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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010
Guiné-Bissau: Primeiro ministro promete respeitar apelo da ONU para libertação de Zamora Induta
Presidência angolana da CPLP recebeu mandato para ajudar a Guiné-Bissau a desenvolver as suas instituições - Cavaco Silva

Lisboa, 25 jul (Lusa) - O Presidente da República, Cavaco Silva, afirmou hoje em Luanda que o Presidência angolana da CPLP recebeu um mandato para ajudar a Guiné-Bissau a desenvolver as suas instituições, "com o poder militar subordinado ao poder político".
Instado a comentar as declarações do Presidente de Angola, que não excluiu uma intervenção de natureza militar na Guiné-Bissau, desde que acordada com as autoridades de Bissau, Cavaco Silva disse que o seu homólogo guineense, Malam Bacai Sanhá, cedeu ao bloco lusófono toda a informação necessária para que a organização possa avaliar e promover o diálogo sobre a situação naquele país.
"O que saiu dessa discussão bastante profunda foi uma linha de orientação que irá ser trabalhada pela Presidência angolana [da CPLP], tendo em vista alcançar aquilo que todos nos desejamos, que é o fortalecimento das instituições democráticas da Guiné-Bissau, com o poder militar subordinado ao poder politico", explicou o chefe de Estado português.
Cavaco Silva adiantou que os oito membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) deram "um mandato, um acordo, à Presidência angolana para desenvolver os contactos considerados úteis para alcançar o objetivo final em que todos estamos completamente de acordo".
"Nos iremos trabalhar dando o apoio à Presidência angolana nessa matéria extremamente complexa", garantiu Cavaco Silva.
Em conferência de imprensa após o encerramento da VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que hoje terminou em Luanda, o chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, realçou que a primeira aposta é no diálogo "construtivo e dinâmico" para restaurar a confiança entre os diversos atores da Guiné-Bissau, mas deixou margem no seu discurso para um "esforço de natureza militar".
José Eduardo dos Santos advertiu que a CPLP, agora sob presidência angolana "não excluirá nenhuma hipótese de intervenção que permita a resolução do problema desde que vá de encontro à vontade das autoridades da Guiné-Bissau".
"A nossa primeira 'demarche' é na busca de uma solução consensual no plano político para restabelecer a confiança e para que as autoridades competentes realizem a missão que lhes compete no âmbito da Constituição da República. Qualquer esforço externo será sempre complementar e esse esforço pode ser de natureza política, militar ou económica e financeira", disse o Presidente angolano.
SK/MSP (RB).
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/fim
Domingo, 25 de Julho de 2010
José Eduardo dos Santos encontra-se com homologo da Guiné-Bissau
Catarina Furtado parte hoje de novo para a Guiné
Guiné-Bissau tem milhares de funcionários fantasma a receber salário
Zamora Induta está vivo e vai ser julgado
José Eduardo dos Santos não exclui hipóteses para resolver situação na Guiné-Bissau
O Presidente angolano e da CPLP afirmou esta sexta-feira em Luanda que a comunidade lusófona não vai intervir na Guiné-Bissau em nada que não seja por vontade das autoridades guineenses, mas deixou margem no seu discurso para um "esforço de natureza militar
Em conferência de imprensa após o encerramento da VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Eduardo dos Santos realçou que a primeira aposta é no diálogo "construtivo e dinâmico" para restaurar a confiança entre os diversos atores da Guiné-Bissau
"A CPLP enquanto comunidade e instituição não fará nada que não seja solicitado pelas autoridades competentes da Guiné-Bissau. Referimos muito bem que os esforços vão-se basear no diálogo construtivo e dinâmico que restaure a confiança entre os setores políticos e entre os sectores políticos e os setores das forças armadas", disse.
Mas advertiu que a CPLP, agora sob presidência angolana "não excluirá nenhuma hipótese de intervenção que permita a resolução do problema desde que vá de encontro à vontade das autoridades da Guiné-Bissau".
"A nossa primeira `demarche é na busca de uma solução consensual no plano político para restabelecer a confiança e para que as autoridades competentes realizem a missão que lhes compete no âmbito da Constituição da República. Qualquer esforço externo será sempre complementar e esse esforço pode ser de natureza política, militar ou económica e financeira", descreveu.
O Presidente angolano referiu-se ainda ao estatuto do cidadão da CPLP, que prefere em lugar do estatuto do cidadão lusófono,"que pode ter outras conotações".
"Quanto ao estatuto do cidadão da CPLP vamos continuar o debate. Sabemos que é um assunto polémico, complicado e que a discussão pode levar muito tempo. O que interessa é que essa discussão seja presidida pelo realismo, bom senso", afirmou.
A livre circulação de pessoas e bens no espaço da CPLP também mereceu uma referência de José Eduardo dos Santos, embora esteja relacionada com "a política migratória de cada um dos países", que estão inseridos nas suas zonas geográficas, "com condicionalismos próprios". Portugal, apontou, está no espaço Shengen. "Nós não estamos... Vamos continuar a aperfeiçoar os mecanismos existentes."
Sobre a questão da Guiné Equatorial, cujo pedido de adesão foi largamente debatido nesta Cimeira da CPLP, José Eduardo dos Santos sublinhou que a comunidade "tem regras, e definidos os seus estatutos sobre a adesão de Estados".
"Neste momento estamos a estudar a adesão da Guiné Equatorial, é possível que este pedido nos leve a fazer alguns ajustamentos nos procedimentos habituais de adesão" para o futuro.
"Não excluímos que no futuro possam surgir outros pedidos de adesão tendo em conta a importância que a CPLP vem assumindo na cena internacional", disse o Presidente angolano.
