Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

PM diz que é «candidato natural» do PAIGC às presidenciais

O primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, afirmou hoje que é o «candidato natural» do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) às eleições presidenciais de 18 de março.

As eleições presidenciais antecipadas foram convocadas pelo Presidente interino, Raimundo Pereira, após a morte do chefe de Estado guineense, Malam Bacai Sanhá, a 09 de janeiro, em Paris, onde estava em tratamento médico desde novembro do ano passado.

MB/VM.

Lusa

Incêndio em contentor mata vigilante natural da Guiné-Bissau

Fazia segurança às obras de novo hotel no Parque das Nações                                                   

           Familiares de Liveriano Pereira

Um vigilante que fazia segurança ao estaleiro de obras do novo hotel da Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, em Lisboa, morreu ontem de manhã na sequência de um incêndio num contentor

 

Liveriano Pereira, de 45 anos e natural da Guiné-Bissau, terá morrido devido à inalação de fumos. Segundo o CM apurou, o homem pernoitava no contentor e usava um recipiente metálico para queimar papel e madeira com o objectivo de se aquecer. Quando os colegas que estavam noutro estaleiro a cerca de 50 metros se aperceberam do fogo, pelas 07h00, já nada havia a fazer. O contentor estava totalmente tomado pelas chamas e Liveriano jazia no chão.

Os sapadores de Lisboa combateram o incêndio e a Polícia Judiciária foi chamada ao local para averiguar a origem do fogo. Nenhum responsável da obra quis falar sobre o sinistro.

Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Ministério Público promove audições sobre acontecimentos de 26 de Dezembro

Bissau - O Ministério Publico guineense ouviu,  quinta-feira, 19 de Janeiro, Manuel Dos Santos, embaixador da Guiné-Bissau em Angola, no âmbito do processo de investigação dos acontecimentos de 26 de Dezembro, um caso ligado a alegada tentativa de Golpe de Estado.

Manuel dos Santos, conhecido por «Manecas», foi inquirido na qualidade de declarante, mediante um processo muito espinhoso e que envolve altos oficiais das Forcas Armadas guineense, entre os quais, José Américo Bubo Na Tchuto, Chefe de Estado-maior da Armada, que ainda se encontra preso no aquartelamento de Mansoa, a 60 quilómetros de Bissau.


Manuel dos Santos está na capital guineense no âmbito das exéquias do antigo Presidente da República, Malam Bacai Sanha.
Coronel na reserva, Manuel dos Santos teve ligações privilegiadas com o ex-Presidente da Republica, Nino Vieira, tendo exercido, entre outros cargos, na então administração estatal, a função de ministro das Finanças.

Artigo de opinião - Novo ciclo político à vista em Bissau

A morte de Malam Bacai Sanhá a 9 de Janeiro lançou para a praça pública guineense um debate que a sua classe política discutia há muito em surdina. Desde a evacuação médica do Presidente para Dakar, e posteriormente para Paris, que a necessidade de abrir um novo ciclo político no país, capaz de fazer face aos desafios impostos ao país em prol da sua estabilização era debatida.

Face ao fracasso das acções de protesto do conjunto de partidos da Oposição Democrática nos últimos meses de 2011, e ao falhanço do Golpe de Estado de 26 de Dezembro do “narcobarão” Bubo Na Tchuto e do político Roberto Ferreira Cachéu, a morte de Malam Bacai Sanhá criou condições para uma nova luta no seio do PAIGC. De um lado, os “herdeiros” da ala política de Malam, os chamados “mambistas”. Do outro, Carlos Gomes Júnior, actual Primeiro Ministro guineense.


No campo mambista é grande a incógnita sobre o futuro. Malam nunca designou em vida quem seria o seu herdeiro, facto que pode levar a dissidências na própria ala. A ex-Ministra do Interior Satú Camará parece ser a figura principal da contestação, mas outros “mambistas”, como o conselheiro Presidencial Soares Sambú e o empresário Braima Camará, em tempos considerado como o Delfim de Malam apesar do seu historial criminal conturbado em Portugal, estão à espreita da oportunidade certa para discutirem o poder.


Já Carlos Gomes Júnior surge como o mais forte pretendente a reclamar o estatuto de candidato natural do PAIGC à Presidência da República Guineense. Quase no final do mandato, Carlos Gomes Júnior tem a seu favor, por um lado, a credibilidade que lhe é atribuída pela comunidade internacional, e por outro, o respeito de grande parte da população que lhe reconhece obra feita, nomeadamente no pagamento de salários da função pública, a negociação da dívida externa do país e o lançamento de múltiplos projectos para o desenvolvimento das condições de vida por toda a Guiné-Bissau.


Com o declarado apoio de Angola, Carlos Gomes Júnior tem sido capaz de ultrapassar os sucessivos obstáculos políticos e militares que têm marcado o seu mandato como Primeiro Ministro. Ultrapassou duas tentativas de Golpe de Estado, deu início ao processo de Reforma do Sector de Segurança e Defesa, e empenhou-se no combate ao narcotráfico, fenómeno que marcou os últimos anos da Guiné-Bissau..


Nas próximas semanas, o PAIGC deverá agendar com carácter de urgência o seu Congresso para definir qual o candidato do partido às presidências. Desta luta entre “mambistas” e “cadoguistas” sairá o “candidato natural” do partido para substituir Malam Bacai Sanhá.
Mas 2012 é também ano de eleições legislativas na Guiné-Bissau, e não é esperado que Carlos Gomes Júnior, agora sem uma oposição interna unida, venha a ter quaisquer dificuldades em impor o seu candidato para a Primatura Guineense. Ainda que sem confirmações, fontes diplomáticas angolanas em Bissau referem o nome de Domingos Simões Pereira como o principal candidato, não só pelo seu perfil profissional, mas sobretudo pelas capacidades demonstradas enquanto Secretário da CPLP.


A CPLP, cuja presidência é actualmente garantida por Angola, terá um papel decisivo no apoio à estabilização da Guiné-Bissau, e daí a necessidade de ter à frente do Governo alguém com conhecimento dos meandros de instituições internacionais. Embora em Bissau já se encontre a missão militar angolana Misang – em cujas instalações Carlos Gomes Júnior se refugiou durante os acontecimentos de 26 de Dezembro – fontes em Bissau referem a necessidade de um maior apoio internacional para a resolução dos principais desafios do país. “O combate ao narcotráfico, a continuação da reforma do sector de segurança e defesa, e o reforço da estabilidade do país não poderá ser entendido numa lógica bilateral Angola-Guiné-Bissau, mas sim no âmbito de uma organização como a CPLP e pelo reforço do apoio de países como Portugal”, referem deputados do PAIGC.

Rodrigo Nunes

(c) PNN Portuguese News Network

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Eleições antecipadas na Guiné-Bissau acordadas para 18 de Março

Os três principais partidos da Guiné-Bissau disseram esta sexta-feira à Lusa que concordam com a data de 18 de Março, anunciada pelo presidente interino, para a realização de eleições presidenciais antecipadas.

A posição do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) foi transmitida pelo porta-voz, Oscar Barbosa, do Partido da Renovação Social (PRS), pelo seu presidente interino, Ibraima Sory Djaló e a do Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), por Abdu Mané, da direcção política do partido.

Oscar Barbosa diz que o PAIGC, no poder, está preparado para 18 de Março e na devida altura apresentará o seu candidato às eleições antecipadas, que decorrem do falecimento do Presidente, Malam Bacai Sanhá, no passado dia 9 deste mês.

"O PAIGC é um partido histórico e com responsabilidades perante este povo, pelo que estamos preparados para a ida às urnas. O PAIGC queria que se respeitasse na íntegra a data prevista na Constituição, mas compreende que tal não é possível devido ao facto de a morte do Presidente (Malam Bacai Sanhá) ter levado o país a ficar de luto durante alguns dias, aceita-se a data de 18 de Março", indicou o porta-voz do PAIGC.

