Terça-feira, 3 de Agosto de 2010

Missão de estabilização já provocou reacções na classe política

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Bissau – Os partidos políticos guineenses já começaram a reagir sobre a notícia do eventual envio de uma missão para a estabilização na Guiné-Bissau.

As autoridades políticas e militares da Guiné-Bissau admitiram a possibilidade da vinda de uma força de estabilização no país, instável de alguns anos a esta data. A hipótese foi avançada pelo porta-voz da presidência da República, Soares Sambu, à saída da reunião do Conselho de Defesa Nacional guineense, presidida pelo Presidente da República, Malam Bacai Sanhá.
Soares Sambu afirmou que a decisão havia sido tomada e que seriam agora iniciadas as formalidades, na sequência dos apelos nesse sentido, feitos à Guiné-Bissau nas recentes cimeiras de chefes de Estado e Governo realizadas na cidade de Sal, Cabo Verde, na cimeira da CPLP que se realizou em Luanda, Angola, da cimeira da União Africana, que se realizou em Kampala, Uganda.
Contactado pela PNN, o líder do Movimento Democrático Guineense (MDG), Silvestre Alves, destacou a importância desta missão, contudo chamou atenção sobre eventuais riscos que a mesma acarreta para o país. «A realidade guineense é extremamente complexa, penso esta missão não vai resolver os problemas da Guiné-Bissau», disse Silvestre Alves.
Nas suas declarações, Silvestre Alves considerou a classe política nacional de «bandidos», tendo reconhecido que os militares guineense não estão numa direcção certa no que diz respeito ao futuro do país.
Em relação ao Partido da Renovação Social (PRS), Ibarima Sorri Djalo, presidente em exercício desta formação política, adiou para uma data a anunciar a posição do seu partido sobre o assunto, depois da reunião da direcção desta formação política da oposição guineense.

Sumba Nansil

(c) PNN Portuguese News Network

Depois de Pindjiguiti, protestos continuam

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Bissau – A Guiné-Bissau assinalou, esta terça-feira, os cinquenta e um anos de massacres do Porto de Pindjiguiti, em 1959.

A cerimónia contou com a presença de representantes de sindicatos, com o embaixador de Portugal na Guiné-Bissau, António Ricoca Ferreira, assim como os membros do Governo.
O massacre do Porto de Pindjiguiti aconteceu, quando no dia 03 de Agosto 1959, um grupo de estivadores reivindicavam o aumento do salário e a redução das horas de trabalho, no porto de Pindjiguiti, onde foram violentamente recebidos violentamente com disparos, resultando na morte de vários marinheiros.
Em declarações à PNN, Fernando Gomes, ministro da Função Pública e Modernização do Estado, fez a comparação entre dois períodos de tempo: quando em 1959 as reivindicações dos funcionários públicos era o aumento dos salários e hoje, em que o pagamento de ordenados é que está em causa.
A propósito, Fernando Gomes disse que o actual Governo tem feito esforços para o cumprimento do direito dos funcionários do Estado, não obstante ter reconhecido que o salário mínimo requer uma revisão.
A comemoração contou ainda com a tradicional cerimónia de deposição de coroas de flores na Praça Mártires de Pindjiguiti e no porto do mesmo nome.
Sumba Nansil

(c) PNN Portuguese News Network

Militares desconfiam da missão de estabilização

Imagem do mapa

Os militares da Guiné-Bissau deverão aceitar, mas com muita relutância, o estabelecimento de uma missão de estabilização no país, apurou o DN, a partir de fontes guineenses. Para as altas hierarquias, uma força militar externa seria vista como "uma guarda pretoriana" do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

A presença de uma missão de estabilização é uma decisão do poder civil e foi tomada no domingo, numa reunião entre o Presidente Malan Bacai Sanhá e o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior. O objectivo é estabilizar a situação interna. Os militares guineenses só devem pronunciar-se nos próximos dias.

Caso seja aprovada, a missão será formada por elementos de CPLP (comunidade de países de língua portuguesa), CEDEAO (comunidade económica dos Estados da África Ocidental) e União Africana, mas não é claro se a missão é militar, civil ou mista. O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, disse à Lusa que não devem ser necessárias forças portuguesas nesta missão.

Um golpe militar a 1 de Abril resultou no afastamento do chefe do Estado-Maior, almirante Zamora Induta, e na detenção e agressão do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior. O novo chefe militar é o general António Indjai. Embora seja ele a deter o poder efectivo, é muito contestado no exterior.

Força de estabilização deverá ter como missão proteger autoridades e combater narcotráfico

Lisboa, 02 ago (Lusa) -- A força de estabilização para a Guiné-Bissau deverá ter como missão proteger as autoridades nacionais, combater o narcotráfico e formar elementos das forças de defesa e segurança, disse hoje à agência Lusa fonte diplomática contactada em Lisboa.

Segundo a fonte, a decisão das autoridades da Guiné-Bissau de aceitarem uma força de interposição no país foi tomada na sequência da última declaração do Conselho de Segurança da ONU.

A "decisão surge na sequência da declaração presidencial emitida pelo Conselho de Segurança da ONU na qual é feito o apelo para proteger os membros dos órgãos de soberania e combater o crime transnacional, incluindo o tráfico de droga", disse.

Segunda-feira, 2 de Agosto de 2010

Partido de Kumba Ialá analisa possibilidade de força de estabilização no país

ALeqM5gCev7wbDb9HX5rdn1_XxahyVot5g Bissau - O Partido da Renovação Social (PRS, líder da oposição) do ex- presidente guineense, Kumba Ialá, vai analisar em reunião ainda hoje (segunda-feira) a possibilidade admitida pelas autoridades de aceitar a vinda de uma força de estabilização no país, disse à Lusa fonte oficial do partido.

Segundo o presidente interino do PRS, Ibraima Sory Djaló, os órgãos competentes do partido vão reunir-se ainda hoje para uma análise do anúncio feito no domingo pela presidência guineense e só depois sairá um pronunciamento dos "renovadores". 

Na sequência de uma reunião do Conselho de Defesa Nacional da Guiné-Bissau, um porta-voz do Presidente, Malam Bacai Sanhá revelou à imprensa que havia sido tomada entre os dirigentes políticos e militares sobre a aceitação do principio da vinda de uma força de estabilização. 

A composição e o mandato da força ainda não foram especificados.  

Segundo o conselheiro para as relações externas da presidência, Soares Sambú, essas questões serão discutidas em reuniões que as autoridades guineenses vão iniciar brevemente, em Bissau, com os representantes da União Africana (UA), Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO) e Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Sociedade civil se congratula com possibilidade de força estalibilização

Bissau - O Movimento Nacional da Sociedade Civil da Guiné-Bissau se congratulou hoje (segunda-feira) com a decisão das autoridades do país, que admitiram a possibilidade de uma força de estabilização internacional no país, disse à Lusa o vice-presidente da plataforma que agrupa mais de 100 organizações. 

Segundo Mamadu Queitá, também porta-voz do Movimento, a sociedade civil entende que "há muito que o país estava a precisar de uma força internacional", uma vez que "ficou provado que as autoridades legítimas não têm condições de controlar as Forças Armadas" guineenses. 

"É uma decisão bem-vinda", defendeu Mamadu Queitá, frisando que "os vários episódios ocorridos no país já justificavam a vinda de uma força", para ajudar as autoridades a controlar as forças de Defesa e Segurança.

"É notória a desorganização do aparelho do Estado e a insubordinação das forças de defesa e segurança ao poder civil. Aconteceram vários casos que ficaram sem esclarecimento. A aceitação de uma força internacional é um passo importante que vai ajudar na estabilização efetiva do país", considerou Mamadu Queitá. 

Para este activista da sociedade civil, com a vinda dessa força, cujos contornos ainda se desconhecem, a Guiné-Bissau terá as condições necessárias para arrancar com o programa de reforma do seu sector de defesa e segurança.

"Esse programa é imprescindível para o futuro do país. Com ou sem o apoio da comunidade internacional as nossas autoridades deviam levar avante a reforma", defendeu o porta-voz das organizações da sociedade civil. 

Mamadu Queitá entende também que a vinda de uma força de estabilização dará garantias aos cidadãos e protecção aos titulares de órgãos de soberania.

UE não renova missão de apoio ao setor da segurança no país

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O Conselho da União Europeia (UE) decidiu não renovar o mandato da missão na Guiné-Bissau, que termina no próximo dia 30 de setembro, foi hoje divulgado em Bruxelas, nomeadamente devido à instabilidade política no país.