"O que interessa é que se mantenha a marca da CPLP, que é um espaço de concertação, baseado na língua portuguesa, um espaço de cooperação multilateral que se funda na igualdade, reciprocidade de vantagens", afirmou, lembrando que é uma "instituição cujos pilares são o respeito pelo democracia, pela promoção da boa governação, direitos humanos e pela constituição de estados de direito e democráticos".
(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
Lusa
Em conferência de imprensa após o encerramento da VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), José Eduardo dos Santos realçou que a primeira aposta é no diálogo "construtivo e dinâmico" para restaurar a confiança entre os diversos atores da Guiné-Bissau
"A CPLP enquanto comunidade e instituição não fará nada que não seja solicitado pelas autoridades competentes da Guiné-Bissau. Referimos muito bem que os esforços vão-se basear no diálogo construtivo e dinâmico que restaure a confiança entre os setores políticos e entre os sectores políticos e os setores das forças armadas", disse.
Mas advertiu que a CPLP, agora sob presidência angolana "não excluirá nenhuma hipótese de intervenção que permita a resolução do problema desde que vá de encontro à vontade das autoridades da Guiné-Bissau".
"A nossa primeira `demarche é na busca de uma solução consensual no plano político para restabelecer a confiança e para que as autoridades competentes realizem a missão que lhes compete no âmbito da Constituição da República. Qualquer esforço externo será sempre complementar e esse esforço pode ser de natureza política, militar ou económica e financeira", descreveu.
O Presidente angolano referiu-se ainda ao estatuto do cidadão da CPLP, que prefere em lugar do estatuto do cidadão lusófono,"que pode ter outras conotações".
"Quanto ao estatuto do cidadão da CPLP vamos continuar o debate. Sabemos que é um assunto polémico, complicado e que a discussão pode levar muito tempo. O que interessa é que essa discussão seja presidida pelo realismo, bom senso", afirmou.
A livre circulação de pessoas e bens no espaço da CPLP também mereceu uma referência de José Eduardo dos Santos, embora esteja relacionada com "a política migratória de cada um dos países", que estão inseridos nas suas zonas geográficas, "com condicionalismos próprios". Portugal, apontou, está no espaço Shengen. "Nós não estamos... Vamos continuar a aperfeiçoar os mecanismos existentes."
Sobre a questão da Guiné Equatorial, cujo pedido de adesão foi largamente debatido nesta Cimeira da CPLP, José Eduardo dos Santos sublinhou que a comunidade "tem regras, e definidos os seus estatutos sobre a adesão de Estados".
"Neste momento estamos a estudar a adesão da Guiné Equatorial, é possível que este pedido nos leve a fazer alguns ajustamentos nos procedimentos habituais de adesão" para o futuro.
"Não excluímos que no futuro possam surgir outros pedidos de adesão tendo em conta a importância que a CPLP vem assumindo na cena internacional", disse o Presidente angolano.
"O que interessa é que se mantenha a marca da CPLP, que é um espaço de concertação, baseado na língua portuguesa, um espaço de cooperação multilateral que se funda na igualdade, reciprocidade de vantagens", afirmou, lembrando que é uma "instituição cujos pilares são o respeito pelo democracia, pela promoção da boa governação, direitos humanos e pela constituição de estados de direito e democráticos".
(Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico)
Lusa
CPLP vai apostar em conferência de doadores para a Guiné-Bissau - José Eduardo dos Santos
Sexta-feira, 23 de Julho de 2010
Cavaco Silva nota que CPLP não pode ficar indiferente a situação política da Guiné-Bissau
O Presidente da República considera que os países da CPLP não podem ficar indiferentes ao que se passa na Guiné-Bissau onde há um poder militar que impede o bem estar da população. A reunião da CPLP, que marca a passagem da presidência portuguesa para angola, tem na agenda o pedido de adesão da Guiné Equatorial como membro de pleno direito. O primeiro-ministro português referiu que os chefes de Estado e de Governo apenas vão registar o pedido, mas não vão decidir nada.
"Acontecimentos do dia 01 de abril são uma afronta ao Governo eleito" - Embaixador Grã-Bretanha
VIII Cimeira da CPLP arranca hoje com Guiné-Bissau na agenda
Crise na Guiné-Bissau e língua portuguesa entre as prioridades da Cimeira CPLP
O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, não espera uma mudança radical de política. Mas sobre as perspectivas da organização, sob a liderança de Angola, disse tratar-se de uma oportunidade para os Estados membros, especialmente os Países Africanos (PALOP), intensificarem as suas trocas comerciais, e de dinamizarem os investimentos que têm vindo a ser desenvolvidos nos últimos tempos.
CPLP: Cimeira vai homenagear Saramago e Alda Espírito Santo
Conselho de Segurança pede libertação “imediata” de Zamora Induta
Quinta-feira, 22 de Julho de 2010
Guiné Bissau aguarda primeiras prisões
![]() Em Bissau, Guiné Bissau |
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| Os "detidos" são livres de entrar e sair |
"É por aqui que os prisioneiros saem," diz ele resignado, chamando a atenção para uma plataforma de metal mal construída que fica à distância de um salto para a casa vizinha.
"Eles sobem para o telhado e fogem."
Nhanga tem a seu cargo o único centro de detenção do país, uma antiga casa colonial no centro da capital, Bissau, conhecido como o Centro de Detenção da Primeira Esquadra de Bissau.
![]() Augusto Nhanga, Comandante da polícia |
Não foi construído como uma prisão.
O desepero de encontrar um sítio para colocar os criminosos no que se tornou um dos pontos de crime mais acentuados de África, fez com que a casa colonial se transformasse num centro de detenção em 1999.
O edifício não tem electricidade, água corrente nem camas.
Colchões são alinhados no chão sujo e com falhas e há algumas redes mosquiteiras cheias de buracos penduradas nos quartos de tectos altos.
Mas o mais impressionante nestas instalações é a falta de segurança.