Ibraima Sory Djaló, presidente interino do PRS, do ex-presidente guineense, Kumba Ialá, diz que o dia 18 de Março é a data avançada pelo seu partido nas consultas com o Presidente interino do país, Raimundo Pereira.

"18 de Março É a data que havia sido avançada pelo PRS, de modo que estamos plenamente de acordo com ela. Pensamos que com essa data estamos a respeitar a Constituição. O PRS está preparado para ir às urnas no dia 18 de Março", afirmou Sory Djaló, que lidera o PRS, desde que Kumba Ialá decidiu fixar residência, de forma voluntária, fora da Guiné-Bissau há mais de dois anos.

Kumba Ialá, que deverá ser o candidato às presidenciais pelo PRS, fixou residência em Dacar, no Senegal, mas muitas vezes viaja para Marrocos e Mauritânia. Isto desde que, em 2009, se converteu ao islamismo, passando a chamar-se Mohamed Ialá.

Concordante também com a data de 18 de Março está o PRID, fundado pelo ex-primeiro-ministro, Aristides Gomes, exilado em Dacar, Senegal, há mais de dois anos.

O porta-voz do PRID, terceira maior força política guineense, Adbu Mané afirma que embora se possa falar "numa ligeira violação da Constituição", o seu partido aceita a data anunciada pelo Presidente interino, Raimundo Pereira.

"Respeitamos a decisão do Presidente interino, pelo que estamos prontos para o dia 18 de Março. O PRID gostava que fosse no dia 9 de Março, como recomenda a Constituição, mas ainda que seja uma pequena violação da Constituição, aceitamos a data agora anunciada pelo Presidente da República interino", disse Mané.

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Missão da União Europeia avalia situação política e reforma das Forças Armadas no país

Bissau, 18 jan (Lusa) - Uma missão da União Europeia (UE) iniciou hoje contactos com as autoridades da Guiné-Bissau para avaliar o andamento do processo político e as reformas no setor de Defesa e Segurança.

De acordo com o Embaixador Sean Doyle, chefe da unidade África Ocidental do Serviço Europeu para a Ação Externa, a missão, que permanece em Bissau até sexta-feira, vai analisar o cumprimento das medidas anunciadas pelas autoridades guineenses para combate à droga e a implementação da reforma das Forças Armadas.

"É também uma missão para compreender melhor os últimos acontecimentos (ataque ao quartel do exército perpetrado por um grupo de militares no dia 26 de dezembro) e também uma ocasião importante para transmitir ao Presidente interino as condolências da comunidade europeia pela morte do Presidente Malam Bacai Sanhá, que era muito respeitado na União Europeia", disse Sean Doyle, à saída de uma audiência com o Presidente interino guineense, Raimundo Pereira.

ONU afirma que estabilidade política na África Ocidental ainda é frágil

Nova York - A estabilidade está a criar raízes na África Ocidental, mas a fragilidade dos equilíbrios na região faz com que de um momento para o outro a situação se inverta. Esta é uma das conclusões da visita que o enviado da ONU fez à região, apresentada, segunda-feira, ao Conselho de Segurança.
Said Djinnit, representante especial do Secretário-Geral e chefe do Escritório da ONU para a África Ocidental, indicou que os progressos são ténues e podem ser minados pela presença de grupos extremistas, por exemplo, na Nigéria, ou por soldados que tentaram, alegadamente, obter armas à força na Guiné-Bissau.
Djinnit sublinhou ainda que as tensões existentes reduziram-se em número e intensidade, e nos países da região que organizaram eleições, o escrutínio chegou mesmo a ser considerado credível pela comunidade internacional.
No entanto, o responsavel recordou que é preciso manter a atenção, porque eventos como o que recentemente se registou na Guiné-Bissau demonstram que o progresso “é ténue”. Para o enviado especial, os países dessa região continuam vulneráveis a incidentes que podem pôr em causa a construção da democracia, promoção da estabilidade e construção da paz.

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

CPLP acompanha novo ciclo na Guiné-Bissau

O Ministro das Relações Exteriores de Angola, Jorge Chicoty, reuniu-se na embaixada de Angola na Guiné-Bissau com o secretário executivo da CPLP, tendo ambos abordado os esforços com vista a pacificação e estabilidade naquele país.

O secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, entende que as instituições internas devem produzir consenso, para estabelecer uma nova data para a realização de eleições, apesar de a constituição estabelecer noventa dias para que os Guineenses escolham um novo presidente.


Domingos Simões Pereira disse que a CPLP acompanha com muita atenção este novo ciclo na Guiné-Bissau.


“A Guiné presta-se a entrar num novo ciclo político e a CPLP está a tomar as medidas necessárias para acompanhar. Eu penso que aí é importante permitir que as instituições internas, de forma livre e organizada, possam produzir os consensos necessários para estabelecer a data. Qualquer que for este consenso o importante é ter a comunidade internacional mobilizada para prestar a assistência necessária”, disse.

Eleições Presidenciais na Guiné-Bissau sem data marcada

Eleições Presidênciais na Guiné-Bissau sem data marcada

Raimundo Pereira, Presidente interino, reuniu-se hoje com os partidos políticos parlamentares.O encontro tem como objectivo a marcação das Eleições Presidenciais antecipadas na Guiné - Bissau.

A série de encontros entre Raimundo Pereira, Presidente interino, e os partidos com e sem assento parlamentar tem como objectivo a marcação das eleições antecipadas na Guiné - Bissau. Uma data que parece estar envolta em alguma polémica, uma vez que a Constituição guineense fala em sessenta dias para a realização do escrutínio e a lei eleitoral em noventa.

Desejado Lima da Costa, presidente da Comissão Nacional de Eleições-CNE, reconhece a contradição e acrescenta que no caso da CNE não será possível a realização de eleições nesse período, uma vez que ainda terão que fazer o recenseamento, processo que poderá durar cerca de trinta dias.

O presidente da instituição disse, ainda, que serão necessários cerca de três milhões de euros para realizar eleições presidencias antecipadas no país. Uma parte desse valor resultará de um esforço interno, outra de ajudas provenientes do estrangeiro.

Desejado Lima da Costa, presidente da Comissão Nacional de Eleições da Guiné - Bissau
 
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Desejado Lima da Costa, presidente da Comissão Nacional de Eleições da Guiné - Bissau
(01:29)
 

Terça-feira, 17 de Janeiro de 2012

O Presidente interino, Raimundo Pereira, convocou para hoje os partidos com assento parlamentar para tratar das eleições.

O Presidente interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, convocou para terça-feira os partidos com assento parlamentar para discutir a marcação das eleições presidenciais, disse hoje à Lusa fonte oficial.

Raimundo Pereira é o presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau e constitucionalmente é o Presidente interino da Guiné-Bissau, na sequência da morte do Presidente eleito, ocorrida na segunda-feira passada.

Também de acordo com a Constituição, as eleições presidenciais realizam-se no prazo de 60 dias, embora analistas e políticos tenham já considerado que é difícil cumprir esse prazo.

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

Guiné-Bissau não tem condições para realizar eleições – PM

16-01-2012

O futuro do país que à 26 de Dezembro último conheceu mais um episódio de revolta de militares, está a ser preparado com todos os cuidados.

De acordo com a constituição da Guiné-Bissau, o Presidente da Assembleia Nacional assume agora interinamente a presidência do país, por um período de 90 dias, dando depois lugar a realização de eleições.


O primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, disse que o país não tem condições para realizar eleições em 90 dias e, por isso, será necessário negociar com os partidos políticos.


“Quanto às exigências constitucionais nós vamos negociar, depois das exéquias do presidente vamos sentar, para falar com os partidos políticos e ver se chegamos a um entendimento, porque o prazo é de facto curto para um país pobre, um país carente como a Guiné-Bissau. Fazer eleições em 90 dias é completamente impossível, porque primeiro temos que ter recursos financeiros e, segundo temos que ver a realidade do próprio país”, disse.


