Terça-feira, 13 de Abril de 2010

Cooperação europeia vai prosseguir desde que ordem constitucional continue

Bissau, 13 abr (Lusa) - O representante da Comissão Europeia na Guiné-Bissau, Franco Nulli, disse hoje que os projetos de cooperação no país vão prosseguir desde que a ordem constitucional continue.
"Por enquanto, desde que a ordem constitucional continue, o Governo continue, todas as instituições continuem, é claro que a nossa cooperação vai continuar", afirmou o embaixador Franco Nulli.
O diplomata italiano falava aos jornalistas no final de um encontro com o primeiro ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, para analisar e discutir a intervenção militar do passado dia 01 e a situação no país.

Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Ministro da Defesa da Guiné-Bissau aguardado quarta-feira em Angola


Luanda - O ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Arestides Ocante da Silva, na fotografia, chega nesta quarta-feira, a Luanda, para uma visita de trabalho e amizade de quatro dias a Angola, soube hoje a Angop de fonte oficial.

O ministro guineense que chefia uma delegação da instituição que dirige manterá na mesma quarta-feira (14) conversações oficiais, com uma comitiva angolana da defesa, encabeçada pelo seu titular, Cândido Van-Dúnem, fez saber a fonte da Angop.

Questões ligadas ao reforço da cooperação no domínio da defesa entre Angola e a Guiné-Bissau estarão no centro das conversações que deverão terminar no mesmo dia.

Norton de Matos enfrenta "grande desafio"

O novo seleccionador da Guiné-Bissau, o português Norton de Matos, considerou hoje “um grande desafio” melhorar a prestação da equipa guineense, sublinhando que “não há impossíveis”.

“Efectivamente é um desafio, um grande desafio, mas é um desafio com risco comedido porque vejo que há à minha volta pessoas que foram capazes de elaborar um programa sério e essa seria talvez a minha principal preocupação”, afirmou Norton de Matos, na sua primeira conferência de imprensa em Bissau.

Segundo Norton de Matos, o risco é ligeiro, porque há organização e a “qualidade intrínseca do jogador guineense”.

Norton de Matos, de 56 anos, vai ter como principal missão organizar a selecção de futebol guineense e preparar a fase preliminar de qualificação para a Taça das Nações Africanas (CAN) de 2012, que considerou uma prova muito “dura e difícil”.

O técnico português, que foi futebolista do Benfica, entre outros, e treinou Atlético, Barreirense, Sporting de Espinho, Salgueiros, Setúbal e Guimarães, desejou também que o “futebol seja um elo de união” do povo guineense.

“O mais importante é que a Guiné consiga dentro do ranking mundial melhorar a sua posição, a sua imagem, dar uma imagem ao mundo do seu futebol e da qualidade dos seus jogadores mais consentânea daquilo que eu penso ser o valor da Guiné e por isso abraço este desafio”, afirmou.

Ainda em relação à CAN, afirmou que é possível a Guiné-Bissau passar, sublinhando que “não há impossíveis no futebol”.

Aos adeptos do futebol guineense, Norton de Matos disse para que “continuem apaixonados” por aquele desporto e “tenham esperança”.

“É preciso que as pessoas se unam pela selecção”, disse, Norton de Matos, que começa a trabalhar com a equipa nacional guineense em Junho.

Liga dos DH diz que é "muito urgente" que Zamora Induta seja visto por médico

Bissau - O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (DH), Luís Vaz Martins, disse hoje(segunda-feira) que "considera muito urgente" que o almirante Zamora Induta e o coronel Samba Djalo sejam vistos por médicos.

"A Liga considera muito urgente fazer-se uma visita médica aos detidos, mas infelizmente não tem sido facilitado e estamos a aguardar autorização", afirmou à Agência Lusa Luís Vaz Martins.

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos disse esperar conseguir essa autorização "ainda hoje".

"Se não conseguirmos estaremos amanhã (terça feira) a fazer outra declaração" à imprensa, sublinhou.

O chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, Zamora Induta, e o chefe da contra-inteligência militar, coronel Samba Djalo, foram detidos no passado dia 01 na sequência de uma intervenção militar no país.

Na sexta feira, elementos da protecção dos direitos humanos n Guiné-Bissau visitaram os detidos e alertaram para a necessidade de receberem tratamentos médicos, principalmente Zamora Induta.

Conflito na Guiné-Bissau obrigou Humanitarius a regressar sem distribuir donativos

Voluntários optaram por regressar a casa mais cedo sem cumprir objetivos. Tentativa de golpe político-militar naquele país africano deitou por terra a terceira expedição humanitária.

Os voluntários da associação Humanitarius tinham seguido para a Guiné-Bissau (África) com um propósito: entregar 30 toneladas de donativos em equipamento médico, escolar e de ação social. Mas agora regressam ao Algarve apenas com a desilusão na bagagem por não ter sido possível dar a quem precisa.

Tudo porque os voluntários foram apanhados no meio de uma tentativa de «golpe político-militar», no passado dia 1 de Abril, como contou ao «barlavento» João Almeida, coordenador geral dos projetos da associação.

Apesar de todos se encontrarem bem, os oito voluntários que integram a caravana que partiu no dia 22 de Março de Portimão, já deverá ter chegado ao Algarve. É que, na Guiné, a segurança do grupo não estava garantida, tendo este ficado retido no apartamento onde estava alojado.

Esperam em Bissau nomeação de chefe das forças armada (Noticia da Prensa Latina)


Bissau, 12 abr (Prensa Latina) O exército da Guiné Bissau espera conhecer oficialmente o nome de seu novo chefe, o qual deverá anunciar o presidente, Malam Bacai Sanha, informaram hoje a imprensa.

Os golpes no seio do exército ocorreram, o primeiro, pouco depois de cumprir em um ano os assassinatos do presidente da república, João Bernardo Vieira (Nino), e do chefe do estado maior general, Batista Tagmé Na Wai.

O segundo foi na manhã do 1º de abril, quando o chefe do estado maior do exército, general José Zamora Induta, foi detido em sua casa por militares e ainda continua sob vigilância em uma cabana em Mansoa, a 60 quilômetros ao norte de Bissau.

O adjunto de Zamora Induta, general Antonio Indjai, de 48 anos de idade, proclamou-se chefe de estado maior das forças armadas. Nesse dia, os amotinados detiveram e ameaçaram de morte ao premiê, Carlos Gomes Júnior, próximo de Induta.

Logo tudo se acalmou oficialmente e na atualidade o exército continua à espera de que o presidente informe quem será o próximo chefe militar.

No meio dessa situação os militares recordaram que a Constituição indica que é o governo o que propõe ao chefe do estado maior e o presidente o que o nomeia por decreto.

arc/mt/dcp

Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

Norton de Matos é seleccionador da Guiné-Bissau (Português assume cargo até Outubro de 2011)


O português Norton de Matos é o novo seleccionador da Guiné-Bissau, informa a «Lusa», citando o director-geral do desporto daquele país, Fidelis Forbs.

De acordo com a fonte, o treinador chega esta segunda-feira a Bissau, depois de ter sido contactado em Março. O acordo entre Norton de Matos e a selecção guineense é válido até Outubro de 2011. Tem como objectivo passar a fase preliminar do Campeonato Africano das Nações (CAN).

Exército espera conhecer oficialmente o novo chefe

Bissau - Exército da Guiné-Bissau, cujo chefe foi derrubado a 01 Abril pelo seu adjunto, espera conhecer oficialmente o nome do seu novo "patrão" que deve ser anunciado pelo Presidente Malam Bacaï Sanha.

Este último "golpe" no seio do exército ocorre há pouco mais de um ano após o duplo assassinato, em Março de 2009, do chefe de Estado-maior general Batista Tagmé Na Wai e do Presidente da República, Joao Bernardo Vieira.

Na manhã de 01 Abril, o chefe de Cstado-maior do exército, o general José Zamora Induta, foi preso em sua casa por militares e continua actualmente detido numa caserna em Mansoa (60 Km a norte de Bissau).

O seu adjunto, o general Antonio Indjai, 48 anos, auto-proclamou-se chefe de Estado-maior.

No mesmo dia, os mutins provocaram a detenção, e mesmo ameaçaram de morte, o Primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, próximo do general Induta.

Seguidamente tudo se calmou oficialmente. E, actualmente, o exército continua a espera.

"Para nós, Indjai não é ainda o chefe de estado-major" , sublinha um oficial superior interrogado pela AFP, "porque de acordo com a Constituição, é o governo que propõe o chefe do Estado-maior e é o Presidente que o nomeia por decreto".

Segundo diferentes fontes contactadas em Bissau, os nomes de oficiais veteranos da "guerra de libertação" (contra os colonos portugueses, 1962-1973) foram propostos à presidência. O nome do ex-ministro dos Antigos Combatentes, o general Botana Mbatcha, é um dos mais frequentemente evocados.

Por outro lado, novas detenções tiveram lugar domingo no exército. “Três oficiais foram presos por militaires", reportou o presidente da Liga dos direitos humanos (LDH) em Bissau, Luís Vaz Martins, interrogado pela AFP.

Para si, "trata-se de uma espécie de caça às bruxas, dos homens fortes de hoje tentando regular as suas contas com os seus detractores".

Guineenses residentes em Portugal manifestam-se pela paz

Lisboa, 11 abr (Lusa) - A comunidade guineense residente em Portugal manifestou hoje em Lisboa "profunda tristeza" e "indignação" pelos recentes acontecimento na Guiné-Bissau, apelando à intervenção da comunidade internacional.

Cerca de 60 guineenses responderam ao apelo da Associação Guineense de Solidariedade Social (AGUINENSO) e manifestaram-se hoje à tarde pela paz, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, seguindo depois para a Embaixada da Guiné-Bissau.

"Trinta e seis anos depois da independência, o país continua a viver permanentemente num ciclo de convulsões. Queremos que haja uma intervenção da comunidade internacional de forma séria. Não basta condenar os acontecimentos como tem sido prática", afirmou o presidente da AGUINENSO, Fernando Ka, em declarações à agência Lusa, reclamando uma intervenção dos "capacetes azuis" das Nações Unidas.

© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Portugal chefia missão política e de segurança da UE

Portugal deverá ser escolhido na próxima semana para presidir à nova missão da UE na Guiné-Bissau, substituindo a Espanha, soube ontem o DN junto de fontes comunitárias.

A actual missão da UE para a Reforma dos sectores de Defesa e Segurança na Guiné-Bissau, cujo mandato termina no próximo dia 31 de Maio, é presidida pelo general de brigada Juan Esteban Verástegui (Espanha), que também vai estar quarta-feira em Bruxelas.