“A instabilidade política e a falta de respeito pelo primado da lei no país impossibilitam que a UE prolongue a missão, como estava inicialmente previsto, sem comprometer os seus próprios princípios”, segundo um comunicado hoje divulgado pelo Conselho.

A UE aponta ainda “a recente nomeação do general António Indjai para a chefia das Forças Armadas como mais um recuo no processo de consolidação democrática e confirma a falta de condições para o envio de uma nova missão” de apoio à reforma do setor da segurança.

No passado dia 06 de julho, a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros pediu, em Bruxelas, a revisão dos acordos entre a UE e a Guiné-Bissau na sequência da nomeação de Indjai.

Catherine Ashton “considera que a atual situação pode constituir uma violação dos compromissos assumidos pela Guiné-Bissau no que diz respeito aos direitos humanos, democracia e Estado de Direito”, segundo uma declaração da sua porta-voz.

A responsável pela Política Externa da UE recorda que esses são “elementos essenciais do Acordo de Cotonu” e “pede uma revisão do compromisso global da União Europeia na Guiné-Bissau”.

Ashton manifesta a sua “consternação” com a recente nomeação do Major General António Indjai para chefia das Forças Armadas.

Indjai “foi o principal responsável pelo motim de abril na Guiné-Bissau”, segundo a declaração da porta-voz de Catherine Ashton.

Indjai foi o protagonista da intervenção militar de 01 de abril, que levou à deposição e detenção de Zamora Induta da chefia das Forças Armadas e que continua detido desde então.

A missão da UE na Guiné-Bissau foi criada pela presidência portuguesa da instituição e começou em junho de 2008, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de planos da reconstrução e redimensionamento das forças armadas e corpos policiais. Tinha um orçamento de 5,7 milhões de euros.

No domingo, a Guiné-Bissau anunciou a disponibilidade para receber uma força de estabilização no país.

***Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***

Tropas lusas não deverão ser necessárias na Guiné-Bissau

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Gomes Cravinho, disse hoje à Lusa que não deverão ser necessárias tropas portuguesas na Guiné-Bissau, apesar da decisão guineense de aceitar uma força de estabilização internacional.

Em declarações à Lusa em Díli, Gomes Cravinho disse que a decisão guineense de aceitar uma força de estabilização internacional «é um passo muito importante» e corresponde a «uma evolução natural e necessária».

«Todos vemos na Guiné-Bissau uma enorme dificuldade em encontrar caminhos sem recurso a apoios internacionais. O princípio está adquirido e isso é muito importante», disse, acrescentando que «é fundamental que dentro da Guiné-Bissau haja capacidade de combater o narcotráfico, que é uma das fontes dos problemas do país».

Segundo Gomes Cravinho, é «para isso preciso o apoio internacional», sendo que o secretário de Estado acredita «que as várias instâncias internacionais - Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e CPLP - têm uma visão perfeitamente convergente» sobre a Guiné-Bissau.

«Facilmente encontrarão um mandato comum ou mandatarão uma dessas instituições para assumir a responsabilidade operacional», disse.

Redes internacionais de droga usam território português

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As três principais rotas internacionais de tráfico de cocaína passam por Portugal.

Uma faz chegar cocaína a África, incluindo Guiné-Bissau e Cabo Verde, e vem para a Europa via Portugal.

A "Rota do Norte" parte da América do Sul e chega à Europa via Caraíbas, utilizando frequentemente o transporte marítimo e usando os Açores como local de transbordo para a costa europeia.

A terceira parte do Brasil, usando correios que utilizam as ligações aéreas ou o transporte marítimo com destino a Cabo Verde, Açores, Madeira ou ilhas Canárias. Segue para a Península Ibérica através de barcos pesqueiros ou lanchas.

O Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires (É necessário separar História e ideologia) em entrevista ao Jornal de Angola

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Presidente Pedro Pires
é contra intervenção militar na Guiné-Bissau

O Presidente de Cabo Verde, Pedro Rodrigues Verona Pires, defendeu, em Luanda, uma nova leitura dos factos históricos, porque “a História como ela foi escrita, a mim não me dá satisfação, porque eu acho que não é a concreta, a real, mas uma história ideológica”. Durante a entrevista aos órgãos de informação angolanos, Pedro Pires manifestou-se também contra uma intervenção militar da CPLP na Guiné-Bissau sem o acordo das autoridades legítimas daquele país. Em fim de mandato, o Presidente cabo-verdiano falou também do prisioneiro de Guantánamo que o seu país, a pedido do Presidente Obama, decidiu acolher, e disse que quando concluir o mandato deixa Cabo Verde mais maduro, melhor preparado e respeitado no concerto das nações.

Jornal de Angola – À luz da Constituição de Cabo Verde, o comandante Pedro Pires está praticamente em fim de mandato na Presidência da República. Que país deixa às novas gerações?

Pedro Rodrigues Verona Pires -Estou nesta luta por Cabo Verde e por África há 50 anos. Quando me faz uma pergunta dessas, tenho tendência a ver todo percurso. Não posso fazer um balanço que diga respeito a dez anos, a 20 anos ou aos dois mandatos como Presidente da República. Entendo que Cabo Verde ganhou em todas as dimensões. Ganhou enquanto Estado soberano e enquanto actor político internacional. Cabo Verde goza de prestígio, Cabo Verde é escutado e contribui para as soluções dos problemas sérios no continente africano. Temos um Estado credível, que transmite confiança dentro e fora do país. Para mim, o importante é termos um Estado de direito, um Estado eficaz e um Estado garante do nosso futuro. Cabo Verde tem esse Estado. É o grande ganho de Cabo Verde. Mas, está claro que nós precisamos de aperfeiçoar as instituições do nosso Estado. Na vida não conseguimos nada de uma só vez e o esforço de aperfeiçoamento continua.


JA – E no domínio económico, que obra deixa?

PRVP –No domínio económico, Cabo Verde cresceu muito. Isso verifica-se através dos dados da economia cabo-verdiana. No domínio da educação e da saúde também se fizeram progressos enormes. Ao terminar os dois mandatos, vou deixar um país melhor, mais adulto, melhor equipado, melhor preparado, mas com muitos desafios pela frente, porque o nosso crescimento gera sempre novos desafios. Eu gostava de deixar um país muito mais maduro, mas também estamos a crescer nesse aspecto. 

JA - Pensa escrever as suas memórias ou já as tem escritas?


PRVP–
Confesso que de uma maneira formal ainda não tenho escritas as minhas memórias. Mas estou a trabalhar nisso, tomando notas, tentando rememorar os factos vividos. Depois do fim do mandato, penso começar a escrever as minhas memórias a sério, vou ocupar-me disso. Mas quero qualquer coisa mais que ultrapasse as minhas memórias. Seria as minhas memórias mais as memórias dos meus companheiros de caminhada. É difícil, porque alguns companheiros já não estão entre nós. Isso para mim é uma perda em matéria de informação, em matéria de dados.


JA – E para que serve essa reflexão conjunta?


PRVP-
Temos de fazer uma nova leitura da nossa História. Isso compete aos historiadores, aos intelectuais do país, são eles que devem promover um releitura da história. A História como ela foi escrita a mim não me dá satisfação, porque eu acho que não é a concreta, a real, mas uma história ideológica. Ideológica no seguinte sentido: para dar satisfação ou para justificar actos vários ou medidas várias. Penso que é indispensável, para além da história da luta contemporânea pela independência, escrever sobre as outras lutas. E aí vejo com bastante interesse o que se está a procurar fazer em Angola à volta da rainha Ginga. Eu penso que esta descoberta é interessante. De modo que teremos de fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

JA – Como?

PRVP – Já que nós temos universidades, compete aos universitários fazer investigação histórica no sentido de desencobrir o que ficou encoberto, no sentido de uma outra lógica da visão histórica. Com as ideias todas que tenho, estou a pensar escrever as minhas memórias, que não me satisfazem, e as outras memórias que devemos desencobrir.

JA – O que pensa Cabo Verde sobre uma intervenção militar da CPLP para a estabilização política na Guiné-Bissau?


PRVP–
  Qualquer intervenção militar deve ser decidida pelo órgão legítimo. Eu não sei se o tratado que cria a CPLP permite uma intervenção militar dessa forma. Está claro que a questão da Guiné-Bissau deve ser tratada pela CPLP, pela CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), também pela União Africana e pela ONU. Portanto, há uma rede de organizações e de relações bastante complexa. Sobre a Cimeira da CPLP realizada há dias em Luanda, o que posso dizer quanto à perspectiva de uma saída para a crise, é que estamos a trabalhar. Mas isso só se consegue em diálogo permanente com as autoridades da Guiné-Bissau que foram eleitas pelo povo guineense e que têm por isso legitimidade para negociar a saída da crise. Não está a ser fácil, mas nós pensamos que devemos agir com pragmatismo, com realismo e dar o benefício da dúvida às autoridades políticas guineenses.