Carlos Gomes Júnior disse ainda que também há limites constitucionais do próprio presidente interino, isso faz com que tenham que acelerar o processo.

Milhares prestaram homenagem "sentida" ao presidente da Guiné-Bissau

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Malam Bacai Sanhá nas Ultimas eleições
(00:57
 

A Guiné-Bissau despediu-se, este domingo, do seu presidente, Malam Bacai Sanhá, num 'adeus' sentido em termos religiosos e com cerimónias marcadas pela emoção e uma afluência jamais vista no enterro de um guineense.

Milhares prestaram homenagem "sentida" ao presidente da Guiné-Bissau

 
(01:01) 
 
 
As mais de cinco horas de cerimónias protocolares do Estado no Parlamento e na fortaleza d'Amura não demoveram os milhares de guineenses e convidados estrangeiros do último adeus a Malam Bacai Sanhá, falecido na segunda-feira em França, vítima de doença prolongada.
 
Sob um calor abrasador, mesmo sabendo que os populares não poderiam ter acesso ao interior da Fortaleza d'Amura, onde decorriam as cerimónias fúnebres, ninguém quis arredar pé enquanto não terminasse a cerimónia.

Transportados em marcha lenta do Parlamento para a Fortaleza d'Amura, numa distância de cerca de três quilómetros, os restos mortais de Malam Bacai Sanhá só foram depositados na sepultura após uma homenagem das autoridades do país, incluindo o presidente interino, Raimundo Pereira, o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior e a presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Maria do Céu Monteiro, e algumas individualidades estrangeiras.

Feitas as homenagens, pontuadas com a deposição de coroas de flores na campa do falecido Presidente, situada ao lado da de Amílcar Cabral (político africano falecido em 1973), os responsáveis políticos cederam o lugar aos líderes religiosos muçulmanos para procederem aos rituais islâmicos, já que Sanhá professava a religião islâmica.

Depois do enterro, Bacar Ducuré, um ancião que assistia às cerimónias, disse à Lusa que nos seus mais de 60 anos de vida jamais tinha assistido a uma homenagem "tão sentida como aquela que os guineenses deram a Malam Bacai Sanhá".

continuava com pessoas que espreitavam uma oportunidade para ir visitar a campa.

"Queremos entrar aí para irmos ver a campa do nosso presidente", disse à Lusa Segunda Cá, uma jovem estudante que se deslocou do bairro de Pluba, juntamente com os colegas, para prestar a última homenagem ao chefe de Estado.

Tal como se ouviu no sábado, quando o corpo era transportado do aeroporto para a sua residência, os guineenses voltaram este domingo a gritar "Mambas para sempre, glória eterna ao presidente".

"Mambas" era o diminutivo carinhoso pelo qual os guineenses tratavam Malam Bacai Sanhá.

 
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Raimundo Pereira
(01:30) 
 

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Corpo de Bacai Sanhá encontra-se em câmara ardente na sede da Assembleia Nacional Popular em Bissau

O funeral do Presidente da Guiné realiza-se, esta tarde, o corpo de Malam Bacai Sanhá está na sede da Assembleia Nacional Popular, em Bissau. É aí que personalidades guineenses e estrangeiras vão prestar a última homenagem.

Adesão do povo às cerimónias fúnebres de Sanhá demonstra empenho na estabilidade

Bissau, 15 jan (Lusa) - A grande receção do povo guineense às cerimónias fúnebres de Malam Bacai Sanhá "demonstra claramente" o empenho nos valores que o falecido Presidente defendia, de paz e estabilidade, considera o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português.

Em Bissau a representar Portugal no funeral do Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, Luís Brites Pereira disse hoje à Lusa que a sua presença é um sinal de solidariedade do povo português e do Governo.

"O povo guineense é um povo irmão, um povo lusófono, não podíamos deixar de estar aqui presentes", disse o secretário de Estado à Lusa, no dia do funeral de Malam Bacai Sanhá.

© 2012 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Honras militares em Paris no adeus ao presidente da Guiné-Bissau

Saída da urna de Malam Bacai Sanhá no Aeroporto de Orly em Paris a 14 de Janeiro de 2012

Saída da urna de Malam Bacai Sanhá no Aeroporto de Orly em Paris a 14 de Janeiro de 2012

O avião privado do presidente senegalês descolou às 10h35 do Aeroporto parisiense de Orly levando a urna do chefe de Estado da Guiné-Bissau. Honras militares foram prestadas a Malam Bacai Sanhá no adeus ao presidente guineense falecido em Paris na segunda-feira de doença prolongada.

O ministro da cooperação, Henri de Raincourt, e o general de brigada, Denis Heck, foram as autoridades que representaram a França na cerimónia de adeus a Malam Bacai Sanhá em Paris.

Membros do corpo diplomático acreditados na capital francesa, com destaque para países lusófonos, estiveram representados no Aeroporto de Orly, ao sul de Paris, para além de membros da comunidade guineense.

A reportagem da RFI ouviu alguns populares, caso da viúva do antigo primeiro-ministro Paulo Correia.

Guineenses no adeus em Paris a Sanhá

14/01/2012

Guineenses no adeus em Paris a Sanhá
 
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(01:05)
 

Todos eles vieram prestar tributo ao presidente da Guiné-Bissau falecido na segunda-feira no Hospital militar parisiense de Val de Grâce vítima de doença prolongada.

Uma doença que não lhe terá dado tréguas ao longo dos pouco mais de dois anos de presidência, obrigando-a ser internado com alguma regularidade tanto em Dacar como em Paris.

Sanhá fora evacuado para Dacar e, depois, para Paris, já a 22 de Novembro de 2011, acabando por falecer na passada segunda-feira.

Na hora do adeus foram-lhe prestadas honras militares, a filarmónica da guarda nacional republicana entoou música fúnebre, para além dos hinos nacionais guineense e francês.

Embarcaram no avião de 40 lugares a comitiva de próximos de Malam Bacai Sanhá, incluindo a viúva e o seu filho e os mais próximos assessores do presidente defunto.

O aparelho privado do presidente senegalês Abdoulaye Wade chegou a Bissau depois das 15 horas, hora local.

Honras militares no Aeroporto de Orly em Paris perante a urna do presidente guineense Malam Bacai Sanhá

Miguel Martins/RFI

Sábado, 14 de Janeiro de 2012

Avião com o corpo do presidente guineense já está a caminho de Bissau devendo chegar à capital guineense pelas 14.00 horas.

O avião que transporta o corpo do presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, descolou do aeroporto de Orly, em Paris, este sábado de manhã, devendo chegar à capital guineense pelas 14.00 horas.

Avião com o corpo do presidente guineense já está a caminho de Bissau

Malam Bacai Sanhá

O corpo do presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, saiu do hospital de Val de Grâce, em Paris, este sábado de manhã, após uma pequena cerimónia que juntou a Guarda Republicana, familiares, representantes do Governo de Bissau e diplomatas.

O avião que transporta o corpo, a aeronave privada do Presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, descolou de Paris às 10.35 horas (09.35 horas em Portugal continental).

O corpo do chefe de Estado guineense esteve no salão de honra do aeroporto, coberto com uma bandeira da Guiné-Bissau e tinha junto sete coroas de flores.

A acompanhar o corpo esteve uma comitiva de cerca de 100 pessoas, entre as quais o ministro da Cooperação francês, Henri de Raincourt, e o embaixador de Portugal em França, Francisco Seixas da Costa.

Na capital guineense estão previstos dois dias de cerimónias que terminam no domingo, quando o corpo for colocado num jazigo ao som de 21 salvas de canhão.

De acordo com o programa das cerimónias fúnebres, o corpo do Presidente será recebido com honras militares no aeroporto de Bissau, onde estarão entidades civis e militares, o corpo diplomático e representantes de organizações internacionais.

Uma guarda de honra fará soar o toque de clarim a anunciar a saída da urna do avião, que será recebida por seis elementos das Forças Armadas. A urna é depois coberta com a bandeira nacional e entregue oficialmente ao Presidente da República interino, Raimundo Pereira.