A porta de madeira da frente está emperrada e o portão que dá para a rua é muito baixo, chega à cintura e abre com facilidade o que faz com que as pessoas sejam livres de entrar e sair.
Um representante do Ministério da Justiça disse-me que um detido podia abrir-me a porta quando eu visitasse o centro, de repente as suas afirmações já não parecem ridículas de todo.
Uma fila de reclusos estão sentados com um ar deprimido e apenas o Comandante Nhanga e dois polícias não armados os impedem de sair.
"Se eu não estiver aqui", diz Nhanga, que explica que à noite vai para casa, "eles vão-se embora. Aqui não segurança."
Narcotráfico
O enfraquecimento das infraestruturas, instituições políticas e um exército corrupto tornaram a Guiné Bissau num país de trânsito favorito para os barões da droga da América Latina.
![]() |
| Não há dinheiro para camas |
Os cartéis criminais trazem a cocaína através do país e traficam-na através de redes locais com mercados valiosos de consumidores na Europa.
O país tem 88 ilhas remotas ao largo da costa do Atlântico e apenas 21 são habitadas, na sua maioria por pescadores e agricultores.
Não há guarda costeira e os pequenos aviões com cocaína da Venezuela e da Colômbia aterram com regularidade nas ilhas antes de moverem as drogas através de canoas.
Manuel Pereira, Agência da ONu contra as Drogas e Crime |
O exército, é constituído na sua maioria por veteranos de guerra mal pagos da guerra da independência de 1963-74, descontentes com os planos do governo de os reformar.
Há informações que dão conta que eles protegem os traficantes e beneficiam do narcotráfico.
O antigo chefe do Estado-Maior da Armada guineense, José Américo Bubo Na Tchuto, foi nomeado por Washington em abril como uma figura central no narcotráfico e impedido de efectuar negócios com os Estados Unidos.
De acordo com os últimos números da agência das Nações Unidas contra as Drogas e Crime 2,3 toneladas de cocaína passaram através da África Ocidental e Central em 2008.
No mês passado, mais de duas toneladas foram apanhadas numa só busca na Gâmbia.
Mas embora o narcotráfico seja acentuado neste país com 1,5 milhões de pessoas, poucos traficantes de droga estrangeiros foram levados à justiça.
As leis existem para condenar os estrangeiros, mas com os traficantes a trazerem vastas quantidades de cocaína que ultrapassam largamente o produto interno bruto numa única transação, quando são apanhados desaparecem rapidamente.
"O orçamento ilimitado dos traficantes de droga estrangeiros torna a corrupção muito fácil," afirma Manuel Pereira da agência da ONU contra as Drogas e Crime em Bissau.
"É fácil não ir para a cadeia num sítio sem prisões. Os suspeitos desaparecem e sem suspeitos não há qualquer processo. E sem processo o caso é rejeitado."
Três refeições por dia
Mas agora a Guiné Bissau vai ter algumas prisões novas.
A agência da ONU contra Drogas e Crime e o Ministério da Justiça guineense reconstruiram duas prisões que vão ser as primeiras penintenciárias seguras do país.
Guardas prisionais locais estão actualmente a serem formados; as prisões devem estar prontas para receber os primeiros reclusos em setembro.
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| Pequenas ilhas, muitas vezes desabitadas, são pontos de tráfico covenientes |
As novas prisões em Bafata, a 100km de Bissau, e Mansoa, a 40km vão ser os sucessos maiores e mais visíveis sob o Fundo de Construção da Paz da ONU para a Guiné Bissau, diz Pereira.
Os 30 detidos do Centro de Detenção da Primeira Esquadra de Bissau do Comandante Nhanga vão ser transferidos para Mansoa onde vão estar presos, quatro em cada cela.
Mas vão poder beneficiar de instalações de recreação, electricidade, água corrente e três refeições pro dia.
Embora seja algo que poucos guineenses têm actualmente, Basilion Sanca, do Ministério da Justiça, afirma que mesmo assim as prisões vão ser dissuasivas do crime.
"O pior castigo para um guineense é não fazer parte da sociedade," afirma, salientando que de momento os prisioneiros não se sentem separados das suas comunidades, uma vez que beneficiam de visitas diárias das suas famílias que lhes trazem alimentos.
"Com estas novas prisões, os criminosos sabem que estão num centro de detenção do qual não podem fugir."
Representante do Ministério da Justiça |
Tal como Bafata e Mansoa, outras duas prisões estão a ser reconstruídas, cada uma delas com capacidade para 30 pessoas e a agência da ONU está a aguardar financiamento para uma quinta, com capacidade para 200 pessoas.
Espera-se que estas prisões confiram algum sentido de segurança ao país e desencorajem traficantes de droga estrangeiros.
"Tudo o que estamos a fazer é fortalecer o sistema judicial para garantir a segurança do país," afirma o Ministro da Justiça, Mamadou Saliou Galo Peres.
"Não podemos assumir este tipo de reformas sem esperança que vamos poder combater todo o tipo de crimes."
Os Estados Unidos retiraram o seu apoio de 200 milhões de dólares, para a reforma do sector da segurança, quando o Presidente nomedou o líder do atentado do dia 1 de abril para Chefe das Forças Armadas.
Depois disto, torna-se claro que estas prisões são apenas um pequeno passo para a reforma do sector de segurança do país.
"As novas prisões vão ter reclusos guineenses e estrangeiros," disse um representante do Ministério da Justiça, que pediu para não ser identificado.
"As leis aplicam-se a ambos. Mas o problema não é a detenção de prisioneiros mas sim o funcionamento apropriado do sistema de justiça. O verdadeiro problema está muito mais acima."