Segundo as fontes, a Espanha "já aceitou" que Portugal passe a presidir à nova missão que se inicia a 1 de Junho - desde que lhe seja garantido o lugar de n.º 2 (o que corresponde a uma troca entre as posições que os dois países ocupam na estrutura actual).
Assim sendo, a escolha de Portugal para liderar a nova equipa da UE em Bissau é dada como adquirida, observaram as fontes.

Em aberto está a figura - leia-se de que sector - a escolher por Lisboa para aquela missão. Dada a sua natureza política e de segurança, agora mais centrada na implementação das leis em vias de aprovação, tanto pode ser um diplomata como um jurista ou um militar, admitiram as fontes, alertando para um pormenor: sendo militar, pode vir do Exército ou da GNR.

O general Verástegui anunciou há dias, no final de uma audiência com o primeiro-ministro guineense, que "a nova missão começa a 1 de Junho" e com "um mandato distinto, porque v[ai] fazer coisas distintas". Embora ainda se esteja "a desenhar a nova missão", adiantou, os novos objectivos passam pelo reforço institucional e o treino de polícias e militares.

De acordo com as fontes do DN, ouvidas ao longo das últimas semanas, a formação de quadros intermédios - sargentos e praças nas Forças Armadas, chefes e subchefes nas forças de segurança, amanuenses na área da Justiça - assume um carácter prioritário, a exemplo das acções de desarmamento dos militares que deixam as fileiras (e subsequente destruição desse material de guerra).

Domingo, 11 de Abril de 2010

PR promete reestruturação "para breve" da chefia militar e condena últimos acontecimentos

Bissau, 10 abr (Lusa) -- O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanha, afirmou hoje que vai haver uma profunda reestruturação do Estado-Maior das Forças Armadas "para breve" e condenou os acontecimentos do passado dia 01.
Em discurso à Nação dez dias após a intervenção militar e a detenção do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o Presidente guineense considerou que apesar "dos incidentes graves o país não pode parar e os guineenses não podem perder a esperança".
"Dentro de breve vamos pensar em reorganizar o Estado-Maior das Forças Armadas. Temos que reorganizar o Estado-Maior para que fique completo que funcione e nos garanta a tranquilidade no país", afirmou o chefe de Estado.
© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

A visão de um General ( Regime tutelado)

Loureiro dos Santo, Ex-CEME(R) de Portugal


É a altura de confirmar que o regime político da Guiné-Bissau, onde os golpes de força se têm repetido nos últimos anos, se encontra tutelado pelos militares e assim continuará enquanto for possível um Chefe do Estado-Maior General, nomeado de acordo com a Constituição, ser detido e um Primeiro-Ministro ser ameaçado de morte pelo Vice-Chefe do Estado-Maior à frente de um grupo de camaradas, com total impunidade.

Se os autores do último golpe em Bissau não sofrerem as consequências do atentado que fizeram à democracia e, pelo contrário, forem confirmados nos cargos que ilegitimamente tomaram, deverão ser congelados à Guiné todos os apoios em curso e prometidos das organizações internacionais. A não ser que aceite aplicar os resultados de um inquérito a fazer sob a orientação da ONU, se necessário com o respaldo de uma força de capacetes azuis da União Africana – CEDEAO.

Sábado, 10 de Abril de 2010

Associações dos direitos humanos visitam Zamora Induta


A notícia foi avançada pelo porta-voz das Nações Unidas, Vladimir Monteiro.




Uma comissão de direitos humanos reúne-se hoje com o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau, Zamora Induta, que foi detido pelos militares revoltosos.

A notícia foi avançada pelo porta-voz das Nações Unidas, Vladimir Monteiro.

O encontro entre as associações de direitos humanos internacionais e guineenses e Zamora Induta tem lugar em Mansoa, a cerca de 60 quilómetros de Bissau.

“Os responsáveis pelos direitos humanos deslocaram-se a Mansoa para visita o Chefe do Estado Maior”, confirma o porta-voz da ONU.

Vladimir Monteiro considera positivo que as exigências da comunidade internacional para ter acesso a Zamora Induta tenham sido atendidas pelas “autoridades militares”.

O Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau foi detido pelos militares revoltosos, no dia 1 deste mês, e foi substituído por António Indjai.

Zamora Induta está «extremamente doente»

O presidente do Observatório dos Direitos Humanos, Democracia e Cidadania da Guiné-Bissau, João Vaz Mané, disse hoje que o chefe das Forças Armadas, Zamora Induta, está «extremamente doente» e detido em «condições péssimas».
«Zamora Induta está em condições péssimas. As instalações (onde está detido) não são das melhores, ele encontra-se numa situação extremamente má. Ele está extremamente doente», afirmou João Vaz Mané.

O presidente do Observatório dos Direitos Humanos guineense falava aos jornalistas depois de ter visitado o almirante Zamora Induta e o coronel Samba Djaló, chefe da contra-inteligência militar, no quartel de Mansoa.

Diário Digital / Lusa

De novo más notícias sobre a Guiné-Bissau (Infelizmente, quase todos os anos)

Mais um golpe na frágil democracia da Guiné-Bissau. Este, ao que parece, terá ficado a meio, mas ainda sem se saber bem no que vai dar.

Conheço a Guiné desde o início dos anos setenta e posso assegurar que é um país lindo, a começar por essa maravilha que é o arquipélago dos Bijagós, embora pobre. O pior é que, desde que atingiu a independência, em 1974, os golpes de estado não têm parado. Desta vez, ou melhor, mais uma vez, parece que inexistem dúvidas que foram os narcotraficantes a provocá-lo, para poderem continuar a fazer da Guiné um entreposto da droga, a distribuir principalmente na Europa.

Por isso e por o pobre povo guineense merecer mais e melhores governantes, que lhe garantam a paz, a justiça e o desenvolvimento, quer Portugal quer os restantes países de língua portuguesa, integrados na CPLP, não podem ficar indiferentes. Por isso, é mais do que altura de agir a favor do pobre povo guineense, desarmando os militares golpistas, impedindo-os de imporem a “lei da força”.

Por concordar e subscrever, inteiramente, o comunicado que o MIL (Movimento Internacional Lusófono) acaba de emitir, a seguir o transcrevo.

Comunicado MIL sobre a situação na Guiné-Bissau

Enquanto entidade sempre atenta ao que se passa em todo o espaço lusófono, o MIL tem acompanhado todas as convulsões que têm ocorrido no ainda frágil Estado da Guiné-Bissau.

Nessa medida, face às notícias dos últimos dias, que dão conta de mais uma tentativa de golpe de estado – com a detenção do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, o do chefe de estado maior das Forças Armadas, Zamora Induta –, o MIL vem, uma vez mais, apelar à CPLP para que se empenhe mais no fortalecimento do Estado guineense.

Após a morte de Nino Vieira e da eleição de um novo Presidente da República, Malam Bacai Sanha, os vários órgãos de comunicação social – nomeadamente, em Portugal – procuraram dar uma imagem da Guiné que, como uma vez mais se comprova, não se adequa à realidade.

O Estado da Guiné-Bissau tem futuro, mas precisa do apoio de toda a Comunidade Lusófona. Recordamos, a este respeito, que o MIL propôs já, em devido tempo, o instrumento ideal para acorrer a situações como esta – uma “Força Lusófona de Manutenção de Paz”, com a participação de todos os países da CPLP, na medida das possibilidades de cada um, conforme o teor da Petição por nós lançada:

http://www.petitiononline.com/mil1001/petition.html

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

Instalações da ONU em Bissau foram violadas há uma semana



Situação está calma no país com Presidente e Primeiro-ministro a trabalhar normalmente.




As Nações Unidas consideram que as suas instalações em Bissau foram violadas há oito dias durante a intervenção militar que depôs o Chefe de Estado Maior das Forças Armadas.

Em conferência de imprensa na capital guineense, o representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau refere-se à saída das instalações do antigo Chefe da Armada, Bubo Na Tchuto, que esteve refugiado na sede das ONU em Bissau durante três meses.

Entretanto, Bubo Na Tchuto foi ontem acusado pelos Estados Unidos de ligações ao narcotráfico. Em declarações à Lusa, o contra-almirante recusa a acusação.

Sobre o que se passou na semana passada em Bissau, a 1 de Abril, não há ainda qualquer conclusão preliminar do inquérito parlamentar desencadeado depois dos acontecimentos.

Apesar disso, a situação está calma no país. O Presidente e o Primeiro-ministro estão a trabalhar normalmente

Bubo Na Tchuto diz que não tem dinheiro para abrir contas na América


Bissau, 09 abr (Lusa) - O contra-almirante Bubo Na Tchuto recusou hoje qualquer envolvimento no narcotráfico, sublinhando que só foi uma vez a Nova Iorque e não tem dinheiro para abrir contas nos bancos norte-americanos.
"As suspeitas que os Estados Unidos têm sobre mim é puramente mentira e não corresponde à verdade", afirmou em declarações à agência Lusa.
"Eu não tenho bens nos Estados Unidos. Eu fui a assistir a uma simpósio da Marinha em Nova Iorque, mas não saí dali (do espaço onde estava a assistir ao simpósio). Eu não tenho dinheiro para ir aos Estados Unidos", sublinhou o antigo chefe da Armada.
Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Mediatização de problemas sigilosos não ajuda o país" - primeiro-ministro

Bissau, 09 abr (Lusa) - O primeiro ministro da Guiné-Bissau disse hoje que a "mediatização de problemas sigilosos" não ajuda o país e pode ter "consequências nefastas", referindo-se às sanções impostas pelos EUA a dois oficiais do país por alegado envolvimento no narcotráfico.
"A troca de correspondência não pode ser mediatizada, sendo mediatizada isso pode ter consequências nefastas", afirmou Carlos Gomes Júnior em entrevista à Rádio Jovem.
"Qual é a segurança que o Departamento de Estado (dos EUA), ao fazer esta publicidade, dá às autoridades deste país?", questionou o chefe do governo guineense.

CHEFIAS MILITARES E NARCOTRÁFICO NUM PAÍS CADA VEZ MAIS À DERIVA



Guiné-Bissau ainda flutua mas a todo o momento pode afundar-se por completo. Alguém está, de facto, preocupado?

O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá (foto), sublinhou hoje que, se as acusações feitas pelos EUA a dois oficiais das Forças Armadas forem verdade, a situação é grave. Os Estados Unidos congelaram hoje os bens do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, Ibrahima Papa Camará, e do contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto por "jogarem um papel significativo no tráfico de droga".

"Nós somos contra o tráfico de droga, estamos a lutar contra o tráfico de droga. Se for verdade [a acusação], é grave", afirmou o chefe de Estado, à chegada ao aeroporto de Bissau, proveniente de Angola.

Os Estados Unidos congelaram hoje os bens do chefe do Estado-Maior da Força Aérea da Guiné-Bissau, Ibrahima Papa Camará, e do contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto por "jogarem um papel significativo no tráfico de droga".