Depois de uma breve passagem pela casa onde vivia Malam Bacai Sanhá, a urna com os restos mortais do Presidente é exposta no salão do plenário da Assembleia Nacional Popular, onde ficará em câmara ardente até domingo, dia do funeral.

No domingo, as cerimónias começam às 08.30 horas, com a chegada da viúva e dos familiares de Malam Bacai Sanhá. Até às 11.00 horas, assiste-se à chegada de todos os participantes e nessa altura será lida a biografia do presidente por um antigo combatente da liberdade, e serão feitos dois discursos, um de um familiar e o último do Presidente interino.

Às 14.00 horas será feita uma cerimónia religiosa no pátio da Assembleia Nacional e só então o corpo é levado para Amura, entre alas de militares pelas ruas. Na fortaleza serão dados três tiros quando a urna chegar à porta de armas e disparadas 21 salvas de canhão no momento do enterro.

O presidente da Guiné-Bissau morreu, na segunda-feira, aos 64 anos, num hospital de Paris, onde se encontrava em tratamento médico desde Novembro.

Conselho de Segurança da ONU apela à obediência de militares

Nova Iorque, 13 jan (Lusa) - O Conselho de Segurança da ONU condenou hoje o ataque a quartéis na Guiné-Bissau, no final de 2011, e apelou aos militares para que mantenham a obediência ao poder civil.

O comunicado do Conselho de Segurança foi divulgado esta tarde em Nova Iorque, na sequência de um briefing ao órgão sobre a Guiné-Bissau, feito terça feira pelo subsecretário geral da ONU para os Assuntos Políticos, Lynn Pascoe.

O ataque contra alvos militares a 26 de dezembro é condenado pelo Conselho, que saúda também as medidas do governo e das Forças Armadas para manter a ordem pública e a legalidade, investigar o episódio e julgar os responsáveis.

Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2012

Presidente chinês lamenta "perda de um amigo sincero"

Pequim, 13 jan (Lusa) - O presidente chinês, Hu Jintao, manifestou o seu pesar pela morte do homólogo da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, que qualificou como "um amigo sincero", anunciou a agência noticiosa oficial chinesa Xinhua (Nova China).

"Lamentamos a perda de um amigo sincero", disse o líder chinês numa mensagem de condolências enviada quinta-feira ao presidente interino da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira.

Segundo a Xinhua, o presidente chinês salientou que Malam Sanhá "valorizou" as relações com a China e "empenhou-se na salvaguarda da estabilidade e unidade nacionais e na promoção do desenvolvimento económico" da Guiné-Bissau.

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

EUA reconhecem Raimundo Pereira como presidente interino da Guiné-Bissau, e oferecem ajuda à preparação de eleições

Os EUA anunciaram hoje que esperam colaborar com as autoridades guineenses na preparação das eleições, após a morte, na segunda-feira, do Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá.

«Esperamos colaborar com a comunidade internacional e trabalhar com o Presidente interino Pereira [Raimundo Pereira, presidente do parlamento, a exercer funções de chefe de Estado interinamente] na preparação do calendário das eleições», informa uma nota divulgada hoje pelo Departamento de Estado dos EUA.

A mesma nota dá conta da «satisfação» dos EUA em relação ao «bom trabalho conjunto» do Governo guineense e das Forças Armadas face a «uma ameaça interna contra a governação democrática», referindo-se à crise militar de 26 de dezembro de 2011, quando uma sublevação de militares foi controlada pelas autoridades, que prenderam 26 pessoas, incluindo o chefe da Armada, Bubo na Tchuto.

Lusa

Secretário-geral da ONU pede sucessão tranquila

O Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou ao cumprimento das modalidades de sucessão na Guiné-Bissau, após a morte, em Paris, do Presidente da República, Malam Bacai Sanhá.


O apelo de Ban Ki-moon surge numa altura que alguns partidos da oposição dizem estar contra a substituição de Malam Bacai Sanhá pelo presidente do Parlamento bissau-guineense, Raimundo Pereira, como prevê a constituição do país.


Em comunicado, o secretário Ban Ki-moon diz esperar “que as modalidades de sucessão previstas na Constituição da Guiné-Bissau sejam totalmente cumpridas”, e assegura que as Nações Unidas estão prontas a apoiar o país.


O Secretário-Geral da ONU homenageou a liderança do Presidente Sanhá que, afirmou, “guiou a Guiné-Bissau numa altura particularmente difícil da sua história”.


O chefe de Estado Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, proibiu, no dia da morte do Presidente bissau-guineense, qualquer interferência de militares nos assuntos políticos do país e ameaçou retirar a farda a quem desobedecer às suas ordens, afirmou uma fonte militar.


“É uma ordem! Não quero ver nenhum militar envolvido nos assuntos dos políticos”, disse António Indjai num encontro em Bissau com oficiais das Forças Armadas, para analisar a situação após a morte do Presidente Malam Bacai Sanhá, indicou a fonte militar.  A mesma fonte acrescentou que António Indjai informou aos militares que está “expressamente proibida a interferência de qualquer militar nos assuntos correntes do Estado” e que os militares “devem deixar aos políticos a condução de todo o processo, como prevê a Constituição”.


O chefe das Forças Armadas e o seu adjunto comunicaram ainda que o período de prevenção nos quartéis vai ser mantido nos próximos dias e instou os militares a manterem-se nas unidades.

A prevenção nos quartéis vigora no país desde a quadra de Natal.

Segundo a fonte militar, António Indjai foi peremptório: “não é permitida a movimentação de militares entre os quartéis. Quem se envolver, ficar à sua inteira responsabilidade e digo mais, vou-lhe tirar a farda”, afirmou o chefe das Forças Armadas do país. 

A morte do Presidente da República guineense ocorre duas semanas após uma nova crise militar no país, que provocou duas mortes e conduziu à prisão do chefe de Estado-Maior da Armada, José Américo Bubo Na Tchuto.


Malam Bacai Sanhá morreu num hospital em Paris, onde estava internado desde Novembro.


Eleito Presidente em 2009, Malam Bacai Sanhá, 64 anos, tinha problemas de saúde que o levaram a Dacar e a Paris, mas a causa da sua doença nunca foi esclarecida.


O presidente do parlamento, Raimundo Pereira, assume interinamente a Presidência desde a hospitalização de Malam Bacai Sanhá.


O Governo da Guiné-Bissau decretou sete dias de luto nacional pela  morte do Presidente da República, ocorrida em Paris.


Golpe constitucional


Os  partidos da chamada “Oposição Democrática da Guiné-Bissau” disseram estar contra a substituição do Presidente Malam Bacai Sanhá pelo presidente do Parlamento, Raimundo Pereira.


Em comunicado, a coligação da oposição, constituída por 15 forças políticas, afirma estar contra “a assunção do senhor Dr. Raimundo Pereira, actual presidente da Assembleia Nacional Popular à mais alta magistratura do país”.


O documento afirma que Raimundo Pereira “não merece a confiança dos partidos que compõem o colectivo da oposição democrática” e que o presidente do Parlamento “não deu garantias de democrata” quando desempenhou o cargo de Presidente interino após o assassínio do então Presidente João Bernardo 'Nino' Vieira, em Março de 2009. O colectivo da oposição, que conta apenas com dois partidos com representação parlamentar, sublinha ser irreversível a sua posição de rejeição de Raimundo Pereira para o cargo de Presidente interino da Guiné-Bissau.


A Constituição prevê que em caso de morte do Presidente da República, a presidência seja assumida interinamente pelo presidente do Parlamento até à tomada de posse de um novo chefe de Estado, após eleições num prazo de 60 dias.

Guiné-Bissau manifesta dor pela morte do Presidente da República

Depois do anúncio da morte do presidente Malam Bacai Sanhá, a cidade de Bissau acordou calma e, lentamente, retoma a normalidade. Os guineenses vão continuando a manifestar a dor pela perda daquele que consideram como o garante da estabilidade política e social do país.