JA - Quer dizer que uma intervenção militar da CPLP está fora de hipótese?

PRVP -  É preciso dar o benefício da dúvida às autoridades políticas guineenses, porque quando buscamos saídas militares temos de fazer contas quanto é que isso custa do ponto de vista humano, se vamos aprofundar a crise ou vamos encontrar uma solução para ela. Uma intervenção militar é um terreno extremamente movediço, pelo que é preciso agir com cautela. Eu não diria que já se vê uma pequena luz ao fundo do túnel, mas estou esperançado que podemos lá chegar através de um trabalho sério com os guineenses, com pragmatismo, sempre buscando consensos, sempre buscando da parte deles que estejam de acordo connosco. Porque não se deve fazer uma intervenção militar num país qualquer ignorando a posição das autoridades legítimas. A minha opinião é que se deve discutir isso sempre com as autoridades legítimas. Pensamos que com a Cimeira de Luanda demos um passo, embora não extraordinário, mas avançou-se algo para a solução da crise na Guiné-Bissau. Não posso entrar em pormenores, mas eu acho que se avançou algo. Vamos continuar a acompanhar o processo e nós depositamos muita esperança na presidência angolana.


JA – Como vão as relações económicas entre Angola e Cabo Verde?

PRVP – As nossas relações económicas são boas. Temos, por exemplo, o BAI, que é um banco angolano estabelecido em Cabo Verde, a nossa ligação aérea funciona normalmente. Temos ligações aéreas entre Luanda e Praia e há projectos interessantes com empresas angolanas para Cabo Verde e de Cabo Verde há quadros cabo-verdianos que vieram trabalhar em Angola.

  
JA – Porque Cabo Verde acolheu um preso de Guantánamo?

PRVP - Cabo Verde acolheu um dos prisioneiros de Guantánamo e já tínhamos feito uma coisa semelhante com os bascos da ETA. Em 1984, recebemos em Cabo Verde alguns cidadãos envolvidos na luta no País Basco. Portanto, não é a primeira vez que o fazemos. Mas é preciso sublinhar o seguinte: quando um país atinge a maturidade como Cabo Verde atingiu é obrigado a correr alguns riscos, a enfrentar alguns desafios. Isso foi para nós um gesto sobretudo para com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que desde o princípio, com o apoio da comunidade internacional, prometeu encerrar a prisão de Guantánamo. Como o processo não tem sido fácil, nós pensamos que devíamos ajudá-lo de alguma forma. Esse é mais um apoio à política do Presidente Obama e dos princípios que ele defende. A comunidade internacional aplaudiu a decisão do encerramento de Guantánamo. Agora, o processo de aplicação não tem sido fácil e o Estado de Cabo Verde procurou, com este passo, dar um pequeno contributo. Não é só Cabo Verde, outros países também já o fizeram.

JA - A União Africana  questionou na Cimeira de Kampala a forma de actuação do Tribunal Penal Internacional (TPI), na sequência do mandato de prisão contra o Presidente Omar El Bachir. Acha que é uma vítima inocente que está ser injustamente acusada?

PRVP– Antes de mais quero dizer que não disponho dos dados para saber se o Presidente do Sudão cometeu os crimes de que é acusado. Para tomar uma posição sobre isso não basta o mandato decidido pelo procurador-geral do Tribunal Penal Internacional. É preciso ter os dados. Entendo que não se pode mandar prender um Chefe de Estado e pedir ao mesmo tempo aos outros Estados que apliquem essa decisão. Porque, se reparar, nós para prendermos qualquer pessoa temos de fundamentar. Em qualquer Estado de Direito é assim que se procede. E é no quadro dos nossos Estados de Direito que pensamos que não é assim que se fazem as coisas, e que é preciso fornecer os dados indispensáveis para se saber se é ou não um criminoso que deve ser perseguido pelo Tribunal Penal Internacional, se é um criminoso que deve ser perseguido pelos tribunais do seu próprio país e pelos tribunais africanos. Eu discordo com a forma como a coisa é feita. Agora, nós, diante dessa decisão da União Africana, devemos cumprir e seguir a União Africana nesta matéria e nesta batalha. Porque entendo que a forma seguida pelo Tribunal Penal Internacional não me satisfaz e não satisfaz a maioria dos Chefes de Estado africanos. É nesse quadro que a União reagiu.

Domingo, 1 de Agosto de 2010

Guiné-Bissau aceita presença de força de estabilização

As autoridades políticas e militares da Guiné-Bissau concordaram hoje com o princípio da vinda de uma força de estabilização, disse à imprensa um porta-voz da presidência guineense.

Em declaracões à imprensa, à saída de uma reunião do Conselho de Defesa Nacional guineense, presidida pelo Presidente Malam Bacai Sanhá, o porta-voz Soares Sambu afirmou que essa decisão havia sido tomada e que seriam agora iniciadas as formalidades necessárias.

Lusa

Equipa de futebol da Guiné-Bissau está alojada num hotel sem elevador

Cândido Henrique Carvalho “Nando”, vice-presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), lamentou ontem as condições de alojamento da sua comitiva no Hotel Turismo (ex-Ibis), com a classificação de duas estrelas e de 12 andares, em Maputo.
“Nós em termos de alojamento não estamos bem. Temos um jogador lesionado e subimos sempre pelas escadas, porque o elevador está avariado há uma semana”, disse o dirigente desportivo.
O vice-presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau diz que já conversou com a gerência do hotel e que lhe garantiram que há poucas possibilidades de reparação do elevador durante esta semana. “Nós temos esta dificuldade e já manifestamos à Comissão Executiva dos VII Jogos da CPLP, coordenada pelo director nacional dos desportos de Moçambique, Inácio Bernardo”, disse.
Cândido Carvalho “Nando” aguarda pela mudança para outro hotel com melhores condições, sobretudo com elevador para transporte do material desportivo e as pessoas.
“Espero pelo bom senso da comissão executiva dos jogos para resolver este problema”, disse o vice-presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau. A selecção da Guiné-Bissau joga apenas na próxima  terça-feira, diante da congénere portuguesa, em partida da terceira jornada do torneio de futebol dos Jogos Desportivos da CPLP, que decorre desde quinta-feira passada na capital moçambicana e encerra no próximo sábado, 7 de Agosto, com uma partida de futebol.
Inácio Bernardo, presidente da Comissão Executiva dos Jogos, admitiu a possibilidade de colocar a delegação guineense nos primeiros andares do Hotel Turismo. “Já fui informado da situação e estamos a trabalhar com a gerência do hotel para resolver o problema. O problema não é de alojamento nem de alimentação, mas é ter que subir mais andares a pé”.

Jogos da CPLP-Angola surpreendida no basquetebol pela Guiné-Bissau

Maputo - A selecção masculina de basquetebol em sub-16 venceu esta tarde a sua congénere  Angolana, por 82-45, em partida da segunda jornada do torneio de basquetebol dos VII Jogos da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorrem em Maputo (Moçambique).
Depois de ter vencido por 81-29 na primeira ronda Cabo Verde, Angola hoje apresentou-se muito mal nos minutos iniciais diante de uma Guiné forte fisica e atleticamente.
A Guiné-Bissau também vinha de uma vitória volumosa (121-15) sobre São Tomé e Principe e hoje pretendia fazer jogo equilibrado e não perder por muitos pontos.
Equipas
Angola
- Reginaldo Kanza (06), Roger de Carvalho (09 ), Ivanadio Enezes (01), Miguel Afonso (04), Francisco Lussaty (03), Kavungo Pedro (03), Aldair Carlos (03), Miguel Garcia (05), Mieze Francisco (06), Teotónio Do (08), André João (02) e Joel Domingos(05).
Treinador: Apolinário Paquete
Guiné-Bissau
- Fratelo Nhanga (13), José Ramos (07), Marito Almeida (25), Umarara Djau (00), Braima Sambu (26), Alfa Njai (24), Braima Dabo (02), Paulo Save (00)  e Carlos Gomes (13).
Treinador: Lopes Rodrigues
Arbitragem: Fernando Serpa (Brasil) e Sónia Teixeira (Portugal)

Sábado, 31 de Julho de 2010

Catarina Furtado não teme instabilidade política no momento de ajudar mulheres e crianças

Bissau - Catarina Furtado, embaixadora da boa vontade do Fundo Nações Unidas para a População (FNUAP), disse hoje, sexta-feira, em Bissau, que a instabilidade política na
Guiné não lhe tira forças para ajudar a melhorar a vida das mulheres e crianças guineenses. 