Num comunicado anunciando a decisão, o Departamento do Tesouro norte-americano disse que Bubo na Tchuto é "há muito suspeito de ser um dos principais facilitadores de tráfico de narcóticos na Guiné-Bissau".

O departamento acusou os dois dirigentes militares de estarem ligados ao caso de um avião que transportou várias centenas de quilos de cocaína da Venezuela para a Guiné-Bissau, a 12 de Julho de 2008.

Entretanto, o general Ibrahima Papa Camará, apontado hoje pelos Estados Unidos como uma das principais figuras do narcotráfico, desmente esse envolvimento e confessou que a acusação afecta a sua imagem.

Contactado pela Lusa, o general Ibrahima Camará começou por dizer que não tem nenhum bem nos Estados Unidos e que está disposto a colaborar quer com o Ministério Público guineense quer com o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos.

"Por se tratar de um equívoco eu estaria disposto a colaborar com o Ministério Público da Guiné-Bissau e o tal Departamento, o próprio Departamento de Estado ou Tesouro norte-americano, no sentido de encontrar elementos comprovativos do meu alegado envolvimento no tráfico", garantiu.

Quanto ao alegado envolvimento do almirante Bubo Na Tchuto, o general Camará remete para aquele oficial superior, mas salienta que são casos diferentes.

"Falando de Bubo Na Tchuto não é a mesma coisa de falar de general Ibrahima Papa Camará. Eu da minha parte, repito mais uma vez, eu estaria disposto em colaborar com o Ministério Público do meu país e o Departamento norte-americano, do Tesouro, no sentido de encontrar elementos comprovativos. Sim, eu estaria disposto a fazer isso", reafirmou.

"Estou de consciência tranquila. Efectivamente estou com a consciência tranquila", concluiu.

Calúnias contra o primeiro-ministro... diz o primeiro-ministro

Noutra frente, o gabinete do primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, emitiu hoje um comunicado no qual qualifica de “calúnia” e “promoção da violência” a nota à imprensa divulgada pelo Partido de Renovação Social.

“O comunicado de imprensa sob resposta, assente na calúnia e na promoção da violência, não tem outro objectivo que não seja o assassinato político do primeiro-ministro, associando quem o emite a processos não democráticos de acesso ao poder”, refere o documento.

O PRS afirmou num comunicado de imprensa que um antigo guarda-costas do atual primeiro-ministro do país colocou a bomba que matou o ex-chefe das Forças Armadas, Tagmé Na Waié.

"No encontro do primeiro-ministro com os membros da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular (…) estes ficaram a saber através de palavras textuais do senhor primeiro-ministro que terá sido um dos seus antigos guarda-costas quem transportou e colocou a bomba que vitimou o general Tagmé Na Waié", afirma no documento o PRS, o maior partido de oposição da Guiné-Bissau, liderado por Kumba Ialá.

O documento do gabinete do primeiro-ministro refere também que o que Carlos Gomes Júnior informou foi da sua “estranheza e estupefacção o tomar conhecimento (…) que o referido guarda-costas, corrija-se, ajudante de campo, havia participado no atentado que vitimou o general Tagmé Na Waié”.

O comunicado do primeiro-ministro acrescenta que na altura do atentado o indivíduo já não se encontrava em funções no gabinete do chefe do Governo.


Este artigo é de autoria da Fábrica dos Blogs
Jobapica

General Ibrahima Camará desmente envolvimento no narcotráfico

Lisboa, 08 abr (Lusa) - O chefe de Estado-Maior da Força Aérea da Guiné-Bissau, general Ibrahima Papa Camará, apontado hoje pelos Estados Unidos como uma das principais figuras do narcotráfico, desmente esse envolvimento e confessou à Lusa que a acusação lhe afeta a imagem.
Contactado telefonicamente pela Lusa a partir de Lisboa, o general Ibrahima Camará começou por dizer que não tem nenhum bem nos Estados Unidos e que está disposto a colaborar quer com o Ministério Público guineense quer com o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos.
© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Quinta-feira, 8 de Abril de 2010

Estados Unidos congelam bens do chefe da força aérea da Guiné-Bissau



O Governo Federal norte-americano anunciou o congelamento dos bens do chefe da força aérea da Guiné-Bissau nos Estados Unidos. O Tesouro norte-americano acusa o brigadeiro-general Ibrahima Papa Camará de participar no tráfico de droga na Guiné-Bissau.

Também o antigo chefe do estado-maior da marinha é alvo de sanções idênticas. O contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto é acusado de vários crimes relacionados com o tráfico de droga, entre os quais o desvio de 600 quilos de cocaína interceptados a bordo de um avião proveniente da Venezuela em Julho de 2008.

As forças armadas são uma das mais poderosas instituições da Guiné-Bissau, uma nação regularmente marcada por crises e assassínios político-militares. No dia um de Abril o país foi sacudido pela deposição do CEMGFA, almirante Zamora Induta, levada a cabo pelo seu adjunto, o general António Indjai.

No mesmo dia o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, considerado como próximo do general Induta, foi detido, ameaçado de morte e colocado em residência vigiada.

Washington apelou ao regresso da ordem constitucional: "As medidas hoje anunciadas sublinham o papel nefasto que a corrupção ligada ao tráfico da droga desempenham na África Ocidental, em particular na Guiné-Bissau", sublinha o comunicado do Tesouro norte-americano.

A Guiné-Bissau transformou-se nos últimos anos num importante ponto de trânsito e de armazenagem para a droga sul-americana destinada à Europa.

As sanções individuais de que Camará e Na Tchuto são alvo, determinam o congelamento dos bens que os dois militares possam ter em território dos Estados Unidos e proíbem também a qualquer cidadão norte-americano de negociar com eles.

Luís Amado diz que UE manterá cooperação, mas alerta que a ajuda tem "condicionalismos políticos exigentes"

Pequim, 08 abr (lusa) - O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, manifestou-se hoje convicto que a União Europeia manterá a cooperação com a Guiné-Bissau, mas advertiu que "os condicionalismos políticos" da ajuda internacional "são muito exigentes".

Questionado sobre a possibilidade de a União Europeia suspender os atuis programas de cooperação com a Guiné-Bissau, Luís Amado respondeu: "Creio que isso não vai acontecer".

"É preciso é que se normalize a vida política e institucional em Bissau, de modo a garantir que o apoio da comunidade internacional possa continuar a desenvolver-se", acrescentou.

Futuro da Guiné-Bissau nas mãos de Malam Bacai Sanha


Bissau - Malam Bacai Sanha tem a oportunidade de se assumir como o fiel da balança do futuro da Guiné-Bissau. Carlos Gomes Júnior não se demite e eleições antecipadas podem descredibilizar o país.

Para o número dois das Forças Armadas, Antonio Indjai, os acontecimentos de 01 de Abril «são assuntos internos militares». O Presidente Malam Bacai Sanha confirmou esta versão. Mas os «assuntos internos militares» não impediram que o Primeiro-Ministro, Carlos Gomes Júnior «Cadogo» fosse detido e ameaçado de execução.

Estas ameaças dos militares golpistas foram travadas face à onda de apoio a «Cadogo» por manifestantes guineenses e da comunidade internacional que exigiam em unísono a libertação do chefe do executivo. No entanto, a dúvida se o «levantamento militar» pretendia depor o CEMGFA Zamora Induta, o primeiro-ministro, ou ambos, mantém-se.

Após o primeiro pico da crise, «Cadogo» garantiu que não vai demitir-se do cargo para o qual foi eleito a 16 de Novembro de 2008 em eleições consideradas democráticas pelos observadores internacionais. Os resultados obtidos por Carlos Gomes Júnior, 67% do total de votos, pulverisaram todas as votações obtidas pelo PAIGC nos anos mais recentes.

Mas «Cadogo» já tem alguma experiência de tentativa de afastamento por via da força. Em 2006 «Nino» Vieira, que não desculpara o apoio de Carlos Gomes Júnior à candidatura de Malam Bacai Sanha, terá enviado homens armados para o prenderem na sede do PAIGC. «Cadogo» conseguiu escapar refugiando-se nas instalações da ONU em Bissau.

Além do PRS, que exige a queda de «Cadogo» desde a sua vitória eleitoral em Novembro de 2008, a exoneração do Primeiro-Ministro também tem apoiantes no interior de um PAIGC cada vez mais dividido. Um núcleo forte de oposição a Carlos Gomes Júnior vai-se tornando cada vez mais visível no PAIGC. Daniel Gomes, Marciano Silva Barbeiro, Roberto Fereira Cacheu, Soares Sambu, Braima Camará e Francisco Conduto de Pina, um antigo fiel de «Nino» Vieira, são os nomes que lideram a constestação. Todos eles são tidos como próximos do actual Presidente da República, Malam Bacai Sanhá.

As reformas em curso e os resultados do Governo de Carlos Gomes Júnior fomentaram rivalidades dentro da sua família partidária. Dando continuidade ao seu programa de 2004, «Cadogo» conseguiu aumentar os salários na Função Pública, reduzindo as regalias do Presidente, Deputados, Primeiro-Ministro, Ministros, Generais e Oficiais militares. Iniciou o pagamento dos salários em atraso e dos vencimentos correntes da função pública; exigiu uma política de transparência nas despesas públicas. O próprio desempenho macroeconómico da Guiné-Bissau foi elogiado pelo FMI, que prometeu ao executivo de Carlos Gomes Júnior, mesmo após a crise iniciada a 01 de Abril, cumprir a promessa de um apoio financeiro ao país ao longo dos próximos três anos, com reformas na administração pública, defesa e segurança e relançamento da actividade empresarial.

A acção do executivo de «Cagodo» repercutiu-se também na imagem internacional da Guiné-Bissau através do reforço da luta contra o narcotráfico no país que contou com um apoio importante de Portugal e Brasil. Numa passagem por Paris, Malam Bacai Sanha reconhecera que a actividade dos traficantes descera significativamente.

A crise militar de 01 de Abril veio lançar novas dúvidas quanto ao futuro político da Guiné- Bissau. De tal forma que a constiuição de um Governo de Unidade Nacional – mantendo «Cadogo» à frente de um Governo que integre as diferentes filiações partidárias - já se tornou num dos principais temas de conversa em Bissau.

Segundo a Constituição guineense o Presidente da República pode exonerar o Primeiro-Ministro em caso de grave crise. Todavia, o tipo de crise não está especificada e os legisladores deixaram ao critério do Presidente. É também da competência do Chefe de Estado exonerar o Primeiro-Ministro mediante aprovação de uma moção de censura ou chumbo de uma moção de confiança no parlamento. Esta possibilidade depende do equilíbrio no interior do partido governamental, neste caso um PAIGC dividido e incerto. O Presidente pode também exonerar o PM, se este apresentar o seu pedido de demissão, situação que Carlos Gomes Júnior já garantiu que não irá acontecer.

