Sábado, 17 de Março de 2012

Representante da ONU na Guiné-Bissau pede calma e transparência

Joseph Mutaboba, Secretário-Geral da ONU em Bissau

Bissau - O representante do ecretário-geral da ONU em Bissau, Joseph Mutaboba, pediu  (sexta-feira) aos guineenses, especialmente forças de segurança e defesa, partidos e candidatos para que garantam uma ida às urnas "pacífica, ordeira e transparente", noticia a LUSA. 

A Guiné-Bissau escolhe no domingo um novo Presidente entre nove candidatos e hoje, no último dia de campanha eleitoral, Joseph Mutaboba, em conferência de imprensa, congratulou-se também pela "condução relativamente pacífica" da campanha. 

O responsável explicou que "relativamente pacífica" e não "pacífica" apenas porque não esteve em todos os lugares, mas que pelo que sabe a campanha decorreu com tranquilidade. 

Joseph Mutaboba lembrou que anteriores eleições decorreram com tranquilidade e civismo, pelo que espera que o mesmo se passe no domingo e que "o processo seja conduzido de forma pacífica e ordeira". 

O representante da ONU reuniu-se hoje em Bissau com os chefes das missões internacionais de observação. As Nações Unidas não têm observadores mas "facilitam o trabalho" das missões.  

Pelas contas de Mutaboba, estão na Guiné-Bissau 44 observadores da União Africana, 80 da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), quatro da Nigéria, 24 da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), 10 do Reino Unido, 12 da UEMOA (União Económica e Monetária do Oeste Africano), e grupos muito reduzidos dos Estados Unidos, União Europeia e África do Sul. 

Até agora, a comunidade internacional apoiou a Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau com 7,6 milhões de dólares (5,7 milhões de euros), parte para financiar as eleições de domingo e a outra para as eleições legislativas de final do ano. 

Quinta-feira, os parceiros da Guiné-Bissau felicitaram os guineenses pela "conduta calma e pacífica" do processo eleitoral e pediram "calma e contenção às autoridades nacionais, nomeadamente, as forças de defesa e segurança, aos partidos políticos, aos candidatos presidenciais e aos seus apoiantes".

"De igual modo pediram a todos os actores para que mantenham um clima pacífico após o escrutínio " e às autoridades nacionais para que assumam as suas responsabilidades, garantindo "uma transição pacífica". 

Hoje também a embaixada dos Estados Unidos (em Dakar) apelou às autoridades guineenses para que respeitem "os padrões internacionalmente reconhecidos" a fim de que as eleições sejam baseadas na vontade do povo, e às forças de segurança para "assumirem uma posição moderada, antes, durante e depois do processo eleitoral".

Eleições antecipadas Guiné-Bissau: Perfil dos nove candidatos à Presidência

Bissau - A campanha eleitoral terminou  sexta-feira, 16 de Março. Os guineenses vão às urnas no próximo Domingo, 18 de Março, nestas segundas Eleições Presidenciais, para as quais se contam nove candidatos.

Um destes nove pretendentes vai ser escolhido para representar funções de Presidente da República da Guiné-Bissau.


Os seus perfis e percursos políticos são diferentes, bem como as suas ideologias. Para dar a conhecer quem são, a PNN, numa visão descritiva sobre os candidatos à Presidência, avança o trajecto destes homens que ambicionam conduzir o país.


O estreante Vicente Fernandes, que se apresenta em nome da coligação Aliança Democrática, é advogado, formado em Portugal, orador e liberal nas suas convicções. Esteve activo nas Legislativas de 2004, na então Plataforma Unida.


Kumba Yala, um dos políticos mais evidentes dado que já foi Presidente da Republica, afastado por um Golpe Militar em 2003, é formado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, tendo completado a licenciatura em Direito, mais tarde, em Bissau.


Foi fundador e líder do PRS, maior formação política na oposição. Muito crítico, enverga uma interpretação clara sobre aquilo que devem ser os valores da sociedade e tem um profundo conhecimento quanto à multiplicidade étnica na Guiné-Bissau.
Henrique Pereira Rosa é empresário e candidato pela segunda vez à Presidência da República, tendo sido já Presidente Interino. É um católico convicto e membro de várias instituições e organizações de caridade.


Foi Director Executivo da Comissão Nacional de Eleições (CNE) nas primeiras Eleições Presidenciais e Legislativas realizadas na
Guiné-Bissau, em 1994.


Presidente do Conselho da Aliança para a Refundação da Governação em África, em 2006, Henrique Pereira Rosa tem uma personalidade que se reveste pela ponderação e tolerância.


O candidato independente Serifo Nhamado, do PAIGC, cuja carreira política se afirmou neste partido no poder, ocupou várias funções cimeiras na Administração do Estado. Foi, até aqui, vice-presidente da Assembleia Nacional Popular.


Trata-se de uma personalidade de equilíbrio, disciplina e, assim, determina as suas actuações na convicção e defesa das suas causas e objectivos. É primeira vez que Serifo Nhamado concorre à Presidência da República.

Não é o caso de Serifo Balde, um político jovem que, pela segunda vez, se apresenta como candidato. Fundou e lidera o Partido Democrata Socialista para Salvação Guineense. Inspira os ideais na juventude e assenta a sua política na preservação da moral pública. Neste momento, a sua mensagem concorda na manutenção da paz.
É também o tema da paz que representa o «slogan» de Carlos Gomes Júnior, candidato do PAIGC, partido do qual é Presidente.


Empresário e sócio de instituições bancárias e do sector combustível, representa alguns interesses empresariais no país. Carlos Gomes Júnior foi eleito Primeiro-ministro por duas vezes: em 2004 e nas últimas Legislativas.


O candidato independente Luís Nancassa, docente e Presidente do Sindicato Nacional dos Professores, participa nesta corrida pela segunda vez.


Foi quem decretou a primeira greve no sector do Ensino no país, depois da liberalização política. Foi Luís Nancassa que criou esta organização sindical, em meados dos anos 90. O candidato sempre foi defensor das causas sociais.


Afonso Te, Coronel na reserva, tem o apoio do Partido Republicano para Independência e Desenvolvimento (PRID). Exerceu funções de vice-chefe de Estado-maior General das Forcas Armadas, uma nomeação tida como uma das causas imediatas da guerra de 7 de Junho de 1998.


Afonso Té era dos mais destacados intelectuais nas Forcas Armadas guineenses. Está agora na política com uma surpreendente presença como candidato à Presidência da República e dirigente do partido que o apoia.


O líder do PRID apresenta uma visão de campo bem estruturada e aposta não só na paz e estabilidade, mas também na capitalização das riquezas naturais de que o país dispõe, sobretudo, no sector da Agricultura.


Outro estreante nestas eleições, independente e convicto, Baciro Baciro é licenciado em psicologia pela universidade de Havana, em Cuba. Trata-se do actual ministro da Defesa e foi director do comité de coordenação do Sector da Defesa e Segurança, ligado à reforma do mesmo.


Pode dizer-se que envereda pela promoção e aplicação do saber, daí que a sua candidatura assente na dinâmica da juventude. Tem um olhar determinado sobre as Forcas Armadas. Baciro Dja reverte a sua política no socialismo democrático.

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

Eleições = Henrique Rosa diz em Gabu que fez campanha da "Guiné esquecida"

Bandeira da Guiné - Bissau

Gabu - Henrique Rosa, candidato independente nas eleições presidenciais de domingo na Guiné-Bissau, disse quarta-feira que dirigiu a campanha para a "Guiné esquecida, onde o povo está longe de tudo" noticiou agência Lusa. 

Num balanço da campanha eleitoral que termina dentro de dois dias, feito na segunda cidade do país, Gabu, disse que nas duas semanas procurou visitar "o povo abandonado a si próprio", sendo essa a "grande motivação" para continuar, "porque como Presidente consegue-se mudar muita coisa". 

Se for eleito quer "mudar as condições das pessoas" e considerou a adesão à campanha boa, porque não está "a carregar gente" e faz comícios com as pessoas locais. 

Em Gabu, conseguiu encher uma rua com muitas centenas de pessoas para o ouvirem dizer que é preciso ter esperança e que todos juntos podem "reconstruir, ou construir, a Guiné-Bissau". 

"Tantos anos depois da independência, se se pode falar de Bissau com alguns focos de desenvolvimento, o interior está abandonado. Andei pelas terras do fim do mundo", disse Henrique Rosa, que nesta campanha se fez quase sempre acompanhar pela mulher. 

"É preciso que todos os cidadãos sintam que pertencem a um conjunto, que é a nossa Nação, o nosso Estado, o nosso país, e é preciso que todos nós sejamos solidários para construir a nossa pátria", defendeu o candidato.

Hoje como sempre Henrique Rosa defendeu mais e melhor Educação, Saúde e Justiça, acrescentando: "A Guiné-Bissau será aquilo que nós quisermos que ela seja e não aquilo que os outros querem. Temos de assumir as nossas responsabilidades". 

Apelidado na rua como o "homem di paz", graças ao "slogan" de campanha e a música que o acompanha, Henrique Rosa afirmou à agência Lusa que usa a frase (homem de paz) desde a campanha presidencial de 2009. 

E embora haja outros candidatos que também se têm afirmado "homens de paz" nesta campanha, diz Henrique Rosa em declarações que continua a ser o candidato da paz e que julga ser "o genuíno". 

UA apela aos políticos da Guiné-Bissau a aceitarem os resultados

Mercado de Bandim, Bissau

A missão de observadores da União Africana já se encontra em território guineense. Na sua primeira declaração, Leonardo Simão apelou aos líderes políticos guineenses para que aceitem os resultados do sufrágio do próximo domingo.

O chefe da missão de observadores da União Africana (UA) nas eleições presidenciais guineenses, Leonardo Simão, deu esta tarde uma conferência de imprensa, onde pediu aos políticos da Guiné para aceitarem os resultados eleitorais.

A missão da UA é chefia pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique e composta por 40 elementos. Liliana Henriques, a nossa enviada especial a Bissau, marcou presença nesta conferência de imprensa.

Leonardo Simão, chefe da missão de observadores da UA

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Na corrida à presidência guineense estão nove candidatos. Todos, nos discursos de campanha, falam em paz e em reconciliação. Por seu lado, a população fala em estabilidade e progresso.

O acto eleitoral está marcado para o próximo domingo, dia 18 de Março, e estará sob a vigilância de uma força conjunta de militares e polícias.

A jornalista Liliana Henriques foi ao Mercado de Bandim, em Bissau, ouvir os guineenses

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Eleições: Governo avisa que não irá tolerar violência ou desacatos durante escrutínio de domingo

Bissau, (Lusa) - O ministro do Interior da Guiné-Bissau, Fernando Gomes, avisou hoje que o Governo não irá tolerar cenas de violência ou desacatos que possam perturbar as eleições presidenciais de domingo.

Fernando Gomes fez esta chamada de atenção quando falava aos jornalistas depois de ter recebido um membro da embaixada dos Estados Unidos da América, residente em Dacar, responsável por coordenar a cooperação com a Guiné-Bissau, que quis inteirar-se sobre o andamento do processo eleitoral.

Russel Hanks, que tem mantido encontros com diversas instituições estatais guineenses e da comunidade internacional, quis saber junto do ministro do Interior o que está ser feito para garantir a segurança a votação de domingo.

Deputado cabo-verdiano chefia missão eleitoral da CPLP na Guiné-Bissau

A Missão de Observação Eleitoral (MOE) da CPLP às presidenciais da Guiné-Bissau será composta por 20 observadores.

O deputado cabo-verdiano Armindo Cipriano Maurício vai chefiar a missão da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) às eleições presidenciais que terão lugar domingo próximo na Guiné-Bissau.


A Missão de Observação Eleitoral (MOE) da CPLP às presidenciais da Guiné-Bissau será composta por 20 observadores provenientes de Angola, do Brasil, de Cabo Verde, de Moçambique, de Portugal, de São Tomé e Príncipe e de Timor-Leste e por três deputados em representação da Assembleia Parlamentar da CPLP.


