Terça-feira, 19 de Junho de 2012

Boas perspectivas de desenvolvimento no espaço CEDEAO apesar de alguns obstáculos

Dakar, Senegal - Enquanto o espaço comunitário oeste-africano redefine a sua posição e procura a « passar duma Cedeao (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) para uma Cedeao dos povos », até 2020, é possível esperar, apesar de alguns obstáculos, reporta a Pana.

A instituição regional, que festeja este ano o 37º aniversário da sua criação, pretende prosseguir com vigor os ideais dos pais fundadores, que se resumem a uma integração plena e inteira, continuando ao mesmo tempo a evoluir e adaptar-se às novas necessidades dos seus cidadãos.

Com a ideia de desdobrar em breve tropas militares nos dois dos seus Estados membros assolados por terríveis convulsões, a Cedeao pretende implementar as disposições do seu Tratado Revisado em 1993 e dos seus diversos protocolos que consiste nomeadamente na prevenção,  gestão e resolução dos conflitos bem como na manutenção da paz e da segurança.

Faz igualmente parte destas disposições a luta contra a criminalidade, a consolidação da paz, a luta contra a proliferação e circulação das armas ligeiras.

Adotado em 1999 em Lomé, no Togo, este mecanismo veio preencher o vazio jurídico que existia e que foi muito criticado durante a intervenção da Ecomog (forças da CEDEAO ) na Libéria no início dos anos 90.

Se a criação, em 1990, da Ecomog revela-se como o primeiro ato duma cooperação regional na gestão dos conflitos na África Ocidental, a adopção do Mecanismo de Prevenção é o primeiro acto normativo de envergadura que dá à organização meios jurídicos da sua acção a favor da paz e da segurança.

O novo presidente da Comissão da Cedeao, o Burkinabè Kadré Désiré Ouédraogo, pouco após ter tomado posse em Fevereiro último, evocou, para os deplorar, os eventos ocorridos no Mali e na Guiné-Bissau cuja consequência é um sério golpe de travão às experiências democráticas em curso aqui e acolá, sem omitir a rebelião armada no Norte do Mali, com a declaração de independência dos dois terços do território pelo Movimento Nacional de Libertação do Azawad (MNLA), a ameaça terrorista, tráficos de todo tipo, entre outros.

«Estas diferentes crises e ameaças são, entre outros, factores de destabilização nacional e regional, de agravação da pobreza e de fragilização dos nossos Estados. São factores nefastos à paz, à segurança, à livre circulação de pessoas e bens, à estabilidade e à integração regionais, em suma ao desenvolvimento económico. Portanto ninguém ignora que não há desenvolvimento sem paz. Esperamos que estas diversas crises sejam passageiras e tenhamsem tardar respostas adequadas para nos permitir consagrarmos mais tempo e energia ao desenvolvimento socioeconómico do nosso espaço comunitário», diz Ouédraogo.

Actuando sob a impulsão da Conferência dos chefes de Estado e de Governo, nomeadamente do seu Presidente em exercício, Alassane Ouattara (chefe do Estado da Côte d’Ivoire, a Comissão da Cedeao demonstra, há alguns meses, um compromisso resoluto de ultrapassar os desafios actuais.

Cinco cimeiras extraordinárias já decorreram sobre a situação no Mali e na Guiné-Bissau. A celeridade e a firmeza da organização nestas diferentes ocasiões culminaram, nomeadamente, no acordo-quadro de Abril último que organizou a retirada dos golpistas malianos do poder a favor das autoridades civis.

No entanto diante da desconfiança e da artimanha dos seus interlocutores, a Comissão terá de redobrar de vigilância e de rigor. A Força em Alerta da Cedeao (FAC), criada com as cinzas da Ecomog, está ao ponto de ser desdobrada no Mali e na Guiné-Bissau.

A urgência com a qual se deve resolver as questões pendentes é motivada pela vontade, pela ambição primeira da Cedeao de promover a integração socioeconómica da sub-região, baseando-se em programas fundamentais tais como a livre circulação de pessoas e bens, a liberalização do comércio, o desenvolvimento da agricultura ou ainda a coordenação das infra-estruturas comuns.

Trata-se de melhorar o bem-estar das populações, criar empregos, tirar esta parte do continente africano da pobreza e estimular o desenvolvimento duma região de que cerca de doze dos seus membros fazem parte dos Estados mais pobres do mundo, mediante  programas levados a cabo por diversos departamentos que compõem a Comissão da Cedeao.

Os importantes e indiscutíveis sucessos registados na implementação destes programas, cujos mais recentes consistem nomeadamente na livre circulação de pessoas e bens, na agricultura, no comércio e na manutenção da paz, são infelizmente ocultados pelos problemas políticos como os em curso no Mali e na Guiné-Bissau.

No âmbito da livre circulação de pessoas e bens, a instauração de unidades de acompanhamento deverá permitir a realização e a aplicação rigorosa do Protocolo sobre a Livre Circulação, adoptado em 1979 pela Conferência dos chefes de Estado e de Governo, e reduzir os casos de assédios, extorsões de fundos e outras violações dos direitos dos migrantes, dos comerciantes e dos cidadãos da Comunidade.

Neste aspecto, a 2ª reunião do comité sobre a livre circulação de pessoas e bens, realizada recentemente em Lagos, na Nigéria, permitiu desenvolver um guia, bem como elaborar os termos de referência e um programa para as unidades de seguimento.

Por outro lado, a Comissão prosseguiu com as suas ações visando desenvolver e promover o turismo a nível da Cedeao bem como a cooperação tranfronteiriça.

No plano da implementação da Política Agrícola da Cedeao (Ecowap), o Conselho de Ministros adoptou, em Agosto de 2011, a criação duma Agência Regional para a Agricultura e a Alimentação, dum Fundo Regional para a Agricultura e dum Comité de Controlo para a Agricultura e Alimentação, com o fito de acelerar o desenvolvimento agrícola da região.

Por sua vez, os ministros da Agricultura aprovaram a Carta Regional da Ajuda, Prevenção e Gestão das Crises Alimentares, que vai permitir uma melhor organização da ajuda internacional através da região, se necessário.

Foi também elaborada e adoptada uma estratégia para o desenvolvimento da pecuária e o seu plano de acção, o que constitui um aspecto importante.

Na área do comércio, a Comissão destacou a formulação duma política comercial comum a nível da região ao passo que os encontros realizados com diversas partes interessadas permitiram estabelecer um roteiro para a formulação desta política regional.

No que diz respeito à promoção do comércio, a organização, de 25 de Novembro a 2 de Dezembro de 2011 em Lomé (Togo), da 6ª Feira Comercial da Cedeao ofereceu aos operadores económicos e aos comerciantes oportunidades de estabelecerem ou reforçarem as suas relações de negócios.

As negociações com a União Europeia a propósito dos Acordos de Parceria Económica (APE) continuaram durante o período considerado, mas ainda não deram resultados esperados, devido ao rigor observado pela Comissão nas suas posições.

Portugal e Cabo Verde preocupados com degradação na Guiné-Bissau

Os chefes de Estado de Portugal e Cabo Verde mostraram-se  preocupados com a degradação da situação económica e social na Guiné-Bissau, reafirmando a sua oposição a qualquer solução que legitime golpes de Estado.

«O que sabemos é que a instabilidade militar que há algum tempo se verifica na Guiné-Bissau é responsável pelo empobrecimento e pelo sofrimento do povo guineense e, neste momento, estamos seriamente preocupados com a degradação da situação económica, social e humanitária e pela falta de respeito pelos direitos humanos no território da Guiné-Bissau», disse o Presidente português, Aníbal Cavaco Silva.

A situação da Guiné-Bissau, onde a 12 de Abril um autodenominado comando militar tomou o poder, afastando as autoridades eleitas, foi um dos principais assuntos da reunião entre o Presidente português e o homólogo de Cabo Verde, que hoje iniciou o programa oficial de uma visita de dois dias a Portugal.

Para Cavaco Silva, não pode haver «a mínima complacência em relação a golpes de Estado, a golpes militares».

O Presidente de Portugal, que falava durante uma conferência de imprensa conjunta com o homólogo cabo-verdiano, no Palácio de Belém, em Lisboa, adiantou que a situação guineense «será certamente um ponto na agenda» da cimeira da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), marcada para Julho em Maputo.

Lembrou ainda que «até ao momento nem as Nações Unidas, nem a União Europeia, nem a CPLP, reconheceram o poder ilegítimo que está neste momento instalado na Guiné-Bissau».

Por seu lado, o chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, afirmou que o seu país «está em perfeita sintonia» com Portugal na recusa de qualquer solução para a Guiné-Bissau que passe pela legitimação do actual poder em Bissau.

«Estamos perfeitamente em sintonia com Portugal no sentido de que nenhuma solução que passe pela legitimação de golpes de Estado pode ser sufragada e legitimada por países, como nós, que constituem Estados de democracia, de direito e que respeitam os direitos fundamentais e são fundados no respeito fundamental da dignidade da pessoa humana», disse Jorge Carlos Fonseca.

«É evidente que iremos trabalhar em conjunto na CPLP, no quadro das Nações Unidas, em cooperação com a União Africana e com a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) para que seja encontrada uma solução que respeite os princípios que fundamentam as nossas opções de vida[...] e que não constituam uma postergação de regras e princípios da democracia e dos estados de direito», acrescentou.

No encontro, os dois chefes de Estado abordaram ainda questões relacionadas com a valorização da língua portuguesa no quadro das Nações Unidas, a afirmação da CPLP no «plano político internacional» e o reforço da cooperação entre os dois Estados.

Jorge Carlos Fonseca, no cargo há nove meses, iniciou hoje em Portugal a primeira visita de Estado ao estrangeiro, e, durante dois dias, terá encontros com as entidades portuguesas, participará em seminários e em encontros com estudantes cabo-verdianos.

Em Lisboa desde sexta-feira, Jorge Carlos Fonseca participou como convidado nas cerimónias oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Lusa

Sessão parlamentar de um mês começa dia 29 do corrente mês

Bissau - Os deputados guineenses voltam a reunir-se a partir de 29 de Junho, aquela que é a quarta sessão ordinária do ano legislativo, foi ontem (segunda-feira) anunciado.


Segundo a convocatória do presidente em exercício da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Ibraima Sori Djaló, a quarta sessão ordinária, da oitava legislatura, decorrerá até 27 de Julho.