"O facto de a Guiné ter esta instabilidade política torna as pessoas mais vulneráveis, mas não é por isso que vou deixar de fazer o meu trabalho em prol das mulheres e dos bebés guineenses", afirmou a apresentadora de televisão portuguesa, num balanço, feito à Lusa, durante à sua visita de uma semana à Guiné-Bissau. 

Catarina Furtado, que gravou a sua visita para um documentário a ser exibido na RTP, disse que, apesar das dificuldades próprias do país, não sente medo quando está na Guiné-Bissau. 

" Não é o sítio mais confortável para ir, confesso, mas acredito sempre que as pessoas quando vêm por bem, com inteira boa fé, como é o meu caso, como é caso das pessoas que comigo trabalham, não acredito que alguma coisa nos vá acontecer", notou a apresentadora, que esta sexta-feira regressa à Lisboa. 

Catarina Furtado, acredita que existem algumas pessoas, guineenses e portuguesas, com esperança de ver a Guiné-Bissau diferente e que estão a trabalhar para isso.  

Mesmo assim, diz, a vida não tem sido fácil para a população do país, ainda mais com a chuva. " Estivemos a semana toda a trabalhar e a apanhar a chuva, nunca tinha apanhado a chuva na Guiné, porque vinha sempre quando não chove. Se a vida é difícil para os guineenses, com a chuva é ainda mais ", reconheceu. 

A apresentadora conta regressar à Guiné-Bissau dentro de um ano e, por aquilo que constatou nesta sua terceira deslocação ao país, registaram-se " progressos assinaláveis " na área da saúde materna e infantil nas duas regiões onde intervém o projecto por ela patrocinado. 

" Neste último ano, a taxa de mortalidade e neo-natal em Gabu, que era de 15%, desceu para 9,6%. Isto é, baixou significativamente. Acho que é uma redução milagrosa ", frisou Catarina Furtado, ao referir-se ao hospital da região de Gabu (a 200 quilómetros a leste de Bissau).

Há um ano, o hospital recebeu um bloco operatório novo construído com fundos mobilizados pelo projecto apoiado pela embaixadora. 

" É, de facto, mais do que aquilo que pensaria. Muitas vidas já foram salvas. Nem que seja uma, já valeu a pena. E não estou a contabilizar os bebés dessas mamãs que acabaram por sobreviver", notou Catarina Furtado.

Já em Mansoa (a 60 quilómetros a norte de Bissau), o projecto financiou a formação de vários técnicos de saúde, nomeadamente parteiras, matronas, enfermeiros, obstetras, cirurgiões e médicos no geral.  

Catarina Furtado apontou que em cerca de um ano o hospital de Mansoa, construído pela cooperação francesa, conseguiu realizar com sucesso mais de 200 cirurgias a mulheres. Desse número, 70 mulheres foram operadas a fístulas com sucesso nos últimos meses, sublinhou. 

Até ao momento foram gastos, nas duas regiões, 500 mil euros, dos quais 250 mil euros angariados entre os telespectadores da RTP e outros tantos disponibilizados pela cooperação portuguesa. 

Devido ao sucesso do projecto, a região de Bafatá (também no Leste), vai ser também contemplada, através de um financiamento autónomo, indicou Catarina Furtado.

Seleccionador Angolano reconhece superioridade da Guiné-Bissau

Maputo - O seleccionador nacional Angolano de futebol sub-16, Manuel Costa, disse hoje que a Guiné-Bissau foi mais forte do que Angola no empate desta sexta-feira (1-1) na abertura do torneio dos VII Jogos da CPLP que decorrem em Moçambique desde quinta-feira.

Em declarações à imprensa no final do desafio, o treinador referiu que os guineenses mostraram-se mais fortes do ponto de vista físico e técnico, embora Angola tenha marcado primeiro.

"Foi um bom jogo. Pretendíamos vencer e não foi possível, porque o adversário não facilitou e mostrou ser uma grande equipa", realçou.

Para o desafio diante de Portugal no domingo, o seleccionador disse que será uma partida diferente, pois os futebolistas já estão ambientados na prova: "Todos estão a fazer a sua estreia nesta competição".

Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Guiné-Bissau empata com Angola em futebol

Maputo - A selecção nacional de futebol em sub-16 empatou hoje, em Maputo, a uma bola diante de Angola partida da primeira jornada dos sétimos Jogos da CPLP, iniciados quinta-feira em Moçambique.

A equipa angolana esteve algo apática no início do jogo, disputado no estádio 1º de Maio, sendo surpreendida várias vezes pelo adversário, mas ainda assim conseguiu evitar que os guineenses inaugurassem o marcador.

Depois da pressão inicial da Guiné-Bissau, os “palanquinhas” orientados por Manuel Costa controlaram a partida e aos 23 minutos Diógenes marcou, correspondendo um passe de Papela, na ala esquerda do seu ataque, e Angola foi para o intervalo em vantagem.

No reatamento, o conjunto nacional quase aumentava a vantagem. Na cobrança de um livre directo, Joãozinho atirou a bola na trave da baliza guineense.

Apesar da tendência ofensiva dos angolanos, a Guiné empatou por intermédio de Diego, aos 45 minutos, aproveitando uma falha defensiva do adversário.

Daí em diante, a Guiné passou a ser a equipa mais objectiva e criou muitas oportunidades para marcar, mas o guarda-redes angolano, José, evitou a derrota.

Angola volta a jogar domingo ante a sua similar de Portugal, que hoje venceu Moçambique por 4-1.

Marcha do marcador: 1-0 ao intervalo Diógenes (23’)

Resultado final: 1-1 marcador Diego (45’)

Equipas:

Angola: José (cap), Dadão (Manucho aos 56 min), Zeca, Mimona (Júlio 69’), Diógenes, Zezinho, Papel, Joãzinho (Zua 49’), Josimar, Adilson e Mila.

Treinador: Manuel Costa

Guiné-Bissau: Sulemane, Mamadou, Rudmilson, David, Vladimir, Janio, Jorge (Lúcio 41’), Carlos, Alsénio, Diego.

Treinador: Dominguinho Fernandes

Árbitro: Estevão Matsini

1ºassistente: Ivo Francisco

2ºassistente: José Mula

4ºárbitro: Samuel Cherinda

Coimssário: Artur Máximo

Acção disciplinar: cartão amarelo para Lúcio e Maucho.

Na edição passada, em 2008, no Brasil, os guineenses venceram por 1-0.

Safári Airlines, de Guiné-Bissau, pretende começar suas operações no Brasil

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Boeing 727-200 igual ao da Safári Airlines

O foco da Safari Airlines é a África Ocidental, utilizando Bissau como seu centro de distribuição de voos para servir destinos em Guiné-Bissau e em outros países vizinhos.

- Há uma forte procura   regional por esses voos, o que nos levou a criar a empresa - afirma o presidente da aérea, Marcos Marcelino Vieira.

A explicação da estreia com um voo para o Brasil, contudo, está no fato de a primeira aeronave da Safari ser um Boeing 727-200.

- É um avião com capacidade para fazer rotas transatlânticas, e enxergamos uma oportunidade para Fortaleza, já que a cidade fica bem próxima da costa africana - diz o executivo.

A Safari pedirá autorização para operar dois voos semanais entre Bissau e a capital cearense. A meta é chegar a quatro ou cinco, conforme a demanda. A companhia pretende fazer acordos com empresas nacionais, permitindo conexão de seus voos para outras cidades do Brasil. As rotas africanas serão iniciadas em paralelo à brasileira.

A Safari Airlines, empresa aérea criada há cinco meses em Guiné-Bissau, planeja dar partida a suas operações no Brasil em setembro, com um voo entre Bissau e Fortaleza. A companhia, que pertence ao brasileiro Cooperate Group, de comércio exterior, vai solicitar a autorização da Agência Nacional de Aviação Civil .

