Terça-feira, 9 de Novembro de 2010

Antigas colónias portuguesas são tema de festival de cinema em Londres

O festival “Cinema de Língua Portuguesa-35 Anos da Independência dos Países Africanos de Língua Portuguesa”, começa amanhã e acaba no próximo sábado, dia 13. As sessões vão realizar-se no cinema Alfred Hitchcock, na Universidade Queen Mary, em Londres, com entrada livre.

Imagem do filme

Imagem do filme "Nhá-Fala", de Flora Gomes (DR)

Do festival, organizado pela professora Else Vieira, fazem parte filmes de e sobre Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe. O festival começa com a exibição de “Mortu Nega”, do guineense Flora Gomes. No mesmo dia vão ser mostrados “Udju Azul di Yonta” e “Nhá-Fala”, do mesmo realizador.
O programa de quarta-feira é dedicado a São Tomé e Príncipe e aos filmes que o realizador lisboeta Francisco Manso fez sobre Cabo Verde. Depois da exibição de “O Testamento do Senhor Napumoceno” e “A Ilha dos Escravos”, ambos do realizador, Francisco Manso encontra-se com o público.


Moçambique é tema nos últimos três dias do festival. Na quinta-feira, vão ser exibidas curtas-metragens moçambicanas e vários filmes da realizadora Margarida Cardoso sobre o país. A sexta-feira divide-se entre três filmes angolanos e mais uma perspectiva portuguesa sobre Moçambique, desta vez do realizador Joaquim Leitão. O festival termina no sábado com uma homenagem à obra do escritor moçambicano Mia Couto, que escreveu o argumento de “Tatana” e viu a sua obra “Terra Sonâmbula” ser adaptada ao cinema por Teresa Prata.


Else Vieira, professora de estudos audiovisuais da Universidade Queen Mary, disse à Lusa que o seu objectivo com o festival é perceber como “Portugal vê as lutas coloniais”, mas também como “os africanos vêem os mesmos conflitos”. E acrescentou: “Os portugueses focam-se na questão psicológica, quando os outros olham para a importância histórica.”

País teve avanços económicos e sociais em 2009 e 2010

Bissau - A Guiné-Bissau teve avanços significativos na área económica e na área social entre 2009 e este ano (2010), mas a instabilidade prejudicou a entrada de recursos financeiros que impediram realizar muitas ações para o desenvolvimento.

A conclusão é do Governo da Guiné-Bissau e foi hoje anunciada no balanço dos progressos alcançados pelo Executivo do país em 2009 e 2010 no âmbito do Documento de Estratégia Nacional de Luta Contra a Pobreza.
"Há áreas em que foram dados passos mais significativos e há áreas onde os avanços foram um pouco mais tímidos", afirmou à agência Lusa Vasco Silva, diretor geral do Plano, do Ministério da Economia guineense.

Segundo Vasco Silva, foram verificados avanços "muito significativos na área económica" e "mesmo na área social, em termos de escolarização, vacinação e mortalidade materna e infantil".

O responsável elegeu a "insuficiência de recursos humanos", "fraqueza na articulação entre parceiros e Governo" e a "falta de recursos" como fatores que contribuíram para não haver ainda mais avanços.
"Nós já havíamos feito uma chamada de atenção. Identificamos como um risco a improbabilidade na mobilização de recursos, que aumentou devido à instabilidade", afirmou Vasco Silva.
"Não entraram de facto recursos que estávamos à espera para realizar determinadas ações", sublinhou.

Segundo o relatório, em 2009 e 2010, "apesar do contexto nacional e internacional difícil", o "país levou a cabo profundas reformas que permitiram registar performances marcáveis na estabilização
macroeconómica e na promoção do crescimento económico".

"Ao mesmo tempo, os resultados preliminares de inquéritos mostram uma tendência positiva da evolução dos indicadores sociais", acrescenta o documento.

No encontro, em que participaram membros do Governo, da comunidade internacional, sociedade civil e setor privado, foi também avaliado o DENARP II, para ser aplicado entre 2011 e 2015, e o relançamento da coordenação da ajuda ao desenvolvimento.

O DENARP é o quadro de referência para a planificação estratégica, programação e orçamentação das ações de desenvolvimento do país, assim como para o diálogo com os parceiros da cooperação técnica e financeira.

A preparação do DENARP II, cujo lançamento oficial ocorreu em 23 de abril, conta com a assistência técnica e financeira conjunta da ONU e Banco Africano de Desenvolvimento.

Director-geral dos Serviços Prisionais português está no país

Bissau – O Director-geral dos Serviços Prisionais português, Rui Sá Gomes, encontra-se, em Bissau, para assistir à cerimónia de juramento de bandeira de cerca de 80 efectivos da Guarda Prisional guineense.

A corporação foi formada no quadro da reforma em curso no sector da Justiça guineense e no âmbito da cooperação entre Portugal e a Guiné-Bissau. Segundo uma nota de imprensa do Ministério da Justiça guineense, distribuída no início desta semana, alguns dos formandos vão ser colocados no Centro de Detenção da Polícia Judiciária em Bissau, e também nas prisões de Mansoa e Bafatá, respectivamente no norte e leste da Guiné-Bissau.


O curso leccionado teve a duração de pouco mais de dois meses e contou com apoio do gabinete das Nações Unidas contra Droga e Crime (UNODC). Na cerimónia, que será presidida pelo Ministro da Justiça Mamadu Saliu Djalo Pires, tomam parte o adido da cooperação da embaixada de Portugal na Guiné-Bissau, o representante da União Europeia, da União Africana e do Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOBIS).


A cerimónia, que se realizará esta terça-feira, em Bissau, no estádio Lino Correia, é aberta ao público em geral.

Governo cria condições para eleições autárquicas

Bissau - O Governo da Guiné-Bissau distribuiu hoje viaturas novas aos governadores das oito regiões do interior do país como forma de lhes permitir maior mobilidade para que possam preparar as primeiras eleições autárquicas. 

As viaturas, carrinhas de caixa aberta, foram entregues pessoalmente pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, na presença de alguns ministros do Governo central. 

O primeiro-ministro disse que a entrega das viaturas só agora foi possível devido ao facto de o país ter atingido as metas que tinha traçado com os parceiros da comunidade internacional, nomeadamente com o Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional. 

Com a entrega das viaturas, "o Governo quis demonstrar a sua preocupação com o desenvolvimento regional", disse Carlos Gomes Júnior, sublinhando que os compromissos com a comunidade internacional justificaram o atraso.

"Era nossa preocupação atingir o ponto de conclusão (que levara à perdão da dívida externa do país), findo isto, nós pensamos que é chegada a hora de darmos uma dignidade aos nossos responsáveis regionais", declarou Gomes Júnior, indicando que as viaturas servirão para dar outra dinâmica à governação local na perspectiva da preparação das eleições autárquicas. 

Os governadores prometeram trabalhar, usando as viaturas, para satisfazer as necessidades das populações e cumprir as orientações do Governo central nomeadamente na preparação das primeiras eleições autárquicas que deverão ocorrer o mais tardar até ao primeiro trimestre do próximo ano.

Cabo Verde acolhe colóquio "Diásporas"

CPLP tem oito países membros: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

CPLP tem oito países membros: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

O Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) vai realizar, durante os próximos dois anos, um conjunto de colóquios sobre a língua portuguesa em quatro capitais lusófonas.
Os eventos fazem parte do novo plano de ação do organismo e vão servir de alicerces para a segunda edição da Conferência Internacional da Língua Portuguesa.

São quatro colóquios, cada um em sua cidade lusófona, para debater a língua portuguesa. O primeiro intitula-se “A língua portuguesa nas organizações internacionais”, segue-se “O português na Internet”, o terceiro vai debruçar-se sobre as “Línguas Nacionais” e o ciclo termina, precisamente na cidade da Praia com o colóquio “Diásporas”.

Gilvan Muller de Oliveira, presidente do IILP, afirma que é necessário estudar os novos fenómenos da língua e, acima de tudo, “não pensar a língua portuguesa como um encerramento, mas como uma porta aberta para um mundo cada vez mais plurilingue”.

Domingo, 7 de Novembro de 2010

ONU estuda o policiamento internacional das águas da Guiné-Bissau

O Gabinete das Nações Unidas na Guiné-Bissau está a estudar um memorando que iria permitir que barcos internacionais policiassem as águas desse país, com a colaboração de elementos da polícia nacional.

A informação foi ontem à tarde dada pelo representante especial da ONU em Bissau, o ruandês Joseph Mutaboba, durante uma reunião do Conselho de Segurança, em Nova Iorque.


O mesmo gabinete defende que entidades estrangeiras ajudem a controlar os aeroportos e portos guineenses, dadas as limitações dos parceiros regionais no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.


Mutaboba defendeu no Conselho de Segurança uma acção internacional mais robusta para “nomear e envergonhar” as pessoas que na Guiné-Bissau se dedicam a tráficos ilícitos, congelando ou confiscando os seus bens, conforme os Estados Unidos aliás já fizeram em relação aos chefes dos estados-maiores guineenses da Armada e da Força Aérea, respectivamente Bubo Na Tchuto e Ibrahima Papa Câmara.


O representante do secretário-geral Ban Ki-moon apresentou na reunião um roteiro elaborado pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), para a reforma do sector da segurança na Guiné-Bissau e o combate ao narcotráfico.


Para além de Mutaboba, também intervieram nos trabalhos Maria Luísa Ribeiro Viotti, do Brasil, presidente de uma comissão destinada a pacificar a Guiné-Bissau, e o angolano Sebastião Isata, representante especial do Conselho de Paz e Segurança da União Africana para a melindrosa questão guineense; bem como o embaixador de Bissau na ONU, João Soares da Gama.


Um grupo internacional de contacto para a Guiné-Bissau, a CPLP, a CEDEAO e, muito em particular, o Governo de Angola estão a debater um roteiro e a considerar a activação de uma força internacional que apoie a concretização desse mesmo roteiro, de modo a proteger as principais instituições guineenses, que se têm revelado muito frágeis.


O delegado da ONU em Bissau lamentou uma vez mais que continue detido Zamora Induta, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas afastado do seu cargo em 1 de Abril, considerando que isso demonstra a continuação do predomínio dos militares que contra ele se rebelaram e que se mostram mais fortes do que os tribunais.
Por seu turno, o embaixador Soares da Gama afirmou que as dificuldades que o seu país tem atravessado nos últimos 12 anos se devem em parte ao facto de não terem sido devidamente integrados os homens e as mulheres que lutaram pela independência do país, unilateralmente proclamada em 24 de Setembro de 1973 e reconhecida no ano seguinte por Portugal. Muitos dos antigos combatentes permanecem no activo das Forças Armadas, apesar da sua idade avançada.