A sessão de Maio passado ficou marcada pelo boicote dos deputados do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde). O PAIGC tem 67 dos 100 deputados que compõem a Assembleia Nacional Popular e a sua não comparência inviabilizou várias sessões.


A sessão, de 14 a 29 de Maio, tinha sido marcada pelo então presidente em exercício da Assembleia Nacional Popular, Serifo Nhamadjo, que agora assume as funções de Presidente da República de transição.


A 22 de Maio, os trabalhos parlamentares foram cancelados até à formação de um novo governo, porque havia projectos de lei que necessitavam de explicações dos membros do executivo, justificou na altura Ibraima Sory Djaló.


O PAIGC estava no governo até 12 de Abril, quando um golpe de Estado protagonizado pelos militares afastou o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o Presidente interino, Raimundo Pereira. Com o apoio da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) foi nomeado um Presidente e um governo de transição.

São Tomé reafirma condenação ao golpe militar e exige segunda volta das eleições

São Tomé - O Governo são-tomense reafirmou hoje (segunda-feira) a sua condenação ao golpe militar na Guiné-Bissau e a exigência do regresso à normalidade constitucional e da realização da segunda volta das eleições presidenciais.


Num comunicado de imprensa enviado hoje à Lusa, o Governo do arquipélago reafirma que defende a materialização de "todas as resoluções da CPLP adoptadas nas suas reuniões ministeriais extraordinárias de Abril e Maio deste ano, em Lisboa" bem como da resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 18 de Maio.


O executivo são-tomense defende ainda que a comunidade internacional deve agir para repor a normalidade constitucional na Guiné-Bissau, lembrando nomeadamente a tolerância zero a golpes de Estado, consignada no Acto Constitutivo da União Africana.

 
O comunicado de imprensa do Ministério dos Negócios estrangeiros são-tomense marca o fim de quatro dias de visita do primeiro-ministro deposto guineense, Carlos Gomes Júnior, a São Tomé e saúda também a posição da União Europeia e do parlamento europeu contra o golpe de estado na Guiné-Bissau e que exigem a reposição imediata da ordem constitucional.


O Governo são-tomense presta ainda homenagem à missão militar angolana na Guiné-Bissau (Missang), que entretanto já abandonou o país, "pelo importante papel que desempenharam no quadro dos esforços que a comunidade internacional tem feito no sentido de ajudar a Guiné-Bissau a dispor de uma forças de defesa e segurança republicanas e modernas".


O comunicado refere ainda que Carlos Gomes Júnior denunciou que "a situação na Guiné Bissau é grave e perigosa".


"Tende a agravar-se devido à forma como alguns Estados da sub-região da África Ocidental vêm lidando com a situação, culminando na nomeação, contrariamente à decisão da comunidade internacional, de um Presidente da República e de um governo interinos", disse.

Domingo, 17 de Junho de 2012

Como é possivel? !!!!! = CEMGFA António Indjai...'presidiu' à última reunião do Conselho de Ministros

Fonte Blogue = Ditadura do Consenso

CEMGFA António Indjai...'presidiu' à última reunião do Conselho de Ministros - queria saber de todas as nomeações que foram feitas. Depois, levantou das Finanças...mil milhões(!?) de Fcfa para, segundo o próprio, assegurar a alimentação dos militares. Um bilião de francos CFA... AAS

 

Uma barbaridade


Comentários a este artigo no Facebook no Site da Novas da Guiné

 

  • el Sila Es brugoñu pa povo di giun

    Domingo às 19:16 · Gosto

  • Carlos Alberto Sousa Palavra de honra. Parece que os Guineenses vive uma zombaria. Quando é que os militares aprende ser gente, para perceber que a Guiné é de todos os guineenses?

    Domingo às 20:49 · Gosto

  • Renata Pires O que ele queria era mandar, isso não é novidade.

    Domingo às 21:01 · Gosto

  • Justina Taborda de Pina UM CHEFE DE ESTADO MAIOR PRESIDINDO A REUNIAO DE CONSELHO DE MINISTROS??????????????? SOS PRECISO DE AJUDA DE UM ESTRA-TERRESTRE PARA ME DESBLOQUEAR O CEREBRO NAO CONSIGO ENTENDER EM QUE PLANETA ESTA SITUADO A GUINE-BISSAU.

    Domingo às 22:07 · Gosto

  • Salvador David Elisio esta no planeta k não foi discoberto

    Domingo às 22:19 · Gosto

  • Salvador David Elisio grande bandido e bom ladrão e um verdadeiro assassino deixa o povo a vontade

    Domingo às 22:24 · Gosto

  • Mumine Camará muito sinceramente sinto um grande orgulho de ser GUINEENSE, mas tenho pena dos Guineenses que apoiaram o golpe, porque com este andar,não sei onde vamos parar só mesmo...

    Domingo às 22:51 · Gosto

  • Salvador David Elisio AMIGO CORAGEM TODOS OS GOLPISTA TEM UM FIM TERRIVEL

    Domingo às 22:52 · Gosto

  • Justina Taborda de Pina SO UM MILAGRE DIVINA PODE NOS LIVRAR DESTES BANDIDOS

    Domingo às 23:13 · Gosto

  • Saico Sow nao tinham,forma de roubar,é por isso q figeram o golpe,agorra o caminho esta abertu,gatunos do raios.''UM DIA BÓ NÁ PAGAL NA PRAÇA PUBLICA BANDIDOS''

    Domingo às 23:17 · Gosto · 1

  • Justina Taborda de Pina SEM DUVIDA CA SE FAZ CA SE PAGA

    Domingo às 23:19 · Gosto

  • Saico Sow BÓ PENSA KUMA DEMOCRACIA KI BÓ ATROPELA,BÓ KA SIBI KUMA BO KABESA KI BÓ ATROPELA,CABROES BÓ PENSA BÓ NA GANA MUNDO,ES KUSA KA KABA HINDA...

    Domingo às 23:26 · Gosto

  • Justina Taborda de Pina NEM SE QUER COMECOU VAO COMER O PAO QUE O DIABO PISOU

    Domingo às 23:27 · Gosto

  • Saico Sow DITO GUVERNO DE TRANSIÇAO,SAO ESSAS PESSOAS,QUE É MESMO INTERECEIROS FOMIADOS DE PUDER,SE NAO EM CONJUNTO IAM POR OS SEUS LUGARIS EM DISPOSIÇAO DOS GOLPISTAS...

    Domingo às 23:33 · Gosto

  • Justina Taborda de Pina TODO O MUNDO SE LEMBRA DESTE PRIMEIRO MINISTRO QUANDO ERA MINISTRO DAS FINANCAS ROUBARAM UM CUANTIA COSIDERAVEL DE DINHEIRO E QUANDO CHEGOU A COMUNICACAO SOCIAL DIZERAM QUE PODE SER QUE O SERPENTE ENGOLIU DINHEIRO, AGORRA IMAGINEM O MONTRO COMO PRIMEIRO MINISTRO.

    Domingo às 23:39 · Gosto · 3

  • Justina Taborda de Pina UMA QUANTIA SALVO ERO

    Domingo às 23:39 · Gosto

  • Saico Sow SERIFO PRESIDENTE DE CDEAU,DE TRANSIÇAO,COM O FALECIMENTO DE M.BACAI É DAS PESSOAS QUE SORROU MAIS,NEM O FILHO DO BACAI NAO SORROU TANTO COMO ELE,AFINAL AVIA ALGO QUE O FAGIA TANTA LAGRIMAS A CORRER NOS OLHOS,AFINAL ESSE CABRAO QUERIA SER PRESIDENTE,''FOMIADOS DE PUDER BÓ DIA NA TCHIGA DJANTI I KÁ NADA TCHIGA KI TUDO''

    Domingo às 23:41 · Gosto · 1

  • Justina Taborda de Pina ESTE CAO NAO PENSA NAS COSEQUENCIAS SO QUER SER CHAMADO DE PRESIDENTE E TER ESCOLTAS A TRAZ PARA ELE O MUNDO ACABOU

    Domingo às 23:57 · Gosto · 1

  • Adul Balde SE O MELHOR PRESIDENTE É UM CAO, PRIMEIROS VÇS SÃO BURROS E CAOS. E COMO VÇS NÃO SABEM NADA ANDAM A CALUNIAR, ENTÃO EU PERGUNTO A VÇS QUEM É AFINAL MELHOR PRESIDENTE NA NOSSA GUINÉ? E SE VÇS ESTÃO DIZEM A MAL DUMA PPESSOA QUE DEUS DA PODER ENTÃO ESTÃO SULTANDO A ALLAH DEUS E QUEM SULTAR DEUS VAI ARRENPENDER RESTO DA SUA VIDA E COMO VÇS OS VOSSOS COMENTARIOS NÃO SÃO VALIDOS NA SOCIEDADE ATUAL, ENTÃO ERMAOS PROCUREM MANEIRA DE COMENTAR NA NET, SEM SULTAR NINGUE..

    há 16 horas · Gosto

  • Justina Taborda de Pina CAMARADA FIQUE BEM DESCANSADO QUE EU NAO RESPONDO COMENTARIOS DIABOLICOS E DE BAIXO NIVEL, SAIBA QUE NAO EXISTE SEQUER UM CIDADAO GUINIENSE DE BOM SENSO QUE APOIE A TAMANHA BARBARIDADE QUE SE VIVE ACTUALMENTE NA GUINE, E POR OUTRO LADO ANTES DE ESCREVER CONSULTE UM DICIONARIO PARA PODER EVITAR EROS TAO AGUDOS NO SEU PORTUGUES.

    há 10 horas · Gosto

Guiné-Bissau resiste à «tropacracia»

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Guiné-Bissau – O Diário - [Carlos Lopes Pereira]

Os serviços secretos franceses terão orquestrado os recentes golpes militares no Mali e na Guiné-Bissau, como a ajuda de alguns chefes de estado da região. A denúncia – divulgada em Bissau – é de uma plataforma de organizações sociais malianas. Há também acusações de que os presidentes Allassane Outtara, da Costa do Marfim, e Blaise Compaoré, do Burkina Faso, protegidos de Paris, terão depois concedido aos golpistas em Bamako e Bissau o apoio da Cedeao, a organização económica dos estados da África Ocidental, de forte influência francófona. Na Guiné-Bissau, dois meses depois do golpe liderado pelo general Indjai, os patriotas organizam a resistência à ditadura militar de fachada civil.


Uma plataforma de organizações não-governamentais do Mali denuncia os serviços secretos franceses, com apoio de alguns estados da região, de terem orquestrado os recentes golpes militares naquele país e na Guiné-Bissau.