Ramos-Horta lembrou "exemplo de determinação política" de Presidente guineense

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta,  lembrou hoje o "exemplo de determinação política" do falecido chefe de Estado  guineense, Malam Bacai Sanhá, mostrando-se convicto que o povo da Guiné-Bissau  saberá "honrar" o seu "enorme legado". 

"Lamento profundamente a perda do saudoso líder africano, exemplo da  determinação política na luta pelos valores da democracia, pela preservação  do normal funcionamento das instituições e pelo respeito pela ordem constitucional  no país", refere Ramos-Horta, numa carta enviada ao presidente da Assembleia  Nacional Popular da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira. 

Raimundo Pereira assumiu a presidência interina do país após a morte  de Malam Bacai Sanhá, na segunda-feira, em Paris.

Ramos-Horta afirma ter recebido com "consternação e tristeza" a notícia  do falecimento do Presidente da Guiné-Bissau, mostrando-se "convicto de  que o povo guineense e as suas instituições, civis e militares, saberão  honrar o enorme legado, prosseguindo os esforços para a consolidação do  desenvolvimento social e económico em clima de paz".

O Presidente guineense morreu na segunda-feira no hospital Val de Grâce,  em Paris, onde estava internado desde finais de novembro.

Eleito Presidente em 2009, Malam Bacai Sanha, de 64 anos, tinha problemas  de saúde nunca especificados, tendo-se deslocado por diversas vezes ao estrangeiro  para tratamentos.

O Governo guineense está a tratar da trasladação do corpo de Malam Bacai  Sanhá, tendo o chefe da diplomacia, Mamadu Djaló Pires, estimado que isso  poderá acontecer no sábado e o funeral no domingo. 

Lusa

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Oposição rejeita presidente do Parlamento na chefia de Estado interina da Guiné-Bissau

Bissau, (Lusa) -- Os principais partidos da chamada oposição democrática da Guiné-Bissau manifestaram-se ontem contra a substituição do Presidente Malam Bacai Sanhá pelo presidente do Parlamento, Raimundo Pereira, a quem acusam de alegadas irregularidades constitucionais no passado.

Em comunicado entregue à Agência Lusa, o coletivo da oposição democrática, constituído por 15 forças políticas, afirma-se liminarmente contra "a assunção do senhor Dr. Raimundo Pereira, atual presidente da Assembleia Nacional Popular (Parlamento guineense) à mais alta magistratura do país".

"Essa entidade não merece a confiança dos partidos que compõem o coletivo da oposição democrática, por fazer parte e ser um dos pivôs da estratégia de silenciamento dos partidos da oposição guineense a ser executada pelo PAIGC do senhor Carlos Gomes Júnior", lê-se no comunicado assinado por Ibraima Sori Djaló, presidente interino do Partido da Renovação Social (PRS, de Kumba Ialá).

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Mais de 16 embaixadores passaram ontem pela embaixada guineense em Lisboa

Lisboa - Mais de 16 embaixadores deixaram ontem (terça-feira) de manhã mensagens no livro de condolências que a embaixada da Guiné-Bissau em Lisboa abriu após a morte do Presidente, Malam bacai Sanhá, em Paris.

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, morreu segunda-feira no hospital militar Val de Grâce, em Paris, e a embaixada guineense em Lisboa abriu um livro de condolências, que estará disponível entre as 10:00 e as 12:30 e das 14:00 às 16:00 entre hoje e sexta-feira.

"São palavras de encorajamento, de solidariedade, de que a Guiné não está só porque os seus povos estão connosco", disse o embaixador Fali Embaló à Lusa, referindo-se às mensagens deixadas pelos embaixadores que até às 12:00 haviam passado pela embaixada.

O embaixador de Angola, José Marcos Barrica, foi o primeiro a escrever no livro, seguindo-se representantes de países como o Senegal, a Noruega, o Panamá, a Estónia, o Koweit, do Chile, bem como o embaixador do Brasil junto da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP).

"Fiquei muito comovido com a conversa que tive com os colegas de Angola, Senegal e Noruega", destacou Fali Embaló.

Em declarações à Lusa após assinar o livro de condolências, colocado numa pequena sala da embaixada, junto a uma imagem de Malam Bacai Sanhá e a uma bandeira da Guiné-Bissau, o embaixador do Chile, Fernando Ayala González, considerou que a morte do Presidente guineense é "uma perda para o movimento democrático mundial".

Malam Bacai Sanhá, afirmou o diplomata, era "um lutador pela liberdade e a independência do seu país e também por afirmar a democracia".

Questionado sobre o impacto que o desaparecimento de Malam Bacai Sanhá poderá ter na estabilidade política da Guiné-Bissau, o embaixador guineense defendeu que, por se tratar de uma morte natural, "pode unificar ainda mais os guineenses".

"Penso que isto pode reforçar ainda mais as relações de amizade que existem entre as diversas etnias, rumo ao desenvolvimento do país", disse.

Argumentando que a memória do Presidente, "como estadista, como homem de paz e de cultura, merece respeito", o embaixador apelou a "todas as forças vivas da nação" para que promovam a coesão e levem o país até às próximas eleições.

Sobre a comunidade guineense em Portugal, o embaixador afirmou que já houve quem tivesse passado na embaixada, mas manifestou-se confiante de que mais pessoas irão deixar as suas mensagens no livro de condolências.

"Temos uma importante comunidade e eu conto com eles", disse.

Eleito Presidente em 2009, Malam Bacai Sanhá, de 64 anos, tinha problemas de saúde que o obrigava a deslocar-se várias vezes a Dakar e a Paris. Até hoje nunca foi esclarecida a verdadeira causa da doença.

MNE guineense prevê trasladação do corpo do Presidente no sábado e funeral no domingo

Paris, (Lusa) -- O ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau disse hoje à agência Lusa que, "em princípio", o corpo do Presidente guineense, Malam Bacai Sanha, será transladado no sábado e que o funeral deverá realizar-se no domingo.

Depois de uma reunião em Paris com representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros de França, o ministro Mamadu Djaló Pires afirmou que o Governo da Guiné-Bissau decidiu fretar um avião para transportar o corpo do Presidente e apontou as 10:00 de sábado (hora local, 09:00 em Lisboa e Bissau) para a saída da capital francesa.

"Estamos a pensar, numa primeira projeção, chegar a Bissau às 14:00. Haverá alguma cerimónia perante os familiares do Presidente e à noite o corpo será transportado para a Assembleia Nacional Popular, onde ficará e os cidadãos irão prestar a sua homenagem, para que no dia 15 sejam realizadas as cerimónias fúnebres", afirmou.

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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Presidente da República Interino dirige mensagem ao país

Bissau – O Presidente da Assembleia Nacional Popular, Raimundo Pereira, dirigiu, esta segunda-feira, 9 de Janeiro, uma mensagem à Guiné-Bissau na sequência da morte do antigo Presidente da República, Malam Bacai Sanha.

Na missiva, o Presidente Interino da República destacou a qualidade e a vida política de Malam Bacai Sanha, que considerou ter dedicado a sua juventude e vida à causa de libertação do povo guineense, à democracia e à afirmação do Estado da Guiné-Bissau no concerto das nações.


Raimundo Pereira reconheceu que o falecido Presidente viria a dirigir os destinos da Guiné-Bissau com sapiência e elevado sentido de Estado.


«A sua dimensão humana e de estadista fará com que a perda seja apenas física, na medida em que estamos certos de que a sua obra ira perdurar ao longo dos tempos, servindo de inspiração para as gerações futuras», lê-se na mensagem.


Em conclusão, Raimundo Pereira apelou aos guineenses a usarem as lágrimas que são vertidas em consequência da morte do Presidente da República para «regar e fazer crescer os valores que sempre foram mais caros, tais como a liberdade, a justiça, a reconciliação nacional, a paz, a estabilidade e a unidade nacional».