Segundo uma nota informativa da comunidade lusófona, as missões de observação eleitoral da CPLP integram representantes do Secretariado Executivo e dos Estados-membros, à exceção do país onde se realizam as eleições, e incluem parlamentares, diplomatas, peritos em eleições, universitários e juristas, entre outros profissionais.


A missão tem como objetivo testemunhar o processo eleitoral, o escrutínio e o apuramento dos resultados, devendo depois emitir um parecer sobre a credibilidade do processo em função de critérios relativos “à transparência, ao caráter democrático da eleição, à aplicação da lei eleitoral e aos procedimentos exigíveis”.


Armindo Maurício, que é também o secretário-geral do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, no poder), foi indicado para chefiar a missão em substituição do antigo embaixador de Portugal em Bissau, António Russo Dias, por “incompatibilidade legal" deste último, devido ao facto de o diplomata português ter sido representante do seu país na Guiné-Bissau.


As eleições presidenciais antecipadas na Guiné-Bissau foram marcadas na sequência da morte do Presidente eleito, Malam Bacai Sanhá, a 9 de janeiro passado vítima de doença.

Eleições:Guineenses em Cabo Verde esperam estabilidade e paz

Cidade da Praia, (Inforpress) – Paz e estabilidade para a Guiné-Bissau são dois dos principais desejos expressos pelos guineenses residentes em Cabo Verde para depois das eleições presidenciais antecipadas deste domingo, 18 de Março, com 10 candidatos na corrida.


Em declarações à Inforpress, vários guineenses em Cabo Verde de diferentes extractos sociais têm os mesmos desejos: “paz e estabilidade” com o candidato que venha a ocupar o cargo de chefe de Estado em substituição de Malam Bacai Sanhá eleito em 2009 e que faleceu em Janeiro deste ano em Paris, por doença.


Lionel Sambel, engenheiro industrial e mestre em Informática em Cabo Verde há 16 anos, espera que a campanha eleitoral que termina esta sexta-feira continue a decorrer com “normalidade” e que nas eleições aconteça o mesmo.


“Esperamos que qualquer candidato que venha a ganhar essas eleições possa manter-se na mesma linha de estabilidade do país”, disse lamentando que a diáspora não possa votar para dar a sua contribuição para a escolha do Presidente da República.


Segundo Lionel Sambel, esse desejo é justificado sobretudo agora quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou que a Guiné-Bissau vai crescer 5,3 por cento em 2013.


“Espero que o candidato que ganhar possa garantir a estabilidade e a paz no país que é um factor importante na Guiné-Bissau, que tem como problemas crónicos a falta da justiça e da ordem, assim como o fraco desenvolvimento económico”, frisou Alfa Djaló, professor do ensino secundário.
Para aquele docente, depois das eleições, deve haver uma reforma no país no sector da justiça para garantir essa estabilidade.


Por sua vez, Alimatu Bangurá, cabeleireira e residente em Cabo Verde há um ano e meio, apesar de não poder votar, a sua aposta é que um dos candidatos mais jovens possa ter “sorte” e vencer as eleições.


“Gostaria de ir à minha terra para votar, mas não tenho cartão de residência e estou triste porque o meu sonho era ter documento para ir e voltar quando quiser. Espero que o próximo Presidente da República possa fazer algo em relação a esse problema”, afirmou.


Na opinião de Idrissa Djaló, que é ajudante de pedreiro e guarda-nocturno, a sua aspiração é poder voltar um dia à sua terra com a certeza de que a paz “tomou conta do país”.


São candidatos às eleições presidenciais antecipadas na Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, apoiado pelo partido no poder, PAIGC, Kumba Ialá, do maior partido da oposição, PRS, Baciro Djá, actual ministro da Defesa e candidato independente, o presidente interino do Parlamento Serifo Nhamadjo, também independente, e Afonso Té, antigo vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.


O independente, Henrique Rosa, Luís Nancassa, presidente do Sindicato dos Professores, Serifo Baldé, fundador do Partido Democrático Socialista de Salvação Guineense (PDSSG), Ibraima Jaló, líder do Congresso Nacional Africano (CNA), e Vicente Fernandes, líder da Aliança Democrática (AD), são outros candidatos ao sufrágio deste domingo.


Os 800 mil boletins de voto que foram impressos em Portugal destinados aos 600 mil eleitores já estão na Guiné-Bissau.

Inforpress/Fim

Presidenciais de domingo, novo teste para a estabilidade

Bissau – Pelo menos 579.000 eleitores da Guiné-Bissau são chamados domingo a votar para designar  o sucessor do presidente Malam Bacai Sanha falecido em Janeiro, um escrutínio teste para um país que continua instável apesar dos recentes progressos económicos.

Segundo a AFP, a campanha que termina sexta-feira desenrola-se sem incidentes maiores, com um desdobramento de meios surpreendentes num país pobre.

Nove candidatos concorrem para dirigir essa ex – colónia portuguesa de mais de 1,6 milhões de habitantes tornada
independente em 1974 após uma luta armada e que conheceu desde golpes de Estado abortados ou bem
sucedidos a tumultos e violências.

Os favoritos são o ex – Primeiro – ministro Carlos Gomes Júnior, 62 anos, candidato do Partido africano para a Independência  da Guiné –Bissau e de Cabo Verde (PAIGC, no poder )  e o ex - presidente Kumba Yala, 59 anos, do Partido da renovação social (PRS, oposição).

Vários partidos da oposição contestam a candidatura de Carlos Gomes, Primeiro – ministro até início de Fevereiro, que o censuraram de estar na corrida antes de se demitir do seu posto transgredindo a Constituição.

É também acusado de aproveitar os meios do Estado para se assegurar uma vitória na primeira volta. O opositor Braima Alfa Djalo, que foi o segundo candidato, retirou-se da corrida denunciando uma fraude em preparação.

Segundo a AFP, a escolha de Carlos Gomes não foi por  unanimidade no seio do seu partido. Dois dos seus camaradas do PAIGC apresentam-se independentes: Manuel Serifo NHamadjo, presidente interino da Assembleia nacional e Baciro Dja, ministro da defesa.

Kumba Yala havia sido eleito em Janeiro de 2000 para cinco anos mas o seu mandato, marcado pela instabilidade, foi interrompida por um golpe de Estado militar em 2003. Fracassou depois nas eleições de 2005 e em 2009.

Henrique Rosa, 66 anos, que foi presidente de transição de 2003 a 2005, apresenta-se independente e poderá obter uma boa pontuação. A sua presidência permitiu ao país reatar com os parceiros internacionais, contribuidores ao orçamento de Estado e entre os quais os salários dos funcionários.

De acordo com a AFP, quase todos os candidatos, estão engajados a fazer tudo ou melhor que Malam Bacai Sanha, eleito presidente em Julho de 2009, falecimento a meio do mandato a 9 de Janeiro em Paris. Em dois anos e meio ele prometeu ao Estado progredir economicamente.

“A Guiné-Bissau começou um novo ciclo económico marcado por uma anulação da sua dívida externa e pela adopção de uma estratégia de desenvolvimento económico”, constatava no fim de Dezembro o Fundo monetário internacional (FMI).

Sanha foi igualmente saudado como o artesão de uma relativa estabilidade política agitada entretanto por duas sobressaltos maiores: Uma guerra de chefes militares em Abril de 2010, um ataque de militares contra outros, apresentando como uma tentativa de golpe de Estado em Dezembro de 2011.

Actores políticos e parceiros do país, entre os quais a ONU, multiplicam os apelos à pacificação e ao prosseguimento sem incidentes do processo eleitoral que compreende também as legislativas no final de 2012.

As presidenciais serão supervisionadas por 80 observadores da Comunidade económica dos Estados da África do Oeste (Cedeao), dirigidos pelo ex - presidente nigeriano de Transição, Salou Djibo.

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Entrevista-Carlos Gomes ao Jornal de Angola

 

http://novasdaguinebissau.blogspot.com/p/entrevistas.html

Secretário-executivo da CPLP pede a candidatos que preservem "ambiente favorável"

Lisboa, (Lusa) -- O secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, manifestou  a esperança de que os candidatos às eleições presidenciais de 18 de março na Guiné-Bissau saibam "respeitar os outros" e preservar "um ambiente favorável".

Em declarações à Lusa a propósito do processo eleitoral naquele país africano, Simões Pereira, que esteve na Guiné-Bissau em fevereiro, referiu que a perceção que tem é de que o processo eleitoral está a decorrer dentro da normalidade, "em pleno exercício da cidadania".

"Eu penso que sim (o processo eleitoral está a decorrer dentro da normalidade)", disse o secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"As informações que eu colhi são mais de observação direta e que me fazem acreditar que o povo está mobilizado, os atores políticos já estão no terreno a tentar passar as suas mensagens, portanto, estamos em pleno exercício da cidadania, pela parte de todos", sublinhou Simões Pereira, que é guineense.

As eleições presidenciais na Guiné-Bissau estão marcadas para dia 18 de março, antecipadas devido à morte, em janeiro passado, de Malam Bacai Sanhá, Presidente eleito em 2009.

Nove candidatos estão a concorrer às presidenciais, entre eles Carlos Gomes Júnior, até agora primeiro-ministro e presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e Kumba Ialá, ex-Presidente e que concorre com o apoio do Partido da Renovação Social (PRS).

Henrique Rosa, Baciro Djá, Luís Nancassa, Manuel Serifo Nhamadjo, Serifo Baldé, Vicente Fernandes e Afonso Té são os outros candidatos.

Ibraima Alfa Djaló desistiu da corrida ao escrutínio alegando falta de condições para um processo eleitoral justo, livre e transparente.

A polémica surgiu porque vários candidatos criticaram o facto de não ter havido recenseamento eleitoral no país.

"Estamos a falar de um ator político (Djaló) que tem uma leitura sobre a situação e cabe-nos respeitar a opinião de todos", afirmou o secretário-executivo.

"Também tive acesso à interpretação que foi feita pelo senhor Presidente da República interino (Raimundo Pereira) e que dá conta de que no processo de auscultação de todos os atores colocou-se essa questão do prazo para a realização das eleições, havendo uma insistência por parte de todos de que era fundamental cumprirem-se os prazos legalmente estabelecidos", argumentou.

Segundo Simões Pereira, "nessa altura todos tinham conhecimento de que seria impossível abrir um processo de atualização dos cadernos eleitorais".

"O que significa que só os detentores de cartão do eleitor à altura das últimas eleições é que teriam condições de participar no pleito eleitoral", referiu.

Questionado pela Lusa sobre o perigo de haver desestabilização no processo, Simões Pereira disse: "Não antecipo isso, não auguro isso e estou convicto de que todos os candidatos estarão à altura as exigências do momento".

"Nós não podemos esquecer que a Guiné-Bissau está a ter eleições presidenciais antecipadas devido ao desaparecimento físico do seu Presidente, por isso, acresce-se ao exercício da cidadania ativa, que já seria de se pedir, uma atenção para podermos honrar a memória de alguém que lutou por essa causa", finalizou.

CSR.

Lusa/Fim

ONU: Ban Ki-moon pediu a Paulo Portas apoio de Portugal à Guiné-Bissau

Nova Iorque, 13 mar (Lusa) -- O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu ao ministro dos Negócios Estrangeiros de, Paulo Portas, a continuação do apoio de Portugal ao processo de reformas e consolidação da paz na Guiné-Bissau.

Segundo nota hoje divulgada pelo gabinete de Ban Ki-moon, o pedido foi expresso durante um encontro entre ambos na segunda-feira, nas Nações Unidas, depois de o chefe da diplomacia de Portugal ter feito uma intervenção no Conselho de Segurança sobre a situação no Médio Oriente, e em particular a Síria, crise também discutida entre ambos.

Ban Ki-moon "expressou o apreço pelo antigo apoio a Timor-Leste e às sucessivas missões da ONU" no país lusófono, refere a nota.

PRS acusa Governo de banalizar processo eleitoral

Bissau – A Directoria Nacional da campanha eleitoral de Koumba Yalà acusou, esta segunda-feira, 12 de Março, em Bissau, o Governo, através do Ministério da Administração Territorial, e a Comissão Nacional de Eleições (CNE), de banalizarem o actual processo eleitoral em curso no país.