As ONG malianas acusam também a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) de ter legitimado no poder os golpistas em Bamako e Bissau, apesar de proclamar «tolerância zero» contra golpes de estado. Considerando a Cedeao «um sindicato dos chefes de estado da África Ocidental», apelidam a organização encabeçada pelo presidente da Costa do Marfim, Allassane Outtara, de «tentáculo dos chefes de estado ocidentais, principalmente da França, que não vêem na África senão um reservatório de minérios inesgotáveis, um lugar de esvaziamento dos seus produtos que não se vendem nos mercados dos outros países industrializados».

Apelando à construção de uma «Cedeao dos povos», as ONG do Mali denunciam o papel de Blaise Compaoré, presidente do Burkina Faso, a quem tratam por «um homem de França, o animador do mercado negro de França em África para venda de armas e droga, (…) aquele que sufoca todas as tentativas de os povos quererem tomar nas mãos o seu destino».


Na Guiné-Bissau, onde meios democráticos divulgaram as posições das ONG malianas, são cada vez mais evidentes as ligações dos golpistas de 12 de Abril ao narcotráfico e a sua submissão a interesses estrangeiros.

Por um lado, há indícios da intensificação do tráfico de droga nas últimas semanas. Por exemplo, o pessoal da empresa privada que fazia a segurança do aeroporto de Bissau foi substituído por gente ligada à cúpula militar do golpe. O objectivo seria garantir a segurança das operações aéreas de narcotráfico, já que com a chegada das chuvas as pistas de terra batida tornam-se mais perigosas. E há testemunhos no interior do país – desde a fronteira com o Senegal, a Norte, até ao arquipélago dos Bijagós – de um maior movimento das «avionetas do pó branco», acolhidas em terra por soldados fardados…

Por outro lado, o golpe castrense de há dois meses consolidou-se com a conivência da Cedeao. Foram nomeados um presidente da república fantoche e um governo «de transição» chefiado por um militante do PRS de Kumba Ialá, a eminência parda civil do regime «tropacrático» (assim classificado pelo PAIGC, o partido maioritário que foi derrubado e marginalizado). Ministros, altos funcionários, o presidente da Comissão Nacional de Eleições, presidentes de câmara, responsáveis da rádio e da televisão estatais foram afastados e substituídos por gente da confiança dos golpistas. A missão de cooperação militar angolana, a Missang, com 270 membros, deixou Bissau e foi substituída por uma força da Cedeao, com 600 militares e polícias, sobretudo da Nigéria e do Senegal, chefiada por um oficial burkinês. Os militares guineenses anunciaram que «regressaram às casernas» mas é óbvio, apesar da cosmética, que o homem forte do país é o chefe do estado-maior das forças armadas, general António Indjai, o líder de facto da ditadura de fachada civil instaurada.

Apesar deste contexto político-militar complexo, da tensão social existente e da deterioração da frágil economia (campanha da castanha de caju afectada, administração pública inoperante, salários em atraso, projectos parados, ajudas internacionais suspensas parcialmente, ano escolar perdido, abastecimento de electricidade e água à beira da ruptura), os guineenses resistem.

O PAIGC e outras forças políticas constituíram uma frente anti-golpista, sindicatos, organizações não-governamentais e movimentos sociais exigem o restabelecimento da legalidade constitucional e da democracia, jornalistas corajosos denunciam na Internet e em outros meios a repressão, as perseguições, os abusos, as ilegalidades.
No plano diplomático, o ministro dos negócios estrangeiros do governo derrubado, Djaló Pires, e o presidente do PAIGC e ex-primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior – que foi preso pelos golpistas, mais tarde libertado e enviado para a Costa do Marfim e que agora se encontra em Portugal – têm desenvolvido esforços junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e das Nações Unidas. No sentido de uma maior intervenção da comunidade internacional para o retorno à normalidade constitucional na Guiné-Bissau, para a conclusão das eleições presidenciais e para aplicação de sanções aos cabecilhas militares e políticos do golpe.

É, no entanto, pouco provável que as grandes potências imperiais estejam dispostas, por causa da «pequena» Guiné-Bissau, a beliscar os interesses dos seus aliados na zona – os Estados Unidos em relação à Nigéria ou a França em relação ao Senegal, Costa do Marfim e Burkina Faso.

Terão pois de ser os próprios patriotas guineenses a libertar-se – de ditaduras mais ou menos encapotadas, do crime organizado, da corrupção, das divisões étnicas instigadas do exterior – e a construir na sua terra a paz, a democracia e o progresso.

 

Mensagens sobre este artigo no Facebook

  • William Namiram Ramalho pouca vergonha e a filhos d putas que ainda defendam este gajos , so digo-vos uma coisa os vos fim vão ser bonito vão tantos para os militares golpistas , os 5 contestarios da primeira volta assim como todos que fazem parte deste governo de porcaria, vão pagar e carro .

    há 6 horas · Gosto · 1

  • Alain Coutte Esta é uma propaganda vergonhoso de Angola e os criados dele que quiseram destinar o óleo e a bauxita de Guiné-Bissau, nada mais!
    Quem é o dono da companhia de óleo de Guiné-Bissau?
    Que país teve o projeto para extrair a bauxita na região de Farim, no desprezo maior do ambiente e a população local?
    Queridos amigos e irmãos guineenses, reflita pouco e não o deixe pôr para dormir pela propaganda fatal!!

    há 5 horas · Gosto · 2

  • Alain Coutte Queridos amigos Guinéens, você pede a pergunta bastante saber que deveria financiar este golpe de estado bastante.
    O que são as pessoas (ou os grupos de pessoas / cartéis) que deveriam usar Guiné-Bissau bastante como plataforma de trânsito para as sujeiras deles/delas de produtos que matam nossas crianças?
    Eu sou francês, mas eu sou um sócio de veterans de guerra de Guiné-Bissau ter ajudado Amilcar e Luis Cabral, como também o PAIGC para evacuar as pessoas feridas deles/delas de Ziguinchor no Dakar, em um avião que eu pilotei nos anos setenta.https://www.facebook.com/photo.php?fbid=258230980881171&set=oa.258532027517320&type=1&theater

    há 4 horas · Gosto

  • Alain Coutte Ninguém pode me acusar de ter colaborado ou lutar no lado dos portuguêses durante a guerra de liberação de Guiné-Bissau.
    Os israelitas teriam permitido Göring para se tornar o Presidente do estado de Israel?!?! Pense !!!

    há 4 horas · Gosto

  • Flora Cably Caro Amigo Alain, descance em paz aos poucos maioria doe guineenses vão descubrir os desmando do eixo do mal...A frança não tem nada a ver com isso...Eles é que tem ciumes dos franceses

    há 3 horas · Gosto

  • Alain Coutte Lhe agradeça Flora Cably, mas não está surpreendendo, enquanto a França não tem nenhum interesse econômico e financeiro principal em Guiné-Bissau - com exceção de algumas pessoas francesas que possuem hotéis nas Ilhas de Bijagos - ver tal uma propaganda vergonhoso de desinformação e envenenando para a França?
    Quem deveria publicar tais afirmações enganosas bastante, sem citar o nome disto " plataforma de ONG (ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL) do Mali" ???
    Quem quer ser capaz a ele político em Guiné-Bissau, (controle a economia do óleo e a bauxita???
    Quem colaborou com o português durante a guerra de liberação de Guiné-Bissau???

Sábado, 16 de Junho de 2012

Como se delapida as riquezas da Guiné Bissau

Carlos Gomes Júnior em entrevista à DW África durante visita a São Tomé e Príncipe,

Carlos Gomes Júnior vai representar a Guiné-Bissau na cimeira da CPLP

Deutsche Welle

Em entrevista exclusiva à DW África durante visita a São Tomé e Príncipe, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, afirmou que ele é o "chefe de governo legitimamente eleito".

Carlos Gomes Júnior teve encontros com os mais altos dirigentes de S. Tomé e Príncipe, nomeadamente: o Presidente da República, Manuel Pinto da Costa e o primeiro-ministro, Patrice Trovoada. Em entrevista exclusiva à DW África, Carlos Gomes Júnior falou sobre a representatividade do seu país ao nível internacional e apelou a uma maior união entre os africanos.


DW África: Aproxima-se a cimeira da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que será realizada a 20 de julho. Quem vai representar a Guiné-Bissau?

Carlos Gomes Júnior (CGJ): Naturalmente, o governo legítimo da Guiné-Bissau.


DW África: Nesse caso o senhor?

CGJ: Naturalmente, porque eu sou o primeiro-ministro e o chefe de governo legitimamente eleito.


DW África: Enviou uma carta ao secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, pedindo a instalação de uma comissão internacional sobre o golpe de Estado de 12 de abril. Que consequências teve essa iniciativa?

CGJ: Na nossa estada em Nova Iorque, concretamente no Conselho de Segurança, solicitamos a criação de uma comissão internacional da qual fariam parte todos os parceiros de cooperação da Guiné-Bissau, para analisar a situação vigente no país. Tem de ser analisada com uma certa celeridade. E nós temos um programa de governação. Termina em novembro o nosso mandato e gostaríamos, efetivamente, de concretizar todos os compromissos que temos com a comunidade internacional. Portanto, penso que haverá todo o interesse, de toda a comunidade, que se resolva o mais rapidamente possível a situação na Guiné-Bissau.


DW África: Acredita na reposição da legitimidade democrática na Guiné-Bissau?


CGJ: Naturalmente. Essa tem sido a posição das Nações Unidas. E ainda hoje (14.06) recebemos a notícia de que o Parlamento Europeu, através da proposta que tinha sido apresentada pelos parlamentares, nomeadamente pelo senhor deputado Diogo Feio e pela deputada Ana Gomes, aprovou, por larga maioria, [uma resolução] em que se exige o retorno à legalidade constitucional.

DW África: Como é que vê o papel da CEDEAO, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, neste processo?

CGJ: Entendemos que houve meia dúzia de países que utilizou o nome da CEDEAO para conseguir os seus intentos, os seus projetos pessoais. A maioria dos países daquela organização sub-regional está contra essa posição da CEDEAO. A nossa independência foi conquistada com muito sacrifício do nosso povo, ao longo de 11 anos de guerra. E não nos sujeitamos a que um ministro da Nigéria dê posse ao Presidente da República da Guiné-Bissau. Isso é um insulto, não só para a Guiné-Bissau, mas para a África.