Representante da ONU pede doadores a manterem apoio

Logotipo da ONU
Nova Iorque - O representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau apelou hoje (sexta-feira) aos doadores e parceiros da Guiné - Bissau para manterem o seu apoio ao país, face aos "desenvolvimentos positivos" registados nos últimos meses. 
Num briefing ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, Joseph Mutaboba disse que o plano de estabilização elaborado pela comunidade regional (CEDEAO) e comunidade lusófona (CPLP), juntamente com os compromissos de apoio à reforma do sector de segurança "devem contribuir para proteger as instituições do Estado, aumentar a supervisão civil sobre as estruturas militares". 
"Se bem articulado e coordenado [este plano] deve criar condições para a renovação do empenho dos doadores e outros parceiros chave, para continuarem a apoiar as reformas económicas e programas de alívio da dívida", disse Mutaboba. 
"Esta parceria também deve ajudar a criar condições para a implementação de um aspecto crítico do programa reforma do sector do segurança, nomeadamente a reforma e reintegração de militares, incluindo ex-combatentes, combater a impunidade, tráfico de droga e crime organizado", adiantou. 
Entre os "desenvolvimentos positivos" no país, Mutaboba sublinhou o pagamento regular dos salários dos funcionários públicos, o diálogo de reconciliação nacional, reformas judiciais, retoma dos trabalhos do comité nacional para a reforma do sector de segurança e um pedido oficial das autoridades à ONU para apoio no combate ao tráfico de droga.  
O enquadramento legal para o fundo de pensões dos militares foi aprovado, a par de progressos na reforma das polícias, e a União Africana estabeleceu presença permanente na Guiné-Bissau. 
"Este novo ímpeto reabriu uma janela de oportunidade para estimular a colaboração entre a comunidade internacional e a liderança da Guiné-Bissau, depois de meses de impasse", adiantou. 
Este impasse deriva dos acontecimentos de 01 de Abril, que "contribuíram para o crescimento de um sentimento de frustração entre alguns parceiros", referiu. 
Mutaboba reconheceu que alguns parceiros se mostram mais "relutantes" em relação à Guiné-Bissau com a contínua detenção do ex-chefe de Estado Maior, Zamora Induta, que "demonstra a predominância da liderança militar sobre o sector judicial, e até certo ponto do executivo". 
Mas afirmou que é "crucial" para o Governo guineense assegurar o apoio "político, técnico e financeiro", por parte dos países regionais e Nações Unidas ao plano CPLP-CEDEAO, que deve ter prazos e mecanismos para medir progressos.  
Mutaboba pediu ainda apoio "urgente" ao fundo de pensões dos militares e capacitação das Forças Armadas, para "consolidar paz e estabilidade".
Quanto ao tráfico de droga, Mutaboba adiantou que está a ser negociado com as autoridades guineenses um memorando de entendimento que permitiria os navios de países parceiros internacionais fazer o patrulhamento das águas territoriais da Guiné-Bissau, nos moldes semelhantes ao que já acontece com Cabo Verde e Senegal. 
Pediu ainda aos parceiros para fornecerem equipamento de controlo de fronteiras nos aeroportos e portos, para impedir o trânsito de drogas e o crime organizado.  
Sugeriu também "acções mais robustas" contra os responsáveis pelo narcotráfico, nomeadamente na agilização do congelamento e confisco de contas bancárias.

Guiné-Bissau solicita $ 127,6 milhões a Angola

A Guiné-Bissau solicitou a Angola uma ajuda financeira de 127 milhões e 600 mil dólares americanos para apoio orçamental e projetos socioeconómicos, anunciou o ministro angolano das Finanças, Carlos Lopes.


O ministro das Finanças, que apresentava no Parlamento quinta-feira em Luanda o Memorando de Cooperação Financeira com a Guiné-Bissau para discussão e aprovação dos deputados, disse que deste montante 12 milhões de dólares americanos se destinam a apoio orçamental com vista à implementação do programa económico e a execução de investimentos públicos.


Adiantou que 25 milhões de dólares americanos serveriam para o apoio à atividade empresarial e o restante para projetos específicos no Porto da Guiné-Bissau (19 milhões), a reabilitação das vias urbanas (65 milhões) e o financiamento da comunicação social (6,6 milhões).


No entanto, a ministra angolana do Planeamento, Ana Dias Lourenço, precisou que Angola se comprometeu em apoiar o finaciamento do Orçamento Geral do Estado da Guiné-Bissau em 12 milhões dólares americanos, bem como em abrir uma linha de crédito de 25 milhões de dólares americanos para viabilizar a atividade dos empresários dos dois países.


A Guiné-Bissau solicitou também a Angola o tratamento da sua dívida externa, calculada em 38 milhões, 807 mil e 561 dólares americanos, que será alvo duma contraproposta para negociação, segundo Ana Dias Lourenço.


A ministra do Planeamento disse aos deputados que a negociação terá como base um trabalho que a Guiné-Bissau está a realizar no âmbito do programa do Fundo Monetário Internacional (FMI), de onde sairá a estrutura e o perfil da sua dívida.

Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

AMI parte para Missão Aventura Solidária na Guiné-Bissau

Lisboa – Parte esta sexta-feira para a Guiné-Bissau mais uma Missão Aventura Solidária da AMI.

O objectivo da missão da AMI é promover o desenvolvimento dos projectos locais que a organização apoia, contribuindo para a erradicação da pobreza. A AMI decidiu apostar num conceito sustentável e mais humano, sendo que este projecto possibilita o financiamento de projectos emanados da sociedade civil local e a criação de emprego.
A Missão Aventura Solidária AMI oferece aos voluntários que nela participam de vivenciar a diversidade e riqueza cultural e ao mesmo tempo enriquecerem a sua visão do mundo e do outro lado da globalização. Desta forma, os «aventureiros solidários» poderão conhecer outras culturas, ajudar comunidades, e viajar de forma diferente e responsável.
O projecto da AMI começou em Abril de 2007 com uma missão ao Senegal e em 2009 alargou-se ao Brasil e à Guiné-Bissau. Nas 14 missões já realizadas até hoje, participara, 137 pessoas das mais variadas idades e actividades profissionais. Consolidou-se a criação de empregos, a estimulação da economia local e de melhores condições sociais nas áreas da saúde e da educação.

(c) PNN Portuguese News Network

Panorama do mundo lusófono Moçambique ainda é um dos países menos desenvolvidos

Moçambique na causa do PNUD

Excluindo Portugal, o Brasil e Cabo Verde são os países lusófonos com o melhor índice de desenvolvimento humano (IDH), de acordo com o relatório 2010 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), ontem distribuído. O Brasil encontra-se num índice de desenvolvimento elevado e Cabo Verde num índice de desenvolvimento médio, tal como Timor-Leste e São Tomé e Príncipe, enquanto os restantes países de língua oficial portuguesa já entram na categoria dos de desenvolvimento humano baixo: Angola, Guiné-Bissau e Moçambique.
Os brasileiros registam um IDH de 0,699, não muito diferente do que tinham há cinco anos, se bem que os critérios adoptados este ano sejam diferentes, e têm uma esperança de vida de 72,9 anos, bem como uma escolaridade média de 7,2 anos. Cabo Verde está agora com um índice de 0,534, à frente da Índia, tem uma esperança de vida de 71,9 anos e um produto nacional bruto (PNB) per capita de 3306 dólares. Timor-Leste regista o índice 0,502, tem vindo a subir muito desde 2005, mas a sua esperança de vida é de apenas 62,1 anos, não chegando os seus habitantes a ter em média três anos de escolaridade. Para as ilhas de São Tomé e Príncipe o índice é de 0,488, a esperança de vida, 66,1 anos, a escolaridade média de 4,2 e o PNB per capita de 1918.


Angola não consegue mais do que a 146ª posição neste ranking do PNUD, com um índice de 0,403 (ligeiramente inferior ao do Haiti), apenas uma esperança de vida de 48,1 anos e uma escolaridade média de 4,4, apesar de ter um PNB per capita de 4941 dólares, o mais elevado de todos os países com um baixo IDH. A Guiné-Bissau ainda se encontra abaixo do Chade em questões de desenvolvimento humano, com o índice 0,289, 48,6 anos de esperança de vida e um mero PNB per capita de 538 dólares, inferior ao de países como a Serra Leoa ou o Níger. Por último, de entre os territórios lusófonos, está Moçambique, com o IDH 0,284, 48,2 anos de esperança de vida e uma escolariedade média de uns escassos 1,2 anos.

Grupo de Teatro do Oprimido de Guiné-Bissau faz apresentação no Rio de Janeiro

Nos dias 6 e 7 de novembro o GTO-Bissau participa do evento Encontros Culturais da Língua Portuguesa, no Oi Futuro Flamengo, apresentando a peça Maria, Ritual das Parideiras, criado à partir da pesquisa Laboratório Madalena, uma parceria do CTO com a diretora Alessandra Vannucci. A peça de Teatro-Fórum conta a dificuldade da mulher guinense em garantir a liberdade de escolha do momento de ser mãe. A cena revisita uma cerimônia tradicional na etnia Felupe, que reúne as mulheres para celebrar sua fecundidade e seu poder com rezas, canto, danças e bebidas. No dia 6 a apresentação acontece às 21h e no dia 7 às 20h. A apresentações no Rio contam com participação especial do elenco feminino do CTO. O Oi Futuro fica na Rua Visconde de Pirajá 54, Ipanema, RJ. Os ingressos são gratuitos.

Cabo Verde-Armas de guerra da Guiné-Bissau circulam no arquipélago

Cidade da Praia - A imprensa cabo-verdiana noticiou, nesta quinta-feira, que existem armas de guerra oriundas da Guiné-Bissau a "circularem" no país, assim como “indícios” de trafico material bélico, situação não confirmada pelo Governo.

A notícia foi avançada na edição de hoje do semanário cabo-verdiano “A Nação”, que adianta estar na posse de informações que "indiciam a existência de um esquema de tráfico de armas", que chegam da Guiné-Bissau em "sacos de alfarrobas e cabaceiras para dissimular as armas e munições".

"Armas como espingardas automáticas do tipo AKM e pistolas Makarov circulam, normalmente e sem qualquer controlo, entre militares e civis na Guiné-Bissau e daí uma certa fragilidade em engendrar um esquema que permita «exportá-las» para países vizinhos", escreve o jornal, que não cita fontes. 

Segundo o jornal, o "esquema" está nas mãos de um conhecido empresário do país, que não é identificado, e a organização está de tal forma montada que consegue escapar aos «scanners» portáteis da Comissão Nacional de Controlo de Armas Ligeiras e de Pequeno Porte, instalados nos principais portos e aeroportos do arquipélago. 

"Recentemente, foram detidos alguns grupos de delinquentes, chefiados por ex-fuzileiros das Forças Armadas cabo-verdianas na posse de armas de guerra, que, alegadamente, não fazem parte do arsenal do Exército local”, lê-se no jornal. 

No jornal, o Chefe do Estado-maior das Forças Armadas (CEMFA) cabo-verdiano, coronel Fernando Pereira, não comentou a situação, mas garante que existem medidas de controlo em relação ao material bélico do país, deixando entender que o material que circula em Cabo Verde não pertence ao Exército. 

Ainda hoje, a ministra da Defesa cabo-verdiana, Cristina Lima, foi cautelosa na abordagem ao assunto, sublinhando que não pode confirmar a notícia, embora saliente que o Governo está "atento" a situação. 