A mesma Directoria denunciou ainda uma alegada tentativa de fraude no que diz respeito ao acto eleitoral agendado para este Domingo, 18 de Março.


Em conferência de Imprensa realizada esta segunda-feira, em Bissau, o Diretor Nacional Adjunto da Campanha de Koumba Yala, Artur Sanhá, justificou a sua questão pelo facto de alegadamente haver «urnas misturadas» e com diferentes cores e tamanhos para estas eleições.


Artur Sanhá disse que a distribuição de material de votação foi precipitada: «Quando os materiais chegaram, provenientes de Portugal, foram levados e guardados nas instalações da CNE. Os mandatários de Koumba Yalà de Serifo Nhamadjo, de Baciro Dja e de Afonso Té é que reclamaram as garantias de segurança, sendo que a CNE era de opinião que as portas deveriam ficr abertas», defendeu.


Neste sentido, conforme disse ainda o responsável, a CNE não estava interessada em acatar as exigências destes materiais, sendo que eles mesmo que ofereceram para colocar cadeados nestas portas e, só mais tarde, as autoridades eleitorais decidiram mudar os cadeados.


Neste encontro com a imprensa, o então Primeiro-ministro em 2003 lançou duras críticas ao candidato do PAIGC, Carlos Gomes Júnior, de querer ganhar na primeira volta, o que, no seu entender, é uma fraude.


Em relação à emissão da segunda via do cartão de eleitoral, Artur Sanhá falou de um alegado movimento descoordenado e mal enquadrado de brigadas junto dos seus distritos eleitorais, relativamente à imperfeição na emissão dos documentos, justificando que alguns destes não têm numeração nem anotação de segunda via.


Artur Sanhá citou nomes de algumas pessoas apanhadas em Catio, sul do país, em Gabu, leste, e em Bissau, que alegadamente foram vistas a seleccionar e a transcrever dados de cartões de eleitor.
Perante estes factos, Artur Sanhá concluiu que o processo de emissão de segunda via de cartões de eleitor não é viável, transparente e serve apenas para «vender galinhas em Ziguinchor e em Bissau».


Sumba Nansil

Estados Unidos atentos às eleições na Guiné-Bissau

Com olhos postos nas presidenciais antecipadas deste domingo, os Estados Unidos de América fizeram chegar ao país o seu Director de Programas para Guiné-Bissau do Gabinete de Ligação Diplomática. Foi nesta perspectiva, a de acompanhar o desenrolar do processo eleitoral,que Russel Hanks esteve reunido hoje com o Ministro guineense do Interior, Fernando Gomes.


A saída desta reunião, o diplomata norte-americano falou aos jornalistas. Hanks referiu ainda informações que estão a dominar o país nas últimas 24 horas, em como navios de guerra norte-americanos estariam ao largo da costa marítima da Guiné-Bissau, mais especificamente nas águas internacionais e em alerta, isto em caso de uma eventual convulsão política e militar.


Entretanto,o Ministro do Interior, Fernando Gomes descreveu a composição das forças da ordem em presença no dia de votação.

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Presidenciais na recta final

Dados apresentados pela Comissão Nacional de Eleições indicam que vão ser abertas em Bissau várias centenas de mesas de voto

Fotografia: Rogério Tuti

Os candidatos à Presidência da República na Guiné-Bissau entraram ontem na fase crucial da campanha eleitoral para o escrutínio do dia 18, do qual sai o sucessor de Malam Bacai Sanhá, que faleceu no ano passado em Paris, França.


A primeira semana de campanha, que decorreu sem incidentes, ficou marcada pela digressão que os principais candidatos, senão todos, efectuaram ao interior do país para a mobilização do eleitorado.


Desde ontem, todas as atenções estão viradas para Bissau, a capital do país e principal praça eleitoral. Dados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) indicam que na Região Autónoma de Bissau vão ser abertas 528 mesas de voto para um universo de 161.881 eleitores.


Em Bissau o clima é de bastante movimentação, com passeatas, convívios e encontros entre os candidatos e os seus apoiantes, mantendo até agora uma conduta dentro das normas que regem o processo eleitoral. A campanha eleitoral está a ser dominado por três protagonistas. São eles Carlos Gomes Júnior,  “Cadogo Jr”, que aos 62 anos deixou a chefia do governo e é o candidato do partido no poder (PAIGC), Henrique Rosa, Koumba Yalá e Serifo Nahamadjo.
Na recta final da campanha, tudo indica que Cadogo Jr é o único candidato em ascensão e que pode ficar na história das eleições democráticas presidenciais ao ser o primeiro Presidente da República a ser eleito à primeira volta. Com um discurso cauteloso e polido, Cadogo Jr sublinha que os guineenses merecem um presidente que conhece os seus problemas e que está à altura de resolvê-los. Se for eleito presidente, afirmou, vai criar as condições necessárias para que todas as instituições do Estado funcionem em harmonia, para o desenvolvimento do país, e abrir um novo ciclo para cumprir o programa maior do partido para que o país alcance a paz e estabilidade.


Em sentido contrário, a oposição apresenta várias  críticas. Desde logo a polémica à volta da candidatura de Cadogo Jr ao pleito, afirmando que é inconstitucional pelo facto de um primeiro-ministro não poder ser demitido por um Presidente interino, nem por poder acumular os cargos de primeiro-ministro e Presidente.


A governação de Cadogo Jr tem sido alvo de críticas da oposição, que desvaloriza os progressos registados no país nos últimos anos, como as obras de construção e ­reabilitação de edifícios públicos.  Com argumentos pouco convincentes, os candidatos da oposição prometem “mudanças”, desvalorizando tudo o que foi feito pelo actual governo. A Guiné-Bissau enfrenta o dilema de um escrutínio  decisivo para a sua história, marcada por uma vida política instável e ameaça permanente de golpes de Estado. Nas eleições presidenciais do dia 18, a União Europeia, um dos principais financiadores do processo, tem um número reduzido de observadores, ao contrário da eleição realizada em 2009.

O presidente da Comissão Nacional de Eleições, Desejado Lima da Costa, lamenta a situação, porque “é uma observação que nos dava cobertura em todo o espaço territorial”, mas admite que “vamos ter uma boa observação”. Os observadores  internacionais  na Guiné-Bissau compreende as missões da União Africana, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e de parlamentares do Reino Unido. São esperados mais de cem observadores.


Trabalho pedagógico


Na Guiné-Bissau é grande a expectativa à volta das presidenciais antecipadas. À pergunta se depois das eleições a Guiné-Bissau fica um país preparado para seguir o caminho da estabilidade, progresso e justiça social, Desejado Lima da Costa respondeu: “acho que isso vai depender muito dos partidos políticos. É difícil fazer agora um prognóstico”.


Desejado Lima da Costa diz que a CNE deve fazer um “trabalho pedagógico de fundo”. Na sua óptica, a Guiné-Bissau tem dois percursos a fazer: “primeiro, um caminho de esperança e felicidade, que resulta se nós fizermos as melhores eleições, porque vamos fortificar as instituições democráticas e a nossa democracia ganha mais maturidade. Obviamente que o país e a comunidade internacional vão criar condições para o investimento estrangeiro e relançar a economia para a sua sustentabilidade.


O outro caminho leva-nos à instabilidade e à crispação política”. Desejado da Costa não tem dúvidas: “tudo isso depende dos partidos políticos, os agentes do processo têm uma opção e escolha clara”.


No dia 18 são esperados 600 mil pessoas nas urnas para exercerem o direito de voto.

Eleições: CPLP substitui Russo Dias como chefe de missão de observação

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai designar ainda hoje um chefe de missão às eleições presidenciais de domingo na Guiné-Bissau, por «incompatibilidade legal» da primeira escolha, o embaixador Russo Dias.

Fonte da CPLP disse à Lusa que a missão de 11 observadores devia ser chefiada por António Russo Dias, antigo embaixador de Portugal em Bissau, mas que tal afinal já não vai acontecer.

A lei não permite que antigos diplomatas que tenham estado no país em questão sejam chefes numa missão de observação eleitoral, «há uma incompatibilidade legal», disse a fonte.

Lusa

Candidato a Presidente da Guiné-Bissau contra bandeira que é nacional e de um partido

Bissau,  (Lusa) - Henrique Rosa, candidato a Presidente da Guiné-Bissau nas eleições de dia 18, quer um debate sobre a bandeira nacional, porque...

Candidato a Presidente da Guiné-Bissau contra bandeira que é nacional e de um partido

Candidato a Presidente da Guiné-Bissau contra bandeira que é nacional e de um partido

Bissau, (Lusa) - Henrique Rosa, candidato a Presidente da Guiné-Bissau nas eleições de dia 18, quer um debate sobre a bandeira nacional, porque é "falta de respeito" a bandeira do país e de um partido serem iguais.

"A bandeira é importante, é um símbolo, mas a nossa bandeira é uma onde há um símbolo de um partido escrito, um candidato escrito. Afinal é a bandeira nacional, de um partido ou de um candidato?", questionou num comício em Mansoa, arredores de Bissau.

E acrescentou: eu não quero a nossa bandeira assim, nós queremos uma bandeira nacional. Temos de fazer uma opção clara, ou o PAIGC (partido que lutou contra o colonialismo e que está hoje no poder, apoiando o candidato Carlos Gomes Júnior) fica com a bandeira e arranjamos outra ou eles arranjam outra bandeira.

Para Henrique Rosa, é uma "falta de respeito" e "não é possível homens que querem ser presidentes tratarem assim um símbolo nacional".

Henrique Rosa fez hoje contactos com populações da região de Mansoa, onde ao fim da tarde fez um comício no qual lembrou as regiões por onde andou na primeira semana de campanha.

"Temos andado de tabanca em tabanca (lugares), setor a setor, para ouvir o povo onde ele está, o que lhe falta, o que deseja", porque "quero ser o Presidente da Guiné-Bissau, de todos os guineenses, e para ser Presidente tenho de saber como é que o povo vive, quais as suas dificuldades e canseiras", disse.

E depois contou que viu mulheres grávidas a serem levadas em carros de burro para o hospital, que viu uma mulher a quem lhe morreu o filho porque não passou nenhuma canoa na ilha onde vive que a levasse para um hospital. "Esta é a Guiné que temos", disse.

"Se gostamos da Guiné-Bissau, do povo da Guiné-Bissau, e se há muitas coisas que podemos resolver, em vez de comprarmos um carro podemos resolver. Podemos dar escola aos nossos meninos, dar boas condições para os hospitais, podemos fazer muitas coisas", afirmou Henrique Rosa no comício, perante uma assistência atenta e muito jovem.

E foi para os jovens que falou depois, dizendo que os vê por todo o país e que se pergunta que futuro terão. São rostos bonitos, com força, com energia, com sonhos, "mas que podem fazer? Que oportunidades lhes são dadas se não há formação? Quando os mais velhos morrerem a quem entregar a Guiné se não preparamos as pessoas?", perguntou.

Num país, disse, onde todos os dias se noticiam milhões que são dados ao governo e que continua "terra do fim do mundo", é preciso mudar, "sacudir o miserabilismo" e beneficiar da riqueza da terra. E a oportunidade, acrescentou, está no dia 18, o único dia em que o povo tem o poder.

FP.

Lusa

Muita impunidade e corrupção no país, acusa Serifo Nhamadjo

Bissau - A Guiné-Bissau é um país com "muita impunidade e muita corrupção" e muitos dos agentes do Estado são corruptos, diz Serifo Nhamadjo, candidato a Presidente da República nas eleições de domingo.  

Em entrevista à Agência Lusa, o candidato fala da corrupção mas também da falta de democracia, de candidatos que se sentem todo-poderosos e da necessidade de dotar a Justiça de meios. Se for eleito, a prioridade é "reconciliar a família guineense".   

"A Guiné-Bissau tem sido catalogada de país desorganizado, sem esperança, com conflitos. A minha atenção vai ser simplesmente chamar à razão todos os guineenses, à volta de uma mesa. Buscar o entendimento necessário, que deve presidir todos os actos, o
entendimento, a reconciliação da família guineense, para projectarmos juntos o desenvolvimento almejado", diz à Lusa. 