Carlos Gomes Júnior mantém-se, formalmente, em funções como Primeiro-Ministro. Mas «Cadogo» enfrenta um futuro incerto, numa posição fragilizada pelos recentes acontecimentos militares. Mais do que nunca, Malam Bacai Sanhá, e todo o seu capital de influência na sociedade guineense, tem a oportunidade de se assumir como o fiel da balança do futuro da Guiné-Bissau.

Rodrigo Nunes

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PR Guiné-Bissau aborda coperação bilateral com homólogo Angolano

Luanda - O Chefe de Estado Angolano, José Eduardo dos Santos, manteve hoje, quinta-feira, em Luanda, um encontro em privado com o Presidente da República da Guiné Bissau, Malam Bacai Sanhá.

Malam Bacai Sanhá, que se encontra em Angola em visita de trabalho desde o final da tarde de quarta-feira, terá abordado com o seu homólogo angolano aspectos relacionados com a cooperação bilateral.

Durante a audiência explicou a situação prevalecente na Guiné-Bissau, após os tumultos registados na semana transacta no país, tendo dado conta do retorno à normalidade, com o regresso dos militares aos quarteis.

O antigo chefe de Estado-Maior da Armada, José Américo Bubo Na Tchuto, e o actual vice-chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, major-general António Indjai, protagonizaram quinta-feira última uma intervenção militar, que conduziu à detenção do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e do CEMGFA, tenente-general Zamora Induta.

Questões relacionadas com a conjuntura internacional mereceram igualmente atenção por parte dos dois estadistas.

Antes do encontro, Malam Bacai Sanhá recebeu honras militares e passou em revista as tropas em parada no Palácio Presidencial na Cidade Alta.

Angola e a Guiné Bissau fazem parte da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e dos Palop.

Presidente da Guiné-Bissau espera apoio de Angola


Luanda – O Presidente da República da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, disse hoje (quarta-feira), em Luanda, esperar levar de Angola todo apoio diplomático, moral e económico.

Malam Bacai Sanhá fez estas declarações à imprensa, à sua chegada no aeroporto internacional 4 de Fevereiro.

O chefe de Estado da Guiné, que permanecerá dois dias em Luanda, referiu ter vindo a Angola abordar com seu homólogo, José Eduardo dos Santos, questões de interesse bilateral.

"Vim para visitar o vosso país e ter uma conversa com o meu irmão mais velho José Eduardo, passar em revista a situação da cooperação entre os dois países e para falar de outros assuntos”, referiu.

Em relação à situação no seu país, o presidente informou que a mesma regressou já à normalidade e que os militares voltaram aos quartéis.

O antigo chefe de Estado-Maior da Armada, José Américo Bubo Na Tchuto, e o actual vice-chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, major-general António Indjai, protagonizaram quinta-feira última uma intervenção militar, que conduziu à detenção do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior e do CEMGFA, tenente-general Zamora Induta.

Acompanhado do embaixador angolano na Guiné-Bissau, Brito Sozinho, Bacai Sanhá recebeu cumprimentos de boas-vindas do ministro angolano das Relações Exteriores, Assunção dos Anjos.

Autoridades capturam três navios a pescar ilegalmente



Bissau - Os Serviços de Fiscalização Marítima detiveram este fim-de-semana, três navios de pesca com pavilhão italiano, na Zona Económica Exclusiva da Guiné-Bissau.

As apreensões destes navios aconteceram este fim-de-semana, numa operação de fiscalização levada a cabo pelas autoridades marítimas do país. Contactado pela PNN, Mario Dias Sami, Secretário de Estado das Pescas, confirmou a apreensão das embarcações, que se encontram, neste momento, atracadas no porto de Bissau.

De acordo com Dias Sami, os armadores destes navios estariam a praticar pesca dirigida, colhendo mais 96 por cento de pescado que o suposto, quando tinham autorização para a pesca de camarão apenas.

O Secretário de Estado das Pescas disse ainda, desconhecer se os armadores destes navios são funcionários da sua instituição, o que a ser verdade, levará à sua punição, de acordo com as leis em vigor no país. Com esta situação, os infractores correm o risco de pagar uma multa estimada em cerca de 150 mil dólares. O anúncio desta medida deverá ser feito depois da reunião da comissão inter-ministerial, ligada às actividades da pesca.

Preocupado com a fragilidade do controlo das águas territoriais da Guiné-Bissau, o governante anunciou para breve a inauguração de um posto avançado de vigilância na Ilha de Caravela, no arquipélago de Bijagós.

Sumba Nansil

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Maior partido de oposição diz que ex-guarda costas do PM matou general Tagmé

Bissau, 07 Abr (Lusa) - O Partido de Renovação Social (PRS) da Guiné-Bissau afirmou hoje num comunicado de imprensa que um antigo guarda-costas do atual primeiro ministro do país que colocou a bomba que matou o ex-chefe das Forças Armadas, Tagmé Na Waié.
"No encontro do primeiro ministro com os membros da comissão permanente da Assembleia Nacional Popular (...) estes ficaram a saber através de palavras textuais do senhor primeiro ministro que terá sido um dos seus antigos guarda-costas quem transportou e colocou a bomba que vitimou o general Tagmé Na Waié", afirma no documento o PRS, o maior partido de oposição da Guiné Bissau, liderado por Kumba Ialá.
"Estas afirmações não deixam margens para dúvidas sobre o conhecimento deste assassínio por parte do primeiro ministro, do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde", acrescenta o maior partido da oposição, liderado por Kumba Ialá.
Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Quarta-feira, 7 de Abril de 2010

A sombra política da instrumentalização dos militares


Lisboa – Os acontecimentos de 01 de Abril na Guiné-Bissau revelaram, mais uma vez, a fragilidade das forças armadas face às lutas de poder entre chefias militares e favoritismos étnicos, provavelmente instrumentalizadas por forças políticas na sombra.

«Na minha opinião pessoal não há conflitos reais entre os vários povos de África Apenas existem conflitos entre as suas elites» disse Amílcar Cabral.
Uma reflexão que ainda mantém actualidade na Guiné-Bissau. Amílcar Cabral foi assassinado por militantes próximos, incitados pelo Governo Colonial, mas em circunstâncias que ainda hoje permanecem num mistério, como quase todos os assassinatos que ocorreram no país desde a sua independência.

A política guineense está envolta de uma miscelânea de «tabus» e «ormettas» onde todos os culpados são eternamente presumíveis e todos os mistérios permanecem no mesmo estado, permitindo a proliferação dos rumores que por vezes são fatais alimentando um desejo de vingança. Um círculo vicioso, quase mágico... talvez por isso a palavra «mistério» na Guiné-Bissau seja sinónimo de «feitiço» ou «magia». Só alguns conhecem as suas entranhas mas todos sentem a acção dos seus efeitos.

Todo o fenómeno político é o resultado de uma equação composta por um conjunto de factores. Mas a sua autópsia é complexa, especialmente na Guiné-Bissau, onde faltam ou se ocultam órgãos do «corpo político», essenciais para perceber a origem da doença que trava uma vida política saudável. Provavelmente a explicação de Amílcar Cabral estava certa e fosse premonitória: «Apenas existem conflitos entre as suas elites». Uma explicação da patologia que deve ser considerada quando se autopsia o «corpo político».

Os acontecimentos desta quinta-feira, 01 de Abril, na Guiné-Bissau são o resultado por um lado de uma patologia interna guineense e por outro «conflitos entre as suas elites».

Quer o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, quer o chefe do executivo, Carlos Gomes Júnior «Cadogo», foram eleitos democraticamente através de escrutínios louvados pela comunidade internacional. Apenas o Partido da Renovação Social, PRS, do ex Presidente Kumba Ialá, respeitou a sua tradição denunciando fraudes.

Malam Bacai Sanhá assume a chefia de Estado, após duas tentativas eleitorais, na sucessão de «Nino» Vieira assassinado poucas horas depois da eliminação do CEMGFA Tagmé Na Waie. O partido histórico PAIGC conquistou assim todas as condições para uma governação de estabilidade, porém a sede de poder acelerou as divisões internas e fez crescer uma ala disposta a qualquer aliança conjuntural para tomar o poder.

Mas, na Guiné-Bissau, à imagem de todos os países africanos com um frágil Poder Politico, as armas falam mais alto. Há muito que as forças armadas tornaram-se num poder paralelo, com os seus códigos, jogos, líderes, justiças e maiorias. A situação precária dos seus efectivos justificou alianças e apoios de movimentos e organizações exteriores que afectaria a estrutura militar.

O conflito na Casamança foi um destes factores. O tráfico de armas entre a Guiné-Bissau e a rebelião desta região sul do Senegal tornou-se numa fonte de receitas vital para as FA guineenses, beneficiando também o poder político de Bissau que utilizou o argumento do apoio aos homens do Abade Diamacouné como arma de pressão sobre o litígio territorial para definição da zona económica exclusiva.

A questão da Casamança repercutiu-se no conflito guineense de 1998 quando Assoumané Mané reforçou as suas fileiras com rebeldes da Casamança face ao apoio de Dakar a «Nino» Vieira entrincheirado em Bissau.

A mudança de campo da Guiné-Bissau relativamente a Casamança, principalmente quando em 2001 Tagmé Na Waie apoia o grupo rebelde moderado casamancês «Cassolol» contra o radical independentista Salif Sadio, posiciona Bissau ao lado de Dakar, mas priva as FA guineenses da sua maior fonte de receita clandestina.

A alternativa foi encontrada no narcotráfico embrionariamente lançado a partir do Brasil. O paradisíaco arquipélago de Bijagós, com mais de 80 ilhas, tornou-se na plataforma privilegiada por traficantes latino americanos que rapidamente obtiveram a cumplicidade da marinha guineense, transformando a Armada num contra poder nas FA’s, que por sua vez constituiam já outro contra poder no interior do Estado.

Progressivamente, além das FA’s, os traficantes infiltram-se em todo o aparelho de Estado - Ministérios, policia, tribunais - elevando a Guiné-Bissau ao estatuto de Narcoestado. Tendo já a sua estrutura implantada no país, e micro carteis estruturados, os traficantes retiram-se discretamente, confiantes nas suas antenas e redes locais já formadas e capazes de gerir o «negócio». Situação que acabou por ter consequências dramáticas para o país quando carteis nacionais rivais deixaram de se confrontar na sombra levando a disputa para a arena política.

Além dos ministérios e dos tribunais, as FA são o terreno de predilecção das redes de narcotráfico. O papel do CEMGFA torna-se assim vital para o «negócio». A particularidade tribalista das FA que facilita também a tarefa de controlo desta instituição, é outro elemento chave do mesmo «negócio».