França pede eleições livres na Guiné-Bissau após morte de presidente

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, lamentou nesta terça-feira a morte do presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, morto na segunda-feira em Paris, e pediu que o país organize eleições livres o mais rápido possível.

Em carta enviada ao presidente interino, Raimundo Pereira, Sarkozy destacou que a população da Guiné-Bissau ficou "órfã" e acrescentou que neste "período difícil" o país deve ser conduzido "mais uma vez a uma transição pacífica e ordenada".

Na carta, divulgada pelo Palácio do Eliseu, Sarkozy pediu a Pereira que organize "rapidamente eleições livres e transparentes", e expressou suas condolências pela morte de um homem que dedicou sua vida a "preservar a união nacional e guiar seu país entre os empecilhos de uma vida política agitada".

O Ministério das Relações Exteriores francês se mostrou solidário ao luto do país e destacou a militância de Sanhá pela independência do país e seu combate pela liberdade, além de seu esforço para "guiar Guiné-Bissau pelo caminho do desenvolvimento e de uma democracia tranquila".

Um porta-voz desse departamento indicou que Sanhá deixou esse desejo como herança e, assim como Sarkozy, acrescentou que a morte do ex-presidente, aos 64 anos e após uma longa doença, representa "uma grande perda" para o país.

O Ministério ressaltou ainda o apoio francês às autoridades interinas para a continuação do legado de Sanhá, que ocupava a Presidência desde 2009, e a consolidação da democracia e o Estado de direito.

Reacções à morte de Malam Bacai Sanhá, com (Videos)

De Portugal, da CPLP ou da Comissão Europeia chegam mensagens de consternação pela morte do Presidente da Guiné-Bissau e apelos à preservação da paz num “momento conturbado”. Malam Bacai Sanhá morreu nesta segunda-feira no hospital Val-de-Grâce, em Paris.
Cavaco Silva sublinha “legado de coragem”




video


O Presidente da República Cavaco Silva manifestou “profunda consternação” com a morte do presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, e apelou ao povo e às instituições da Guiné-Bissau para que dêem continuidade aos seus esforços na luta pela democracia.

Numa mensagem de condolências dirigida ao Presidente da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Raimundo Pereira, Cavaco Silva manifestou o “mais profundo pesar” e “profunda consternação” pela morte do homólogo guineense.

Destacou que Malam Bacai Sanhá deixa um “legado de coragem pessoal na luta contra a doença”, mas também “de determinação política na luta pelos valores da democracia, pela preservação do normal funcionamento das instituições e pelo respeito pela ordem constitucional na Guiné-Bissau”.

“Estou seguro que o povo guineense e as suas instituições, civis e militares, saberão estar à altura deste legado, dando continuidade aos esforços na consolidação do caminho pacífico e democrático de desenvolvimento social e económico”, escreveu o chefe de Estado português.

Cavaco Silva destacou o contributo do presidente da Guiné-Bissau para “o estreitamento da amizade e da cooperação” com Portugal e para “a defesa dos princípios e valores que unem” os dois povos, nomeadamente no quadro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Reiterou ainda “o firme e empenhado apoio de Portugal aos esforços da Guiné-Bissau em prol da paz, da consolidação da democracia e do desenvolvimento económico e social”.

Governo português expressa “profunda consternação”


O Governo português expressou também “profunda consternação” pela morte de Malam Bacai Sanhá, destacando o seu “importante contributo” no processo de estabilização e democratização do país.
“O Governo português recebeu com profunda consternação a notícia do falecimento [...] do Presidente da República da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, e apresenta à família, às autoridades da Guiné-Bissau e ao povo guineense as suas mais sinceras condolências”, refere em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.

O Governo português sublinhou ainda “o importante contributo que [Sanhá] procurou dar para o processo de estabilização e a democracia na Guiné-Bissau, elementos cruciais para o desenvolvimento do país e o bem-estar dos seus compatriotas”.

No comunicado, o Executivo português apela ainda a todos os “actores institucionais da Guiné-Bissau que respeitem a ordem constitucional e a estabilidade político-institucional no país”, no “período de transição política que se avizinha”.

“Neste momento de pesar, a Guiné-Bissau poderá contar, como sempre, com a solidariedade e a amizade de Portugal”, sublinha o texto.

Morte ocorre “num momento conturbado”, sublinha a CPLP
A morte de Malam Bacai Sanha ocorre “num momento um bocado conturbado da política na Guiné”, lamentou nesta sexta-feira o secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), acreditando, porém, que o povo saberá respeitar o seu “legado”.

Malam Bacai Sanhá “deixa um legado de sempre ter dado o seu melhor na tentativa de encontrar os consensos internos necessários à preservação da paz e ao desenvolvimento do país”, disse, em declarações à agência Lusa, o também guineense Domingos Simões Pereira. “Quero acreditar que o povo guineense (...) vai querer e saber honrar esta memória e alimentá-la com o respeito pela ordem interna e a aplicação das leis no processo da sua sucessão”, acrescentou o responsável da CPLP, que já falou com os embaixadores dos Estados-membros da organização, que vão reunir-se “muito brevemente para definir como acompanhar” a situação na Guiné.

Cabo Verde lamenta morte do presidente da Guiné-Bissau

O ministro das Relações Exteriores cabo-verdiano lamentou hoje a morte de «um grande amigo de Cabo Verde», sublinhando que o Presidente Malam Bacai Sanhá «desempenhou bem as funções» e manteve o «equilíbrio» na Guiné-Bissau.

«O Governo de Cabo Verde ficou espantado com a morte de Malam Bacai Sanhá e lamenta a morte de uma personalidade histórica», disse Jorge Borges aos jornalistas na capital cabo-verdiana, ainda surpreendido com a notícia divulgada hoje pela Presidência guineense.

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, morreu hoje no hospital Val de Grâce, em Paris, anunciou a Presidência guineense em comunicado.

Brasil expressa pesar pela morte de presidente da Guiné-Bissau

O Governo Brasileiro expressou seu "profundo pesar" e suas "sinceras condolências" pela morte do presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanha, em um hospital de Paris por causas ainda não esclarecidas. "O governo brasileiro recebeu com profundo pesar a notícia da morte nesta manhã do presidente da República da Guiné-Bissau", afirma um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

Assim como Guiné-Bissau, o Brasil faz parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). No texto, o Brasil manifestou também suas condolências tanto à família do presidente, como ao governo e ao povo da Guiné-Bissau e transmitiu sua "solidariedade e disposição em dar continuidade aos esforços de cooperação em prol da consolidação da paz" no país africano.

Malam Bacai Sahna, 64 anos, foi eleito presidente da Guiné-Bissau em 2009, em substituição de João Bernardo Vieira, assassinado em 2008 em um golpe de Estado. O líder era considerado uma das figuras que dedicou maiores esforços para trazer estabilidade a esse país africano.

Com cerca de 1,5 milhões de habitantes, Guiné-Bissau sofreu diversas turbulências político-militares desde sua independência de Portugal em 1974.

Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

Ultima Hora !!!!! PR Malam Bacai Sanhá faleceu no hospital Val de Grâce, em Paris

O Presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, morreu hoje no hospital Val de Grâce, em Paris, anunciou fonte oficial da Presidência da Guiné-Bissau.

 Malam Bacai Sanha

O Presidente guineense morreu hoje no hospital Val de Grâce, em Paris, anunciou fonte oficial da Presidência da Guiné-Bissau. Malam Bacai Sanhá encontrava-se em Paris desde o final de novembro, devido a problemas de saúde.

"A Presidência da República vem através deste meio comunicar ao povo  guineense e à comunidade internacional, com dor e consternação, que faleceu  esta manhã, 9 de janeiro de 2012, no Hospital Val de Grâce, em França, S.  Exa. o Presidente da República Malam Bacai Sanhá", diz o texto do comunicado.