"Todo o tipo de circulação de armas ilícitas que se verifica está a ser acompanhado pelas instâncias próprias e temos a noção de que é necessário fazer algo para evitar a porosidade das fronteiras", salientou.

Cristina Lima sublinhou, por outro lado, que os meios de fiscalização nos portos e aeroportos tornam os tráficos "mais difíceis".

Realçou que Cabo Verde, apesar de ser arquipélago, tem já em funcionamento o Centro de Operações de Segurança Marítima (COSMAR) por satélite, em colaboração com os Estados Unidos de América (EUA), e está a instalar radares em vários locais, numa acção de cooperação com Espanha.

União Africana revela preocupações com divisões na Guiné-Bissau

O Conselho de Paz e Segurança da União Africana, que reuniu esta terça-feira, emitiu um comunicado em que patenteia preocupações com as actuais divisões da classe política na Guiné-Bissau. O impacto no funcionamento do Estado motiva apreensão.
«O Conselho exprime a sua preocupação face às divisões ocorridas no seio da classe política e face ao seu impacto no funcionamento do Estado», lê-se na nota divulgada esta quinta-feira, no sítio online da UA.

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010

Prevalece Desentendimento Institucional

Na Guiné-Bissau os desentendimentos entre o presidente e o primeiro-ministro põem em questão o regime semi-presidencialista.

sanhacadogog0775pnn Na Guiné-Bissau prosseguem os desentendimentos entre o presidente, Malam Bacai Sanhá, e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior pondo em questão segundo vários jornalistas o regime semi-presidencialista. Fala-se entretanto cada vez mais de uma eventual remodelação governamental na sequência do pedido de exoneração da ministra do Interior feito pelo primeiro-ministro.

Lassana Cassamá

Voz da América ▪ Português

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Último relatório da ONU destaca necessidade de ser respeitada ordem constitucional e o Estado de Direito

Bissau, 04 nov (Lusa) -- O Conselho de Segurança da ONU analisa na sexta-feira o último relatório do secretário-geral sobre a Guiné-Bissau, que destaca a necessidade de ser respeitada a ordem constitucional e o Estado de Direito e insiste no combate ao narcotráfico.

Segundo um comunicado da ONU em Bissau, no relatório Ban Kin-moon "evoca o impacto que a mobilização dos parceiros internacionais poderá ter sobre a Reforma do Setor de Defesa e Segurança (RSDS), bem como a necessidade de se respeitar a ordem constitucional e o Estado de direito, combater o narcotráfico e implementar um verdadeiro diálogo para a estabilidade da Guiné-Bissau".

Sobre a reforma, Ban Ki-moon considera que "os esforços da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental poderão desembocar na adoção de um Plano de Ação comum de assistência conforme solicitado pelo Presidente Malam Bacai Sanhá".

O Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) saúda aceitação da missão internacional

Dakar  - O Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) saudou terça-feira a disponibilidade expressa pela Guiné-Bissau de acolher a missão internacional de estabilização decidida em Agosto do ano passado na capital líbia, Tripoli.

De acordo com o CPS, a futura Missão Conjunta UA/CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) terá o mandato de "apoiar a consolidação da paz e da estabilidade, assim como a reconstrução e o desenvolvimento pós - conflito" na Guiné-Bissau.

Para o efeito, o Conselho instou a Comissão da UA, atualmente liderada pelo diplomata gabonês Jean Ping, a "lançar imediatamente as consultas necessárias para o desdobramento dessa Missão".

As Nações Unidas, a União Europeia e os demais parceiros multilaterais e bilaterais da UA foram, por seu turno, chamados a contribuir financeiramente para o desdobramento da referida missão.

De acordo com um comunicado do CPS chegado à PANA em Dakar, este órgão reconheceu, ainda, a determinação das autoridades bissau-guineenses de combater o tráfico de droga, com a adoção brevemente, entre outras medidas, de uma legislação que criminaliza a posse, o uso, a transferência, a transformação e o tráfico da droga.

A nota do Conselho, emitida no termo da sua 247ª reunião decorrida terça-feira em Addis Abeba (Etiópia) e consagrada à situação na Guiné-Bissau, reconhece igualmente esta determinação das autoridades bissau-guineenses.

Sublinha o imperativo da luta contra a impunidade e exorta as autoridades bissau-guineenses a combater a droga, com ajuda da comunidade internacional, e a tomar as medidas necessárias para o efeito.

O Conselho de Paz e Segurança da UA tomou igualmente nota da determinação das autoridades bissau-guineenses a combater o tráfico de droga, com a adopção, entre outras medidas, de uma legislação criminalizando a posse, o uso, a transferência, a transformação e o tráfico de droga.

Líderes religiosos irritados com ambiente político no país

Bissau – O Presidente da República guineense, Malam Bacai Sanhá, afirmou que os guineenses estão confusos sobre quem são as figuras do chefe de Estado e chefe do Governo.
Malam Bacai Sanhá falava esta terça-feira, em Bissau, durante um encontro que manteve com os régulos muçulmanos de diferentes regiões do país, dizendo necessitar de um chefe do Governo que o possa ajudar a desenvolver a Guiné-Bissau. Bacai Sanhá afirmou que «enquanto não compreendermos o que queremos, não vamos a lado nenhum, não existe igualdade de poderes, cada um tem o seu nome, acabou».
Notavelmente descontente com a situação política do país, Malam Bacai Sanhá, mostrou ser da opinião de que qualquer pessoa que for nomeada como chefe do Governo, terá capacidade para pagar salários aos funcionários públicos.
O chefe do Estado advertiu ainda sobre as divergências entre os responsáveis na esfera política da Guiné-Bissau. Um dos régulos presente no encontro, Negado Fernandes, disse que já é altura de os guineenses falarem sobre a situação do país, advertindo para o comportamento dos políticos, que na sua opinião não agrada ao povo guineense. O régulo Saico Embalo, outro dos participantes na reunião, mostrou-se ainda indignado com as especulações do último fim-de-semana sobre a morte do Presidente da República.
Sumba Nansil
(c) PNN Portuguese News Network

Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

Mexida à vista no governo

presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, regressou ontem ao país, depois de mais de uma semana de ausência, tendo à sua espera uma eventual remodelação governamental e o pedido de exoneração da ministra do Interior pelo primeiro-ministro.

0 chefe de Estado guineense viajou para o Senegal no dia 23 de Outubro para receber tratamento médico. Durante a sua ausência, o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, suspendeu a ministra do Interior, Satu Camará, por desobediência. O regresso de Sanhá pode pôr um ponto final no conflito que já levou juristas a colocarem em causa a legalidade da decisão de Gomes Júnior.

União Africana elogia trabalho de seu representante na Guiné-Bissau

Dakar, Senegal (PANA) - O Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) enalteceu terça-feira o trabalho desenvolvido pelo representante especial desta organização na Guiné-Bissau, o diplomata angolano Sebastião da Silva Isata.

Na avaliação do CPS, a ação levada a cabo por Isata, em menos de um mês, permitiu criar um "clima de confiança e de cooperação" entre os principais atores políticos e da sociedade civil bissau-guinenses.

Esta apreciação positiva do CPS consta dum comunicado emitido no final da sua 247ª reunião realizada terça-feira, na sede da UA em Addis Abeba (Etiópia), consagrada à situação na Guiné-Bissau. Durante o encontro, os membros do Conselho seguiram uma comunicação apresentada por Isata sobre o evoluir da situação na Guiné-Bissau e os esforços da UA em curso para ajudar na estabilização do país. "O Conselho notou com satisfação a ação desenvolvida pelo representante especial desde o início das suas funções (há quase um mês)", refere o documento do CPS cuja cópia foi enviada à PANA em Dakar no mesmo dia.

Segundo a nota, as iniciativas empreendidas pelo diplomata angolano ao serviço da UA já permitiram igualmente "criar uma nova dinâmica na paisagem política bissau-guineense". Por isso, o Conselho assegura, no mesmo comunicado, o seu "pleno apoio" a Sebastião Isata e encoraja-o a "prosseguir os seus esforços" com vista à normalização política na Guiné-Bissau. Por outro lado, o CPS congratulou-se pelo "acolhimento caloroso reservado ao representante especial da UA pelas autoridades do país, pelos representantes da comunidade internacional em Bissau e por todas as partes interessadas", indica ainda o documento. Nomeado ao serviço da União Africana em meados deste ano, Sebastião da Silva Isata está em Bissau desde 3 de Outubro de 2010.

Para além das funções de representante especial, ele vai igualmente chefiar o Bureau de Ligação da UA em Bissau, a ser inaugurado ainda este mês como uma estrutura permanente da organização continental. Uma dos resultados palpáveis do trabalho já realizado por Isata e que lhe valeu a apreciação do Conselho de Paz e Segurança é a concordância que ele obteve das partes bissau-guineenses para a formação de uma Comissão da Verdade e Reconciliação Nacional.

Ele obteve ainda o compromisso da classe política do país para privilegiar o diálogo e ultrapassar as suas divergências meramente pessoais em nome da supremacia dos interesses da nação, segundo fontes diplomáticas. A este propósito, o CPS também insistiu, no seu comunicado, na imperiosidade de a classe política na Guiné-Bissau pôr fim às suas divisões internas em virtude do seu impacto negativo sobre o funcionamento das instituições do Estado.

António Óscar Barbosa pressiona remodelação governamental

Bissau - António Óscar Barbosa, popularmente conhecido por Cancan, tem-se multiplicado em contactos para tornar possível o seu regresso ao Executivo guineense.

Numa altura em que a remodelação governamental parece ser inevitável e a pasta dos Recursos Naturais uma das que irá sofrer mudanças, Cancan procura assegurar o lugar de destaque no quadro dos investimentos angolanos na Guiné-Bissau.


O antigo Ministro dos Recursos Naturais, Óscar Barbosa, tem disputado com o Conselheiro diplomático do Presidente Soares Sambú a posição chave de interlocutor privilegiado das delegações angolanas que procuram investimentos na Guiné-Bissau, como forme de se projectar na cena internacional. Por outro lado, explora a ligação de confiança ao Primeiro-Ministro como forma de se impor no quadro dos nomeáveis, quando tal opção é vista com desconfiança mesmo pelos mais próximos de Cadogo. Em resumo, Cancan explora todos os seus acessos em termos de capital político tendo em vista uma futura reintegração no Executivo de Cadogo.
O Primeiro-Ministro Carlos Gomes Júnior, que tem vindo a protelar a anunciada remodelação governamental, mantém, com alguma razão, uma certa discrição quanto aos nomes a integrar no renovado Executivo. Sem focar a questão da competência há, no entanto, quem aponte o dedo à escolha de familiares seguida pelo Primeiro-Ministro em detrimento de uma aposta em quadros de consenso no PAIGC.


O episódio que culminou com a suspensão da Ministra do Interior Satú Cámara torna a remodelação governamental tanto inevitável como inadiável, sendo certo que este se posiciona como um momento chave para o relançamento das relações entre Presidente e Primeiro-Ministro ou em oposição, para uma ruptura total apenas solucionável pela queda do Governo.