Abertos em Moçambique Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa

CPLP - MAPA MUNDI BANDEIRAS PAISES Começou  a sétima edição dos Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). O evento mobilizou a capital moçambicana, lotando hotéis e enchendo a cidade de faixas e de delegações. É a segunda vez que Maputo recebe os jogos – a primeira foi em 1997.
Participam cerca 600 atletas de Moçambique, Angola, Portugal, do Brasil, de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, da Guiné-Bissau e do Timor Leste, que disputam medalhas em seis modalidades: handebol, atletismo, basquete, futebol, tênis e vôlei de praia. O limite de idade para os atletas é de 16 anos, a não ser nas modalidades paraolímpicas (categorias PPD T-12 e T-13), em que pode competir quem tem até 20 anos.
Além das competições esportivas, estão previstas atividades culturais com artistas dos oito países, para reforçar o lema escolhido para esta edição: "Uma comunidade, uma língua, um mar de culturas".
O Brasil traz uma delegação de 67 pessoas, mas nenhuma desembarcou a tempo de participar da cerimônia de abertura dos Jogos. O voo que viria de São Paulo para a África do Sul foi cancelado. Os atletas só chegariam à noite e não haveria tempo de fazer a conexão para Maputo.
Quatro integrantes do comitê organizador vestiram camisetas do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e carregaram a placa com o nome do país na festa de abertura, no Pavilhão Esportivo de Maxaquene. O presidente de Moçambique, Armando Emílio Guebuza, participou da abertura do evento.
O Brasil tem atletas em três das seis modalidades da competição. No basquete masculino, será representado pelo time do Colégio Pessoa, de São Paulo. No handebol feminino, pelas alunas do Colégio Anglo Líder, de Pernambuco. As duas equipes foram as vencedoras, na categoria 15 anos, das Olimpíadas Escolares de 2009. O Brasil também compete no atletismo para homens e mulheres, bem como no paraolímpico.
De acordo com o chefe da delegação brasileira, Jessé Oliveira, o país não traz estrelas ascendentes na delegação. Só promessas. “Estamos vindo com um grupo de atletas das modalidades coletivas que só participaram de competições escolares do Brasil”, disse ele. “Alguns do atletismo já são ranqueados pelas suas federações e, possivelmente, já participaram de alguma competição internacional. Mas é possível que, para alguns, seja a primeira vez que estão saindo do Brasil, e até de seu estado, e indo para um outro continente".
A ideia, segundo Jessé, é preparar a novíssima geração, dando a ela chance de entrar em contato com o exterior desde muito cedo. E não só para o esporte. “Não queremos formar apenas atletas, mas também bens cidadãos”. A competição segue até o dia 7 de agosto.

Cabo Verde condiciona intervenção na Guiné-Bissau a pedido das autoridades

Luanda – O presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, afirmou que deposita confiança à presidência angolana da CPLP e condiciona qualquer intervenção na Guiné-Bissau à solicitação das autoridades democraticamente eleitas.

Pedro Pires falava à imprensa, na sua passagem por Angola, depois de ter participado na Cimeira da União Africana (EU), decorrida no Uganda.

"Não sei se o tratado que cria a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) permite uma intervenção militar desta forma", disse.

Acrescentou que "está claro que a questão da Guiné-Bissau deve ser tratada pela CPLP, CDEAO, UA e a ONU, uma rede de organizações bastante complexa. Estamos a trabalhar para uma saída para a crise com as autoridades deste país".

A Guiné-Bissau tem autoridades legítimas eleitas para negociar a saída da crise, que apesar de não ser fácil, a CPLP deve agir com pragmatismo, acreditando nas autoridades locais, agindo com cautela e nunca aprofundando a crise.

Não se deve fazer uma intervenção em qualquer país ignorando a posição das autoridades legítimas, sublinhou, adiantando ser necessário sempre discutir com o poder legalmente instituído.

Declarou que com a cimeira da CPLP e PALOP, realizadas na semana passada em Luanda, deram-se passos para a pacificação da Guiné, que preferiu não mencionar por "razões óbvias". 

Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

PR cabo-verdiano pede "cautela" na forma como se deve lidar com o "terreno movediço" que é a Guiné-Bissau

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Pedro Pires, que deixa hoje a capital angolana, Luanda, depois de uma passagem de trânsito, proveniente do Uganda, onde participou na 15ª sessão da Cimeira da União Africana, alertou para as particularidades da Guiné-Bissau e apelou ao trabalho conjunto com os lideres guineenses.

O Chefe de Estado cabo-verdiano, que comparou a Guiné-Bissau a "um terreno extremamente movediço", disse estar esperançado que se encontre uma solução para a situação daquele país, que se pode alcançar através de "um trabalho sério com os guineenses".

Países membros da Uemoa discutem circulação de cartão telefônico comum

A Uemoa agrupa Benin, Burkina Faso, Côte d'Ivoire, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo.

Da Redação, com agência

Bamako (Mali) - Os ministros encarregados das Telecomunicações e das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) dos Estados membros da União Económica e Monetária Oeste-Africana (Uemoa) reúnem-se a partir desta quinta- feira em Bamako, no Mali, com a principal expetativa da circulação de um cartão comum de telefonia móvel na região. A reunião tem como tema "Para um Espaço Integrado das Telecomunicações e das TIC".
Os ministros das Telecomunicações do espaço Uemoa examinarão o estudo conjunto da organização e da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) sobre a elaboração de um modelo harmonizado de cálculo das tarifas de interconexão para atingir uma fixação das tarifas de interconexão suscetíveis de favorecer o acesso amplo dos usuários a todas as redes, bem como a diminuição dos custos.
A agenda da reunião inclui ainda o exame dum estudo sobre a rede única de telecomunicações móveis no espaço Uemoa que poderia culminar na colocação em circulação dum "cartão comum Uemoa".
A Uemoa agrupa Benin, Burkina Faso, Côte d'Ivoire, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo.
As informações são da Panapress.

ONU financia recuperação de casernas militares





O gabinete integrado das Nações Unidas para a consolidação da paz na Guiné-Bissau (UNOGBIS) disponibilizou hoje (quarta-feira) 1,9 milhões de dólares para a reabilitação das casernas em três unidades militares do país, disse à Lusa fonte da organização.  

O projecto foi lançado hoje e vai cobrir as obras de reabilitação das casernas dos quartéis d'Amura (onde funciona o Estado-Maior das Forças Armadas), Gabu (leste) e Quebo (no sul).  As obras estarão concluídas o mais tardar até Fevereiro de 2011.
  
 Na ocasião do lançamento do projecto, que decorreu no Ministério da Defesa, em Bissau, o encarregado dos escritórios da UNOGBIS, Babafemi Badejo, indicou que o montante disponibilizado foi mobilizado no âmbito do Fundo de Consolidação da Paz, instituído em 2006 pelo Secretário-geral das Nações Unidas para ajudar os países saídos de conflitos.

O projecto faz parte de um conjunto de acções elaboradas pelo governo guineense no âmbito do programa de reforma do sector de Defesa e Segurança da Guiné-Bissau.
   
Ao usar da palavra na cerimónia, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, tenente-general António Indjai, agradeceu a ajuda disponibilizada, destacando ser imprescindível melhorar as condições de vida e de trabalho dos militares nas casernas.  

Guiné-Angola na abertura do futebol

O sorteio e a reunião técnica dos Jogos Desportivos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que começam hoje, às 16h30, no Pavilhão do Maxaquene, foram realizados ontem no Hotel VIP Maputo, na capital moçambicana.
A Selecção de Futebol de  Sub-17 defronta na primeira jornada a similar da Guiné-Bissau, sexta-feira à tarde, no campo do Maxaquene. A equipa nacional de basquetebol masculina joga na abertura, também na sexta-feira, no Pavilhão do Maxaquene, frente à congénere de Cabo Verde.
No andebol, as angolanas medem forças com Portugal, no Pavilhão da Maxaquene, na tarde de sexta-feira.
As selecções nacionais de ténis enfrentam, na primeira ronda da competição, as selecções portuguesas nos “courts” do Jardim do Tunduru. As selecções nacionais de voleibol de praia defrontam na sexta-feira, às 8h00, na Praia da Miramar, a Guiné-Bissau. Os torneios de andebol, basquetebol, futebol e voleibol vão ser disputados no sistema de todos contra todos a uma volta, enquanto no ténis as equipas jogam no sistema da Taça Davis, nos “courts” do Jardim do Tunduru, de manha e à tarde.

PM enaltece qualidades do secretário executivo da CPLP



PM Carlos Gomes Júnior
PM Carlos Gomes Júnior


Bissau - O Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, enalteceu hoje (quarta-feira) "excelentes qualidades" do  secretário executivo da CPLP, o guineense  Domingos Simões Pereira, e saudou o nível organizativo e as decisões tomadas na recente cimeira da organização realizada em Luanda, Angola.  


Bissau - O Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, enalteceu hoje (quarta-feira) "excelentes qualidades" do  secretário executivo da CPLP, o guineense  Domingos Simões Pereira, e saudou o nível organizativo e as decisões tomadas na recente cimeira da organização realizada em Luanda, Angola.  