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População guineense ja não acredita nos políticos e nos militares, mas faz a sua vida normal - Movimento Sociedade Civil
Segundo este responsável pela Movimento, plataforma que congrega mais de cem organizações da sociedade civil guineense, "devido a várias vicissitudes dos últimos anos", a população "praticamente deixou de acreditar na classe política e na classe castrense".
"Essa confiança ficou mais danificada com os acontecimentos do passado dia 01 de abril", assinalou Mamadu Queita, aludindo ao levantamento militar que se deu nesse dia com o então numero dois das Forças Armadas, António Indjai, a mandar destituir e deter o então Chefe do Estado-Maior General, Zamora Induta, que continua preso.
ONU entrega centro moderno para formação de policias
Em declarações à Agencia Lusa, momentos após a receção formal do Centro de Formação Computorizado (CFC), o secretario Estado da Ordem Publica guineense, Octávio Alves, defendeu que a partir de hoje a polícia guineense "tem mais opção na sua luta contra o crime organizado, sobretudo na obtenção de provas de crimes".
O Centro, equipado com computadores com software próprio em língua portuguesa, permitirá formar agentes da polícia de Ordem Pública e outros agentes, se enquadra no âmbito da reforma das forças policiais guineenses ao abrigo do amplo programa de reforma do setor de Defesa e Segurança do país.
O secretário de Estado da Ordem Publica guineense salientou que a Polícia Judiciaria (PJ) já estava equipada com os kits de obtenção de provas de crime fornecidos por Portugal, mas a partir de agora poderá passar a contar com outras formas de busca de provas.
Para já, o Centro funcionará em Bissau nas instalações do comissariado da Polícia de Ordem Pública, mas assim que houver disponibilidade financeira será instalado nas diferentes regiões do país, disse Octávio Alves.
O secretario de Estado da Ordem Publica destacou ser "fundamental formar agentes da polícia", nomeadamente para que possam dar "um combate eficaz a todas as formas de crime organizado" na Guiné-Bissau.
O tráfico de droga figura entre os principais crimes que devem merecer a atenção dos agentes a serem formados pelo CFC, indicou Octávio Alves, explicando que serão ensinadas técnicas computadorizadas de identificação de tipos de drogas e como classificá-las.
A montagem do Centro custou à Uniogbis 30 milhões de francos CFA (cerca de 45 mil euros). O software com programas de formação em língua portuguesa foi fornecido pelo gabinete das Nações Unidas para luta contra crime organizado e droga (UNODC). O projecto contou com o apoio financeiro do Governo do Canadá.
MNE português contra força de paz lusófona na Guiné-Bissau
"Não concordo nem nunca concordarei com uma intervenção de uma força estabilizadora da CPLP, é um problema da comunidade internacional, desde logo da organização regional e é no âmbito das Nações Unidas que os conflitos devem ser, com plena legitimidade internacional, acompanhados", disse Luís Amado em entrevista à Lusa
"Não atribuo legitimidade para uma intervenção da CPLP", disse o ministro português em Luanda, onde se encontra a acompanhar a visita de Estado do Presidente Cavaco Silva e a preparar a Cimeira da CPLP, na sexta feira.
© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Guineenses ansiosos e com esperança em relação ao país
"Neste momento, a população está perplexa e ansiosa e por outro lado continua a alimentar a esperança de que mesmo que a situação seja complexa, desagradável, difícil, o país há de se reencontrar consigo mesmo", afirmou o bispo de Bissau.
A situação na Guiné-Bissau, onde a 01 de Abril houve uma intervenção militar em que foi deposto e detido o então chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, vai ser discutida na VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na sexta-feira, em Luanda, Angola.
Segundo José Câmnate Na Bissign, a classe política devia "recuperar aquela capacidade de diálogo que tem faltado para se criarem consensos a fim de haver um clima político e social mais propício a uma reflexão séria para se sair desta situação de instabilidade permanente".
"Eu acho que é importante que a classe política perceba isto imediatamente e tente recuperar a confiança que perdeu", sublinhou.
O bispo de Bissau considera também que o "guineense precisa de acreditar mais em si mesmo".
"Isto quer dizer que precisa ter maior auto estima, precisa de acreditar que o país tem recursos e que o guineense tem também valores que vêm da sua tradição e, se partirem desses valores, podem muito bem dar o salto de qualidade necessário para que esta desarticulação social em que vivemos possa ser ultrapassada e haja mais solidariedade e aproximação entre as pessoas", disse.
José Câmnate Na Bissign defendeu também que na Guiné-Bissau é preciso maior empenho na "transformação social e económica necessária para que o país possa dar a cada cidadão o melhor e vice-versa".
Questionado sobre as razões para a falta de auto estima dos guineenses, o bispo de Bissau explicou que está relacionada com as "frustrações e desilusões fruto dos conflitos desde a independência até à data presente".
"Durante a luta pela libertação, a palavra independência era uma palavra mágica para todos os guineenses. Significava liberdade, justiça, bem-estar, progresso, sobretudo fraternidade, possibilidade de construir a sua própria felicidade trabalhando para o bem do país e da sociedade", disse.
"Infelizmente esse sonho de se construir um país diferente, solidário, esse sonho foi frustrado várias vezes e o guineense, a partir de determinada altura, deixou de acreditar em si mesmo e no futuro", concluiu.
CPLP: Português é ensinado em quase todas as madrassas da Guiné-Bissau
“Vejo que o Português está a ser bem ensinado na Guiné-Bissau, penso que não há risco de o Português desaparecer”, afirmou o professor daquela escola islâmica.
“Praticamente todas as madrassas da Guiné-Bissau ensinam a língua portuguesa, porque os professores que lá trabalham foram à escola normal e sabem, conhecem muita coisa”, disse.
“É bom que os alunos saibam, compreendam melhor o Português, porque desta forma saberão mais coisas da ciência e do mundo moderno, ainda que tenham que saber a nossa religião”, salientou Tcherno Buaró.