O anterior afastamento de António Óscar Barbosa do cargo de Ministro dos Recursos Naturais imposto por Malam Bacai Sanhá, coloca Carlos Gomes Júnior, caso ceda às pretensões de Cancan, numa posição que será tida pelo Presidente da República, que hoje chegou ao país, como de afronta, contribuindo ainda mais para o clima de instabilidade política actual na Guiné-Bissau.

Rodrigo Nunes

(c) PNN Portuguese News Network

Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Arquitetos de Porto Alegre no Brasil, vencem concurso para uma escola em Guiné Bissau

Em vez de um único edifício, conjunto de pequenos módulos criados pelos arquitetos Bruno Giugliani, Cintia Gusson Etges e Karen Bammann deu dinamismo ao espaço e garantiu conforto bioclimático


Kelly Carvalho

Os arquitetos Bruno Giugliani, Cintia Gusson Etges e Karen Bammann, de Porto Alegre, venceram o concurso de arquitetura Uma Escola Para Guiné-Bissau, realizado pelo IAB-DF (Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento Distrito Federal).

IAB-DF

As salas de aula se valem de ventilação cruzada para manter o contorno interno. Possuem uma pequena arquibancada em forma de círculo, escavada no solo, possibilitando uma série de usos distintos

O concurso tinha como objetivo escolher o melhor estudo preliminar de arquitetura para uma escola de aproximadamente 350 m². Os autores do projeto optaram por um conjunto de peças ao invés de um único edifício, que "abraçam" uma praça central, permitindo um maior dinamismo dos espaços, além de melhor movimentação de ar entre as edificações.


Os arquitetos também privilegiaram métodos construtivos difundidos na comunidade e capazes de garantir uma boa e correta execução da obra. Materiais como adobe e palha tiveram preferência, não só pelo custo, mas também por apresentarem mínimo impacto ao ambiente e serem aptos à construção por mutirão. Uma plataforma de concreto armado ergue os edifícios do solo sobre fundações de superadobe. Sobre ela serão assentadas diretamente as alvenarias de adobe, que conformarão livremente os espaços sob uma cobertura independente. Telhas metálicas serão apoiadas na estrutura de madeira do telhado, para refletir os raios solares e, não sendo compostas de materiais de grande inércia térmica, devem garantir boa ventilação, impedindo que o calor se mantenha no interior.


Segundo a ata do julgamento do concurso, o projeto "reúne as qualidades pedidas no Edital ao sugerir um partido singelo e expressivo, que propõe uma leitura criativa e contemporânea da arquitetura e dos materiais locais. Boa estratégia de implantação, tanto do ponto de vista do conforto bioclimático como da organização do programa".


O empreendimento será construído em regime de mutirão na comunidade de São Paulo, em Bissau, Guiné-Bissau.  O vencedor, além de receber R$ 3 mil, será contratado pelo IAB/DF para desenvolver o projeto executivo e os complementares, que deverão ser concluídos até o final de janeiro de 2011. A Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, é responsável pelo projeto de cooperação que viabilizará  a obtenção dos recursos para a construção e o funcionamento da escola.


Ao todo, 83 projetos foram inscritos no concurso. Participaram da comissão julgadora os arquitetos brasileiros Alvaro Puntoni, Francisco de Paiva Fanucci, Jaime Gonçalves Almeida, Marcelo Morettin e Sylvio de Podestá, o colombiano Daniel Bonilla e o paraguaio Solano Benitez. O concurso foi coordenado pelos arquitetos Fabiano Sobreira e Thiago Andrade.

Presidente da Guiné-Bissau já saiu do hospital

Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, deixou o Hospital Principal de Dacar, Senegal, onde esteve a realizar exames médicos e está atualmente hospedado numa residência oficial das autoridades senegalesas, informou hoje em comunicado a Presidência guineense.

«O Gabinete de Imprensa da Presidência da República comunica que Sua Excelência Senhor Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, que se encontra em visita privada na República do Senegal deixou esta manhã o Hospital Central de Dakar onde concluiu exames médicos de rotina», refere o comunicado da Presidência guineense.

Segundo o documento, o Presidente guineense seguiu do hospital para «uma residência oficial de hóspede, disponibilizada pelas autoridades senegalesas».

Lusa

Domingo, 31 de Outubro de 2010

Guiné-Bissau promete criminalizar narcotráfico

A Guiné-Bissau comprometeu-se a promulgar em breve uma nova lei que criminaliza internamente o tráfico de droga, revelou sexta-feira, em Dakar, o representante especial da União Africana (UA) no país, Sebastião Isata.


A nova lei a ser aprovada para reforçar a legislação já existente sobre a matéria deverá incidir sobre "todas as formas de narcotráfico incluindo a sua posse, uso e transferência".


Segundo Sebastião Isata, esta garantia foi-lhe dada pelo presidente do Parlamento bissau-guineense, Raimundo Pereira, durante uma audiência que este lhe concedeu quinta-feira, em Bissau.

O emissário da UA falava à PANA durante uma escala na capital senegalesa a caminho de Addis Abeba (Etiópia) para participar numa reunião especial do Conselho de Paz e Segurança da UA sobre a Guiné-Bissau, a decorrer segunda-feira próxima.


Ele explicou que a ideia é "conferir mais força legal" aos instrumentos jurídicos já existentes, nomeadamente as normas do Direito Internacional que criminalizam claramente o tráfico de drogas em todas as suas manifestações.


Este reforço do seu quadro jurídico permitirá ao país estar, internamente, em melhores condições de acompanhar os esforços da comunidade internacional visando combater este flagelo, disse.


Sebastião Isata, diplomata angolano ao serviço da União Africana, reconheceu entretanto a "complexidade" do fenómeno do tráfico de droga na Guiné-Bissau, um país que, segundo ele, não está em condições de enfrentar sozinho o problema do narcotráfico.


"O país precisa de apoios externos concretos em quase todas as frentes, porque está numa situação extremamente difícil", defendeu, lembrando que, no domínio do narcotráfico em particular, "até os países desenvolvidos têm sérias dificuldades para controlar este flagelo".

A Guiné-Bissau é hoje tida como uma das principais referências do narcotráfico em África, em geral, e na África Ocidental, em particular, com várias personalidades suas, sobretudo da hierarquia militar, acusadas de envolvimento direto e ativo.


Mas as autoridades do país têm tentado desdramatizar a situação, considerando haver "algum exagero" nas avaliações da comunidade internacional, e desafiando os acusadores a apresentarem provas.
Muito recentemente, o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior disse, por exemplo, que as acusações dos Estados Unidos nesse sentido contra alguns generais das Forças Armadas da Guiné-Bissau, "nunca foram formalizadas", tendo apenas sido "veiculadas pela Internet".

O Departamento Federal do Tesouro americano anunciou, em Abril passado, ter congelado os bens do general Ibraima Papa Camará, chefe do Estado-Maior da Força Aérea bissau-guineense, e do contra-almirante Bubo Na Tchuto, chefe do Estado-Maior da Armada, por alegado envolvimento no tráfico de droga.


Mas os dois oficiais negaram qualquer ligação ao tráfico de droga e afirmaram não possuir bens ou contas bancárias nos Estados Unidos.

Indjai pede apoios e “paciência” à comunidade internacional

O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, major-general António Indjai, disse ontem que as forças armadas guineenses precisam "como nunca" de apoios externos e pediu mais "paciência e compreensão" à comunidade internacional.

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O chefe das Forças Armadas guineenses falava na sessão inaugural da XII reunião dos Chefes do Estado-Maior das Forças Armadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que antecede a reunião de ministros da Defesa a realizar em Novembro, em Brasília.


No seu discurso de boas vindas, o major-general afirmou ser com "grande satisfação" que as Forças Armadas guineenses "acolhem a realização do encontro" num "momento em que as Forças Armadas passam por um período em que precisam, como nunca, de apoios externos para o arranque de vários projectos até aqui adiados por factores diversos".


"A paciência da comunidade internacional requer-se mais, de modo a que a reforma em curso no sector da defesa e segurança se desenrole com a paz necessária", salientou António Indjai.
A reunião dos Chefes do Estado-Maior das Forças Armadas da CPLP termina esta sexta-feira com encontros previstos com o presidente e o primeiro-ministro guineenses, Malam Bacai Sanhá e Carlos Gomes Júnior, respectivamente.

Participam na reunião os Chefes do Estado-Maior de Angola, , Moçambique e São Tomé e Príncipe, tendo Portugal, Cabo Verde e Brasil enviado delegações de representantes.

No encontro, os chefes militares da CPLP, vão abordar, entre outros assuntos, o exercício militar Felino, o Centro de Análise Estratégica e a implementação dos Centros de Excelência de Formação de Formadores.

Agência Lusa

Guiné-Bissau pronta para comissão da verdade e reconciliação

A proposta da União Africana foi amplamente discutida durante encontros mantidos em Bissau com os principais atores da sociedade.

Dakar-As autoridades bissau-guineenses e os demais atores da sociedade aceitaram unanimemente o princípio da criação de uma comissão da verdade e reconciliação nacional, anunciou ontem, em Dakar, o representante especial da União Africana (UA) no país, Sebastião Isata.


De acordo com Sebastião Isata, diplomata angolano ao serviço da organização continental, todas as forças vivas do país consideram uma tal iniciativa como uma "necessidade imperiosa e um passo em frente na via da normalização política do país".
Por isso, socilitaram o apoio da comunidade inte

rnacional em geral, e da União Africana, em particular, para organizar deslocações aos países que tiveram uma experiência similar no passado, nomeadamente a África do Sul, o Ruanda e a Libéria, para recolher as suas contribuições.


Segundo a Pana, o enviado especial da UA na capital senegalesa explicou que a questão da criação de uma tal comissão, numa proposta da União Africana, foi amplamente discutida durante encontros mantidos em Bissau com os principais atores da sociedade, desde as autoridades governamentais aos representantes da sociedade civil passando pelas hierarquias religiosas católica e muçulmana.


No seu último encontro do género, disse, esta questão foi abordada com o presidente do Parlamento, Raimundo Pereira, que também corroborou que uma comissão do género ajudaria o país a chegar rapidamente a uma "verdadeira reconciliação nacional".

Chefes militares da CPLP começam reunião na Guiné-Bissau

Chefes militares da CPLP começam hoje reunião na Guiné-Bissau

Chefes militares da CPLP começam  reunião na Guiné-Bissau

Bissau, 28 out (Lusa) - Os chefes dos Estados-Maiores das Forças Armadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem-se entre hoje e sexta-feira em Bissau, segundo comunicado enviado à agência Lusa pelo Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau.

Os trabalhos dos chefes militares começam com uma cerimónia onde vão intervir o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, o chefe das Forças Armadas de Cabo Verde e o ministro da Defesa guineense, Ocante da Silva.

Na sexta-feira, as delegações deverão realizar visitas de cortesia ao primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, e ao Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, que se encontra em Dacar em tratamento médico.

A reunião dos chefes dos Estados-Maiores da CPLP antecede a reunião de ministros da Defesa daquela organização que deverá decorrer em novembro no Brasil.

Portugal estará representado na reunião pelo contra-almirante Pereira da Cunha e pelo tenente-coronel Ferreira Vieira.

Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Bacai Sanhá continua hospitalizado

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, continua hospitalizado num hospital de Dakar, para onde foi evacuado na semana passada, informou à France Press uma fonte hospitalar na capital senegalesa, sob anonimato.


“O Presidente continua no hospital Principal de Dakar, o maior do Senegal”, declarou a fonte, acrescentado que “ele está em observação no serviço de reanimação”. Nada de concreto foi adiantado sobre a doença de que padece o chefe de Estado da Guiné-Bissau.


Malam Bacai Sanhá, de 62 anos, foi transferido no último sábado, para Dakar, num avião militar, segundo a Presidência da Guiné-Bissau.


Sanhá, diz ainda a France Press, adiou, por razões de saúde, no início de Dezembro de 2009, uma visita a Portugal. Nessa mesma altura esteve em Paris, onde ficou hospitalizado dez dias.

Comentando, então, o seu estado de saúde menos bom, o Presidente guineense disse à imprensa de forma evasiva: “ fala-se de queda de hemoglobina no sangue. Não sou médico. É verdade que também sofro de diabetes mas não sei se é grave”.

Ministra do Interior não comenta suspensão

A ministra do Interior da Guiné-Bissau, Satu Camará, visitou hoje várias esquadras no país, mesmo depois de ter sido suspensa pelo primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior.

Durante uma visita às obras da futura esquadra de polícia do Bairro Militar, Satu Camará recusou fazer declarações aos jornalistas sobre a sua suspensão.

«O objetivo desta visita é para ver as obras e como o trabalho vai. Gostávamos que a obra estivesse pronta em janeiro», afirmou Satu Camará.

Lusa

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

A saga continua (Diferendo entre Cadogo-Ministra do Interior, visto pelo Jornal Publico em Portugal)

Primeiro-ministro da Guiné-Bissau poderá ser vítima de conflito com a ministra do Interior

 

O lugar de Carlos Gomes Júnior à frente do Governo da Guiné-Bissau poderá estar em risco, depois de a ministra do Interior, Adja Satú Camará, não ter aceite o despacho em que ele a suspendeu de funções.

Carlos Gomes Júnior enfrenta uma nova crise

Carlos Gomes Júnior enfrenta uma nova crise (Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

Integrada no executivo por indicação expressa do Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, a ministra decidiu fazer algumas nomeações de pessoal (oficiais superiores) sem consultar Carlos Gomes Júnior, presidente do partido maioritário, PAIGC, mas com o seu poder muito enfraquecido desde que em 1 de Abril chegou a estar sequestrado por um grupo de militares, sob o comando do general António Indjai. A dada altura, este ameaçou mesmo matá-lo.
“O comportamento da ministra do Interior configura um claro desafio à autoridade do primeiro-ministro, ao permitir-se desobedecer-lhe ostensivamente, atitude imperdoável”, diz um despacho de Carlos Gomes Júnior, revelado pelo blogue “Ditadura do Consenso”, que tem acompanhado a par e passo todo este processo.
Devido à rebelião de Adja Satú Camará, uma das militantes mais poderosas do histórico PAIGC, o fragilizado primeiro-ministro suspendeu-a imediatamente das funções, “enquanto se aguarda a sua exoneração pelo Presidente”, que entretanto se sentiu mal durante o fim-de-semana e tem estado nos últimos dias a ser observado no vizinho Senegal, de onde se espera que possa regressar num dos próximos dias.


O ministro da Administração Territorial, Luís Oliveira Sanca, acumularia com as suas funções as de titular do ministério do Interior, segundo o desejo de Carlos Gomes Júnior.
Durante a discussão acalorada que houve entre o primeiro-ministro e Adja Satú Camará, e em que esta teria rasgado o despacho em que era suspensa (segundo contou ao PÚBLICO uma fonte que acompanha regularmente a situação política em Bissau), Carlos Gomes Júnior manifestou-se disposto a esbofetear a ministra, no que foi impedido pelo ministro do Comércio, Botché Candé, conforme conta o referido blogue, da autoria do jornalista António Aly Silva.


Uma vez que Adja Satú Camará Pinto, segunda vice-presidente do PAIGC, é uma das pessoas da confiança do chefe de Estado, a sua suspensão, conforme já foi referido pela BBC, poderá ser encarada como mais um episódio da guerra latente entre Carlos Gomes Júnior e Malam Bacai Sanhá, cuja coexistência tem vindo a ser muito atribulada, apesar dos desmentidos que ambos ocasionalmente têm feito sobre o enorme conflito de interesses que os separa.


A ministra que não aceitou ser suspensa já esteve reunida tanto com o general Indjai, chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, como com o contra-almirante Bubo Na Tchuto, chefe do Estado-Maior da Armada, nesta altura os dois militares mais poderosos da Guiné-Bissau e sem cuja concordância parece que nada se faz. Há quem os considere mesmo o poder “de facto”. E é por isso mesmo que se admite nos meios políticos de Bissau que Carlos Gomes Júnior não se aguente por muito mais tempo nas funções de primeiro-ministro.
Durante a próxima semana deverá efectuar-se um Conselho de Estado, de modo a encontrar saída para uma situação de conflituosidade que parece insustentável.

Satú Camara coloca Cadogo e Malam em rota de colisão

Gritos, insultos, ameaças de agressões caracterizaram a reunião de terça-feira entre a Ministra do Interior e o Primeiro-Ministro, discordante das nomeações propostas para os cargos dirigentes das POP.

Satu Camara é desde há muito apontada como tendo sido uma escolha errada para integrar o executivo guineense. O clima de tensão entre a Ministra e Carlos Gomes Júnior já se arrastava há algum tempo, tendo a discussão de ontem sido o culminar deste processo. Satú terá chegado mesmo a chamar “assassino” a Carlos Gomes Júnior, uma aceitação implícita das várias críticas anónimas que nas últimas semanas têm ligado o Primeiro-ministro aos assassinatos de “Nino” Vieira, Baciro Dabó e Hélder Proença, em 2009.


Satú Camara, devido às suas ligações políticas e pessoais ao Presidente da Republica e à Primeira-dama, Mariana Sanha sempre foi vista com desconfiança pelo Primeiro-ministro. «A Satú agia como braço direito da Presidência no interior da Primatura» refere fonte próxima da Comissão Política do PAIGC. A Ministra já vinha sendo apontada com principal alvo da remodelação governamental já anunciada por Carlos Gomes Júnior.


Na passada terça-feira, a Ministra pretendia dar posse a três novos comissários adjuntos e vários outros cargos de direcção sem consulta prévia ao Primeiro Ministro. No entanto, as escolhas da Ministra têm sido caracterizadas pela recolocação de elementos suspeitos de envolvimento em actividades ilícitas em lugares chave do Ministério.


Um dos casos mais flagrantes terá sido a nomeação de Amadu Djaló para a Chefia do Serviço de Segurança no aeroporto Osvaldo Vieira. Djaló havia sido referenciado internacionalmente como elemento de ligação internacional de redes de narcotráfico, razão que terá levado ao seu afastamento do Ministério do Interior.


Outro nome apontado é Abdú Camará, proprietário da empresa Sakala, que para além de proporcionar viagens de barco ao arquipélago dos Bijagós, tinha em funcionamento na sua propriedade uma pista de aterragem para o desembarque da cocaína. Camará, a desempenhar informalmente funções de Conselheiro da Ministra, seria um dos próximos nomes a ser nomeado oficialmente para o Ministério do Interior.


Estes são apenas dois exemplos que representam o percurso de Satu Camara num Ministério crucial para a estabilidade interna do país. Alvo de fortes pressões internas ligadas às actividades ilícitas, a Ministra acabou por ceder. No entanto, ao ceder Satu Camara condenou ao fracasso a reforma e a limpeza do Ministério do Interior. Carlos Gomes Júnior suspendeu a Ministra do cargo, encontrando-se a sua demissão dependente do regresso de Dakar do Presidente, que se encontra internado há uma semana.


Resta agora saber se o regresso de Malam Bacai Sanha colocará um ponto final na crise ou contribuirá para um maior agudizar da mesma na cada vez mais instável cena política na RGB.

CPLP-Chefes das Forças Armadas reúnem-se quinta e sexta-feira

Bissau - Os chefes dos Estados-Maiores das Forças Armadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem-se quinta e sexta-feira em Bissau, refere em comunicado enviado à agência Lusa pelo Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau. 
Segundo o documento, os trabalhos dos chefes militares começam quinta-feira com uma cerimónia onde vão intervir o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, o chefe das Forças Armadas de Cabo Verde e o ministro da Defesa guineense, Ocante da Silva. 
Na sexta-feira, as delegações deverão realizar visitas de cortesia ao Primeiro - ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, e ao Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, que, agora se encontra em Dakar em tratamento médico.
A reunião de chefes dos Estados-Maiores da CPLP antecede a reunião de ministros da Defesa daquela organização, que deverá decorrer em Novembro no Brasil. 

Sindicalista acusa Governo de desinteresse pelo ensino na Guiné-Bissau

A causa principal de constantes greves nas escolas públicas na Guiné-Bissau está ligada ao "desinteresse" do Governo, afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINAPROF), Luís Nancassa.


Nancassa fazia referência à segunda onda de greve de três dias decretada pelo SINAPROF e pelo Sindicato Democrático dos Professores (SINDEPROF), que paralisa desde terça-feira última todos os estabelecimentos públicos do ensino da Guiné-Bissau.
"Estas paralisações têm a ver com o desinteresse dos governantes para com a classe docente. Os seus filhos estudam em melhores escolas no estrangeiro. Querem, como aconteceu no passado com os nossos pais, que os filhos deles venham mandar nos nossos filhos", acusou Nancassa, ex-candidato derrotado à Presidência da República em 2009.


O sindicalista adiantou que a greve prosseguirá enquanto o Governo "não tiver a real vontade" de se sentar à mesma mesa com os sindicatos com vista a uma negociação séria.


De acordo com Nancassa, o encontro entre sindicatos e a comissão negocial governamental, na semana passada após a primeira paralisação, foi um simples "divertimento" pois, a referida comissão foi composta por simples técnicos "sem nenhum poder de decisão".
Entretanto, segundo a nota de pré-aviso de greve, os dois sindicatos de professores reclamam, entre outros, pelo pagamento de seis meses de salário em atraso dos novos docentes, de três meses aos professores contratados e de três meses aos docentes no sistema educativo.


Reclamam igualmente pela aplicação do diploma relativo à carreira docente no ano letivo em curso, bem como a implementação do diploma que regulamenta a gestão dos fundos provenientes das matrículas, das propinas e de outros fundos escolares.


A PANA soube de fonte sindical que a greve em curso será abordada quarta-feira durante uma reunião do conselho de concertação social, um órgão que reúne representantes do Governo e dos parceiros sociais.

Projeto da Unctad beneficia Moçambique e Guiné-Bissau

Exploração de recursos naturais

Os dois países de língua portuguesa foram aprovados para fase-piloto; entre os critérios de selecção estavam a capacidade em recursos naturais, a experiência nesse sector, o volume de dados geo-científicos gerados, a língua e a área geográfica.

A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, vai facilitar o programa-piloto para desenvolvimento de recursos naturais em seis países africanos.