Em declarações à Agência Lusa e RDP África, Carlos Gomes Júnior afirmou que a recondução de Domingos Simões Pereira para mais um mandato de dois anos à frente do secretariado executivo da CPLP "é a prova de confiança que a comunidade lusófona deposita" naquele responsável guineense e seu companheiro no partido que lidera na Guiné-Bissau, o PAIGC.  

"O camarada Domingos Simões Pereira, na qualidade de secretário executivo da CPLP, tem ainda muito a dar à comunidade lusófona. Enquanto quadro do partido  me faz falta na governação que pretendo implementar. Faz muita falta. É um quadro que ajudou a definir a estratégia do partido. Tive que abdicar dele porque tinha outras solicitações", disse o Primeiro Ministro guineense. 

"Sentimo-nos reconfortados e orgulhosos pela confiança que toda comunidade lusófona deposita nele", acrescentou Carlos Gomes Júnior, sublinhando que Domingos Simões Pereira "é um quadro de reconhecida competência" que orgulha a todos os guineenses. 

"Sempre defendemos que a Guiné-Bissau tem quadros, temos é que ser capazes de os estimular", considerou, não deixando também de fazer uma referência positiva à organização demonstrada pelas autoridades angolanas na recente cimeira da comunidade lusófona, que decorreu em Luanda.  

"Nós felicitamos toda a organização e os chefes de Estado e de governo pelo nível de trabalho feito, que permitiu dar mais visibilidade à nossa comunidade. E penso que devemos continuar, tal como diz o lema: Solidariedade na Diversidade", defendeu o chefe do executivo guineense. 

Para Carlos Gomes Júnior, o lema preconizado pela presidência angolana da CPLP pretende sublinhar que não há países ricos e pobres.  


"Todos juntos, não há países ricos, não há pobres, somos todos solidários na promoção da nossa língua", argumentou, destacando, porém, as decisões saídas na cimeira de Luanda, nomeadamente aquelas que dizem respeito à situação na Guiné-Bissau.  

"Penso que as decisões tomadas são importantes, mesmo aquelas que se referem à Guiné-Bissau, nós agradecemos a patenteadaa. A condenação dos actos que tiveram lugar no nosso país, entendemo-la como uma medida dissuasora, porque nós estamos num Estado de Direito, temos que promover o nosso país pela positiva", considerou Carlos Gomes Júnior.  

"Temos que continuar na via do diálogo e concertação com os nossos parceiros de desenvolvimento, só assim seremos capazes de ultrapassar todas as divergências e saber também que, enquanto guineenses, temos responsabilidades perante o mundo. A crítica é salutar para que possamos corrigir", defendeu o chefe do executivo guineense. 

Governo prepara legislação sobre violência contra mulheres e crianças


Bissau - Os casos de violência contra mulheres e crianças têm vindo a crescer na Guiné-Bissau e o Governo está a preparar legislação para combater este problema, disse à Lusa a Presidente do Instituto da Mulher e Criança (IMC).  
 
Segundo Iracema do Rosário, a cada dia que passa há relatos de novos casos ou reincidências de situações de violência contra mulheres e crianças em várias localidades da Guiné-Bissau, mas sobretudo nas regiões do leste e sul do país.  
 
Iracema do Rosário apontou o casamento forçado ou precoce de jovens raparigas de 14, 15 e 16 anos de idade no sul e as constantes denúncias de crianças Talibés que são levadas ao Senegal alegadamente para aprender o Corão, mas que na realidade acabam na mendicidade pelas ruas de Dakar. 
 
Recentemente, cerca de duas dezenas de jovens raparigas que fugiram das suas aldeias no sul do país, se encontram refugiadas na sede nacional da Igreja Evangélica, em Bissau, onde, com a ajuda do Governo, voltaram a estudar.  
 
"Ficámos a saber deste caso através de uma denúncia feita pela Igreja Evangélica. Como não temos o pendor de fazer justiça, encaminhamos essas denúncias escritas para as instâncias judiciais, com conhecimento ao Primeiro Ministro", afirmou a presidente do IMC.  
 
Iracema do Rosário pensa, no entanto, que, antes da entrada em vigor do novo pacote legislativo que visa punir os que praticam a violência, é preciso avançar para um amplo trabalho de sensibilização nas escolas sobre os direitos da mulheres e das crianças.  
 
A legislação, que vai punir criminalmente os que praticarem a violência contra mulheres e crianças, deverá estar pronta ainda este ano, mas, enquanto não chegar, o Governo tem previsto pôr em marcha uma série de iniciativas, designadamente maior vigilância e mais atenção às denúncias, disse a presidente do IMC.  
 
A Presidente do organismo do Governo que lida com questões da mulher e criança, defendeu que na Guiné-Bissau a violência contra a mulher não é só física, é também sexual, económica e até política.   
 
"Violência política existe. A Constituição da República diz, nos seus artigos 24, 25 e 26 que o homem e a mulher têm os mesmos direitos políticos, mas nos partidos da Guiné-Bissau, mesmo que uma mulher tenha condições, seja esforçada e batalhadora em nome do partido, nunca lhe é dada a oportunidade de se expressar, de se apresentar como candidata em posição de ser eleita",
considerou Iracema do Rosário.  
 
De acordo com a responsável, são estas e outras situações que a nova legislação vai tentar combater. 

Maputo alberga pela segunda vez Jogos da CPLP

A cidade de Maputo alberga, a partir de quinta-feira, a sétima edição dos Jogos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), treze anos depois de ter organizado já este evento desportivo dedicado a atletas cujo limite de idade é 16 anos.
 
A actual edição representa para o país do Índico o desafio de superar o registo de 500 atletas obtido em 1997, quando acolheu a terceira edição, e alcançar o recorde de 700 participantes pertencente a Angola.
 
As autoridades moçambicanas apostaram numa organização que iguale ou supere os eventos até agora organizados, contando para efeito com a assessoria de países com maior experiência no sector, entre os quais Angola, que disponibilizou quadros para o auxílio, além de ajudar na transportação das delegações de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau.
 
Os jogos de Maputo, cuja cerimónia de abertura acontece no estádio de Maxaquene, reúnem desportistas de Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Brasil, Portugal e Timor-Leste.
 
Com uma área de 801. 590 quilómetros quadrados e população estimada em 20 milhões e 500 mil habitantes, segundo estimativas de 2007, Moçambique é um país da costa oriental da África Austral, limitado a norte pela Zâmbia, Malawi e Tanzânia, a sul pela África do Sul e a oeste pela Swazilândia e Zimbabwe.
 
Localizado no sudeste do continente, o país tem como principais cidade Maputo, Matola, Rio, Beira e Nampula. O seu clima é tropical. 
 
Além do português, a população tem, entre outras, as línguas regionais ronga, changa e muchope, e professa crenças tradicionais, o cristianismo e o islamismo.

Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Governo suspende missões ao estrangeiro e compra de viaturas

Bissau, 28 jul (Lusa) -- O primeiro ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, mandou suspender as missões ao estrangeiro de membros do Governo, compra de viaturas e de mobiliário como medidas de contenção da despesa pública.
Em declarações à Agencia Lusa e à RDP-Africa, Carlos Gomes Júnior disse ter tomado essa decisão em virtude da crise financeira que assola o mundo, mas também como forma de moralizar o exercício governativo.
"Dada a crise financeira a que se assiste no mercado mundial, se os nossos parceiros estão a fazer contenção, a Guiné-Bissau também não pode ficar alheia e indiferente a essas medidas", defendeu Gomes Júnior.

Governo português assina protocolos de cooperação bilateral com Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe


Maputo, 27 jul (Lusa)-- Portugal assinou hoje, em Maputo, dois protocolos de cooperação bilateral para 2010 com a Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, no valor de um milhão de euros, com vista a apoiar os dois países na "reforma da justiça".


A assinatura dos documentos insere-se no âmbito da XII Conferência dos Ministros de Justiça, que este ano se realiza em Moçambique, com a presença dos ministros da Justiça dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O Ministério da Justiça português, em parceria com o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), celebrou os protocolos que manifestam "uma disponibilidade para apoiar nos mais diversos domínios [da justiça], em função das necessidades dos países", explicou o ministro da Justiça português, Alberto Martins, no final da cerimónia.

Presidente da Guiné Bissau diz que cabe à comunidade internacional mudar de posição


"É um acto soberano de um chefe de Estado, de um Estado soberano. Pode-se criticar nos corredores, dizer que não seria a pessoa indicada, mas está nomeado, está nomeado. Ponto final", enfatizou.