O professor explicou também que nas madrassas (palavra árabe para designar escola) os alunos não aprendem só religião.
“Muita gente pensa que nós, que ensinamos os meninos e as meninas na e
scola madrassa, só lhes ensinamos coisas da religião, o Corão. Não é só isso”, disse.
“Ensinamos o Corão é verdade, mas também ensinamos muitas outras coisas, como a matemática, a geografia, as ciências do corpo humano, o português, o francês e o inglês”, explicou o professor.
“É claro que ensinamos os alunos tudo sobre a nossa religião, o Islão, mas para nós é muito importante que saibam outras coisas porque a religião é importante, mas é bom que tenham uma boa base”, sublinhou.
“Muitos pais, quando compreenderam aquilo que ensinamos aqui, ou seja, quando souberem que aqui não se ensina apenas a religião, mandam os filhos para as nossas escolas”, concluiu.
A promoção e divulgação da Língua Portuguesa será um dos temas a discutir na VIII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na sexta feira, em Luanda, Angola.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
O Meu Encontro com o Capitão Pansau Intchama (Blog Didinho)
Foto: Pansau Intchama, diz ter estado em casa de Nino Vieira com o Actual Chefe do Estado-Maior General António Indjai na noite em que o Ex-Presidente foi morto. (didinho.org)
Por Fernando Jorge Casimiro
Artigo publicado no blog: Didinho
NOTA: O trabalho que hoje apresento é fruto duma conversa entre 2 guineenses sobre diversos assuntos do país, particularmente, sobre as matanças de 01 e 02 de Março de 2009. Pode causar transtornos aos guineenses, pode até, provocar "tempestades" na Guiné-Bissau, mas deve ser apresentado, para que, quem de direito, utilize da melhor forma o que nele consta, agindo em conformidade com a Lei, em nome da Verdade e da Justiça, afim de se acabar, de vez, com a impunidade na Guiné-Bissau!
Semelhanças
"No passado dia 1 de abril de 2010, um grupo de militares dirigidos por mim, viu-se obrigado a tomar medidas com vista a pôr ordem nas Forças Armadas, porque a forma como a classe estava a ser dirigida, iria culminar num conflito iminente. O Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, Vice-Almirante José Zamora Induta, conduzia o Estado-Maior como se fosse a sua propriedade pessoal, tomando sobre si toda a administração da mesma." António Indjai, criminoso (golpista, assassino e facilitador de narcotráfico), actual Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau.
A introdução acima reproduzida "Semelhanças" e que é a mesma da queixa-crime movida pelo actual Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, António Indjai, contra o seu antecessor e superior hierárquico, José Zamora Induta, poderia servir (encaixa perfeitamente no mesmo cenário), para anunciar e justificar o assassinato do ex-Presidente da República, General João Bernardo "Nino" Vieira, ocorrido na madrugada de 02 de Março de 2009, horas depois de um outro assassinato, o do então Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, General Tagme Na Waie.
Encaixa-se e bem, se fizermos a seguinte "montagem": "No passado dia 02 de Março de 2009, um grupo de militares dirigidos por mim, António Indjai, viu-se obrigado a tomar medidas com vista a pôr ordem no país, porque a forma como o Estado estava a ser dirigido, iria culminar num conflito iminente. O Presidente da República, General João Bernardo "Nino" Vieira, conduzia o país como se fosse a sua propriedade pessoal, tomando sobre si toda a administração do mesmo, tendo chegado ao ponto de mandar matar o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, General Tagme Na Waie , o que motivou a nossa pronta resposta que culminou também na sua morte..."
Na passada sexta-feira, 16.07.2010, no meu trajecto por Mafra, encontrei-me com o Capitão Pansau Intchama. Não o conhecia pessoalmente, mas como falamos por telefone várias vezes, encontrando-se ele nesse dia em Mafra e estando eu de passagem, proporcionou-se um encontro, há muito desejado.
Tive conhecimento de que Pansau Intchama se encontrava em Portugal no dia 04.04.2010 e desde então, temos falado por telefone com alguma regularidade.
A 12 de Dezembro de 2009 escrevi um texto intitulado "A PULSEIRA...", no qual relatei o que em Bissau se tem dito sobre a sua participação no assassinato do ex-Presidente da República, o General João Bernardo "Nino" Vieira. Fiz questão de lhe dizer que tinha escrito esse artigo e ele tranquilamente respondeu: "Sim, é o que se diz por aí...".
Pansau Intchama é um jovem, nascido em 1979, bem disposto, muito lúcido, que denota muita preparação psicológica, fruto da sua formação militar. Não é fácil conseguir obter dele informações precisas que a ética e a disciplina militar impõem como assunto estritamente de ordem militar.
Por diversas vezes tentei "sacar" dele informações e confissões sobre as matanças de 01 e 02 de Março de 2009, mas também, sobre o envolvimento das altas chefias militares e outros, no narcotráfico.
"Sabes, sou militar, sobre essas coisas não falo...". Respeitei sempre a sua "recusa" em falar, mas na sexta-feira, 16 de Julho, dia em que concluiu o Curso de Promoção a Capitão de Infantaria - CPCI - Curso General Luís Augusto F. Martins, realizado em Mafra de 11.01.2010 a 16.07.2010,
consegui saber algo mais do que sabe Pansau Intchama, considerado testemunha-chave, a par de Isabel Romano Vieira, do assassinato do ex-Presidente Nino Vieira.
Pansau recebeu-me no jardim em frente à Porta de Armas da Escola Prática de Infantaria, aí conversamos um pouco e depois convidou-me a entrar para visitar a EPI.
Pude constatar que conhece os cantos à casa e que é bem tratado por todos. Fomos ao bar beber qualquer coisa e de seguida, fez questão que jantasse com ele. Surgiu no entanto um outro militar timorense que tinha frequentado o mesmo curso que ele e jantamos os 3 .

