forma como alguns Estados da sub-região da África Ocidental vêm lidando com a situação, culminando na nomeação, contrariamente à decisão da comunidade internacional, de um Presidente da República e de um governo interinos", disse.