Terça-feira, 24 de Abril de 2012

Declaração do Conselho de Segurança é "guia de ação" para comunidade internacional -- Durão Barroso

O presidente da Comissão Europeia afirmou hoje em Bruxelas que a declaração do Conselho de Segurança da ONU sobre a Guiné-Bissau deve servir de "guia de ação" para a comunidade internacional, no sentido da restauração da ordem constitucional.

"A declaração presidencial aprovada pelo Conselho de Segurança no passado sábado deve servir de guia de ação para toda a comunidade internacional. A União Europeia estará sempre ao lado daqueles que procuram promover a paz, a democracia e a segurança na região", declarou Durão Barroso, depois de receber em Bruxelas o primeiro-ministro de Cabo Verde, José Maria Neves.

O presidente do executivo comunitário apontou que o recente golpe militar na Guiné-Bissau foi um dos pontos abordados no encontro, havendo sintonia de posições quanto à condenação, de "forma veemente", do golpe militar de 12 de abril.

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Momentos de tensão na sede do PAIGC

Na primeira volta das eleições presidenciais de Março passado o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) apoiou o presidente da estrutura, Carlos Gomes Júnior, mas Serifo Nhamadjo, também do partido, candidatou-se à revelia.

Esta terça-feira, apoiantes de Serifo Nhamadjo dirigiram-se à sede do partido, mas foram impedidos de entrar por outros militantes. A situação gerou alguns momentos de tensão, mas acabou por se resolver com a retirada dos primeiros.

Augusto Olivais, secretário nacional do PAIGC, acusou os apoiantes de Serifo Nhamadjo (actual primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional) de não terem seguido as normas e não terem pedido a sede para dar uma conferência de imprensa.

"Isso não aconteceu, tínhamos medo de que fosse um plano para entrarem aqui e arranjar problemas. Disse aos militantes para os fazer afastar sem grande violência", disse Augusto Olivais, explicando que o grupo tinha pedido a suspensão do mandato até à publicação dos resultados eleitorais e que o que se passou esta terça-feira foi "um acto de indisciplina, de mostrar força".

Do "outro lado", Martinho Dafa Cabi disse à Lusa que não estava a violar os estatutos do partido e que o grupo apenas queria conversar.

"Íamos lá falar com a direcção do partido, porque urge a necessidade de falar com a direcção, por causa da situação do país. Não nos deixaram entrar, puseram lá jovens a empurrar e retirámos para evitar mais problemas", disse.

"Somos do PAIGC, vestimos a mesma camisola, só queríamos um encontro com os colegas para falar sobre a situação política do país e sentir que já estamos reintegrados", disse, acrescentando que os militantes que pediram a suspensão já escreveram ao partido na semana passada, a pedir para serem reintegrados.

"Continuamos a pedir uma reconciliação da família do PAIGC, nós não somos o problema, não somos golpistas e não somos violentos, eles sabem isso", disse Martinho Dafa Cabi, reafirmando que pretende "conversar" e que é importante que o partido fale "a uma só voz".

Um Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau no passado dia 12 e prendeu o Presidente da República interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior.

Militantes do PAIGC (maior partido da Guiné-Bissau) protagonizaram esta terça-feira alguns momentos de tensão junto da sede do partido em Bissau, com versões contraditórias sobre os motivos dos "empurrões".

Assembleia Nacional Angolana aprova resolução sobre situação na Guiné-Bissau

Depuitados aprovam resolução sobre a situação vigente na Guiné-Bissau

Luanda   – A Assembleia Nacional (AN) aprovou hoje, terça-feira, em Luanda, uma resolução sobre a situação vigente na Guiné-Bissau, na qual condena com veemência o golpe militar ocorrido naquele país a 12 de Abril de 2012.

O texto, aprovado com 161 votos a favor, nenhum contra e 26 abstenções de todos os deputados da oposição, exige a reposição da ordem jurídico-constitucional na Guiné-Bissau.

No documento, os deputados exigem igualmente a libertação “imediata e incondicional” de todas as autoridades que se encontram presentemente detidas na Guiné-Bissau, na sequência do golpe de Estado.

Neste sentido, os deputados recomendam o apoio a todas as iniciativas do Executivo angolano e da comunidade internacional que visam restabelecer a ordem constitucional, a paz e segurança na Guiné-Bissau.

A votação sucedeu depois da informação sobre a implementação dos acordos entre as repúblicas de Angola e da Guiné-Bissau, prestada pela secretária de Estado das Relações Exteriores para a Cooperação, Exalgina Gambôa.

A sessão está a ser orientada pelo presidente da Assembleia Nacional, António Paulo Kassoma.

Cabo Verde "perfeitamente de acordo" com sanções contra golpistas

Lisboa, (Lusa) -- O primeiro-ministro de Cabo Verde manifestou hoje em Lisboa estar "perfeitamente de acordo" com sanções económicas contra os responsáveis pelo golpe militar na Guiné Bissau, esta manhã admitidas pelos chefes da diplomacia da União Europeia.

"Estamos perfeitamente de acordo. Se as coisas não evoluírem, acho que teremos que tomar medidas duras e aproveitar este golpe como oportunidade de erradicar de vez esta situação de insubordinação das forças armadas na Guiné Bissau", afirmou José Maria Neves, que se encontra em Portugal, no início de uma viagem a quatro países europeus, que inclui encontros com dirigentes da União Europeia, na terça-ferça.

O chefe do Governo cabo-verdiano considerou ainda que a resposta adequada da comunidade internacional ao golpe de Estado do passado dia 12 de abril deve permitir "criar as condições para a refundação das forças armadas, a criação de forças armadas republicanas e apoiar a Guiné Bissau no seu processo de estabilização, de paz e de consolidação do Estado de direito democrático".

Governo eleito defende presença de força internacional

Lisboa, (Lusa) - O governo eleito da Guiné-Bissau defendeu hoje a presença no país de uma força militar internacional de estabilização e interposição.

Em conferência de imprensa na embaixada de Bissau em Lisboa, o ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, Mamadu Djaló Pires, em representação do "executivo legítimo", disse aos autores do golpe de Estado de 12 de abril que "arrepiem caminho" e reponham a ordem constitucional e a legalidade democrática no país, afirmando que "não há nenhuma força, por mais brutal que seja, que possa vencer toda a comunidade internacional".

O ministro guineense referia-se aos apoios recebidos do Conselho de Segurança da ONU - que condenou o golpe na Guiné-Bissau e admitiu a aplicação de sanções contra os golpistas -, da União Europeia, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), União Africana, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e ainda da Organização Internacional da Francofonia (OIF).

Tanzânia defende a presença de Angola na Guiné-Bissau

Tanzânia, um dos 15 membros do CPS, defende a manutenção da presença de Angola na Guiné-Bissau, e afirma que a retirada de Angola desse país “seria o caos total para o povo guineense”.

O ministro das Relações Exteriores de Angola participou, em Nova Iorque, na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Guiné-Bissau.

De acordo com o Jornal de Angola, Georges Chikoti teve encontros bilaterais de modo a encontrar soluções viáveis para a crise político-militar provocada pelo golpe de estado de 12 de Abril, desencadeado pelos militares guineenses. O ministro fez uma intervenção no Conselho de Segurança, em nome da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sob presidência de Angola.

A CPLP realizou uma reunião extraordinária a 14 de Abril, em Lisboa, tendo aprovado uma resolução que condena o golpe de estado e apela à imediata libertação do Presidente da República interino, Raimundo Pereira, e do Primeiro-Ministro e candidato mais votado na primeira volta das eleições presidenciais, Carlos Gomes Júnior.

A CPLP propõe às Nações Unidas o envio de uma força de interposição na Guiné-Bissau com o objectivo de ajudar a estabilizar este país lusófono. Angola anunciou no início deste mês o fim da missão militar de Defesa e Segurança naquele país. O Executivo angolano esteve reunido com a delegação de alto nível da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), para apreciar a situação na Guiné-Bissau.

No final da reunião, foi emitido um comunicado onde se afirma “a decisão sobre a suspensão do Protocolo para a Implementação de um Programa de Cooperação Técnico-Militar e de Segurança com a Guiné-Bissau.

Comissão Técnica da CEDEAO já está na capital

Bissau - Mediante muitas incertezas políticas, militares e diplomáticas, os guineenses continuam incrédulos com o Golpe de Estado que está a marcar a agenda diária do país a todos os níveis.

A capital voltou a reviver os movimentos normais, com bancos e agências de transferências de dinheiro reabertos mas limitados ou reduzidos em termos de horário de atendimento, com longas filas de clientes que esperam encomendas mediante a carência de produtos alimentares que se verifica, sobretudo no interior do país.


Muitos guineenses fugiram de Bissau para o interior onde se regista especulação de preços. Em Bubaque, zona insular do país, 50 quilogramas de arroz custava entre 15 e 17 mil francos Cfa, correspondente a cerca de 26 euros, e passou a custar 25 mil francos Cfa, ou seja, 38 euros.


As fronteiras, terrestres, marítimas e aéreas, já estão reabertas. Os voos de TACV e Air Senegal já estão a operar e está previsto, para esta segunda-feira, 23 de Abril, que a TAP retome os seus voos para Bissau.


A Comissão Técnica da CEDEAO já está em Bissau e é encarada pelo Comando Militar como a entidade mais próxima e compreensiva quanto aos motivos da revolta.


A missão da CEDEAO reuniu com os militares e políticos, esta segunda-feira, 23 de Abril, tentando obter uma saída pacífica e consensual da crise que está a ser marcada pela disputa de poder, com a oposição a tentar deter o lugar e o PAIGC a exigir a devolução efectiva de governação, argumentando ser o vencedor das últimas eleições legislativas.


O PAIGC continua a reclamar a libertação do seu Presidente e Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, bem como de Raimundo Pereira, Presidente da Republica interino.


Sectores militares continuam relutantes quanto a estas exigências, alegando, em particular, não haver segurança para ceder liberdade aos presos políticos, porquanto não há ainda um Governo que possa assumir as rédeas da administração do Estado.


O Comando Militar, reagindo à projectada manifestação dos partidos políticos que apoiaram Carlos Gomes Júnior na primeira volta das Presidenciais de 18 de Marco, denominado Frente Ante Golpe, emitiu um comunicado onde reitera a sua firme posição de não permitir a realização de marchas ou qualquer manifestação, ao mesmo tempo que anunciou a criação de um fórum de concertação para uma análise e confrontação de ideias que possam conduzir o país a uma imediata saída da crise.


Estado-Maior General das Forcas Armadas disse ainda que o fórum está aberto aos partidos políticos, à Sociedade Civil, às igrejas católica, evangélica, muçulmana e a pessoas singulares.


O actual Presidente Interino da Assembleia Nacional Popular, Manuel Serifo Nhamadjo, um dos cinco candidatos que contesta os resultados da primeira volta das eleições iniciou, este fim-de-semana, consultas inter-partidárias para encontrar uma solução para o presente cenário.


Manuel Serifo Nhamadjo reuniu com os partidos políticos parlamentares e extraparlamentares, cujas opiniões maioritárias convergiram numa solução baseada na Constituição da República guineense, pondo de lado a ruptura constitucional, inicialmente assumida pelas formações políticas signatárias do acordo para a Estabilização e Manutenção da Ordem Constitucional e Democrática.