DW África: Tem feito um périplo por vários países africanos. Tem como objetivo conseguir o apoio de vários Estados junto da ONU para tentar encontrar uma solução para a Guiné-Bissau?

CGJ: Eu penso que a África tem de falar a uma só voz. Nós temos organismos próprios, temos parceiros e devemos passar uma mensagem de unidade entre os africanos, de defesa dos interesses do nosso povo. Não podemos pensar que meia dúzia de dirigentes, que está ligada ao narco-tráfico e ao crime organizado, venha desestabilizar e que faça uma propaganda com uma má imagem nossa. Eu penso que há dirigentes africanos sérios e que vamos continuar a lutar na base das nossas organizações como a CEDEAO, a União Africana e a CPLP.

A luta há-de continuar.

O Presidente angolano, José E. dos Santos felicita missão militar que regressou da Guiné-Bissau

Luanda, 15 jun (Lusa) -- O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, enviou uma mensagem de felicitações aos integrantes da missão militar angolana na Guiné-Bissau, que foi transmitida hoje no ato formal de regresso a Angola, divulgou a imprensa angolana.

Segundo a agência noticiosa angolana Angop, a mensagem enviada pelo Presidente angolano serviu para felicitar os efetivos militares pelo cumprimento honroso das suas tarefas na Guiné-Bissau.

A Missang, num total de 249 efetivos, entre militares e polícias, estava na Guiné-Bissau em resultado de um protocolo assinado entre os ministros da Defesa dos dois países, complementar a um acordo governamental, ratificado pelos respetivos parlamentos.

A missão militar angolana na Guiné-Bissau permaneceu naquele país durante um ano e as suas atribuições eram, principalmente de cooperação, realizando a reparação de casernas e equipamentos, a construção e reabilitação de infraestruturas variadas e a formação dos novos recrutas das forças de segurança.

O efetivo da Missang começou a retirar-se da Guiné-Bissau a 06 de junho, na sequência do golpe de Estado de 12 de abril.

O comando militar guineense, responsável pelo golpe de Estado, acusou a Missang de ser o braço armado do Governo da Guiné-Bissau.

A mensagem de José Eduardo dos Santos foi lida pelo chefe do Estado Maior General adjunto das Forças Armadas Angolanas para a Educação Patriótica, general Egídio de Sousa Santos, na parada de homenagem aos militares, realizada na Unidade de Forças Especiais, baseada em Cabo Ledo, na província do Bengo.

A Missang foi substituída por forças da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), comandadas pelo tenente-general Guibanga Barro, do Burkina Faso.

A CEDEAO negociou um governo de transição na Guiné-Bissau, que não é aceite pela maioria das organizações internacionais, que querem a reposição do governo deposto.

Lusa

Cabo Verde/CPLP = O presidente de Cabo Verde mantém pressão sobre Guiné -Bissau

Cidade da Praia - O presidente de Cabo Verde manteve hoje (sexta-feira) a pressão sobre o regresso à normalidade democrática na Guiné-Bissau e manifestou-se favorável à adesão da Guiné - Equatorial à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Jorge Carlos Fonseca, numa conferência de imprensa na Cidade da Praia, salientou que os encontros oficiais que manteve com as autoridades portuguesas em Lisboa, durante a visita de Estado de segunda e terça-feira, reforçaram a ideia defendida por Cabo Verde na busca de uma solução que passe sobretudo pelas Nações Unidas.

"A solução tem de passar pelo respeito pela ordem constitucional. É evidente que a segunda volta das eleições presidenciais não é exequível já. Tem de haver soluções realistas e pragmáticas, que passem pelo Conselho de Segurança da ONU e que vinculem a União Africana (UA) e a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental)", frisou.

 
Ao salientar que a situação na Guiné-Bissau, afectada por um golpe de Estado a 12 de Abril e cujo Comando Militar se mantém no poder, "continua a ser muito plástica", Jorge Carlos Fonseca referiu que a posição portuguesa, "no essencial", não difere da de Cabo Verde.


O presidente cabo-verdiano salientou que as posições dos dois países saíram reforçadas depois de encontros com o presidente, Primeiro-ministro e outras personalidades políticas de Portugal, bem como na reunião que manteve em Lisboa com o primeiro-ministro guineense deposto, Carlos Gomes Júnior, cujo teor não adiantou.

Sobre a eventual adesão da Guiné Equatorial à CPLP, Jorge Calos Fonseca indicou que a cimeira de Maputo, em Julho próximo, irá analisar o "roteiro de requisitos" que as autoridades de Malabo acederam em cumprir há dois anos e que, mediante a análise, se decidirá pela entrada ou por conceder "mais tempo".


"Obviamente que a Guiné - Equatorial não é uma democracia perfeita. Vamos aguardar pelo relatório", disse, admitindo que, por causa do petróleo, a adesão do país centro -africano "é apetecível" para os interesses económicos dos "oito".


A 20 de Fevereiro, o Primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, afirmou que a posição oficial da Cidade da Praia passa por apoiar a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, mas desde que Malabo cumpra os pressupostos estatutários da organização, definidos na cimeira de Luanda.


O presidente da Guiné - Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, está no poder desde 1979.

Sexta-feira, 15 de Junho de 2012

PR da CNE convidado a retomar funções

O presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) da Guiné-Bissau, Desejado Lima da Costa, foi ontem (quinta-feira) convidado pelo chefe de Estado elegitimo de transição, Serifo Nhamadjo, a retomar as suas funções.

   
Lima da Costa, que falava a imprensa a saída de uma audiência com Serifo Nhamadjo, disse ter sido convidado a retomar as funções, depois de ter sido impedido de o fazer por soldados na sequência do golpe de Estado de 12 de Abril.  "A CNE está a trabalhar a meio gás porque não tem presidente, não tem interlocutor, eu disse isso ao Presidente, aliás foi essa a preocupação do Presidente da República, arranjar um interlocutor que possa iniciar o diálogo com a comunidade internacional com vista aos próximos actos eleitorais", disse Lima da Costa.   

"É preciso preparar a CNE, criar as condições operacionais para este período transitório a que se seguirá as eleições para o retorno à normalidade constitucional", acrescentou o presidente da CNE. 
Desejado Lima da Costa disse estar "em plena liberdade" pelo que vai retomar as suas funções na CNE, onde foi impedido de entrar recentemente por soldados e polícias, sem quaisquer justificações.   


Lima da Costa era um dos dirigentes guineenses que se encontravam refugiados na sede da União Europeia em Bissau desde o dia do golpe, de onde saíram volvidos quase 40 dias.
Questionado sobre se é possível realizar a segunda volta das eleições presidenciais, interrompida com o golpe de Estado, o presidente da CNE disse que essa pergunta deve ser respondida pelos políticos.

Um pouco de poesia com Mussa Balde

Quinta-feira, 14 de Junho de 2012

Conselho de Segurança e União Africana exortam Comando Militar a deixar o poder

Os conselhos de segurança da ONU e União Africana condenaram os recentes golpes de Estado na África Ocidental e exortaram o Comando Militar golpista na Guiné-Bissau a deixar o poder e a permitir eleições democráticas.

A posição conjunta foi tomada após uma reunião, na quarta-feira em Nova Iorque, sobre a situação de segurança em África em que estiveram em destaque os golpes de Estado na Guiné-Bissau e no Mali e também os combates no Sudão e a pirataria na Somália.

"Os membros do Comando Militar devem abdicar da sua posição de autoridade", refere a declaração conjunta, divulgada na última noite, em relação à Guiné-Bissau. LUSA

Guiné Bissau : (Perspetiva) Diferentes olhares da CEDEAO para a situação pós golpe

Governo ilegitimo de transição acusa União Europeia de "política de avestruz"

Fernando Vaz, ministro e porta-voz do governo elegitimo diz por outro lado que governo guineense foi reconhecido pelas grandes potências mundiais. (quem são as grades potencias?)

O governo elegitimo da Guiné-Bissau, através do seu porta-voz o ministro da presidencia do Conselho de Ministros e da Comunicação Social, Fernando Vaz, desvalorizou os apelos hoje da União Europeia para o restabelecimento da ordem constitucional no país.

O Parlamento Europeu adoptou hoje em Estrasburgo uma resolução, na qual exigiu a reposição imediata da ordem constitucional.

Ao reagir à Voz da América a decisão dos euro-deputados, o ministro elegitimo Fernando Vaz, que considerou a posição do parlamento europeu, como uma "política de avestruz".

O porta-voz do governo elegitimo bissau-guinense adianta que "o governo está instituído, a própria Nações Unidas o reconhecem e a União Europeia continua a fazer um política de avestruz de enterrar a cabeça na areia e não querer olhar para frente.

Fernado Vaz que não podem [o governo] parar e fazer a mesma política da União Europeia.

De acordo com o governante elegitimo  guineense o país no caminho da normalidade com o pagamento de dois meses dos salários dos funcionários públicos e do pagamento da metade dos 5 meses dos salários dos professores em atraso.

(De onde veio o dinheiro? da CEDEAO!! talvez sim e a que propósito? com que custos para a Guiné ?)

O porta-voz do governo da Guiné-Bissau adianta por outro lado que a União Europeia perdeu completamente a razão e o tino, quando defende uma eventual intervenção militar estrangeira sob égide das Nações Unidas no país.

Fernando Vaz concluiu afirmando que enquanto políticos, os membros do governo elegitimo condenam o golpe de Estado, mas que não podiam ficar de braços cruzados deixando o país à deriva e à espera que a União Europeia encontre alguma solução.

Recepção oficial dos efectivos da Missang acontece sexta-feira

Angop

Tropas Especiais das Forças Armadas Angolanas (FAA) numa parada.

Luanda - Uma cerimónia oficial de recepção de todos efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional que integram a Missão Militar de Angola na Guiné Bissau (Missang), realiza-se nesta sexta-feira, na unidade militar de tropas especiais baseada em Cabo Ledo.

Os efectivos da Missang, num total de 249 entre militares e polícias, estavam desde Março de 2011 na Guiné Bissau na base de um protocolo assinado entre os ministros da Defesa dos dois países, complementar a um acordo governamental ratificado pelos parlamentos de Angola e da Guiné Bissau.

A missão foi interrompida unilateralmente pelo Executivo angolano na sequência da crise interna político-militar instalada neste país, criada por altas chefias militares, e que culminou na deposição do Presidente interino, Raimundo Pereira, e do Primeiro Ministro, Gomes Júnior.