Numa reunião que decorre nesta segunda e terças-feiras, em Genebra, a Unctad recebe altos representantes africanos, organizações internacionais e especialistas de países na área da gestão de dados, para facilitar a concretização da proposta feita no ano passado, de uma plataforma de Intercâmbio de Informação em Recursos Naturais.

Guiné-Bissau e Moçambique

A fase piloto vai abranger seis países seleccionados, entre os quais se encontram dois países de língua oficial portuguesa, Guiné-Bissau e Moçambique. Os outros quatro são: o Benim, a Guiné-Conacri, a Mauritânia e a Nigéria.
Como objectivo, pretende-se que estes países partilhem informação com outro público interessado sobre a exploração dos recursos naturais.

A iniciativa foi abrangida na resolução adotada na 13ª edição da Conferência sobre Comércio e Financiamento do Petróleo, Gás e Minas em África, que decorreu no ano passado, no Mali.

Os países foram escolhidos durante a reunião de especialistas para implementação da plataforma, que decorreu em Julho, no Benim e na qual os representantes consideraram vários factores para essa selecção.

Selecção dos países

Entre os critérios de selecção encontram-se a diferenciação na capacidade em recursos naturais, a experiência nesse sector, o volume de dados geo-científicos gerados, a língua e a área geográfica.

Neste momento, o programa dá maior relevo à questão operacional. Os delegados vão estabelecer o plano e definir a estratégia para a implementação da plataforma, assim como identificar de que forma mobilizar recursos.

No último dia da reunião, será feita a cerimónia oficial de assinaturas entre a Unctad, as organizações interessadas no projecto e os países seleccionados para a fase-piloto da plataforma de intercâmbio. Também se aguarda a apresentação de um plano detalhado das operações futuras.

Rádio ONU

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Países lusófonos discutem em Moçambique erradicação do analfabetismo

Com abertura presidida pelo ministro da Educação de Moçambique, Zeferino Martins, o encontro reúne peritos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Maputo - A capital moçambicana acolhe a partir desta terça-feira (26) a IV Oficina de Cooperação Sul-Sul no domínio da Educação e Formação de Jovens e Adultos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).


O encontro visa analisar e debater questões relacionadas com os indicadores de Educação de Jovens e Adultos, monitoramento e formação de profissionais da Educação de Jovens e Adultos, formação e certificação de profissionais, bem como o sistema de gestão de informação de Educação Não Formal e os desafios da erradicação do analfabetismo, no contexto do combate à pobreza.
Com abertura presidida pelo ministro da Educação, Zeferino Martins, o encontro reúne peritos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, que irão avaliar o Plano Estratégico de Rede em matéria de Educação e Formação de Jovens e Adultos, bem como estabelecer um novo plano de trabalho para os próximos anos.

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

EUA reafirmam acusação de narcotráfico contra chefe militar da Guiné Bissau

"Os EUA reafirmam a designação publicada pelo Departamento do Tesouro dos EUA que aponta José Américo Bubo Na Tchuto e Ibraima Papa Camará como barões do tráfico".

Dakar - Os Estados Unidos reafirmam a acusação de envolvimento do chefe da Marinha da Guiné Bissau, Bubo Na Tchuto, com o narotráfico.
"Os EUA reafirmam a designação publicada pelo Departamento do Tesouro dos EUA que aponta José Américo Bubo Na Tchuto e Ibraima Papa Camará como barões do tráfico. A designação feita no dia 08 de Abril é bem justificada", de acordo com o comunicado divulgado nesta segunda-feira (25) pela Embaixada norte-americana no Senegal, país vizinho da Guiné Bissau.
O almirante Bubo Na Tchuto foi recentemente nomeado chefe do Estado Maior da Marinha da Guiné Bissau pelo presidente da República Malam Bacai Sanhá e Ibraima Papa Camará é o chefe da Força Aérea.
De acordo com o comunicado distribuído aos jornalistas em Dakar, os "EUA continuarão a cooperar com a Guiné-Bissau na luta contra o narcotráfico, que ameaça a estabilidade da região e os parceiros internacionais". Na mesma nota, Washington condena as "acções militares que têm obstruído a boa governação e o desenvolvimento das instituições democráticas".
"Os Estados Unidos têm grande e admirável respeito para com o povo da Guiné-Bissau e vão continuar a apoiar o povo e o seu Governo a alcançar a paz e estabilidade", segundo o comunicado.
A 08 de Abril, os EUA acusaram os chefes do Estado Maior da Armada e da Força Aérea guineenses de envolvimento no narcotráfico.

Rússia: Estudante guineense refugia-se na embaixada do seu país em Moscovo

Moscovo, 25 out (Lusa) -- Um estudante finalista guineense refugiou-se na embaixada da Guiné-Bissau para escapar aos Serviços de Imigração da Rússia. Celestino Nhagh e mais cinco estudantes querem regressar ao seu país, mas não têm ainda o bilhete de avião prometido pelo Governo de Bissau.

"Fui obrigado a refugiar-me na embaixada do meu país, pois encontro-me ilegal na Rússia e posso ser detido pela polícia", declarou Celestino à Lusa por telefone.

Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Guiné-Bissau eleva taxa de zonas protegidas a 24 porcento

A Guiné-Bissau comprometeu-se a elevar a taxa de cobertura das suas áreas protegidas de 15 para 24 porcento dentro de dois anos, indica um comunicado da Organização Internacional de Proteção da Natureza (WWF).


Segundo o documento, o anúncio foi feito pelo ministro bissau- guineense do Ambiente, Tomás Gomes Barbosa, durante um jantar oferecido pela iniciativa Lifeweb do secretariado da Convenção sobre a Biodiversidade (CBD), à margem dos trabalhos da 10ª conferência dos signatários da referida instituição que se realiza em Nagoya (Japão) até 29 de Outubro próximo.


O comunicado indica que a Guiné-Bissau passa a ser a campeã na África Ocidental em matéria de criação de áreas protegidas, defendendo que, até agora, o objetivo da taxa de cobertura, tal como fixado pelo Programa de Trabalho sobre as Áreas Protegidas até 2010, é de 10 porcento do território nacional por país.


Este objetivo foi largamento ultrapassado pela Guiné-Bissau que, segundo a WWF, eleva para 24 porcento, dentro de dois anos, a sua taxa de cobertura, numa altura em que as negociações em curso em Nagoya ainda não definiram novas metas.


Com efeito, a iniciativa Lifeweb é uma plataforma de parceria para apoiar o financiamento das áreas protegidas a fim de conservar a biodiversidade, lutar contra as mudanças climáticas e proteger os meios de subsistência através da execução dum programa de trabalho sobre as áreas protegidas da Convenção sobre a Biodiversidade.


No entanto, as áreas protegidas, sobretudo nos países em desenvolvimento que albergam uma parte importante da biodiversidade do planeta, têm dificuldades em funcionar corretamente devido a um défice financeiro.


Os países em desenvolvimento precisam dum orçamento anual avaliado entre um bilião 100 milhões de dólares americanos e dois biliões 500 milhões de dólares americanos para garantir uma gestão eficaz das suas áreas protegidas, de acordo com a fonte.


O PRCM (Programa Regional de Conservação da Zona Costeira e Marítima) quer também contribuir para últrapassar o desafio do financiamento na África Ocidental, em parceria com os países do seu espaço, designadamente Cabo Verde, Gâmbia, Guiné- Bissau, Guiné-Conakry, Mauritânia, Senegal e Serra Leoa, e com a iniciativa Lifeweb da CBD, ao organizar uma mesa redonda dos doadores de fundos em 2011.

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Carta aberta de um Guineense anónimo

O que leva Angola a investir tanto num país como a Guiné-Bissau. 

Qualquer guineense atento certamente estará, no mínimo, espantado com tamanha boa vontade da nação Angolana para com a nação Guineense. A lista de ajudas cresce a olhos vistos. 

Mas o que será que está por detrás de tamanho altruísmo?

Será que o povo angolano não tem problemas para resolver? 

Será que sobra dinheiro em Angola? 

Será que a Guiné-Bissau oferece oportunidades de negócio assim tão promissoras e só os angolanos notaram?

Eu, guineense, quero saber o que leva Angola a investir tanto num país como a Guiné-Bissau. 

Aprecio a boa vontade, mas antes de aceitar ofertas tão generosas, é preciso saber qual será o preço a pagar por elas. 

Estará a Guiné-Bissau a tornar-se uma neo-colónia de Angola (além de província do Senegal)? 

Angola perdoa dívida da Guiné-Bissau e viabiliza programação da TV pública enquanto Portugal Telecom retira participação na Guiné Telecom e Guinetel

Porquê é que Angola perdoa a dívida da Guiné-Bissau, abre uma linha de crédito de U$ 25 milhões, ajuda a preencher uma lacuna de U$ 12 milhões no orçamento do estado Guineense (que vai quase todo para as Forças Armadas), entre muitas outras coisas? 

Isso tudo enquanto Portugal se retira da Guiné-Telecom e Guinetel.... será que só eu acho isto muito estranho?

Os guineenses devem saber os detalhes destes negócios porque somos nós que pagamos quando dão errado. Não queremos ser vendidos nem alugados. Se a benevolência Angolana engana o Zé-Povinho analfabeto e ignorante da GB, ela faz com que os cidadãos cultos e informados fiquem em alerta.

Angola vai investir 150 mil dólares em "ações de urgência" na comunicação social da Guiné-Bissau

De Isabel Marisa Serafim (LUSA)

"O comunicado do governo guineense assegura também que as autoridades angolanas vão "estudar" e "dar resposta até ao final do ano" sobre o financiamento de projetos relacionados com a reabilitação das ruas de Bissau, a serem executados entre 2011 e 2015, no valor 65 milhões de dólares."

Manchetes como esta surgem praticamente todos os dias nos jornais online.

Não há ruas em Angola para reabilitar? A TPA e outros canais televisivos não precisam de mais apoios? 

Se eu por ventura quiser "neo-colonizar" um país, certamente investirei na comunicação social para fazer com que o público aceite a ideia pacificamente. Lavagem cerebral nacional?  Vamos gostar mais do angolanos, assimilar a cultura deles, falar como eles... qual é objectivo disto tudo?

Púbis tudo ka burro, senhores governantes que estão a fazer estes negócios. Estamos de olhos bem abertos!

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Se você é angolano/a e leu este artigo, por favor, partilhe a sua opinião. O seu país tem dinheiro de sobre? Você não se importa que o dinheiro dos impostos que você paga seja investido na Guiné-Bissau, ao invés de no seu país? Queremos muito saber.

Artigo publicado no Blogue MADINBISSAU

Parceiros chineses chamados a dinamizar projectos mineiros e de obras públicas na Guiné-Bissau

Bissau, Guiné-Bissau, 25 Out - Os projectos de exploração mineira e construção de obras públicas na Guiné-Bissau poderão contar em breve com uma participação de empresas chinesas, chamadas a dinamizar as sociedades responsáveis, noticiou a newsletter África Monitor.


O envolvimento deverá passar pela redução da participação directa de Angola nos referidos projectos e consequente entrada de parceiros chineses, que além de poderem trazer maior "capacidade técnica e financeira", já se mostraram interessadas, refere a mesma fonte.