O porta-voz da Presidência, Agnelo Regala, disse à Lusa que Malam Bacai  Sanhá morreu na manhã de hoje às 11:10 (hora local, 10:10 em Lisboa).

O comunicado divulgado pela Presidência acrescenta que as cerimónias  das exéquias fúnebres "serão oportunamente comunicadas pelas autoridades  competentes".

O conselho de ministros guineense esteve reunido na manhã de hoje em  Bissau "para analisar a situação", informou fonte do Governo, e prepara  a divulgação de um comunicado.

Na casa de Malam Bacai Sanhá em Bissau é já visível o movimento de chegada  de pessoas, em resultado da divulgação da notícia da morte do Chefe de Estado da Guiné-Bissau.

No final de dezembro do ano passado, o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, dizia aos jornalistas que o Presidente estava a recuperar bem mas que era preciso "dar tempo para o seu total restabelecimento".

Directora Administrativa e Financeira do Ministério da Energia libertada

Bissau - O Gabinete do Ministro da Energia, Indústria e dos Recursos Naturais ainda não se pronunciou relativamente às detenções do Chefe de Gabinete do ministro e do ex-director-geral da Geologia e Minas, no âmbito do processo judicial sobre a extracção de Jazigo de Mineiro Pesado na Praia de Varela.

Em causa está um caso que envolve falsificação do nome, assinatura e facturas de pagamentos no Ministério da Energia, Indústria e dos Recursos Naturais.


De acordo com uma fonte do Ministério dos Recursos Naturais, a situação foi despoletada depois de a Directora Financeira ter sido informada da situação pelo próprio ministro, tendo esta endereçado uma carta ao chefe da pasta da energia, reivindicando o que chamou na altura de «uso ilegal do seu nome e da direcção sob a sua alçada», por um grupo de pessoas.


Da carta enviada a Higino Cardoso, com a data de 24 de Novembro de 2011, consta a citação: «Ao apreciar-me com atenção, acabei por notar que o primeiro recibo tinha o timbre do Gabinete do ministro, rubricado por uma presumível Directora Administrativa e Financeira do Ministério, de nome Epifânia dos Santos que não existe neste ministério e com carimbo do gabinete do ministro, o que é estranho para mim, pois a única Directora Administrativa e Financeira no chama-se Epifânia Sousa Rodrigues e nunca fui subscritora de um documento deste tipo», fim de citação.


A PNN apurou que, numa primeira fase, o valor em causa era estimada em mais de Dez Milhões de Francos Cfa., recebido das mãos dos empresários chineses para a extracção de Jazigo de Mineiro Pesado na Praia de Varela.


Na mesma carta, Epifânia Sousa Rodrigues, actual Directora Financeira, que esteve presa nas primeiras horas e foi libertada por ter sido considerada inocente, lembrou ao seu ministro que nenhum pagamento é feito a dinheiro, mas através do Tesouro Público, entre os Bancos BCEAO e BAO, na conta de fundo de mineração.


«Se os recibos forem falsificados, é obvio que as licenças ou contratos também foram», lê-se no documento.


Relativamente à autorização de embarque de três contentores a partir de Porto de Bissau para a China, a PNN está na posse de uma carta com a data do dia 11 de Novembro, assinada pelo chefe do Gabinete do ministro da energia, Cesário Augusto Nunes Correia, para o Director-geral das Alfândegas, solicitando o levantamento da retenção dos contentores em causa, no Porto de Bissau.


A missiva refere também a troca de correspondências entre o Gabinete do ministro da Energia e dos Recursos Naturais e o gabinete do Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior que, alegadamente, teria autorizado a libertação dos três contentores com Jazigo de Mineiro Pesado na Praia de Varela, retidos no Porto de Bissau, na sequência do despacho do Ministro da energia do dia 29 de Março do mesmo ano.

ESPECIAL BISSAU = Guiné-Bissau: uma nação adiada

O País Online

 

Angola desatou-se esta semana em contactos com líderes africanos visando uma solução que restabeleça a paz na Guiné-Bissau, país que voltou a ser abalado em Dezembro por uma tentativa de golpe de estado, cujos actores ainda não são conhecidos.

Georges Chikoty, Ministro das Relações Exteriores, deslocou-se esta Quinta-feira a Nigéria e ao Ghana para contactar os presidentes daqueles países, por orientação de José Eduardo Santos, presidente da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa, CPLP.

Em declarações à imprensa, Chikoty disse que esse exercício tinha como objectivo convocar todos os países das diversas comunidades a participarem no esforço de restituir a estabilidade na Guiné-Bissau.

“Sabe que Angola nesse momento é o único país que tem efectivos militares que estão a ajudar a estabilização política e militar da GuinéBissau, para que se implemente o programa de reforma das Forças Armadas naquele país “, realçou.

Nesta conformidade, explicou, é desejo do Estadista angolano que todos os países, quer da CPLP como da CEDEAO, estejam envolvidos e façam mais para a estabilidade da Guiné-Bissau, uma vez que existe um mandato das Nações Unidas que foi renovado para o efeito.

A ideia é de que todos os países das referidas comunidades possam, com urgência, coordenar os seus esforços com as Nações Unidas para que se acelere o processo de estabilização da Guiné-Bissau”, concluiu.

O Presidente angolano e em exercício da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa condenou “veementemente” a acção ocorrida no dia 26 de Dezembro de 2011, na cidade de Bissau, perpetrada por um grupo de militares amotinados que, a pretexto de reivindicações dos seus salários, ocupou o paiol do quartel de Amura.

A condenação está contida numa carta enviada no final do ano passado aos seus homólogos da CPLP, na qual refere que os militares amotinados tentaram igualmente assaltar o Quartel do Exército e o Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses. O Presidente da CPLP considerou essa acção “potenciadora de instabilidade” e apelou aos membros das Forças Armadas da Guiné-Bissau, particularmente às Chefias Militares, “para que se abstenham de qualquer ingerência nos assuntos políticos e respeitem a sua tutela e a ordem constitucional, assim como o Estado de Direito e os direitos humanos”.

O Presidente José Eduardo dos Santos acrescentou na carta que os esforços envidados pela CEDEAO, para a conclusão e assinatura de um Memorando de Entendimento relativo à aplicação do roteiro sobre a reforma da Defesa e Segurança, assim como o recente prolongamento pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas do mandato da UNIOGBIS até Fevereiro de 2013.

“ São reveladores da atenção que a comunidade internacional presta à República da Guiné-Bissau, tendo em vista a consolidação da paz e da estabilidade interna e o resgate da esperança num futuro melhor para todo o povo guineense”, lê-se na carta.

As razões do conflito

No ano passado, a organização não governamental Voz di Paz procurou buscar as razões do problema auscultando vários guinenes residentes e no estrangeiro. O estudo revelou que a crise naquele país lusófono deve o enfraquecimento do estado, a má governação, pobreza, má administração da justiça e o tribalismo.

A referida auscultação envolveu mais de 3 mil pessoas, entre entidades militares e paramilitares, representantes do estado, sociedade civil, instituições privadas, tradicionais e religiosas.

O trabalho da Voz di Paz identificou os obstáculos à paz, inclusive na diáspora a partir da recolha feita em 38 sectores do pais, tendo sobressaído as quatro grandes famílias de problemas acima referidas.

A auscultação apurou que cada uma das regiões da Guiné tem as suas particularidades em termos de insegurança das pessoas e bens. “Na Região de Cacheu, por exemplo, a insegurança das pessoas e bens chama-se o roubo de gado. Na Região de Quinara chama-se caça ao feiticeiro, ou o casamento forçado”.

O tribalismo surge como um dos problemas emergentes, representando uma seria ameaça a paz social.

“Há instrumentalização das etnias para fins políticos. É um mal emergente que a população identificou como uma ameaça grave à paz”, referiu Koudawo.

Segundo Koudawo, esses resultados, da mais extensa auscultação popular registada na Guiné, representam o começo de uma nova fase, a de procura das raízes dos problemas identificados. “É a partir das raízes que se pode erradicar os problemas”, sublinhou.

