Terça-feira, 24 de Agosto de 2010

GUINÉ EQUATORIAL-Autores de alegado ataque são condenados à morte

Dois outros suspeitos foram condenados a 20 anos de prisão efectiva por cumplicidade

Malabo - Quatro homens acusados de terem atacado o palácio presidencial da Guiné-Equatorial em Fevereiro de 2009, foram condenados sábado à morte, por um Tribunal de Malabo, declarou uma fonte oficial, citada nesta segunda-feira pela AFP.
Segundo a mesma fonte, que cita o veredicto lido pela televisão estatal, dois outros suspeitos foram condenados a 20 anos de prisão efectiva por cumplicidade nesse processo.


"Em nome da Lei, devemos condenar e condenamos os acusados José Abeso Nsue Nchama, mais conhecido por alias POPO, ex-capitão das Forças terrestres, Manuel Ndong Anseme, ajudante, Jacinto Micha Obiang, controlador da alfândega e elemento da segurança presidencial, e Alípio Ndong Asumu, à pena capital ", segundo o veredicto.


Os quatro homens são reconhecidos "criminalmente responsáveis e autores dos delitos de atentado contra o chefe de Estado e representante do governo, terrorismo e traição", lê-se na setença.
Em 17 de Fevereiro de 2009, dois homens armados provenientes do mar haviam tentado desembarcar em Malabo, num ataque com motivações ainda misteriosas.As autoridades afirmam ter rechaçado o ataque que, segundo elas, visava o palácio presidencial.


Inicialmente, o governo equato-guineense atribuiu o assalto aos rebeldes nigerianos, antes de acusar Faustino Ondo Ebangue, antigo chefe da União popular (UP, partido da oposição), refugiado em Espanha desde 2007, como tendo sido o "mentor".

Presidente do Senegal oferece quatro viaturas ao seu homólogo guineense

SENEGAL AFRICAN GENDER AWARDS Bissau  - A presidência da Guiné-Bissau recebeu quatro viaturas oferecidas pelo Presidente do Senegal ao seu homólogo guineense, Malam Bacai Sanhá, no quadro de reforço das relações entre os dois países, disse o embaixador senegalês no momento da entrega dos carros.

O embaixador Mamadu Niang entregou ao director do gabinete do Presidente guineense, Alberto Batista Lopes, as chaves de dois automóveis de luxo (um Lexus e um Volkswagen Passat) e dois autocarros de 45 lugares cada.

"Estas viaturas simbolizam os laços de amizade e fraternidade que unem os povos e governos do Senegal e da Guiné-Bissau", defendeu o embaixador Mamadu Niang, decano dos diplomatas acreditados em Bissau.

Por seu turno, o director do gabinete do Presidente guineense, Alberto Lopes disse que, em nome de Malam Bacai Sanhá, a presidência da Guiné-Bissau "agradece mais este apoio" do Senegal, país com o qual, disse "existem excelentes laços de amizade e cooperação".

As quatro viaturas ficarão afetas aos serviços da presidência guineense.

Na semana passada o Presidente do Senegal entregou ao seu homólogo guineense 100 toneladas de açúcar, produto que não há a venda na Guiné-Bissau.

Também recentemente, a presidência guineense recebeu do governo do Irão 20 automóveis, que o Presidente Malam Bacai Sanhá distribuiu para alguns veteranos da guerra pela independência do país.

Presidente da Guiné-Bissau deverá debater com homólogo brasileiro envio de tropas

IMG_5570_0 O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, inicia nesta quarta-feira a sua primeira visita ao Brasil. Em cima da mesa dos encontros com o seu homólogo, Lula da Silva, em fim de mandato, deverá estar a participação de tropas brasileiras na hipotética missão de estabilização para território guineense. O Brasil teria ainda assim que submeter o caso para aprovação no Congresso.

O Brasil enviou já tropas para o Haiti, no âmbito de uma resolução do Conselho de segurança das Nações Unidas.

Brasilia não descarta, porém, o envio de forças para a Guiné-Bissau, no espírito da missão de estabilização de abordada na cimeira da CPLP, Comunidade dos países de língua portuguesa, a 23 de Julho passado na capital angolana.

Tal medida deveria, porém, ser submetida à aprovação do Congresso brasileiro, conforme declarou Piragibe Tarragô, director África e Médio Oriente do Ministério brasileiro das relações exteriores, para o qual a diplomacia brasileira apostaria, mesmo, na estabilização da Guiné-Bissau.

Iniciativas brasileiras para erradicar sub-registro civil servem de modelo para Guiné-Bissau

 23082010AC5295 Brasília - Uma missão de Guiné-Bissau está ano Brasil esta semana para conhecer a experiência brasileira de registro de nascimento em comunidades carentes. De acordo com o secretária nacional de Promoção dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos, Lena Peres, o modelo brasileiro prevê a ação de um comitê gestor nacional de registros de nascimento e também de comitês nos municípios, dos quais fazem parte cartórios, maternidades e secretárias de saúde.

“Saímos de um sub-registro de 20% e agora estamos com 8%, indo para a erradicação prevista pela Organização das Nações Unidas como 5%, até o final do ano”, explicou.

O diretor-geral de Identificação Civil e Registro de Notariado de Guiné-Bissau, Arnaldo Mendes, disse que seu país também fez um plano para evitar o sub-registro civil com base no modelo brasileiro e eles querem aproveitar o que o Brasil já fez. “O Estado tem de montar toda uma estrutura nacional centralizada para que todas as pessoas que ainda estão na Guiné sem registo civil [possam receber o documento]. [A falta dele] leva o Estado a falhar em suas políticas porque não se sabe exatamente o número de pessoas que vão a óbito, que se casam.”

Durante a visita, eles vão conhecer como funcionam os mutirões organizados em barcos e as ações emergenciais, como aquelas promovidas nas regiões atingidas pelas enchentes de junho em Pernambuco. Além disso, o grupo vai conhecer o funcionamento das unidades interligadas, que fazem o intermédio do cartório com as maternidades, facilitando a emissão da certidão de nascimento.

A missão de Guiné-Bissau deve ficar no Brasil até o dia 3 de setembro.

Segunda-feira, 23 de Agosto de 2010

Futebol: Federação da Guiné-Bissau divulga os 21 convocados para jogo contra Quénia

Luís Norton de Matos_1 Bissau, 23 ago (Lusa) -- A Federação de Futebol da Guiné-Bissau, cuja seleção é treinada pelo português Norton de Matos, divulgou hoje os 21 convocados para defrontar o Quénia em 4 de setembro, para a fase de qualificação para a CAN2012.

Entre os convocados, 10 militam nas equipas portuguesas e os restantes jogam em campeonatos da Guiné-Bissau, Cabo Verde, França, Suécia, Inglaterra, Roménia, Suíça, Geórgia, Bulgária e Sérvia.

A novidade desta convocatória é a chamada de alguns jogadores que nunca jogaram pela Guiné-Bissau. São os casos de Cícero (Rio Ave), Almani Samori Moreira do Partizan de Belgrado e o antigo médio do Benfica Ednilson (mais conhecido no país pelo nome de Lubu), agora a jogar no Dinamo de Tblisi.

O jovem Aliu Djaló (Kaby), das camadas de formação do Chelsea, de Inglaterra, também faz parte da lista dos convocados.

Jogadores convocados por Norton de Matos:

Portugal 10 jogadores:

Eder (Académica), Cícero (Rio Ave), Ivanildo (Portimonense), Kevin Gomis (Naval), Pele (Belenenses), Zezinho (Sporting Clube de Portugal), Banjai (Oliveirense), Bacari Baldé (FCP) e Germano Mendes (Valpaços), Danilo Pereira (ex-junior Benfica).

Guiné-Bissau: Djibril Djassi (Benfica de Bissau) e Cabo Verde: Flaviano Nanque (Santa Maria).França: Bucundji Cá (Tours) e Pape Basse (Rennes).

Suíça: Sana (Servette, ex-junior do Benfica), Suécia: José Monteiro Macedo (Hammarby), Roménia: Bruno Fernandes (Urinea Urziceni), Bulgaria: Basile de Carvalho (Lokomotiv Plovdiv), Gerogia: Ednilson (Dinamo de Tblissi), Servia: Moreira (Partizan de Belgrado), Inglaterra: Aliu Djalo "Kaby" (Chelsea).

A Guiné-Bissau faz parte do grupo J juntamente com as seleções de Angola, Quénia e Uganda.

Primeiro ministro adia visita à África do Sul "por motivos de força maior"

carlosgome2010 Bissau, 23 ago (Lusa) -- O primeiro ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, adiou a visita África do Sul, onde iria efetuar uma visita oficial de dois dias, por motivos "de força maior", disse à Lusa fonte do seu gabinete.

Segundo a fonte, o chefe do governo guineense decidiu, em concertação com as autoridades sul-africanas, realizar a visita numa data a ser combinada de novo.

Instando a clarificar os motivos da agenda, a fonte do gabinete do primeiro ministro guineense especificou que, se Carlos Gomes Júnior tivesse viajado, "o país ficava sem os três principais responsáveis políticos": o Presidente da Republica, o chefe do Governo e o presidente do Parlamento.

Bafatá Iagu Misti

 

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A Educação é o motor

Bin Luz (Light Comes) é um projeto de desenvolvimento da educação para 2,700 mulheres e crianças nas comunidades rurais de Bafatá, Guiné-Bissau, África Ocidental. O objetivo é utilizar painéis solares para fornecer energia para as escolas rurais, os alunos podem assistir aulas extras durante a noite, depois do trabalho diário.
Um projeto de Tese (www.tese.org.pt).

Inaugurado novo Hospitar Militar em Bissau

inaugurao do hospital militar

O hospital “Amizade China-Guiné-Bissau” foi esta sexta-feira inaugurado em Bissau. O acto foi presidido pelo Presidente da República, na presença do Primeiro-Ministro e membros do seu Governo, do embaixador da China, chefias militares, entre outros convidados.

A infra-estrutura ora inaugurada foi financiada e construida pela República Popular da China, graças à cooperação existente entre Bissau e Pequin. Orçado em cerca de 11.5 milhões de dólares americanos, o hospital tem capacidade para 200 camas e a sua obra teve a duraçao de 15 meses. Tem um espaço total de 40 mil metros quadrados.