A empresa mineira chinesa Chinalco é das mais activas na região na procura de bauxite, a matéria-prima básica para a produção de alumínio, mantendo inclusivamente uma disputa por concessões com a brasileira Vale, nomeadamente na vizinha Guiné-Conakry.

Em causa está a exploração de bauxite de Boé, uma extensão das jazidas de Boké na Guiné-Conakry, e a construção do porto de Buba - projectos com investimentos estimados de 600 milhões de dólares.
De acordo com a África Monitor, a sociedade Bauxite Angola tem actualmente 90 por cento de capital angolano e 10 por cento de investidores públicos e privados guineenses.

Encarregue da construção do porto de Buba e respectivas ligações rodoviárias e ferroviárias está a Asprebras, consórcio constituído entre a brasileira Odebrecht e empresas angolanas.


Os dois projectos, lançados em 2007, estão atrasados em relação ao previsto, em parte devido ao impacto da crise económica e financeira em Angola, que deveria suportar os investimentos.


Mas também a situação de instabilidade na Guiné-Bissau tem pesado na decisão de avançar com os empreendimentos, além de que foi considerada necessária maior capacidade financeira e organizativa.
Até ao momento, os únicos trabalhos efectuados resumem-se a preparativos para a construção da nova estrada, adianta a “newsletter”.


A reavaliação da participação angolana nos projectos surge na sequência da substituição do coordenador da componente empresarial e económica das relações entre Angola e Guiné-Bissau.
O posto é agora ocupado por Carlos Feijó, em vez do ex-ministro das Obras Públicas angolano Higino Carneiro.


Parceiro histórico de Bissau, a China tem vindo a intensificar a sua cooperação com as autoridades guineenses.


No início do ano, Pequim doou ao governo da Guiné-Bissau mais de um milhão de dólares para equipar o palácio do governo, que está a ser construído pela cooperação chinesa em Bissau.


Na ocasião, o ministro guineense dos Negócios Estrangeiros, Adelino Mano Queta, disse esperar assinar mais acordos de cooperação entre Bissau e Pequim “antes do final do ano”.


Antes, foi concluído um acordo de financiamento da China à Guiné-Bissau no valor de oito milhões de dólares que serão utilizados para a construção de residências para médicos chineses e guineenses do futuro hospital militar em construção, em Bissau.

(macauhub)

Domingo, 24 de Outubro de 2010

Os espelhos de Bissau

altA Guiné Bissau pode, afinal, ser um pouco mais complicada que aquilo que Angola esperaria.

As últimas notícias vindas daquele país indicam um cenário em que a diplomacia angolana, no âmbito da presidência da CPLP, terá de se empenhar com toda a inteligência requerida para que Bissau não volte a cair num clima de instabilidade.

Angola tem na Guiné um dos seus desafios na lógica da sua afirmação como país promotor da estabilidade no continente. Claro que a estabilidade depende mais dos próprios guineenses que da boa vontade angolana. E é aí que está o problema.

Nada na Guiné parece claro. Trata-se de um país onde, aparentemente, os desentendimentos pessoais, as raivas e os desejos de vingança entre ex-camaradas de trincheira parecem sobrepor-se à lógica dos interesses do Estado. Na Guiné parece nem haver espaço para o cinismo político, é tudo a ferro.

Neste momento, Sebastião Isata é o único angolano a trabalhar em busca da estabilidade na Guiné, isso como representante da União africana. Os militares angolanos que irão ajudar na reforma do exército guineense ainda não foram nomeados. Enquanto isso, em Bissau a intriga corre, destapando medos e colocando alguns num estado de alerta que poderá descambar num “antes matar que morrer”. Esse é o grande risco.

ZAMORA INDUTA É MESMO CULPADO?

altAs últimas notícias dizem que, citando relatório atribuído ao Procurador-Geral da República, Amin Sad, Zamora induta terá sido o autor dos assassinatos do Presidente Nino Vieira e do general Tagme na Waye que ocupava o cargo de Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.

É verdade que Zamora Induta, na sequência de tais assassinatos, auto promoveu-se para o cargo de Tagme, ficando com o país nas mãos. Porque matar Tagme? Tanto Induta como Tagme eram homens de Ansumane Mané, o general que havia deposto Nino Vieira. Zamora poderia até ter razões para matar Nino (depois de ter ajudado a depô-lo e a força-lo a sair para o exílio, tê-lo de novo como Presidente e como Comandante em Chefe, poderia não ser coisa que Induta engolisse. Mas porque matar Tagme? Apenas para ser .

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'Capacete de Ferro' proposto para chefiar Exército da Guiné

'Capacete de Ferro' proposto para chefiar Exército da Guiné

Augusto Mário Có é um herói popular da rebelião de 1998 contra Nino Vieira e chefiou a batalha de Bissau

O Governo da Guiné-Bissau deverá propor ao Presidente da República, Malan Bacai Sanhá, a nomeação do coronel Augusto Mário Có para chefe do Estado-Maior do Exército, noticiou a Lusa. Augusto Mário, popularmente conhecido por "Capacete de Ferro", foi uma das figuras mais importantes da rebelião de 1998, tendo na altura chefiado a batalha de Bissau.

O conflito de 1998 e 1999 está na origem de muitas das perturbações político-militares da Guiné- -Bissau na última década. Os rebeldes, apoiados por veteranos da Guerra Colonial, derrubaram na altura o presidente Nino Vieira, forçado ao exílio, e derrotaram uma substancial força militar do Senegal e da Guiné-Conacri que tentava proteger Nino.

"Capacete de Ferro", então tenente-coronel, treinado na União Soviética, era o comandante operacional das forças da Junta Militar e comandava, entre outros, o agora contra-almirante Bubo Na Tchuto. Este, no início do mês, foi nomeado chefe do Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau. Em 1998, Bubo e Augusto Mário eram os oficiais mais carismáticos, entre os operacionais, e dependiam do brigadeiro Ansumane Mané, que sairia vencedor do conflito.

Em 1999, os militares da Junta ganharam o controlo do país, mas competiram pelo poder com políticos eleitos, criando alta instabilidade. A primeira grande perturbação ocorreu em Novembro de 2000 e provocou a morte de Ansumane, na sequência de um alegado golpe do brigadeiro, que contestara nomeações militares do recém-eleito presidente Kumba Ialá. Este viria a ser destituído em Setembro de 2003, num golpe liderado pelo novo chefe do Estado-Maior Veríssimo Seabra, por sua vez morto num atentado em Outubro de 2004. Em Janeiro de 2007, o país foi de novo abalado pelo assassínio de Lamine Sanhá, um dos militares mais destacados da Junta Militar e que fora afastado após a queda de Ansumane. Os muçulmanos tinham sido derrotados e o conflito passou a ser entre o novo chefe militar, Tagme Na Waie, e o presidente eleito Nino Vieira (que regressara, após o exílio em Portugal). Os dois morreram com horas de diferença, em Março de 2009.

Em Abril deste ano, descontentes com a chefia militar, oficiais veteranos prenderam o chefe do Estado-Maior, Zamora Induta. Durante o golpe, foi detido durante algumas horas o primeiro-ministro eleito, Carlos Gomes Júnior. Pressionado pela comunidade internacional, o novo chefe militar, António Indjai, aceitou respeitar o processo legal de nomeações, com proposta do Governo de Carlos Gomes e escolha do Presidente Malan Bacai.

Presidente evacuado com urgência para Dakar

Bissau - O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, 62 anos, foi evacuado com urgência sábado para Dakar, no Senegal, na sequência de um mau-estar, noticiou a AFP, citando uma fonte próxima da presidência bissau-guineense.

"Ele acaba de ser evacuado para Dakar ", por avião militar, declarou a fonte por volta das 17H30 locais.

O presidente Malan Bacai Sanhá, diz ter adiado por razões de saúde em princípios de Dezembro de 2009, uma visita privada a Portugal, tendo sido já evacuado pelo mesmo motivo para Dakar e  posteriormente hospitalizado dez dias em Paris, antes de continuar com a sua convalescência nas Ilhas Canárias (Espanha).

Regressou em finais de Janeiro a Paris para novos exames médicos.

Em meados de Dezembro, após a sua hospitalização na capital francesa, declarou de maneira evasiva: " Fala-se de +falta de hemoglobina+ no sangue.Não sou médico.É verdade que também sofro de diabete, mas não tão grave como se pretende fazer crer ".

Precisou igualmente ter estado "longamente sob perfusão", tendo prometido "fazer muito e dar mais atenção" à sua saúde, no futuro. 

Malam Bacai Sanhá, venceu as eleições presidencias de Julho de 2009, com 67 por cento dos votos na segunda volta. Foi investido em Setembro, seis meses após do assassinato pelos militares, do seu predecessor, João Bernardo Vieira.

China entrega novo palácio do Governo

Bissau - A China fez hoje(sexta-feira) a entrega técnica do novo palácio do Governo da Guiné-Bissau ao ministro das Obras Públicas guineense, José António Almeida, que disse que o edifício vai dignificar os funcionários públicos e o executivo do país. 

"Para a Guiné-Bissau isso se reveste de capital importância, porque vai congregar vários ministérios neste complexo, diminuir os custos de funcionamento e permitir dignificar os funcionários públicos e o Governo do país", afirmou o ministro guineense aos jornalistas no final da cerimónia de receção técnica da obra. 

Segundo José António Almeida, para a Guiné-Bissau é "extremamente importante" o donativo chinês, que reflecte a boa cooperação existente entre os dois países. 

Questionado sobre quem vai ocupar o novo palácio do Governo, o ministro explicou que o edifício vai albergar o gabinete do Primeiro-ministro, a presidência do Conselho de Ministros, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, bem como outros ministérios, a definir pelo chefe do executivo, Carlos Gomes Júnior. 

A cerimónia oficial de entrega do palácio do Governo às autoridades guineenses está prevista para 05 de Novembro.

Avião apreendido por alegado tráfico de droga posto à venda

Bissau, 23 Out (Lusa) -- O Governo da Guiné-Bissau, através da Direção Geral das Alfândegas, colocou à venda o avião apreendido em julho de 2008 no aeroporto Osvaldo Vieira, em Bissau, por alegado envolvimento no narcotráfico.

A venda vem publicada no semanário No Pintcha num anúncio que refere que o aparelho, um jato Gulfstream IIB, está à ser posto à venda na "sequência de infração aduaneira de contrabando de produtos farmacêuticos cometidos pelo capitão da aeronave N351 SE, esta última declarada perdida a favor do Estado da Guiné-Bissau por ter sido utilizada como instrumento para a comissão da infração em referência".

No anúncio, a Direcção Geral das Alfândegas da Guiné-Bissau comunica que a aeronave será vendida no estado em que se encontra, no local onde está estacionada e com a matrícula com que se encontra.

Portugal Telecom retira participação na Guiné Telecom e Guinetel

Bissau, (Lusa) -- O governo da Guiné-Bissau anunciou hoje, em comunicado, a retirada dos acionistas pertencentes ao Grupo Portugal Telecom das empresas estatais guineenses Guiné Telecom e Guinetel.