Foto: Didinho na companhia
do Capitão Pansau Intchama,
EPI, MAFRA. (didinho.org)
Continuamos a falar da Guiné e dos militares; da necessidade de os nossos militares frequentarem cursos de oficiais e outros, no âmbito da capacitação dos recursos humanos em particular e da modernização das nossas Forças Armadas em geral.
Terminado o jantar, dirigimo-nos para o quarto onde está instalado e que partilha com um militar cabo-verdiano, do mesmo curso, com quem também falei.
Pansau ligou o seu portátil e mostrou-me imagens fotográficas e vídeos do seu casamento, realizado em Janeiro deste ano, dias antes de viajar para Portugal afim de frequentar o curso de promoção a capitão de infantaria, curso este proporcionado pelos acordos de cooperação militar entre Portugal e a Guiné-Bissau e abrangente a outros países da CPLP.
Foi o António Indjai quem fez questão que eu me casasse antes de viajar para Portugal, disse-me ele, acrescentando que foi assessor de António Indjai durante 7 anos!
Na verdade, ele tinha-me como um filho!
Das muitas imagens que vi, pude concluir que Pansau Intchama era (até Janeiro de 2010) muito estimado pelas chefias militares.
Pude ver no seu rosto, muita ansiedade, reflectindo, naturalmente, saudades da família que se encontra em Bissau: a esposa e os seus filhos, um casal de gémeos.
Então Pansau, sempre voltas para a Guiné-Bissau, mesmo sabendo que corres risco de vida, por tudo o que se tem dito a teu respeito? Questionei-lhe mais uma vez, a ver se lhe conseguia surpreender e obter algo que me ajudasse a juntar mais dados sobre o que penso e já escrevi em relação às matanças de 01 e 02 de Março de 2009.
Sim, estou disposto a regressar e já agora, faço questão que saibas que, contrariamente ao que dizem na Guiné, não fugi e, se estou em Portugal, isso é do conhecimento das nossas autoridades, pois vim fazer especialização desde Janeiro e o levantamento militar aconteceu a 01 de Abril.
Para confirmar-te que as nossas autoridades sabem onde estou e o que vim fazer, vou telefonar agora mesmo ao General António Indjai e vais ouvir a nossa conversa.
Telefonou, no modo alta-voz e pude ouvir, do outro lado da linha alguém atender.
- General, i ami Pansau! General, sou eu o Pansau!
Ah, Pansau, cuma ku sta?! Ah, Pansau, como é que estás?!
Pude ouvir a voz do António Indjai, tal e qual a da gravação contendo as ameaças proferidas no dia 01 de Abril passado. Porém, desta vez era uma voz calma, muito calma mesmo.
Da conversa tida entre eles, o Capitão Pansau Intchama fez questão de dizer ao actual Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai que, tal como lhe dissera há cerca de 1 mês, o seu curso acabava e acabou nesse dia, 16 de Julho e que, por isso, aguarda o Bilhete de passagem de regresso ao país, sendo que, já não tem direito a ficar alojado nas instalações da EPI, pois a sua formação tinha chegado ao fim...
Do outro lado, o General António Indjai respondeu mais ou menos desta forma: "Tem calma, o Ministro vai resolver isso, tens que aguardar. Olha, os teus colegas que estão em Angola a receber formação, estão bem piores e até choram..."
Aguardar até quando, General? Perguntou Pansau Intchama, para a ligação terminar aí...
Se dizem que sou criminoso, então que me enviem o bilhete de passagem para eu regressar e ser julgado pelos crimes que me acusam, disse-me de seguida Pansau Intchama.
Afinal, por que razão os deputados guineenses e outras autoridades nacionais continuam a afirmar desconhecer o paradeiro do Capitão Pansau Intchama, ele que chegou a ir à nossa Embaixada em Lisboa tratar de assuntos pessoais?!
Afinal, por que razão algumas vozes acusam Portugal de dar protecção ao Capitão Pansau Intchama, quando, na verdade, todos sabem desde quando Pansau Intchama saiu da Guiné, com destino a Portugal e, ao que veio...
Confrontei o Capitão Pansau Intchama com notícias publicadas em diversos órgãos de Comunicação Social, dando conta de que o Procurador-Geral da República, Dr. Amine Michel Saad estaria interessado e empenhado em ouvi-lo, por ter sido considerado testemunha-chave do assassinato do ex-Presidente Nino Vieira.
Levantou-se e foi buscar 1 exemplar do Semanário "Última Hora", Edição Nº 89, de 16.06.2010, publicado em Bissau, que fala precisamente sobre o assunto.
Pansau Intchama, pelos vistos, está bem informado e documentado sobre o que se diz dele.
Talvez abalado por tudo isso, se tenha deixado embalar na conversa que fui puxando até chegarmos ao seguinte:
Pansau, onde estava António Indjai na madrugada em que o ex-Presidente Nino Vieira foi assassinado?! Perguntei.
- Hum, onde achas que devia estar?!
É assim Pansau, acusam-te de seres criminoso, de teres participado na morte de Nino Vieira, sabem que estiveste lá, mas certamente, digo eu, não estavas sozinho...
Olha, sou militar, como militar respeito os meus superiores e cumpro as suas ordens.
Estávamos, estivemos todos em casa do ex-Presidente Nino Vieira nessa noite. O nosso Comandante era o António Indjai. Um militar cumpre ordens do seu superior hierárquico...
Por que não falam do Major Tcham Na Man, questionou, dando a entender que foi este oficial, aliás, referenciado na altura, quem teve maior participação na morte de Nino Vieira.