Os trabalhos de auscultação popular foram levados a cabo durante dois anos. O Bispo de Bissau Dom José Camnate na Bissing pede que as causas dos conflitos identificados sejam vencidas pelos próprios guineenses.

“Todos nós devemos olhar por estas causas com os olhos do médico que conseguiu diagnosticar as causas da doença do seu paciente”, refere o Bispo numa mensagem lida por ocasião da apresentação pública do relatório sobre “Guiné-Bissau. As causas profundas de conflitos: a voz do povo”.

Os conflitos na Guiné-Bissau assentam, sobretudo, nas tensões de ordem interna, entre diversas tendências políticas, baseados na luta pelo poder.

A génese do conflito

Os conflitos fazem parte integrante da história da Guiné-Bissau, assumindo a forma, quer de resistência contra a sua potência colonizadora, Portugal, quer de lutas e tensões de ordem interna, entre diversas tendências políticas, baseados na luta pelo poder.

O nacionalismo e a luta anti-colonial na Guiné e Cabo Verde estiveram profundamente ligados à figura carismática de Amílcar Cabral.

Em 1961, Amílcar Cabral tentou conciliar as várias formações nacionalistas existentes na Guiné. Deste modo, tentou unir o PAIGC com a União dos Povos da Guiné (UPG) liderada por Henry Labery e o Movimento de Libertação da Guiné (MLG) de François Mendy Kankoila.

No entanto, estes três movimentos entregaram-se a renhidas e duras batalhas verbais, principalmente sobre o tema das relações entre a Guiné e Cabo Verde.

Por um lado, havia a existência de pequenos grupos que não queriam nada com Cabo Verde; por outro, o PAIGC insistia na tónica da unidade dos dois povos e territórios.

Em Fevereiro de 1964, o PAIGC realizou o seu I Congresso em Cassacá, na zona de Cacine. O objectivo deste congresso foi o de clarificar posições e unificar o Partido. Neste Congresso foi criado o Conselho Supremo da Guerra, órgão responsável pela condução da guerra. Foi também nesta altura que surgiram as Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP).

O Congresso de Cassacá foi ainda marcado pelo conflito entre os que concebiam o Partido como um projecto sério, um instrumento de libertação do povo guineense, e os que estavam predispostos a servir-se do partido para a realização de desejos pessoais.

Após importantes vitórias militares, o PAIGC sofreu um duro golpe a 20 de Janeiro de 1973 com o assassinato de Amílcar Cabral, tendo surgido várias versões para tentar explicar este assassinato. Cabral foi morto em Conacry por Inocêncio Kani, um comandante naval guineense do PAIGC.

Rivalidades entre guineenses e caboverdianos, inteligentemente aproveitadas pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), podem ter estado na origem do assassinato.

No entanto, continua a ser um mistério sobre quem o mandou matar, quem, nos bastidores, preparou e organizou o crime e tentou um golpe de estado no partido. Terá sido uma facção guineense, que não aceitava a liderança dos caboverdianos e mestiços? Qual o papel do Presidente da República da Guiné, Sékou Touré, que não lidava bem com a crescente projecção internacional de Cabral e a sua ligação à cultura portuguesa? E da PIDE, que se infiltrara na direcção do PAIGC e que tudo fizera para eliminar o principal inimigo do regime? E, qual o papel dos militares portugueses, que anos antes tinham invadido Conackry? Tudo perguntas ainda sem respostas, que não cabem no âmbito deste estudo, a não ser pelo facto de mais uma vez porém em evidência os constantes conflitos em que o PAIGC se foi envolvendo.

Na sequência da revolução de 25 de Abril de 1974, Portugal, através da Lei n.º 7/74. reconheceu o PAIGC como único e legítimo representante do povo da Guiné-Bissau e, nessa qualidade, iniciou negociações com vista à celebração de um acordo que formalizasse a independência do território. As negociações foram rápidas e a 26 de Agosto de 1974 foi assinado o Acordo de Argel. A transformação do PAIGC de movimento de libertação em partido dirigente da GuinéBissau trouxe alguns problemas de adaptação, agravados pelo conflito latente entre caboverdianos e guineenses e pela existência de uma camada da população, nomeadamente em Bissau e Bafatá, que não apoiava o Partido. O III Congresso do PAIGC, realizado em 1977, não foi capaz de resolver estes problemas.

Por ter sido o único movimento que assumiu de uma forma estruturada a luta pela libertação nacional, não permitindo espaço para a actuação de outros movimentos independentistas, os quadros do PAIGC chegaram à independência política constituindo-se como a única elite do poder competente para assegurar as tarefas de reconstrução do país. O poder e as posições principais foram arrebatadas por pessoas oriundas das camadas mais baixas (camponeses e assalariados), que na maior parte dos casos tiveram menos possibilidades para se educar durante o período colonial.

O regime de partido único

A independência foi recebida com um entusiasmo, que se generalizou, e que por vezes se tornou inconsciente aos problemas inerentes, com esperanças e incertezas quanto ao futuro da Guiné-Bissau. A luta continuava, embora agora o inimigo já não fosse o colonialismo português; estava agora dentro da sociedade guineense, nas fraquezas das próprias instituições que, desde o princípio, não correspondiam aos objectivos a atingir nesta nova fase de luta para a construção de uma nova nação, com muitas etnias diferentes umas das outras e em que se distinguiam os guerrilheiros do PAIGC, os antigos combatentes do lado português e a população que testemunhou, sacrificada, onze anos de conflito armado.

O País e agências

9 de Janeiro de 2012

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Angola e Nigéria vão coordenar ações para apoiar Bissau -- Chefe da diplomacia angolana

Luanda, (Lusa) - Angola e a Nigéria vão coordenar ações para apoiar a reforma dos setores de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau, disse hoje em Luanda o chefe da diplomacia angolana.

O anúncio foi feito por Georges Chicoti, que quinta-feira e sexta-feira se deslocou ao Gana e à Nigéria, portador de mensagens do Presidente angolano José Eduardo dos Santos para os seus homólogos ganês, John Mills, e nigeriano, Goodluck Jonathan.

A coordenação entre Angola e a Nigéria resulta do facto de José Eduardo dos Santos presidir atualmente à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e de Goodluck Jonathan ser o presidente em exercício da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

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Angola disponibiliza 13 milhões de euros às Forças Armadas guineenses. Verba será utilizada na recuperação das casernas

O governo de Angola disponibilizou este sábado 16,5 milhões de dólares, aproximadamente 13 milhões de euros, para a recuperação de infra-estruturas das Forças Armadas da Guiné-Bissau e anunciou que se vai manter "sempre ao lado" do país no processo de estabilização.

O ministro da Defesa angolano, Cândido Van-Dunem, assinou um protocolo com a ministra da Economia guineense, Helena Embalo, na presença do primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior.  

O primeiro-ministro afirmou que a verba vai ajudar a melhorar as condições de vida e de trabalho das Forças Armadas guineenses, uma vez que será utilizada essencialmente na recuperação das casernas.  

O ministro da Defesa angolano sublinhou que a disponibilização desta verba é um sinal "do engajamento de Angola" no processo de reforma da Defesa e Segurança da Guiné-Bissau, mas também um sinal para os outros parceiros do país. 

"Esta nossa atitude não é senão o sentido do nosso engajamento, sempre pro-activo, sempre dinâmico dentro das nossas possibilidades, para transmitir aos nossos irmãos da Guiné-Bissau, que ontem também se solidarizaram connosco. Hoje estamos em condições de o fazer, também estamos aqui com a nossa solidariedade", observou Van-Dunem. 

Cândido Van-Dunem frisou ainda que Angola estará sempre do lado da Guiné-Bissau e que deseja "muita coragem e muita persistência, acreditando sempre no futuro" do país. 

"Angola estará sempre do vosso lado", enalteceu o governante angolano.