A cooperação técnica militar angolana previa uma ajuda ao programa de reforma das forças armadas e da polícia guineenses, consubstanciado na reparação de quartéis e esquadras, reorganização administrativa, formação técnica e adestramento militar, bem como a formação de efectivos em instituições de ensino militar e policial em Angola.

De acordo com o ex-comandante destas forças, tenente general Gildo dos Santos, durante a presença da Missang na Guiné Bissau, o Governo angolano gastou mais 10 milhões de dólares em projectos concebidos para benefício das autoridades de defesa e segurança guineense.

A Missang foi actualmente substituída por forças da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) comandadas pelo tenente general Guibanga Barro, do Burkina Faso.

O acto de recepção que será presidido pelo ministro da Defesa Nacional, Cândido Pereira Van-Dúnem, contará com a presença do Chefe do Estado Maior General das FAA, general Geraldo  Sachipengo Nunda, oficiais generais e superiores dos três ramos das Forças Armadas Angolanas (Exército, Força Aérea e Marinha de Guerra) e convidados.

Saturnino Costa considera-se «moço de recados» de António Indjai

Bissau – O primeiro Vice-Presidente do PAIGC, Manuel Saturnino
Costa, considera que durante o período da luta armada de libertação nacional, desempenhava as funções de «moço de recados» de António Indjai, Chefe do Estado-maior General das Forças Armadas.

António Indjai acusou Saturnino Costa, na passada semana, de ter proferido insultos aos antigos combatentes.


O primeiro Vice-Presidente do PAIGC disse que era o «miúdo de recados que segurava a mochila do General Amónio Indjai e cuidava dos seus sapatos durante a luta armada».


Manuel Saturnino Costa falou a 12 de Junho num encontro que a sua formação política manteve com os antigos combatentes da liberdade da Pátria, esta terça-feira, 12 de Junho.


Saturnino Costa pediu longa vida para António Indjai, para que possa contribuir para o bem-estar e o desenvolvimento da Guiné-Bissau.


O PAIGC produziu um comunicado de imprensa que classificou o encontro entre o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas e os combatentes, a 6 de Junho, na sede da ANP, como «um esforço infundado e inútil de branqueamento e de deturpação da história, com o objectivo de dividir para reinar».

De acordo com o comunicado, o PAIGC disse ter registado com estupefacção o teor da reunião tida com os antigos combatentes, mas que no entanto foi transformado no tribunal de luta de libertação nacional.


Esta formação política disse ainda que o encontro de 6 de Junho deu-se para dividir os guineenses em etnias, para melhor controlar a população.


A terminar, o PAIGC lembrou Antonio Indjai da condenação do golpe levado a cabo por ele, a 12 de Abril, que passados sessenta dias inverteu a posição, justificando a questão dos antigos combatentes como uma das razões deste golpe.

Primeiro-ministro deposto da Guiné Bissau quer garantir apoio da CPLP

"O governo legítimo da Guiné-Bissau estará presente não só para agradecer todos os países membros da CPLP, mas também para continuar a pedir apoio e solidariedade para que se respeite a legalidade constitucional", disse Carlos Gomes Júnior.

São Tomé - O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, confirmou, em São Tomé, a sua presença, em julho próximo em Moçambique, na Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Carlos Gomes Júnior, deposto na sequência do golpe militar de 12 de abril, pretende garantir o apoio da CPLP.

"Neste momento, a CPLP tem falado uma única voz, exigindo o retorno da ordem constitucional. Neste encontro (na cimeira, a realizar em Maputo), o governo legítimo da Guiné-Bissau estará presente não só para agradecer todos os países membros da CPLP, mas também para continuar a pedir apoio e solidariedade para que se respeite a legalidade constitucional", disse Carlos Gomes Júnior à sua chegada a São Tomé.

Carlos Gomes Júnior, falando à imprensa no aeroporto internacional, disse que veio agradecer ao primeiro-ministro santomense, Patrice Trovoada, e ao Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, pelo apoio e pela solidariedade prestada durante a crise que se instalou no seu pais após o golpe de Estado militar de 12 de abril último.

"Não se poder permitir, no século XXI, que um partido como o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) ganhe as eleições, com cerca de 67 mandatos, e a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) permita que um ministro venha dar posse a um Presidente da República. Isto é um insulto para África e um insulto para o povo da Guiné-Bissau", indignou-se.

"A nossa independência não tomamos na secretaria, ela foi conquistada durante 11 anos de guerra e não vamos permitir que seja quem for venha defraudar o nosso povo", sublinhou o primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau.

Carlos Gomés Júnior, que vive atualmente exilado em Portugal, venceu a primeira volta das eleições presidenciais antecipadas de 18 de março deste ano e deveria disputar a segunda volta com o ex-Presidente Kumba Yalá a 22 de abril, mas o escrutínio foi inviabilizado pelo golpe de Estado militar dez dias antes.

As eleições presidenciais antecipadas foram organizadas na sequência da morte, por doença, do Presidente Malam Bacai Sanhá em Paris, França, no início deste ano.

O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, durante a sua estada em São Tomé, foi recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, Salvador dos Ramos. Ele deverá igualmente visitar Angola, Cabo Verde e a Gâmbia.

Parlamento Europeu pede “reposição imediata” da ordem constitucional na Guiné

O Parlamento Europeu (PE) aprovou hoje uma resolução sobre a Guiné-Bissau, na qual é pedida a “reposição imediata” da ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral interrompido pelo golpe de Estado de 12 de Abril.

No documento, votado favoravelmente por seis grupos políticos que representam a grande maioria dos deputados ao PE, os eurodeputados pedem o “respeito absoluto pela integridade física de todos os funcionários públicos e outros cidadãos” sob alçada dos militares rebeldes.


O texto, resultado do trabalho conjunto dos gabinetes dos eurodeputados portugueses Ana Gomes, Diogo Feio e Rui Tavares, exorta também a comunidade internacional a exercer “toda a influência necessária” e a fornecer todo o apoio para se chegar a uma “investigação completa” sobre o golpe de Estado e trazer os responsáveis à Justiça.


Bruxelas, aponta o PE, deverá prosseguir a ajuda humanitária e o apoio dado ao país e à população, ao passo que a situação militar “instável e incapaz” na Guiné-Bissau potencia um outro perigo: o da intensificação do tráfico de drogas, canalizadas nomeadamente para o continente europeu.


A posição do Parlamento Europeu relativamente à Guiné-Bissau tem lugar numa altura em que a União Europeia já tem em curso sanções -- proibição de viajar e congelamento de bens em território comunitário - contra aqueles que considera responsáveis pela situação de instabilidade no país, designadamente 21 membros do comando militar autor do golpe de Estado de 12 de Abril.


O golpe de Estado na Guiné-Bissau ocorreu na véspera do início da segunda volta da campanha eleitoral para as eleições presidenciais.
O primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior tinha ganhado a primeira volta e ia disputar a segunda, a 22 de Abril, com Kumba Ialá.


Carlos Gomes Júnior e o Presidente interino, Raimundo Pereira, estiveram detidos até 26 de Abril, quando foram levados para a Costa do Marfim e permanecem fora do país.


Um governo de transição, negociado com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), foi nomeado e deverá promover a realização de eleições no prazo de um ano.


No entanto, as autoridades de transição -- lideradas pelo Presidente Serifo Nhamadjo e pelo primeiro-ministro Rui Duarte de Barros - não são reconhecidas pela restante comunidade internacional, nomeadamente pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Quarta-feira, 13 de Junho de 2012

O Presidente Ilegitimo de transição da Guiné-Bissau em Dacar

O Presidente Ilegitimo de transição Guineense, Serifo Nhamadjo, deslocou-se esta terça-feira a Dacar numa visita de algumas horas durante a qual se avistou com o seu homólogo Senegalês, Macky Sall.

Esta deslocação que era a primeira de Serifo Nhamadjo desde que foi designado ilegitimamente Presidente de transição no mês passado na sequência da sublevação militar de 12 de Abril, tinha por objectivo agradecer o contributo do Senegal designadamente no seio da força de interposição, mas também procurar apoios e conselhos junto do Presidente do Senegal, no intuito do seu país regressar rapidamente à normalidade constitucional.

A saída desse encontro, interrogado igualmente sobre as relações do seu país com Angola, cujos contingentes militares acabam de sair do território Guineense, Serifo Nhamadjo tenta desdramatizar a situação, mostrando-se confiante quanto à capacidade dos dois países ultrapassarem o que prefere encarar como um "incidente".

De referir, por outro lado, que esta visita acontece no momento em que o Parlamento Europeu se prepara para votar esta quarta-feira uma resolução exigindo a "reposição imediata" da ordem constitucional bem como a retoma do processo eleitoral interrompido aquando do golpe de Estado do passado mês de Abril na Guiné-Bissau.

Parlamento Europeu condena papel da CEDEAO na crise da Guiné-Bissau

Parlamento Europeu

Fonte: DW África
GUINÉ-BISSAU

Parlamento Europeu condena papel da CEDEAO na crise da Guiné-Bissau

O Parlamento Europeu irá, esta quarta-feira (13.06) aprovar uma resolução sobre a situação política na Guiné-Bissau. O Eurodeputado português Paulo Rangel, um dos autores do documento, mostrou-se crítico da CEDEAO.

A resolução vai pedir a reposição imediata da ordem constitucional e a conclusão do processo eleitoral guineense, interrompido com o golpe de Estado de 12 de abril. Os eurodeputados apelam ao respeito pela integridade física de todos os funcionários públicos e cidadãos sob alçada dos militares autores do golpe.
O eurodeputado Paulo Rangel, um dos autores do documento, reconhece que a resolução do Parlamento Europeu não chega para solucionar o problema, mas constitui um passo porque legitima um mandato para outras ações.
DW África: O que é que se pode esperar desta tomada de posição formal do Parlamento Europeu?
Paulo Rangel (PR):
O que se pode esperar, no fundo, é uma coerência total entre as instituições internacionais quanto à atual situação de ilegitimidade política que se vive na Guiné-Bissau.

Eurodeputados exigem o restabelecimento da ordem constitucional na Guiné-Bissau

Nós já sabíamos que a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), a Organização das Nações Unidas (ONU) e a própria União Europeia (UE), através da Comissão, tinham tido um papel muito importante na definição de uma situação de ilegalidade, uma espécie de golpe de Estado constitucional que interrompeu um processo eleitoral e interrompeu uma trajetória, que foi uma trajetória extraordinária de recuperação a que assistimos, no último ano e meio, na Guiné-Bissau. Quer o trabalho político quer o trabalho de desenvolvimento económico e social foram interrompidos. E portanto, há que denunciar isto.