Manuel Serifo Nhamadjo pretende que a solução política derivada deste golpe de Estado passe pela Assembleia Nacional Popular, centrando sobre si todas as negociações e decisões sobre a crise.

Frente Nacional Anti-Golpe desafia Comando Militar

Bissau – A Frente Nacional Anti-Golpe, um conjunto de partidos que se uniram contra o golpe de Estado de 12 de Abril, sugeriu ao Comando Militar que revele quem é o líder da revolta.

A Frente Nacional Anti-Golpe pretende clarificar os rumores acerca do líder que está por detrás da revolta de 12 de Abril.


A Frente nacional desafiou o Comando Militar a «mostrar o rosto do seu líder» e condenou a censura que a comunicação social está a sofrer na Guiné-Bissau, bem como algumas entidades religiosas, que poderão estar a ser manipuladas.

Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

O secretário de Estado dos Combatentes da Liberdade da Pátria da Guiné-Bissau, brigadeiro-general Fodé Cassamá, foi detido no último fim-de-semana

O secretário de Estado dos Combatentes da Liberdade da Pátria da Guiné-Bissau, brigadeiro-general Fodé Cassamá, foi detido no último fim-de-semana, confirmaram esta segunda-feira fontes militares. A detenção já tinha sido anunciada pelo PAIGC, maior partido da Guiné-Bissau, em comunicado.

Segundo as fontes militares, o governante foi detido quando tentava atravessar a fronteira da Guiné-Bissau, em direção ao Senegal. As mesmas fontes disseram que a detenção de Fodé Cassamá "deveu-se a razões puramente militares".

Desde o golpe de Estado do passado dia 12, vários dirigentes do país, sobretudo membros do Governo, mantêm-se escondidos em parte incerta e outros até já saíram do país, refugiando-se no Senegal ou em Portugal.

No comunicado do PAIGC afirma-se que, contrariamente à promessa que os militares fizeram à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), as perseguições a dirigentes do país lusófono ainda não cessaram.

Também em comunicado, a Liga Guineense dos Direitos Humanos denuncia alegados actos de "espancamento de cidadãos inocentes", apontando os casos do jornalista António Aly Silva, da cantora Dulce Neves, do director-geral da Administração dos Portos da Guiné-Bissau, Mário Mussante, e de Octávio Morais, este último um conhecido activista do PAIGC, residente na cidade de São Domingos, mas conduzido para parte incerta pelos militares.

Os traidores que mandam na Guiné

Celso
Filipe

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Bancos reabriram na Guiné Bissau

Os bancos que operam em Bissau reabriram, esta segunda-feira, depois de uma semana encerrados na sequência do golpe de Estado de dia 12.

Na manhã desta segunda-feira, registou-se grande afluência aos bancos, como no balcão central do BAO - Banco da África Ocidental, com as instalações cheias e cerca de duas dezenas de pessoas a aguardar a vez, mas do lado de fora do edifício.

Adalberto Bamba, informático do banco, disse que o banco está a funcionar normalmente e que todas as operações estão a ser autorizadas.

Também no centro de Bissau o Banco da União regista grande afluência. Samora Vieira da Silva, administrador do banco, disse à Lusa que também todas as operações estão a ser efetuadas, como levantamentos ou depósitos ou pedidos de empréstimo.

De acordo com o responsável, a única diferença é que o período de funcionamento será encurtado até que o país volte à normalidade, estando aberto apenas até às 12 horas e não até às 16.

A cidade de Bissau, onde no passado dia 12 os militares tomaram o poder, continua calma e a presença militar nas ruas é quase nula.

Adiada reunião africana sobre situação na Guiné-Bissau

Conakry - O mediador da crise na Guiné-Bissau, Alpha Condé, presidente da Guiné, decidiu no último fim de semana, adiar uma reunião prevista para hoje (segunda-feira), com chefes de Estado da África Ocidental, sobre a actual situação em Bissau.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné, Edouard Nyankoi Lamah, informou que o tema do golpe de Estado militar nesse país será analizada a 26 de Abril próximo, num fórum da Comunidade dos Estados da África Ocidental (Cedeao), com sede em Abidjan, na Côte D'ivoire.

Durante o referido fórum, será também analizada a actual situação no Mali, onde soldados perpretaram a 22 de Março de 2012, um golpe de Estado que depôs o presidente Constitucional, Amadou Toumani Touré.

Ultima Hora - Conclusões do Conselho da União Europeia sobre a Guiné-Bissau 23 de Abril de 2012

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                       CONSELHO DA UNIÃO EUROPEIA

Conclusões do Conselho sobre a Guiné-Bissau

3159º Reunião do Conselho dos Negócios Estrangeiros

Luxemburgo, 23 de Abril de 2012

O Conselho aprovou as seguintes conclusões:

"1 – A União Europeia condena firmemente o golpe de Estado na Guiné-Bissau e exige o restabelecimento imediato do governo legítimo, a conclusão do processo eleitoral democrático interrompido e a imediata restauração da ordem constitucional.

2 – Instituições de transição auto-nomeadas não serão reconhecidas, nem tem tão pouco qualquer género de acordo que permita às forças armadas continuarem a ameaçar ou a controlar os poderes civis. A União Europeia rejeita o estabelecimento do autoproclamado "Conselho Nacional de Transição".

3 – A liberdade e a segurança de todos os cidadãos devem ser asseguradas e os perpetradores de violações dos direitos humanos devem ser responsabilizados. A União Europeia apela à libertação imediata e incondicional das pessoas mantidas em detenção ilegal e ao fim da violência e intimidação contra líderes políticos e representantes da sociedade civil.

4 – A União Europeia toma nota da decisão da União Africana de suspender a Guiné-Bissau e apoia firmemente os esforços das Nações Unidas, da CEDEAO e da CPLP no sentido de restaurar a democracia, a estabilidade e o respeito pelos direitos humanos no país.

5 – A União Europeia está pronta a impor medidas restritivas contra os indivíduos que continuem a levar a cabo ou a dar apoio a actos que ameacem a paz, asegurança e a estabilidade da Guiné-Bissau".

Domingo, 22 de Abril de 2012

Ultma Hora = PAIGC, em comunicado, retirou a confiança política ao presidente em exercício da ANP, Serifo Nhamadjo

Em atualizãção

Dias tranquilos em Bula, do lado certo do rio

Bula, Guiné-Bissau, 22 abr (Lusa) - Bula, uma cidade a menos de uma centena de quilómetros da capital da Guiné-Bissau, vive dias tranquilos longe da instabilidade de Bissau, embora com mais gente, fugida do golpe de Estado de dia 12.

Depois da tomada do poder por um Comando Militar, que prendeu o Presidente interino e o primeiro-ministro do país, muitas pessoas fugiram da capital. Bafatá ou Bambadinca, Canchungo ou Cacheu, terão sido destinos, bem como Bula, mas a cidade não se ressentiu.

Em Bula, quando da guerra de 1998, centenas de pessoas estiveram refugiadas, mas hoje, com mais um golpe de Estado, não há "nenhum fluxo de população que saiu de Bissau, no sentido de se deslocarem da cidade por medo de uma guerra". "Não temos um problema de refugiados", diz à Lusa o padre de Bula Giovani Martelli.

Organizações da sociedade civil pedem ao PAIGC para participar nas conversações que negoceiam saída crise

Bissau, 22 abr (Lusa) -- Elementos que representam mais de cem organizações da sociedade civil, que hoje se reuniram no Parlamento da Guiné-Bissau, apelaram ao PAIGC, maior partido do país, para participar nas conversações com militares de modo a ultrapassar a crise política.

Os apelos foram feitos à saída de uma série de reuniões que estão a decorrer no Parlamento guineense para tentar encontrar uma saída para a crise criada com o golpe de Estado. Em nome do Movimento da Sociedade Civil (plataforma que junta mais de 100 organizações), Filomeno Cabral disse aos jornalistas que "sem o PAIGC será impossível encontrar-se uma saída à crise" existente.

"Condenamos o golpe, apelamos o regresso à normalidade democrática e constitucional através do Parlamento e da devolução do poder ao PAIGC", disse Filomeno Cabral, salientando que esta é o posicionamento das organizações da sociedade civil.

Carlos Gomes Júnior e Raimundo Pereira reuniram-se com (CEDEAO)

O primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o presidente interino Raimundo Pereira reuniram-se ontem em Bissau com a delegação de Comissão Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO), por exigência deste organismo

em atualização

Ameaça de sanções contra Guiné «marca posição clara», diz Portas a T S F

Para o chefe da diplomacia portuguesa, a ameaça de sanções da ONU destina-se a punir os que «insistirem num comportamento violento de rutura da ordem constitucional e da legalidade».

http://www.tsf.pt/paginainicial/AudioeVideo.aspx?content_id=2434716

O ministro dos Negócios Estrangeiros entende que a ameaça de «sanções individualizadas» da ONU à Guiné-Bissau «marca uma posição muito clara da comunidade internacional» contra quem insiste na violência no país.

À margem do Conselho Nacional do CDS-PP, Paulo Portas recusou a existência de autoridades transitórias na Guiné-Bissau e a possibilidade de haver dirigente democraticamente eleitos como se verifica nesta ex-colónia portuguesa.

Reagindo à declaração emitida este sábado pela ONU após a reunião do Conselho de Segurança, Portas explicou que com a disponibilidade para aplicar da sanções individualizadas, as Nações Unidas pretendem «poupar o povo guineense que não tem nenhuma responsabilidade naquilo que aconteceu».

Segundo Paulo Portas, a ideia é «fazer sanções relativamente às pessoas em concreto que estão a insistir num comportamento violento de rutura da ordem constitucional e da legalidade», uma situação que «pesa».

«Aqueles que insistirem na violação da constituição, na prisão do primeiro-ministro e do presidente e no rasgar dos boletins de voto obviamente terão de responder pelos seus atos e poderão ser alvo de sanções e conduzem a Guiné-Bissau ao isolamento», adiantou.

Por outro lado, «os que arrepiarem caminho a tempo e perceberem que não é aceitável para ninguém na comunidade internacional este comportamento obviamente terão um tratamento completamente diferente».

Reagindo às críticas contra si dirigidas pelo líder dos revoltosos guineenses, Paulo Portas lembrou que «nenhum ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal entraria em polémica com autoridades que não são reconhecidas».

Portugal = Ministro da Defesa no Parlamento sexta-feira, para audição com deputados, será discutida a situação na Guiné-Bissau

Lisboa, 22 abr (Lusa)- O ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, vai ao Parlamento na próxima sexta-feira para discutir com os deputados a situação na Guiné-Bissau, numa reunião que será à porta fechada, disse à agência Lusa fonte parlamentar.

A audição de Aguiar-Branco com os deputados da comissão parlamentar de Defesa está marcada para as 9:00, antes do debate quinzenal com o primeiro-ministro.

No domingo passado, Portugal enviou para a zona da Guiné-Bissau três meios navais (a corveta Baptista de Andrade, a fragata Vasco da Gama e o navio abastecedor Bérrio) e duas aeronaves (um P3 Oríon e um Hércules C130) para a Ilha do Sal, em Cabo Verde, no âmbito da sua Força de Reação Imediata (FRI).