Falando no acto, o Presidente Malam Bacai Sanhá disse que não tem palavras para agradecer à República da China, mas manifestou a sua prontidão e disponibilidade para continuar a desenvolver as relações de cooperação entre a Guiné-Bissau e aquele país asiático.

O Chefe de Estado disse esperar que o novo hospital sirva de melhor maneira possivel os “interesses dos nossos militares, dos combatentes da liberdade da pátria” e os interesses do próprio Presidente da República, para quando necessário, passar por ai fazer revista ao seu estado de saúde.

Por seu lado, o ministro da Defesa Nacional e dos Combatentes, Aristides Ocante da Silva, também agradeceu o Governo e povo chinês, e disse que o hospital não só vai resolver os problemas de saúde militar, mas também irá atender os civis, tendo em conta que o sistema sanitário guineense ainda carece de infra-estruturas, equipamentos e pessoal suficientemente qualicado para garantir uma boa saúde para a população.

Ministro da Defesa garantiu que o Executivo vai prestar uma atenção especial na gestão deste hospital, cuidados médicos, manutenção e equipamentos, contando com a participação da parte chenesa, à medida que “vamos aproveitando a formação de quadro de saúde para assegurar uma nova gestão”.

O embaixador chinês, Yan Banghua, lembrou que a cooperação entre a Guiné-Bissau e a China é de longa data, a qual o seu país presta muita atenção. Recordou ainda algumas da acções levada a cabo por Pequin em diferentes sectores da vida guineense. 

Guiné-Bissau envia missão ao Brasil para conhecer área de registro civil

Imagem do mapa
Brasília - Uma missão de Guiné-Bissau chega hoje (23) ao Brasil para conhecer a estrutura e o funcionamento da Coordenação Geral de Promoção do Registro Civil de Nascimento da Secretaria de Direitos Humanos. A visita da missão faz parte do projeto de cooperação técnica na área de promoção do registro civil de nascimento, que teve início em 2009.

Os integrantes da missão vão visitar mutirões no Amazonas e em Pernambuco. Durante a visita, eles vão conhecer como funcionam os mutirões organizados em barcos e as ações emergenciais como as realizadas nas regiões atingidas pelas enchentes de junho em Pernambuco. Além disso, o grupo vai conhecer o funcionamento das unidades interligadas, que ligam o cartório às maternidades, facilitando a emissão da certidão de nascimento.
A missão de Guiné-Bissau deve ficar no Brasil até o dia 3 de setembro.

Domingo, 22 de Agosto de 2010

África do Sul: vice-presidente Motlanthe recebe primeiro-ministro da Guiné-Bissau na terça feira

O primeiro ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, será recebido pelo vice-presidente da África do Sul, Kgalema Mothlanthe, na terça feira, no âmbito de uma visita oficial de um dia ao país.

Segundo uma nota oficial da Presidência sul-africana, Gomes Júnior e Motlanthe discutirão na Cidade do Cabo uma série de temas relacionados com as relações bilaterais entre Bissau e Pretória, com destaque para a cooperação nas áreas da defesa esegurança, saúde, educação e formação profissional.

No encontro de trabalho agendado entre os dois dirigentes serão igualmente discutidos mecanismos para a promoção deinvestimentos e trocas comerciais entre a Guiné-Bissau e a África do Sul.

As áreas identificadas pela nota oficial sul-africana para possíveis investimentos na Guiné-Bissau são minas e energia, destacando-se igualmente a vontade de cooperação na justiça e policiamento.

A África do Sul reitera a sua total disponibilidade para apoiar as iniciativas da União Africana (UA) e da Comunidade de Países da África Ocidental (ECOWAS) em apoio à Guiné-Bissau, salienta o comunicado governamental sul-africano enviado à Lusa.

O governo sul-africano refere que a visita oficial de Carlos Gomes Júnior “providenciará a plataforma necessária para o estabelecimento da Comissão Conjunta Bilateral (CCB) cuja constituição foi definida num acordo geral de cooperação assinado em agosto de 2008”.

Malam Sanhá faz apelo contra a "incompetência"

ng1333331 Presidente diz-se "envergonhado" com a má imagem pública do país

O Presidente da Guiné-Bissau confessa-se "envergonhado" pela "má reputação" que o seu país tem adquirido nos últimos anos, como entreposto do tráfico internacional de drogas duras e pela administração ineficiente, fazendo um apelo público contra a incompetência.

"Devemos envergonhar-nos por sermos vistos como um povo incapaz de encontrar soluções para os problemas do nosso país", afirmou Malam Bac ai Sanhá, citado por agências noticiosas na recente Conferência de Reconciliação Nacional, em Bissau.

A Guiné-Bissau, que foi uma colónia portuguesa até Setembro de 1974, tem uma gigantesca dívida externa e depende em larga escala de doações internacionais de diversas proveniências - de Portugal até aos países vizinhos.

Na década de 70, durante a guerra travada entre o movimento de libertação PAIGC e a tropa portuguesa, a Guiné chegou a ser apontada em meios internacionais como um dos Estados mais promissores de África, e o líder do PAIGC, Amílcar Cabral, era um dos mais respeitados políticos africanos. O seu assassínio, em Janeiro de 1973, em circunstâncias nunca devidamente esclarecidas, impediu-o de atingir a presidência da Guiné-Bissau independente.

O primeiro chefe do Estado, Luís Cabral, era irmão de Amílcar mas não gozava do mesmo prestígio. Acabou por ser derrubado por um golpe militar conduzido em 1980 pelo general Nino Vieira,um dos heróis da independência.

As últimas duas décadas foram marcadas por grande instabilidade no país e por crescentes acusações de que o vasto arquipélago dos Bijagós, ao largo da costa guineense, está a ser usado para operações de tráfico de cocaína entre os continentes americano e europeu.

O assassínio de Nino Vieira, num sangrento golpe militar em Março de 2009, agravou a reputação da Guiné-Bissau, hoje considerada um "estado falhado" por diversos analistas de política internacional. Dois chefes militares guineenses foram considerados cabecilhas do tráfico de droga pelas autoridades norte-americanas, que congelaram as suas contas bancárias nos EUA.

Sanhá, que venceu a eleição presidencial de 2009, realizada após a morte de Nino Vieira, tem procurado reorganizar a administração do país, tal como o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

No próximo mês, a cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental analisará o caso da Guiné-Bissau, devendo fornecer ajuda económica e militar ao país.

Sábado, 21 de Agosto de 2010

Cidadãos elogiam reunião para superarem os conflitos

20100821155150cidade Políticos, religiosos e militares guineenses elogiaram, na quinta-feira, em Bissau, a realização da conferência que vai investigar as causas de conflitos no país.  Além disso, prometeram contribuir para o surgimento de pistas e estratégias para acabar com a divisão na Guiné-Bissau.
O Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Júnior, o antigo Presidente de Transição, Henrique Rosa, o bispo de Bissau, D. José Camnaté Na Bissign, o representante dos imãs da Guiné-Bissau, Mamadu Cissé, e o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general António Indjai, foram unânimes em considerar benéfica para o país a iniciativa do Parlamento.
O Primeiro-Ministro pediu que as discussões na conferência sejam “frontais e sinceras, de forma a analisarem-se friamente as causas dos conflitos que têm conduzido o país para uma situação de precariedade grave”.
Henrique Rosa afirmou que a iniciativa é boa porque vai permitir que os guineenses questionem os motivos pelos quais não se entendem e “têm vivido em sobressalto desde a independência do país”.“A iniciativa é boa, cria expectativas, esperamos que, de facto, todas as intenções se concretizem”, referiu, lembrando:“A Guiné-Bissau, desde a independência, tem vivido em sobressalto, mas, como dizia o nosso Presidente, chegou a hora de nos entendermos”.
D. Camnaté Na Bissgn e Mamadu Cissé consideraram a iniciativa uma oportunidade para procurar a verdade no país e prometeram apoio total para o êxito da conferência.
O general António Indjai, Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, afirmou que os militares guineenses “já sentem vergonha” pela situação na Guiné-Bissau, pelo que “vão tomar parte activa na conferência”.
“Penso que esta conferência vai ser um marco histórico no nosso país. Os militares estão dispostos a colaborar com o povo, com a justiça, com todos, para que o nosso país possa caminhar para o desenvolvimento”, afirmou António Indjai, que se fazia acompanhar dos chefes dos três ramos das Forças Armadas.

Vendedores e consumidores estranham subida brusca de preços

Bissau - A "subida brusca" dos preços da quase totalidade dos produtos de primeira necessidade, e a falta de alguns deles nos mercados da Guiné-Bissau, nos últimos dias, está a agitar comerciantes e consumidores guineenses. 

"Não se percebe. Está tudo mais caro.E o mais grave é que há produtos que não há à venda. Não sabemos o que se passa",
disse Fanta Djaló, uma das mulheres, designadas 'bideiras' (vendora) que enchem o mercado do Bandim, principal centro
comercial da Guiné-Bissau. 

As 'bideiras' afirmam que os preços subiram 'num abrir e fechar de olhos'. E enumeram os produtos hoje mais caros, ou mesmo fora de circulação, sem que haja uma explicação para tal: Cebola, alho, batata inglesa, farinha, arroz, açúcar, carne, peixe, leite, feijão, calda e esparguete. 

"Não há alho. Aliás, nos últimos dias, alguns 'bideiros' trouxeram pouca quantidade. Mas estão a vender uma cabeça de alho por 250 francos. Nem sei onde vamos parar com esses preços loucos", afirmou Fanta que vende bolinhos "para dar sustento lá em casa". Numa situação normal, o alho é vendido a 100 francos CFA por cabeça. 

"Os nossos maridos não trabalham. Se trabalham não recebem.Temos que ser nós a vender aqui para dar sustento lá em casa. Se não fosse isso, quem pagava a comida e a escola dos meninos. Quem?", questiona, a vendedora.

A quase totalidade dos produtos de primeira necessidade consumidos na Guiné-Bissau é importada dos vizinhos Senegal,
Guiné-Conacri ou Gambia. Alguns vêm também de Portugal ou do Brasil. 

Quintino Patricio, um jovem que ganha a vida consertando sapatos tem uma teoria  para o 'desaparecimento' do alho ou a sua
subida do preço no mercado guineense. 

"O alho passou a ter muito valor. É que agora muita gente come alho cru. Dizem que combate os diabetes, o colesterol e é bom para as ressacas. Talvez por isso, os 'bideiros' decidiram subir-lhe o preço. Sei lá", disse o jovem Patrício, entre sorrisos. 