Por outro lado, há aqui um aspecto que também é muito importante, que é o de condenar, criticar o papel que a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) tem tido aqui. Para além deste convite a que a CEDEAO possa, ela própria, ter um papel de restauração da legalidade democrática, porque tem sido, apesar de tudo, um pouco complacente com a situação), é  fundamental  restaurar do apoio humanitário e do apoio ao desenvolvimento à Guiné-Bissau.

Devemos fazer uma grande pressão internacional para repor a legilimidade, para que este golpe de Estado seja, no fundo, afastado e para que os candidatos que estavam a concorrer à presidência e o primeiro-ministro e Presidente interinos voltem, de novo, ao território da Guiné e à governação. Mas isso não deve interferir com a capacidade de ajuda e de apoio à população porque a população está a sofrer imenso.

 

O eurodeputado Paulo Rangel, no apoio do Partido Social Democrata durante a campanha eleitoral das eleições legislativas de 2009

DW África: Referiu a uma coerência total, mas há uma disparidade de avaliações nomeadamente entre a CEDEAO e outros parceiros como a CPLP, a ONU ou a União Africana (UA). Será suficiente fazer-se o convite à CEDEAO para que não legitime um governo e as autoridades que sairam de um golpe de Estado ou será preciso fazer mais?

PR: A adoção pura e simples de resoluções internacionais é sempre essencial para dar um quadro legal de atuação às instituições. Ou seja, é importante que o Conselho de Segurança da ONU, que a UA, que a CPLP, que a UE tomem decisões e que as tomem por escrito sob a forma de resolução para terem, no fundo, um mandato para atuar. Mas depois não podem as consciências ficar descansadas com a aprovação da resolução. O que vamos fazer a 13 de junho, é apenas um primeiro passo. É fundamental que os países da CPLP, nomeadamente Portugal, Angola e o Brasil tenham um papel de pressão sobre os países da África Ocidental. Assim como a UE e o próprio Conselho de Segurança da ONU, designadamente através de alguns dos seus membros mais relevantes (como os Estados Unidos e a China que tem hoje um papel relativamente importante em alguns países africanos) possam usar os seus bons ofícios e a sua capacidade de pressão e de influência internacional para levar a CEDEAO a mudar o seu caminho. Isso é essencial.

Carlos Gomes Júnior foi o candidato mais votado da primeira volta das eleições presidenciais, que foram interrompidas antes do segundo turno pelo golpe de Estado

Não basta haver resoluções. Mas sem resolução também não há mandato para as instituições atuarem. E, portanto, a resolução é extremamente importante no sentido da definição de uma posição da comunidade internacional.

DW África: E ao nível bilateral, o que é que pode um país como Portugal fazer para ajudar a Guiné-Bissau a sair deste impasse?

PR: Eu creio que, particamente, aqui há dois países que têm uma posição ímpar: Portugal e Angola, porque Angola tinha a Missang, que estava com uma missão de assistência técnico-militar [na Guiné-Bissau], com um papel muito relevante. Aliás um papel que se refletia neste progresso, porque o que aqui é verdadeiramente extraordinário é que a Guiné-Bissaau, para além de estar a desenvolver um quadro democrático, pela primeira vez estava, de fato, com índices económicos e sociais em melhoria absolutamente visível. E este processo, com certeza com este golpe, vai ficar parado. E isso é que é trágico neste contexto.

O Parlamento Europeu pretende que o processo eleitoral guineense seja concluido

Penso que Portugal e Angola têm um papel muito importante. Mas é fundamental que estes dois países não apenas atuem sobre os atuais dirigentes da Guiné-Bissau mas os dirigentes que estão, neste momento, de fato, com o poder nas mãos, mas sobre os países da África Ocidental, países que têm um papel relevante, como o Senegal, Gâmbia, Nigéria e outros como a Guiné Conacri ou a Guiné-Equatorial. Nós podíamos, de fato, ter aqui um conjunto de parceiros sobre os quais devíamos atuar diretamente. Portanto, disso não há dúvida.
Julgo que, apesar de tudo, o papel de Portugal, por um lado, pode ser muito facilitado se tiver esta cobertura da UE. E por isso nos empenhamos tanto em que não só a Comissão mas também o Parlamento Europeu tivesse uma posição claríssima sobre este assunto, porque é evidente que um país como Portugal terá uma capacidade de pressão maior sobre os países da África Ocidental, que têm uma palavra a dizer nesta questão, se vier com a cobertura, a legitimidade da União Europeia.

O novo governo interino da Guiné-Bissau colhe o apoio da CEDEAO mas é contestado por outras organizações internacionais como a CPLP e a ONU

E o mesmo vale para Angola, no que diz respeito à União Africana. Então, no fundo, são uma espécie de catalizadores destes esforços.

Mas a situação é extremamente complexa, há que reconhecê-lo, por isso é que existe também este último considerando da resolução que é extremamente importante (e sobre o qual eu tenho insistido a propósito de outros casos de emergência humanitária). Mesmo quando há uma situação política extremamente adversa e que merece ser verdadeiramente censurada e até boicotada, nós não devemos suspender a ajuda humanitária nem a ajuda direta às populações, porque esses cortes não contribuem, de maneira nenhuma, para facilitar a situação, no próprio terreno político. E portanto, não deve ser a população que deve ser refém deste tipo de golpismo e de instabilidade política. E por isso, o trabalho humanitário e de desenvolvimento deve continuar, mesmo neste quadro político irregular.

Terça-feira, 12 de Junho de 2012

Muitas lágrimas no adeus a Bissau

Na hora da partida os militares da MISSANG sentiram o carinho e o reconhecimento dos guineenses

Fotografia: Rogério Tuti

O último grupo da missão das FAA na Guiné-Bissau (MISSANG) deixou domingo aquele país com destino a Luanda, em dois aviões da Força Aérea Nacional e um “boeing” da Sonair. A despedida ao contingente foi feita num antigo hotel de Bissau que em breve vai ser a sede da Embaixada de Angola.


No adeus às tropas angolanas estava o embaixador de Portugal, António Freire, e o encarregado de negócios da Embaixada de Angola, Luís dos Santos. Mas a despedida comovente foi feita pelo povo de Bissau. A nossa reportagem viu lágrimas no rosto de muita gente que quis mostrar aos nossos valorosos militares a sua gratidão pela cooperação que deram ao seu país, durante o tempo que durou a missão.


Os militares da MISSANG foram para a Guiné-Bissau a pedido do legítimo governo do país, no âmbito das “relações históricas” com Angola e nos laços de cooperação que sempre existiram.


Os elementos da missão angolana estavam empenhados num projecto de reestruturação das forças armadas e de segurança.
O Estado Angolano disponibilizou 13 milhões de dólares no projecto e até ao momento da saída do último soldado, já tinham sido aplicados mais de nove milhões.


O comandante da missão, tenente general Gildo dos Santos, disse na hora da despedida, que todos os militares deixavam Bissau com o sentimento do dever cumprido. A despedida da população confirmou essa realidade. Os guineenses que se foram despedir da MISSANG agradeciam aos militares angolanos e corriam lágrimas em muitos rostos.


Nas eleições, a nossa reportagem captou imagens de festa e alegria. No sábado, o sentimento era de profunda tristeza.

“Os nossos irmãos vieram por bem, ajudaram-nos muito e agora partem sem acabar a sua missão. A nossa terra ainda precisa deles, não deviam partir”, disse à nossa reportagem uma mulher lavada em lágrimas.

Os militares da MISSANG estavam empenhados numa missão “de amizade e cooperação” mas os acontecimentos políticos que interromperam as eleições presidenciais na Guiné-Bissau provocaram a sua retirada prematuramente. Angola deu a mão a um país irmão. Os angolanos que foram cumprir tão honrosa missão, deram o seu melhor. O povo da Guiné-Bissau sabe que fazer mais era impossível.

Os membros do Governo legítimo que pediram ajuda a Angola também sabem que a resposta pronta para ajudar a reestruturar as forças de defesa e segurança foi determinada pelos laços fraternos que nos unem.

Fonte: 

Jornal de Angola Online

Resultados da Sondagem no Blogue

Como se vê pela sondagem os Guineenses sabem bem o que querem para o seu País, apesar de alguns insistirem em pensar que não.

O blog Novas da Guiné Bissau sempre que se referir ao Governo atual na Guiné, o fará indicando ser Governo ELEGITIMO, até que haja eleições que o legitime.

O Editor

NGB

 

CONCORDA COM PRESIDENTE E GOVERNO DE TRANSIÇÃO?

Sim

  131 (14%)

Não

  470 (53%)

Com o Gov anterior

  282 (31%)

Votos apurados: 883
Sondagem fechada

Escolas pública voltam a abrir após dois meses de paralisação

Bissau - As escolas públicas da Guiné-Bissau voltaram a abrir hoje (segunda-feira), após dois meses de paralisação motivada pelo golpe de Estado de 12 de Abril.  

A retoma das aulas surgiu na sequência de um apelo lançado pelo presidente do sindicato dos professores (Sinaprof), Luís Nancassa que pediu aos docentes para que voltem a dar aulas mesmo tendo alguns meses de salários em atraso. 

Os professores contratados, os reintegrados e os recém - admitidos no sistema do ensino público diziam que só voltariam a dar aulas caso fossem pagos cinco meses de salários em atraso. A semana passada o Governo acabou por pagar a esses professores dois meses de ordenados. 

Mesmo com o pagamento parcial os professores continuavam a não comparecer nas salas de aulas onde também não apareciam os alunos. 

Luís Nancassa teve de intervir pedindo aos professores para que aceitem dar aulas "para minimizar os sacrifícios dos pais e encarregados de educação dos alunos" e ajudar a "salvar o ano lectivo". 

"Mesmo com esse pagamento, que considero insuficiente, apelo aos professores para que regressem às salas de aulas", disse Luís Nancassa, mostrando-se indignado com as declarações do ministro da presidência do conselho de ministros e da comunicação social, Fernando Vaz, quando analisava as reivindicações dos professores. 

"Não fiquei nada contente com as declarações do ministro da comunicação social ao dizer que o Governo não deve cinco meses aos professores, porque esses não trabalharam durante os meses de Abril e Maio", afirmou o presidente do Sinaprof. 