Sábado, 21 de Abril de 2012

Partidos ouvidos pelo presidente interino defendem "retorno à normalidade"

Bissau, 21 abr (Lusa) - Todos os partidos hoje ouvidos pelo presidente interino da Assembleia Nacional da Guiné-Bissau condenaram o golpe de Estado e defenderam o "retorno à normalidade" constitucional, disse Serifo Nhamadjo.

Serifo Nhamadjo, presidente interino do parlamento guineense, convocou os partidos com assento parlamentar para uma reunião, seguida de outra com os partidos sem assento, dizendo no final que houve unanimidade na condenação do golpe militar de dia 12.

O PAIGC, maior partido e no poder até ao golpe de Estado, não compareceu. Ainda assim, Serifo Nhamadjo afirmou aos jornalistas que o encontro foi positivo e defendeu que é necessário "conversar com todos os atores políticos" para se chegar a uma solução para a crise. "O que estamos a fazer é entender e apontar caminhos para soluções", disse.

MNE guineense apela à "indignação" no país

Lisboa, 21 abr (Lusa) -- O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau apelou hoje em Lisboa à "indignação" contra os golpistas e condenou aqueles que há 14 anos usam as armas contra o próprio povo.

"O apelo que eu faço aos nossos irmão da Guiné é para não ficarem passivos. Têm que se mexer, têm que continuar a mostrar a sua indignação em relação ao golpe de Estado porque é inaceitável o que está a acontecer na Guiné-Bissau neste momento em que muitos dos nossos cidadãos não podem exprimir a sua própria vontade de manifestar a sua indignação em relação ao golpe de Estado", disse Djaló Pires.

O chefe da diplomacia guineense falava durante um encontro na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Lisboa, com membros da comunidade guineense residentes em Portugal e que se manifestaram hoje contra o golpe de Estado no país.

Manifestantes saíram hoje às ruas em Portugal e Angola (Lisboa, Coimbra e Luanda), para apelar a um entendimento dos militares e políticos da Guiné-Bissau,

Guineenses manifestaram-se neste sábado em LisboaGuineenses manifestaram-se neste sábado em Lisboa 

Centenas de manifestantes concentraram-se  hoje à tarde  em frente à sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no Largo do Correio Mor, em Lisboa, onde entregaram uma petição pela paz na Guiné-Bissau.

Liderados por um jovem universitário vestido com capa e batina, os manifestantes, entre eles guineenses, gritam em português "abaixo os golpistas" e "militares para os quartéis, viva a liberdade e a democracia".

As ruas da Baixa de Lisboa estiveram cortadas devido à manifestação, que começou na Praça do Rossio.

Em Portugal e Angola (Lisboa, Coimbra e Luanda), manifestantes saíram hoje às ruas para apelar a um entendimento dos militares e políticos da Guiné-Bissau, para a paz e o progresso do país.


Manifestação em Lisboa pela reposição imediata do regime democrático...

Depois do golpe de Estado na Guiné Bissau, o Conselho de Segurança das Nações Unidas ameaça adotar sanções e enviar uma força para o país. Além da resposta internacional, em Lisboa realizou-se  uma manifestação da comunidade guineense, que exigiu a reposição imediata do regime democrático na Guiné Bissau.

ONU admite adotar sanções contra a Guiné-Bissau e apoiar envio de força

ONU admite adotar sanções contra a Guiné-Bissau e apoiar envio de força

"O Conselho mantém-se firme e preparado para considerar possíveis medidas incluindo sanções contra os responsáveis e apoiantes do golpe militar, caso a situação se mantenha", refere a declaração do Conselho de Segurança sobre a situação na Guiné-Bissau, documento que refere igualmente o apoio a eventuais medidas para a "estabilização" do país.

"O Conselho de Segurança está a par das decisões no sentido das consultas entre a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), União Africana, Nações Unidas, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e outros parceiros para a tomada de medidas adicionais para a estabilização do país, de acordo com os pedidos que foram formulados pelas autoridades legítimas da Guiné-Bissau".

O conteúdo desta declaração que vem ao encontro do que tem vindo a ser pedido por várias organizações internacionais e Estados que condenaram o golpe, entre as quais a CPLP e o Governo português, refere os compromissos que exigem a reposição da ordem no país.

"O Conselho de Segurança saúda e apoia o compromisso ativo e as medidas que tÊm sido tomadas pela União Africana, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e pela CPLP para a reposição imediata da ordem constitucional na Guiné-Bissau e saúda ainda os esforços da 'Peacebuilding Commission Country Specific Configuration' e da missão bilateral angolana no sentido de se conseguir a paz e a estabilidade no país", indica.

"Compromissos que têm sido manifestados pela União Africana, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e pela CPLP que exigem a reposição da ordem constitucional na Guiné-Bissau e apoia os esforços da 'Peacebuilding Commission Country Specific Configuration' e da missão angolana no sentido "de se conseguir a paz e a estabilidade no país", indica.

O mesmo documento pede também ao secretário-geral das Nações Unidas para manter o Conselho de Segurança informado sobre os "desenvolvimentos" no país, que devem constar de um relatório sobre a reposição da ordem constitucional na Guiné Bissau, a apresentar no dia 30 de abril.

"O Conselho de Segurança sublinha que as interferências ilegais dos militares na política contribuem para a persistência da instabilidade e numa cultura de impunidade e pede esforços no sentido da consolidação do Estado de Direito, implementação de reformas no setor da segurança, promoção do desenvolvimento e de uma cultura democrática" enfatizando a necessidade do "respeito pela soberania, unidade territorial e integridade" da Guiné Bissau.

A declaração da presidência do Conselho de Segurança reunido esta semana de urgência em Nova Iorque condena "veementemente" a forma como militares e políticos tomaram o poder pondo em risco o processo eleitoral legítimo no país.

No documento, com o título 'Situação na Guiné Bissau', o Conselho de Segurança rejeita a "inconstitucionalidade" do Conselho de Transição Nacional imposto pelas chefias militares e apoiantes e exige a "restauração imediata da ordem constitucional e do governo legítimo no sentido de se permitir a concretização das eleições presidenciais", que foram interrompidas pelo golpe militar.

Neste sentido, o Conselho de Segurança aplaude a decisão "que levou à suspensão" da Guiné-Bissau como país membro da União Africana até que seja reposta a ordem constitucional e "exige a libertação imediata e incondicional" do presidente interino Raimundo Pereira, do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e de todas as autoridades que se encontram presentemente detidas.

Por outro lado, o Conselho sublinha a necessidade de se garantir a segurança dos detidos e afirma que aqueles que são responsáveis por atos violentos e ilegais devem ser identificados.

"O Conselho de Segurança está profundamente preocupado com os relatos sobre repressão violenta de manifestações pacíficas, pilhagens, restrições à liberdade de movimentos e detenções arbitrárias de civis e exige que os mesmos sejam libertados", refere a declaração do Conselho de Segurança.

"O Conselho pede às chefias militares para fornecerem informações sobre o número de detenções e as identidades e a localização dos detidos e apela aos militares para salvaguardar os direitos humanos, incluindo os direitos sobre a liberdade de movimentos, liberdade de reunião e liberdade de expressão", indica também a declaração.

Esta declaração que reforça a pressão sobre os golpistas acontece após a pré-declaração ('pre-statement') feita na semana passada e deve ter como passo seguinte uma declaração do próprio secretário-geral da ONU, podendo depois vir a ser adotada uma resolução.

No dia 12 de abril, o auto-intitulado Comando Militar tomou o poder na Guiné-Bissau e prendeu o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, também candidato à segunda volta das presidenciais, e o Presidente interino, Raimundo Pereira.

Condições de segurança permitem o regresso da TAP a Bissau

Mundo

No dia em que TAP anunciou que os voos para a Guiné-Bissau irão ser retomados na próxima segunda-feira, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea guineense veio dizer que o espaço aéreo do país está aberto desde a passada quinta-feira e que as companhias que não efetuam voos para Bissau só o fazem porque não querem. Para a TAP o retomar das ligações acontece depois de feita uma avaliação de segurança positiva dos voos para aquele país.

Portugal e a Guiné-Bissau por JOÃO MARCELINO Dir.D N


JOÃO MARCELINO
CANAL LIVRE

Portugal e a Guiné-Bissau

por JOÃO MARCELINO

É uma situação dramática a que se vive na Guiné, diz empresário português

Na Última Hora, o empreário português Alpoim Calvão, residente há oito anos na Guiné-Bissau, disse que tem recebido relatos de que não há água, a comida começa a faltar e os hospitais temem o pior caso a situação não se inverta rapidamente.

O empresário português, que é também um ex-militar comandante das Forças Especiais Portuguesas na Guiné durante a Guerra Colonial, considera que Carlos Gomes Júnior estava a ser incómodo para as forças militares da Guiné Bissau, e era claro que ia vencer as eleições presidenciais, por isso o golpe de Estado.

Nesse dia, 12 de abril de 2012, Alpoim Calvão não estava no país mas em Portugal. Contudo, espera regressar à Guiné-Bissau, até porque precisa de perceber como está a empresa de processamento de caju que tem na ilha de Bolama e que já se depara com alguns problemas neste momento.

Ainda é prematuro pensar na composição de forças de paz para Guiné-Bissau, diz Patriota Ministro das Relações Exteriores do Brasil

Antonio Patriota

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse, nesta sexta-feira (20), que "ainda seria um pouco prematuro" considerar a participação nas forças de paz na região. Mas ele não descartou a hipótese


BRASÍLIA - Os efeitos do golpe de Estado na Guiné-Bissau (África) e a busca por uma solução negociada dominarão os debates das reuniões da União Africana na próxima segunda-feira (23), na Etiópia. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse, nesta sexta-feira (20), que “ainda seria um pouco prematuro”  considerar a participação nas forças de paz na região. Mas ele não descartou a hipótese.

O chanceler disse que não foi fechada uma definição sobre o envio de forças de paz para Guiné-Bissau. Segundo ele, o assunto preocupa a comunidade internacional como um todo, tanto que o Brasil mantém diálogos permanentes com a União Africana e também com a Organização das Nações Unidas.

“Continuamos acompanhando com preocupação [os acontecimentos na Guiné-Bissau] ”, disse Patriota, depois de reunião com o ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia, Vuk Jeremic, no Itamaraty. “Ainda seria um pouco prematuro determinar a composição de uma forças de paz.”

No dia 12, um grupo de militares prendeu o presidente da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai.  O comando do grupo anunciou que as ações foram motivadas pela insatisfação com a presença de militares angolanos em missão no país, ajudando na reforma da área de defesa.

O golpe ocorreu há oito dias. O clima de tensão e apreensão persiste no país. Paralelamente, a comunidade internacional ameaça adotar restrições ao país, como o congelamento de ativos, a proibição de viagens e a responsabilização criminal. O Brasil e os países que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) defendem que seja cobrado dos militares golpistas o restabelecimento da democracia.

CEDEAO REJEITA GOVERNO DE TRANSIÇÃO NA GUINÉ-BISSAU

Lagos,  (AIM) – A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) reiterou quinta-feira a sua oposição ao golpe militar na Guiné-Bissau e disse não reconhecer o governo de transição formado pela junta.