Mais a sério, Numo Embaló, comerciante, diz não compreender o que se passa no mercado guineense. Ele prefere falar do arroz e do açúcar, cujos preços também dispararam nos últimos tempos.  

"O arroz subiu, o açúcar subiu de preço, mas praticamente não há no mercado. O Governo devia ver isto", notou Numo Embaló,
que vende sandálias de plástico e "algumas coisinhas de vestir". 

Maria Costa, por seu lado, sublinha "muitas das coisas que comemos vêm de fora. É verdade.Mas há muita coisa que nós
temos aqui no nosso país,e que nestes dias não há no mercado", frisou a 'bideira' de pão do Bandim.

"Sempre ouvi dizer que temos peixe em abundância no nosso mar. Peixe não vem de fora, então porque é que não há peixe nestes dias?", questionou Maria Costa, culpando as autoridades pela falta do produto. 

Uma dona de casa, que não se quis identificar, disse à Lusa que cada vez mais tem sido difícil "ir à feira" (expressão guineense
que quer dizer ir às compras no mercado do Bandim) com menos de cinco mil francos CFA.

"Eu 'fazia a feira' com dois mil ou dois mil e quinhentos francos CFA, mas estes dias vejo-me sempre a desenrascar, para
conseguir comprar as coisas que pretendo", afirmou a senhora, no meio da confusão característica do conhecido mercado. 

A semana passada, a Associação dos Consumidores de Bens e Serviços (Acobes) chamou a atenção do Governo para a subida de preços dos produtos no mercado. Terça-feira o Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, recebeu 100 toneladas de açúcar, oferecidos pelo seu homólogo senegalês, Abdoulaye Wade. 

No entanto, os preços continuam a crescer.

Governo só aceita vinda força de estabilização com mandato da ONU -- Conselho de Ministros

Bissau, 21 ago (Lusa) -- O governo da Guiné-Bissau anunciou hoje, em comunicado de conselho de ministros, que só aceitará a vinda de uma força de estabilização ao país se o pedido for feito nos termos da Constituição da Republica e com um mandato das Nações Unidas.

Em reunião do conselho de ministros extraordinária dirigida pelo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, o governo guineense afirma aceitar o princípio da vinda de uma missão de estabilização, mas tudo terá que ser feita à luz da constituição do país e ter ainda a concordância de todos os órgãos da soberania.

Mas, para já, o governo decidiu incumbir o ministro da Defesa guineense, Aristides Ocante da Silva de preparar o dossiê sobre as posições de organizações internacionais, nomeadamente Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO) sobre a matéria.

Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Governo de Guiné Bissau advogam por esclarecer assassinatos (Prensa Latina)

Bissau, 20 ago (Prensa Latina) O presidente de Guiné Bissau, Malam Bacai Sanhá, ratificou hoje nesta capital que seu governo esclarecerá os assassinatos do dirigente do país ocorridos em 2009, como parte da política do Estado.

  Frente a familiares e amigos de líderes mortos, o mandatário manifestou que desde a última campanha eleitoral prometeu que a justiça dará com os responsáveis por esses crimes.


Bacai Sanhá jurou seu cargo como novo presidente da Guiné Bissau em setembro de 2009, depois de ser eleito com um 63,31 por cento dos votos.


Entre os políticos e militares assassinados que já faz um ano encontram-se o ex presidente João Bernardo Nino Vieira; o ex Chefe das Forças Armadas, general Tagmé Na Wai; e os ex deputados Hélder Proença e Baciro Dabó.


Até o momento, ninguém tem sido acusado por instigar ou participar nos sangrentos fatos, que contribuíram, junto a um levantamento de militares, à desestabilização deste país africano, coincidem diversas fontes.

O ex secretário de Estado para a Cooperação Internacional, Roberto Cacheu, representante de familiares dos líderes assassinados, expressou que existe preocupação pela demora nas indagações em relação com os implicados nos violentos fatos.

Diversos setores defendem por conseguir a unidade e a reconciliação para propiciar o desenvolvimento econômico e social desta instável nação do oeste africano, que conseguiu sua independência de Portugal em 1974.

Policia Federal Brasileira prende seis e apreende 35 kg de cocaína e R$ 48 mil em SP

SÃO PAULO - A Polícia Federal (PF) prendeu seis pessoas e realizou a apreensão de 35 kg de cocaína, além de apreender R$ 48 mil e mais de US$ 5 mil. Os dois flagrantes foram feitos nesta sexta-feira, na capital paulista.

A primeira apreensão aconteceu no início da madrugada, num posto de combustíveis localizado na Rodovia Fernão Dias, no município de Atibaia, quando policiais flagraram o exato momento em que o motorista de um caminhão entregava uma mochila para os ocupantes de um veículo de passeio. Houve perseguição até que o veículo fosse parado. Na mochila havia 11 kg de cocaína.

Foram presos os ocupantes do automóvel S.F.S (37), J.R.R. (29), M.C. (35), originária de Guiné Bissau, e L.R.V. (37), este de nacionalidade boliviana, além do motorista do caminhão R.G.S. (27). Segundo apurado, o motorista teria sido contratado para fazer o transporte da droga, trazida da Bolívia através da fronteira da cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul.

A segunda apreensão foi feita na manhã desta sexta-feira, na Avenida Radial Leste, quando foi presa a boliviana M.Y.C.L., de 39 anos. Policiais encontraram 24 kg de cocaína em seu veículo. Na casa da boliviana, foram apreendidos R$ 48 mil e mais de US$ 5 mil dólares.

Sexta-feira, 20 de Agosto de 2010

Presidente da Guiné Bissau visita o Brasil na próxima semana

Malam Bacai Sanhá deverá manter conversações com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, com vista ao reforço da cooperação e participação de Brasília num plano de estabilização.

malambacaisanhapnn Brasília - O presidente da Guiné Bissau, Malam Bacai Sanhá, visita o Brasil na próxima quarta-feira (25), a convite das autoridades brasileiras.
Malam Bacai Sanhá deverá manter conversações com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e com membros do governo, com vista ao reforço da cooperação e participação de Brasília num plano de estabilização do país.
O Brasil desenvolve estreitos laços de cooperação com a Guiné Bissau, estado africano membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Durante a sua estadia em Brasília, o presidente guineense deverá informar os governantes brasileiros sobre a crise político-militar prevalecente no país, agravada desde o dia 01 de abril, data da eclosão de uma rebelião militar que condicionou, desde então, o exercício do poder pelo governo democraticamente eleito.
As Nações Unidas e outras organizações internacionais, como a União Africana, a Cedeao e a CPLP têm vindo a realizar diversas diligências diplomáticas, visando apoiar o governo da Guiné Bissau a encontrar uma solução para a crise. A reestruturação das Forças Armadas é considerada como uma das medidas prioritárias para a estabilização do país e início de um amplo programa de reformas.

Apoiar e construir a educação na Guiné-Bissau

Responsáveis da Promundo, associação juvenil de Coimbra, acompanham projectos no terreno. Na bagagem levaram medicamentos e material escolar

«Toca-nos apoiar e construir a educação na Guiné, desta vez mesmo a sério, também colocando pedra sobre pedra», escreve Fernando Castro, no site da associação, a partir da Guiné-Bissau. Uma primeira semana recheada de encontros. «Entregámos os medicamentos na Missão Católica de Cumura, mantida pelos Franciscanos e visitámos o hospital, que é uma jóia valiosa neste país. Impacta pelas situações de Lepra na nossa época e a de jovens com 16 anos ainda a morrer de tuberculose por não seguirem o tratamento para não falar do número de jovens com Sida», assinala o professor. A Promundo já tem em mente um projecto que deverá envolver toda a Faculdade de Medicina de Coimbra.
Ainda em Cumura, a associação nascida há pouco mais de um ano no seio da Escola Secundária de Avelar Brotero, pretende construir um centro juvenil. Para angariar fundos está em curso a campanha de recolha dos 800 euros necessários para a construção, compra de materiais e manutenção. Durante esta viagem será entregue um computador e um projector à Plataforma de Sinergia Associativa de Cumura para este futuro centro.
À associação guineense, o grupo de três portugueses entregará materiais para a recolha do lixo da cidade. 200 euros chegaram para comprar os carrinhos de mão e as pás que irão permitir a limpeza das ruas e o melhor ordenamento dos espaços verdes públicos. Durante a estadia na Guiné-Bissau visitam, pela segunda vez, a ilha de Soga. Ali entregarão bens recolhidos e uma verba de quatro mil euros (fruto de uma campanha de uma escola da Figueira da Foz) que servirá para fornecer roupa, sapatos e material escolar a 116 crianças.

Antigo vice-ministro das Relações Exteriores de Angola é novo representante da UA em Bissau

0,b804de7f-2286-4b56-85a0-4d9578c2be7a Luanda, 19 Ago (Lusa) -- O angolano Sebastião Isata, antigo vice-ministro das Relações Exteriores de Angola, é o novo Representante Especial do Presidente da Comissão da União Africana (UA) para a Guiné-Bissau, nomeado em finais de Julho.

A informação foi hoje avançada pela agência de notícias angolana ANGOP, que teve acesso à nota enviada pelo presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, à embaixada de Angola na Etiópia sobre a nomeação.

Sebastião Isata substitui no cargo o também angolano João Miranda, recentemente nomeado para governar a província do Bengo.

IAB-DF promove concurso de arquitetura para escola em Guiné-Bissau

Vencedor será contratado para trabalhar no projeto executivo da obra

O IAB-DF (Instituto de Arquitetos do Brasil, departamento Distrito Federal) abriu inscrições para o Concurso Público Nacional de Arquitetura - Uma Escola Para Guiné-Bissau, que tem como objetivo a escolha do melhor estudo preliminar de arquitetura para uma escola de aproximadamente 350 m².

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O empreendimento será construído em regime de mutirão na comunidade de São Paulo, em Bissau, Guiné-Bissau. A construção deve ser iniciada em fevereiro de 2011 e finalizada em maio do mesmo ano. O investimento da obra está estimado em US$ 100 mil.

O vencedor receberá R$ 3 mil e será contratado para trabalhar no projeto executivo da obra. O segundo e o terceiro colocados ganharão R$ 2 mil e R$ 1 mil, respectivamente.