As escolas públicas, sobretudo, as de Bissau registaram hoje um número considerável de alunos, em comparação com os últimos dois meses onde praticamente não se viam alunos ou professores, mas o presidente do Sinaprof tem dúvidas sobre se será possível concluir toda matéria prevista para ser dada durante o corrente ano lectivo.   

"O terceiro período não terá o tempo exigido para que se conclua toda matéria perspectivada, porque vêm aí as chuvas", disse Nancassa. 

Carlos Manuel é o novo selecionador da Guiné-Bissau

O treinador substitui Luís Norton de Matos no comando técnico dos «Djurtus»

Carlos Manuel é o novo selecionador da Guiné-Bissau, anunciou o presidente da Federação Guineense de Futebol, Manuel Nascimento Lopes, nesta segunda-feira.


«Carlos Manuel é um treinador experiente sobre quem depositamos muita confiança. Com ele contamos trabalhar para superar as dificuldades», afirmou o dirigente do futebol guineense, à Lusa.


Manuel Lopes ainda fez a antevisão ao jogo com os Camarões, do próximo sábado, para a segunda mão da pré-eliminatória para a Taça das Nações Africanas do próximo ano. «Vamos fazer um bom jogo frente aos Camarões. Com o Carlão, seguramente, pelo que vi nos treinos, penso que temos homem. Os jogadores estão dispostos a ir ao jogo com um bom espírito», assegurou.


Já Carlos Manuel referiu as razões que o levaram a aceitar o cargo: «Conhecer o futebol africano e alguns jogadores que fazem parte da seleção foram as condições que me fizeram aceitar este projeto. Vou ser guineense. Podem contar com um selecionador que não ficará apenas em Portugal mas também que irá à Guiné.»

Segunda-feira, 11 de Junho de 2012

“Os fantasmas do General” António Indjai acusa Angola de financiar contra-golpe na Guiné-Bissau

Bissau - António Indjai acusou o Governo angolano de poder estar a financiar uma acção de contragolpe na Guiné-Bissau.

O Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas falou na cerimónia de encerramento do encontro que manteve na passada quarta-feira, 6 de Junho, com os antigos combatentes da liberdade da pátria, a seu pedido.


António Indjai adiantou ter informações sobre a entrada deste dinheiro mas não especificou a quantia em causa.


De acordo com responsável das Forças Armadas, esta quantia teria sido recebida por alguns elementos de antigos combatentes para desencadear uma acção de contra-golpe. António Indjai ameaçou, na altura, denunciar publicamente os nomes destes antigos combatentes.


«Angola não desistiu. Recentemente, este país enviou dinheiro para desestabilizar a Guiné-Bissau mas estamos atentos. Soubemos isso através de algumas pessoas entre nós aqui presentes, que receberam este dinheiro», confirmou António Indjai.


Durante a sua intervenção, admitiu por várias vezes que não teme a sua morte, garantindo que, com o seu desaparecimento físico, iria nascer um outro António Indjai.


Seguiram-se insultos ao Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, na reunião, com a maioria dos intervenientes a reclamarem ser do PAIGC e quererem regressar ao partido, mas com Carlos Gomes Júnior fora da direcção.


O encontro, que teve lugar na sede da Assembleia Nacional Popular, serviu para o autor de dois golpes bem-sucedidos nos últimos anos, lançar palavras de insultos aos dirigentes do PAIGC, com particular destaque para Manuel Saturnino Costa que, segundo ele, terá insultado antigos combatentes.

 


Brígido de Barros, Presidente do PAIGC para o Sector Autónomo de Bissau, e Luís Oliveira Sanca, dirigente do PAIGC, ambos presentes no encontro com estatutos de antigos combatentes, foram inibidos de falar nas suas intervenções porque, segundo António Indjai, não estavam a falar no tema central do encontro.


Nesta reunião, revelou alegadamente que a viúva de Tagme Na Waié, ex-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, teria sido abandonada no Hospital Militar onde se encontra internada com um ferimento grave no pé.


António Indjai afirmou que, caso a vítima fosse de outra etnia, tal não teria acontecido.


A terminar, ordenou ao Secretario de Estado dos Antigos Combatentes Mussa Djata, o agendamento de um novo encontro, para voltar a falar da vida dos antigos combatentes.


Da sessão, participaram veteranos da luta armada, na sua maioria da etnia balanta.

Militares guineenses detidos na Guiné-Conakry

Bissau - Um grupo de militares da Guiné-Bissau encontra detido desde o fim de Maio, na vizinha República da Guiné-Conakry.

Trata-se de três efectivos, pertencentes ao recém-criado Comando Geral de Guarda Nacional, no âmbito da reforma que estava em curso no sector de segurança guineense.


A informação foi avançada por uma fonte próxima do Comando da Guarda Nacional, sob anonimato.


De acordo com a mesma fonte, no dia 21 de Maio, uma equipa de fiscalização do Posto Avançado de Cacine, região de Tombali, junto da fronteira com a Guine-Conakry, efectuou uma missão de fiscalização com base em informações de existência de barcos de pesca a operarem de forma ilegal nas águas territoriais da Guiné-Bissau.


A operação resultou na apreensão de seis pirogas em situação ilegal, não tendo sido encontrado nenhum barco no terreno em actividade de pesca não autorizadas.


No final desta operação, conforme revelou ainda a nossa fonte, os tripulantes destas canoas debateram-se com o mau tempo e algumas embarcações foram parar a águas territoriais da Guine-Conakry.


«Depois da busca, fomos informados de que os três militares da Guarda Nacional, nomeadamente Gabriel António Correia e Degol Manga, ficaram em Kamsar, Tomas Camará no Porto de Cachek, ambas localidades da República da Guine-Conakry», revelou.


Perante esta situação, o Comando Geral da Guarda Nacional fez deslocar uma delegação composta pelo Segundo Comandante do Comando Operacional e pelo Comandante da Brigada Costeira, na qual integravam ainda elementos da Marinha Nacional, que mantiveram encontros com as autoridades militares da Guiné-Conakry sem que, no entanto, houvesse algum resultado positivo quanto à obtenção da libertação para os militares presos em Kamsar.


Os detidos já foram acusados, pelas autoridades da Guiné-Conakry, de posse de armas de fogo, num total de três armas de tipo AKM.
A fonte do Comando da Guarda Nacional confirmou a existência de um negócio mal finalizado com um dos detidos, Gabriel António Correia, relativamente à emissão de licenças de pesca pela parte nacional, com um responsável da polícia da Guine-Conakry em Kamsar, através de uma empresa de pesca denominada «Wawa».


O NG apurou ainda que Gabriel António Correia havia desempenhado as funções de Delegado da Capitania dos Portos em Cacine tendo sido, nos últimos tempos, substituído. Contudo, continuava a exercer as mesmas funções, emitindo licenças de pesca ilegais.


Os valores destas licenças eram recebidos pelo Tenente-Coronel Azeque da Guine-Conakry, através de proprietários das pirogas, que nunca chegou de entregar o dinheiro a Gabriel António Correia, conforme havia combinado. O valor estima-se em cerca de três milhões de F.cfa.


Contactada  uma fonte do Ministério do Interior guineense, a instituição titular do Comando Geral de Guarda Nacional, informou que o Governo de Transição já comunicou ao seu ministro dos Negócios Estrangeiro para tratar do assunto via diplomática entre os dois países.

Terminou retirada angolana da Guiné-Bissau Luanda diz que MISSANG custou ao país 10 milhões de dólares

Terminou Sábado a retirada das forças angolanas estacionadas na Guiné-Bissau.


Os soldados e polícias tinham chegado em Março de 2011 ao abrigo de um acordo para ajudar na restruturação das forças armadas guineenses e a sua presença foi uma das razões dadas por militares guineenses para o golpe de estado no país em Abril.


Aviões de transporte foram enviados para Bissau para retirar as tropas angolanas que trouxeram de volta a Angola o material pesado que tinham levado consigo


O programa de ajuda angolano previa a reparação e reconstrução de quartéis e esquadras da polícia. Algumas dessas obras já haviam começado e foram interrompidas.


O diário Jornal de Angola diz hoje que a missão militar de Angola  (MISSANG) custou ao país 10 milhões de dólares.


A MISSANG foi entretanto substituída por uma missão militar da Comunidade Económica de Desenvolvimento da África Ocidental, CEDAO, que já está estacionada no país.

Alunos da Faculdade de Direito preocupados com possibilidade de Lisboa cortar apoios

Bissau -- A possível reavaliação pela Faculdade de Direito  de Lisboa, devido à situação política na Guiné-Bissau, do apoio que dá à  Faculdade de Direito de Bissau está a preocupar os alunos da instituição  guineense.  

A 16 de Maio, o Instituto de Cooperação Jurídica da Faculdade de Direito  de Lisboa, instituição que criou há mais de 20 anos e apoia a Faculdade  de Direito de Bissau, emitiu um comunicado em que ressalva que a Faculdade  de Direito da Universidade de Lisboa não tenciona abandonar o projecto da Faculdade  de Direito de Bissau, mas ainda assim "reserva-se ao direito de reavaliar  a sua disponibilidade para a participação no projecto de cooperação da Faculdade  de Direito de Bissau".  

O comunicado sublinha que a continuidade dos apoios dependerá da evolução  da situação política na Guiné-Bissau, onde se realizou a 12 de Abril um  golpe de Estado, e também das decisões que o Estado português venha a tomar  relativamente a sua cooperação com o país.  

Em Bissau, numa visita à Faculdade de Direito, a Agência Lusa constatou  a preocupação entre os alunos com a possibilidade do abandono do apoio proveniente  de Lisboa, que é tema recorrente nos corredores da instituição.  

"Esta Faculdade é a menina dos olhos da cooperação portuguesa. Mas se  um dia Portugal deixar de apoiar-nos não quero pensar no que vai ser de  nós", dizia o aluno Pedro Sambu, da Faculdade de Direito de Bissau.  

Os receios dos alunos devem-se à dependência da Faculdade de Direito  de Bissau desde a sua fundação - em 1989 -- em termos financeiros, científicos  e pedagógicos da Faculdade de Direito de Lisboa. 

O golpe de Estado na Guiné-Bissau foi condenado pela generalidade da  comunidade internacional. Portugal defende a reposição da normalidade constitucional  e o regresso ao poder dos dirigentes depostos e a concretização das eleições  presidenciais, interrompidas pelo golpe militar.   