"A ministra da Economia informou o Conselho de Ministros sobre a evolução das negociações que culminaram, na base de um acordo amigável, na cedência das ações detidas pela PT Comunicações SA e representativas de 40 por cento do capital social da Guiné Telecom e das ações detidas pela PT Investimentos Internacionais, representativas de 55 por cento do capital social da Guinetel", refere o governo, em comunicado hoje divulgado.

Segundo o documento, a ministra da Economia, Helena Embalo, informou que prosseguem "diligências adicionais, que já estão a ser promovidas pela Secretaria de Estado dos Transportes e Comunicações".

Militares queixam-se

Militares da Guiné-Bissau reuniram-se no Parlamento com organizadores da Conferência Nacional para a Paz e queixaram-se das péssimas condições nos quartéis, da interferência dos políticos e de discriminação étnica.

Angola perdoa dívida da Guiné-Bissau e viabiliza programação da TV pública

A decisão do governo de Angola de perdoar a dívida da Guiné Bissau, anunciada quarta-feira (20), permitirá, entre outras coisas, que o país volte a assistir televisão. Além de perdoar os débitos com o país, Angola abriu uma linha de crédito de U$ 25 milhões e ainda vai ajudar a preencher uma lacuna de U$ 12 milhões de déficit orçamentário.


O apoio angolano será decisivo para que a Televisão da Guiné-Bissau (TGB) volte a funcionar. Há três meses os estúdios estão parados por causa de uma avaria no transmissor, que é de 1988, assim como os demais equipamentos da emissora. De tão velhos, não há mais peças de reposição no mercado.


Segundo a direção da empresa, é difícil disponibilizar a programação mesmo quando o transmissor funciona. Nem os programas gratuitamente cedidos por outros países de língua portuguesa conseguem ser reproduzidos, porque o sistema guineense ainda é totalmente analógico, incompatível com as atuais produções audiovisuais.


“O governo não tem dinheiro. O país está com muitos problemas e há outras prioridades sociais”, disse o diretor Eusébio Nunes à Agência Lusa. Os angolanos decidiram também ajudar na melhoria das condições de trabalho da rádio nacional, da agência de notícias e da imprensa escrita estatal.


Com relação à linha de crédito, o ministério de Geologia, Minas e Indústria de Angola informou que pode ser usada pelo setor privado dos dois países, desde que o projeto seja destinado à Guiné-Bissau. Atualmente, um empresa angolana explora bauxita no Sul da Guiné-Bissau, mas tanto o porto quanto a linha férrea que escoam a produção carecem de melhorias.

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

Angola abre linha de crédito de 25 milhões de dólares para a Guiné-Bissau

Bissau,  21 Out - Angola concedeu à Guiné-Bissau um apoio orçamental de 12 milhões de dólares, uma linha de crédito de 25 milhões de dólares e o perdão da dívida guineense, anunciou quarta-feira em Bissau o ministro da Geologia, Minas e Indústria de Angola.


“A Guiné-Bissau tem um défice orçamental de 12 milhões de dólares e Angola vai cobrir esse défice o mais rapidamente possível”, afirmou Joaquim Costa David.


Relativamente à linha de crédito, o ministro angolano disse que a mesma será utilizada para apoiar iniciativas de empresários dos dois países, de guineenses ou de angolanos em parceria com guineenses, que pretendam investir na Guiné-Bissau.


Ainda no âmbito da cooperação bilateral, o ministro angolano disse que o governo de Angola vai dar um apoio mais significativo ao projecto de uma empresa angolana para a exploração mineral de bauxite, no sul da Guiné.


Segundo o ministro, o governo de Angola vai apoiar de “forma mais incisiva a empresa a realizar os seus objectivos na Guiné, para bem dos dois países, e essa ajuda vai incidir sobre a exploração do bauxite, melhoria do porto de Buba e do caminho-de-ferro”.


O sector da comunicação social foi outro dos assuntos abordados nas discussões sectoriais que decorreram entre segunda-feira e quarta-feira, com Angola a determinar dar uma ajuda imediata à Televisão da Guiné-Bissau, que não emite há mais de dois meses.


Os angolanos também vão ajudar na melhoria das condições de trabalho da rádio nacional, agência de notícias e imprensa escrita estatal.

Portugal vê nomeação de Bubo Na Tchuto com "profunda preocupação"

img_1190631257 Lisboa, 20 out (Lusa) - O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, disse hoje que vê a nomeação do almirante Bubo Na Tchuto para chefe de Estado Maior da Armada da Guiné-Bissau com "profunda preocupação".

"Vejo essa nomeação com profunda preocupação da mesma maneira que todos os campos internacionais têm visto", disse o governante à Agência Lusa.

Gomes Cravinho falava à margem da apresentação do relatório "Do conflito e da crise à renovação: as gerações da mudança", do Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), que foi hoje divulgado.

Alianças de conveniência de Malam Bacai para estabilizar a Guiné-Bissau

Bissau - Defendida por Malam Bacai Sanhá como medida de estabilidade, a reintegração de Bubo Na Tchuto como CEMA terá sido dos poucos pontos da agenda guineense em que a Primatura e a Presidência da República estiveram de acordo desde 01 de Abril. A resolução do caso Zamora Induta é o próximo foco de tensão.

Com a libertação de Bubo Na Tchuto a 01 de Abril pelos militares revoltosos de António Indjai, a pressão das chefias militares junto do Presidente Malam Bacai Sanhá e do Primeiro Ministro Carlos Gomes Júnior para a reintegração do ex-CEMA nas suas antigas funções era cada vez mais manifesta.


A sentença do Tribunal Militar, que ilibou Bubo das acusações de tentativa de Golpe de Estado que motivaram o seu exílio de ano e meio na Gâmbia, e a não apresentação de provas de envolvimento no narcotráfico por parte dos EUA, após a classificação

como «principal narcotraficante da região Afro-Ocidental», tornaram impossível ao poder político continuar a resistir à pressão das armas.
A verdade é que mesmo fora da estrutura militar, era Bubo quem controlava unidade de Fuzileiros, uma das mais poderosas em termos operacionais da Guiné-Bissau e com fortes ligações ao narcotráfico. Em Bissau, eram notórios os crescentes atritos entre os fiéis a Bubo e os paracomandos, fiéis ao actual CEMGFA António Indjai, com acusações de que este último não estaria a fazer tudo o que estava ao seu alcance para resolver o “problema” de Bubo.
Face a esta situação de características explosivas, Malam e Carlos Gomes Júnior, num raro acto de consonância de posições, terão acordado de forma secreta a reintegração de Bubo na Tchuto na chefia da marinha, evitando assim que os atritos entre as forças militares pudessem degenerar em movimentações alargadas que pudessem pôr em causa o poder político democraticamente eleito. Com Bubo de novo na estrutura militar, o reequilíbrio no Estado Maior terá sido de novo atingido, possibilitando as condições de estabilidade para a resolução do próximo ponto da agenda guineense: a libertação de Zamora Induta.


Detido desde as movimentações de 01 de Abril, o ex-CEMGFA Zamora Induta viu recentemente o Tribunal Militar retirar-lhe todas as acusações de que foi alvo por parte do agora homem forte dos militares, António Indjai. O Luanda Digital sabe que as autoridades guineenses tiveram tudo pronto para anunciar a libertação de Zamora da prisão de Mansoa durante a última semana. No entanto, com o aproximar da data de libertação, tornou-se evidente em Bissau que as mesmas chefias militares que tinham pressionado Malam Bacai para o regresso de Bubo, afirmavam agora não ter a certeza de conseguir garantir a segurança do ex-CEMGFA uma vez em liberdade.


Perante o despacho do Tribunal Militar e a pressão dos militares, o Presidente Malam, Chefe Supremo das Forças Armadas segundo a Constituição da Guiné-Bissau, não terá conseguido fazer cumprir as suas ordens junto do Estado Maior. Zamora continua em Mansoa, à espera do cumprimento da deliberação do Tribunal Militar, que ordena a sua libertação.

O Luanda Digital apurou que a libertação de Zamora Induta estará dependente do sucesso que as iniciativas de cooperação militar venham a ter no futuro próximo da Guiné-Bissau. O propalado envio de uma Força Internacional para a Guiné Bissau poderá ser o contributo decisivo para a reforma do sector de Segurança e Defesa das Forças Armadas, permitindo uma melhoria efectiva das condições de recrutamento, formação e renovação dos quadros nos quartéis guineenses. Mas além disso, a presença de uma força internacional na Guiné-Bissau teria o efeito imediato de «acalmar» os ânimos de uma classe militar classificada pela Comunidade Internacional como instável e pouco dada à sujeição ao poder político.


Angola tem até agora liderado o processo de cooperação. Os contactos entre Luanda e Bissau estarão já avançados e o Luanda Digital sabe que a solução futura poderá passar pelo envio independente de um contingente militar angolano para actuar na área da Reforma, ao abrigo de um acordo de cooperação bilateral. Uma solução mais fácil de aceitar para os militares guineenses, que vêem na entrada no país de uma força internacional, quer no âmbito da CPLP quer da CEDEAO, como uma ingerência inadmissível à soberania da Guiné-Bissau.


Sem surpresas, esta posição, defendida nos corredores do poder por Malam Bacai Sanhá, entra em choque com a estratégia de Carlos Gomes Júnior para a Reforma das Forças Armadas Guineenses. No decorrer do último mês o Primeiro Ministro tem multiplicado os contactos com os parceiros europeus com vista ao regresso ao país do principal parceiro de cooperação de ajuda ao desenvolvimento, a União Europeia. A reunião em Bruxelas com o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, foi bem recebida pela Comunidade Internacional, que aguarda a adopção de medidas de impacto junto das instituições guineenses, condição para o envio da ajuda dos 15 milhões de euros necessários para cobrir o buraco orçamental do Estado Guineense.


No entanto, a implementação de medidas tem vindo a esbarrar não só na classe militar, com pouca vontade de abrir mão do real poder que representa no país, e de Malam Bacai, que cada vez mais desacreditado aos olhos da União Europeia e de outros parceiros tradicionais da Guiné-Bissau, procura nos países islâmicos, como a Líbia e o Irão, os seus derradeiros apoios para se agarrar à cadeira do poder guineense.


Rodrigo Nunes

(c) PNN Portuguese News Network

Narcotráfico: Guiné-Bissau preocupada com imagem do país

O exagero da dimensão do problema do narcotráfico da Guiné-Bissau, um problema «real e pernicioso», está a danificar a imagem externa do país e a condicionar a vida política e o desenvolvimento interno por ser «uma ameaça constante».

A opinião é de Juan Esteban Verastegui, o general espanhol que até maio comandou a missão da UE para a reforma do setor de defesa e segurança no país e que, em entrevista à Lusa, admite ter «uma visão muito particular» sobre o problema da droga na Guiné-Bissau.

«A droga é perniciosa porque existe, claro, mas também porque se diz que existe. Estamos num cenário onde não se sabe bem a dimensão, exatamente quem joga e como joga, e onde se multiplicam as acusações mútuas», afirma à Lusa, em Madrid.

Diário Digital / Lusa