Num comunicado distribuído quinta-feira em Lagos, Nigéria, este bloco regional exprimiu “surpresa” com a formação, pela junta militar e 24 partidos políticos da oposição, do chamado Conselho Nacional de Transição na Guiné-Bissau para governar o país por um período de dois anos.


“A Comissão condena veementemente esta iniciativa ilegal, principalmente depois que a junta anunciou a sua decisão, por escrito, na sequência de um encontro com uma delegação de alto nível da CEDEAO em Bissau, no dia 16 de Abril, que tinha a missão de persuadir a junta a se afastar do poder e abrir caminho para um retorno à constitucionalidade, com facilitação daquela organização regional,” diz o comunicado.


No seu documento, a CEDEAO reitera o seu compromisso de imediatamente restaurar a ordem constitucional na Guiné-Bissau, cuja modalidade constitui o foco das consultas em curso com as partes interessadas da Guiné-Bissau, e que vai também ser discutida na cimeira de emergência da CEDEAO a ter lugar próxima semana.

Comando Militar da Guiné-Bissau diz que Paulo Portas "se deixou levar a reboque de Angola"

O porta-voz do Comando Militar, Daba Na Walna, teceu críticas ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal acusando Paulo Portas de agir a reboque de Angola.

COMUNICADO DO MOVIMENTO BAFATÁ

Comunicado RGB

Cabo Verde disponível para enviar tropas para a Guiné-Bissau

Cabo Verde está disponível para participar, "a qualquer nível", numa missão de paz na Guiné-Bissau sob os auspícios das Nações Unidas, afirmou hoje o ministro da Defesa cabo-verdiano.

Falando aos jornalistas após um encontro de trabalho com o Presidente cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, igualmente comandante supremo das Forças Armadas, Jorge Tolentino salientou, porém, que primeiro terá de se conhecer o "perfil" da eventual força para, depois, se analisar a forma como Cabo Verde poderá participar.

"Quanto à possibilidade de participação de Cabo Verde, essa possibilidade não está claramente colocada sobre a mesa. O que neste momento nos preocupa é a constituição da força sob a responsabilidade das Nações Unidas. Uma vez constituída, definidos os contornos, aí sim, veremos se e como as Forças Armadas de Cabo Verde poderão participar", afirmou.

"Há disponibilidade, mas, repito, os contornos dependerão, antes de mais, da definição de qual deve ser o perfil da força que deverá estar na Guiné-Bissau, sob os auspícios das Nações Unidas", acrescentou, aludindo à possibilidade de ser autorizada uma presença dessa natureza na Guiné-Bissau, onde um comando militar tomou o poder a 12 de abril.

Realçando que as Forças Armadas de Cabo Verde estão preparadas para "atuar a qualquer nível", "militar ou humanitários", o ministro da Defesa cabo-verdiano adiantou que todo o trabalho desenvolvido nos últimos tempos tem passado por garantir tropas "suficientemente capacitadas em termos de recursos humanos e materiais".

Sobre a alegada presença de uma corveta e fragata portuguesas em águas territoriais cabo-verdianas, Jorge Tolentino garantiu não estar prevista a chegada de nenhum navio da Armada de Portugal, sublinhando que a informação de que dispõe é que ambas estarão já fundeadas ao largo da costa guineense para qualquer eventualidade.

"Que eu saiba não está prevista a chegada de nenhum navio da armada portuguesa às águas territoriais de Cabo Verde. Dispomos da informação de que ficarão ao largo da costa da Guiné-Bissau. A autorização concedida em relação à utilização do espaço de Cabo Verde foi, apenas, em relação a meios aéreos", referiu.

Jorge Tolentino aludia ao avião militar "P3-Orion" que está desde domingo passado estacionado no aeroporto internacional Amílcar Cabral, na ilha cabo-verdiana do Sal, não havendo, acrescentou, qualquer prazo definido para o aparelho sair do país.

"Depende da evolução dos acontecimentos e da necessidade que Portugal tiver de manter ou de prolongar essa presença no nosso território", esclareceu, adiantando ainda que a missão das duas embarcações, além de prever a retirada de cidadãos portugueses, em caso de conflito, retirará também cabo-verdianos.

"Naturalmente que temos de cuidar também dos interesses que dizem respeito aos nossos cidadãos. Ninguém está à espera do pior cenário mas, a acontecer, temos de ter os cenários devidamente acautelados", concluiu.

O autointitulado Comando Militar nomeou na quinta-feira o ex-presidente da Assembleia Nacional Serifo Nhamadjo, para a chefia do Estado interina até à realização de eleições, mas a comunidade internacional não reconhece as autoridades nomeadas pelos militares.

Também na quinta-feira, o conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu a situação na Guiné-Bissau e os chefes da diplomacia de Portugal, Angola (pela CPLP), o próprio ministro dos Negócios Estrangeiros guineense, Mamadu Djaló Pires, e o embaixador da Costa do Marfim (pela CEDEAO) pediram o envio de uma força de interposição para devolver o poder aos civis.

Militares guineenses advertem Angola e Portugal

Porta-voz do Comando Militar diz que uma força estrangeira de interposição na Guiné-Bissau será considerada invasora porque o país "não se encontra em nenhuma guerra".
Os militares nas ruas de Bissau

O porta-voz do Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau no passado dia 12 disse hoje que qualquer força estrangeira enviada para o país seria considerada pelos militares uma força invasora "porque o país não está em guerra".

Segundo o tenente-coronel Daba Na Walna, não se justifica o envio de uma força estrangeira "seja de interposição como de manutenção da paz" para a Guiné-Bissau porque "o país não se encontra em nenhuma guerra".

O porta-voz do Comando Militar guineense falava numa conferência de imprensa para "responder às declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau e do senhor Georges Chicoti (chefe da diplomacia angolana)", na quinta-feira, na sede das Nações Unidas.

"Guiné-Bissau está a procura de uma solução endógena"

"O envio de uma força para aqui, para nós será uma força de invasão. A Guiné-Bissau está a procura de uma solução endógena para os seus problemas", disse Nah Walna, criticando o posicionamento de Angola, de Portugal e do chefe da diplomacia da Guiné-Bissau, Mamadu Djaló Pires.

Para o porta-voz do Comando Militar, estas três entidades pretendem levar a comunidade internacional a assumir uma posição errada perante os problemas da Guiné-Bissau.

"Esperamos que o bom senso governe o mundo e que as Nações Unidas, ou o Conselho de Segurança não dê provimento a este pedido, porque na verdade uma força de manutenção de paz implicava necessariamente que o país estivesse em conflito, ou que houvesse uma guerra e tornasse necessária a intervenção da comunidade internacional no sentido da manutenção da paz", defendeu Daba Nah Walna.

"Nós temos aqui um gabinete da Uniogbis (gabinete integrado das Nações Unidas para a Consolidação da paz na Guiné-Bissau) que está para isso em representação das Nações Unidas no sentido da procura da paz para a Guiné-Bissau", afirmou o porta-voz do Comando Militar.

Daba Nah Walna voltou a acusar Angola de ter outros interesses na Guiné-Bissau "que não têm nada que ver com a ajuda", pelo que, assinalou, aquele país quer implantar uma força invasora no país "a coberto de uma força de manutenção da paz".

União Europeia vai estudar aplicação de sanções contra responsáveis pela instabilidade

Bruxelas,  (Lusa) -- A União Europeia deverá afirmar-se "pronta" a aplicar sanções contra os responsáveis pela instabilidade na Guiné-Bissau, de acordo com o projeto de conclusões da reunião de chefes de diplomacia europeus de segunda-feira, a que a Lusa teve hoje acesso.

Fonte diplomática disse à agência Lusa que na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, no Luxemburgo, não será ainda decidida a aplicação de sanções, mas revelou que o processo que poderá levar às mesmas terá efetivamente início na próxima semana, com uma análise de quem poderá figurar da eventual lista de indivíduos sujeitos a medidas restritivas por parte da UE.

Depois de já ter estado sobre a mesa no início de 2011, a hipótese de sanções europeias contra individualidades guineenses - na altura adiadas por iniciativa do então ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado - volta assim à ordem do dia, na sequência do golpe de Estado de 12 de abril passado, que levou a que a Guiné-Bissau fosse incluída na agenda do Conselho de Negócios Estrangeiros da próxima segunda-feira.

Portugal vai apresentar no Conselho Segurança nova versão de declaração presidencial

Portugal vai fazer circular nas próximas horas entre os países-membros do Conselho de Segurança uma nova versão da declaração daquele órgão sobre a Guiné-Bissau, emendada após as negociações dos dois últimos dias, disse à Lusa fonte diplomática.

Ao contrário do previsto, adiantou a fonte da missão norte-americana junto da ONU, a declaração presidencial "definitivamente não será adotada hoje", dia seguinte ao 'briefing' e consultas que juntaram nas Nações Unidas os chefes da diplomacia de Portugal, Angola e Guiné-Bissau.

"Estamos à espera que Portugal circule o texto revisto, importando emendas de várias delegações", disse a mesma fonte da missão dos Estados Unidos, país que preside este mês ao Conselho de Segurança.

@ Agência Lusa

Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Autoridades de transição rejeitadas na ONU

As autoridades de transição nomeadas na Guiné-Bissau foram prontamente rejeitadas, na quinta-feira, no Conselho de Segurança da ONU, onde Angola e Portugal apontaram como única saída o regresso às casernas pelos militares golpistas.

Caso contrário, disse à agência Lusa o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti, dentro de uma semana pode estar aprovada uma resolução do Conselho de Segurança, dando cobertura de um mandato da ONU a uma "força de interposição" multinacional "para a estabilização" da Guiné-Bissau.

"Não haverá autoridades transicionais, como nos estão a dizer agora. Existe um Governo, pessoas que estão presas, e essas pessoas é que vão continuar a governar a Guiné-Bissau e com essas pessoas é que vamos trabalhar", disse o ministro angolano.

Força multinacional da ONU pode seguir em breve para a Guiné-Bissau

O envio de uma força multinacional para a Guiné-Bissau, mandatada pelo Conselho de Segurança da ONU, pode ser a solução para a grave crise instalada naquela antiga colónia portuguesa hoje sob o poder de um Comando Militar. O pedido foi feito ontem à noite pelo ministro guineense dos Negócios Estrangeiros e secundado pelos homólogos de Portugal e Angola em nome da CPLP. Também a embaixadora do Brasil junto da ONU referiu que o envio da força pode ser concretizado no prazo de uma semana.

O envio de uma força multinacional para a Guiné-Bissau mandatada pelas Nações Unidas com a missão clara de "proteção das autoridades civis e afirmar a restauração do poder civil" é, na opinião de Maria Luiza Ribeiro Viotti, que preside à configuração Guiné-Bissau da Comissão da ONU para a Consolidação da Paz, uma solução possível de concretiza rapidamente avançando mesmo com o prazo de uma semana.

"Neste momento é preciso uma condenação muito clara ao golpe. Não é possível admitir e contemporizar com tentativas de tomar o poder por via militar. Há recomendações de sanções e envio de uma missão CPLP-CEDEAO e tudo isso o Conselho deverá considerar", adiantou Maria Luiza Ribeiro Viotti.