Guiné-Bissau volta a ser avaliada pela CPLP

A CPLP e a União Europeia (UE) voltam a debater este mês a crise político-militar na Guiné-Bissau, que vive, até agora, fechada em si mesmo, por a junta militar recusar restituir o poder às instituições democráticas, derrubadas na sequência do golpe de Estado de 12 Abril.


A Guiné-Bissau observa neste momento um período de transição de um ano imposto pelos golpistas com o consentimento da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), que colocou no país um contingente de cerca de 600 homens, entre militares e polícias.


A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), que condenou o golpe de Estado e não reconheceu até agora os novos dirigentes do país, reúne-se no próximo dia 20 deste mês em Maputo, capital de Moçambique, numa cimeira destinada a avaliar, principalmente, o pedido de adesão da Guiné-Equatorial à organização. O governo de Maputo também vai informar os demais membros que decidiu adoptar o acordo ortográfico da língua portuguesa.


O ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Baloi, admite que a situação da Guiné-Bissau é complexa.  “A CPLP não reconhece as autoridades que emergiram do golpe, mas também o governo deposto está fora do país, e é preciso analisar tudo isto”, explicou o ministro moçambicano.


O contingente da CEDEAO na Guiné-Bissau tem militares e polícias da Nigéria, Burkina Faso e Senegal. Essas forças, além de auxiliarem os golpistas a instaurar um governo de transição, também têm a missão de supervisionar a retirada das forças angolanas da Missang destacadas naquele país, no cumprimento de um acordo com o governo deposto para reformar a Defesa e Segurança.


O comando militar justificou o golpe de Estado como uma resposta à situação “provocada” pela Missang, mas a comunidade internacional, nomeadamente, as Nações Unidas, União Europeia e CPLP, reconheceu o trabalho que estava a ser desenvolvido pela missão angolana no âmbito da reforma da Defesa e Segurança na Guiné-Bissau.     

Domingo, 10 de Junho de 2012

Últimos militares angolanos deixam a Guiné-Bissau

Os últimos 96 militares da missão de Angola na Guiné-Bissau (Missang) deixaram hoje Bissau, pondo termo à cooperação técnico-militar do governo de Luanda.

Com o fim da missão ficam também cancelados os apoios que Angola estava a dar à Guiné-Bissau, nomeadamente na construção e remodelação de infraestruturas de defesa e segurança.

«Todos os financiamentos que tinham sido preparados para o projeto militar com a Guiné-Bissau estão interrompidos», disse hoje aos jornalistas, na sede da Missang, o encarregado de negócios de Angola em Bissau, Luís dos Santos.

O governo angolano interrompeu a Missang (missão técnico-militar na Guiné-Bissau de apoio à reforma do setor de Defesa e Segurança) na sequência de atritos com as forças armadas guineenses.

É, segundo Luís dos Santos, uma «saída triste», porque acontece «num momento de grandes problemas» na Guiné-Bissau.

«A Missang esteve cá ao abrigo de um acordo entre os dois países e a sua interrupção acontece por acontecimentos políticos internos», disse o responsável, acrescentando que ainda assim a missão angolana «cumpriu o seu papel» e sai «com o sentimento do dever cumprido».

As últimas componentes da Missang, militares e material, partiram em três aviões angolanos, um Boeing e dois Ilyushin (de carga) e a saída foi supervisionada pela ECOMIB, Força da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) que está no país, na sequência do golpe de Estado de 12 de abril passado.

Gnibanga Barro, o chefe da ECOMIB, esteve no aeroporto de Bissau a despedir-se dos últimos homens da Missang.

A força angolana, constituída por cerca de 200 militares, estava num antigo hotel de Bissau, um edifício comprado pelo governo de Angola e que a partir de segunda-feira passa a ser a embaixada de Angola na Guiné-Bissau.

Lusa

Sábado, 9 de Junho de 2012

DINAMARCA DEFENDE FIM DE REGIME MILITAR NA GUINÉ-BISSAU

BRUXELAS, 06 JUN (AIM) – O Ministro dinamarquês dos Assuntos Europeus, Nicolai Wammen, sublinhou Terça-feira última em Bruxelas a necessidade “de se pôr fim ao controlo do poder político por militares” na Guiné-Bissau.


Falando durante um debate no Parlamento Europeu, consagrado à situação na Guiné-Bissau, Wammen advogou o fim da impunidade para os que violaram os direitos humanos naquele país da África.
Ele apelou à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para intensificar os esforços de mediação entre as partes na Guiné-Bissau, em colaboração com a União Africana (UA) e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


O ministro dinamarquês dos Assuntos Europeus achou 'útil' a criação, pela comunidade internacional, de um grupo de contacto internacional encarregue de acompanhar o desenvolvimento da situação na Guiné-Bissau.


A Dinamarca exerce actualmente a presidência rotativa da União Europeia (EU).

Parlamento Europeu vota resolução na quarta-feira sobre a Guiné-Bissau

O Parlamento Europeu vai votar uma resolução sobre a situação na Guiné-Bissau na próxima quarta-feira, durante a sessão plenária que decorrerá em Estrasburgo, França.


A assembleia vai deliberar sobre a situação de instabilidade no país depois de ter debatido o tema a 23 de maio, na anterior sessão plenária, tendo na altura sido adiada a votação de uma posição formal do hemiciclo, o que acontecerá nesta sessão de junho.


A resolução sobre a Guiné-Bissau vai ser votada ao mesmo tempo que serão adotados textos sobre o conflito entre o Sudão e o Sudão do Sul e sobre a situação da República Democrática do Congo.


A posição do Parlamento Europeu relativamente à Guiné-Bissau tem lugar numa altura em que a União Europeia já tem em curso sanções – proibição de viajar e congelamento de bens em território comunitário - contra aqueles que considera responsáveis pela situação de instabilidade no país, designadamente 21 membros do comando militar autor do golpe de Estado de 12 de abril.

A Guiné-Bissau não tem presença garantida na cimeira da CPLP em Maputo

Logo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

No dia 20 de Julho vai realizar-se em Maputo a cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Neste momento, o país organizador, Moçambique, debate-se com um problema espinhoso acerca da Guiné-Bissau. Até agora, a CPLP não reconheceu os novos dirigentes do estado guineense, o que condiciona a participação deste país da África ocidental.

O debate está lançado a pouco mais de um mês da cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Será que a CPLP vai acolher os novos dirigentes da Guiné-Bissau para esta reunião ?

Em entrevista, Oldemiro Baloi, Ministro dos negócios estrangeiros e cooperação, admite que a situação é complexa.

"A CPLP não reconhece as autoridades que emergiram do golpe mas também o governo deposto está fora do país, e é preciso analisar tudo isto", explicou.

Para ouvir as declarações recolhidas por Orfeu Lisboa.

Um dos assuntos principais da cimeira, será o pedido de adesão da Guiné-Equatorial à CPLP.

De notar igualmente que Moçambique decidiu adoptar o acordo ortográfico.

Sexta-feira, 8 de Junho de 2012

Presidente cabo-verdiano discute em Lisboa "evolução plástica" na Guiné-Bissau

As evoluções "rápidas e muito plásticas" da situação político-militar na Guiné-Bissau vai centrar o debate político internacional entre o Presidente de Cabo Verde e as autoridades portuguesas durante a visita de Estado de Jorge Carlos Fonseca a Portugal.

Em entrevista à agência Lusa, o chefe de Estado cabo-verdiano, que inicia hoje uma visita privada e de Estado a Portugal, prolongando-se até quarta-feira, disse que esse será um tema a analisar nos encontros com as entidades oficiais portuguesas.

Ambos os países condenam o golpe de Estado de 12 de abril na Guiné-Bissau e exigem o regresso à normalidade constitucional no país.

França e Rússia pronunciam-se sobre crise no país

Bissau - O embaixador da França em Bissau considerou ontem(quinta-feira) que a Guiné-Bissau vive "uma situação difícil" e o da Rússia pediu que sejam realizadas eleições legislativas e presidenciais para que o país possa retomar à ordem constitucional.  

Michel Flesh (embaixador da França) e Mikail Valinsky (embaixador da Rússia) falavam aos jornalistas à saída de audiências separadas que mantiveram  com o Presidente guineense de transição, Serifo Nhamadjo, nomeado após o golpe de Estado de 12 de Abril, que depôs as autoridades do país.  

Lembrando que a posição da França em relação ao golpe de Estado ocorrido na Guiné-Bissau é a mesma da defendida pela comunidade internacional, de condenação, Michel Flesch disse ter debatido com Serifo Nhamadjo a "situação difícil" em que se encontra o país.  

Reconhecendo que a Guiné-Bissau não está só, o embaixador francês voltou a enumerar os "desafios" que, na opinião do seu país, devem ser atacados para que a Guiné-Bissau volte à normalidade.  

"Para começar para que o país se transforme é preciso que reencontre rapidamente a sua capacidade de se exprimir através de eleições livres, sérias e transparentes e é preciso que todo mundo trabalhe nesse sentido, para que dentro do prazo mais curto possível mas também eficaz haja eleições", defendeu Michel Flesch. 

"Vamos repetir aquilo que sempre dizemos ao longo destes anos. Para que a Guiné-Bissau resolva os seus problemas tem de fazer as seguintes coisas: lutar contra a impunidade, reforma do sector de defesa e segurança e lutar contra a droga", observou o diplomata francês.  

"Quando o país começar a resolver estes problemas, naturalmente alcançará a estabilidade, a calma e enfim dará início à fase de valorização dos recursos, que são suficientes para assegurar um desenvolvimento e prosperidade ao povo deste país, que merece", enfatizou Flesch.  

E acrescentou: "A França está sempre disposta a ser positiva. Foi isso que acabei de dizer ao Presidente".  

O embaixador da Rússia na Guiné-Bissau, Mikail Valinsky, disse que a audiência com Serifo Nhamadjo serviu para ouvir do Presidente de transição "as tarefas" a serem levadas a cabo pelas autoridades transitórias para um "rápido retorno à ordem constitucional".  

Organizar eleições legislativas e presidenciais dentro de doze meses e proceder à reforma do setor de defesa e segurança foram as tarefas que Nhamadjo apresentou ao diplomata russo como sendo as prioridades da sua presidência.  

"O Presidente de transição disse-me que vai fazer tudo o que estiver nas suas forças para estabelecer a estabilidade política e a paz", disse Mikail Valinsky.

"Eu como embaixador da Rússia quero desejar a paz e prosperidade ao povo da Guiné-Bissau que tanto merece", sublinhou o diplomata russo.