De seguida, disse-me: Se não fosse a minha pronta intervenção, o grupo de militares que aí estava teria violado a esposa do Presidente! Eu é que a tirei das mãos deles e disse-lhe para ir embora, ao que respondeu: obrigado nha fidjo. Obrigado meu filho.
Que relação existe entre o duplo assassinato de Tagme na Waie e Nino Vieira, perguntei.
O assassinato de Tagme Na Waie, tem a ver com o narcotráfico, com os aviões que até hoje estão no aeroporto de Bissalanca...
Mas isto quer dizer que, as disputas provocadas pelo controlo do narcotráfico, entre Tagme Na Waie e Nino Vieira ditaram a morte do Tagme e que de seguida houve um aproveitamento estratégico de pessoas interessadas na tomada do poder e que incitaram os militares a vingarem-se, assassinando o ex-Presidente Nino Vieira, por, alegadamente se atribuir a ele a autoria moral do assassinato de Tagme Na Waie?
(...)
Olho para as horas, já tínhamos esgotado 3 horas de conversa. Tinha registado o essencial de tudo quanto o Capitão Pansau Intchama se disponibilizou a dar a conhecer.
Disse-lhe que tinha sido muito frutuoso o nosso encontro e que estava na hora de ir para casa.
Acompanhou-me e ainda fomos beber algo já fora das instalações da EPI, mas sempre a falar de assuntos da Guiné-Bissau.
Hoje fico por aqui, amanhã há mais...
Próximo capítulo: O QUE É QUE ESTÁ NA BASE DO LEVANTAMENTO MILITAR DE 01 DE ABRIL
Por Fernando Jorge Casimiro
Artigo publicado no blog: Didinho
Cimeira de Luanda é mais uma oportunidade para a Guiné-Bissau
Justino Delgado, que falava à Angop, referiu que o seu país atravessa um período de crise muito grave, devido aos desentendimentos entre o poder político e os militares, sendo a cimeira de Luanda uma oportunidade para ajudar a reverter esta
situação.
Para o músico, de 46 anos, o evento é também uma ocasião para os líderes da comunidade estabelecerem acordos sobre diversos assuntos de domínio cultural.
Residente actualmente em Bissau, depois de vários anos radicado em Portugal, Justino augura que a cimeira delibere sobre os mecanismos de apoio aos músicos e compositores da CPLP, com vista a incentivá-los a promoverem a organização através da música.
Sobre o actual estado da música nos países da CPLP, reconheceu que a mesma está em constante progressão. "Temos muitos talentos que estão a fazer sucesso pelo mundo. Precisamos é de apoios".
Referindo-se, particularmente, à música angolana, afirmou que a mesma está a ser bem representada por vários intérpretes de renome internacional, tais como Bonga, Waldemar Bastos, Paulo Flores, Yuri da Cunha, entre outros.
Aproveitou a ocasião para anunciar que estará em Angola, a convite da comunidade guineense, para actuar durante as festividades da independência da Guiné-Bissau, no dia 24 de Setembro.
Quarta-feira, 21 de Julho de 2010
Indjai defende a sua posição nas Forças Armadas

Bissau - Alheio às fortes críticas da Comunidade Internacional quanto à sua nomeação como CEMGFA da Guiné-Bissau, António Indjai começa a fazer avançar as suas peças no complexo xadrez que são as Forças Armadas guineenses.
As alterações efectuadas na última semana pelo novo CEMGFA implicam sobretudo os oficiais que lideram a Marinha Guineense e os que controlam as regiões militares. O lugar de vice-CEMA irá ser ocupado por Sanha Cusse, ex-responsável pelo sector das informações da Marinha e o Major Carlos Mandugal, nome repetidamente conotado com operações de narcotráfico, irá exercer as funções de Comandante das Operações da Armada. Estas mexidas na Marinha terão como principal objectivo o afastamento de elementos considerados próximos do ex-CEMA Bubo Na Tchuto, esvaziando assim o poder que este ainda poderia ter junto dos Fuzileiros da Guiné-Bissau e minimizando a capacidade de novas acções de desestabilização na Guiné-Bissau pela força das armas.
No Exército, a reorganização empreendida por António Indjai levou à nomeação de Tomás Djassi como novo vice-CEME. Djassi, antigo Comandante dos Pára-Comandos, é tido como um dos elementos mais fiéis ao novo CEMGFA em toda a actual estrutura militar da Guiné. Além de Djassi, foram também nomeados novos comandantes para as Regiões Militares guineenses, nomeadamente o Coronel Bacar Djassi (zona Leste), coronel Luís Gonçalves (zona Sul) e o Tenente Coronel Caramu Cassamá (Zona Centro).
Com a efectivação destas nomeações as perspectivas de reintegração de Bubo Na Tchuto na estrutura militar guineense parecem estar seriamente comprometidas, uma vez que Indjai optou por dispersar os que se mostravam fiéis ao ex-CEMA, destruindo os laços de uma aliança que poderia tornar-se um novo motor de instabilidade e uma ameaça ao seu reinado. Se por um lado a substituição por elementos fiéis ao actual CEMGFA diminui o risco de traição, por outro também contribui para tranquilizar a comunidade internacional, promovendo o afastamento de alguns elementos publicamente conotados com o narcotráfico. No entanto, os novos figurinos do poder militar na Guiné-Bissau não dão provas de maior isenção ao aroma da cocaína, incluindo nomes referenciados no passado pelo seu envolvimentos em operações de tráfico, caso do Major Bauté, nomeado vice-Comandante da região centro.
(c) PNN Portuguese News Network
Chefes de Estado reúnem em Luanda
De acordo com um comunicado de imprensa do Ministério angolano das Relações Exteriores, os cinco países africanos de expressão portuguesa vão passar em revista o estado da cooperação entre os PALOP e demais parceiros.
A cimeira vai abordar ainda questões relacionadas com a revitalização do espaço lusófono, o reforço dos laços históricos de amizade e de cooperação e a preservação das memórias colectivas face a um passado comum.