É que, justifica, só com o entendimento se poderá desenvolver outras áreas da vida nacional. "Para mim, a reconciliação deve de ser a base de tudo, para que a paz e a tranquilidade possam reinar neste país".  

Serifo Nhamadjo, um dirigente do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), candidata-se contra as orientações do partido, que apoia Carlos Gomes Júnior, até agora Primeiro-ministro.  

O candidato tem criticado duramente a candidatura de Carlos Gomes Júnior e diz-se o verdadeiro seguidor das ideias de Malam Bacai Sanhá, o Presidente eleito em 2009 que morreu de doença em Janeiro passado. Na altura, Nhamadjo estava a preparar, segundo orientações do Presidente, uma "conferência de reconciliação nacional".  

A questão da conferência, disse à Lusa, não morreu com Malam Bacai Sanhá. "Uma das motivações da minha candidatura é essa, é levar avante essa ideia, que eu acho que é brilhante, fundamental neste país. A reconciliação é um imperativo nacional e como sei que vou ser eleito essa conferência terá lugar".  

Serifo Nhamadjo elege como prioridades também os jovens e a justiça, neste caso para que tenha uma independência real. Porque "não basta nomear um determinado responsável e dar um edifício para dizer que está tudo bem. É preciso dar condições materiais e financeiras para poderem materializar os objectivos".  

Também a reforma das Forças Armadas, um projecto em curso, é necessária, mas desde que inclusiva e com a participação de todos os envolvidos no processo, nota Serifo Nhamadjo. E acrescenta: "não é fazer uma reforma imposta, teoricamente tratada num gabinete e imposta às pessoas".  

No seu discurso nota-se quase sempre uma crítica ao actual estado de coisas e ao Governo de Carlos Gomes Júnior, companheiro de partido até há poucos dias, embora sempre se esquive a citar nomes.  

"Para alguns candidatos, estas eleições são uma questão de vida ou morte. O meu entendimento é de que muitos não são democratas, porque se perderem as eleições isso será um suicídio político para eles. Numa disputa há sempre que contar com a vitória e a derrota mas o comportamento de certos candidatos, em especial alguns, não tem essa cultura. Viveram sempre como todo-poderosos, que não admitem ideais contrárias", diz.  

E fala de uma impunidade na sociedade guineense "sobejamente conhecida", dos muitos agentes do Estado que são corruptos.   

Mas não foi ele até agora um dirigente partidário, um vice-presidente da Assembleia Nacional? O que fez para acabar com a situação? Por que não denunciou? Serifo Nhamadjo responde assim: "contacte a Inspecção Superior contra a Corrupção, o Tribunal de Contas, a Procuradoria-Geral da República, vai encontrar processos infindáveis que não tiveram seguimento. De várias denúncias, pessoais e de vários outros cidadãos".

FMI dá nota positiva ao desempenho económico do país

Bissau - O Fundo Monetário Internacional (FMI) deu nota positiva ao desempenho macro-económico do Governo da Guiné-Bissau mas o ministro das Finanças do país, Mário Vaz, está preocupado com a pressão que se faz sobre o Orçamento do Estado, noticiou a Lusa.  

A posição dos dois responsáveis foi transmitida segunda-feira à imprensa no balanço de uma missão de avaliação ao desempenho macro-económico do Governo guineense realizada por uma equipa do FMI, liderada pelo brasileiro Paulo Drumond.

De acordo com este responsável do FMI, que coordena a cooperação da instituição mundial com a Guiné-Bissau, as perspectivas do crescimento económico "são boas" devido à descida da inflação, que deverá cair dos cinco por cento registados em 2011 para 3,5 porcento em 2012 e ao elevado preço do caju (principal produto de exportação do país) no mercado internacional.  

"Não há mudanças nas perspectivas económicas que estimamos para 2011. As perspectivas para este ano mantêm-se. O crescimento económico que havíamos estimado para 5,3 porcento mantém-se (...), este ano os ventos para a Guiné-Bissau continuam a ser positivos apesar de a economia mundial estar claramente a desacelerar", disse o chefe da missão do FMI para a Guiné-Bissau.  

Uma "boa e apertada política fiscal" também deverá contribuir para o crescimento económico, já que as metas apontadas nessa vertente em 2011 são válidas para o ano em curso, assinalou Drumond.  

O responsável do FMI indicou, no entanto, ser indispensável que o Governo acelere as reformas fiscais em curso e controle as despesas orçamentadas. 

"A nossa mensagem principal é que o Governo (...) mantenha o curso (da execução orçamental) porque, apesar de um curso gradual, tem dado resultado", disse Paulo Drumond, recomendando ainda a estabilidade política no país e a continuidade das reformas económicas e noutros sectores. 

O ministro das Finanças guineense, Mário Vaz, manifestou-se, no entanto, preocupado com "a pressão sobre o Orçamento" do ano em curso, frisando que apenas em dois meses de execução orçamental já se consumiu sete porcento de todo o bolo previsto para ser gasto em 2012. 

Mário Vaz disse que a pressão tem sido feita através de reivindicações dos sindicatos da Educação, Saúde, antigos funcionários de empresas extintas pelo Estado e os serviços ao nível da segurança e Defesa do país. 

O ministro das Finanças reconheceu que o Governo tem tido "um bom desempenho" na tentativa de fazer acelerar a economia do país, mas admitiu também que está a ser difícil controlar as despesas orçamentadas.

"Estamos profundamente preocupados (...) porque as pessoas ainda pensam que a Política Económica está connosco e quando há falta de liquidez é só chegar às máquinas e mandar imprimir as notas para financiar as despesas", disse Mário Vaz.

Candidatura de Kumba Ialá denuncia alegadas fraudes em preparação

A diretoria da campanha do ex-Presidente da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, denunciou hoje alegadas fraudes em preparação para serem executadas nas eleições presidenciais antecipadas do próximo dia 18.

A denúncia foi feita por Artur Sanha, antigo primeiro-ministro e atual diretor adjunto da campanha de Kumba Ialá, em conferência de imprensa.

«São horas de questionarmos tudo quanto possível sobre as eleições que vão ter lugar no dia 18, porque a desordem na administração do processo eleitoral que o Governo do PAIGC está a levar a cabo, desde o início deste processo, leva-nos a concluir que está em curso a facilitação de fraudes», defendeu Artur Sanhá.

Lusa

Uniões Precoces : Assassinadas por recusarem casamento forçado

Bissau - Sete raparigas foram assassinadas nos últimos 9 anos na região de Tombali, concretamente no Sector de Catio, devido a recusas a casamentos arranjados pelos seus familiares.

As vítimas foram, na sua maioria, espancadas até à morte nas diferentes povoações desta zona sul da Guiné-Bissau.
A notícia foi revelada pelo Pastor da Igreja Evangélica de Catio, Manuel Cá, adiantando que, neste momento, mais de uma dezena de algumas destas jovens se encontram refugiadas na sua residência.


Em exclusivo à PNN, Manuel Cá falou das dificuldades que agora enfrenta em termos de mantimentos e alojamento destas 14 raparigas.


O líder religioso disse que estes casos de homicídios são do conhecimento das autoridades judiciais de Catio: «Sim, sete pessoas foram mortas na minha presença durante este período em que estou em Catio. As autoridades judiciais têm conhecimento das ocorrências. Algumas pessoas foram presas aqui mas acabaram por ser libertadas».


Perante esta realidade, Manuel Cá disse que está a ser alvo de fortes ameaças, mesmo por parte de alguns elementos das forças armadas: «De facto fui ameaçado por um grupo de pessoas fardadas, são militares que alegaram ser familiares destas meninas e que vieram buscar estas crianças de volta às residências dos seus pais».


A PNN registou impressões de algumas destas jovens que, naturalmente, manifestaram as suas discordâncias acerca das escolhas de casamentos feitas pelos seus pais.


Júlia Benante, uma adolescente de 16 anos de idade que estuda terceira classe, disse que foi obrigada abandonar a residência dos seus pais para evitar o casamento forçado.


«Eu sou natural de Polião de Cinza. Os meus pais queriam obrigar-me a casar com uma pessoa mais velha e eu recusei. Em consequência disso resolvi ficar na casa do pastor», relatou a jovem.


Teresa Uangna Na Bidigta, Segunda Na Nguad e Biquebaia Na Cue, adolescentes com idades compreendidas entre os 16 e os 19 anos, vítimas de casamentos precoces na região de Tombali, igualmente se confessaram contra.


Sumba Nansil

Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Líderes religiosos pedem civismo e esperam projectos Concretos

Bissau - Líderes religiosos da Guiné-Bissau apelaram Hoje, domingo, ao civismo dos eleitores e exortaram os candidatos às eleições presidenciais do próximo dia 18 a apresentarem projectos concretos que possam levar o país para frente. 

A agência Lusa ouviu as mesmas preocupações na conversa que teve com o imã Infali Coté (comunidade islâmica), com o pastor José Augusto Bedsley (Igreja Evangélica) e com o frei José (Igreja católica). Todos se mostram Preocupados com o futuro do país a partir das eleições do dia 18. 

"A minha expetativa é de que haja a paz e a justiça para que possamos falar na reconciliação. Temos de aproveitar (estas eleições) para melhorar a imagem do nosso país e fazer tudo para não comprometer o bom-nome do país e dos filhos da Guiné-Bissau", disse o frei José. 

A mesma preocupação foi referida pelo imã Infali Coté, da comunidade muçulmana, para quem a democracia "é para toda gente", pelo que deve ser aproveitada para "cada um dizer o que pensa sobre o país". 

"Na nossa percepção, a democracia é para toda a gente. Isto é, um candidato deve mostrar aos eleitores o seu projecto com o qual vai tentar pedir votos, se a população acreditar nele, vota no seu projecto, mas se ele não cumprir com o que prometeu, da próxima vez não terá voto da população. É isso a democracia", enfatizou o imã da mesquita de Gã Coté, uma das mais antigas de Bissau.     

"Pedimos aos guineenses em geral, mas aos políticos em especial, para que façam tudo para que esta campanha seja ordeira e esclarecedora, para que o povo possa escolher de forma livre aquele que tiver melhor projecto para o país", exortou ainda o imã Coté. 

O pastor José Augusto Bedsley também apela aos candidatos para que falem dos seus projectos, lembrando-lhes que "o mundo tem os olhos em cima da Guiné-Bissau" perante o que diz ser "mais um teste" para o país. 

"O concerto das Nações espera de nós a maturidade e a responsabilidade perante mais este teste", indicou o pastor Augusto, criticando, contudo, a mensagem que tem sido transmitida pelos candidatos nestes dias da campanha eleitoral. 

"A mensagem não tem sido aquela que nós esperávamos ouvir. Há muita acusação de índole pessoal quando o povo esperava ouvir projectos concretos.

Isso não é nada bom", frisou o pastor, pedindo aos candidatos para que corrijam esse comportamento. 

"Às vezes, há gente que pensa que uma eleição é para ele atingir os seus fins políticos, mas na realidade uma eleição é um marco importante para toda a Nação", defendeu José Augusto. 

Inaugura creche financiada por associações de Pombal e Coimbra

 

É inaugurada, sábado, na Guiné Bissau, a Creche de Varela, co-financiada pelas associações Memórias e Gentes, de Coimbra, e Afectos com Letras, de Pombal, duas ONGD que têm apoiado diversos projectos naquele país.

De acordo com a Afectos com Letras, presidida por Joana Benzinho, aquele equipamento destinado a 80 crianças, «cuja gestão é da responsabilidade de uma luso guineense, vem colmatar a falta de escolas aptas a receber crianças do pré-escolar naquela região» e vai funcionar com o apoio das duas organizações não governamentais portuguesas.

A associação Memórias e Gentes, através do programa de apadrinhamentos «Bom dia! Bom dia!» assegurará a alimentação e o material didáctico para as crianças enquanto a associação Afectos com Letras responsabiliza-se pelo pagamento dos salários das duas professores e das três auxiliares educativas da Creche, o que permitirá o seu regular funcionamento.