A etnia balanta, que representa 30 por cento da população guineense, constitui 70 por cento dos efectivos das forças armadas. O respeito do CEMGFA passa incondicionalmente por este factor. Daí que não é estranho que os nomes dos candidatos à sucessão do balanta Zamora Induta sejam todos balantas. O factor tribal tornou-se assim num elemento que dificulta as reformas necessárias no seio das FA que têm efectivos excessivos para as necessidades do país, mal equipadas e com chefias, maioritariamente ainda oriundas da guerra de independência, quando todos os combatentes também eram políticos, sem formação militar adequada.

Na sociedade tradicional Balanta ser militar é um prestígio. Os militares são considerados os mais «valentes e corajosos». Durante a Guerra Colonial, os balantas aderiram à luta de libertação, ingressando massivamente nas forças armadas do PAIGC. Não são estrategas ou ideólogos, são sim operacionais e dadas as características de sociedade horizontal, não têm a cultura do respeito da chefia ou da liderança.

Durante muitos anos, os Balantas sentiram-se marginalizados e perseguidos pelo então Presidente «Nino» Vieira, que os considerava «conspiradores e egoístas», apesar de ter sido muito próximo desta etnia, que conhecia intimamente.

Com a Guerra do «7 de Junho» em 1998, os Balantas unem-se contra «Nino», que acaba exilado em Portugal. Com Kumba Ialá na presidência, os balantas entram em diferendo com o Comandante Supremo da Junta Militar e co-Presidente, Ansumane Mané, de etnia Mandinga, que resultou na morte deste quando se debatia a atribuição, e retirada, de patentes aos militares. Em 2004, depois do Golpe de Estado contra Ialá, o então CEMGFA, Veríssimo Seabra é assassinado pelos militares por alegada falta de remuneração dos militares guineenses que haviam estado em comissão na Libéria, uma desculpa para um afastamento radical. O cargo é ocupado pelo balanta Tagme Na Waie, também assassinado em 2009, sendo substituído por Zamora Induta, afastado pelo seu número dois, António Indjai, na passada quinta-feira.

Dificilmente se consegue ignorar a contribuição das FA para a instabilidade política e securitária e para o desenvolvimento do narcotráfico. Bubo Na Tchuto, ex chefe da Armada, qualificado pela imprensa como o «Almirante da Coca» (Le Fígaro – 03 de Abril) controlava, através da marinha, o estratégico arquipélago de Bijagós. António Indjai foi presumivelmente o estratega da operação de tráfico de cocaína, chegada a Cufar no início de Março por via aérea. Ambos estão na origem da «revolta» Militar de 01 de Abril que depôs outro balanta das chefias militares, Zamora Induta, o qual vinha preconizando uma reforma das FA que assentaria no aumento do nível académico e no equilíbrio étnico dos novos recrutas. Zamora é agora acusado de abuso de poder pelo porta-voz da FA, Dahaba Na Walna, também balanta e um dos candidatos ao cargo de CEMGFA.

Mais uma vez o teatro político guineense, recentemente estreado no caminho da democracia participativa activa – com dois actos eleitorais com ampla participação popular – é posto em causa pelas lutas de poder entre chefias militares, provavelmente instrumentalizadas por forças políticas na sombra. As movimentações de 01 de Abril mostram a dificuldade de subjugação do poder militar ao poder político, impossibilitando o avanço da preconizada reforma da segurança e e defesa, apoiada pelos principais parceiros internacionais da Guiné-Bissau, como Portugal, Angola e Brasil.

O papel de mediação assumido pelo Presidente da República, considerado essencial para evitar o alastrar da crise a novos níveis de conflitualidade, poderá no entanto ser posto em causa se nada for feito para quebrar o círculo vicioso que rege a relação entre o poder político e o poder das armas em Bissau.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros Português, Luís Amado, lançou já o alerta. «Neste momento, a Guiné-Bissau tem de fazer definitivamente esta opção: ou entra numa via de estabilização e de construção de um estado democrático ou se isola e se torna num caso flagrante de um Estado Falhado», afirmou o MNE português, referindo ainda que «o poder político permanece refém de uma estrutura militar que tem de se acomodar às regras de um estado democrático».

A manutenção das chefias militares que lideraram as movimentações de 01 de Abril poderá à primeira vista ser sinónimo de tranquilidade nas forças armadas. No entanto, não se deve subestimar que a prossecução dos seus interesses, quer no narcotráfico, quer por via indirecta no nível político, poderá significar a continuação do ciclo de instabilidade que tem abalado os anos recentes da Guiné-Bissau.

Rui Neumann

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Intervenção militar foi um "revés"


A intervenção militar do passado dia 01 na Guiné-Bissau constituiu um "revés" nos esforços de estabilização e de relançamento no caminho do desenvolvimento, considerou hoje em Lisboa o presidente do parlamento guineense.
"Os acontecimentos constituem de facto um revés nos esforços que estão a ser feitos para estabilizar a Guiné-Bissau e para relançar o país no caminho do desenvolvimento", disse Raimundo Pereira.
O presidente da Assembleia Nacional Popular guineense falava à saída de um encontro com o seu homólogo português, Jaime Gama, em trânsito para a Guiné-Bissau.
A intervenção militar "teve lugar num dado momento em que ninguém previa, quando tudo estava a caminhar para uma normalidade, para a estabilização do país", acrescentou.
Raimundo Pereira foi apanhado pelos acontecimentos fora do país, quando se encontrava na Tailândia, numa reunião da União Inter-Parlamentar.
Relativamente ao encontro com Jaime Gama, o presidente do parlamento guineense disse que, além de "questões de interesse comum", como os apoios da Assembleia da República portuguesa à instituição congénere da Guiné-Bissau, falaram sobre a intervenção militar.
"São acontecimentos que não deixam de preocupar também a assembleia portuguesa. Segundo informações que temos, existe uma normalidade e estão a ser feitos esforços para, a pouco e pouco, se estabelecer a ordem constitucional", destacou.
"Estou otimista e penso que todos os guineenses estão neste momento a conjugar esforços para que o país não deixe perder a oportunidade que tem, mais uma vez, para retomar o seu lugar no concerto das nações", frisou.
Para Raimundo Pereira, a Guiné-Bissau "já perdeu muito tempo".
"Nós devemos concentrar os nossos esforços na construção do país, na promoção da paz, do diálogo. Defendo que a única via para o desenvolvimento do país é através da democracia, que tem virtualidades próprias para superar todas as crises através do dialogo" concluiu.
A Guiné-Bissau voltou a passar por momentos de instabilidade na quinta feira passada, quando militares liderados pelo antigo chefe da Armada almirante José Américo Bubo Na Tchuto e pelo número dois do Estado Maior General das Forças Armadas, António Indjai, detiveram o primeiro ministro, Carlos Gomes Júnior, e o CEMGFA, almirante Zamora Induta.
Carlos Gomes Júnior, disse na terça feira que o que aconteceu no passado dia 10 foi um "incidente" e que a "situação está ultrapassada".
Carlos Gomes Júnior falava aos jornalistas no final de um encontro tripartido com o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, e o vice-chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, major-general António Indjai, um dos protagonistas da intervenção militar.

General António Indjai deslocou-se à Procuradoria mas recusa-se a prestar declarações a imprensa

Bissau, 07 abr (Lusa) - O líder dos militares revoltosos na Guiné-Bissau, o major general António Indjai, deslocou-se hoje à Procuradoria-geral da Republica, mas à saída recusou-se a prestar declarações aos jornalistas.
Sob fortes medidas de segurança e após cerca de hora e meia no gabinete do Procurador guineense, Amine Saad, o general Indjai disse, quando abordado por jornalistas, que não queria nada com os profissionais da comunicação social.
"Não quero nada com vocês", disse António Indjai, a sorrir, quando entrava rapidamente para a viatura em que se fazia conduzir.
Este texto da agência Lusa foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

ONU quer "repensar" estratégia de segurança para o país

Nova Iorque, 07 abr (Lusa) -- O Conselho de Segurança vai "seguir atentamente" os próximos desenvolvimentos na Guiné-Bissau e admite a necessidade de um "repensar fundamental da estratégia" de segurança deste país áfricano de língua oficial portuguesa.
"É fácil dizer que a reforma do sector de segurança é chave para o sucesso da construção da paz. Mas o que se quer dizer com isso? Estamos mesmo no caminho certo? Quantas pessoas devem ficar nas Forças Armadas? Como vão ser retiradas? Que tipo de remuneração deve ser dada? Estas são coisas importantes", afirmou na terça feira à noite, em Nova Iorque, o diplomata japonês Yukio Takasu, que preside ao Conselho de Segurança.
"Não é a primeira vez que os militares tentam alterar a ordem governamental pela força. (...) Não chega dizer que a estratégia de segurança é importante. Este é um assunto a ser levado a diversas instituições, incluindo a Comissão para Construção da Paz" da ONU, afirmou o presidente da representação japonesa junto das Nações Unidas.

Líder revoltoso pede desculpa à Guiné-Bissau


António Indjai garante que a situação já está ultrapassada, após reunião com o chefe do Governo.





António Indjai, um dos líderes da revolta militar do dia 1 deste mês, pediu hoje desculpa ao país, no final de um encontro com o Primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

O vice-chefe do Estado Maior disse que a situação já está ultrapassada e agora é preciso juntar esforços para o bem da Guiné-Bissau.

No final deste encontro, o Primeiro-ministro proferiu algumas palavras de reconciliação e apelou ao respeito pela democracia.

"O encontro foi bastante produtivo, estivemos com as chefias militares e com o Presidente da República. Como eu disse desde a primeira altura, foi um incidente e nós, enquanto guineenses, enquanto responsáveis políticos, temos de saber enfrentar e discutir os problemas e chegar a um consenso. Penso que a situação está já ultrapassada, vamos é continuar a trabalhar para apaziguar os ânimos", afirmou.

Questionado sobre se falaram sobre a situação de Zamora Induta, o chefe de Estado Maior General das Forças Armadas detido pelos revoltosos, Carlos Gomes Júnior adiantou que há contactos para tentar resolver a situação.

Também o Presidente da República manteve hoje encontros com alguns partidos, numa altura em que a Guiné tenta voltar à normalidade depois da revolta de 1 de Abril.

MNE português adverte que a situação na Guiné-Bissau pode ser "irreparável"


Ulan Bator, 06 abr (lusa) - O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, advertiu hoje as "elites políticas e militares" da Guiné-Bissau que o país "não terá muito mais oportunidades para refazer a sua imagem internacional".
"Neste momento, a Guiné-Bissau tem de fazer definitivamente esta opção: ou entra numa via de estabilização e de construção de um estado democrático ou se isola e se torna num caso flagrante de um estado falhado", declarou Luís Amado à agência Lusa.
O ministro português, que iniciou segunda feira um périplo de cinco dias pela Ásia Oriental, disse ter estado diariamente em contacto com o seu homólogo guineense e com o Presidente e primeiro ministro da Guiné-Bissau, desde a intervenção militar no passado 1 de abril.
© 2010 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Primeiro-ministro Guineense desvaloriza apelos à sua demissão

O chefe do Governo da Guiné-Bissau respondeu aos que pedem a sua substituição. Carlos Gomes Júnior disse que no dia em que for factor de instabilidade será o primeiro "a abrir a porta" para sair, e afirmou estar disponível para o diálogo.