O concurso está vinculado à Parceria Brasil-Unesco para a Promoção da Cooperação Sul-Sul e como parte do projeto "Jovens Lideranças para a multiplicação de boas práticas socioeducativas". Do lado do Brasil, estão envolvidos o Instituto Elos, a Fundação Gol de Letra e o MEC. Por parte do país parceiro estão envolvidos o Ministério da Educação de Guiné Bissau e a Associação Amizade (ONG).

Os interessados devem ser profissionais diplomados, de nível superior, e registrados no sistema Confea/Crea e residentes e domiciliados no Brasil. As inscrições poderão ser feitas no site do concurso até o dia 15 de outubro de 2010, sob pagamento de taxa de R$ 200. O resultado será divulgado no dia 29 de outubro.

Arrancou na Guiné-Bissau conferência nacional para a paz e desenvolvimento

000_Par2268496_432 A abertura solene da conferência nacional para a paz e desenvolvimento decorreu na Assembleia Nacional Popular, na presença do chefe de Estado, Malam Bacai Sanhá. A ideia é identificar as causas dos sucessivos conflitos e propor estratégias de prevenção dos mesmos. Uma iniciativa que poderá desrolar-se durante vários meses em todo o território nacional e na diáspora.

A comunidade internacional poderia estar a perder a paciência com a crónica instabilidade que tem assolado a Guiné-Bissau que já se traduziu em golpes de Estado e assassínios de altos responsáveis militares e políticos, incluindo o antigo presidente "Nino" Vieira, em Março de 2009.

O fórum que agora começou pretende auscultar todos os sectores da sociedade, no país e no estrangeiro, com vista a diagnosticar as causas dos conflitos e buscar propostas à resolução da instabilidade cíclica ali registada.

Serifo Nhamadjo, primeiro vice-presidente do parlamento guineense, e presidente da comissão da conferência nacional para a paz e desenvolvimento, alegou haver uma vontade nacional para ver resolvidos os conflitos e de se perdoar mutuamente. Ele detalhou à RFI qual será o desenrolar da iniciativa.

Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

Guiné-Bissau/Música : Kimi Djabaté encerra hoje ciclo de verão no Museu do Chiado

Kimi-Djabate-375-txt Lisboa - O guitarrista e percussionista Kimi Djabaté actua hoje (quinta-feira) a solo no Jardim de Esculturas do Museu do Chiado, num espectáculo que encerra o ciclo de verão realizado neste local todas as quintas-feiras de Julho a Agosto de 2010. 

Intérprete da Kora e do balafón, instrumento que começou a aprender a tocar aos três anos, Kimi Djabaté é oriundo da aldeia de Tabato (Guiné-Bissau) e é descende de uma família secular de músicos mandingas - um dos maiores grupos étnicos da África Ocidental e de "griots", contadores de histórias daquela região africana. 

Os mandingas vivem principalmente na África Ocidental, sobretudo, na Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné, Mali, Serra Leoa, Mauritânia, Côte d'Ivoire, Senegal, Níger, e Burkian Faso.

Por seu turno, os "griots" vivem, sobretudo, em países como o Mali, Senegal, a Gâmbia e Guiné. 

"Karam" (2009) é o segundo álbum do músico, editado no Ocidente e o primeiro com distribuição internacional que foi muito bem acolhido pela crítica. O cantor deverá interpretar no espectáculo que encerra o ciclo de verão do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.

Este trabalho discográfico - centrado sobre África e os problemas políticos e sociais que atingem o continente - foi gravado em Portugal, é cantando em mandinga e foi considerado o segundo melhor na categoria de World Music pela BBC Rádio 3 - Awards for World Music. 

O primeiro disco de Kimi Djabaté - "Teriké" - é de 2005. 

Kimi Djabaté já actuou em vários espaços em Lisboa, entre os quais na galeria Zé dos Bois. Tocou com os Tama Lá e colaborou com músicos como Mory Kanté, Waldemar Bastos, Manecas Costa e Djumbai Jazz, entre outros. 

O espectáculos - de entrada gratuita - vai começar às 19:30 e proporcionará também visita ao museu, aberto até às 22:00 (com ingresso a custo zero a partir das 18:00). 

Rodrigo Amado Motion Trio, Tigrala, Jorge Lima Barreto, Cian Nugent, JP Simões foram os artistas que atuaram neste ciclo, que começou com uma exposição temporária de Nadir Afonso, intitulada "Nadir Sem Limites" e que integrou também visitas orientadas e oficinas pedagógicas vocacionadas para pais e filhos.

PR Malam Bacai Sanhá nega ter pedido a vinda de tropas

Malam-Bacai-Sanha Bissau -- O Presidente da Guiné-Bissau negou hoje (quinta-feira) ter solicitado a vinda de forças estrangeiras para a estabilização do país, como foi noticiado com base numa alegada informação avançada pelo presidente da Nigéria na sua qualidade de presidente em exercício da CEDEAO. 

"Se eu tivesse feito esse pedido apresentaria documentos", afirmou Malam Bacai Sanhá em declarações à Agência Lusa e RDP-África.

Com a insistência dos jornalistas, o Presidente guineense limitou-se a negar que alguma vez tenha feito qualquer pedido no sentido da vinda de 600 militares, tal como foi noticiado pela imprensa citando o chefe de Estado da Nigéria, Goodluck Johnatan.

"Se eu tivesse feito esse pedido vocês saberiam", acrescentou o Presidente da Guiné-Bissau.

No entanto, Malam Bacai Sanhá afirmou que estará disposto a participar em qualquer reunião da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental convocada pelo presidente nigeriano, agora também presidente em exercício daquela comunidade.

A Agência Associeted Press (AP) escreveu quarta-feira que Goodluck Johnatan afirmou que vai ser convocada uma reunião extraordinária, no próximo mês de setembro, na qual alguns chefes de Estado vão discutir a possibilidade do envio de um contingente militar de 600 homens para a estabilização da Guiné-Bissau.

"Ele que é o presidente (em exercício da CEDEAO), se convocar uma reunião vamos lá estar, de certeza", notou Bacai Sanhá, que falou à Lusa e RDP-África à saída da sede do Parlamento guineense onde presidiu a abertura oficial de uma conferência nacional para a paz e desenvolvimento.

Guiné-Bissau debate caminho para a paz e desenvolvimento

Lusa

2010-08-18 145608_e359ccb1-137b-49f4-93b8-84e3da8b10fd$$EAC3638D-92E2-48EB-B88F-01A1F13BBA92$$E64933F0-5AC3-4D71-8F22-BC4B646E2155$$img_ClassifiedDetail$$pt$$1 O Parlamento da Guiné-Bissau lança na quinta-feira uma conferência nacional para a paz e desenvolvimento, um fórum de debate que irá auscultar os guineenses sobre as causas de conflitos no país e propor soluções, revelou hoje fonte parlamentar.

Segundo Serifo Nhamadjo, primeiro vice-presidente do Parlamento guineense, o lançamento da conferência será presidido por Malam Bacai Sanhá, na presença dos demais titulares dos órgãos da soberania do país, chefias militares, organizações da sociedade civil e ainda de representantes da comunidade internacional sedeados em Bissau.

"A conferência visa identificar e analisar as causas dos sucessivos conflitos no país, permitir à sociedade exprimir livremente os sentimentos recalcados, identificar as causas das contradições das instituições estatais e não estatais e propor mecanismos e estratégias de prevenção de conflitos", declarou o responsável.
A conferência, que tem o presidente Malam Bacai Sanhá como presidente de honra, tem seis meses para auscultar todas as sensibilidades guineenses dentro e fora do país e "o tempo que for necessário" para formular estratégias de resolução dos conflitos, disse ainda Nhamadjo.


Na prática, a conferência será lançada na quinta-feira e depois seguir-se-á uma série de debates sectoriais, a nível dos militares, da diáspora (África e Europa) e sociedade civil, explicou o responsável pela comissão que prepara a conferência, que tem como lema: Caminhos para a Consolidação da Paz e Desenvolvimento".

Serifo Nhamadjo afirmou que a ideia foi abraçada por "todas as sensibilidades" guineenses e a nível dos representantes da comunidade internacional também foi bem acolhida, sendo o Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) a entidade que coordena a angariação de fundos para apoiar a iniciativa.


Na abertura da conferência estão previstas as intervenções do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, do presidente do Parlamento, Raimundo Pereira, e do presidente da Republica, Malam Bacai Sanhá.

Países da Africa Ocidental discutem em setembro possível envio de tropas a Guiné-Bissau -- PR Nigéria

ALeqM5jnd7C_YehiEwxbSUcU5CA47ro_KQ Abuja, Nigéria, 18 ago (Lusa) -- O Presidente da Nigéria adiantou hoje que um grupo de países da Africa Ocidental vai organizar uma reunião de emergência em meados de setembro para discutir um possível envio de tropas para a Guiné-Bissau, noticiou a agência AP.

O chefe de Estado nigeriano, Goodluck Jonathan, que atualmente também preside à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), disse, segundo a mesma fonte, que o Presidente guineense, Malam Bacai Sanhá, pediu 600 soldados para ajudar a lidar com a instabilidade na Guiné-Bissau.

O chefe de Estado da Nigéria precisou que a reunião de emergência deverá realizar-se em meados de setembro, sem adiantar mais pormenores.

© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Familiares e amigos de 'Nino' Vieira clamam justiça junto PR

Bissau - Os familiares e amigos do ex-presidente guineense, João Bernardo 'Nino' Vieira, assassinado em Março de 2009 na sua residência, reúnem-se quinta-feira com o Presidente, Malam Bacai Sanhá a quem vão pedir que se faça justiça sobre o assassínio de figuras politicas do país.

"Vamos pedir a intervenção do senhor Presidente no sentido de interceder junto da comunidade internacional e do Governo da Guiné-Bissau para arranjarem meios ao Ministerio Publico para que possa prosseguir e concluir as investigações", disse à Lusa Roberto Cacheu, antigo secretário de Estado da cooperação internacional.

Actual deputado pelo partido no poder, Roberto Cacheu é o porta-voz dos familiares e amigos de figuras politicas e militares assassinados em 2009 na Guiné-Bissau, nomeadamente 'Nino' Vieira, Tagmé Na Waié (antigo Chefe das Forças Armadas) e os deputados Helder Proença e Baciro Dabó.