Presente na reunião esteve o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, que defendeu não só a o envio de uma força internacional de estabilização para a Guiné-Bissau com mandato da ONU como sanções para os autores políticos e militares do golpe de Estado.

Paulo Portas interveio na reunião do Conselho de Segurança sobre a Guiné-Bissau, falando em português "para ser claramente entendido em Bissau", para afirmar que a comunidade internacional "fala a uma só voz ao condenar veementemente o golpe executado por alguns militares".

"A solução para esta crise passa, incondicionalmente, pela libertação dos responsáveis políticos ilegalmente detidos, pela plena reposição da ordem constitucional e pela conclusão do processo eleitoral internacionalmente reconhecido como transparente e livre", declarou.

Para o ministro português “aqueles que persistirem na execução de ações inconstitucionais, bem como aqueles que ativamente os apoiarem, serão alvo de medidas restritivas e deverão ser responsabilizados”.

Missão de estabilização é determinante

Para Paulo Portas é determinante o estabelecimento de uma missão de estabilização mandatada pelas Nações Unidas, com contingentes militares de países da CPLP, Comunidade de Estados da África Ocidental (CEDEAO) e União Africana, e também "medidas restritivas" contra os autores do golpe e "os que os apoiem politicamente", como a "interdição de viagens e congelamento de bens".

O líder da diplomacia portuguesa deixou claro ainda que a comunidade internacional saberá “distinguir entre os que persistem na ilegalidade e os que se arrependem" e que a União Europeia, para além de suspender a cooperação com a Guiné-Bissau, está pronta a aplicar sanções àqueles que continuam a obstruir a paz, a segurança e o normal funcionamento das instituições constitucionais”.

Portas sublinhou que as eleições presidenciais, cuja primeira volta foi ganha pelo primeiro- ministro cessante, Carlos Gomes Júnior, foram validadas pela comunidade internacional e que o que está em questão na Guiné-Bissau é a escolha entre um Estado baseado na ordem constitucional ou um Estado-falhado, baseado no poder do tráfico de droga".

Primeiro ministro para breve

Entretanto os partidos políticos que estão a negociar com o Comando Militar, que tomou o poder na Guiné-Bissau pela força das armas há uma semana, prometem novidades para o dia de hoje quanto à divulgação do nome do primeiro-ministro e a posse do Presidente interino.

Manuel Serifo Nhamadjo e Ibraima Sory Djaló foram anunciados pelos partidos, a maioria sem assento parlamentar e de fora está o PAIGC, o maior partido que estava no poder, como o Presidente da República e o Presidente do Conselho Nacional de Transição.

O anúncio oficial feito na noite de ontem em Bissau por Fernando Vaz, porta-voz dos partidos, adianta que a posse ainda não está marcada e que os dois políticos aceitaram o convite.

Recorde-se que o Presidente interino Raimundo Pereira e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, depostos pelos golpistas a 12 de abril, continuam detidos e em parte incerta.

Apoiantes de Gomes Júnior anunciam «frente anti-golpe» = Dizem que objetivo é lutar contra os que querem «matar a democracia»

Nove partidos que apoiaram o ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, nas eleições presidenciais anunciaram esta quinta-feira que vão criar «uma frente comum anti-golpe de Estado» para dar luta àqueles que, dizem, querem «matar a democracia» no país, noticia a Lusa.


A posição das forças políticas, encabeçadas pelo PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde, no poder até ao golpe de Estado de 12 de abril), foi transmitida hoje aos jornalistas em conferência de imprensa por Fernando Mendonça que leu um documento assinado pelos líderes ou representantes das nove formações.


Num comunicado conjunto saído de uma reunião os partidos apoiantes do primeiro-ministro e vencedor da primeira volta das presidenciais de 18 de março, Carlos Gomes Júnior, voltaram a exigir a sua libertação e do Presidente interino do país, Raimundo Pereira, detidos na sequência do golpe do passado dia 12. Para dar resposta aos que acusam de pretender «matar a democracia» na Guiné-Bissau, as nove formações políticas dizem que se vão juntar numa «frente nacional comum anti-golpe para reposição da ordem constitucional».

Governo de transição da Guiné-Bissau será técnico e não político - Comando Militar

O Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau diz que o Governo de transição será mais técnico e menos político e aberto ao maior partido (PAIGC), para "arrumar o país" em dois anos, a começar pelas Forças Armadas.

Em entrevista à Lusa em Bissau, Daba Na Walna, porta-voz do Comando Militar das Forças Armadas, diz que vai propor os nomes dos vice-presidentes da Assembleia Nacional Popular (Serifo Nhamadjo e Sori Djaló) para cargos de condução do governo de transição, após o golpe de Estado 12 de abril, e justifica o motivo para dois anos de transição com uma questão de disciplina nas forças armadas.

Faz também um balanço do estado das Forças Armadas da Guiné-Bissau, lamenta situações de pânico e admite que tenham havido excessos dos militares, quando do golpe, nomeadamente o roubo de bens pessoais de políticos guineenses. "Ouvi falar (das pilhagens), é natural que numa situação destas e com as Forças Armadas que temos, que não têm disciplina militar - eu costumo dizer, isto aqui é um `bando armado` - é um perigo com que estamos a lidar, tem de haver regulamento da disciplina militar. É por isso que pedimos uma transição de dois anos, para que se faça o trabalho de casa", diz.

A prática de assaltos, conta, vem do período da guerra mas também porque a Guiné-Bissau é "um país à deriva", com militares que ficam na tropa toda a vida. "Temos de encontrar uma solução, para que as pessoas possam ser úteis lá fora", diz, acusando o Governo de Carlos Gomes Júnior, o primeiro-ministro detido, de nunca ter querido a reforma das forças de Defesa e Segurança.

"Temos 2400 homens prontos para a desmobilização, numas Forças Armadas com 4500 homens. Quase metade. Voluntários. O governo pediu 500, depois 400, depois mandou parar o processo, desconfiamos que era por constar nomes como o de Zamora Induta" (ex-chefe das Forças Armadas, refugiado há várias semanas na delegação da União Europeia), diz.

Daba Na Walna afirma também que convocou o PAIGC, maior partido e no poder até quinta-feira passada, mas foi ele que se autoexcluiu. "Disse que não participava em nada que diga respeito a todo este movimento que se desencadeou a partir de dia 12, estamos num país de liberdades, não podemos obrigar o PAIGC a participar", afirma.

"Este Governo a ser formado prioriza a sapiência, o mérito, à cor partidária", garante, enquanto acrescenta que quadros válidos do PAIGC podem fazer parte de uma "transição que sirva como lançamento de bases para a Guiné do futuro, com garantias e perspetivas de desenvolvimento".

"Não podemos falhar. Há o problema da impunidade que se fala tanto, por crimes que não são julgados. Damos a imagem de um país completamente falhado, um país virtual, onde tudo é possível. Mata-se, rouba-se, não se faz nada. Isso não pode continuar".

O exemplo começa nas Forças Armadas, onde não há ordenamento de disciplina militar, não há justiça militar, onde as promoções são feitas ao "Deus dará", onde os tribunais militares não funcionam, prossegue.

"Um país assim é um autêntico laboratório de confusão e não é com um governo de um partido político que isso acaba, tem de ser um governo de largo consenso nacional. Por isso é que pedimos um governo de transição de dois anos. As eleições não resolvem problemas, antes pelo contrário. Os partidos aqui são arrogantes quando ganham eleições. A vitória é um fim, não compreendem que a vitória é o início de um trabalho que o povo nos confiou", justifica.

Daba Na Walna lamenta que tivessem havido notícias sobre uma força portuguesa a caminho da Guiné e que pessoas "interessadas em intoxicar a opinião pública" tenham provocado uma "debandada". "Se reparar foram presas duas pessoas [no golpe de Estado] e mais ninguém foi perseguido", afiança.

"Não vamos matar ninguém. Sentimos muita pena das pessoas que estão a fugir", diz, acrescentando que também a questão de uma força da ONU preocupa o povo. "Os militares, a serem enviados, são pessoas como nós, separam o trigo do joio, talvez venham prender-nos a nós que estamos envolvidos no golpe", não as outras pessoas, diz.

Os militares, diz, têm confiança em Portugal e sabem que o país não vem atacar, "mas o povo não percebe isso". Mas se vier mesmo uma força é culpa de Angola, e "é pena que a CPLP tenha falhado como falhou". De resto, adianta, "Angola sempre falhou" diplomaticamente relativamente à Guiné.

Quanto ao futuro imediato, diz que na quarta-feira colocaram aos políticos a hipótese de Serifo Nhamadjo (vice-presidente da Assembleia Nacional) como Presidente interino e Sori Djaló como presidente do Conselho Nacional de Transição.

Diz Daba Na Walna que a Constituição não pode ser seguida. Porque então Serifo Nhamadjo teria de sair rapidamente e "o país não está preparado para eleições em novembro".

"Se não extinguíssemos o Parlamento o que iria acontecer era chegar a novembro e alguém entrar com um pedido no Supremo Tribunal de Justiça para o fim do mandato do Parlamento. Já aconteceu no tempo de Nino (Vieira). Por isso decidimos criar o Conselho Nacional de Transição", justifica.

PAIGC - Comunicado

PAIGC - Comunicado da Comissão Permanente do Bureau Politico

"Face a intenção deliberada de alguns sectores políticos e militares, nomeadamente o porta-voz do Comando Militar, de induzir o povo guineense e a opinião publica nacional e internacional a acreditar que o PAIGC auto excluiu-se do processo de criação das estruturas de transição politica na Guiné-Bissau;

A Direção Superior do PAIGC vem clarificar o seguinte:

1 - Desde o golpe militar que na realidade e um golpe de Estado, o PAIGC condenou veementemente este ato e deixou claro que rejeita toda e qualquer proposta ou solução extra democrática e anti constitucional, nomeadamente as que visam a constituição de um Conselho Nacional de Transição;

2 - O PAIGC chamou atenção, igualmente, para as manipulações politicas, maquiavelismo subjacentes, bem como para a tentativa de usurpação do poder sem legitimidade democrática, tendo reiterado, sem equivoco, que não abdicava das suas conquistas democráticas, que alias são de todo o povo guineense, a favor de partidos políticos tristemente celebres e especialistas em governos de transição, unidade nacional e nas cartas politicas de transição;

3 - Assim sendo, o PAIGC enquanto partido com legitimidade popular, no poder de forma coerente, reafirma perante os guineenses e a comunidade internacional que não pode, em nenhuma circunstância participar ou associar-se a procedimentos inconstitucionais e nem reconhece a entidade que anima as reuniões entre o Comando Militar e alguns micro partidos e condena com toda a veemência e vigor as vergonhosas encenações teatrais que culminaram com a assinatura no dia 18 de abril de um pretensioso Acordo para Estabilização e Manutenção da Ordem Constitucional e Democrática.

4 - O PAIGC instrui o seu Governo legitimo para ordenar a todos os funcionários públicos, responsáveis de projetos e outras instituições publicas a não obedecerem as ordens ou instruções de quaisquer entidade que não sejam as resultantes do sufrágio exercido pelo povo guineense, em pleno exercício do poder democrático.