Por outro lado, a Afectos com Letras está a promover uma campanha de recolha de livros com vista à construção de uma biblioteca pública em Bissau, na Guiné Bissau.

Numa parceria com a Rede de Bibliotecas de Pombal, as Bibliotecas Escolares, o Ministério da Educação Guineense e a empresa Derovo, a associação visa juntar, até ao dia 25 de Junho, «um fundo documental abrangente que permitirá  a construção de uma Biblioteca em Bissau», refere Joana Benzinho.

Para o efeito, o Ministério da Educação Guineense cederá o espaço para a sua instalação e a Afectos com Letras será responsável pelo envio dos livros e do material para equipar o espaço. A cargo da Rede de Bibliotecas de Pombal fica a formação técnica dos funcionários do espaço.

Ainda segundo Joana Benzinho, «esta iniciativa, que visamos replicar a médio prazo e estender a outras regiões da Guiné Bissau, incluirá a modalidade de biblioteca móvel / itinerante de forma a democratizar o mais possível o acesso à leitura e a aquisição e solidificação de conhecimentos naquele país».

Eleições = ONU congratula-se com "relativo clima de paz" da primeira semana de campanha

 

Bissau - O representante especial do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, congratulou-se sexta-feira com o "relativo clima de paz" verificado na primeira semana da campanha eleitoral para as eleições do dia 18 e pediu que continue assim. 

"Peço a todos os candidatos e seus respectivos apoiantes para que continuem a abster-se de quaisquer declarações ofensivas ou qualquer violência física ou verbal que possa originar tensões, ou qualquer tentativa de sabotar o processo eleitoral", disse Joseph Mutaboba, citado por um comunicado da representação da ONU em Bissau. 

O representante da ONU diz que as eleições de 18 de março são "um marco" na defesa da ordem constitucional e na consolidação da paz no país e que o apoio da comunidade internacional demonstra "a confiança na Guiné-Bissau".

Porque as eleições presidenciais requerem de todos os guineenses "um verdadeiro compromisso com a paz", Joseph Mutaboba afirma apreciar o clima da primeira semana. 

"Em favor de eleições presidenciais livres, justas, pacíficas e transparentes, gostaria também de apelar a todos os indivíduos e instituições a manterem uma conduta dentro das regras e leis que regem o processo eleitoral no país e a propiciarem a igualdade entre todos os candidatos.

Um apelo especial é dirigido à comunicação social no sentido de proceder a uma cobertura inclusiva e abrangente", lê-se no comunicado. 

Joseph Mutaboba felicita ainda as autoridades pela criação de um comando conjunto de polícias e militares para garantir um clima seguro antes, durante e depois das eleições, e garante que a ONU está a acompanhar o processo "com grande interesse e está pronta a apoiar o povo da Guiné-Bissau nos seus esforços para a consolidação de uma sociedade democrática".

Sindicato dos professores suspende greve até às eleições

Bissau, (Lusa) - O sindicato dos professores da Guiné-Bissau (Sinaprof) decidiu suspender a greve geral de 90 dias que estava a decorrer, para permitir que o país possa realizar "tranquilamente" as eleições presidenciais antecipadas no próximo dia 18

Contactado pela Agência Lusa, Malam Ly, porta-voz da comissão negocial do Sinaprof afirmou que a direção do sindicato decidiu suspender a greve "a partir de hoje até a realização de eleições" como forma de "evitar conotações políticas com as reivindicações dos professores".

"Não queremos que se faça aproveitamento político nem de um lado nem de outro sobre as motivações da nossa greve, que não tem nada a ver com a política, por isso, por decisão da direção superior do sindicado decidimos suspender a greve até depois das eleições", explicou o sindicalista.

Carlos Gomes Jr.: 'A Guiné-Bissau está hoje um país melhor'

Ler mais em Entrvistas

http://novasdaguinebissau.blogspot.com/p/entrevistas.html

Eleições = Grande novidade é paz ser tema dominante, diz analista Fafali Koudawo

Bissau- A campanha eleitoral para as eleições presidenciais de dia 18 na Guiné-Bissau representa uma rotura em relação ao passado, porque pela primeira vez a paz é o tema dominante de todos os candidatos, defende o analista Fafali Koudawo, citado hoje
pela Lusa.  

Doutorado em Ciências Políticas, reitor da universidade Colinas de Boé, investigador de origem togolesa, Fafali Koudawo lê assim a campanha da Guiné-Bissau, e vê com agrado que todos os candidatos são "pacíficos e até pacifistas". 

"É uma grande evolução. A Guiné-Bissau tem sido rotulada como país de guerra, que fez 11 anos de guerra da libertação, depois 11 meses de guerra civil, e que teve vários episódios violentos. A produção da elite passou regularmente por meios violentos, mas todos querem romper com essa recorrência da violência e declaram-se a favor da paz e da reconciliação. Isso é notável", diz em entrevista à
agência Lusa a propósito das eleições de 18 de março. 

Para esta nova visão, afirma, contribui a postura pacifista de Malam Bacai Sanhá, o Presidente que morreu em Janeiro passado do qual todos querem "recuperar a herança".  

Mas há também uma "evolução da mentalidade". É que, diz, os guineenses "produziram parte da sua história pela guerra", produziram "elites militares  que se sucederam de forma violenta" e um tipo de herói que é o "herói armado", e agora tudo isso é considerado contraproducente.  

  "A Guiné-Bissau torna-se cada vez mais civil no seu pensamento, e um civil que pensa que a via pacífica é a melhor. Afasta-se dos heróis violentos para encarar um futuro apaziguado, em que a tecnicidade, a inteligência, o diálogo e o convívio civil seria o melhor, em que os direitos cívicos seriam agora referência", afirma.  

É uma nova forma de estar sem que tenha havido renovação no "plantel político". "Kumba Ialá está na sua quinta campanha eleitoral para as presidenciais". 

Na verdade, diz Fafali Koudawo que se para o povo a campanha pode suscitar algum interesse não será pelo conteúdo. "Porque nenhum candidato tem um conteúdo original, todos lutam contra a pobreza, todos vão construir  infraestruturas e todos vão dar paz à Guiné-Bissau".  

E, pior, "todos fazem promessas que não podem cumprir", porque "não falam da função presidencial mas da função Governo".   

"Aqui, as populações são incapazes de aceitar que o Presidente da República não tenha uma função executiva activa. E o candidato, embora sabendo que não é sua função construir pontes e estradas, vai dizendo que o vai fazer. Vende promessas que não pode cumprir", diz o reitor.  

Fafali Koudawo vê nestas eleições outra novidade: a "profunda divisão" na classe política, nomeadamente no maior partido (PAIGC), que vai ter consequências após as eleições".  

"O maior partido tem três candidatos, com posturas de radical oposição e de críticas radicais uns contra os outros", salienta, frisando que o partido pode ficar  "profundamente marcado".  

Mas novidade não serão os "mecanismos de solidariedade" que se estão a verificar nestas eleições, como se verificaram em eleições passadas.  

"Há um forte apelo a mecanismos de solidariedade identitária, étnica, cultural e religiosa. Isto vai marcar a campanha e é válido para todos os candidatos, que acusam os adversários de o fazer, mas que também fazem", diz Fafali Koudawo, para quem a negação do tribalismo e da solidariedade das etnias é só da boca para fora.  

E o resto é o costume, a festa, a procura de benesses, o querer estar no poder. E, claro, os bonés, as camisolas, a música, a dança e os dias diferentes na Guiné-Bissau.

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

Candidato às eleições diz que segunda volta prejudicará economia

Bissau - Carlos Gomes Júnior mostrou-se quinta-feira cada vez mais confiante na vitória nas eleições presidenciais da Guiné-Bissau, tendo acrescentado que uma segunda volta pode acarretar prejuízos, por coincidir com a campanha do caju, o principal produto do país. 

Num dia passado em Bissau, o candidato do maior partido do país, o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), apresentou o manifesto de candidatura, sob o lema "A certeza de um futuro melhor, uma convicção cimentada no trabalho". 

"Desde Gabu, Bafatá, S. Domingos, Varela, Bissau, estamos cada vez mais confiantes, porque em todo o lado por onde temos passado há o reconhecimento do trabalho que temos feito até aqui", disse o candidato para uma plateia composta essencialmente por mulheres.  

Carlos Gomes Júnior admitiu que há ainda muito por fazer no país e deixou um aviso para uma sala quase cheia de empresários: "Se formos à segunda volta isto pode acarretar prejuízos para os empresários.

A candidatura de Carlos Gomes Júnior tem vindo a pedir uma vitória expressiva nas eleições presidenciais de dia 18, para que não seja necessária uma segunda volta.

A partir de sexta-feira o candidato estará em campanha no arquipélago dos Bijagós.

Eleições: Juiz ordena ao Governo que pare de usar meios do Estado na campanha

Bissau, (Lusa) - O juiz Lassana Camará proibiu o Governo da Guiné-Bissau de utilizar meios do Estado na campanha eleitoral, avisando que caso a ordem não seja respeitada, o Executivo incorrerá no crime de desobediência qualificada.

A notificação do juiz Camará, da vara cível do Tribunal Regional de Bissau, a que a agência Lusa teve hoje acesso, deu como procedente uma providência cautelar interposta pelo advogado Abdu Mané, em nome de seis candidatos às eleições presidenciais antecipadas do próximo dia 18.

O despacho do juiz fundamenta-se no facto de existir "fundado receio de lesão grave e dificilmente reparável", com a utilização de meios do Estado na campanha eleitoral de um dos candidatos à corrida.

Analista vaticina vitória de Carlos Gomes Júnior nas presidenciais da Guiné-Bissau

Primeior-ministro Carlos Gomes Júnior, candidato às presidenciais da Guiné-Bissau

Luanda - O analista de política internacional Belarmino Van-Dúnem considerou  em Luanda, Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro cessante, como  favorito às eleições presidenciais antecipadas de 18 de Março de 2012 na Guiné-Bissau. 

O especialista que comentava à Angop o actual momento político da Guiné-Bissau na véspera desse pleito eleitoral, sustentou o seu vaticínio ao considerar que Carlos Gomes Júnior está no sistema e depois do falecido presidente Malan Bacai Sanhá, a nível do PAIGC, é a pessoa de maior influência com a capacidade de liderança.         

Disse que a nível político na Guiné-Bissau não se pode descurar actualmente a presença e a influência de Carlos Gomes Júnior, embora se possa aventar o tipo de relações que o mesmo tem e possa ter com as Forças Armadas e órgãos de Segurança.

O também docente universitário é de opinião de que sendo um político flexível e com conselhos necessários, poderá desenvolver uma relação de paz, de reconciliação, de coordenação e de continuidade das acções que têm sido levadas a cabo pela comunidade internacional.

Lembrou que o Primeiro-ministro na Guiné-Bissau é o chefe do Governo, ou seja o executor, tem a decisão de governação, apesar de o presidente da República ser o comandante-em-chefe das Forças Armadas.

"Quem propõe a nomeação do chefe do estado-maior é o primeiro-ministro depois de receber a anuência ou não do presidente da República, o que quer dizer com isso que, Carlos Gomes Júnior está dentro do processo e pode garantir a sua continuidade", explicou.

Afirmou que as eleições presidenciais de 18 de Março constituem um pressuposto indispensável para que a Guiné-Bissau possa encontrar à normalidade constitucional, em função da vacatura no cargo de presidente da República, em consequência da morte, a 9 de janeiro deste ano em Paris, do presidente Malan Bacai Sanhá.

Considera ainda que essas eleições poderão ditar ou não a continuidade dos esforços que a comunidade internacional tem feito para que a Guiné-Bissau tenha um rumo de paz e de reconciliação, através da reedificação da reforma e da organização das Forças Armadas e de Segurança.

Para o docente universitário, essa premissa permitirá ao país Oeste africano não só ter o controlo do seu território, mas também se transformar em parceiros naquilo que é o desenvolvimento da cooperação a nível internacional.

"Se o pleito eleitoral decorrer com normalidade, se as eleições forem consideradas justas e livres, sem forem aceites pelos concorrentes, a sociedade civil e a população guineense em geral, então teremos uma Guiné-Bissau que irá continuar na senda da cooperação", perspectivou.