Temos de parar, sentarmo-nos e ouvirmo-nos uns aos outros e, enquanto presidente do partido, enquanto primeiro-ministro estou aberto para dialogar com todas as pessoas para chegar a um consenso", afirmou o primeiro-ministro num encontro com mulheres militantes do PAIGC.
Carlos Gomes Júnior defendeu ainda que é preciso respeitar as instituições e a ordem constitucional e a escolha feita pela população nas urnas.

PAIGC apoia primeiro-ministro

Também o partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) descartou qualquer intenção de vir a substituir Carlos Gomes Júnior na chefia do Governo como tinha reclamado o Partido de Renovação Social (PRS) de Kumba Ialá .

"Essa é a posição do PRS, eles é que pediram, não o PAIGC", afirmou o vice-presidente do PAIGC Manuel Saturnino Costa.

Para o número dois do partido do Governo, a hora é de os guineenses perdoarem uns aos outros, e não de recriminações.

O vice-presidente do PRS, Ibraima Sori Djalo, tinha dito esta segunda-feira que o actual chefe do Governo guineense é o foco de instabilidade no país e desafiou o Presidente da Républica a demitir Carlos Gomes Júnior.

"Nós dissemos ao senhor Presidente da República para ponderar e afastar Carlos Gomes Júnior, porque não está em condições de dirigir o governo", disse Sori Djalo no final de um encontro com o chefe do estado guineense.

"Nós reafirmamos a nossa posição enquanto partido político da oposição, afastem Carlos Gomes Júnior e ponham um outro candidato", concluiu o mesmo responsável que é o presidente em exercício do PRS, devido à ausência de Kumba Ialá.

A Guiné-Bissau voltou a passar por momentos de instabilidade, quando militares liderados pelo antigo chefe da Armada almirante José Américo Bubo Na Tchuto e pelo número dois do Estado Maior General das Forças Armadas, major-general António Indjai, detiveram o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o CEMGFA, almirante Zamora Induta.

O primeiro-ministro foi libertado no mesmo dia, mas Zamora Induta continua detido.

Cabo Verde apreensivo sobre situação na Guiné-Bissau

Praia, Cabo Verde (PANA) - Cabo Verde manifestou segunda-feira a sua apreensão sobre a "situação de anormalidade" na Guiné-Bissau provocada por militares para desestabilizar o Governo democraticamente eleito do primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, apurou a PANA de fonte oficial na cidade da Praia.

Numa segunda reacção aos acontecimentos da semana passada em Bissau, o Executivo cabo-verdiano considera que, além de antidemocráticas, as recentes acções desencadeadas pelos militares guineenses "colocam em risco o processo de normalização institucional levado a cabo no país com um forte envolvimento da comunidade internacional".

"O Governo cabo-verdiano condena veementemente esses actos, expressa o seu firme apoio às autoridades legalmente constituídas no país", sublinha um comunicado do seu Ministério dos Negócios Estrangeiros. O documento exorta o Governo, as Forças Armadas e a sociedade civil da Guiné-Bissau a "conjugarem esforços tendo em vista o retorno imediato à normalidade institucional".

A nota oficial realça ainda que o Governo de Cabo Verde está em contacto com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e com a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para promover uma acção concertada visando restabelecer a legalidade constitucional no país.

A Guiné-Bissau voltou a passar por momentos de instabilidade, quando militares liderados pelo antigo chefe da Marinha, almirante José Américo Bubo Na Tchuto, e pelo número dois do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), general António Indjai, detiveram Carlos Gomes Júnior e o chefe do EMGFA, almirante Zamora Induta.

O primeiro-ministro foi libertado horas depois, mas Zamora Induta continua detido, depois de António Indjai se ter autoproclamado chefe do EMGFA.

Informações ainda não confirmadas davam conta segunda-feira de que Zamora Induta já teria sido transferido da base aérea de Bissau, onde ficou detido desde as primeiras horas do tumulto, para o famoso quartel de Mansoa, a cerca de 60 quilómetros de Bissau.

Com Zamora Induta teriam igualmente sido detidos outros oficiais superiores das Forças Armadas bem como o director dos Serviços de Informação e Segurança do Estado, coronel Samba Djaló.

Terça-feira, 6 de Abril de 2010

Promessa de ajuda financeira do FMI à Guiné-Bissau mantém-se, de acordo com embaixador do Senegal

Bissau, Guiné-Bissau, 6 Abr - A promessa de ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Guiné-Bissau mantém-se, não tendo sido suspensa, declarou sexta-feira em Bissau o embaixador do Senegal, Mamadu Niang.

No final de uma reunião entre o governo guineense e os representantes da comunidade internacional, Mamadu Niang, decano dos embaixadores acreditados na Guiné-Bissau, disse que o FMI está a acompanhar os acontecimentos no país e que, em breve, uma missão visitará a Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau voltou a uma situação de instabilidade na quinta-feira, quando militares liderados pelo antigo chefe da Armada, almirante José Américo Bubo Na Tchuto e pelo número dois do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), o major-general António Indjai, que se auto-proclamou chefe do EMGFA, detiveram o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e o CEMGFA, o almirante Zamora Induta.

Em Washington, fonte do FMI disse à agência noticiosa portuguesa Lusa ter sido adiada a aprovação de um programa de apoio financeiro ao país, um passo para obter um perdão da dívida externa.

Durante uma missão a Bissau, em Janeiro, o FMI aplaudiu o desempenho macroeconómico da Guiné-Bissau e os esforços do governo em 2009 e anunciou um acordo preliminar de financiamento, destinado a apoiar o programa do executivo nos próximos três anos.

No âmbito do programa, o governo prevê reformas na administração pública, na defesa e na segurança e um estímulo à actividade empresarial. (macauhub)

Primeiro ministro da Guiné-Bissau Carlos Gomes Júnior reúne-se com chefias militares "de facto"

Bissau, 06 abr (Lusa) - O primeiro ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, recebe hoje em Bissau as chefias militares "de facto", protagonistas da intervenção militar de quinta feira passada, em que ficou detido por algumas horas.
Desconhece-se se no encontro, que chegou a estar marcado para segunda feira, mas que foi adiado por razões não especificadas, participará o número dois do Estado-Maior General das Forças Armadas, major general António Indjai.
Este oficial, acompanhado do antigo antigo chefe da Armada, almirante José Américo Bubo Na Tchuto, protagonizou um novo episódio de instabilidade em que além do chefe do Govero foi também detido o CEMGFA, almirante Zamora Induta.

Na Guiné-Bissau, dois líderes eleitos pelo povo resistiram à chantagem das armas. Um exemplo para o resto de África, vindo da área lusófona



Um exemplo para África
por Jaime Nogueira Pinto, Publicado em 06 de Abril de 2010 no Jornal I


Em finais de Março de 2010 as notícias sobre a Guiné-Bissau eram esperançosas: o país chegara a uma situação política estável, com um presidente da República e um primeiro-ministro eleitos com maiorias substanciais em eleições livres, justas e aceites por todos.

A política económico-financeira do governo conseguia ir pondo ordem nas contas públicas, pagar os salários em atraso dos funcionários e cumprir o serviço da dívida. O chefe do executivo, Carlos Gomes Júnior, tinha uma equipa capaz e sobrevivera à difícil coabitação com Nino Vieira. Para os militares, onde o grupo dos antigos combatentes balantas persistia como factor de peso, havia um projecto que permitiria reduzir o número de efectivos, passando à disponibilidade os elementos mais velhos mas pagando-lhes as pensões de reforma.

A recente visita a Portugal de Carlos Gomes impressionara muito favoravelmente os interlocutores e animara um grupo de empresários do Norte a investir na Guiné, país que estava nas prioridades de Lisboa. Luís Amado programara uma visita à Guiné-Bissau depois de o presidente Malam Bacai Sanhá ter cá estado.

No entanto, na quinta-feira passada chegam notícias de outro golpe em Bissau, protagonizado pelo n.o 2 das forças armadas, António Injai, o líder da operação punitiva que terminara na morte de Nino. Injai aparecia com Bubo na Tchuto, o ex-chefe da Marinha com alegadas ligações aos narcos que se refugiara na Gâmbia. Juntos tinham detido o PM Carlos Gomes e o CEMGFA, Zamora Induta.

Quando parecia estar iminente novo desastre, duas coisas aconteceram: a primeira foi uma pronta e espontânea reacção popular. A população veio para a rua defender o governo e atacar os golpistas e só retirou quando estes - pelas vozes de Bubo e Injai - ameaçaram matar Carlos Gomes. A segunda foi que o presidente Malam Bacai, com grande coragem e dignidade perante os seus interlocutores armados, se recusou a demitir o primeiro-ministro, solidarizando-se com ele e com o governo. Criticou asperamente a atitude dos golpistas, lembrando-lhes a repulsa e a cólera popular contra eles nas ruas, e conseguiu deles a libertação do PM.

Carlos Gomes mostrou-se um político civil, alguém que não precisa das credenciais de guerrilheiro nem de estar com uma kalash na mão para ser corajoso; mais: que é corajoso com a kalash na mão dos seus inimigos virada contra ele. Só o CEMGFA Zamora Induta continua detido pelos golpistas. Acusam-no de estar a preparar a sua liquidação e dizem agir em "legítima defesa antecipada".

Na Guiné-Bissau, dois líderes eleitos pelo povo resistiram à chantagem das armas. Não podem nem devem ser abandonados neste momento, pois, como demonstraram, representam a derradeira esperança de salvação do seu tão martirizado país. Um exemplo para o resto de África, vindo da área lusófona.


Professor universitário

Bispo de Bafatá pede continuidade do primeiro-ministro da Guiné-Bissau


D. Pedro Zilli afirma, em declarações à Renascença, que é preciso ter em conta a estabilidade do país e o apoio que a população continua a dar ao chefe do Governo.



Em nome da estabilidade da Guiné-Bissau, o Bispo de Bafatá está contra a saída do primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, pedida pelo maior partido da oposição, o Partido da Renovação Social (PRS) de Kumba Ialá. D. Pedro Zilli afirma, em declarações à Renascença, que é preciso ter em conta o apoio que a população continua a dar ao chefe do Governo.

“Eu acho que não faz muito sentido, por uma questão de princípio. Quando é que nós vamos ter um Governo estável no país?”, questiona. O Bispo de Bafatá lamenta a crise política e admite que poderá levar à queda do Governo de Carlos Gomes Júnior.