Bissau, 19 de abril de 2012

A Comissao Permanente

Augusto Olivais"

Quinta-feira, 19 de Abril de 2012

Candidato derrotado Serifo Nhamadjo é nomeado Presidente interino da Guiné-Bissau

Deputado do PAIGC, o maior partido do país, era o vice-presidente do parlamento até ao golpe de Estado de 12 de abril, e candidato derrotado na primeira volta das eleições presidenciais em Março, foi  3º  com votação insignificante  obteve 15,75%.

Serifo Nhamadjo

Serifo Nhamadjo, vice-presidente do parlamento até ao golpe de Estado de 12 de abril, será o futuro Presidente da República interino da Guiné-Bissau e Sori Djaló o presidente do Conselho Nacional de Transição, disse à Lusa fonte partidária.


Daba Nah Walna, porta-voz do Comando Militar que tomou o poder na Guiné-Bissau na semana passada, já tinha dito hoje à Lusa que enviou a proposta da nomeação daqueles dois ex-vice-presidentes da Assembleia Nacional Popular aos partidos políticos que formam o Conselho nacional de Transição.


Serifo Nhamadjo, do PAIGC - Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (maior partido do país e no poder até há uma semana), concorreu as eleições presidenciais à revelia do partido e ficou em terceiro lugar na primeira volta de 18 de março com 15% os votos.


Após terem sido conhecidos os resultados eleitorais, com outros quatro candidatos derrotados, incluindo Kumba Ialá (presidente do PRS) que ficou em segundo lugar, contestou o escrutínio alegando fraude eleitoral


Sori Djaló era também vice-presidente da Assembleia Nacional Popular e destacado líder do PRS, maior força da oposição na Guiné-Bissau.


Nas frequentes ausências de Kumba Ialá, era ele que conduzia os destinos do partido.

Paulo Portas pede força internacional e sanções contra autores do golpe

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, defendeu hoje no Conselho de Segurança o envio de uma força internacional de estabilização para a Guiné-Bissau, com mandato da ONU, e sanções para os autores políticos e militares do golpe de Estado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, defendeu hoje no Conselho de Segurança o envio de uma força internacional de estabilização para a Guin´Bissau, com mandato da ONU, e sanções para os autores políticos e militares do golpe de Estado.


Numa intervenção na reunião em curso no Conselho de Segurança sobre a Guiné-Bissau, o ministro concluiu falando em português, "para ser claramente entendido em Bissau", sublinhando que "a comunidade internacional "fala a uma só voz ao condenar veementemente o golpe executado por alguns militares" no passado 12 de Abril.


"A solução para esta crise passa, incondicionalmente, pela libertação dos responsáveis políticos ilegalmente detidos, pela plena reposição da ordem constitucional, e pela conclusão do processo eleitoral internacionalmente reconhecido como transparente e livre", afirmou.


"Aqueles que persistirem na execução de acções inconstitucionais, bem como aqueles que activamente os apoiarem, serão alvo de medidas restritivas e deverão ser responsabilizados", adiantou.
Portas recorreu ao crioulo "Nó i'stamus djuntus", para sublinhar a unidade internacional em torno da Guiné-Bissau.


Entre os meios ao dispor da ONU, Portas defendeu o estabelecimento de uma missão de estabilização mandatada pelas Nações Unidas, com contingentes militares de países da CPLP, CEDEAO e União Africana, e também "medidas restritivas" contra os autores do golpe, como a "interdição de viagens e congelamento de bens".


"No entanto, saberemos distinguir entre os que persistem na ilegalidade e os que se arrependem", afirmou.


"A União Eupeia, para além de suspender a cooperação com a Guiné-Bissau, está pronta a aplicar sanções àqueles que continuam a obstruir a paz, a segurança e o normal funcionamento das instituições constitucionais. Apelamos a este Conselho para que considere medidas similares", disse o ministro.

Brasil defende fundo para conter golpe na Guiné-Bissau

BBC Brasil

O Brasil está participando da negociação para criar um fundo internacional de US$ 45 milhões (R$ 84 milhões) para pagar aposentadorias aos militares da Guiné-Bissau e assim convencê-los a depor as armas e restabelecer a democracia no país.

Há uma semana, o Exército local tomou a capital e prendeu o premiê Carlos Gomes Júnior e o presidente interino Raimundo Pereira.

Gomes era o favorito para vencer as eleições presidenciais marcadas para o próximo dia 29 de abril.

A CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) tenta resolver pacificamente o impasse.

A estratégia do bloco é pressionar os militares golpistas com sanções em organismos internacionais e ao mesmo tempo oferecer ajuda financeira por meio do fundo.

Segundo o embaixador Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, subsecretário-geral para África e Oriente Médio do Itamaraty, o dinheiro será administrado pelas Nações Unidas.

Ele deve sustentar a aposentadoria de até 5 mil militares assim que eles concordarem em se desmobilizar.

"O fundo ainda não existe, mas muitos países já se disseram dispostos a participar. O investimento inicial será de US$ 15 milhões R$ 28 milhões ", afirmou.

Pressão internacional

Para forçar os militares golpistas a aceitarem o acordo, a União Econômica e Monetária do Oeste Africano (Ecowas, na sigla em inglês) já congelou as operações financeiras da Guiné-Bissau no bloco.

Em outras frentes, o Banco Mundial e o Banco do Desenvolvimento Africano suspenderam nesta quinta-feira os programas de fomento. As duas instituições disseram que apenas os programas emergenciais estão mantidos, e deixaram claro o desejo de "uma rápida resolução para a crise".

Já o Brasil e os demais países da CPLP trabalham para que o Conselho de Segurança da ONU analise o assunto ainda nesta quinta-feira e aprove uma declaração presidencial condenando o golpe.

Se a declaração não gerar resultado, em uma segunda fase o Conselho de Segurança pode aumentar a pressão aprovando uma advertência formal aos golpistas.

O passo seguinte seria a votação do envio ao país de uma força militar da ONU de imposição de paz, mas essa hipótese permanece remota.

Na quarta-feira, a junta militar golpista dissolveu formalmente o governo e anunciou que eleições presidenciais acontecerão apenas daqui a dois anos.

O premiê e o presidente do país continuam reféns. Suas condições de saúde -ambos são diabéticos e tomam insulina- são monitoradas por representantes da Cruz Vermelha Internacional.

Bases militares

A presidente Dilma Rousseff determinou ao Itamaraty que participe ativamente das negociações e atue para apaziguar ânimos dos militares da junta e dos governos vizinhos.

A ação se insere na política iniciada no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aumentar a influência do Brasil na África, especialmente nos países de língua portuguesa.

Há dois anos, o governo brasileiro começou a planejar em parceria com Angola a instalação de duas bases militares em Guiné-Bissau para profissionalizar o Exército local.

Angola seria a responsável por treinar praças de patentes mais baixas e o Brasil formaria os oficiais de uma nova geração das Forças Armadas de Guiné-Bissau.

A reforma da futura instalação brasileira já havia sido planejada e um currículo elaborado. Porém, a iniciativa ficará parada até a resolução do atual impasse político.

Entre os objetivos indiretos da profissionalização dos militares estão uma tentativa de diminuir a incidência de golpes de Estado no país e de combater a ação de traficantes de drogas internacionais.

Nos últimos dois anos Guiné-Bissau já havia sofrido duas tentativas de golpe. O país é considerado hoje um grande entreposto da rota de tráfico de cocaína da América Latina para a Europa.

Segundo analistas, o dinheiro do narcotráfico seria usado inclusive para financiar grupos extremistas que atuam na África e no Oriente Médio.

Golpe na Guiné-Bissau foi organizado quando os militares souberam que o primeiro-ministro ia pedir a intervenção da ONU

O golpe de Estado de quinta-feira passada na  Guiné-Bissau "começou a ser trabalhado" três dias antes, no dia 09, quando  os militares souberam que o primeiro-ministro ia pedir uma intervenção da  ONU, disse hoje o porta-voz dos militares. 

Em entrevista à Agência Lusa, Daba Na Walna, até aqui o rosto do Comando  Militar que desencadeou o golpe, explicou que a ação militar foi "uma espécie  de antecipação" do que aconteceria, um "golpe de legítima defesa", para  impedir que forças estrangeiras "viessem esmagar as Forças Armadas da Guiné-Bissau".

Tudo girou à volta da presença de uma missão angolana em Bissau, a chamada  Missang, explicou o tenente-coronel ao explicar o golpe, que disse ter sido  objeto de muita discussão, acabando por prevalecer a decisão de se avançar.

O golpe, com a prisão do Presidente interino e do primeiro-ministro,  deu-se poucas horas depois de uma conferência de imprensa em que Kumba Ialá,  líder do maior partido da oposição e candidato presidencial, disse que não  iria haver campanha de ninguém para a segunda volta das eleições presidenciais,  marcadas para dia 29. 

A associação entre as ameaças de Kumba Ialá e o golpe que se seguiu  foi feita mas Daba Na Walna garante que foi apenas uma coincidência. "Se Kumba Ialá estivesse a par do que estava a acontecer seria muito  imprudente dizer isso publicamente. Foi mera coincidência. Kumba Ialá não  tinha conhecimento de nada e é bom que isso fique bem claro. Tentou fazer-se  essa colação entre políticos e Forças Armadas, não tivemos nada a ver com  isso", diz. 

A relação entre as Forças Armadas e a Missang vinha a deteriorar-se  nos últimos tempos mas azedou ainda mais quando o embaixador de Angola em  Bissau disse a António Indjai, chefe do Estado Maior General das Forças  Armadas, que tinha informações de que estava a ser preparado um golpe militar,  conta Daba Na Walna. E o golpe final terá sido, continua, após o conhecimento de uma carta  que o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, teria escrito ao secretário-geral  da ONU a pedir uma força das Nações Unidas.  

A carta foi divulgada na quarta-feira e apesar de assinada não foi escrita  em papel timbrado nem tem qualquer carimbo. "Se quiséssemos mentir e forçar  provas teríamos obrigado o primeiro-ministro a pôr o timbrado da primatura  (gabinete do primeiro-ministro). Tivemos a carta através de Carlos Pinto  Pereira (antigo assessor jurídico de Henrique Rosa quando este foi Presidente  interino e assessor jurídico de Carlos Gomes Júnior). Vimos que não era  timbrada mas entregámos porque estamos certos, se estivermos a mentir Deus  sabe", diz o militar. 

E o pior, diz também, é que a carta foi entregue ao ministro dos Negócios  Estrangeiros de Angola, Georges Chicoti. "Ainda que admitamos que a carta  pudesse ter algum sentido, o portador não devia ser o ministro das Relações  Exteriores de Angola, não somos um protetorado de Angola". 

Por isso, conclui: "Para nós era uma cabala a ser montada contra nós  e o objetivo da vinda estrangeira era simplesmente esmagar as Forças Armadas  da Guiné". 

  Lusa

Espaço aéreo e marítimo vão reabrir, garante Comando Militar

Bissau, 19 abr (Lusa) - O espaço aéreo e marítimo da Guiné-Bissau vai ser reaberto, disse hoje à Lusa o porta-voz do Comando Militar que tomou o poder no país na semana passada.

Daba Na Walna disse que já foram dadas indicações para isso e que "não faz sentido" o espaço aéreo e marítimo continuar encerrado, esperando-se que as ordens sejam cumpridas ainda hoje.