"A audiência com o senhor Presidente faz parte de uma estratégia que estamos a seguir, depois de falarmos com o senhor Procurador, falamos com a CEDEAO agora vamos levar a nossa preocupação ao Chefe de Estado", afirmou Roberto Cacheu.

Recentemente, o grupo, constituído por familiares de dirigentes assassinados, políticos de vários quadrantes e pessoas anónimas, se encontrou com o Procurador-geral guineense, Amine Saad, de quem recebeu informações de que o Ministério Público não avança com as investigações por falta de meios.

"Não se pode falar da paz sem que haja justiça. Queremos que esses casos de assassinatos sejam esclarecidos, mas sem meios o Ministério Publico não poderá fazer nada.

É isso que estamos a tentar fazer, sensibilizar o Presidente e outras entidades para que apoiem o Ministerio Publico", disse Roberto Cacheu.

O grupo tenciona reunir-se com todas as representações diplomáticas na Guiné-Bissau.

Roberto Cacheu explicou que o grupo aguarda por uma resposta do representante do secretário-geral das Nações Unidas, Joseph Mutaboba.

Quarta-feira, 18 de Agosto de 2010

ONG de Batalha realiza nova missão humanitária na Guiné-Bissau

Imagem do mapa

Batalha (Portugal) - A organização não governamental para o desenvolvimento Santa Maria da Vitória, com sede na Batalha, vai realizar em Dezembro uma nova missão humanitária na Guiné-Bissau, onde vai entregar milhares de artigos em Quebo e Quinhamel.
O presidente da organização, Amadeu Ceiça, disse hoje (quarta-feira) à Agência Lusa que a iniciativa, cujo objectivo primordial é a divulgação da língua portuguesa, passa pela entrega de roupa, calçado, livros, brinquedos, material didático e escolar naquelas duas localidades.

  Em Quinhamel, a 40 quilómetros da capital, Bissau, onde a organização construiu uma escola do 1.º ciclo do ensino básico em 2002, além da entrega dos bens, a organização vai também iniciar a construção de uma segunda sala de aulas.

"Levamos portas, janelas, louça sanitária e azulejos, entre outro material,  para este fim", afirmou Amadeu Ceiça.

Já em Quebo, "trata-se de uma acção pontual", esclareceu o dirigente, explicando que a organização vai entregar uma ambulância oferecida pelos Bombeiros Voluntários da Batalha.

O responsável justificou esta oferta com o facto de, em Abril último, terem morrido, num acidente de viação, 24 jovens que "não terão sido socorridos por ausência de meios".

Segundo Amadeu Ceiça, para não entregar apenas a viatura em Quebo, que dista cerca de 300 quilómetros de Bissau, a organização decidiu também distribuir pela população outros bens, como roupa, livros ou brinquedos.

"Para aquelas populações, o pouco que se dá é sempre muito", salientou, adiantando que os bens resultam de dádivas de empresas e de particulares da região.

Desde 1995, que a organização não governamental para o desenvolvimento Santa Maria da Vitória tem vindo a desenvolver missões na Guiné-Bissau, mas também tem promovido várias iniciativas em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

"Nós só fazemos missões humanitárias para os países de língua portuguesa", declarou Amadeu Ceiça, apontando o objectivo de divulgação da língua nacional.

O contentor, onde se incluem por exemplo cinco mil livros escolares ou cerca de 9000 peças de roupa, e a ambulância saem de Portugal no final de outubro, prevendo-se a sua chegada à Guiné-Bissau em Dezembro.

"Começamos a entregar os bens à população dia 05 de Dezembro", informou Amadeu Ceiça, acrescentando: "Entregamos em mão própria, sempre. É uma forma de provar que a ajuda chega lá, o que é importante para quem dá".

Terça-feira, 17 de Agosto de 2010

Companhia espanhola transporta carga entre Bissau, Lisboa e Ilhas Canárias (Espanha)

Bissau, 17 ago (Lusa) -- Uma companhia aérea de capitais espanhóis, a Avicargas, iniciou recentemente o transporte de cargas entre a capital da Guiné-Bissau, passando por Lisboa em direção às ilhas Canárias (Espanha), disse hoje à Lusa o presidente da empresa, Pedro Sablas.

Segundo Pedro Sablas, a Avicargas percebeu que há uma "grande preocupação" no transporte de cargas e mercadorias de e para a Guiné-Bissau em direção ao resto de mundo, nomeadamente de e para Lisboa, "o ponto mais importante na relação entre a Europa com este país".

"Temos um avião de transporte de carga, que vem a Bissau todas as semanas, fazendo o trajeto Lisboa, Las Palmas e Bissau. De regresso passa por Dacar (Senegal), vai para Lisboa e depois termina o percurso em Las Palmas", disse Sablas, frisando que o avião, um cargueiro com a capacidade para transportar 17 mil quilogramas de cargas, iniciou as operações no passado domingo.

PR Senegalês Abdoulaye Wad oferece 100 toneladas de açúcar ao homólogo guineense

e1756d1f88 Bissau - O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, recebeu hoje (terça-feira) 100 toneladas de açúcar oferecidas pelo seu homólogo senegalês, Abdoulaye Wade, devido à escassez do produto em Bissau. 

O açúcar do Presidente Wade destinado ao seu homólogo guineense foi entregue pelo embaixador do Senegal na Guiné-Bissau, Mamadu Niang, e foi recebido pelo secretário-geral da presidência, Mamadu Serifo Jaquité. 

Segundo Jaquité, o açúcar destina-se a ajudar os fiéis muçulmanos, que estão observar o jejum (Ramadão), numa altura em que há uma escassez enorme do produto no mercado guineense. 

Em situação normal, o açúcar é vendido a 15 francos CFA o saco de 50 quilogramas, mas devido à escassez há comerciantes que estão a vender o produto ao dobro do preço.

Nos últimos dias não houve açúcar à venda em Bissau. 

"O Presidente Malam Bacai Sanhá agradece este gesto do seu homólogo e irmão do Senegal. Este açúcar vai ser distribuído pela comunidade islâmica", disse o secretário-geral da presidência guineense. 

O açúcar é dos produtos mais procurados e consumidos durante o período dos muçulmanos guineenses, já que entra na confecção do 'moni' (uma espécie de sopa doce feita com farinha de milho ou arroz) que é utilizado na hora de quebrar o jejum. O produto é também procurado porque faz parte das coisas que se podem oferecer a um muçulmano durante o mês do Ramadão. 

Normalmente durante o período do Ramadão é frequente a inflação dos produtos de primeira necessidade.

Delegação do MpD (Cabo Verde) desconfia de processo de recenseamento de cabo-verdianos

Bissau,   -  A delegação na Guiné-Bissau do Movimento para a Democracia (MpD), na oposição em Cabo Verde, levantou hoje dúvidas quanto à forma como tem sido conduzido o processo de registo de potenciais eleitores e acusa o PAICV, no poder no arquipélago, de
tentativa de fraude. 

Em declarações à imprensa, sem que os jornalistas pudessem fazer perguntas, Benvindo Rodrigues, da comissão política do MpD na Guiné-Bissau, acusou a associação de filhos e descendentes de Cabo Verde de estar a "enganar os eleitores com promessas falsas" no acto do registo biométrico de potenciais eleitores.

"A associação dos filhos e descendentes de Cabo Verde (...), que não passa de uma associação dos camaradas do PAICV, está enganar as pessoas dizendo-lhes que, com o recenseamento biométrico, se pode obter a nacionalidade e que o partido no poder em Cabo  Verde lhes vai isentar 50 por cento do custo do processo", disse Benvindo Rodrigues, lendo um comunicado.

Simão Moreira, presidente da Associação de Filhos e Descendentes de Cabo Verde,  afirmou que não pretende responder às alegações "porque a Associação não é um partido político", mas promete esclarecer tudo o que Benvindo Rodrigues diz "numa altura oportuna". 

No entanto, Simão Moreira adianta que Rodrigues "nem sequer é membro da Associação"  pelo que "não merece resposta". 

De acordo com as palavras do dirigente do MpD, a fraude já tinha sido perpetrada pela  Associação de filhos e descendentes de Cabo Verde no passado recente com um alegado extravio de 650 processos de nacionalidade. 

Em 2009, centenas de filhos e descendentes de Cabo Verde residentes na Guiné-Bissau obtiveram a sua nacionalidade num processo tratado pela associação de filhos e descendentes das ilhas. 

Para os representantes do MpD na Guiné-Bissau, todo esse processo de obtenção de nacionalidade foi "um serviço mal prestado", através do qual o responsável da Associação,  "chefe do setor do PAICV na Guiné-Bissau", terá recebido uma "avultada soma em dinheiro",  acusa a oposição cabo-verdiana.

O partido liderado por Carlos Veiga defende ser incompreensível que, "só agora, nas  vésperas das eleições", a Associação tenha demonstrado actividade, quando durante largos  meses não se via nada da mesma. 

"Os cabo-verdianos na Guiné-Bissau querem saber porque é que a Associação, que devia ser  um espaço de convívio e de reunião de cabo verdianos, foi transformada na residência do seu  presidente", pergunta Benvindo Rodrigues.

Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

Líderes políticos contra a força de protecção de titulares de órgãos de soberania

Bissau - Líderes de diversos partidos da oposição da Guiné-Bissau manifestaram-se contra a ideia da Comunidade Económica para o Desenvolvimento dos Estados da África do Oeste (CEDEAO) de formar uma força de elite para a protecção dos titulares de órgãos de soberania, perguntando se os outros políticos também não merecem as mesmas preocupações. 

Num comunicado final hoje (segunda-feira) distribuído à imprensa, a comissão dos chefes das forças armadas da CEDEAO, que esteve reunida em Bissau entre quarta e quinta-feira passadas, anuncia a possibilidade de formar um corpo de elite para a protecção a principais figuras do Estado guineense. 

"Se vão proteger o Presidente da república, o Primeiro-ministro, o presidente do Supremo Tribunal, porque estão preocupados com a sua segurança e nós, os outros, políticos deste país, também não merecemos as mesmas preocupações" questionou o líder do Partido Social Democrata da Guiné-Bissau. 

António Samba Baldé diz não estar contra a ideia da estabilização da Guiné-Bissau, mas avisa que qualquer diligência nesse sentido terá que ter em conta todos os cidadãos guineenses e sobretudo os políticos. 