As primeiras eleições multipartidárias para a presidência e o parlamento na Guiné-Bissau tiveram lugar em 1994.

Em 1998, o presidente João Bernardo “Nino” Vieira foi derrubado por um golpe de Estado liderado pelo brigadeiro Ansumane Mané e, entre 1998 e 1999, o país mergulhou numa guerra civil com todas as consequências que daí advieram.

Missão da CPLP às Presidenciais de 18 de Março

Bissau - O antigo Embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, António Russo Dias, vai chefiar a Missão de Observação Eleitoral da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), para as eleições de 18 de Março.

A equipa será composta também por um grupo de onze observadores eleitorais, provenientes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
O anúncio foi feito pela organização lusófona, no âmbito das Eleições
Presidenciais antecipadas, que terão lugar na Guiné-Bissau a 18 de Março.


De acordo com a CPLP, para o efeito da preparação desta Missão de Observação Eleitoral da Comunidade, uma delegação do Secretariado Executivo encontra-se no país desde a passada semana, para estabelecer contactos com as autoridades eleitorais, bem como a preparação de toda a logística inerente a esta missão.
Trata-se de uma resposta ao convite formulado pelas autoridades guineenses à Missão da CPLP que vai estar na Guiné-Bissau entre 12 e 21 de Março, com o objectivo de acompanhar todo o processo eleitoral, à luz de princípios internacionais aceites para a realização de eleições democráticas.
Sumba Nansil

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

Desenvolvimento = estudo revela grande impacto das ajudas dos emigrantes

Bissau, 07 mar (Lusa) - Gabú, cidade a 200 quilómetros a leste de Bissau, é única região da Guiné-Bissau onde existe energia elétrica permanente, fornecida por uma empresa de um ex-emigrante guineense que viveu mais de 20 anos na Holanda.

Este exemplo foi hoje referenciado na apresentação preliminar de um estudo que pretende demonstrar a importância das ajudas dos guineenses na diáspora para o desenvolvimento das populações locais do país.

O estudo, encomendado pelo Governo da Guiné-Bissau e feito pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), visou determinar o perfil da diáspora guineense em Portugal e França ligando-o às prioridades de desenvolvimento do país.

Eleições = Material eleitoral chega na quinta-feira de Portugal

Bissau - Um avião «Hercules C-130» da Força Aérea Portuguesa chega na quinta-feira a Bissau com 14 toneladas de material para as eleições presidenciais de 18 março, foi hoje anunciado, anunciou hoje a Lusa. 

O material deverá chegar durante a manhã e logo após é assinado entre o embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, António Ricoca Freire, e o presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) do país, Desejado Lima da Costa, o auto de entrega do lote, de acordo com um comunicado da embaixada de Portugal em Bissau. 

Além dos 800 mil boletins de voto, que foram feitos em Portugal, chega no mesmo avião material diverso fundamental para o escrutínio, como três mil actas de apuramento, 1.100 almofadas para carimbo, 3.000 blocos de notas, 14.800 canetas e 1.250 carimbos da CNE.
As autoridades guineenses vão também receber marcadores, fita-cola, minutas de reclamação, selos de urna, embalagens de tinta para almofadas ou cargas para agrafado, entre outro material. 

"Os encargos financeiros de Portugal com a produção e transporte do material de apoio às eleições presidenciais orçam em cerca de 350.000 euros", acrescentou a embaixada portuguesa.

Militares nunca foram um problema para a Guiné-Bissau–diz o analista angolano de política internacional, Belarmino Van-Dúnem

Luanda - O analista de política internacional, Belarmino Van-Dúnem, disse hoje (quarta-feira), em Luanda, que os militares bissau-guineenses nunca foram um problema para o seu país, “mas apenas foram utilizados muitas vezes por algumas personalidades políticas para chegarem ao poder ou desestabilizarem os processos políticos".

Solicitado pela Angop para comentar o actual momento político na Guiné-Bissau, na véspera das eleições presidenciais antecipadas de 18 de Março de 2012, o analista acrescentou que o único militar que chegou ao poder e que governou a Guiné-Bissau, foi João Bernardo “Nino” Vieira, que na altura já era uma figura incontornável da cena política guineense.

"Ao longo de vários golpes de Estado nunca se viu um general, um coronel, um tenente-coronel, um major ou um capitão a tomar o poder, com excepção de Nino Vieira que apesar de ser combatente, era também político", realçou.

Sustentou, a título de exemplo que, o defunto brigadeiro Ansumane Mané, que foi um dos responsáveis militares de alta hierarquia a ter um certo protagonismo político durante um dado momento ”nunca pensou na sua vida um dia tirar à farda”.

Por isso, que o que se assiste naquele país é um cenário do qual os militares agem e os políticos aproveitam-se da situação, salientou Belarmino Van-Dunen.

Considerou ainda que os militares precisam de garantias, de uma boa organização e de meios que lhes possibilita desempenhar melhor o seu papel em prol da defesa da integridade territorial da Guiné-Bissau.    
"A partir do momento em que os militares forem enquadrados dentro de um regime jurídico, saberem quais são os seus deveres e as suas obrigações, verem que de facto estão a ser valorizados”, poderão deixar aos políticos desempenhar o seu papel, argumentou.

A Guiné-Bissau, oficialmente conhecida como República da Guiné lusófona, é um país de expressão portuguesa situado na Costa ocidental de África. Faz fronteira a norte com o Senegal, a oeste e sudeste com a Guiné-Conakry e a sul e oeste com o Oceano Atlântico.

Proclamou unilateralmente a sua independência em 27 de Setembro de 1973em Manica do Boé, mas sem o reconhecimento de Portugal que só veio fazê-lo em 10 de Setembro de 1974.

O país vai a eleições antecipadas no dia 18 deste mês em consequência da morte em Paris, no dia 9 de Janeiro de 2012, do então chefe de Estado, Malam Bacaí Sanhá,  por doença.

Candidato afirma que PM já tinha material de campanha antes da morte de Bacai Sanhá

Bissau - O candidato independente às eleições presidenciais na Guiné-Bissau, Serifo Nhamadjo, disse terça-feira que Carlos Gomes Júnior, até agora Primeiro-ministro, "já tinha preparado o material de campanha muito antes da morte" do presidente, que determinou a realização de eleições, anunciou a  Lusa.

O presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, morreu em Janeiro e nas eleições presidenciais antecipadas marcadas para 18 de Março Serifo Nhamadjo buscou o apoio do partido no poder, do qual é membro. No entanto, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC) optou por Carlos Gomes Júnior, presidente do partido e Primeiro-ministro.
Serifo Nhamadjo candidatou-se mesmo assim como independente e terça-feira, na apresentação do Manifesto Político, criticou duramente todo o processo que levou à escolha de Carlos Gomes Júnior e o próprio candidato apoiado pelo PAIGC. 

"Soubemos que afinal já tinha preparado o material de campanha muito antes da morte do presidente da República. Já tinha todo o arsenal montado e arrecadado. Sabe-se lá de onde vieram milhões para alugar vários aviões para descarregar material de campanha", disse Nhamadjo. 

O candidato presidencial explicou também o processo que o levou a candidatar-se como independente e disse que o PAIGC, ao contrário do que é hábito, obrigou os membros do Comité Central a votar de braço no ar, em vez de voto em urna, para escolher o candidato. 

"Foi humilhante e triste. Só porque um homem quer a todo o custo ser candidato. As pessoas sabiam que se fosse por voto secreto não estariam como candidato", disse, acrescentando que na reunião do Comité Central estiveram ministros que não pertencem ao orgão, familiares que "nem são dirigentes do partido", e que a sala estava "ornamentada com polícias armados e militares", num "ambiente organizado de intimidação, parecendo Estado de sítio", algo "aberrante".  

Afirmando que a sua candidatura é "laica e democrática", disse querer uma sociedade assente na justiça, unida e inclusiva. Que dará, se for eleito, especial atenção à segurança e defesa, aos jovens, à diáspora, à livre iniciativa, aos idosos e às mulheres.
Pedindo confiança no projecto que representa, de continuidade do trabalho de Malam Bacai Sanhá, esclareceu que todo o seu material de campanha é "oferta de amigos que acreditam", porque ele não tem "cofres do Estado, alfândega nem contribuições ou dinheiro de "proveniências duvidosas". 

Primeiro inquérito nacional sobre trabalho infantil ainda este ano

Bissau - A Guiné-Bissau vai fazer este ano o primeiro inquérito nacional sobre trabalho infantil, abrangendo todas as regiões do país, para conhecer a dimensão exata do fenómeno.


"Empiricamente podemos dizer que há (trabalho infantil) porque encontramos crianças na rua, a vender por exemplo. Há crianças que ficam na rua a vender de manhã até à tarde, o que quer dizer que não é respeitado o período de descanso e de estar na escola", disse hoje à Lusa o diretor-geral do Trabalho, Fiorentino Dias.

O responsável mostrou-se também preocupado com o tráfico de crianças, especialmente da Guiné-Bissau para o Senegal, e disse que estudos recentes indicam que 30 por cento das crianças que pedem dinheiro nas ruas de Dacar são de origem guineense.  

Fiorentino Dias falava à Lusa no âmbito de uma reunião que hoje começou em Bissau e que durante dois dias junta especialistas da Guiné-Bissau, do Senegal e do Mali para debater o reforço da proteção das crianças vítimas de tráfico e outras formas de trabalho infantil.
A reunião é promovida pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). 

O fenómeno do tráfico de crianças "ganhou proporções nos últimos anos na nossa zona", é um fenómeno "alarmante", disse o responsável, lembrando que a Guiné-Bissau já aprovou uma lei sobre tráfico de seres humanos, que criminaliza e pune os traficantes.
Na Guiné-Bissau a lei considera trabalho infantil, e proíbe, o realizado por crianças até aos 14 anos, sendo que entre os 14 e os 16 anos as crianças podem trabalhar mas com autorização dos pais.  

"As crianças podem fazer certos trabalhos desde que seja respeitado o período da criança na escola e o período de descanso. O caso de uma criança que ajuda os pais a semear não é considerado trabalho infantil desde que não seja colocado em causa o tempo de descanso e o da escola", disse Fiorentino Dias.
O inquérito destina-se a saber o número exato e a idade das crianças a trabalhar em cada região da Guiné-Bissau, além do tipo de trabalho que exerce.

Terça-feira, 6 de Março de 2012

CPLP pronta a ajudar a Guiné-Bissau

Eleições presidenciais devem ser livres e transparentes - Ministro dos Negócios Estrangeiros de Angola

"Convidamos toda a sociedade civil, os partidos políticos da Guiné-Bissau a trabalharem neste sentido, para fazerem um processo eleitoral exemplar, que possa dignificar não só a Guiné-Bissau, mas toda a CPLP"

A Comunidade de Paises da Língua Portuguesa (CPLP) está empenhada em garantir a estabilidade na Guiné-Bissau de modo a permitir eleições presidenciais livres e transparentes. Isto segundo o m,inistro dos negocios estrangeiros de angola George Chicoti.
Chicoti, que preside ao Conselho de Ministros da CPLP, apelou à sociedade civil e partidos políticos guineenses que trabalhem no sentido de garantir que as eleições presidenciais do próximo dia 18 de Março sejam exemplares.


Os países da CPLP, disse ele, querem que  o processo eleitoral ocorra nos termos da Constituição, e num ambiente de estabilidade e de paz.


"Convidamos toda a sociedade civil, os partidos políticos da Guiné-Bissau a trabalharem neste sentido, para fazerem um processo eleitoral exemplar, que possa dignificar não só a Guiné-Bissau, mas toda a CPLP," sublinhou.


Segundo Georges Chicoti, todos os estados membros da CPLP estão empenhados em mobilizar recursos e ajudar a criar um ambiente de paz, de estabilidade que possa permitir um processo eleitoral transparente, credível e aceitável aos olhos de todos, que garanta a estabilidade na Guiné-Bissau.


Georges Chicoti adiantou que Portugal e o Brasil já disponibilizaram ajudas para a organização das presidenciais guineenses e que Angola está a estudar a forma de participar nesse esforço.