Questionado sobre se os voos da TAP, que são por norma realizados durante a noite, se podem fazer cumprir, o responsável garantiu que sim.

Cruz Vermelha visita Presidente interino e Primeiro-Ministro guineenses

Genebra, 19 abr (Lusa) -- O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) visitou, na quarta-feira, o Presidente interino e o primeiro-ministro da guiné-Bissau, que foram detidos na sequência do golpe de Estado no dia 12 de abril, divulgou hoje a entidade em comunicado.

Segundo o comunicado, o CICV os detidos, o Presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, receberam medicamentos, roupas e objetos de higiene e foi-lhes dada a oportunidade de enviarem notícias para os seus familiares.

"O CICV prossegue o diálogo com as autoridades no poder com vista a visitar outras pessoas que tenham sido detidas na sequência dos acontecimentos da passada semana", adianta o comunicado.

1. “Marcha Internacional Pa Paz na Guiné-Bissau” dia 21 de Abril

“MARCHA INTERNACIONAL PELO RESPEITO AO POVO GUINEENSE” é apartidária e visa a criação de uma “onda de cidadania activa” em prol de uma sociedade guineense cada vez mais aberta e, por isso, contra o Golpe de Estado. Neste sentido, lançamos um forte apelo a todos os cidadãos guineenses na diáspora e, em especial, aos nossos irmãos e irmãs na Guiné para, em comunhão de valores, no mesmo dia e a mesma hora, marcharmos pelo nosso direito ao respeito. De igual modo, em nome da fraternidade lusófona, convidamos todos os amigos da Guiné-Bissau, bem como todos os amantes da paz e democracia para se juntarem a nós na “MARCHA INTERNACIONAL PELO RESPEITO AO POVO GUINEENSE”

  • Lisboa- Marcha Internacional Pelo Respeito Ao Povo Guineense, , sábado 21 de Abril de 2012 pelas 16h00 no Rossio;
  • Porto - Marcha marcada para o dia sábado 21 de Abril, 16:00, Avenida dos Aliados ;
    • A Associação Académica dos Guineenses no Porto, Portugal, convida toda a comunidade guineense e amigos da Guiné-Bissau para participarem na MARCHA, que se realiza no dia 21 de Abril, pelas 16 horas, na Avenida dos Aliados… Participe, SOLIDARIZANDO com o POVO DA GUINÉ-BISSAU! Venha juntar a sua voz, gritando BASTA A VIOLÊNCIA!!! By: Areosvaldo Luis Alves Nancassa
  • Coimbra, Sábado  21 de Abril, Praça da Républica, 15H00
    • Venha dizer basta ao golpe… traga um cartaz e mostrar a sua indignação!
    • Oegb-c Estudantes Guineenses Coimbra (Oegbc)
  • Fortaleza, Sabado 21 de Abril, hora e local a confirmar;
  • Paris – Conferência de Imprensa e Marcha de solidariedade e de protesto, Sexta 20 de Abril, a partir das 13h. Partida Praça de l’Opéra para Embaixada da Guiné-Bissau;
  • Paris – Próxima marcha prevista para o sábado 28 no Trocadéro, Praça dos Direitos Humanos.
  • Dakar – Marcha de solidariedade e encontros com delegações da CEDEAO, União Europeia, outros organismos, agendados para sabado 21 de Abril. Hora e Local a confirmar.
  • Holanda – Marcha de protesto e entrega de Manifesto junto à CPI na Haya, data, hora e local a confirmar

ONU volta hoje ao dossiê Guiné-Bissau

Conselho de Segurança deverá tomar nova posição sobre a crise que se vive na antiga colónica portuguesa. Reunião foi pedida por Portugal.


O Conselho de Segurança deverá tomar novamente posição sobre a crise na Guiné-Bissau, esta quinta-feira, após uma reunião pedida por Portugal, em que participam os ministros dos Negócios Estrangeiros português, angolano, guineense e o representante da ONU em Bissau.

Segundo fonte diplomática portuguesa, o Conselho de Segurança ouvirá hoje um briefing pelo representante especial Joseph Mutaboba, além dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau e de Angola, em nome da presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Após intervenção do chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Portas, e em nome da comunidade regional (CEDEAO), haverá consultas, após as quais está prevista a adoção de uma declaração presidencial, que está a circular entre os 15 países-membros do Conselho, havendo "perspetiva de que pode ser adotada", disse a mesma fonte.

Banco Mundial e Banco Africano de Desenvolvimento suspendem ajudas

Washington, 19 abr (Lusa) -- O Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciaram, na quarta-feira, a suspensão das suas ajudas ao desenvolvimento da Guiné-Bissau após o golpe de Estado ocorrido há uma semana.

"As nossas operações de desenvolvimento estão suspensas, com a exceção das ajudas de emergência", indicam as duas instituições em comunicado conjunto, condenando o golpe de Estado.

Cinco chefes de Estado da CEDEAO aguardados em Bissau

Cinco chefes de Estado da CEDEAO são esperados na próxima  segunda-feiraem Bissau, para conversações com os militares autores do golpe, revelou o porta-voz do Comando Militar.

Os chefes de Estado da Comunidade Económica da África Ocidental (CEDEAO) vão analisar os mecanismos para o retorno à normalidade constitucional na Guiné-Bissau.

"Os militares não podem afastar-se deste processo totalmente, até porque deve chegar ao país já na segunda-feira uma importante delegação da CEDEAO, composta por cinco chefes de Estado", disse Nah Walna, questionado sobre os próximos passos que o Comando Militar pretende encetar no processo da normalização da vida institucional da Guiné-Bissau.

A CEDEAO, tal como a União Africana, a organização da francofonia, a CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa), a União Europeia e as Nações Unidas exigem aos militares a devolução do poder aos órgãos civis democraticamente eleitos.

O Comando Militar (que reivindica a autoria do golpe) assinou hoje com 22 partidos (a maioria sem representação parlamentar) um acordo, mas sem a presença do PAIGC, o partido no poder até quinta-feira da semana passada, quando se deu o golpe.

O presidente da comissão da CEDEAO, Desiré Ouedreagou, chefiou, na passada segunda-feira, uma delegação composta por alguns ministros e chefes das Forças Armadas de três países da organização, à qual o Comando Militar prometeu a devolução do poder aos órgãos democraticamente eleitos, bem como a libertação do Presidente interino do país, Raimundo Pereira e do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior. Raimundo Pereira e Gomes Júnior continuam ainda detidos, em parte incerta.

Daba Nah Walna: "Voltámos para a caserna" (Depois de colocarem no poder os seus amigos)

Porta-voz do Comando Militar da Guiné-Bissau esclarece que a assinatura de um acordo com os políticos representa "a reconfirmação clara" de que "os militares não querem assumir o poder". Ainda não se sabe quem vai ocupar a Presidência, o Governo e o futuro Conselho Nacional de Transição.


Os militares guineenses autores do golpe de Estado do passado dia 12 reafirmaram esta noite o retorno às casernas, depois de um acordo firmado com os políticos 22 partidos (a maioria sem representação parlamentar) para a transferência do poder.

O anúncio do retorno às casernas foi feito pelo tenente-coronel Daba Nah Walna, porta-voz do Comando Militar.

"Assinámos este acordo para dizer à sociedade civil que nós voltámos para a caserna. O nosso lugar é lá. Somos militares por opção. Os políticos quiseram ser políticos. Há que separar as águas para que o país possa progredir", disse Nah Walna.

Para este militar, a assinatura do acordo com os políticos "é um gesto simbólico" que representa "a reconfirmação de forma clara de que os militares não querem assumir o poder" na Guiné-Bissau.

Nomes divulgados em "dois ou três dias"

Em nome dos partidos políticos, Artur Sanha, antigo primeiro-ministro de transição e ex-secretário-geral do Partido da Renovação Social (PRS, de Kumba Ialá), afirmou que com o acordo hoje assinado "os militares vão  submeter-se aos políticos".

"Os políticos estão de mãos estendidas para receber o poder que os militares detinham desde o dia 12. Agora é apenas uma questão meramente administrativa e jurídica para a regulamentação do período de transição", afirmou Sanhá.

"Dentro de dois ou três dias começarão a ouvir os nomes de figuras que vão ocupar a Presidência da Republica, o Governo e o Conselho Nacional de Transição", sublinhou Artur Sanhá.

"Existe já um consenso entre os partidos para uma pré-seleção que já está nas mãos dos militares", frisou Sanhá, que, no entanto, negou revelar os nomes das pessoas pré-selecionadas para esses cargos.

"Isso é segredo", respondeu Artur Sanhá, quando questionado pelos jornalistas, mas fez questão de notar que a Constituição da República ficará afetada com o acordo hoje firmado com os militares.

"Finalmente conseguimos ir para o primado da Constituição em 80 ou 85 por cento", observou Artur Sanhá, quando confrontado com o modelo da transição que é pretendido.

 

Dois anos suficientes para "arrumar" casa

O porta-voz do Comando Militar considerou que os dois anos previstos para durar a transição é o período suficiente para a "arrumar a casa", no entender dos políticos e dos militares.

"Esse período é aquilo que se julgou ser razoável para uma transição. Porque a história deste país provou-nos que o problema não são as eleições. Quantas eleições já fizemos aqui e quais têm tido resultados. Falta ao país tempo para arrumar a casa. É o que se pretende fazer agora", explicou Daba Nah Walna.

Sobre as sanções internacionais que pendem sobre a Guiné-Bissau em caso de uma transição do poder fora do âmbito constitucional, como foi hoje acordado, Artur Sanhá não se mostrou preocupado.

"A CEDEAO, a União Africana, as Nações Unidas e outras organizações internacionais devem louvar a Guiné-Bissau pela sua experiencia em transições do poder. Esta é a terceira transição que fazemos", lembrou Sanhá Perante a insistência dos jornalistas sobre as questões que se pretendem com eventuais sanções para o país, Sanhá desafiou os profissionais da comunicação social para um debate.

"Peço aos jornalistas para organizarem uma plateia alargada para um debate com os políticos sobre as viabilidades desta terceira transição na Guiné-Bissau", disse Artur Sanhá.

O trabalho da "Rota dos Povos" na Guiné-Bissau

Tito Baião, presidente da "Rota dos Povos", foi convidado da Edição da Manhã de hoje. A associação trabalha na área da educação e prepara-se para enviar contentores com material escolar para a Guiné-Bissau

Artigo de opinião = GERALDO JOAO MARTINS O Triângulo do Mal : Como é que a Guiné-Bissau pode Escapar do Ciclo Vicioso da Instabilidade?

GERALDO JOAO MARTINS O Triângulo do Mal:Como é que a Guiné-Bissau pode Escapar do Ciclo Vicioso da Instabilidade?


Guiné-Bissau está outra vez na boca do mundo pelas mesmas, bem conhecidas razões. Porque é que este pequeno e paupérrimo país da África Ocidental é tão propenso a golpes de Estado? A resposta que muitos especialistas têm na ponta da língua é: a armadilha dos militares. Mas eu suspeito que esta resposta seja apenas uma meia-verdade.