"Quem me garante que, se um dia disser algo que não agrade aos militares, não serei espancado, por não ter a tal protecção", perguntou Samba Baldé, para quem os esforços da CEDEAO deviam ser canalizados na disponibilização de fundos financeiros para o programa de reforma do setor de Defesa e Segurança.

Por seu turno, o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) da Guiné-Bissau, Aregado Mantenque afirmou que a CEDEAO "dá sinais de apenas se preocupar com uns e deixar de lado os outros" responsáveis guineenses. 

"Será que um ministro, um secretário de Estado, um deputado ou um líder da oposição não é cidadão", afirmou Aregado Mantenque, candidato que ficou no quinto lugar nas últimas eleições presidenciais numa lista de 13 concorrentes. 

António Samba Baldé diz ainda que a possibilidade da vinda de uma missão de estabilização ao país tem demonstrado "uma certa contradição e falta de trabalho de casa" entre o Presidente, Malam Bacai Sanhá, o Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o chefe do estado-maior das Forças Armadas, general António Indjai. 

"Cada um diz uma coisa que é o contrário do que diz o outro. Parece-me que há uma certa contradição de posições e falta de trabalho de casa nesse aspeto", defendeu Samba Baldé. 

Silvestre Alves, líder do Movimento Democrático Guineense (MDG) e Ibraima Sory Djaló, presidente interino do Partido da Renovação Social (PRS) também estão contra a vinda de uma missão de estabilização a Guiné-Bissau.

Libia disponibiliza 10 mil litros de gasóleo diários durante 4 meses para iluminar Bissau

Bissau, 16 ago (Lusa) -- O embaixador da Líbia na Guiné-Bissau, Naji Al Ghaddari, entregou hoje à presidência guineense um documento que formaliza a oferta de dez mil litros de gasóleo diários para abastecer a central elétrica de Bissau, disse fonte da presidência.

Segundo a fonte, o embaixador líbio entregou ao secretário-geral da presidência guineense, Serifo Jaquité, um documento formalizando a disponibilidade de Tripoli em fornecer diariamente gasóleo para a central elétrica de Bissau, que há muito tempo se debate com falta de carburantes.

Uma gasolineira de Bissau irá fornecer o gasóleo que será transportado diariamente das bombas da empresa para a central elétrica.

Alain Corbel Ilustração (Algumas sobre a Guiné)

Illustration Alain Corbel

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Guineenses residente em Angola aplaudem iniciativas para a paz no seu país

pais 92_lr_78 A comunidade guineense residente em Angola saudou a realização do encontro entre os dias 11 e 12 do corrente mês em Bissau que juntou os chefes de Estado Maior das Forças Armadas do Comité Restrito da CPLP e da CEDEAO, com vista a criação de condições para ajudar na reforma dos sectores de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau.

Em declarações a O PAÍS, o cônsul da Guiné-Bissau em Angola, Isaac Monteiro, disse que a ida de militares da CPLP e da CEDEAO à GuinéBissau “é bem-vinda, desde que não seja uma intervenção militar para mudar o curso político do país”.

“Como guineense sinto que realmente o comando da CPLP, sob batuta de Angola, está com uma boa reacção, interessado na resolução dos problemas dos países da comunidade, em especial da Guiné-Bissau”, disse Isaac Monteiro.

Tratando-se de um assunto que já se arrasta há vários anos, e que contribui para a instabilidade naquele país lusófono, Isaac Monteiro diz que, desta vez, acredita que a partir deste encontro entre as chefias militares dos dois blocos e as chefias militares da Guiné-Bissau possa sair algum resultado positivo.

“A esperança é a última coisa a morrer. Nós temos esperança na ajuda pacífica, repito, na ajuda pacífica, para a resolução do conflito, do mau entendimento entre os militares no meu país”.

Uma vez tratar-se de uma acção que decorre do consenso com os responsáveis castrenses locais, o diplomata guineense disse que “a população da Guiné-Bissau tem que respeitar, desde que não haja a intenção de se mandar exércitos para qualquer acção militar no território da Guiné-Bissau”.

Questionado se houver necessidade de uma intervenção militar, o cônsul geral da Guiné-Bissau em Angola diz condenar, apelando ao diálogo e entendimento entre as partes envolvidas na resolução do conflito.

“O problema é grave. Entre os guineenses vem a solução. Eu tenho muita experiência, segui toda a revolução de Angola e vi que os angolanos resolveram o seu problema e não esperaram pelas Nações Unidas e outras organizações internacionais”.

A exemplo de Angola, disse, a Guiné-Bissau já devia também adoptar essa postura, que é a ideal, salientando que desde que o objectivo é a conquista da paz, “temos que respeitar as opções e as iniciativas da comunidade internacional”.

Sobre o fracasso da intermediação da União Europeia na Guiné-Bissau, Issac Monteiro socorreu-se de uma máxima popular segundo a qual “quem conhece a casa sabe arrumá-la bem e quem não conhece, tem dificuldades e falhas e coloca pedras onde não deve, dai a falha”, argumentou.  Sem afirmar que os problemas no seu país tenham a “mão invisível do exterior”, Isaac Monteiro é de opinião que existe a conivência de alguns guineenses que pretendem obter algum posto e manter a liderança na área militar, o que está a complicar a situação na Guiné-Bissau.

Em sua opinião, a situação passa por dar alguma dignidade aos combatentes da liberdade da pátria para que eles sintam a calma e paz de espírito para poderem viver e conviverem com as suas famílias que deram o seu contributo para a liberdade.

Domingo, 15 de Agosto de 2010

O rosto social da Igreja Católica na Guiné Bissau

big_1281873614_8825_igreja_bissau Num país como a Guiné-Bissau, fustigado por problemas de vária ordem, com constante instabilidade política e militar, a Caritas funciona como se fosse um ministério para os assuntos sociais, igualdade e pobreza. Elabora e desenvolve projectos e materializa a acção social da Igreja Católica presente na Guiné-Bissau.
Os projectos são muitos. Os fundos escassos. Mas a vontade de fazer, muitas vezes suprime as carências financeiras. A orientação é clara. Ajudar as pessoas a terem uma vida melhor.
A cabo-verdiana, Lourdes Lima, religiosa da congregação Servas de Nossa Senhora de Fátima, missionaria na Guiné-Bissau há três anos, é a coordenadora-geral da Caritas que assume uma missão inter-diocesana, abrangendo projectos nas duas Dioceses do país: Bissau e Bafatá (ver caixa Dioceses). Conta com a colaboração directa de Emanuel Pereira (ver discurso directo), um jovem português de 33 anos, formado em Gestão de Empresas que assume, directamente, a coordenação dos programas que a Caritas desenvolve.
Em declarações ao Expresso das Ilhas, durante a nossa passagem por Bissau, a coordenadora-geral da Caritas lembra que a missão da instituição é promover o "desenvolvimento integral" de toda a pessoa humana, "assente nos valores do Evangelho, aliando a cultura e a tradição local à gestão solidária dos recursos que, partilhados, garantam a sustentabilidade das comunidades". Com essa orientação, o rumo é alcançar a justiça, a paz e a melhoria da qualidade de vida da população guineense.

Áreas de actuação

Apoio ao desenvolvimento: emergência: formação: saúde: segurança alimentar e nutrição são as áreas de acção da Caritas que em tudo o que faz busca sempre o bem-estar da população. Tudo é desenvolvido com particular afecto, entretanto, não há uma fonte de rendimento. Ou seja, a Caritas, apesar de trabalhar como um ministério de acção social, não tem um orçamento próprio anual. O financiamento depende de projectos que são desenvolvidos e que se candidatam a financiamento, que pode ou não chegar. "Nós não temos fontes de rendimento. Vivemos dos projectos e temos que aprender a gerir os nossos poucos recursos, o melhor possível", adverte a Ir. Lourdes.

Acções

São muitas as acções no terreno, direccionadas em vários sentidos. Na saúde, por exemplo, destacam-se os trabalhos, desenvolvidos pelo Hospital de Cumura e a Clínica Pediátrica de Bor. Estas duas instituições apesar de todas as limitações de ordem financeira e humana, são como "faróis" no país, sobretudo porque o sistema público de saúde não funciona. Ir aos hospitais públicos é um autêntico calvário.
Já nos hospitais geridos pela Caritas, o cenário é completamente diferente. Os doentes são recebidos e tratados com dignidade e profissionalismo. O corpo clínico dos dois estabelecimentos esforça-se por prestar um atendimento personalizado aos pacientes.
O Hospital de Cumura é uma realidade antiga, tendo nascido quando o frei Giuseppe Andreatta era missionário na Guiné-Bissau, por volta de 1955. Começou pela assistência sanitária e foi ampliando a sua actuação. Nesta unidade, são atendidos, vários pacientes, numa média de três a quatro mil primeiras consultas por mês. Com três pavilhões, o Hospital dispõe de noventa camas, divididos em secções para leprosos, e portadores de sida e tuberculose. O hospital tem diagnosticado 600 casos de tuberculose e 2000 de sida.
A Ir. Valéria Amato é responsável desta unidade sanitária. Chegou a Bissau, proveniente do Brasil, onde estava também em missão, em 1988. Os primeiros 12 anos foram dedicados à maternidade e pediatria de Quinhamene, e restantes 10 no Hospital de Cumura.
A unidade pediátrica de Bôr, aposta neste momento na potencialização de algumas especialidades: TAC, laboratórios especializado, maternidade e uma unidade oftalmológica são alguns dos projectos em carteira para uma futura expansão.
Ainda no sector da saúde, destaca-se o projecto "Maternidade sem Risco", que visa melhorar a saúde materna e diminuir as mortes. A Caritas tem a Casa das Mães, onde as parturientes são atendidas por clínicos especialistas. Nesta Casa, as grávidas são também orientadas para os cuidados materno-infantis.
Ainda no sector da saúde, aposta-se muito na "Medicina Natural". A Caritas conseguiu reunir um grupo de 40 curandeiros locais, que está a promover esta prática, através da formação e sensibilização com recurso a meios naturais abundantes no país.
Recuperação nutricional é outro sector em que a acção da Caritas é bastante visível. Pelo país todo, existem vários centros sob orientação da Caritas, geridos por religiosas das várias congregações que trabalham na Guiné-Bissau. A acção destes centros estende-se também às tabancas, junto das comunidades e alarga-se às crianças órfãs.