Guiné-Bissau recebe 19 milhões de euros para combate à sida - - Notícias - RTP

A Guiné-Bissau prepara um novo plano estratégico de luta contra sida. O primeiro-ministro pede que o novo plano seja adequado ao documento estratégico nacional de redução da pobreza no país.

Guiné-Bissau recebe 19 milhões de euros para combate à sida - - Notícias - RTP

Segunda-feira, 5 de Março de 2012

Associação «Afectos com Letras» Campanha para criação de uma Biblioteca na Guiné-Bissau

Bissau - A associação «Afectos com Letras» lança, esta segunda-feira, 5 de Março, uma campanha de recolha de livros com vista à construção de uma Biblioteca Pública na capital guineense.

Em parceria com a Rede de Bibliotecas de Pombal, as Bibliotecas Escolares, o Ministério da Educação guineense e a empresa Derovo, a associação «Afectos com Letras» visa juntar, até dia 25 de Junho, um fundo documental abrangente que irá permitir a construção de uma Biblioteca em Bissau.


O Ministério da Educação guineense cederá o espaço para a sua instalação e a associação «Afectos com Letras» será responsável pelo envio dos livros e do material para equipar o espaço.
A formação técnica dos funcionários do espaço fica a cargo da Rede de Bibliotecas de Pombal.


Esta iniciativa, que visa replicar a médio prazo e estender-se a outras regiões da Guiné-Bissau, incluirá a modalidade de biblioteca móvel itinerante, de forma a democratizar ao máximo o acesso à leitura e a aquisição e solidificação de conhecimentos naquele País.


No final desta semana, dois elementos da associação irão partir para Bissau, onde está agendado um encontro com o ministro da Educação guineense, Artur Silva, para discussão e assinatura do Protocolo de Cooperação.

Candidado à presidência desiste

O candidato às eleições presidenciais da Guiné-Bissau Ibraima Alfa Djaló desistiu esta segunda-feira da corrida ao escrutínio do próximo dia 18, alegando inexistência de condições para um processo justo, livre e transparente.

Em conferência de imprensa, Alfa Djaló, líder do partido Congresso Nacional Africano (CNA), disse que desiste da corrida porque não poderá participar num processo "que 'a priori' é fraudulento".

Alfa Djaló reafirmou também a sua concordância com a providência cautelar interposta pelo advogado Abdu Mané, na sexta-feira, contra o Governo da Guiné-Bissau sob acusação de utilização de meios do Estado na campanha de Carlos Gomes Júnior.

Com a desistência de Alfa Djaló, serão nove os candidatos que vão disputar as eleições presidenciais antecipadas do próximo dia 18, marcadas devido a morte, no mês de janeiro passado, do Presidente Malam Bacai Sanhá. A data de 18 de março foi obtida por consenso de todos os partidos.

Seleção de Guine-Bissau perde em casa

Mais uma vez a nossa selecao  perde em casa, desta vez contra a selecao dos Camaroes por uma bola a zero (Guine-Bissau 0 – 1 Camaroes). O golo apenas surgiu perto do apito final.

A segunda mao esta marcada para 15 de Junho do ano corrente em casa do adversario. É de se salientar que a selecao dos Camaroes, tem mais experiencia em jogos internacionais do que a selecao de Guine-Bissau e um resultado como este faz com que esteja tudo em aberto para ambas as equipas.

Traficantes usam costa africana como rota de drogas para Europa

Países como o Senegal, a Libéria e a Guiné-Bissau transformaram-se em pontos cruciais para o tráfico da cocaína. Criminosos transportam a mercadoria para a Europa passando pela África Ocidental.
Por Claudia Zeisel

Os países do oeste africano estão se tornando rotas cada vez mais significativas para os cartéis que controlam o tráfico de drogas na América do Sul, pois este é o caminho mais curto e mais barato para transportar a produto para a Europa. A afirmação é de Juri Fedotov, diretor do Escritório das Nações Unidas para Drogas e Combate à Criminalidade (Unodc). Ele estima que os cartéis chegam a lucrar em torno de 680 milhões de euros por ano com o negócio.
Segundo Aisser al-Hafedh, encarregado da África Ocidental do Unodc, o volume da cocaína apreendida na região caiu mais de 50% entre 2006 e 2009 – de 47 toneladas para 21 toneladas. Isso não significa, contudo, que o contrabando diminuiu, mas sim, que as redes criminosas teriam mudado suas estratégias. E, para Al-Hafedh, as autoridades dos países envolvidos precisam se adequar a elas.


Os criminosos desenvolveram, por exemplo, um sistema de transporte bastante profissional. A droga chega de avião, navio ou mesmo de submarino em uma das ilhas da costa, como Cabo Verde, e são transportadas de lá em unidades menores. As condições de segurança instáveis e a fraca fiscalização das fronteiras dos países do oeste africano como Serra Leoa, Senegal ou Libéria facilitam o contrabando.

Perigo rondando


Outro exemplo é Guiné-Bissau. Por causa de suas muitas ilhas ao longo da costa e da crise política local, o país acabou se tornando nos últimos anos um ponto importante do tráfico de drogas para a Europa.


Além disso, instâncias federais como a marinha, a alfândega e os militares não são exatamente confiáveis neste sentido, pois, segundo a ativista Priska Hauser-Schrerer, eles mesmos faturam com o comércio da droga no país.


"O tráfico desestabiliza enormemente a situação porque é algo muito perigoso. Não se pode cruzar o caminho de um traficante sem temer pela sua própria vida", avalia Hauser-Scherer, que trabalha para a organização antidroga IOGT, na Guiné-Bissau.

Situação parecida vive o Senegal. Na província de Casamance, ao sul do país, desde a década de 1980 impera uma guerra entre combatentes independentes e soldados senegaleses. "O tráfico de drogas nesta região aumentou principalmente por causa da crise econômica e das péssimas condições de segurança", explica Fatoumata Sy Gueye, diretora de programas da Fundação Konrad Adenauer em Dacar.


"Em outras regiões do Senegal o tráfico de drogas está ganhando mais peso, pois para muitas pessoas ele é a única maneira de ganhar dinheiro", disse Gueye.

Emprego para traficantes


Apesar de o Senegal ser um dos países mais avançados do oeste africano, ele ainda tem grandes problemas econômicos. O preço dos alimentos é alto e quase metade da população está desempregada.

Fatouma Sy Gueye acredita que principalmente os mais jovens precisam urgentemente de trabalhos formais, para voltarem a ter melhores perspectivas de vida. O Senegal precisaria encontrar alternativas para buscar financiamentos e para se manter no dia a dia.


Com o crescimento do contrabando do oeste da África para a Europa, mais drogas ficam nos países africanos para serem revendidas ou mesmo consumidas. Segundo o Unodc, os traficantes da África que cooperam com os sul-americanos recebem o pagamento também em drogas – isso acontece em uma significativa parte da região.


O Unodc levantou ainda em seu mais recente relatório que, em 2009, 21 toneladas de cocaína chegaram à Europa depois de passarem pelo oeste africano. Outras 13 toneladas teriam ficado nos países para serem consumidas.


Fonte: Deustche Welle

Domingo, 4 de Março de 2012

Arranque de programa para acesso à eletricidade em Bambadinca na Guiné-Bissau

No dia 23 de Fevereiro de 2011, arrancou o Programa Comunitário para Acesso a Energias Renováveis em Bambadinca, que tem como objectivo garantir o acesso sustentável a energia elétrica de fonte renovável (solar), 24 horas por dia, 365 dias por ano, aos 7000 habitantes daquela povoação na região de Bafatá, na Guiné-Bissau.

Atualmente, a população de Bambadinca não acede à eletricidade, ou acede a custos muito elevados e apenas algumas horas por dia. Isto tem efeitos negativos significativos, quer a nível económico (dado o peso da energia no orçamento das famílias, das empresas e das instituições), quer a nível da qualidade de vida (dadas as limitações que impõe ao desempenho de atividades domésticas, comerciais e em especial médicas). Bambadinca Sta Claro – denominação do programa para efeitos de divulgação - beneficiará assim toda a população da localidade, em particular os agregados familiares mais carenciados, bem como os comerciantes e as instituições mais relevantes (centros médicos e escolas).

Para que tal seja alcançado, e tendo em vista a sustentabilidade financeira e ambiental do programa, foi definido o seguinte plano de atividades concertadas:

  • Construção de uma central eléctrica fotovoltaica de 400 KvA, na vila de Bambadinca, bem como a extensão e renovação da rede eléctrica existente;

  • Assistência técnica à ACDB e à Direção Regional da Energia para a gestão, operação e manutenção do serviço de energia;

  • Definição e execução de um modelo de gestão adequado para assegurar a viabilidade financeira e técnica dos serviços;

  • Capacitação de eletricistas locais;

  • Desenvolvimento de uma campanha de sensibilização comunitária para a segurança e eficiência energética.

Com um orçamento de 2.140.724 €, será financiado em 75% pela União Europeia e em 25% pelo IPAD (Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento). A sua execução, a decorrer de Outubro de 2011 a Março de 2015, será da responsabilidade do programa Engenheiros Sem Fronteiras da ONG TESE, em parceria com a DIVUTEC (Associação Guineense de Estudos e Divulgação das Tecnologias Apropriadas), o Instituto Superior Técnico de Lisboa e a ACDB (Associação Comunitária de Desenvolvimento do Sector de Bambadinca).

No lançamento do projeto estiveram presentes representantes da Delegação da União Europeia junto da República da Guiné-Bissau, da Cooperação Portuguesa, do programa Engenheiros Sem Fronteiras, dos parceiros locais ACDB e DIVUTEC bem como o Ministro da Energia e o Governador da Região. O encontro teve lugar no local onde será construída a central fotovoltaica, foi presenciado pela população e animado por grupos de dança, música e teatro da região de Bafatá.

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Governo Portugues pronto para processar responsáveis por mutilação genital feminina

O governo Portugues está a acompanhar casos potenciais de mutilação genital feminina em Portugal e está pronto para processar criminalmente os autores, maioritariamente em comunidades imigrantes como a guineense, disse à Lusa a secretária de Estado da Igualdade.

Teresa Morais pediu há poucos dias a intervenção da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens num caso para que foi alertada de crianças em risco de serem mutiladas numa viagem à Guiné-Bissau durante as férias escolares e admite accionar meios judiciários contra os responsáveis.

«Estamos a falar de um crime. Não podemos criminalizar uma prática e depois fechar os olhos à circunstância e não fazer nada», disse a secretária de Estado em entrevista à Lusa em Nova Iorque, à margem da sua participação na Comissão do Estatuto da Mulher, nas Nações Unidas.

Está em causa a «integridade física das raparigas», grande parte delas nascidas em Portugal e cidadãs portuguesas, e nalguns casos as condições em que são excisadas leva à morte devido a hemorragias.

«Há situações de violência psicológica e física graves associadas a esta prática, pelo que, em relação a Portugal, estou a pôr toda a energia nesta matéria. Não sabemos quantos casos são, mas temos de fazer tudo ao nosso alcance para isto acabar», adianta Teresa Morais.

Para a secretária de Estado, esta é das «mais graves e chocantes violações de direitos humanos», mas mesmo assim pouco conhecida, porque é «oculta e avessa a estatísticas», sendo apenas detectada em urgências hospitalares, por exemplo nos arredores de Lisboa.

«O que me foi sinalizado não foi um caso de mutilação. Se tivesse sido, não me limitava a accionar intervenção da Comissão, mas sim os meios judiciários, comunicando ao Ministério Público logo. Temos de usar os meios de forma proporcional», afirma.

Mas a «primeira linha» de combate ao fenómeno, salienta, continua a ser a «prevenção, sensibilização e desmotivação», através de acções pedagógicas junto de famílias e comunidades.

A secretária de Estado quer endurecer o combate a esta prática envolvendo a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e fazendo uso de instrumentos legais e fundos de cooperação bilateral ou multilateral, que têm sido insuficientemente aproveitados.