O encontro realiza-se na mesma altura que Luanda acolhe a oitava Cimeira dos Países da Comunidade de Língua Portuguesa (CPLP), um evento que está a ser aguardado com grande expectativa, tendo em conta as grandes decisões que dele poderão sair.
A XI Cimeira dos Países de Língua Oficial portuguesa dedicada ao reforço da cooperação realizou-se em Abril de 2001 na Guiné-Bissau.
Fazem parte dos PALOP Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe,Guiné-Bissau e Moçambique. Estes países estão ligados por uma língua comum e têm também uma história comum, já que estiveram envolvidos na mesma luta contra a dominação colonial.
Guiné-Bissau pretende manter Domingos Simões Pereira como secretário executivo da CPLP - PR

"Não temos problema e esperamos ter apoios dos nossos irmãos da comunidade", afirmou Malam Bacai Sanhá.
"O nosso propósito é manter o Domingos Simões Pereira como secretário executivo. Tem estado a fazer um bom trabalho", sublinhou o Presidente guineense.
Guiné-Bissau quer organização mais dinâmica e "atenção particular" à cooperação económica
O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, defendeu que os objetivos angolanos para a presidência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) devem passar por dar maior dinâmica à organização e à cooperação económica.
"Os grandes objetivos da presidência angolana deveriam ser primeiro dinamizar mais a nossa organização", afirmou o Presidente guineense em entrevista exclusiva à agência Lusa.
"Eu gostava de ver uma CPLP, não só virada para aspetos da língua e da cultura, que são aspetos extremamente importantes porque são a razão da nossa existência, mas a nossa existência tem de ter bases e a base deve ser a economia", disse Malam Bacai Sanhá.
Moura oferece apoio técnico e bolsas de estudo a Bissau

A autarquia de Moura “vai dar apoio técnico a Bissau para execução do regulamento de mercados e feiras recentemente aprovado” na capital da Guiné. A medida foi avançada pelo presidente da Câmara Municipal de Moura, e decorre ao abrigo da geminação entre os dois municípios, que têm vindo a desenvolver diversas parcerias em muitas áreas de intervenção.
Segundo José Maria Pós-de-Mina, “Moura vai ajudar a concretizar o regulamento, uma vez que se trata de uma actividade importante, até pela importância que tem nas receitas de Bissau”.
Para além disso, o concelho alentejano vai acolher cinco jovens guineenses que vão receber formação na Escola Profissional de Moura já no próximo ano lectivo, a ter início em Setembro. O município atribuiu ainda uma bolsa de estudo para frequência do ensino superior a outro jovem da Guiné-Bissau, na área da arquitectura.
De acordo com o presidente do município de Moura, as duas entidades “já estão a preparar o processo de selecção dos jovens e a viagem” para Portugal. Os exemplos de colaboração entre os dois municípios prova, nas palavras de José Maria Pós-de-Mina, que “há uma grande disposição para levar por diante o processo de geminação no interesse das duas comunidades”.
Terça-feira, 20 de Julho de 2010
Comerciante português condecorado pelos militares guineenses
A condecoração, que consiste na entrega simbólica de um pano tradicional da Guiné-Bissau, foi feita ao comerciante Manel Tuga no âmbito das comemorações do 25º aniversário da criação do regimento dos Comandos, hoje assinalado na base aérea em Bissalanca, arredores de Bissau.
Após receber o pano, normalmente utilizado para agraciar hospedes e ilustres personalidades que visitam a Guiné-Bissau e visivelmente emocionado, Manuel Santos disse que nem ele mesmo sabe porque mereceu “tanta honra dos militares”.
“Mas, essa juventude é que sabe porque decidiu fazer-me isto”, declarou Manel Tuga. Quando lhe foi colocado o pano a tiracolo, todos os presentes na cerimónia, entre os quais o Chefe das Forças Armadas guineenses, o tenente-general António Indjai, se puseram de pé batendo palmas.
“Temos tido um relacionamento muito bom”, afirmou o comerciante que vive há mais de 40 anos na região de Quinhamel.
Confrontado com o facto de muitos militares se terem referido à sua pessoa como sendo um “homem bom”, Manuel Santos disse que não pode negar que tem ajudado os militares dentro das suas possibilidades.
“Sabe que, às vezes, com as dificuldades, a gente vai ajudando dentro das nossas possibilidades”, disse o comerciante, agricultor e industrial que vive na Guiné-Bissau desde 1962, altura em que veio cumprir o serviço militar.
“Fiquei um bocado sensibilizado, porque eu fui militar há 40 e tal anos. É um dia especial para mim. Senti mesmo como um militar”, afirmou Manuel Santos, para quem o gesto é um reconhecimento dos seus camaradas.
“Ao fim e ao cabo é um reconhecimento dos meus camaradas. Mas, é uma juventude boa, esta gente”, considerou, sublinhando que irá guardar o pano com que foi homenageado.
“É uma relíquia, uma lembrança”, disse Manuel Santos.
O regimento dos Comandos, considerado força de elite na Guiné-Bissau, foi formado com o regresso ao país dos primeiros elementos que receberam formação em Portugal em 1985.
"Quem não se submeter ao poder civil será expulso das Forças Armadas"
"Não há mais dúvida sobre isso, qualquer militar que se recusar a se submeter ao poder político deste país será expulso das Forças Armadas", disse o general Indjai quando proferia o seu discurso nas comemorações do 25.º aniversário da criação do regimento dos Comandos.
Expressando-se em crioulo e na presença dos ministros da Defesa e do Interior, o chefe das Forças Armadas guineense assinalou que doravante os militares guineenses "vão passar a ser um exemplo de disciplina e do respeito pelo poder civil".