Kampala - O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá defendeu, terça-feira(27), que os chefes militares detidos na intervenção militar de 01 de Abril serão levados à Justiça e que o general António Indjai, líder da rebelião, vai continuar a ser chefe das Forças Armadas.

"As pessoas que estão detidas, estão a espera da Justiça, aí não posso fazer nada. Há órgãos competentes da Justiça encarregues de levar a cabo este processo", disse Malam Bacai Sanhá, em declarações à Rádio França Internacional (RFI), por ocasião da cimeira da União Africana (UA), no Uganda.

Sobre a libertação do ex-chefe do Estado Maior, Zamora Induta, exigida, entre outras entidades, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, o chefe de Estado guineense disse não poder fazer nada antes de uma decisão judicial. Sobre a nomeação de António Indjai, Bacai Sanhá afirmou ser um assunto encerado.

"Aí não há discussão. O António Indjai vai continuar ali. Eu penso que o António Indjai poderá vir a surpreender muita gente em termos de pontualidade na execução do programa da reforma (do sector de Defesa e Segurança) ", considerou o chefe de Estado guineense.

"A nomeação de António Indjai ninguém pode pô-la em causa", disse o presidente da Guiné Bissau. "É um acto soberano de um chefe de Estado, de um Estado soberano. Pode-se criticar nos corredores, dizer que não seria a pessoa indicada, mas está nomeado, está nomeado. Ponto final", enfatizou Malam Bacai Sanhá.

Em relação ao futuro, mesmo com as críticas de países e organizações que apoiam a Guiné-Bissau, o chefe de Estado guineense disse esperar que muitos venham a mudar a sua opinião e voltar atrás com as promessas de cancelamento das ajudas.

"Vamos continuar a contar com os apoios da comunidade internacional. A União Africana já está disponível, a CEDEAO. Eu penso que a União Europeia, os Estados Unidos da América vão acabar por estar de acordo", afirmou o presidente guineense.

Bacai Sanhá, que disse contar com a ajuda de Portugal, de Angola e da Líbia, para mudar as posições de diversas organizações.

"Nós contamos, nesse aspecto. com o apoio que Portugal poderá dar, ou tem estado a dar. Angola, não é de admirar, é um país irmão da Guiné-Bissau. É o caso da Líbia e mais outros países", frisou Bacai Sanhá.

"Estamos muito encorajados, contrariamente àquilo que muita gente pensava que a Guiné-Bissau iria ficar abandonada. Não. As pessoas compreenderam que abandonando a Guiné-Bissau, não estariam a contribuir para o desenvolvimento e bem-estar do povo", afirmou o chefe de Estado guineense.

"A melhor maneira é continuar ao lado das instituições legítimas do povo e apoiá-las para que consigam levar avante o programa que temos", disse o presidente da Guiné Bissau.

Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Governo de Bissau sem provas de envolvimento de generais no narcotráfico (Como é possivel?)

Bissau - O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, disse hoje, em Bissau, que o governo que dirige ainda não obteve nenhuma prova ou qualquer processo judicial que acuse o envolvimento da chefia militar do país no tráfico de droga.

Em entrevista à Angop, Carlos Gomes Júnior precisou que já foram pedidas as provas aos países parceiros e certas organizações internacionais que fazem estas acusações, "mas o governo ainda não recebeu nenhuma prova para poder agir". O primeiro-ministro guineense reagia assim às reacções internas e externas sobre a nomeação de alguns desses generais acusados de tráfico de drogas para cargos de relevo nas Forças Armadas do país.

"Tudo quanto sabemos são informações não oficiais, prestadas por algumas personalidades, pela imprensa, internet, etc, mas não podemos agir com base em rumores", referiu "Cadogo", como é popularmente chamado o primeiro-ministro guineense.

Instado sobre o receio de assumir públicamente o facto, Carlos Gomes Júnior afirmou que "enquanto não surgir nenhum processo (judicial sobre o caso de envolvimento destes generais no tráfico de drogas) eles são livres e podem exercer normalmente as suas funções, desde que respeitem as instuições democraticamente eleitas no país".

"Não sou nenhum advogado de defesa e nem tenho medo dos militares, até porque tenho sido muito frontal, mas não podemos agir sem prova, para preservarmos a paz e a estabilidade", acrescentou.

Em relação ao protagonismo dos mesmos na rebelião de 1 de Abril, "Cadogo" disse ter sido igualmente vítima, quando foi detido e depois libertado, mas não apresentou nenhum processo judicial contra o general Indjai, para a salvaguarda da estabilidade.

Reconheceu que "são situações anómalas, mas o povo precisa de estabilidade e a Guiné-Bissau e os parceiros devem compreender que cada país tem os seus próprios problemas e saber as formas de ultrapassá-los".

Vários militares de alta patente, entre os quais o actual chefe de Estado-Maior, António Indjai, o comandante da Força Aérea, Papa Camará, e o agora reintegrado nas fileiras do exército, Bubo Natchuto, são acusados de tráfico de drogas pelos Estados Unidos e demais países e organizações internacionais.

As nomeações têm sido motivo de contestação por parte destes países e organizações internacionais.

Já agora este Doc: não é uma declaração assinada por um General?

Este doc: não é verdadeiro? refutem-no

Jogos da CPLP registam seis edições

Luanda - Dando corpo a um dos principais instrumentos de cooperação no domínio do desporto entre os países de língua portuguesa, os jogos desta comunidade (CPLP) foram instituídos a 20 de Janeiro de 1990 em Lisboa, sendo o documento rubricado por representantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Brasil e Portugal.

Nos termos dos regulamentos do evento, não há países vencedores, pelo que prevalece o convívio desportivo entre os participantes, o respeito às regras e o “fair play”, entre atletas cuja idade não ultrapassa os 16 anos, uma faixa etária propensa a influências, quer seja positivas ou negativas.

A primeira edição dos jogos foi disputada em Setembro de 1992, em Portugal, com a participação de 500 atletas, incluindo os anfitriões, de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Brasil.

A Guiné-Bissau albergou em 1995 os segundos jogos, nos quais estiveram 300 participantes dos sete países acima referenciados.

Sem alteração no número de países membros, a terceira edição teve lugar em Moçambique, em 1997, com 500 participantes que competiram nas modalidades de futebol, atletismo, basquetebol e ténis de campo.

Depois da terceira edição, a competição conheceu um interregno por questões de vária ordem, tendo a quarta edição se tornado realidade apenas em 2002, na Cidade da Praia, em Cabo Verde.

Os jogos de Cabo Verde foram marcados pela ausência de uma das principais potências do futebol a nível da organização, o Brasil.

Em 2005 foi a vez de Angola albergar a maior manifestação desportiva da CPLP, num evento que pela primeira vez contou com a participação de Timor-Leste, na condição de observador.

Na prova de Luanda estiveram 700 atletas nas modalidades de futebol, andebol, basquetebol, atletismo, voleibol, ténis e desporto adaptado, sendo está última indicada pela primeira vez na história da competição.

Três anos depois, o Brasil acolheu a competição. A sexta edição dos Jogos da CPLP, ocorrida no Rio de Janeiro, reuniu 600 desportistas dos oito países, uma vez que Timor-Leste esteve novamente presente.

Os concorrentes evoluíram nas modalidades de basquetebol, futebol, andebol, ténis, voleibol e atletismo para portadores de deficiência.

Depois de já ter albergado a edição de 1997, Moçambique volta a organizar, a partir de quinta-feira (dia 29) o sétimo evento que fará disputar o futebol, basquetebol, andebol, ténis de campo, voleibol de praia e desporto adaptado.

O meu encontro com o capitão Pansau Intchama (Artigo publicado no blog: Didinho )


Foto: Zamora Induta continua preso não por decidão de António Indajai, mas sim, do Presidente Malam Bacai Sanhá! Pensau Intachama. (Didinho)


Por Fernando Jorge Casimiro

Continuando com a reprodução da conversa tida na sexta-feira, 16.07.2010, em Mafra, com o Capitão Pansau Intchama, hoje a abordagem centra-se nas motivações que supostamente provocaram o levantamento militar de 01 de Abril passado.

Por diversas vezes nas conversas telefónicas com Pansau Intchama, tentei obter dele pistas do alegado envolvimento de Zamora Induta e do Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior nas matanças de 01 e 02 de Março de 2009. A resposta foi sempre a mesma: "Como militar, não falo sobre esse assunto...".

Na mesma lógica, confrontei-o com a queixa-crime de António Indjai contra Zamora Induta, onde constam acusações sobre o envolvimento de Zamora Induta no narcotráfico.