Sida

Num país cujos dados do sida são assustadores, a Caritas sente a necessidade de alertar os jovens e as novas gerações para os perigos da doença. Neste sentido, elaborou o "Sida-Service" que é um programa, desenvolvido junto da comunidade estudantil, contribuindo para a mudança de comportamentos.

Feira de possibilidades

Mas, a acção social da Igreja alarga-se também à formação. Neste particular, destaca-se a feira das possibilidades, desenvolvida em Nhabijão, na região de Bafatá. Trata-se de um centro impulsionador e multiplicador de iniciativas formativas para mulheres e homens. O objectivo é fazer reduzir a pobreza e a forme, promovendo, por outro lado, a igualdade do género, apostando assim, na capacitação das mulheres.
Este centro promove várias formações. Todo o tipo de formação é desenvolvido através dele.

São Tomé e Príncipe=Novo Governo quer melhorar participação nos organismos regionais

0,a1834cdb-8c0b-4f9e-a903-da2c2b92c9ba O novo Governo são-tomense quer melhorar a sua participação na CPLP e UA, com particular ênfase para aqueles que, como a Comissão do Golfo da Guiné, a CEEAC e os PALOP estão mais próximos de São Tomé e Príncipe, afirmou o chefe do executivo, Patrice Trovoada, em entrevista por telefone a Agência Angola Press "Angop".

São Tomé e Príncipe é um dos 11 membros da Comunidade Económica dos Estados da África Central, criada em Libreville, (Gabão), em Dezembro de 1981 e tornada operacional em 1985 e tem como objectivos promover a cooperação e o desenvolvimento auto-sustentável, com particular realce para a estabilidade económica e melhoria da qualidade de vida.

Outros países membros são: Angola, Burundi, Camarões, República Centro-Africana, Tchad, Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Rwanda e República Democrática do Congo.

Como membro da Comissão do Golfo da Guiné , São Tomé tem merecido uma certa atenção, o que explica o investimento americano, com a instalação de um sistema de radares, que entrou em funcionamento em Janeiro.

O Golfo da Guiné tem uma produção actual diária que ronda os cinco milhões de barris diários, considerada a segunda grande reserva mundial de petróleo. A organização é integrada por Angola, Nigéria, RDC, Congo-Brazzaville, São Tomé e Príncipe, Gabão, Camarões e Guiné Equatorial. A sub-região tem um mercado com cerca de 250 milhões de habitantes num espaço de oito países e é já responsável por mais de 15 porcento da produção mundial de petróleo.

Instado a pronunciar-se sobre a situação na Guiné-Bissau, o primeiro-ministro são-tomense afirmou ser um país irmão que atravessa dificuldades, manifestando a sua solidariedade e disponibilidade para ajudar a encontrar os caminhos da paz e do Estado de Direito democrático que se ambiciona.

"É um país irmão, que atravessa dificuldades. E todos nós somos democracias frágeis sujeitas a instabilidades. Por isso, devemos estar ao lado da Guiné-Bissau, mostrar a nossa solidariedade e disponibilidade para ajudar os nossos irmãos a encontrarem os caminhos da paz e do Estado de Direito Democrático que todos ambicionamos", asseverou.

Em relação à diáspora, o executivo de Patrice Trovoada quer "uma política de reaproximação para melhor compreender e acompanhar a evolução do país, o que lhes permitirá encontrar as melhores formas de ajudar nos seus mais diversos desafios".

Almirante causa conflito nas altas esferas políticas

GUINEA-BISSAU COUP D`ETAT

Presidente e primeiro-ministro divergem sobre a recondução do chefe da Armada

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, é o único obstáculo à recondução do almirante José Américo Bubu Na Tchuto como chefe do Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau.

O Governo de Carlos Gomes Júnior e as chefias militares já estão disponíveis para reconduzir Bubu Na Tchuto nas funções que exercia antes do suposto golpe de Estado de Agosto de 2008. Mas a movimentação de homens de confiança do Presidente da República junto do chefe do Estado-Maior, major-general António Indjai, impediram o regresso de Na Tchuto. O que está a causar dores de cabeça às autoridades de Bissau.

Os analistas locais são unamines em afirmar que o almirante é agora uma pedra no sapato do Presidente da República e do primeiro-ministro: os dois estão em rota de colisão quanto à sua reintegração na chefia das Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP).

Bubu Na Tchuto, que em Abril passado declarara que Malam Bacai Sanhá seria o melhor Presidente da República da Guiné-Bissau, agora não tem a mesma opinião em relação ao Chefe do Estado, com quem mantém um diferendo aberto.

Malam Bacai Sanhá não está disposto a reconduzir o almirante para não ter problemas com a comunidade internacional, que não vê com bons olhos o regresso de Na Tchuto à chefia da marinha de guerra da Guiné-Bissau.

Malam Bacai Sanhá preferia que Bubu Na Tchuto aceitasse o cargo de inspector-geral das Forças Armadas ou de chefe do Estado-Maior do Exército, passando o actual chefe do Estado-Maior do Exército, Mamadu N´Krumah, a vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

O almirante não aceitou essas funções e entende que, sendo um homem com formação na área da marinha da guerra, só aí poderá ser útil para a Guiné-Bissau.

Perante este cenário, o Chefe do Estado convocou um encontro com o almirante, na presença da ministra da Presidência do Conselho de Ministros, Adiato Nadingna, para questionar os motivos de um anterior encontro entre Carlos Gomes Júnior e Bubu Na Tchuto. Malam Bacai Sanhá ficou a saber que os dois discutiram questões de pagamento da dívida do Governo para com o almirante. Dívida em relação à qual o primeiro-ministro terá já autorizado o pagamento de 50%.

Todavia, desconhece-se ainda o valor total do montante que o Governo terá já pago

"Guiné Equatorial terá de publicar leis e decretos em português"

ng1330508 ENTREVISTA A PEDRO MOTTA PINTO COELHO

 
Recém-chegado da 8.ª cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa,  o novo embaixador da Missão do Brasil nesta organização fala das próximas metas a atingir. Para reduzir cada vez mais as distâncias entre os países membros

Que resultados para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa produziu a recente cimeira realizada em Angola?

Esta cimeira foi um momento de consolidação da CPLP como organização multilateral, com uma actuação crescente em vários aspectos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Vários assuntos importantes foram abordados em Luanda, nomeadamente a complexa questão da Guiné-Bissau. Decorreram já reuniões na Guiné-Bissau com membros do estado-maior dos países da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e um grupo restrito de representantes da CPLP (Portugal, Brasil, Cabo Verde e Angola). Por outro lado, há um grupo de trabalho que já está em contacto com os militares e o Governo da Guiné-Bissau para estudar reformas nas áreas da segurança e defesa.

E quanto à controversa questão da candidatura da Guiné Equatorial - um Estado que tem o espanhol como língua oficial - como membro da CPLP?

O secretariado da CPLP vai ter de apresentar em breve um organograma de actividades que a Guiné Equatorial deve desenvolver para se aproximar das condições estatutárias necessárias a possibilitar a sua adesão à CPLP. O uso da língua portuguesa como língua oficial é muito importante - há que publicar leis e decretos em português, criar programas de ensino da língua portuguesa nas escolas, etc. Temos um prazo para verificar todos estes detalhes até 2011, data da próxima reunião do Conselho de Ministros da CPLP, na qual apresentaremos o relatório final.

Qual será a nova dinâmica prevista para o Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)?

Foi aprovada uma reestruturação, mas ainda tem de ser ratificada pelo Governo brasileiro. De qualquer forma, foi nomeado um novo director executivo, o professor brasileiro Gilvan Müller de Oliveira, e foram aprovados os novos estatutos do instituto. Depois da Conferência Internacional sobre o Futuro da Língua Portuguesa, realizada em Brasília, em Março deste ano, já adoptámos o Plano de Acção de Brasília para a Promoção, a Difusão e a Projecção da Língua Portuguesa. Queremos implementar mudanças no IILP, - que foi criado em 1989, antes mesmo da CPLP -, mas que sempre esteve a funcionar sem recursos.

Que outros projectos de âmbito multilateral foram abordados na cimeira da CPLP realizada em Angola?

A CPLP tem de trabalhar com outros organismos multilaterais internacionais, como a CEDEAO, a União Africana, as Nações Unidas e o Mercosul. É necessária uma construção conjunta, uma coordenação política para trabalharmos em conjunto em temas tão importantes como a fome, a saúde, o ambiente e a língua portuguesa. Aliás, a área da cooperação é a maior da CPLP. Há várias inovações em estudo. Incluindo uma proposta para a criação de um Conselho Económico e Social da Comunidade, uma iniciativa conjunta da Confederação Empresarial da CPLP e da Comunidade Sindical dos Países de Língua Portuguesa.

Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

País precisa formar seus militares, em vez de pedir missão estabilização

2010-05-11 164938_e359ccb1-137b-49f4-93b8-84e3da8b10fd$$EAC3638D-92E2-48EB-B88F-01A1F13BBA92$$F04B5FD0-9693-4D5D-AFA3-15A277BB77A7$$img_ClassifiedDetail$$pt$$1 Bissau, 13 ago (Lusa) -- O representante do secretário geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, afirmou hoje que, "se calhar", o país precisa mais de dar formação aos seus militares do que de pedir uma força ou missão de estabilização, assunto em debate entre os guineenses e uma parte da comunidade internacional.

Falando em conferência de imprensa, Mutaboba disse que, do seu ponto de vista, ainda que não tenha recebido qualquer indicação oficial das autoridades sobre o que realmente se pretende, a Guiné-Bissau talvez precisasse mais de formação local dos seus militares.

"Quando falam de uma força de estabilização devem saber que isso implica vários aspetos, desde logo, a presença de muitos militares. Porque não observar aqui os militares que têm aqui? Ver o que é preciso fazer por eles, se são formados ou não. Dar um carácter profissional às Forças Armadas. É isso que falta", indicou o responsável da ONU em Bissau.

Joseph Mutaboba, declarou ainda que a detenção prolongada e sem julgamento de militares guineenses é uma situação “bizarra” com a qual a comunidade internacional não pode estar de acordo.

O representante especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que não pretendia falar de nenhum detido em particular, mas de todos aqueles que há muito se encontram na cadeia sem culpa formada.


“Antes de se prender uma pessoa, ela deve ser informada da sua culpa, e em seguida é constituído um processo que vai para o tribunal, que por sua vez escolhe um magistrado que vai analisar o processo, para dizer se a pessoa deve ou não ficar na prisão”, lembrou Joseph Mutaboba.