«Os planos [da CPLP] prevêem [os direitos humanos] como sendo matéria que pode ser objecto de cooperação. É uma matéria em que vamos rapidamente operacionalizar uma cooperação que, aliás, já propus também à ministra da Igualdade da Guiné, que é, dentro dos países da CPLP, aquele em que [a situação da excisão feminina] é mais grave», afirma.

Teresa Morais propôs ao ministro dos Negócios Estrangeiros que nos próximos planos da cooperação portuguesa o combate à mutilação genital seja objecto de apoio «directo e claro».

Também recorrendo a fundos comunitários, é possível lançar acções, na Guiné-Bissau e em Portugal, com pessoal ligado à saúde e educação e o governo já propôs a Bissau um «programa conjunto de cooperação».

«Quer ao nível multilateral, no domínio CPLP, quer nas relações bilaterais com alguns países em que o problema é particularmente sensível, como a Guiné, é possível e deve-se avançar nos próximos tempos, concretizando-se aquilo que está, em termos teóricos e relativamente vagos, consagrado nos planos», adianta Teresa Morais.

Lusa

Sexta-feira, 2 de Março de 2012

Angola pede urgência nas ajudas

O ministro angolano das Relações Exteriores disse ontem, em Luanda, ser importante que os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) mobilizem, com urgência, recursos para apoiar o processo eleitoral na Guiné-Bissau.


“Estamos todos empenhados na mobilização de recursos e na criação de condições para permitir que o processo eleitoral guineense decorra num ambiente de paz e de estabilidade e seja também considerado transparente e credível”, afirmou Georges Chikoti aos jornalistas, à margem da cerimónia de abertura da reunião ordinária da SADC, que decorre até hoje, no Hotel do Centro de Convenções de Talatona.


Há necessidade de se mobilizarem recursos para permitir que no dia de votação tudo esteja conforme e decorra com normalidade, referiu o ministro.


“Estamos a tentar ver, de maneira específica, a contribuição que Angola pode prestar ao processo eleitoral guineense”, disse, e acrescentou que já há várias contribuições feitas por Portugal e Brasil.


O ministro declarou que estão a ser feitos esforços para sensibilizar toda a sociedade civil e os partidos políticos guineenses no sentido de trabalharem em conjunto para as eleições dignificarem o país e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


A Guiné-Bissau realiza eleições presidenciais antecipadas no dia 18 devido à morte, a 9 de Janeiro, do Chefe de Estado, Malam Bacai Sanhá.  As eleições presidenciais foram convocadas em Janeiro pelo Presidente da República interino, Raimundo Pereira.

PRESIDENCIAIS = Campanha eleitoral na Guiné-Bissau começa hoje

O primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o antigo Presidente Kumba Ialá concorrem para suceder a Malam Bacai Sanhá, o chefe do Estado guineense que morreu em Janeiro, num hospital de Paris.

A Guiné-Bissau está oficialmente desde hoje em campanha eleitoral, com dez candidatos a Presidente da República a irem para a estrada durante duas semanas, em busca de votos.

Depois da morte por doença do Presidente eleito em 2009, Malam Bacai Sanhá, as eleições foram marcadas para dia 18, um domingo, e apresentam-se a sufrágio dez candidatos, depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter chumbado outras quatro candidaturas.

Dos dez sobressaem quatro candidatos, de acordo com a opinião corrente, já que não há sondagens no país. Carlos Gomes Júnior, candidato apoiado pelo partido no poder, PAIGC, Kumba Ialá, do maior partido da oposição, PRS, e os independentes Henrique Rosa e Serifo Nhamadjo.

Na pré-campanha foram também estes que demonstraram mais capacidade de propaganda, com mais cartazes nas ruas e mais ações, e que deverão hoje dar o "pontapé de saída" destas duas semanas da corrida à cadeira presidencial em diferentes locais do interior da Guiné-Bissau.

A pré-campanha foi também marcada por alguma agitação política, com a oposição a acusar Carlos Gomes Júnior de concorrer ilegalmente, por ser primeiro-ministro e por a Constituição não permitir que seja demitido por um Presidente interino.

CPLP envia missão de observadores às eleições presidenciais na Guiné Bissau

A missão chegará a Bissau no dia 12 de março, permanecendo no país até dia 21 de março.

Bissau - A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai enviar uma missão de 11 observadores às eleições presidenciais na Guiné Bissau, que terão lugar no dia 18 de março.
De acordo com nota da CPLP, a missão contará com observadores de Angola, Brasil, Cabo-Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste e será chefiada pelo diplomata português António Russo Dias.


A missão chegará a Bissau no dia 12 de março, permanecendo no país até dia 21 de março.


No comunicado, a CPLP diz que os observadores estarão no país "com o objectivo de acompanhar todo o processo eleitoral à luz dos princípios internacionais  para a realização de eleições democráticas".

Manifestação da Oposição não cumpriu as expectativas

Bissau - A marcha da Oposição Democrática na Avenida principal da capital guineense não cumpriu as expectativas em termos de adesão. Não houve incidentes e os discursos foram directos.

Alguns cidadãos manifestaram-se contra os Juízes do Supremo Tribunal de Justiça e outros contra o candidato do PAIGC às Eleições antecipadas de 18 de Marco, Carlos Gomes Júnior.


O número de manifestantes não foi expressivo, caso se leve em conta os partidos políticos que compõe o colectivo da Oposição Democrática.


Fernando Vaz, único responsável da hierarquia deste fórum político, esteve presente depois de a manifestação ter chegado ao Supremo Tribunal de Justiça, e desdramatizou a expressão numérica do acto, afirmando que o importante é o simbolismo da manifestação em si.
«No fundo, o que interessa é nossa intenção objectiva. Nós não mobilizamos as pessoas para mostrar que temos muita força. Não abrimos duas sedes seguidas na mesma rua, isto é a estratégia de Carlos Gomes Júnior. Nós temos a nossa estratégia», referiu o responsável do Fórum.


De referir que o objectivo da manifestação era repudiar a decisão judicial, ao validar a candidatura de Carlos Gomes Júnior. Também o impedimento do recenseamento de pessoas que atingiram a idade de votar constituiu um ponto de protesto.


Temendo eventuais actos de violência, o Supremo Tribunal fechou as portas. Fontes afirmam que não havia segurança, tendo em conta o acontecimento em frente à sede da Comissão Nacional de Eleições (CNE).


A manifestação desta quinta-feira aconteceu um dia depois de o Supremo Tribunal de Justiça ter publicado a lista definitiva dos candidatos à Presidência da República e quando faltam menos de 24 horas para o início da campanha eleitoral.


A partir desta sexta-feira, 2 de Março, e durante 15 dias, os dez candidatos vão lançar-se ao terreno para a conquista de votos.

SINJOTECS pede protecção dos profissionais da comunicação social

Bissau - Preocupado com desenvolvimento do processo eleitoral em curso no país, o Sindicato de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJOTECS), pediu maior protecção dos profissionais durante as eleições.

A solicitação consta numa carta aberta dirigida ao Governo, por Maria Adiato Djaló Nandigna, Primeira-ministra Interina e a cumulativamente ministra da Comunicação Social.


Na missiva, o SINJOTECS aponta as preocupações da classe quanto à cobertura das Eleições Presidenciais antecipadas de 18 de Março, exortando o Executivo igualmente no sentido de pôr à disposição dos media os meios necessários para a cobertura do referido processo eleitoral.


No comunicado, o sindicato exige também das autoridades competentes um seguro para todos os profissionais implicados directamente na cobertura eleitoral numa das agências seguradoras existentes no país.


Por outro lado, que seja aplicado os perdiem diários de 75 mil Francos CFA para a cobertura da campanha, referentes às deslocações de repórteres para as várias regiões do país.


O documento evoca ainda o papel fundamental dos media na cobertura de um processo eleitoral, bem como a imperatividade e a observância no cumprimento rigoroso do Código de Conduta Eleitoral, aprovado no último congresso do SINJOTECS, em Agosto de 2011, condição indispensável para a garantia de uma cobertura isenta e imparcial do processo eleitoral.


A organização lembra também ao Governo que existem muitas limitações financeiras e materiais em todos os órgãos de Comunicação Social, tanto públicos como privados, em que os media nacionais não recebem nenhuma subvenção do Estado, apesar do serviço público que prestam à sociedade.


Perante esta situação, o SINJOTECS é de opinião que é imprescindível a garantia de segurança aos jornalistas no período eleitoral em curso na Guiné-Bissau.


A missiva termina apelando à flexibilidade do Governo sobre as preocupações levantadas pela classe.


Refira-se que o assunto foi comunicado à Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e à União de Jornalistas da África Ocidental (UJAO).
Sumba Nansil

Quinta-feira, 1 de Março de 2012

Droga: ONU diz que tráfico é ameaça ao desenvolvimento da Guiné-Bissau

Lisboa,(Inforpress) – O tráfico de droga continua a ser uma grande ameaça para o desenvolvimento da Guiné-Bissau, segundo um relatório da Agência Internacional de Controlo de Drogas (International Narcotics Control Board - INCB), hoje divulgado pela Nações Unidas.
Segundo aquela agência, além da ameaça ao desenvolvimento, o tráfico de droga leva também a um aumento do uso de drogas naquele país lusófono.

Os traficantes usam aviões comerciais para o transporte de cocaína para a África Ocidental. Em 2010, um número crescente de aviões partiu da Venezuela com destino a vários países da África Ocidental, incluindo Cabo Verde e Guiné-Bissau, referiu o relatório.
A agência divulgou que a Guiné-Bissau e outros países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) estão a coordenar esforços no quadro de um plano de ação da CEDEAO, com a ajuda de entidades como a Interpol e ONU, contra o tráfico organizado de droga e abuso de narcóticos.
Em junho de 2011, o Governo da Guiné-Bissau aprovou uma declaração política e um plano de ação para prevenir e combater o tráfico de droga e o crime organizado, complementando o plano da CEDEAO.
A INCB referiu ainda que, no ano passado, vários governos não forneceram o relatório estatístico anual pedido em tempo útil, como o Brasil.
No entanto, a agência destacou positivamente as iniciativas brasileiras para combater o tráfico de droga, como as Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) e o Plano Nacional de Combate ao Crack e Outras Drogas.
A agência informou que a heroína entra pela África Oriental através de aeroportos e portos, depois sendo contrabandeada para a Europa e outras regiões.
A heroína também é enviada via Moçambique para a África do Sul, onde é usada pela população local ou levada para outros países da África Austral e Oriental, revelando um aumento do uso dessa droga nessas regiões.
Em maio de 2011, 875 quilos de cocaína foram apreendidas no Paraguai, sendo que a droga tinha como destino Moçambique.
A agência revelou que vários países africanos têm promovido ações no combate ao branqueamento de capitais, como Angola, que em junho de 2010 aprovou uma lei contra esse crime e, em janeiro de 2011, aprovou o regulamento para a execução dessa lei.
Até 01 de novembro de 2011, Timor-Leste não havia assinado convenções da ONU sobre narcóticos, substâncias psicotrópicas e tráfico de droga, segundo a agência internacional de controlo de droga, que está preocupada com a situação.
Já Cabo Verde, assim como o Brasil, participa em programas da Agência das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), de acordo com o relatório.
No entanto, segundo o documento, em outubro de 2011 uma apreensão recorde de 1,5 toneladas de cocaína foi feita em Cabo Verde e, no mesmo mês, 480 quilos de cocaína destinada à Nigéria foram apreendidos no Brasil.
Este ano, o tema central do relatório é a exclusão social como fator que pode levar comunidades marginalizadas a um círculo vicioso de abuso e tráfico de droga, violência, crime organizado, corrupção, falta de emprego, saúde precária e baixa educação.
Em 2010, houve mais de 12 mil apreensões de substâncias controladas internacionalmente e enviadas pelo correio, sendo que 6,5 mil apreensões foram de substâncias lícitas internacionalmente controladas e mais de 5,5 mil de drogas de origem ilícita.
A Índia foi identificada como o principal país de origem dessas substâncias, representando 58 por cento das apreensões. Os Estados Unidos, a China e a Polónia também foram identificados como países de origem das drogas vendidas pela Internet.


Inforpress/Lusa