Sobre esta questão, Pansau Intchama foi peremptório: " Do que sei e sem pôr as minhas mãos no fogo por quem quer que seja, o Zamora Induta não está envolvido no narcotráfico! Se queres saber mais, digo-te que o narcotráfico é a causa do levantamento militar de 01 de Abril."

Deixei-o falar e fui ouvindo.

O narcotráfico está a destruir a Guiné-Bissau e os guineenses. Na verdade, a maioria das chefias militares está envolvida no negócio. O Zamora Induta foi aliciado, recusou envolver-se e isso fez com que passasse a ser visto como inimigo e alvo a abater, pois recusando envolver-se, ameaçou tomar medidas contra qualquer chefe militar que fosse apanhado em flagrante no narcotráfico.

Como te disse, fui assessor do António Indjai durante 7 anos. Se ele acusa Zamora Induta de estar envolvido no narcotráfico, talvez se tenha esquecido como foi que arranjou dinheiro para comprar as quintas "pontas" que tem, as casas, as viaturas etc., etc...

Durante a campanha para as eleições presidenciais antecipadas do ano passado, na qualidade de assessor de António Indjai, assisti a uma reunião entre ele e o actual Presidente Malam Bacai Sanhá, em casa deste, na altura candidato, onde também esteve presente o Major Tcham Na Man. O candidato presidencial Malam Bacai Sanhá disse ao António Indjai que, se viesse a ganhar as eleições presidenciais, o cargo de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas seria dele...

Nessas eleições, alguns candidatos receberam e utilizaram dinheiro do narcotráfico nas suas campanhas. O então candidato Malam Bacai Sanhá sabe que é verdade...

Outro aspecto que fez com que Zamora Induta passasse a ser visto como inimigo, foi o seu posicionamento firme em acabar com a ida de políticos aos quartéis. Por exemplo, aquando das eleições presidenciais antecipadas de 2009, figuras influentes de um determinado partido foram ao Estado-Maior fazer queixinhas, no intuito de incitar os militares a anularem os resultados das eleições, alegando que tinha havido fraude...

O Zamora disse-lhes que em todas as mesas de voto havia delegados dos candidatos, bem como observadores internacionais e, por isso, não competia aos militares imiscuírem-se no assunto.

Confesso-te que realmente, a questão étnica desequilibra negativamente a evolução e afirmação das nossas Forças Armadas. Os tais dirigentes desse partido que queria reivindicar a vitória do seu candidato, quando afinal tinha sido derrotado, utilizaram sempre o factor étnico para manipular as chefias militares. Com a chegada do Zamora, viram que não tinham mais os aliados de outrora, por isso, para eles também, o Zamora passou a ser um alvo a abater...

Temos bons quadros nas Forças Armadas que, por questões étnicas, são marginalizados, isolados, desaproveitados, porque não pertencem à maioria étnica que compõe as nossas Forças Armadas. É lamentável isso!

O Zamora Induta tem como qualquer um, os seus defeitos, mas também tem virtudes. Se cometeu crimes que não são do meu conhecimento, que seja acusado e julgado por isso, mas que lhe seja permitido defender-se, falar, pronunciar-se sobre as acusações que pendem contra ele.

Vi a queixa-crime do António Indjai contra o Zamora Induta e do que sei, apenas digo que a verdade pode tardar a ser conhecida, mas um dia todos ficam a conhecê-la.

Quero que saibas o seguinte: O Zamora Induta queria "desmilitarizar" Bissau e desocupar o quartel d´Amura, que iria servir para outros fins, que não estritamente militares. Poderia albergar alguns escritórios das Forças Armadas, mas não sectores activos das Forças Armadas. Falou disso com toda a gente.

Foi por isso que, após a conclusão e entrega da Ponte de São Vicente, o Estado-Maior concertou o aproveitamento e utilização dos Estaleiros da empresa Soares da Costa.

Fixou-se aí o Estado-Maior. O Zamora mandou mobilar o seu gabinete, mas também, os gabinetes dos chefes dos 3 ramos das Forças Armadas.

Mandou mobilar uma sala de reuniões, pois não havia nenhuma sala de reuniões digna do termo e muitas vezes recebíamos delegações estrangeiras...

O Zamora Induta equipou os gabinetes e a sala de reuniões com computadores e acesso à Internet.

As instalações estão bem cuidadas, incluindo os jardins.

Gastou-se dinheiro. Sim, mas está lá tudo e hoje quem não se serve daquilo que o Zamora mandou fazer no Estado-Maior?!

Dizem que ficou com viaturas...

A Líbia ofereceu viaturas depois dos acontecimentos de Março de 2009. O Zamora distribuiu as viaturas aos chefes dos 3 ramos das Forças Armadas e aos Comandantes militares.

O restante estava sempre nas instalações do Estado-Maior e, muitas vezes, o próprio Governo, quando recebia delegações estrangeiras e não tinha meios de transporte para o serviço dessas delegações, solicitava ao Estado-Maior a cedência de viaturas.

A queixa-crime fala de utilização de dinheiro das Forças Armadas por parte de Zamora Induta...

O que sei é que o Zamora era muito exigente e rigoroso com o dinheiro. O sistema que ele implantou nas Forças Armadas não era do agrado de muitos chefes militares. O Zamora exigia facturas, justificações, da utilização do dinheiro levantado nas Finanças para uso das Forças Armadas e como a "velha-guarda" não estava disposta a isso, mais uma razão para "abater" Zamora...

Mas como te disse antes, o narcotráfico está por trás do levantamento militar de 01 de Abril. Todos nós, militares, sabemos quem dentre nós está envolvido, assim como sabemos quem são os políticos que estão envolvidos no negócio...

Já agora, quero que saibas que não é por decisão do António Indjai que o Zamora Induta continua preso, mas sim, do próprio Presidente Malam Bacai Sanhá!

Como sabes isso Pansau, perguntei.

Há bocado ouviste-me falar com o Chefe do Estado-Maior, António Indjai. Falo com ele sempre que necessário, por isso, sei o que se passa com o Zamora...

Até quiseram libertá-lo recentemente, mas depois, concluíram que mesmo em residência vigiada, iria ter acesso ao telefone, aos meios de comunicação e isso poderia comprometer muita coisa e, principalmente, o narcotráfico...

Para terminar, digo-te que o Zamora há muito que se tinha "afastado" dos restantes chefes militares, não por arrogância, complexo de superioridade, mas por tê-los avisado que, se continuassem na senda do narcotráfico, que não contassem mais com ele...

Por Fernando Jorge Casimiro

Artigo publicado no blog: Didinho

Ministro da Justiça de Portugal vai reunir com os homólogos lusófonos

O ministro da Justiça de Portugal desloca-se terça-feira a Moçambique para participar numa conferência com os homólogos lusófonos e presidir à assinatura de programas de cooperação com Maputo, Guiné-Bissau e São Tomé, anunciou hoje o seu gabinete.


Alberto Martins inicia na terça-feira uma deslocação a Moçambique para participar na XII Conferência dos Ministros de Justiça dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, segundo uma nota enviada hoje às redacções pelo Ministério da Justiça de Portugal.

A reunião, que terá lugar no Centro Internacional Joaquim Chissano, em Maputo, realiza-se rotativamente em cada um dos oito Estados membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), de dois em dois anos, e tem como objectivo "promover as relações de cooperação entre os diversos estados, nos domínios da Justiça".

"O Patrocínio e Assistência Jurídica e Judiciária ao Cidadão – Diferentes Experiências no Seio da CPLP" e "Medidas Alternativas à Pena de Prisão" serão, este ano, os principais temas em debate no encontro, que encerra quinta-feira.

Na ocasião, serão ainda assinados Programas Anuais de Cooperação com Moçambique, Guiné-Bissau e S. Tomé e Príncipe.

Na nota, o gabinete de Alberto Martins lembra que, em 2010, a cooperação entre os ministérios da Justiça de Portugal, de Cabo-Verde, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, e o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD), ascende a "quase um milhão de euros".

"Sendo a Justiça uma área basilar de um Estado de Direito e da Democracia, a cooperação neste sector continuará a merecer um lugar de destaque na cooperação bilateral entre Portugal e os restantes países da CPLP", refere a mesma nota.

Na terça-feira, no âmbito de um encontro com o ministro moçambicano do Interior, José Condungua Pacheco, o governante português procederá à entrega de "nove malas de lofoscopia profissional de investigação criminal (para recolha de vestígios)" à Direcção Nacional de Investigação Criminal de Moçambique.