O representante do secretário-geral das Nações Unidas respondia desta forma a uma pergunta sobre o que acha do facto de ainda não existir qualquer resposta à deliberação tomada pelo Conselho de Segurança, que exigiu a libertação imediata de todas as pessoas indevidamente detidas na Guiné-Bissau. Ou então que sejam levadas a tribunal.


Entre os detidos figura o ex-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, vice-almirante Zamora Induta, preso no quartel de Mansoa, a 60 quilómetros de Bissau, desde o dia 1 de Abril passado, na sequência de uma sublevação militar dirigida pelo seu "número dois", o general António Indjai, posteriormente nomeado pelo Presidente Malam Bacai Sanhá para o cargo de que o afastara.


A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) tambem solicitou há dias a libertação imediata do brigadeiro Manuel Melcíades Gomes Fernandes (antigo chefe do Estado-Maior da Força Aérea), do vice-almirante José Zamora Induta, do coronel Samba Djaló (ex-chefe dos serviços secretos militares) e de mais quatro pessoas detidas “ilegalmente”.

Missão de estabilização na Guiné-Bissau começa a reunir consenso, diz CPLP

2010-08-12 151024_e359ccb1-137b-49f4-93b8-84e3da8b10fd$$EAC3638D-92E2-48EB-B88F-01A1F13BBA92$$22A4F188-D469-4540-82EE-BBA55366D0C2$$img_ClassifiedDetail$$pt$$1 O comité restrito da CPLP para a Guiné-Bissau terminou a visita ao país com boas impressões sobre o envio de uma missão de estabilização, que começa a reunir consenso, segundo o chefe da delegação, Georges Chicoti.

De acordo com Chicoti, secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola, o balanço dos quatro dias de contactos "é positivo", na medida em que a delegação da CPLP, por ele liderada, conseguiu reunir-se com diversas entidades guineenses e da comunidade internacional e encontrar um apoio crescente ao acolhimento de uma missão de estabilização.

"O balanço é muito positivo. Queremos agradecer às autoridades da Guiné-Bissau, ao Presidente da República que nos recebeu. Conseguimos conversar e esclarecer a todos os níveis do Governo e também recebemos as posições do Governo", disse Georges Chicoti, que deixou Bissau nas primeiras horas de hoje de regresso à Luanda, via Lisboa.

O chefe da missão da CPLP disse ter ficado com a sensação de que existe um "bom ambiente" no país, sobretudo no que diz respeito à aceitação de ajudas externas para devolver a estabilidade à Guiné-Bissau.

"Existe um ambiente muito fraterno de trabalho, existem possibilidades de fazermos o trabalho ir para frente (....). Há uma boa vontade nossa e do Governo da Guiné-Bissau, das diversas entidades da Guiné-Bissau para que possamos trabalhar em conjunto e resolver os problemas que se prendem com a estabilidade, com a reforma do sector de Defesa e Segurança, com o desenvolvimento económico e social", defendeu Chicoti.

Sobre a possibilidade da ida de uma missão de estabilização, o responsável angolano, emissário da CPLP disse que o assunto parece começar a reunir consenso entre os responsáveis guineenses.

"Abordámos esse assunto com as autoridades. O presidente da república acaba de nos informar que o PAIGC, que é o partido maioritário, aprovou essa possibilidade e vamos continuar a auscultar os partidos políticos. Porque só podemos ajudar se a Guiné-Bissau nos convidar de maneira apropriada", esclareceu o secretário de Estado das Relações Exteriores de Angola.

Georges Chicoti afirmou, contudo, que uma eventual missão internacional na Guiné-Bissau terá de ter bases claras sobre o que vai fazer e que não será tratada de forma hostil por ninguém.

"Queremos que seja um esforço no qual a Guiné-Bissau tem de participar, tem de nos convidar, de respeitar o que exige a ordem internacional. Se tivermos de mandar pessoas para trabalhar, tem de ser num ambiente de segurança, de respeito", afirmou Georges Chicoti.

O responsável angolano frisou ter recebido a garantia das chefias militares, através do Ministério da Defesa guineense, de que não haverá hostilidade para a missão. "Esse aspecto está adquirido. Tivemos garantias das chefias militares guineenses, no Ministério da Defesa. Penso que esse é o ambiente que podemos esperar e assim podermos produzir resultados".

Chefes militares da CEDEAO nada decidem sobre missão de estabilização

images (1) Bissau - A reunião dos chefes militares da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), que quinta-feira terminou em Bissau, não tinha como objectivo decidir a vinda de uma missão de estabilização para a Guiné-Bissau, disse o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Nigéria, o marechal Paul Dick.

"A nossa presença na Guiné-Bissau não tinha como objectivo conversar com as autoridades deste país sobre a vinda de qualquer força ou missão de estabilização. O mandato que nos foi confiado foi plenamente atingido", afirmou o marechal Dick, numa breve conferência de imprensa, a seguir ao encerramento formal da reunião dos chefes militares da CEDEAO, que decorreu em Bissau quarta e quinta-feira.

O responsável nigeriano, que é igualmente presidente da comissão de chefes dos Estados-Maiores das Forças Armadas da CEDEAO, defendeu que a sua presença naquele país visava três objectivos, mas sobretudo ajudar "os colegas da Guiné-Bissau a resolverem a crise que se abateu sobre o país".

Paul Dick referia-se, assim, ao último levantamento militar liderado pelo actual chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, o tenente general Antonio Indjai, o qual resultou na destituição e prisão do então responsável, Zamora Induta.

"Viemos ver como ajudar os nossos colegas a trabalharem no sentido do respeito da democracia, respeito pelo Estado de Direito, e a resolver os problemas criados com a última crise", sublinhou Paul Dick.

Das reuniões, encontros com as autoridades políticas e visitas a algumas instalações militares, os chefes das Forças Armadas da CEDEAO concluíram ser "urgente" dar continuidade ao processo de reforma do sector de Defesa e Segurança guineense, tendo sido apontadas as tarefas imediatas a desenvolver  nesse âmbito.

Para já, ficou estabelecido que as Forças Armadas guineenses precisam de ser reestruturadas, porque contam actualmente com mais oficiais do que soldados, sendo que estes também necessitam de formação nos domínios da cidadania, respeito pelos Direitos Humanos e princípios democráticos, frisou o marechal nigeriano.

Paul Dick disse que a comissão que dirige irá formular propostas para a direcção política da CEDEAO, no sentido desta organização mobilizar fundos para colocar à disposição da Guiné-Bissau, com os quais o país poderá dar início a programas de reconstrução de casernas e reequipamento das instalações militares.

Questionado sobre a situação do ex-Chefe das Forças Armadas guineenses, Zamora Induta, o responsável da CEDEAO afirmou que não gostaria de trazer a público vários assuntos discutidos durante os dois dias da reunião.

"Essa e outras questões foram debatidas, mas não gostaria de as trazer a público", afirmou Paul Dick.

Quinta-feira, 12 de Agosto de 2010

Procurador-geral da República da Guiné-Bissau nega que país seja plataforma de droga, mas diz que faltam meios para combater o flagelo

ALeqM5htKFj57H2hmsplUD1EczuEoWLXfA Bissau, 12 ago (Lusa) -- O Procurador-geral da República da Guiné-Bissau, Amine Saad, negou hoje que o país seja uma plataforma de tráfico de droga, mas admitiu que faltam meios para um combate sério e eficaz ao flagelo.

"A Guiné-Bissau não é um narcoestado e, muito menos, uma plataforma de droga. É, isso sim, um Estado fragilizado do qual se aproveitam os malfeitores. E as forças da lei não têm meios para dar um combate sério e eficaz ao crime", afirmou o Procurador guineense, em declarações aos jornalistas.

Amine Saad reuniu-se hoje com as diferentes instituições do Estado guineense que lidam diretamente com o crime, nomeadamente a polícia judiciária, polícia de proteção pública e magistrados, para proceder a um balanço sobre o nível do combate à droga nos últimos tempos.

© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

De modo a evitar "sentimentos de vingança" Liga dos Direitos Humanos pede a libertação de militares detidos na Guiné-Bissau

A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) solicitou hoje a libertação imediata do brigadeiro Manuel Melcíades Gomes Fernandes, do vice-almirante José Zamora Induta, do coronel Samba Djaló e de mais quatro pessoas detidas “ilegalmente”.

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Ao completar 19 anos, a Liga disse que isso seria uma forma de se contribuir para a resolução de alguns dos problemas do país, onde “as circunstâncias apontam tendencialmente para a intimidação, o medo e a perseguição”.
A Guiné-Bissau “atravessa um dos momentos mais difíceis e conturbados da sua história recente, em que concorrem inúmeros factores conducentes à instabilidade permanente no plano político, militar e social, que protelam sine die os sonhos de desenvolvimento durável e ameaçam substancialmente a sobrevivência das instituições democráticas”, afirmou aquela instituição, num comunicado.
“As forças de defesa e segurança continuam a ter um papel determinante na definição da vida pública e consequente insubordinação ao poder politico. Faltam infraestruturas judiciárias e há um limitado acesso à Justica, o que serve de incentivo à impunidade e à violência gratuita”, acrescentou a Liga Guineense dos Direitos Humanos.
O elevado índice de corrupção no aparelho do Estado e a ausência de uma política de combate ao desemprego “têm conduzido à deterioração do nível de vida das populações a uma escala cada vez mais preocupante”, observou a mesma instituição.
As dificuldades extremas nas investigações dos assassinatos de 2009, nomeadamente o do Presidente João Bernardo Nino Vieira, e as “detenções arbitrárias de oficiais superiores e subalternos das Forças Armadas, alguns há mais de um ano e com fortes sinais de tortura, deixam sequelas para o ódio e sentimentos de vingança”, prosseguiu a LGDH.
A insegurança dos titulares dos orgãos de soberania e a instabilidade político-militar permanente fizeram com que recentemente se tenha equacionado a hipótese de abrir as portas da Guiné-Bissau a “uma missão de estabilização” a constituir por diferentes países, nomeadamente da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general António Indjai, que chegou ao lugar depois de no dia 1 de Abril ter detido o seu antecessor, Zamora Induta, disse esta semana à agência Lusa que os militares guineenses discordam da ideia de “uma missão de estabilização”, mas que se essa for a decisão do executivo terão de a aceitar.