Para D. Pedro Zilli, a responsabilidade pela situação passa pelos militares e considera que o Presidente da República deveria “agir um pouco mais em favor da estabilidade do país”.

O PAIG, partido do Governo, também já rejeitou a exigência de demissão de Carlos Gomes Júnior feita pelo PRS. Para esta terça-feira, estão previstas várias reuniões do primeiro-ministro com as chefias militares, para se encontrar uma solução para a crise.

Para já, ainda é desconhecido o paradeiro do Almirante Zamora Induta, o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas que foi detido na passada quinta-feira pelos militares revoltosos. Há informações que indicam que terá sido transferido da base aérea nos arredores de Bissau para o quartel militar em Mansoa, no Norte, um zona de grande influência militar de um dos líderes da ultima intervenção militar.

PAIGC descarta substituir Carlos Gomes Júnior

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder) descartou hoje qualquer intenção de vir a substituir Carlos Gomes Júnior na chefia do Governo, reclamada pelo partido de Kumba Ialá.
«Essa é a posição do PRS (Partido da Renovação Social), eles é que pediram, não o PAIGC», afirmou o vice-presidente do partido no Governo, Manuel Saturnino Costa.

Ibraima Sory Djaló, presidente em exercício do partido liderado pelo antigo chefe de Estado guineense, Kumba Ialá, afirmou hoje que o Presidente da República devia demitir o primeiro ministro, Carlos Gomes Júnior, por este ser «o foco de instabilidade no país».

Diário Digital / Lusa

Presidente e partidos tentam encontrar solução para crise militar na Guiné-Bissau


As autoridades da Guiné-Bissau continuaram esta segunda-feira as reuniões para tentar encontrar uma solução para o fim da crise criada pela intervenção militar de quinta feira, que culminou com a detenção do chefe das Forças Armadas, Zamora Induta

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, reuniu-se hoje com representantes dos cinco partidos com assento parlamentar, que defenderam a reposição da ordem constitucional embora o Partido de Renovação Social (PRS) de Kumba Ialá, se tenha distanciado no que respeita à continuação do chefe do Governo no cargo.

Numa posição totalmente diferente e de acordo com o que tem vindo a afirmar nos últimos meses, o PRS pediu a saída do primeiro ministro, Carlos Gomes Júnior, por ser o "foco de instabilidade no país".

No entanto, essa possibilidade, segundo o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC, no poder), nem sequer foi abordado no encontro com Malam Bacai Sanhá.

O chefe do Governo afirmou num encontro com mulheres militantes do PAIGC que quando os seus apoiantes entenderem que não está a governar bem ou que é um fator de instabilidade será o primeiro a sair do cargo.

Domingo, 4 de Abril de 2010

Guiné-Bissau recebe delegação conjunta UA/CEDEAO/ONU

Lagos, Nigéria (PANA) - Uma delegação tripartida integrando representantes da União Africana (UA), da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Organização das Nações Unidas (ONU) foi despachada sábado para a Guiné-Bissau na sequência da sublevação militar ocorrida a 1 de Abril corrente na capital, Bissau, soube a PANA em Lagos de fonte autorizada.

A delegação tem a missão de se inteirar da situação no terreno e ajudar a identificar os passos a dar para restabelecer a normalidade no país depois dos acontecimentos de quinta-feira passada quando militares revoltosos detiveram o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o chefe das Forças Armadas, José Zamora Induta.

Fazem parte desta comitiva internacional o presidente da Comissão da UA, Jean Ping, o presidente da Comissão da CEDEAO, Victor Gbeho, e o representante especial e chefe do Gabinete da ONU para a África Ocidental, Said Djinnit, bem como o antigo chefe de Estado nigeriano, Olusegun Obasanjo.

Em Bissau, a delegação deve encontrar-se com o Presidente da República, Malam Bacai Sanha e com a actual chefia militar que liderou a insurreição para a detenção de Carlos Gomes Júnior e Zamora Induta e a libertação do contra- almirante Américo Bubo Na Tchuto.

Antigo chefe do Estado-Maior da Marinha das Forças Armadas da Guiné-Bissau, este último estava refugiado nas instalações das Nações Unidas em Bissau após o seu regresso, em Dezembro passado, da vizinha Gâmbia onde se encontrava em fuga depois de ser acusado de tentativa de golpe de Estado em 2008.

"A delegação vai sublinhar a necessidade de todas as partes envolvidas respeitarem a ordem constitucional e lembrar-lhes que a CEDEAO não está disposta a negociar a questão da governação democrática e da tolerância zero contra mudanças inconstitucionais de governos", indicou a fonte.

Numa declaração emitida logo após os acontecimentos de quinta-feira, a CEDEAO prometeu uma "forte resposta com consequências drásticas" em caso de qualquer mundança inconstitucional do poder na Guiné-Bissau, país que assistiu ao assassinato do seu Presidente há um ano.

Na quinta-feira, militares revoltosos afastaram José Zamora Induta da chefia do Estado-Maior-General (EMG) das Forças Armadas, mantendo-o encarcerado numa base aérea em Bissau na companhia de vários outros oficiais superiores da corporação, enquanto o primeiro-ministro era mantido sob prisão domiciliária.

António Indjai, até então vice-chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e que liderou a operação, passou a assumir a chefia do EMG com o apoio e assistência de Bubo Na Tchuto.

No dia seguinte, estes dois últimos emitiram um comunicado em nome da Estado- Maior-General das Forças Armada a acusar Zamora Induta de lhes ter "traído" nas suas expectivas de modernizar a corporação transformando-a, em vez disso, num assunto pessoal e submetida aos seus interesses pessoais.

Zamora Induta é igualmente acusado de dispor, injustificadamente, de um "depósito de armas na sua sua residência com mais de 30 espingardas AKM" e de levar as Forças Armadas a intrometer-se em assuntos da competência de outras estruturas do Estado e ordenar detenções arbitrárias de cidadãos.

O comunicado fala, nomeadamente, do "uso da instituição militar para fins que lhe são alheios, resultando em conflito de competências entre as Forças Armadas e outras instituições do Estado" e outros actos que consubstanciam uma "flagrante violação do princípio do apartidarismo das Forças Armadas".

A este propósito, a nota questiona as razões da manutenção do contra-almirante Bubo Na Tchuto "como prisioneiro na sede das Nações Unidas durante três meses sem julgamento" bem como a insistência de Zamora Induta na sua extradição para o estrangeiro, "violando a Constituição da República sobre a inadmissibilidade da extradição de cidadãos (nacionais) da Guiné-Bissau".

O documento é omisso quanto aos motivos da detenção do primeiro-ministro embora a opinião pública guineense a associe ao facto de este ser visto como um "amicíssimo" e cúmplice de Zamora Induta de quem foi padrinho de casamento e financiador do lançamento de um livro seu sobre a Marinha.

Guiné-Bissau: O regresso ao paraíso do narcotráfico



Bissau – As declarações do Presidente guineense e as garantias do Chefe do Executivo não convenceram a comunidade internacional. Com o golpe militar desta quinta-feira a Guiné-Bissau reabriu as portas ao narcotráfico.

Solenemente, perante uma amálgama de jornalistas, o antigo fiel de Zamora Induta, Dahaba Na Walna, porta-voz do Estado-maior General das Forças Armadas, justificou as razões que levaram à detenção do deposto CEMGFA Induta.

Argumentos que não convenceram a comunidade internacional. Samba Djaló foi acusado de ter difundido através da internet uma carta que revelaria as já conhecidas clivagens no interior do PAIGC. Dahaba Na Walna realçou também o papel de «vítima» de Bubo Na Tchuto o qual é qualificado na edição de hoje, 03 de Abril, do prestigiado jornal «Le Fígaro» como o «Almirante da Coca». Paradoxalmente, enquanto realçou a presumível inocência de Bubo Na Tchuto, não se esquivou de acusar Zamora Induta de «tentativa de assassinato do vice CEMG Antonio Indjai, coronel Carlitos Cunda e do tenente-coronel Tcham Naman».

Por fim dá, também, um veredicto final quando alegou que foi encontrado, supostamente na residência de Induta, «um depósito de armas (...), com mais de 30 espingardas automáticas AKM e lança granadas». Um argumento pouco credível quando as armas proliferam na Guiné-Bissau, e muitos reputados civis possuem pequenos «depósitos de armas», devido aos receios de a todo o momento disparar uma revolta militar ou Golpe de Estado, cada vez mais frequentes no país.

Para sustentar as teses das culpabilidades de Zamora Induta e Samba Djaló começaram já a circular nas ruas da capital guineense rumores que indicam que estes dois seriam os responsáveis dos assassinatos de «Nino» Vieira e Tagmé Na Waie.

Apesar da insistência do Presidente guineense, Malam Bacai Sanha, a comunidade internacional não está convicta que a Guiné-Bissau regressou a um «Estado de Direito». O Presidente, que contrariamente ao primeiro-ministro, não foi incomodado pelos fiéis de Antonio Indjai durante o Golpe militar, escuda-se num comprometedor documento assinado a 05 de Março onde Indjai confessou a sua implicação directa numa operação de tráfico ocorrida na noite de 28 de Fevereiro para 01 de Março no aeródromo de Cufar, sul da Guiné, no município de Catio.

Na manhã de 28 de Fevereiro vários indivíduos «brancos e negros» foram vistos a transportarem combustível para o aquartelamento de Cufar, próximo do aeródromo. Por volta das 20h00 foram acesas fogueiras e militares garantiram um perímetro de «segurança» em torno da pista. Por volta das 00h30, 01 de Março, aterrou um avião, de maior porte que os precedentes em operações semelhantes, e durante uma hora foi efectuada a transferência da droga entre os veículos estacionados na pista e o avião. Por volta das 01h30 o avião descolou. A operação estava terminada. No mesmo dia, às 09:00 horas o Comissário da Policia de Catio decidiu deslocar-se a Cufar para tentar apurar alguns pormenores do ocorrido.

Através da Inteligência militar, o Presidente, primeiro-ministro e o Procurador-Geral da Republica, são informados do sucedido, mas Malam Bacai Sanha opta por desmentir o ocorrido em Cufar a fim de continuar a preservar a «boa imagem da Guiné-Bissau» face aos seus parceiros internacionais. Mesmo assim, a 03 de Março, é constituída uma comissão pelos Serviços de Informações de Estado com a missão apurar os pormenores da questão do «avião em Cufar» e apurarem o envolvimento de «altas hierarquias militares», entre os quais António Indjai que acabou por reconhecer a sua responsabilidade directa da operação de narcotráfico em Cufar.