Sim, as forças armadas são uma bagunça. Durante muitos anos, elas mantiveram uma perigosa promiscuidade com os políticos. Os políticos usaram-nas para servir seus interesses cripto-partidários, e as forças armadas, sentindo-se exageradamente importantes, usaram por sua vez os políticos para defender os seus interesses, individuais ou colectivos. Mas, como em qualquer relação promíscua, às vezes as rupturas são dolorosas. Consequentemente, golpes de Estado -- bem sucedidos, falhados ou presumidos -- atingiram o país em 1980, 1985, 1992, 1998, 2000, 2004, 2009, 2010 e 2012. A contagem é pesada.


Estes soldados desprovidos de formação são simples profissionais da guerra -- e não mais do que isso. Eles nunca tiveram oportunidades económicas para se integrarem na vida civil, e o poder político pouco fez para os educar e capacitar, nem tão pouco para transformar o exército de guerrilheiros em forças armadas disciplinadas, modernas e republicanas. Como resultado, eles tornaram-se um perigo para a sociedade.


A guerra civil de 1998-99 foi a gota de água que fez transbordar o copo: pela primeira vez o poder político e os parceiros de desenvolvimento colocaram a reforma do exército no topo da agenda política e de desenvolvimento. Mas os esforços de reforma até aqui falharam. O Banco Mundial financiou um Projecto de demobilização em 1999. O projecto desmobilizou centenas de soldados, mas o número total de soldados continuou a aumentar à medida que novos indivíduos se juntavam ao exército em resultado de novos conflitos. A história mais recente é o programa de reforma patrocinado pela União Europeia, que acabou por ser um retumbante fracasso, com a UE e o governo a acusarem-se mutuamente pelos maus resultados.


Na minha opinião, a razão fundamental destes fracassos se resume a esta simples frase: falta de dinheiro. E a este respeito, a comunidade internacional encaixa a maior parte da responsabilidade. Ela nunca colocou em cima da mesa o dinheiro realmente necessário para "comprar" a estabilidade. Sim, a paz e a estabilidade têm o seu preço. Com o tempo, os custos de oportunidade da reforma dispararam à medida que o país caía na armadilha do tráfico de drogas - e elementos proeminentes do exército se envolviam nesse negócio. Com efeito, porque é que um general irá ficar em casa se ele pode ganhar muito dinheiro fácil do tráfico de drogas?


Que solução então? Eu penso que ela passa pela CEDEAO. Ela é a organização mais bem posicionada hoje para oferecer uma solução para esta crise. Porque é geográfica e economicamente a que mais se identifica com a Guiné-Bissau; porque conhece a realidade do país; porque ela granjeou alguma credibilidade na resolução de conflitos recentes na sub-região; e, finalmente, porque nesses processos ela adquiriu alguma experiência. Mas seria importante que a CEDEAO oferecesse à Guiné-Bissau soluções sustentáveis de longo prazo, e não as mesmas soluções voláteis de curto prazo, como tem acontecido até aqui com outras crises no país. E isso começa com a garantia da presença de uma força militar da CEDEAO na Guiné-Bissau para proteger as instituições, treinar o exército e garantir uma transição política suave. A CEDEAO também deve ajudar a mobilizar suficientes recursos financeiros para, finalmente, concluir o processo de reforma das forças armadas. Não se pode esperar que os magros recursos que têm sido colocados até agora em cima da mesa, façam os homens armados ir para casa.

Mas se a reforma das forças de defesa e de segurança é fundamental para a estabilidade política, há um outro pilar crucial que deve ir em paralelo: a justiça. A denegação da justiça e a impunidade têm sido a regra na Guiné-Bissau, particularmente com relação aos crimes políticos. Embora o fenómeno não seja novo, o que impressiona mais é o acumular recente de casos não resolvidos de relevante interesse público. Tenho em mente o duplo assassinato do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas e do presidente Vieira em 2009, bem como o assassinato de outras figuras políticas em 2010.

Na consciência colectiva dos guinenses, o país está perigosamente a escorregar para o "reino da impunidade ", com o poder político a não conseguir - ou a não estar interessado – em ver os crimes julgados ou esclarecidos. O resultado óbvio junto da população é a sensação psicológica da exposição ao arbitrário que pode empurrar as pessoas para a esfera perigosa da justiça privada. As leis, os tribunais e os juízes estão lá, mas a justiça é notavelmente ausente. Uma rápida reforma do sistema de justiça é fundamental, e talvez uma espécie de "Plano Marshal " para a justiça seja necessário para desbloquear o seu funcionamento. No curto prazo, isto é mais importante do que organizar novas eleições. E várias organizações internacionais podem ajudar nesse sentido, incluindo as Nações Unidas, o PNUD e o Banco Mundial, para citar apenas algumas.


Finalmente, há o tráfico de drogas que se tornou o rótulo do país. Mesmo que o fenómeno seja omnipresente em toda a região da África Ocidental, a Guiné-Bissau tem sido destacada como um “Narco Estado ". Isso em parte porque é um Estado frágil com recursos muito limitados para combater os gangues, e em parte porque elementos presumivelmente poderosos da hierarquia militar e política do país estão envolvidos nesse tráfico. O combate ao tráfico de droga requer meios que a Guiné-Bissau sozinha não possui. O apoio externo necessário poderia vir, mais uma vez, da CEDEAO como parte do mandato da sua força, apoiada por outras organizações regionais e internacionais.


Por conseguinte: exército, justiça e tráfico de drogas. Qualquer roteiro para a estabilização política da Guiné-Bissau deve circular em torno deste triângulo do mal. Mas na minha opinião, a passagem deste roteiro para a prática exigirá duas condições: liderança e tempo.


Neste novo ciclo de transição em que a Guiné-Bissau está a entrar uma escolha bem-sucedida dos seus novos líderes é fundamental. Eu defendo que o Presidente deve ser designado com respeito pela Constituição, e que deve ser nomeado uma personalidade credível para liderar um governo de transição, um homem ou mulher que reúne consenso, é respeitado por todas as partes, e que beneficia da confiança de todos os diferentes grupos, incluindo o exército, os políticos e os membros da sociedade civil, a fim de navegar no complexo processo político de transição.


A segunda condição é o tempo: os três elementos que formam o triângulo do mal devem ser resolvidos dentro do prazo do período de transição. Eleições justas e transparentes serão mais bem aceites por todos quando houver um exército republicano, uma justiça funcional e um país livre do tráfico de drogas. Isto pode requerer mais de um ano, provavelmente dois a três anos. Este calendário vale a pena. A comunidade internacional deve evitar cair na armadilha da sua receita convencional: "a corrida às eleições". Ela não resolveu qualquer problema no passado. É pouco provável que vá resolver desta vez.

Geraldo Martins

Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Militares e partidos oposiçao assinam transição

Acordo para a "estabilização e manutenção da ordem constitucional" extingue Assembleia Nacional Popular e prevê eleições num máximo de dois anos. Militares prometem regresso às casernas após a posse do poder civil.


Os partidos da oposição guineense e o Comando Militar que protagonizou um golpe de Estado assinaram hoje em Bissau um acordo que dissolve o parlamento e cria um Conselho de Transição para marcar eleições num prazo de dois anos.

Os partidos políticos da oposição e o Comando Militar da Guiné-Bissau assinaram hoje um "acordo para a estabilização e manutenção da ordem constitucional", que prevê o regresso às casernas dos militares, após a posse do poder civil.

O acordo foi hoje assinado em Bissau por representantes de diversos partidos e pelos militares, que a 12 de abril protagonizaram um golpe de estado, mas não indica quem será o Presidente de transição, o primeiro-ministro de transição ou quem vai integrar o Conselho Nacional de Transição.

Período de transição até dois anos

Os partidos, segundo o acordo, aceitam a criação do Conselho Nacional de Transição, "um órgão de fiscalização e legislativo para gerir o processo de transição democrática". Fixa-se também "o período máximo de duração da transição democrática em dois anos, que termina com a eleição simultânea de eleições presidenciais e legislativas, com base num recenseamento biométrico e de raiz e com a participação de eleitores guineenses na diáspora".

Além de dissolver a Assembleia Nacional Popular e de os militares declararem "inequivocamente" a transferência do poder para os civis, o acordo hoje tornado público diz que a Constituição será respeitada parcialmente.

Salienta-se que o Comando Militar "declara extinta" a Assembleia e a destituição do Presidente interino e do Governo, e salienta-se que os partidos políticos declaram manter a organização do poder judicial, civil e militar e manter a chefia militar vigente.

Reformas profundas na defesa e luta contra narcotráfico

O acordo, que foi lido por Artur Sanhá, antigo primeiro-ministro (governo PRS, atual segundo maior partido), assinala ainda o compromisso em ser levadas a cabo reformas profundas, nomeadamente no setor de defesa e segurança, lutar contra crimes económicos, o narcotráfico e os crimes organizados.

Artur Sanhá começou por dizer que o Estado da Guiné-Bissau foi confrontado com um "substancial atentado à sua soberania com a demanda de interferência militar perpetrada pelo auto-demissionário primeiro-ministro", ao enviar carta ao secretário-geral da ONU a pedir uma força militar no país.

E acrescentou que a força angolana na Guiné-Bissau (Missang) se tinha vindo a armar e a engrossar os efetivos, sem conhecimento e consentimento das forças armadas da Guiné-Bissau.

Foi esse "facto", indiciando um "claro atentado contra a soberania nacional e integridade territorial", que levou ao golpe militar a fazer o golpe de quinta-feira passada.

No evento hoje em Bissau, o PAIGC, principal partido da Guiné-Bissau, no poder antes do golpe, foi chamado algumas vezes, mas não estava ninguém para assinar o acordo.


"Força do voto prevalece sobre a força das armas", defende Portas

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, tinha advertido hoje em Bruxelas que aqueles que, na Guiné-Bissau, persistem na ilegalidade conduzem o país ao isolamento pela comunidade internacional, que julgará de forma diferente aqueles que "caírem em si".

Falando à margem de uma reunião de ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros da NATO, Portas revelou ainda que na quinta-feira de manhã rumará a Nova Iorque para participar na reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas que vai dar uma atenção urgente à situação na Guiné-Bissau e que foi convocada na sequência de um esforço diplomático conduzido por Portugal, em associação com o Brasil, a presidência angolana da CPLP e o "legítimo" ministro dos Negócios Estrangeiros guineense.

Paulo Portas disse esperar que a reunião de Nova Iorque, que será realizada na quinta ou na sexta-feira, "constitua um passo importante na avaliação firme que a comunidade internacional tem feito", e do ponto de vista português "bem", de uma situação "extremamente grave" na Guiné-Bissau, que o Governo português encara com extrema preocupação.

Lembrando que em situações como aquela que se vive na Guiné-Bissau "há muitos rumores e incertezas", Paulo Portas disse que é precisamente em momentos como este que é necessário reafirmar valores essenciais, como "tolerância zero com golpes de Estado que podem em causa a ordem constitucional".

O ministro sublinhou ainda, entre outras exigências, que "a vida dos dirigentes legítimos da Guiné-Bissau tem de ser preservada, a sua integridade física tem que ser respeitada e devem ser libertados sem condições", e que "é preciso concluir o processo eleitoral que foi interrompido, porque a força do voto prevalece sobre a força das armas".

Por fim, assinalou, "é necessário uma força internacional que tenha várias parcerias, de forma a ajudar a Guiné-Bissau a libertar-se deste clima de golpe de estado permanente".