Logo após a assinatura da confissão de António Indjai, de etnia balanta tal como Bubo Na Tchuto, foi detectada uma grande agitação no seio das forças armadas que indicavam a eventualidade de um «levantamento dos balatas no seio das FA», também acólitos do ex presidente Kumba Ialá. Uma situação que o então CEMGFA Zamora Induta tentou controlar, procurando deter e estancar a participação das hierarquias militares no narcotráfico. Mas no domingo, 07 de Março, António Indjai, apesar de estar «sob estreita vigilância» deslocara-se ao destacamento de São Domingos. A preparação do Golpe militar estava em curso, e o circulo próximo do Presidente da República estava ao corrente.

As ligações da «entourage» presidencial com o narcotráfico não são virgens. Por exemplo, o seu chefe de Gabinete defendeu na barra de tribunal guineense vários narcotraficantes sul americanos detidos no pasado em Bissau.

«Estes acontecimentos têm uma ligação directa com a droga, afirma o investigador Vincent Foucher nas páginas do Fígaro, uma vez queo primeiro-ministro e o ex chefe de Estado Maior tinham o general Indj ai em linha de mira por negócios de tráfico de cocaína».

Passou despercebido a muitos correspondentes europeus em Bissau, mas a população da cidade ficou surpreendida quando esta sexta-feira quando viram, nas ruas da capital, pequenos e grandes traficantes, que estavam na sombra e mantinham uma discrição absoluta, manifestarem-se euforica e alegremente nas suas viaturas, comemorando o regresso a um «estado» que lhes convém. Guiné-Bissau regressa ao paraíso do narcotráfico.

Rodrigo Nunes


Foto: Zamora Induta, à esquerda, e António Indjai à direita

Situação foi "perturbação séria à ordem constitucional" - secretário executivo CPLP

Lisboa, 02 abr (Lusa) - O secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, classificou hoje como uma "perturbação séria à ordem constitucional" a intervenção militar de quinta feira na Guiné Bissau e recusou a ideia de que tudo esteja já normalizado.
"Penso que foi uma perturbação séria à ordem interna e à ordem constitucional, portanto muito grave, e por isso precisa de alguma ação que possa alterar esse estado de coisas", declarou à Lusa o responsável da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que parte hoje para a Guiné Bissau.
O guineense Domingos Simões Pereira vai chefiar uma delegação da CPLP, que tem como objetivo avaliar a situação no terreno e colocar-se "à disposição das autoridades guineenses"

Presidente da Guiné-Bissau tenta resolver tensões no país

BISSAU (Reuters) - O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanha, procurou resolver nesta sexta-feira uma disputa entre o seu primeiro-ministro e o general que tomou controle das forças armadas do país, no episódio mais recente de instabilidade a ameaçar o frágil Estado.

A derrubada do chefe das forças armadas na quinta-feira e a breve detenção do premiê Carlos Gomes Júnior geraram críticas da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos países vizinhos do oeste da África. Analistas alertaram sobre a ocorrência de mais conflitos devido à interferência do exército na política.

Os novos chefes militares negaram a tentativa de golpe no país, que é uma das principais rotas de tráfico de drogas para a Europa, e a liderança civil abrandou o incidente como uma disputa interna dos militares.

"Eu fui eleito democraticamente. Eu continuarei a fazer meu trabalho como primeiro-ministro", disse Gomes Júnior depois de uma série de conversas com Sanha no palácio presidencial.

"Os eventos de ontem foram um acontecimento único. Eu acho que a situação já foi resolvida e que as instituições vão trabalhar normalmente."

Os acontecimentos de quinta-feira acontecem após um duplo assassinato no ano passado, do chefe anterior do exército e do presidente, e são o caso mais recente de interferência política pelo exército, que se orgulha de ter conquistado a independência de Portugal em 1974.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que as facções da Guiné-Bissau resolvessem suas diferenças por meios pacíficos.

romessa de ajuda do FMI não foi suspensa - Embaixador do Senegal em Bissau

Bissau, 02 abr (Lusa) - A promessa de ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) à Guiné-Bissau não foi suspensa como foi noticiado pela imprensa, declarou o decano dos embaixadores acreditados junto do Estado guineense.

Em declarações à imprensa a saída de uma reunião entre os representes da comunidade internacional e o Governo guineense, o embaixador do Senegal, Mamadu Niang, afirmou que pelas indicações hoje na posse do FMI não haverá a suspensão da promessa da ajuda.

"Em relação às informações que foram avançadas ontem (quinta feira) em relação ao FMI e tendo em conta as informações de que dispomos hoje, a ajuda do FMI não está suspensa. O FMI observa o processo e deve visitar a Guiné-Bissau brevemente", disse o embaixador, sem especificar se estava a citar o FMI ou o Governo guineense.

Sexta-feira, 2 de Abril de 2010

PM garante normalidade e Indjai pede desculpas


A situação na Guiné-Bissau parece estar a regressar à normalidade depois do primeiro-ministro ter garantido hoje que os incidentes registados "vão ser ultrapassados". Carlos Gomes Júnior disse ainda que vai continuar no cargo depois de ter reunido com o presidente da República, Malam Bacai Sanhá. Já esta tarde o general António Indjai veio falar aos jornalistas para pedir desculpas ao povo da Guiné-Bissau.

Carlos Gomes Júnior garantiu hoje que a situação que se viveu nas últimas horas na Guiné-Bissau vai ser ultrapassada e que o seu cargo se mantém e que irá continuar a cumprir o seu mandato.
"Vou continuar como primeiro-ministro. Vou continuar o mandato. Fui eleito pelo povo", afirmou o primeiro-ministro da Guiné-Bissau ao mesmo que garantiu que os incidentes registados ontem vão ser ultrapassados.

"Vou para o gabinete tratar dos assuntos correntes", acrescentou Carlos Gomes Júnior após falar com os jornalistas e depois de ter estado reunido com o Presidente da República, Malam Bacai Sanhá.

Recorde-se que o antigo chefe do Estado-Maior da Armada, José Américo Bubo Na Tchuto, e o actual vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, major general António Indjai, protagonizaram no dia de ontem uma intervenção militar que conduziu à detenção do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, almirante Zamora Induta.

O primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, chegou também a estar detido pelos militares, mas já regressou a casa e ao trabalho, mantendo-se nesta altura detido Zamora Induta.

Indjai pede desculpas

O general António Indjai cumpriu o prometido ao início da tarde de hoje e veio falar aos jornalistas para pedir desculpa pelas palavras de ameaça de morte proferidas no dia de ontem contra o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior.

"Só queria pedir desculpa pela alteração que tinha ontem devido à pressão que estava em mim. No trabalho que estávamos a fazer proferi uma frase que não é boa, por isso peço desculpa à sociedade civil e ao povo da Guiné-Bissau", declarou António Indjai.

O general Indjai pediu desculpa e apresentou como justificação para a sua atitude de ontem a "muita pressão" que tinha sobre si pelo que "devido à aglomeração de pessoas nas ruas disse que se o povo não abandonasse as ruas vou mandar matá-lo".

As palavras de desculpa ao povo da Guiné-Bissau foram proferidas por António Indjai numa conferência de imprensa no quartel-general na Fortaleza d'Amura, em Bissau.

Já quando questionado a falar sobre a situação do almirante Zamora Induta, de quem era vice-chefe do Estado-Maior, António Indjai afirmou que aquele oficial se encontra detido "mas não lhe fizeram nada de mal".

"Zamora está detido, juntamente com o coronel Samba Djaló, mas não lhe fizeram mal nenhum, não lhe beliscaram sequer. Terá que ir responder na Justiça pelos males que fez", sublinhou Indjai ao mesmo tempo que desmentia que tenha havido mais detenções de militares ou civis.

Já sobre a situação de Zamora Induta, se continuava a ser o chefe do Estado-Maior ou não, António Indjai disse que não, mas que as Forças Armadas iam aguardar pela indicação "pelos políticos" de um novo responsável, deixando entender que Zamora Induta não voltará para esse posto.

Em nota lida pelo major Dabana Walna, chefe do gabinete de Zamora Induta, foi apresentado um conjunto de acusações contra o chefe do Estado-Maior, nomeadamente alegadas tentativas de assassínios de oficiais militares, divisão, personificação do Exército e uso indevido de armas.

O primeiro ministro da Guiné acaba de dizer que acredita que situação de instabilidade política no país já está ultrapassada

Numa curtíssima declaração aos jornalistas, Carlos Gomes Júnior diz tudo não passou de um incidente. Depois de uma reunião com o Presidente da República, o primeiro ministro, que ainda ontem estava detido pelos militares, garantiu que vai continuar a chefiar o governo.

2010-04-02 14:06:47

Detido o chefe da contra-inteligência militar

O coronel Samba Djaló, director da Divisão de Informação e Segurança Militar (contra-inteligência militar), é um dos oficiais ontem detidos pelos militares revoltosos da Guiné-Bissau, anunciou a Lusa.

Djaló, também director-adjunto dos Serviços de Informação de Estado do Ministério do Interior, teria sido detido por no fim de Novembro de 2009 ter divulgado à imprensa um documento secreto que alertava para os riscos de instabilidade no país, devido a alegadas movimentações internas para a convocação de um congresso extraordinário do PAIGC que afastasse da liderança deste partido o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.

Em consonância com o que então se dizia nesse documento, o primeiro-ministro e líder do partido maioritário foi ontem uma das primeiras pessoas a ser detidas mal o contra-almirante Bubo Na Tchuto saiu das instalações das Nações Unidas onde se encontrava refugiado e começou a colaborar com os revoltosos, que tinham à sua frente o vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general António Indjai.

Algum tempo depois, Carlos Gomes Júnior ainda conseguiu regressar ao seu gabinete, mas por pouco tempo. E daí seguiu para casa, onde permanece sob controlo dos militares que obedecem a Bubo Na Tchuto e a António Indjai.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lançou hoje um apelo para que a ordem das instituições seja reposta na Guiné-Bissau e para que se restabeleça um Estado de Direito.

De igual modo a responsável pela política externa da União Europeia, Catherine Ashton, pediu o “fim imediato dos comportamentos irresponsáveis”. E um dos comportamentos mais irresponsáveis de todos teria sido ontem o de Indjai, quando ameaçou matar Carlos Gomes Júnior se muita gente não deixasse de andar nas ruas de Bissau a manifestar-se solidária com o primeiro-ministro.

Em consequência de mais esta intervenção de militares na vida guineense, o Fundo Monetário Internacional adiou a aprovação do seu programa de ajuda ao país, que é um dos seis mais pobres do mundo, segundo os dados da CIA.

O Secretário Executivo da CPLP acredita que a situação na Guiné-Bissau pode ser corrigida

Domingos Simões Pereira diz que a organização está disponível para ajudar.

Guiné Bissau na SIC Noticias em 01-04-2010



Jornalista Cândida Pinto comenta golpe de estado da Guiné Bissau na

Sic Notícias